Sr e Sra Potter – Cap 9 2


Anteriormente:

– Ainda não sei do que você esta falando. – menti. – Só comi alguma coisa que não me fez bem.

Eu não poderia contar a verdade. Ninguém pode saber a verdade.

Quando dei por mim todos estavam no meu quarto conversando e até onde sei, por ordem da Lene ninguém tocou no assunto.

Acho que estou livre de ensaios pelo menos por hoje e amanhã.

Cap 9 – Ensaio Geral

Eu já tinha melhorado do meu ataque de pânico e já não sentia mais nada, nem tonturas, nem estomago ruim, nem palidez, eu estava novinha em folha, pelo menos por hoje.

Eu preciso dar um jeito nisso. Como vou apresentar na frente da escola inteira se não consigo me apresentar nem na frente do sexto ano da minha casa?

Não pude pensar muito nisso, afinal todos estavam no quarto conversando e brincando depois do ocorrido. Acho que a ideia geral era ficar com a Lily até que ela melhore.

Assim que todo mundo deixou meu quarto na intenção de ir dormir a Lene me arrastou para o salão comunal, que já estava deserto.

– Agora pode me explicar como foi que tudo chegou a esse ponto? – ela me perguntou.

– Eu disse que não iria dar certo. Não sei por que você ainda ajudou o Sirius e me colocar no papel principal. – reclamei.

– Já te disse algumas vezes que eu não ajudei o Sirius. – respondeu a Lene revirando os olhos.

Ela não pode revirar os olhos assim. Sou eu que faço isso!

– Não vai dar certo Lene. – eu disse mais uma vez caso ela ainda não tenha entendido.

– Mas é claro que vai. É só você imaginar todo mundo sem roupa. – ela comentou dando de ombros.

– Por que sem roupa? – perguntei sem entender.

– Sei lá! Todo mundo diz que isso ajuda. – ela respondeu dando de ombros.

Preciso dizer que só tenho amigos loucos?

– Não podemos inventar que eu estou com uma doença muito contagiosa e não fazer esse ensaio geral? – sugeri.

Minha ideia é fantástica. Eu fico na enfermaria fingindo estar morrendo por alguns dias, pego a lição com as meninas e não preciso estar em ensaio nenhum, e com sorte eles colocam alguém no meu lugar.

– Sem chance gênio! Você e o Tiago ficam muito lindos juntos. – ela disse empolgada. – Sem contar que já esta na hora de você superar esse seu medo.

– E quem disse que eu consigo? Eu já tentei ok? Só que não deu certo! – respondi irritada.

Eu já tentei, alias o que ela pensa que eu estava fazendo mais cedo? Brincando de passar mal? Eu estava tentando!

– Tente até conseguir! – disse a Lene empolgada. – Eu posso te ajudar.

– Como? – perguntei já me interessando.

Eu realmente preciso de ajuda, e como a Lene já sabe…

– Não sei! No que você precisar. – ela respondeu dando de ombros.

Ótimo! Ela nem ao menos tem um plano!

– Que tal me ajudar não me abrigando a passar esse mico? – perguntei colocando a mão na cintura emburrada.

– Sinto muito Lily. Não tem como desfazer a burrada do Sirius. – ela comentou parecendo levemente chateada.

Até parece que ela não gostou! Acho que um dos sonhos da Lene é me ver casando com o Potter ou qualquer coisa parecida, por que ela sempre esta com um dedinho nos planos malucos do Sirius para me juntar ao amigo dele.

Acho que todo mundo se esqueceu de dois pequenos detalhes, eu não gosto do Potter, não desse jeito pelo menos, e o Potter já superou a quedinha que ele tinha por mim. Então não tem como isso acontecer. A não ser no mundo mágico e fantasioso do Sirius.

– Sua burrada e do Sirius! – eu respondi revoltada.

Como ela ainda tenta negar? É muito obvio que foi ela que ajudou o Sirius.

– Não vou discutir isso com você de novo. O ponto é que não podemos deixar que aconteça o que aconteceu hoje de novo. – ela disse pensativa.

– Eu sei um jeito. – eu disse empolgada.

– Que seria…? – ela me perguntou na defensiva.

Até parece que ela não pode confiar nas minhas idéias brilhantes.

Certo… Isso soou meio Sirius agora.

– Simples e fácil. Eu não vou mais participar da peça. Eu posso ser a faxineira ou sei lá o que. Tudo menos ter um papel e decorar falas. – minha ideia não é perfeita?

– Faxineira? – ela me perguntou descrente.

– Claro. Precisamos de alguém para limpar o palco e tudo mais… Distribuir água para o pessoal… Essas coisas.

– Eu realmente não sei de onde você tira essas idéias. – ela disse rindo.

– Não estou brincando Lene. Minha ideia é perfeita. Fingimos que estou doente, ai vocês vão ter que colocar alguém temporariamente no meu lugar para os ensaios, e quando eu falar que melhorei vocês mantém meu substituto. É um ótimo plano!

– É um péssimo plano Lily. Não temos substituto. – ela disse emburrada.

– Podemos achar um. – eu disse na mesma hora.

– Tiago não vai gostar dessa ideia. – ela comentou pensativa. – E nem você.

– O Potter sobrevive. E eu vou adorar!

– Adorar? O Tiago vai ter que ficar agarrando alguém na sua frente!

– E o que isso tem demais? – perguntei.

Sinceramente não sei por que eles ainda pensam que eu gosto dele. Acorda! Eu já disse que não gosto!

– Não vou entrar nesse assunto por que você já teve um dia e tanto hoje. – ela comentou balançando a cabeça despreocupada.

– O que faremos amanhã? – perguntei ignorando a revolta da Lene com os meus não sentimentos pelo Potter.

– Você pode tentar mais uma vez. – ela disse indiferente.

– Mais uma vez? Não acha que uma única vez já foi tortura de mais? – perguntei desesperada.

Definitivamente eu não quero passar por tudo aquilo de novo.

– Pelo menos dessa vez tente ficar com os olhos abertos. – ela me pediu rindo.

– Pensei que ninguém tinha reparado. – respondi emburrada. – Sem contar que sempre posso usar a desculpa que a luz estava me cegando.

– Pode até ser desculpa, mas ninguém realmente vai acreditar nela. – comentou a Lene.

– Lene eu não posso tentar de novo. – comentei angustiada.

– Como não? Você mesma não disse que tem que enfrentar seus medos? Você é uma grifinoriana Lily… Sou maior qualidade é a coragem. Você consegue. – ela me incentivou.

– Eu não sei… Estou mais para uma sonserina medrosa. – comentei chateada.

Eu sei que deveria ser corajosa, e eu até sou na maioria das vezes, mas… Eu tinha tentado, não tinha? E olha o que houve? Eu quase tive um ataque, melhor, eu tive um ataque de pânico na frente de todo mundo.

– Confie mais um si mesma. – ela disse com um sorriso terno.

– Juro que estou tentando. – respondi tentando parecer animada.

Ficamos quietas por alguns segundos até que a Lene quebrou o silêncio:

– Já resolveu sua situação com o Snape? – ela me perguntou.

– É complicado. Eu gosto muito do Snape. Ele foi meu melhor amigo por muito tempo. – comentei pensativa.

– Foi? No passado? – ela me perguntou pensativa.

– Não esta dando certo. Eu não aceito os amigos dele e nem o que ele esta se tornando Lene. Não quero um comensal da morte como melhor amigo. – respondi chateada.

– Eu não gosto dele Lily, mas tenho que admitir que do jeito estranho dele, ele te ama. – ela comentou.

– Eu sei, mas não gosto dele assim. Só como amigo. Ele disse que se eu o quisesse e fugisse com ele, ele largaria tudo isso, mas…

– Eu sei! – ela disse pensativa e compreensiva.

– Ainda estou chateada pelo que ele fez. – comentei.

– Não teria como não estar. – ela respondeu dando de ombros. – Mas vamos deixar isso para lá e ir dormir. Temos muito que fazer amanhã.

– Acha que o ensaio pode dar certo? – perguntei na defensiva.

– Claro que vai dar certo. – ela me respondeu sorrindo antes de se levantar para ir dormir. – Você não vem? – ela me perguntou quando já tinha chegado à escada e eu nem ao menos tinha me levantado do sofá.

– Vou ficar mais um pouco. – respondi sorrindo para acalmá-la.

Minha amiga deu de ombros antes de continuar subindo para o quarto.

Fiquei algum tempo ainda pensando em um jeito de superar tudo isso. A Lene esta certa sabe. Eu não posso deixar que isso tome conta de mim, mas como se supera um medo desses? Simplesmente ir lá e tentar não esta dando muito certo.

– Lily? – escutei o Potter.

– Ah oi! – eu disse quando o vi se aproximando só com a calça de moletom. – Acordado há essa hora? – perguntei.

– Vim beber água e você o que faz aqui? – ele me perguntou indo até a mesa pegar água.

– Estava sem sono. – respondi sem importância.

Eu não estava sem sono, estava morrendo de sono, mas quem sabe se eu ficar acordada o dia seguinte não demore a chegar?

– Esta melhor? – ele me perguntou.

– Bem melhor. – respondi sorrindo.

É claro que eu estava melhor. Só tínhamos nós dois aqui.

– Vou subir. Não fique aqui até muito tarde.

– Pode deixar. – respondi.

– Qualquer coisa me chame. – ele pediu parecendo preocupado.

– Não vai ser necessário. Estou ótima! – respondi sorrindo.

Ele sorriu. Deu-me um beijo no rosto e subiu para o quarto.

Lutei contra o sono por mais algum tempo e não sei que horas perdi a luta, mas acordei com o Remus pela manhã:

– Lily! Acorde! – ele me chamou.

– Mais cinco minutos. – pedi manhosa.

– Temos meia hora antes do café. – ele me respondeu.

Mesmo frustrada levantei da cama e fui tomar um banho. As meninas já estavam se arrumando quando cheguei ao quarto e ninguém fez comentários sobre eu dormir no sofá. Melhor assim!

O dia se arrastou até o fim da tarde e novamente eu estava lutando desesperadamente para não entrar em pânico.

Eu sou uma garota forte e destemida, então eu simplesmente entre na sala para o ensaio como se nada tivesse acontecido.

Cheguei cedo, algumas pessoas conversavam e o Potter e o Sirius ainda não tinham chegado.

– Qualquer coisa avise que paramos tudo ok? – me perguntou a Lene quando a Alice foi se trocar.

– Espero não precisar Lene! – eu disse sentindo aquele friozinho na barriga.

Arrumei-me logo e fui pesquisar sobre a peça. Afinal, até onde eu saiba não poderíamos usar magia, então como podemos nos trocar e tudo mais com a varinha?

Descobri que não podemos criar com magia, mas podemos usar o que já está feito, ou seja, o cenário não pode ser transfigurado nem nada parecido, mas podemos trocá-lo usando magia. O que convenhamos é o que facilitou a nossa vida.

Não demorou para o Potter e o Sirius chegarem.

– Esta animada hoje ruiva. – comentou o Sirius bagunçando o meu cabelo.

– Pode arrumar! Demorei mais de dez minutos para fazê-lo. – eu reclamei indicando meu ex-coque.

– Eu sou homem Lily. E homem não sabe arrumar cabelo. – comentou o Sirius dando de ombros.

– Pois você tem cinco segundos para aprender. – eu disse irritada.

Onde já se viu? Passo longos dez minutos na frente do espelho tentando usar a varinha para arrumar o cabelo e vem o Sirius e bagunça tudo.

– Você vai ter que aprender a fazer o coque rápido Lily. Na peça vai precisar usá-lo várias vezes. – comentou a Alice vendo a discussão.

– Mais um motivo para eu bagunçar seu cabelo. Para você treinar! – comentou o Sirius fazendo aquele sorriso pretensioso.

– Eu treino outra hora. Agora você vai arrumar o que você fez. – eu disse irritada.

– Não vou não anã. – ele me respondeu rindo.

– Um… Dois… – comecei a contar.

– Vai fazer o que? Pisar no meu pé? – ele perguntou rindo.

– Três… – eu continuei já preparando a varinha para deixar o Sirius com uns dentes gigantes de coelho.

– Parem os dois com isso! – pediu o Potter.

– Quatro! – eu disse ignorando o Potter.

– Você ainda não está pronta Lily? – perguntou a Lene chegando para ver a confusão.

– Culpa do seu querido e amado assistente. – comentei emburrada.

– Deixa isso comigo. – disse o Potter já apontando a varinha para o meu precioso cabelinho.

– Nem vem… Aposto que vai me deixar careca. – comentei já indo para trás.

– Vamos lá ruiva. Não vai doer nada. – ele disse com aquele sorriso.

Sabe aquele sorriso que fez todas as meninas dessa escola, acho que do planeta inteiro, suspirarem pelo canto e fazer tudo que ele quiser? É… Foi esse sorriso. Mas eu como sou uma pessoa imune ao Potter simplesmente sai correndo e me escondi atrás da Lene.

– Eu não sou escudo humano! – só escutei a Lene reclamando antes de um feitiço azul atingi-la e o cabelinho dela ficar parecendo que a vaca lambeu.

Acho que o Potter realmente não sabe arrumar o cabelo. O que se for parar para pensar é bem obvio já que ele nunca nem ao menos consegue pentear o dele.

– Opa! – ele disse passando a mão pelo cabelo.

– Tiago Potter! – gritou a Lene furiosa.

– Eu gostei! – o Sirius disse contente. – Ficou sexy! – ele comentou com aquela voz cheia de malicia.

– Eu disse que ele não sabia arrumar cabelo. E eu gosto dele ondulado. – comentei indicando o meu próprio cabelo.

– Eu quero meu cabelo de volta. – gritou a Lene irritada.

– Seu cabelo ficou legal. Não sei do que esta reclamando. – comentou o Tiago depois que se escondeu atrás do Remus.

– Querem parar com tudo isso e começar o ensaio logo? Precisamos passar várias cenas ainda hoje. – ele disse todo sério.

– Tinha que ser o Remus para acabar com a brincadeira. – reclamou o Sirius.

Depois que o cabelo da Lene voltou ao normal, graças a Alice, e o meu ficou arrumado de novo, também graças a Alice, fomos todos para os nossos lugares.

Ainda rindo as luzes se apagaram e logo estava focada na Alice que tentava manter o rosto sério.

– O Tiago que começa. – anunciou a Lene para o menino da luz.

– Foi mal! – ele respondeu sem graça.

Com a luz no Potter ele já logo começou a falar.

Foi quando chegamos à parte do “Com que freqüência fazem sexo?” que me lembrei que estávamos com muitas pessoas em volta.

Esse povo não sabe realmente ficar de boca fechada, não é? Poxa! Tinha que dar risada? Eu não me lembrava que isso aqui era um ensaio geral e meu estomago não estava doendo, assim como não estava com tontura, nem pressão baixa nem tudo mais que uma pessoa possa sentir em um ataque de pânico.

Não! Eles definitivamente não sabem ficar quietos. Poxa! Tudo mundo sabe que tem essa pergunta na peça, assim como todo mundo sabe que ela termina com o Potter dizendo alguma coisa como “Pergunta sobre sexo de novo! Dez!”. Por que rir? Não é engraçado!

Assim que as luzes apagaram corri e tomei um pouco de água com açúcar. Quem sabe ajude?

Coloquei o vestidinho florido novamente e estava pronta para a próxima cena.

– Você olha lá que eu vou dar uma olhada por aqui. – disse um dos policiais entrando em cena.

– Houve um crime feio por aqui e a policia esta procurando quem esta viajando sozinho. – disse o barman para o Potter enquanto preparava um drink, ou melhor, fingia preparar um, já que não tínhamos nem água.

– Está sozinho senhor? – perguntou um dos policiais. – Está sozinho?

E eu entrei no palco.

Até que foi fácil. Acho que a água com açúcar ajudou um pouco, tirando que meu corpo ficou um pouco mole.

– Senhorita seu passaporte. – me pediu um dos policiais.

– Senhora, seu passaporte. – Pediu ele novamente.

– Está sozinha? – Perguntou o outro menino. – Está sozinha? – Me perguntou novamente

– Não. – Eu respondi dessa vez decidida e confiante.

– Não… Não. Está tudo bem. Ela esta comigo. – Disse o Potter já vindo na minha direção.

Ele mostrou a arma na cintura atrás da blusa e eu aproveitei para mostrar a minha na perna. Nos abraçamos e saímos rápido indo para o outro lado do cenário, onde abrimos na porta e entramos no quarto.

Assim que encontramos o ouvido na porta eu disse:

– Eu sou a Jane.

– John. – Ele me respondeu.

– Prazer. – Eu disse lhe estendendo a mão.

– O prazer é meu. – Ele respondeu sorrindo.

Oh! Eu consegui fazer duas cenas. Dá para acreditar nisso?

Não importa que meu estomago esta um horror e que não sinto meus dedos direito. Quem se importa? Eu fiquei dez minutos no palco com mais de trinta pessoas me olhando.

Coloquei a calça jeans e a camiseta, soltei meus cabelos e logo senti o braço do Potter passando pelos meus ombros.

– Se sente melhor? – ele me perguntou antes das luzes se acederem.

– Vamos ver. – eu disse apreensiva.

Andamos pelo corredor. E devo acrescentar que ficou bem legal a parte do cenário andando junto conosco fazendo parecer que o corredor era bem maior.

Paramos em frente a tal barraquinha de tiro ao alvo, onde um menino estava nos olhando e sorrindo.

– Eu quero tentar. – Eu disse quando paramos de andar.

– Dois. – Disse o Potter entregando o dinheiro. – Sabe segurar isso aí? – Ele me perguntou enquanto eu esperava o menino me entregar à arma.

Assim que peguei a arma, alias, a coisa foi meio que gradual, o Potter me soltou, eu peguei a arma, o menino ficou me olhando e sorrindo.

Eu sei que ele estava só sorrindo e querendo parecer gentil, mas estava com cara de riso. Isso mesmo. Parecia que ele estava segurando o riso. E o que devo dizer? Meu estomago não gosta de pessoas sorridentes.

– Assim? – Perguntei segurando a arma e sorrindo nervosa para o Potter.

– Isso. – Ele disse rindo.

Eu tentei acertar um tiro e levei um susto quando escutamos um estalar bem alto ao fundo.

– Abaixem esse som! – escutei a Lene reclamando.

– Tem que mirar. – me disse o Potter rindo ainda mais.

– Eu estou! – eu sei que deveria ter dito isso rindo, mas eu estou passando mal aqui!

Não precisei nem mirar novamente e escutamos um outro estalo, acho que deveria simular o barulho da arma novamente, mas acho que deu alguma coisa errada, por que as latas não saíram do lugar.

E claro que eu aproveitei a distração para sair correndo para o banheiro novamente. Melhor agora do que quando meu estomago realmente reclamar.

Tudo bem! Ele já estava reclamando, mas eu não queria admitir que estava novamente tendo uma crise de pânico. O pior que dessa vez eu estava orgulhosa de mim mesma. Poxa! Eu tinha aguentado três longas cenas. Mereço um desconto não é?

Até parece! Minhas pernas acharam que foi adrenalina de mais para uma pessoa só e resolveram falha bem na hora que eu mais precisava delas.

É… Acho que qualquer um, incluindo eu mesma, achou que eu iria de cara no chão, igual um abacate maduro, mas eu tenho um herói. Parece meio glichê que é sempre um dos marotos que me salva, mas pelo menos dessa vez não foi o Sirius e sim o Potter.

– Eu sabia que você não estava bem. – ele disse quando me pegou.

– Banheiro, por favor. – pedi quando ele me pegou no colo e ficou parado olhando para a minha cara.

Acho que novamente estaria gliche se eu dissesse que coloquei tudo para fora de novo, mas bem… Crises de pânico devem ser sempre iguais, não é?

Não demorou muito e escutei a voz do Remus.

– A Lene pediu para você ir que eu cuido da Lily. – ele disse.

– Não vou sair daqui enquanto não souber se ela esta bem. – reclamou o Potter.

– Ela vai ficar bem! Não confia em mim? – o Remus perguntou.

– Eu volto assim que der. – escutei o Potter dizendo antes de escutar o barulho da porta.

Assim que escutei a porta se fechando de novo, coloquei a cabeça para fora do Box e vi o Remus.

– Ele já foi? – perguntei tentando não deixar ele perceber que eu fiquei feliz pelo Potter ter saído.

Não me entenda mal, mas… Quem é que iria gostar que te vissem toda descabelada, pálida e provavelmente toda suja de coisas nojentas que eu nem vou citar.

Tudo bem que eu não tinha certeza se estava realmente suja, por que não tive chances de me olhar no espelho, mas… Enfim! Melhor não correr o risco!

– Ele já foi e assim como tudo mundo esta querendo saber o que esta acontecendo com você. – ele me disse parecendo preocupado.

– Acho que meu estômago esta irritado por não ganhar chocolate todos os dias. – eu disse com a minha melhor desculpa. – Eu estou pelo menos! – completei quando vi a cara de descrente dele.

– Sirius disse que iria repor seu estoque de chocolates essa noite. – comentou o Remus dando de ombros.

– Sirius é um anjo! – eu disse animada.

Claro que não tão animada, já que segundos depois tive que voltar correndo para o banheiro, mas fazer o que… Meu estomago é burro e não percebeu ainda que não estamos mais em um palco.

– Não vai me contar o que você tem? – ele me perguntou enquanto eu lavava o rosto.

– Eu tenho um estomago fresco que não sabe viver sem chocolate. – respondi dando de ombros.

Pelo menos eu não sei viver sem chocolate, principalmente diante de tantas crises.

– Você não vai mesmo me dizer, não é? – ele me perguntou parecendo aborrecido.

– Eu já te disse minha teoria. Não sei por que você não acreditou! – menti novamente.

Será que eu consigo parar de mentir por pelo menos uma hora?

Logo voltamos para o salão comunal. O Remus disse que iria se arrumar, iria sair com a Dora por ai.

Eu sei que sou monitora e deveria ter feito ele mudar de ideia, mas ele precisa mesmo ficar mais tempo com a Dora, afinal, foi eu que juntei os dois, e quero ser madrinha do casamento.

Logo o pessoal foi chegando do ensaio e me cansei de tantas pessoas que vieram me perguntar se eu estava bem. Eu nem sabia que conhecia tanta gente!

– Eu conheço tanta gente? – perguntei para a Lene e para o Potter que estava no sofá maior.

– Não, mas ele conhece. – respondeu a Lene indicando o Potter com a cabeça.

– Não tenho culpa se eles acham que temos um envolvimento romântico. – ele respondeu dando de ombros.

Nenhum dos dois tocou no assunto sobre minha nova crise e o Potter por sorte não me fez perguntas.

Assim que o salão estava mais vazio o Sirius apareceu todo arrumado:

– Estou indo em Hogmead. Além do estoque de chocolates da Lily, vão querer mais alguma coisa? – ele perguntou para nós três.

– Um dia de folga. – pediu a Lene antes de subir.

Ela assim como todos nós sabemos que o Sirius não esta indo para o vilarejo só para conseguir meus chocolates. Ele tinha um encontro, então o mau humor da Lene estava explicado.

– Lene…? – me perguntou o Potter quando o Sirius saiu.

– Sirius! – respondi dando de ombros.

– Qual dos dois é mais teimoso? – ele me perguntou rindo.

– Eu acho que é o Sirius. Pelo menos a Lene admite que gosta dele. – comentei pensativa.

– O Sirius também já admitiu. – reclamou o Potter.

– Ele estava bêbado. Então não conta. – eu disse revirando os olhos.

– Claro que conta! Lembro-me muito bem dele com aquela voz mansa e o bafo de wisk de fogo na nossa cara dizendo “Pontas ela é de mais. Sua amiga é meu chão Lily! Eu amo vocês. Eu amo aquela garota!”

– Ele estava bêbado e amava todo mundo. – comentei rindo.

Ficamos mais algum tempo conversando sobre os dois. Foi quando eu bocejei que percebi que já estava incrivelmente tarde. O Sirius já até deveria estar voltando.

– Esta esperando seus chocolates? – me perguntou o Potter quando viu que eu não levantei da poltrona.

– Pelo menos não estou deitada no sofá com cara de sono. – brinquei.

– Deita pode não estar, mas cara de sono já é outra coisa. – ele respondeu rindo.

– Não estou esperando o Sirius. Só não tinha percebido como esta tarde. – eu disse pensativa. – E você? Esta esperando ele ou o Remus voltarem?

É o Remus e a Dora tinham sumido antes do Sirius e até agora também não voltaram.

– Nenhum dos dois. Estava esperando o salão comunal ficar vazio. – ele disse com um sorriso diabólico no rosto e se levantando do sofá.

– Gosta de ficar sozinho de noite? Se tivesse me aviso eu tinha subido. – brinquei.

– E meus planos iriam por água a baixo ruiva. Eu estava esperando todo mundo sair para nos deixar a sós. – ele respondeu já se aproximando.

– Não quero ensaiar. – eu brinquei tentando me levantar para sair correndo dali.

O Potter querendo ficar sozinho comigo a essa hora da noite? Isso não deve ser boa coisa.

– Agora você não vai escapar. – ele disse colocando um braço de cada lado da minha poltrona e se aproximando um pouco de mim, me deixando sem escolhas a não ser me afundar na poltrona vermelha.

– Eu não fiz nada! – fui logo me defendendo seja lá do que ele possa estar pensando.

– Acha mesmo que eu não percebi essas suas crises de estomago? – ele me perguntou ignorando minha declaração de inocente.

– São só crises de estomago! – eu menti novamente.

– Você realmente mente muito mal. – ele comentou parecendo decepcionado.

O que eu posso fazer se nunca ninguém parou para me ensinar a mentir?

– Vamos lá Lily. Eu só quero saber o que esta acontecendo. – ele me pediu se aproximando um pouco mais e me fazendo afundar ainda mais na poltrona.

– Eu já disse… Minha teoria é a falta de chocolate.

– Você esta sem chocolates há mais de uma semana, como só começou a passar mal agora? – ele me perguntou não parecendo acreditar nem por um segundo na minha incrível teoria.

– Demora para o corpo perceber que esta em abstinência. – aleguei. Nem sei se isso é verdade, ele também não deve saber.

– Eu quero a verdade Lily! – ele pediu com uma voz um pouco dura de mais.

Só eu achei que ele esta apelando? Cadê aquela história que posso conversar com alguém? Que não precisava falar com ele se não confiasse?

Tudo bem que eu confio nele, até de mais para o meu gosto, mas… Acorda! Ele iria me achar a maior fracassada se eu contasse a verdade.

– Eu disse a verdade! – comentei.

– Vamos ser realistas. Você não tem e nunca teve problemas de estomago. E ninguém fica mal assim por que quer comer chocolate.

– Ok! Eu confesso! Eu sou uma chocólatra e estou em crise de abstinência. – eu brinquei tentando convencê-lo de desistir.

Ele nem ao menos sorriu! O que há de errado com o Potter afinal? Eu não quero contar!

– Agora é sério. O que esta acontecendo com você ruiva? – ele me perguntou ainda mais próximo.

Nunca pensei que ficaria tão próxima do Potter assim. Conseguia sentir até sua respiração se confundir com a minha e seu hálito chegar ao meu nariz.

– Eu realmente não quero falar sobre isso! – declarei já vendo que minhas mentiras são um fracasso.

– Mas eu quero falar sobre isso. Nunca vi você assim! Alias mal te vejo doente. Sou obrigado a interpretar que você esta com uma doença terrível e quer me poupar? – ele me perguntou parecendo sincero e preocupado.

Ok? Por que eu estava me sentindo mal com tudo isso?

– Eu realmente não posso contar. Me desculpe! – pedi sabendo que estava o decepcionando.

– Lily! Eu realmente preciso saber. Caramba! Não vê que esta me matando com isso tudo? Como acha que me sinto te vendo daquele jeito ontem? Fiquei horas tentando me convencer que foi só um mal estar, mas você piorou hoje de novo. – ele realmente parecia ter uma mistura de sentimentos, ora eu via seu desespero e preocupação, depois raiva, decepção, e não sei mais que outros sentimentos ele tinha. Alguma coisa escura nos seus olhos. Como medo, não sei.

Mas por que ele estava assim? Não é nada de mais alguém passar mal por ai!

– Eu… – comecei desesperada.

Eu não queria e não posso contar! O que ele vai pensar de mim se soubesse a verdade? Não posso só virar e falar: “Ei Potter só tenho medo de falar em publico”. Eu definitivamente sou uma fracassada covarde.

– Lily! – ele pediu com a voz sofrida.

E eu pensando que ele era um mau mentiroso! Cara isso de jogo psicológico fingindo estar preocupado a esse ponto esta acabando comigo, mesmo sabendo que é tudo fachada.

Calma! Eu sei que ele esta preocupado, mas não a esse ponto. Ele fala como se estivesse sentindo alguma dor física. É assustador.

Acho que foi por ser assustador e uma mentira tão boa que eu mesma estava na duvida se realmente ele estava falando sério. Foi quando vi sua cara de sofrimento que simplesmente saiu da minha boca. Meio que sem permissão.

– Eu tenho medo de palco. – Sussurrei.

Não sussurrei por não querer lhe dizer, mesmo eu não querendo mesmo, mas com medo de mais alguém ali escutasse. Sabe como é… Sirius, Remos, Dora ou qualquer quadro estúpido que possa sair por ai contando para todo mundo a medrosa que eu sou.

Ele ficou estático por alguns segundos. Acho que ele não entendeu o que eu disse, ou achou tão absurdo que achou que tivesse entendido errado.

– Como? – ele me perguntou surpreso.

– Eu tenho medo de palco. De falar com publico! – eu disse mais uma vez mesmo sabendo que aquilo era um erro.

Eu gosto do Potter. Não queria perder a amizade dele assim, muito menos por uma coisa estúpida como essa. Mas ninguém além da Lene vai aceitar uma amiga medrosa como eu.

É… Quem imaginaria que uma grifinoriana teria medo de palco. Já pode atirar as pedras.

– É. – respondi com um nó na garganta.

Fiquei mais alguns segundos estática olhando para ele, mas como ele não se moveu achei que não seria arriscado sair de fininho dali.

Subi o mais rápido possível para o meu quarto e me escondi debaixo das cobertas rezando para que o Potter pudesse compreender tudo isso e me aceitar ainda como amiga dele.

Não dormi muito bem. Tive pesadelos sobre a peça. Todo mundo ria de mim. Todos os meus amigos me ignoravam. Resumindo: era seis da manhã e eu já estava de banho tomado, uniforme e esperando o café da manhã.

O café da manhã foi normal, o Pedro comeu até não aguentar, o Sirius ficou contando como foi o passeio ontem, a Lene estava quieta irritada por causa do passeio do Sirius, o nosso mais novo casal estava de mãos dadas sorrindo igual bobos… E eu? Eu nada!

Perceberam que não citei o Potter? Ele não apareceu no café da manhã, e nem na primeira aula do dia.

– Alguém sabe do Tiago? – perguntou a Lene quando estávamos indo para a primeira aula.

Vi que todos deram de ombro.

Na segunda aula ele apareceu, mas não se sentou com a Lene como de costume, sim com o Remus, e por incrível que pareça não fecharam a boa um só minuto.

– O Remus conversando na aula? Isso é novidade! – comentou a Lene.

– Novidade é o Tiago estar enfiado naquele livro com o Remus. – comentou a Dora que estava sentada com o Sirius na carteira de trás.

– Ele está bem estranho hoje. – comentou o Sirius pensativo.

Achei melhor não comentar. Ele deve estar me evitando. Tudo bem que ele não falou com ninguém direito, só um oi e tchau, tirando é claro o Remus, mas ele nem me olhou!

No final da aula a Lene foi atingida por um bilhetinho na cabeça. E que ela não me deixou ver o que estava escrito. Odeio ser a última, a saber, das coisas.

No almoço a Lene sumiu junto com o Potter.

– Alguém sabe o que esta acontecendo? – perguntei enquanto comiamos.

– Deve ter acontecido alguma coisa ontem de noite. Você não estava com ele? – perguntou o Pedro pensativo.

– Eu subi antes dele. – respondi já pensando no pior.

Será que ele esta assim por que esta me evitando? Não! O Potter não faria isso, não é?

– O que vocês tanto estudavam na segunda aula? – perguntou a Dora para o namorado.

– Nada de mais. Ele achou um feitiço em um livro e queria ajuda para entender como funcionava.

– E para que ele esta estudando isso? – perguntei sem entender.

– Não sei. Acho que nota extra. – comentou o Remus dando de ombros.

– Ele não precisa de nota extra. Suspeito! – comentou o Sirius pensativo.

Ele esta estudando um feitiço para acabar comigo para que não passe vergonha sendo amigo de uma fracassada medrosa.

– E você Liy? Não sabe de nada? Esta com uma cara… – comentou a Dora.

– Estou só um pouco enjoada. – menti mais uma vez.

Será que tem algum lugar que dá curso para deixar de ser mentiroso? Ou sei lá… Grupos de ajuda… Já até me imagino em um grupo como o AA (Alcoólicos Anônimos). “Eu sou Lily e estou um dia sem contar mentiras.” “Oi Lily!”.

É… Acho que vou ter que procurar ajuda!

O Potter sumiu pelo resto das aulas e para a minha maior surpresa a Lene me procurou na hora do ensaio:

– Tenho noticias para você. – ela disse depois que as meninas saíram do quarto e eu estava procurando o roteiro, que naquela confusão de ontem tinha perdido.

– Espero que boas. – brinquei.

– Acho que são melhores do que boas. – ela comentou sorridente.

– Sou toda ouvidos! – eu disse já pronta para escutar alguma coisa como “Lily, eu sei que você tem um problema então arrumei alguém para ficar no seu lugar na peça. Não é ótimo?”

Mas claro que eu não escuto as coisas que eu quero, alias, por que ninguém me dá boas noticias por aqui?

– Vou te ajudar com o seu pequeno problema. – ela disse empolgada.

Bem… Até ai eu mesma fiquei empolgada esperando alguma coisa milagrosa. Um feitiço talvez!

– Como? – perguntei esperançosa.

– Fazendo um intensivo. – ela comentou animada.

– E seria…? – perguntei até com medo de perguntar.

– Vamos ensaiar mais tempo e ao invés de você sair correndo para o banheiro e terminar o ensaio, vamos continuar até terminar tudo. O que acha?

– Você esta mesmo falando sério? – perguntei vendo que o sorriso dela ainda continuava ali.

– Claro que estou falando sério. O que melhor do que enfrentar seu medo de frente? – ela me perguntou.

– Enfrenta-lo aos poucos e pela tangente. – respondi desanimada me jogando na cama.

– Vai ser legal Lily! – ela comentou tentando me animar.

– Claro que vai.  – disse irritada. – Você vai arruinar o pouco de vida social que eu tenho.

– Vou te ajuda. Não vai ser fácil, mas… – ela começou a dizer, mas eu…

Não posso dizer que foi a coisa para corajosa que eu fiz, mas…

Ok! Sair correndo e me esconder não é uma ideia tão ruim assim. Eu sei que isso não foi corajosa, alias nada corajoso, mas acorda! Ela quer me matar de vergonha ou coisa parecida? Eu acho que sou muito nova para morrer de infarto!

Depois que tive certeza que o ensaio já tinha terminado, ou melhor, que já passava da hora de dormir e fui para a cozinha.

Ninguém pode me condenar. Eu estava morrendo de fome. Não colocava nada no estomago desde a hora do almoço.

Comi com os elfos fofos na maior paz, eu sou monitora afinal. Eu posso simplesmente mentir de novo e falar que estava fazendo patrulha. Já estou virando profissional em mentir mesmo.

Em falar em mentiras já bolei uma para amanhã. Todos vão me perguntar o que houve e onde eu estava e eu vou mentir é claro.

Vou dizer que estava com uma dor de barriga horrível e fiquei horas no banheiro quase morrendo, até que uma menina me achou e chamou a enfermeira que quis fazer vários exames e depois me deu um remédio, e ela infelizmente só me liberou da enfermaria bem tarde. Eu sou brilhante, não é? Não tem como não acreditar em uma história dessas.

Depois de comer sem a menor pressa do mundo eu voltei para o meu dormitório com passinhos de gato para não acordar ninguém. Me troquei no escuro para não correr o risco e me enfiei em baixo das cobertas.

Até que o dia não foi tão ruim assim tirando o fato de eu ter saído correndo e me escondido por mais de quatro horas.

Certo… Por que eu tinha que abrir minha boca grande e dizer que estava tudo bem? O dia definitivamente não terminou bem, alias, ele nem tinha terminado quando eu acordei. Não se pode dormir em paz nesse castelo?

Eu estava no meu sonho lindo e maravilhoso com meu príncipe encantado em um cavalo branco… Tudo bem, não era assim o sonho e ele nem era bom, mas eu estava dormindo!

E tenho que admitir que eu pensei que ainda estava dormindo quando acordei no meio da noite.

– Oi Lily! – escutei a voz.

Eu conheço essa voz! – pensei comigo.

É claro que eu deveria estar sonhando. O que o Potter estaria fazendo no meu quarto que ele nem pode entrar a… Meia noite?

– Me diz que é um sonho! – pedi olhando para as minhas roupas, ou o que sobrou delas já que eu estava de camisola que já estava deixando minha calcinha aparecer de tanto de subiu.

– Hora de levantar! – ele me disse rindo.

– Caramba! Não é sonho! – eu disse alarmada puxando as cobertas para cobrir as minhas pernas.

– Bonita camisola. – ele me respondeu com um sorriso digno do Sirius.

– O que você pensa que esta fazendo aqui? – perguntei quando ele se aproximou.

– Vim te buscar. Temos muito que fazer antes do sol nascer Lily. – ele me disse empolgado.

Será que ele não notou que já passa da meia noite?

– Potter… Já passa da meia noite. Não vou sair da minha cama. – reclamei puxando a coberta, me cobrindo e virando para dormir.

Quem sabe se eu fingir que vou dormir ele não me deixa em paz?

– Sem chances ruiva! – ele disse puxando o cobertor.

– Dá para soltar? Eu realmente quero dormir! – reclamei irritada.

– Amanhã é sexta feira Lily. Vou te deixar dormir o quanto quiser no sábado. Você aguenta uma noite sem dormir. – ele disse já jogando o meu cobertor no chão e me jogando um robe.

– Só se for nos seus sonhos. – reclamei.

– Não queira saber quanto tempo e por que você fica acordada nos meus sonhos. – ele completou com um leve tom de malicia. Só eu não entendi a piada?

– Dá para fazer o que ele quer logo? Eu quero dormir! – Lene reclamou com aquela voz de sono.

– Eu realmente te odeio! – eu disse já me levantando da cama e colocando o robe. – Vou precisar colocar outra roupa? – perguntei irritada.

– Prefiro você assim, mas tem luz onde estamos indo. – ele completou sorrindo e passando a mão nos cabelos irritantemente.

Marchei emburrada para o banheiro e coloquei a primeira calça jeans que vi na minha frente.

– Juro que se eu não voltar logo para a minha cama eu te mato assim que conseguir recuperar o sono perdido. – reclamei.

– Não acho que vai querer me matar. – ele disse sorrindo e indo até a janela.

– O que você esta fazendo? – perguntei alarmada quando ele sentou no parapeito da janela com a mesma aberta.

– Saindo do quarto. Como acha que entrei? – ele me perguntou.

– De agora em diante vou dormir com as janelas trancadas. – comentei quando ele pulou.

É! Ele simplesmente pulou pela janela. O cara se matou! Dá para acreditar? Eu acreditaria se ainda fosse trouxa, mas vi o infeliz sorrindo sentado em uma vassoura.

– Vem! – ele me disse ainda sorrindo.

– Você realmente não espera que eu pule de uma janela para uma vassoura, não é? – perguntei rindo.

Claro que ele não espera isso. Primeiro que eu nunca pularia de uma janela para canto nenhum, depois que eu odeio vassouras, eu nunca subiria em uma vassoura, muito menos depois de pular de uma janela. Há claro… Tudo isso sem contar que estou em companhia do Potter.

– Vai me obrigar a te buscar? – ele me perguntou cruzando os braços.

– Eu vou dar a volta. Encontro-te lá na porta. – eu disse já dando meia volta e me afastando da janela.

– Vai fugir de novo Lily? – ele perguntou.

Como ele ousa? Não vê que eu estava em uma situação complicada? Eu não fugi. Só estava me preparando psicologicamente para o que viria.

Eu sou uma grifinoriana afinal! Me sentei na porcaria no parapeito da janela esperando a hora certa de pular. Só que claro que rezando para que essa hora nunca chegasse e o Potter desistisse.

– Ainda estou esperando! – ele disse impaciente.

– Eu realmente não gosto de vassouras, e passei a odiar janelas. – comentei antes de fechar os olhos e me jogar.

Ok! Eu sei que não é a coisa mais sensata que eu fiz. Pular de uma janela e fechar os olhos, mas bom… Eu tinha que pular, não é?

Sem contar que não teria graça se o Potter não tivesse nenhum trabalho para me pegar.

– Nunca mais faça isso! – ele reclamou quando finalmente me colocou em cima daquela coisa.

– Então nunca mais me mande pular de uma janela. – rebati.

– Só por causa disso não vou ser bonzinho. – ele me disse com um sorriso diabólico.

Sinceramente não demorei muito para entender o que ele quis dizer com aquilo, já que nem tive tempo de me segurar direito e meus cabelos já estavam voando com uma velocidade incrível.

Só não gostei daquele vento gelado no meu rosto e foi somente por isso que me segurei no Potter e escondi meu rosto nas costas dele.

Nem estar em cima de uma vassoura me faria agarrar alguém assim. Eu só passei os braços pela barriga dele para me segurar melhor e colocar alguma coisa entre mim e o ar gelado. Nada mais!

Depois de dez minutos voando percebi que o infeliz estava dando voltas ao invés de ir sei lá para onde ele estava me levando.

– Vai ficar dando voltas até quando? – perguntei próxima ao ouvido dele.

– Até que você percebesse. – ele me respondeu rindo e não pude fazer muito mais do que revirar os olhos.

Quando finalmente paramos e estávamos perto do chão que reparei que estávamos no campo de quadribol. Alguém mais achou isso obvio de mais?

– Não tem nada aqui. – comentei quando finalmente desci daquele troço.

– Mas vai ter. – ele me respondeu com um sorriso enigmático.

– Pode se sentar. – ele me disse indicando a única coisa no campo inteiro, ou seja, uma cadeira.

– Eu realmente não estou entendendo nada Potter e estou com sono. – eu disse emburrada.

– Só preciso que me prometa uma coisa. – ele disse parado ao meu lado me olhando profundamente.

– Depende do que for. – eu disse dando de ombros.

– Que não vai sair correndo não importa o que aconteça. – ele pediu.

Que pedido mais estranho! Por que eu sairia correndo? Ele é minha única chance de voltar inteira para o castelo, alias para a minha cama. Sem contar que estou no meio do campo de quadribol com as saídas fechadas. Para onde eu iria?

– Por que isso? – perguntei desconfiada.

Alguma coisa ele estava aprontando. Isso era bem obvio.

– Só me prometa. – ele me pediu novamente.

– Ok! Não vou sair correndo, mas isso não diz que não vou te azarrar se fizer alguma coisa.

– Não vou aprontar nada. – ele disse confiante. – Ótimo! – ele disse contente quando dei de ombros – Ponha isso no seu bolso. – ele disse me entregando uma pedra engraçada e verde.

O que eu iria fazer com uma pedra?

– Uma pedra? – perguntei pegando a pedra na mão.

– Você vai ver. – ele disse sorrindo.

– Quanto mistério! – eu disse guardando a pedra no bolso da blusa.

– Ótimo! – ele disse de novo antes de pegar a varinha e começar a fazer alguns movimentos apontando para mim.

– O que você pensa que esta fazendo? – perguntei alarmada.

– Um feitiço! – ele me respondeu dando de ombros.

– Isso eu sei! Quero saber o que especificamente. – eu disse ainda mais desconfiada.

Antes eu só desconfiava que ele estava aprontando, agora tenho mais do que certeza.

Mas não tive muito tempo para pensar no que aquele infeliz estava aprontando, por que logo começaram a aparecer várias poltronas como de teatro na minha frente, todas enfileiradas e acolchoadas.

Não demorou muito e logo senti como se estivesse em um elevador e logo me vi sentada na mesma cadeira em cima de um pequeno palco.

Ele só pode estar brincando!

– Vou te ajudar com o seu pequeno problema! – ele disse todo feliz antes que figuras humanas começassem a ser esboçadas nas poltronas.

– Mas o que… – eu comecei a perguntar, mas logo comecei a distinguir rostos.

Minha mãe estava na primeira fileira junto com meu pai, Lene, Sirius e o próprio Potter. Na segunda fileira tinha o Remus, Dora, Alice, Petúnia. E em um canto afasto de tudo e de pé estava o Snape com as mãos no bolso me olhando sério, enquanto todos os outros sorriam ou acenavam.

– Mas como…? – comecei de novo.

– Olha só! Eu estou ali! – ele disse parecendo espantado.

– O que é tudo isso? E por que todos estão aqui? – perguntei sem entender como poderia ter dois Potters na minha frente. Já não me basta um?

– Um feitiço bem complicado… Eles serão a sua plateia hoje. – ele comentou dando de ombros.

– Mas…

– Eles não são reais. São só sua melhor lembrança de cada um.

– Minha melhor lembrança? – perguntei já entendendo menos ainda.

– Cada um deles esta em uma boa lembrança sua, e estão do jeito que você se lembra deles. – ele me respondeu olhando para cada rosto.

Foi quando percebi que aquele Snape tinha treze anos.

– E para que tudo isso? Por que essas pessoas? – perguntei ainda cheia de dúvidas.

– Quando fiz o feitiço achei melhor começar devagar. Podemos colocar todas as pessoas que você conhece aqui, mas achei melhor pegar só as 10 principais para você.

– E por que a Petúnia esta ali? – perguntei.

Eu nunca colocaria a Petúnia antes do Pedro se precisasse fazer uma lista.

– Foi você que escolheu assim, escolheu quais os mais importantes.

– E por que a Dora esta na fileira de trás?

– A fileira também diz a quão próximo você se sente dessa pessoa. Se tivéssemos mil pessoais aqui, todas estariam classificadas de acordo com o que você acha importante.

Olhei novamente para os rostos sorridentes. E reparei que o Potter estava na primeira fileira junto com os meus pais.

– Eu ainda não estou entendendo!

– Pergunte o que quiser!

– Por que estamos aqui? Você me evitou o dia inteiro!

– Não te evitei. Só estava um pouco ocupado. – ele respondeu pausadamente.

– Você me ignorou! Não me esperou para tomar café, faltou em algumas aulas, não falou comigo no almoço… Pensei que estivesse com raiva.

– E por que eu estaria?

– Por eu ser uma… – comecei. – Deixa para lá. Mas o que você tanto falava com a Lene e com o Remus?

– A Lene eu precisava que um favor que logo você vai entender. E o Remus estava me ajudando com o feitiço.

Fiquei pensando em tudo isso por alguns instantes. Era tudo irreal. Ele não perdeu o dia inteiro para isso, não é?

– Vou te ajudar Lily. Você não vai mais ter esse problema. – ele me disse cortando meus pensamentos.

– E o que vamos fazer? – perguntei desistindo de tentar entender. – Eu não tenho vergonha de falar na frente de vocês. – comentei.

– Mas vai ter. – ele me disse misterioso.

– Podemos pelo menos tirar você da plateia? Tem dois de você! – reclamei.

– Sinto muito! Não sei fazer isso. – ele comentou não parecendo realmente chateado. – Só não entendi por que o Snape esta de pé.

– Não me faça perguntas difíceis. – comentei rindo.

– Certo. – ele me respondeu rindo também. – Vamos começar então. A Lene gravou o ensaio de hoje, então temos todas as cenas, exceto as nossas falas. – ele comentou olhando para algo atrás de mim.

E logo vi que tinha meio que um vídeo pausado. Como se estivéssemos no cinema esperando o filme começar. Acho que estava mais para um cinema 3D.

– Vamos simplesmente ensaiar. – ele disse pegando a minha mão e me colocando de pé.

– Não vamos ter problemas. Não tenho problema com eles. – comentei apontando para o pessoal.

– Certo. Tenho que te avisar. O público vai mudar assim que começarmos a ensaiar, tudo que você teme vai acontecer.

– Como assim? – perguntei alarmada.

– Se você tiver medo que o Sirius ria da sua cara, ele vai rir. Se tiver medo que a Lene te ignore ela vai ignorar e assim por diante.

– Mas… – comecei assustada.

– Esse é exatamente o propósito Lily. Falei com o meu pai hoje e ele disse que essa pedra que te entreguei é muitas vezes usada para interrogar criminosos, então acho que ela pode ser bem cruel, por isso diminui o feitiço.

– Eu realmente não quero fazer isso. – eu disse alarmada.

– Sei que não quer, mas foi a única coisa que consegui pensar para te ajudar. Vamos pelo menos tentar! – ele me pediu ainda segurando a minha mão carinhosamente.

– Não sei… – comentei tentando não pensar no meu estomago que já estava começando a embrulhar.

– Vamos tentar! – ele me pediu de novo.

– Meu estomago já não esta gostando disso. – comentei.

– Paramos quando você precisar e recomeçamos até termos algum resultado. – ele disse na mesma hora.

Olhei mais uma vez para os rostos na minha frente e olhei para ele e para o Sirius.

O Potter sorria e piscava para mim com os braços cruzados no peito, o Sirius sorria, aquele sorriso número um dele, me lembro dele com aquele sorriso. Foi no dia que saímos juntos para o vilarejo, nos divertimos muito. A Lene estava sorrindo como no dia que declaramos que seriamos amigas a cima de tudo. Eu tinha que tentar, por eles, mas…

– Potter eu… – comecei a dispensar aquilo tudo. Definitivamente não iria dar certo.

– Não pode ser tão ruim! – ele comentou.

– Vamos tentar! – declarei por fim.

Só espero não me arrepender muito.

– É assim que se fala ruiva! – ele me disse com um sorriso enorme e contagiante no rosto.

Não pude deixar de sorrir de volta, mesmo sabendo que não era hora para isso.

Fechei os olhos e quase pude ouvir minha mãe me dizendo para ter fé e acreditar que tudo é possível. Quando os abri novamente eu já não parecia estar no campo de quadribol em cima de um palco. O cenário estava como se estivéssemos ensaiando. A cadeira dura que eu estava sentada agora é confortável e aconchegante como na primeira cena, no consultório de terapia para casais.

– Finja que estamos na sala ensaiando e só nossos amigos estão conosco. – me pediu o Potter.

– Juro que vou tentar. – eu respondi respirando fundo.

Logo o Potter começou a dizer as falas dele e uma Alice apareceu na minha frente com um bloquinho de anotações, assim como nos ensaios. Fechei os olhos e comecei a dizer todas as falas decoradas.

Assim que abri minha boca para dizer as primeiras falas o cochicho começou a encher os meus ouvidos, e pude até distinguir a risada canina do Sirius em meio ao falatório, mas não abri os olhos, tentei imaginar que nada daquilo era real.

Assim que terminamos a primeira cena a Alice sumiu e senti a mão do Potter tocar levemente a minha.

– Fomos bem! – ele me disse parecendo feliz.

– Foi torturante. – reclamei exageradamente.

Eu já havia passado por piores, mas ainda sim foi terrível.

– Que tal tentarmos com os olhos abertos agora? – ele me perguntou enquanto ainda segurava a minha mão delicadamente.

Estou vendo que a noite vai ser bem longa!

Acordei naquela manhã com a Lene me chamando e a primeira coisa que pensei foi “Onde estou?”. É patético eu sei, mas a última coisa que me lembro é do Sirius brigando com o Snape, a Alice terminando com o Frank, a Lene e a Dora brigando, o Remus tinha sumido como lobisomem, meus pais me negavam por ser bruxa, e o Potter estava com uma menina loira no colo dele enquanto os dois pensavam que estavam em um quarto.

Melhor eu explicar direito! Estávamos ensaiando há muito tempo, julgaria que já estava perto de amanhecer, e o Potter resolveu que já poderíamos aumentar a potencia do feitiço, já que eu tinha conseguido ensaiar até o final sem sair correndo, vomitar, desmaiar ou coisas parecidas.

Cinco minutos depois tudo que descrevi a cima começou a acontecer de repente, comecei com outro ataque e escutei ao longe a voz do Potter me pedindo para me acalmar, e agora estou acordando com a Lene me olhando.

– Como eu vim parar aqui? – perguntei assim que consegui ver que estava no meu quarto, na minha cama.

– Não sei, mas isso estava com você. – ela me disse me entregando um papel dobrado.

Querida ruiva,

Desculpe por ontem, não queria que você tivesse que passar por aquilo, muito menos chegar ao ponto de desmaiar! Acho que te dei muito chocolate depois disso, espero que melhore!

Não queria que aquilo acontecesse, mas você se saiu muito bem. Estou muito orgulhoso, e não se preocupe, vamos ter muitos ensaios assim para que você perca seu medo.

Espero-te para o café da manhã.

T.P.

Bem… Poderia ter sido bem pior!

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sobre Vanessa Sueroz

Autora dos livros Confusões em Paris, Minha última chance, Odiado Admirador Secreto, Presente de Aniversário, Eu te amo mais e Três Botões.


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