Sr e Sra Potter – Cap 4 4


Anteriormente:

– Foi à coisa mais nojenta que já fiz na minha vida. – eu disse irritada.

– Percebi! Eca! – ele disse fazendo uma careta. – Você esta bem? – ele me perguntou vendo que não ri da sua careta.

– Vamos dizer que isso fechou o meu dia com chave de ouro. Posso dizer que foi o pior dia do ano até agora. – eu comentei ainda tentando inutilmente me acalmar.

– A coisa boa é que o dia não pode piorar. – comentou o Sirius piscando para mim.

– Você não tem ideia de como ele pode. – eu disse bufando de raiva antes de entrar atrasada na aula.

Cap 4 – Primeiros Ensaios

A aula não foi muito boa, principalmente com a Lene me perguntando toda hora por que me atrasei e eu não conseguindo prestar atenção em nada. Eu ainda estava inconformada com a minha reação a cena nojenta do Snape.

Como eu simplesmente fiquei ali parada?

Eu não sou assim. A Lily que eu conheço teria arrebentado a caro daquele palhaço, mas eu só o empurrei e fiquei lá parada sem reação. Chocada de mais para fazer alguma coisa útil como dar um bom tapa na cara dele.

O Sirius não comentou o ocorrido e sei que ele viu toda a cena, senão não teria ido me socorrer daquele jeito.

Não posso reclamar do Sirius. Ele é um bom amigo, um ótimo amigo se for parar para pensar, ele me entende até melhor que as meninas. Se elas tivessem visto aquela coisa nojenta teriam ficado lá paradas me perguntando por que eu não fiz nada.

O Sirius já… Bem… Respeita o meu espaço e sabe que eu ainda estou chocada de mais para falar alguma coisa. Não que isso impeça ele de me perguntar mais tarde alguma coisa como “o que aconteceu com você cabeça de fósforo? Eu esperava um bom soco de direita no Seboso.”

Seria loucura falar que ainda sentia os lábios dele nos meus? Caramba! Nunca pensei que iria ficar tão besta por causa de um… Eca! Beijo roubado e nojento do Snape.

Acho que preciso me internar em um hospício.

E aquele machucado na boca? Estava horrível! Queria saber quem foi o responsável. Queria era agradecer. Eu deveria ter o deixado com o olho igual ao do Potter.

Tudo bem que o Potter ficou um charme de óculos de sol, o que causou a maior agitação na ala feminina da escola.

Eu sei que aquela história de cair da cama foi a pior desculpa da vida do Potter, mas…

Espera aí! O Potter com um olho roxo e o Snape com a boca cortada no mesmo dia. É coincidência de mais.

– Vamos Lily. A aula já acabou. – Escutei a Dora me chamando.

– Já? – Perguntei me sobressaltando.

– Já faz alguns minutos. – Ela disse rindo. – Todo mundo foi busca os scripts da peça para o ensaio.

– Verdade… Temos o ensaio. – Eu disse com um gemido.

– É só a primeira cena Lily. Não tem nada de mais. Você só vai ficar sentada falando com a Alice e brigando com o Tiago. – Ela comentou sorrindo.

– Não pode ser tão ruim assim. – Comentei tentando me animar.

Fui sem a menor pressa para o quarto buscar o script e vi que a Lene já adiantou um pouco, já que eu não fazia a menor ideia de onde tinha colocado e misteriosamente ele estava em cima da minha cama.

Respirei fundo e fui para a segunda tortura do dia.

Quando entrei na sala já tinham algumas cadeiras em círculo perto de onde seria a mesa da professora.

Alguns estavam de pé conversando no canto da sala com papel e lápis na mão. Fui até onde a Alice estava afinal à primeira cena era com ela.

– Onde arrumou esses óculos? – Perguntei quando vi que ela estava com óculos de grau.

– São do Tiago. Só estou experimentando. Fico bonita de óculos? Acho que as pessoas de óculos ficam com cara de inteligentes.

– Inteligentes? – Perguntei sem realmente acreditar que ela estava colocando um óculo de grau.

– São… Ficam mais intelectuais. – Ela respondeu sorrindo. – Acho que vou colocar um para o papel. – Então peça para arrumarem um sem as lentes. – Comentei tirando os óculos do rosto dela.

Coloquei os óculos pendurado na blusa, já que não vi o Potter por perto.

– Senta aí ruiva. Vamos primeiro dar as instruções para o pessoal do figurino e cenário. – Comentou o Sirius me mostrando uma cadeira.

– Vamos aproveitar para ler as falas. – Comentou a Alice empolgada.

Assim que o Sirius se afastou ela abriu o caderno e ficou me olhando.

– O que foi? – Perguntei.

– Não vai decorar suas falas? – Ela me perguntou desconfiada.

– Agora não. – Respondi dando de ombros.

Não demorou muito para que todos se aproximassem. Não prestei realmente atenção no que o Sirius e a Lene estavam dizendo sobre as roupas e o cenário, além de que ela não queria que eles costurassem, afinal, acho que nenhum deles sabe fazer isso, ela só queria que achassem um patrocinador, para emprestar as roupas e faríamos uma propaganda, pelo menos foi o pouco que entendi.

Sobre o cenário também era alguma coisa parecida, mas me distrai quando o Potter se sentou do meu lado ainda com aqueles óculos de sol. Fiquei imaginando como ele ganhou um olho roxo e o Snape a boca cortada e as bochechas roxas no mesmo dia.

Coincidência de mais para mim.

– Podemos começar? – Escutei o Sirius perguntando feliz.

Olhei para ele para saber sobre o que ele se referia, e percebi que as outras duas cadeiras vazias já estavam ocupadas pelo Sirius e pela Lene.

– Melhor os dois colocarem a cadeira do lado um do outro e a Alice de frente. Tentamos primeiro ler as falas e para ver a entonação da voz. – Comentou a Lene.

Não disse e nem fiz nada. O Potter puxou a cadeira para o meu lado e logo a Alice estava sentada na nossa frente.

– Devolve meus óculos Lily. – Ela pediu estendendo a mão para mim.

– Os óculos não são seus Alice e você não vai conseguir ler nada com esses óculos. – Eu disse sem lhe devolver os óculos. – Já vi que você esta de péssimo humor. – ela comentou fazendo um bico.

– Quem não percebeu isso é que precisa de óculos. – Comentou a Lene com o Sirius.
– Eu ainda estou aqui. – Respondi irritada.
– Dê os óculos para o Pontas poder ler a vamos começar logo com isso. – Pediu o Sirius me mandando um leve sorriso.

Revirei os olhos e entreguei os óculos para o Potter que estava ao meu lado.

– Podemos começar? – Perguntou a Alice empolgada já com o roteiro aberto.
– Vá em frente. – Disse o Potter abrindo o roteiro dele também.

Reparei que o olho dele já estava quase bom de novo. Só se viam algumas manchas, mas o troço roxo tinha sumido.

– Esta bem. Eu começo. – Ele disse lendo o roteiro.

Era ele mesmo que começava?

– Eu queria dizer que não precisávamos ter vindo aqui. Já estamos casados há cinco anos e…

E ficou calado. Será que ele esta com o olho tão ruim que não consegue ler o roteiro?

– É a sua vez Lily. – Disse a Lene sem paciência.

Foi quando eu resolvi abrir a porcaria do roteiro.

– Melhor começar de novo. – Disse o Sirius empolgado.

– Esta bem. Eu começo. Eu queria dizer que não precisávamos ter vindo aqui. Já estamos casados há cinco anos e… – Começou o Potter de novo.

– Seis! – Eu disse entediada lendo a porcaria do roteiro.

– Cinco, seis anos… – Disse o Potter sem importância. – Isso é como um check-up para nós. A chance de dar uma olhada no motor… Trocar o óleo se precisar. Trocar uma válvula ou duas… – Ele disse com dificuldade.

Acho que ele não sabe o que é uma válvula, se nem eu que sou trouxa sei…

– É! – eu li.

Isso lá é fala?

-Tudo bem então vamos abrir o capô. – Disse a Alice empolgada.

– O que é um capô? – Perguntou o Sirius interrompendo a Alice.

– É uma parte do carro Sirius. – Respondi dando de ombros.

– Não seria melhor mudar isso? – Ele perguntou olhando para a Lene.- Já mudamos coisas de mais. Isso fica. Sem contar que é uma aula de estudo dos trouxas. Tem que ter alguma coisa de trouxa. – Comentou ela pensativa.
– Ok! – Respondeu o Sirius se dando por vencido.
– Pode continuar de onde parou Alice. E Lily queria, menos tédio e mais raiva. – Ela me disse sorrindo.

Mais raiva do que já estou? Impossível!

-Tudo bem então vamos abrir o capo. – Disse a Alice novamente. – Em uma escala de um a dez, qual é o nível de felicidade de vocês? – Ela perguntou empolgada.
– Oito. – Respondi na hora. Eu me lembrei dessa parte do filme.
– Espera aí… Dez é um casal totalmente feliz e um é um casal infeliz ou… – Começou o Potter.
– Respondam com o que vir a cabeça. – Disse a Alice ainda empolgada.

Duvido que daqui uma hora lendo as mesmas falas ela ainda esteja empolgada.

– Esta bem! – Disse o Potter se dando por vencido. – Esta pronta? – Me perguntou olhando-me.
– Estou! – Respondi.
– Oito! – Dissemos juntos.

Vi a Lene sorrir! Acho que até que não estamos indo tão ruim assim.

– Com que frequência fazem sexo? – Perguntou a Alice.

– Eu sei que essa era uma pergunta do filme, mas não poderiam tirar? – Eu perguntei já sentindo meu rosto esquentar.

– Essa é a parte divertida Lily. Nem pensar. – Comentou o Sirius sorrindo.

– Pergunta de novo? – Perguntou a Alice.

– De novo. – Respondeu a Lene.

– Com que frequência fazem sexo? – Perguntou a Alice novamente, e não foi menos pior do que a primeira.

– Eu não entendi a pergunta. – Eu li.

Claro que não entendi a pergunta. Que pergunta mais fora de hora!

– Eu também não entendi. É a coisa de um a dez? – Perguntou o Potter sorrindo.

– Mas o um é muito pouco ou não é nada, por que… Quer dizer, tecnicamente falando… O zero é que seria nada.

Eu concordo plenamente. O zero é nada!

– E nesta semana? – Perguntou a Alice.

– No fim de semana? – Perguntou o Potter

– Claro. – Respondeu a Alice entediada.

– O que seria isso de “Apresentação”? – Perguntei vendo que não tinha resposta para a pergunta.

– É por que a pergunta não tem resposta no filme, tem o anúncio do nome, e vamos fazer a mesma coisa. Quando a Alice responder vamos ter um narrador que dirá alguma coisa como “Sr. e Sra. Potter”. – Respondeu a Lene sorrindo.

– Continue Alice. – Pediu o Sirius.

– Contem como se conheceram. – Ela pediu.

– Essa parte não é muito legal. Não é nessa parte que a senhora Smith acorda de lençol na cama dele? – Perguntei desesperada.

– Não é senhora Smith Lily. É senhora Potter, e para a sua felicidade pulamos essa parte. Só vamos mostrar a parte de vocês se conhecendo mesmo. Deixamos os beijos mais para o final. – Comentou a Lene dando de ombros.

– Que pena! – Comentou o Potter com um falso lamento.

Achei melhor não responder, pelo menos não teria que me preocupar com aquilo por enquanto.

– Pode ler Alice. – Pediu a Lene.

– Contem como se conheceram. – Ela pediu novamente.

– Ah… Foi na Colombia. – Disse pensativa.

– Bogotá! – Disse o Potter sonhador. – Foi há cinco anos.

– Seis! – Eu disse irritada.

– É… Cinco ou seis anos. – Respondeu o Potter.

Finalmente acabou a primeira cena.

– Ficou bom para a primeira leitura. – Comentou a Lene sorrindo para mim.

Acho que só eu e ela entendemos que o “bom” foi eu não ter saído correndo de pavor.

Ok! Não foi ruim, só estamos o nosso grupinho de sempre, o Potter, o Sirius, eu, a Lene e a Alice. Não tem nada de mais nisso. O problema vai ser quando todo mundo quiser vir assistir os ensaios.

– Vamos tudo novamente e agora, tentamos mudar a voz quando preciso e algumas expressões faciais. – Pediu a Lene.

– Já vi que vou decorar isso aqui mesmo sem querer. – Comentei desanimada pensando no tanto de vezes que iria ter que repetir “Seis!”.

Depois daquela longa hora finalmente a Lene deu o ensaio por encerrado.

– Amanhã vamos começar a ensaiar a segunda cena. Então Alice… Venha! Vamos ensaiar desde o começo de novo, mas dessa vez vamos mais algumas cenas. – Comentou a Lene.

– Eu vou avisar o pessoal que tem falas amanhã para virem. – Comentou o Sirius.

– Mas já outra cena? – Perguntei desanimada.

– Essa cena foi curta e tinha poucas pessoas. Precisamos fazer o pessoal começar a decorar as falas. – Comentou a Lene.

– Muitas pessoas amanhã? – Perguntei ainda mais desanimada.

– Com falas nem tantas, mas a cena em si sim. – Ela me respondeu pensativa.

– Acho que vou estar doente amanhã. – Brinquei.

E bem que eu queria ter uma desculpa para faltar nos próximos ensaios.

Peguei minhas coisas rapidamente para sair dali. Não via a hora de estar sozinha no dormitório e poder me xingar o máximo possível por não ter dado um soco no Snape.

Claro que nem tudo são flores na vida da Lily aqui. Eu nunca consigo fazer o que eu quero do jeito que quero, nem ao menos ir para o quarto.

O Sirius foi correndo atrás de mim, e infelizmente se eu saísse correndo dele não seria muito educado, mas acho que o problema maior foi o Potter estar correndo atrás do Sirius.

Ok! Ele não estava atrás do Sirius, já que estava gritando o meu nome e pedindo para esperar, mas seria melhor se ninguém soubesse dessa parte.

– Aonde vai com tanta pressa? – Me perguntou o Sirius assim que me alcançou.

– Dormir. – Respondi dando de ombros.

– Às sete da noite? – Me perguntou o Potter com uma sobrancelha levantada.

– Acordei cedo. – Menti descaradamente.

– Sei… – Ele respondeu desconfiado.

– Por que saiu correndo daquele jeito? Eu queria falar com você. – Disse o Sirius ignorando meu olhar do mal para o Potter.

– Você não disse que queria falar comigo. – Argumentei inutilmente.

Eu sei que o Sirius não precisava falar nada. Depois da cena que ele viu, no mínimo ele iria querer conversar.

– Achei que fosse óbvio. – Ele comentou rindo.

– Perdi alguma coisa? – Perguntou o Potter nos olhando desconfiado.

– Coisas de melhores amigos. – Comentou o Sirius me abraçando pelos ombros.

– Sério… Depois conversamos. – Eu disse tentando me afastar deles.

– Depois? – Ele perguntou desanimado. – Mas eu quero conversar Lily! – Ele disse com uma voz de criança.

Odeio quando ele faz chantagem assim!

– Eu realmente perdi alguma coisa. – Comentou o Potter.

Preferi não responder. Depois que descobri que é impossível ter tamanha coincidência com aqueles dois machucados, resolvi simplesmente ignorar o Potter.

– Preciso tomar um bom banho. – Eu disse para o Sirius me afastando um pouco mais.

– Você não vai fugir assim tão fácil. – Ele comentou rindo.

– Não esta sendo fácil. – Comentei rindo também.

– Será que ninguém vai me contar o que aconteceu? – Perguntou o Potter – E por que o stress todo Lily? Você estava muito estranha lá na sala.

– Eu não estava estranha. – Comentei irritada.

– Imagina se estivesse. – Comentou ele bem baixo, mas eu ouvi.

– Acho melhor conversarmos depois. – Comentou o Sirius começando a puxar o Potter.

– Eu ouvi isso Potter. – Comentei irritada.

– Vai tomar seu banho cabeça de fósforo. Depois conversamos. – Disse o Sirius sorrindo e tentando puxar o Potter para longe.

– O que aconteceu nas últimas aulas? – Me perguntou o Potter sem rodeios.

– Nada que seja do seu interesse. – Respondi muito irritada.

Ele arregalou os olhos incrédulo.

– Pensei que ainda fossemos amigos. Não fiz nada dessa vez para você me tratar assim. – Ele comentou chocado.

– Não fez? – Gritei nervosa.

– Eu ainda estou aqui. – Comentou o Sirius. – Não sabiam que prejudica o crescimento da criança ver adultos brigando assim? – Perguntou o Sirius tentando amenizar as coisas.

– O que foi que eu te fiz agora? – Perguntou o Potter ignorando o Sirius.

– Nada Potter. – Eu disse dando meia volta para ir embora.

– Pensei que estávamos tentando ser amigos. Amigos contam as coisas. Você poderia confiar um pouco em mim e contar o que aconteceu com você! – Ele gritou para mim.

– Não sabe mesmo ficar de boca fechada. – Ouvi o Sirius comentando com o Potter quando parei de andar.

– Confiar em você? Ser amigos? Eu é que deveria estar cobrando isso de você! – Gritei irritada voltando para perto dos dois. – Você mentiu para mim sobre essa porcaria de olho roxo. – Eu disse tirando os olhos do rosto dele e apontando para o olho dele que ainda estava levemente marcado.

– Não sei do que esta falando. – Ele disse sem me olhar nos olhos.

– E lá vão eles para mais uma briga desnecessária. – Escutei o Sirius reclamando antes de se afastar e se encostar na parede.

– Depois vem cobrar amizade e sinceridade de mim. – Eu disse muito irritada antes de sair andando novamente.

Não vi qual a reação imediata dele, só sei que senti sua mão no meu braço depois de andar alguns passos.

– O que você quer saber? Que briguei com aquele seu amiguinho asqueroso de novo? Briguei sim! E não me arrependo nem um pouco. E não te contei por que você nunca quer saber o que aconteceu, só escuta o que quer escutar. – Ele reclamou parecendo irritado também.

– Só escuto o que quero? Então por que diabos estou perdendo meu tempo em uma discussão inútil? – Perguntei irritada.

– Brigamos por que ele estava falando de você para aqueles amigos nojentos dele. – Ele disse parecendo se acalmar.

– Conte uma novidade. – Respondi ainda chateada por ele não ter me contado.

Ficamos quietos nos olhando por algum tempo, não sei bem ao certo, acho que o Sirius já estava até entediado quando finalmente o Potter quebrou o silêncio:

– O que houve com você? – Ele me perguntou.

– Me encontrei com o Snape. – Eu disse sem dar muita importância.

Não quero que ele saiba de tudo.

– Agora eu que digo: Conte uma novidade. – Ele comentou.

– Brigamos. – Eu disse irritada.

– Ah! – Ele disse parecendo levar um susto com a informação.

– Melhor eu ir. Tenho que tomar um banho. – Eu disse sem olhá-lo. – Depois conversamos Sirius. – Eu disse antes de sair correndo dali.

Ótimo! Ele tinha que brigar com o Snape? Aposto que todo aquele mau humor do Ranhoso foi culpa do Potter.

Certo… Preciso me acalmar, nem tudo é culpa do Potter, pelo menos nem toda parte de tempo. Queria que o Potter tivesse quebrado os dentes daquele imbecil ao invés de só cortar a boca dele.

Quando cheguei ao dormitório não me incomodei em falar com as minhas amigas que ficaram me fazendo perguntas do porque das lágrimas. É… Mais uma vez eu estava chorando sem motivo aparentemente. Eu não queria ter brigado com o Potter e muito menos não ter tido uma reação adequada com o Snape. Isso significa que estou apaixonada pelo Snape? Eca! Melhor parar de pensar besteiras.

Tomei um longo e relaxante banho para depois ter coragem de encarar todo mundo.

As meninas ainda estavam lá e simplesmente contei metade da história, ou seja, briguei com o Snape e com o Potter. Claro que elas fizeram inúmeras perguntas que eu não respondi, simplesmente disse que não queria falar sobre aquilo.

Sinto-me mal não contando para as meninas, mas sei exatamente o que elas vão dizer, que o Snape é um idiota, coisa que eu já sei, que eu deveria ter quebrado a cara dele, outra coisa que me arrependo de não ter feito. Iria falar que o Potter estava me defendendo de alguma besteira do Snape, o que possivelmente é verdade, e não contou a verdade por que não queria que eu ficasse nervosa, o que também pode ser verdade.

Mas ele não confiou em mim. Tivesse me sacudido até que eu escutasse tudo. Eu sei que não seria fácil, mas somos amigos agora. Ela poderia ao menos demonstrar confiança.

Sei que estou sendo egoísta, eu mesma não contei tudo que aconteceu, mas tenho os meus motivos, não é?

Como eu iria contar que o Snape me beijou e eu simplesmente fiquei ali parada?

Eu sou um fracasso!

– Você não é um fracasso ruiva. – Escutei a voz do Sirius, e percebi que novamente minha boca grande tinha me traído e falado alguma coisa em voz alta.

– Sinceramente não estou muito bem para conversar agora Six. – Respondi me jogando em uma cadeira do salão comunal.

– Esta assim por causa do Ranhoso ou por causa do Pontas? – Ele me perguntou se sentando ao meu lado.

– Na verdade por causa dos dois. – Eu disse derrotada.

– Quando você disse que o dia poderia piorar eu não acreditei, mas piorou. – Ele comentou fazendo uma careta.

– Infelizmente! – Respondi derrotada.

– Quer conversar sobre qual briga primeiro? – Ele me perguntou sorrindo.

– Para falar a verdade não quero conversar sobre nenhuma das duas. – Eu comentei desanimada.

– Então eu escolho. – Ele disse empolgado. – O que foi aquilo com o Snape? Eu esperava um belo soco de direita. – Ele comentou.

Comecei a rir! Foi exatamente o que eu imaginei que o Sirius iria dizer.

– Eu também esperava Sirius. – Comentei.

– Então…? – Ele me perguntou sem entender.

– Simplesmente não sei o que aconteceu. Eu fiquei chocada, chateada, me senti humilhada, não sei direito explicar, mas estava chocada de mais para reagir. – Comentei derrotada.

Quem sabe conversar ajude!

– Nunca achei que diria isso Lily, mas eu também ficaria chocado em uma situação como essa. – Ele comentou sorrindo.

– Até parece! – Comentei rindo. – Mas eu sempre imaginei que se isso acontecesse comigo eu tomaria uma atitude, azararia ele, bateria, gritaria, qualquer coisa além de ficar aparada lá olhando para a cara dele e me sentindo enjoada. – Comentei

– Acho que sempre imaginamos que vamos tomar alguma atitude sobre algumas coisas da nossa vida, e simplesmente quando acontece ficamos tão chocados que ficamos lá parados Lily. Não vou dizer que é normal você ter ficado lá parada, mas não acho tão estranho assim.

– Eu sempre esperei alguma coisa do tipo com relação ao Potter, mas o Snape? Sempre fomos amigos! – Eu disse muito chateada.

– Esse que é o problema. Vocês sempre foram amigos e infelizmente você ainda tem esperanças que ele volte para o caminho certo. – Ele comentou sabiamente.

É… Pode acreditar… O Sirius às vezes parece ser sábio.

Não precisei dizer nada. Ele falou a verdade, sempre espero que o Snape veja que esta fazendo a maior besteira da vida dele e desista de tudo isso, mas esta cada vez mais difícil acreditar nisso.

– Snape tem alguns problemas psicológicos Lily. Não deve levar ele em consideração. Logo ele vai estar atrás de você nos corredores te pedindo desculpas.

– Não acho isso Sirius. Acho que ele gostou do que fez.

– Claro que ele gostou, e não deve se arrepender disso realmente, mas pense bem Lily. Odeio dizer isso, mas apesar de tudo, parece que ele gosta de você. E quando começar a pensar com a cabeça de cima, vai ver que fez muita besteira.

– Não sei se realmente posso perdoá-lo Siirus. – Comentei chateada.

– Você é uma pessoa boa de mais para não perdoar Lily. Nesse caso isso poder ser o problema. Você já o perdoou se parar para pensar e por isso esta ainda mais chateada.

Fiquei quieta, claro que aquilo fazia sentido, mas como o Sirius poderia saber de tudo isso?

– Agora deixando o Ranhoso para lá… Sobre o Pontas…

– Não quero realmente falar sobre isso. – Eu disse não o deixando terminar.

– O Tiago errou e sabe muito bem disso, sabia disso antes mesmo de inventar aquela história maluca de cair da cama. – Ele me disse ignorando o que eu disse.

– Isso não ajuda Sirius. Ele sabia que eu iria descobrir que era mentira e mesmo assim continuou com aquilo? Por que não disse a verdade?

– Eu até sei a resposta Lily, mas acho que você tem que perguntar isso para ele. Também sei que você esta mais chateada com ele do que com raiva.

– Outra coisa que eu não sei explicar. Ele mentiu, mas e daí? Por que me sinto tão mal com isso? – Perguntei sem entender.

– Você querendo ou não esta começando a confiar nele Lily. Esta vendo que ele é realmente uma boa pessoa, até brigou comigo quando falei que ele é esnobe.

– Por que ele não é. – Respondi.

– Exatamente! – Ele me respondeu sorrindo. – Você está muito assustada por descobrir que ele não é realmente o que você sempre pensou dele. E quando finalmente começa a confiar um pouco nele, ele mente sobre uma coisa banal dessas, mas para ele, assim como para você se for parar para pensar, ele ter brigado com o Ranhoso não é algo tão banal assim.

– Não sei por que eles se odeiam tanto. – Comentei revoltada.

– Por que eles são apaixonados pela mesma mulher. – Comentou o Sirius piscando para mim.

– Não é motivo para ficaram brigando toda vez que se encontram. – Comentei.

– Pode parecer que não, mas é um bom motivo. – Ele comentou sorrindo.

– Não vejo você brigando por aí por causa da Lene. – Comentei.

– Somos um caso complicado. Apesar de gostar da Lene, sei que vou magoá-la muito por não ser capaz de larga todas as outras mulheres por uma só. Isso pode parecer à coisa mais idiota do mundo para você, mas eu sou galinha. Fazer o que! – Ele comentou sorrindo.

– Você é um bobão. Isso sim. – Comentei rindo.

– Você é pior que eu cabeça de fósforo. – Ele comentou rindo e bagunçando o meu cabelo.

– Me recuso a responder seu saco de pulgas. – Comentei rindo e tentando inutilmente arrumar meu cabelo.

Eu estava rindo como uma maluca quando escutei aquela voz bem conhecida as minhas costas:

– Podemos conversar um minuto? – Escutei o Potter me perguntando.

– Essa é minha deixa para sair. Pense em tudo que te falei Lily. – Ele disse antes de se afastar e ir sentar com o resto dos marotos e das minhas amigas que conversavam alegremente do outro lado do salão.

– Eu realmente acho que não precisamos conversa. – Eu disse sem olhá-lo.

– E você sabe perfeitamente bem que precisamos sim. – Ele me disse se sentando no antigo lugar do Sirius.

Eu simplesmente assenti. Seria inútil fingir que não precisávamos conversar depois de ficarmos gritando como doidos no corredor.

– Me desculpe!- foi o que saiu da boca dele depois de alguns minutos em silêncio. – Sei que deveria ter te contado, mas você não iria querer me ouvir. – Ele comentou chateado.

– Eu iria sim. – Eu menti.

Não poderia simplesmente falar a verdade não é? Estaria falando que ele fez certo em mentir, coisa que não fez.

– Agora é você que não esta sendo sincera. – Ele comentou.

– Ok! Eu não teria ouvido, mas você poderia ter tentado. Me amarrado em uma cadeira, me sacudido, gritado qualquer coisa até que eu ouvisse. – Eu disse revirando os olhos.

– Te amarrado em uma cadeira acho que seria bem complicado. Te sacudido não iria adiantar muito, sem contar que corria a risco de ficar com outro olho roxo, e gritado… Não pensei nisso, por que sei que você sairia correndo depois de gritar comigo, ou eu ficaria irritado ao ponto de desistir de contar ou não teria chances de gritar, você já estaria bem longe.

– Odeio quando você esta certo! – Admiti irritada.

Ele riu levemente depois da minha confissão.

– Eu sou de mais! – Ele disse rindo.

Eu simplesmente revirei os olhos.

– Te devo desculpas também. Eu estava nervosa com outras coisas e acabei pegando pesado. – Eu admiti. – Mas afinal… Por que brigaram?

– Vamos dizer que nunca nos demos bem, e nos encontramos no corredor ontem, não foi muito agradável, ficamos um provocando o outro, não que isso seja certo, mas não sou do tipo de levar desaforo para casa.

– Eu sei. – Comentei.

– Vamos dizer que exageramos nas ofensas e logo já estávamos nos atracando.

– E por que não usou a varinha? – Perguntei.

– Nessas horas até me esqueço que tenho uma varinha. – Ele comentou despreocupado.

– Pensei que você brigasse melhor que ele. – Comentei depois de alguns minutos em silêncio.

– E brigo. Isso aqui foi quando eu já tinha dado a briga por encerrado e estava indo embora. O filho da mãe levantou e atacou por trás, me derrubou e bom… Não foi agradável. – Ele comentou indicando o olho.

Dei risada da situação, e vi que meus amigos estavam todos olhando para nós, claro que eles simplesmente disfarçaram quando viram que eu estava olhando.

– Agora é a sua vez. – Ele disse depois de alguns minutos.

– Eu realmente preferia não falar disso. – Comentei.

– Sirius me disse para não te pressionar, mas você estava péssima.

– Obrigada pela parte que me toca, mas vou ficar bem.

– Não vai mesmo me contar? – Ele perguntou chateado.

– Não pretendo contar para ninguém. O Sirius só sabe por que ouviu metade da conversa. – Respondi.

– Vai me contar um dia? – Ele me perguntou na dúvida.

– Vou. – Eu disse na mesma hora.

E claro que ele me olhou desconfiado.

– Quando eu conseguir falar sobre o assunto sem me sentir assim e tiver certeza que você não vai ter um “pit”. – Respondi a sua pergunta muda.

– Por que eu iria ter um “pit”? – Ele me perguntou desconfiado.

– Outro dia… – Eu respondi dando de ombros. – Por que não me conta por que exatamente estava brigando com o Sirius no quarto? – Perguntei para mudar de assunto. – O Pedro disse que é por que vocês se amam.

– Brigamos por vários motivos, alias, sempre estamos brigando, o bom é que cinco minutos depois estamos nos abraçando pedindo desculpas. – Ele comentou sorrindo.

A coisa que eu mais admiro nesses meninos é a amizade que eles têm!

– Temos a noite inteira. – Comentei.

– Na verdade não têm. Vamos comer? Logo termina a janta. – Comentou a Lene se aproximando.

– Os deixe conversar em paz. – Comentou o Sirius.

– Se quiserem trazemos alguma coisa. – Disse o Remus generoso.

Vi o Potter me olhando, acho que procurando uma resposta.

– Eu não estou com fome. – Eu respondi dando de ombros.

– Tragam alguma coisa se conseguirem. – Pediu o Potter.

– Pode deixar. – Disse a Dora sorrindo.

– O que deu neles? – Escutei a Alice perguntando para a Lene.

– Não façam nada que eu não faria. – Disse o Sirius antes de sair.

Assim que eles saíram ficamos nos olhando e sorrindo por algum tempo.

– Me conte a lista interminável do motivo da briga. – Pedi quebrando o silêncio.

– Primeiro motivo foi por causa da minha briga com o Ranhoso. O Sirius queria que eu fingisse que estava doente e não saísse da cama até meu olho ficar melhor, e eu não achei a melhor saída.

– Todo mundo iria te ver se você estivesse doente. – Comentei. – Não iria dar certo.

– Não tinha pensado nisso, mas acho que a Lene iria me matar se eu perdesse aquele ensaio, sem contar que os professores iriam querer me levar à enfermaria se estivesse doente ao ponto de perder as aulas. – Ele respondeu pensativo.

– Nada bom para a sua mentira. – Comentei rindo.

– Foi aí que tentei inventar uma desculpa para tudo isso, e como nunca saímos com sequelas de uma briga… – Ele comentou.

– Não faziam ideia do que dizer. – Terminei por ele.

– Exatamente.

– Mas esse não foi o maior motivo para a briga, foi? – Perguntei desconfiada.

Não tem como uma briga entre grandes amigos ser por que um não gostou da desculpa do outro.

– Não… Essa foi à primeira briga. Depois que o assunto ficou um pouco sério. O motivo da briga mesmo foi por causa da peça.

– Não pensei que você iria brigar com o Sirius por causa disso. Pensei que a batalha era minha. – Comentei brincando para tirar a tensão.

– Vamos dizer que não gosto que me manipulem desse jeito. – Ele respondeu pensativo.

– Acho que ninguém gosta. Mas o Sirius pegou pesado! – Eu comentei derrotada.

– Quer a verdade? – Ele me perguntou depois de alguns instantes.

– Claro. – Eu disse na mesma hora.

– Você sabe tão bem quanto eu que o Sirius fez isso para nos ajudar. Eu concordo se você disser que não é o melhor jeito, alias, acho o jeito muito ruim para falar a verdade.

– Você também caiu na conversa da Lene de que foi o jeito que o Sirius encontrou para fazer nós dois nos entendermos? – Perguntei descrente.

– Pare um pouco para pensar Lily. O Sirius é impulsivo e sempre vê as coisas pelo melhor jeito possível e ignora os possíveis problemas.

– Não justifica. – Respondi.

– Não justifica mesmo, mas tente entender a cabeça do cachorro! – Ele me pediu calmamente. – Ele acha que fomos feitos um para o outro e nós que ainda não vimos isso.

– Ele acha que eu não vi isso. – Corrigi.

– Eu não queria ser tão direto assim. – Ele comentou rindo. – Enfim… Qual o melhor jeito de fazer você se apaixonar por alguém? – Ele deu uma pausa – Mantê-la perto o suficiente. – Ele mesmo respondeu.

– Mas isso não é bem o melhor plano. Os dois podem passar a se odiar, ou forçar a convivência rápido de mais. – Comentei pensativa.

– É exatamente o que eu estava tentando explicar para o Sirius. – Ele comentou.

– Nós já somos amigos. Não era melhor esperar e ver como tudo isso iria ficar? – Perguntei.

– Seria a coisa certa a se fazer, mas a mais lenta, e nosso amigo não é uma pessoa paciente. – Comentou o Potter rindo.

– Não achei que você iria se incomodar com essa peça. – Comentei pensativa depois de alguns minutos.

– Não me incomodo. A peça vai ser divertida se parar para pensar. Eu estarei um bom tempo do seu lado e com uma boa desculpa. Teremos que ensaiar mesmo fora do horário das aulas para podermos decorar as falas, existem umas cenas bem quentes, eu realmente não me importo, mas não acho que seja o melhor jeito de te conquistar. Se é que isso é realmente possível. – Ele disse sério.

Senti o meu rosto esquentar na mesma hora.

– Eu sei que você odeia falar no assunto e não acredita que eu te amo e tudo mais, mas… – Ele fez uma pequena pausa – Te conheço o suficiente para saber que te pressionar nunca é o melhor jeito. – Ele comentou sorrindo gentilmente.

– Pelo menos amanhã é sábado e não temos ensaio. – Eu disse depois de longos minutos vermelha e sem graça.

Acho que ele entendeu perfeitamente que eu queria mudar de assunto.

– Até que o ensaio não foi ruim. Só ficamos sentados. – Ele comentou rindo.

– Foi só a primeira cena. – Reclamei.

– Veja o lado bom… As falas são fáceis. – Ele comentou sorrindo.

Dei de ombros. As falas são fáceis, mas são muitas.

– Poderíamos ensaiar qualquer dia. – Ele disse distraído.

– Teremos que fazer isso algumas vezes. – Respondi pensando em meu medo de palco.

– Parece que a Alice gostou de ser a psicóloga. – Ele disse animado.

– Na verdade ela adorou. A Alice queria estar no palco e tudo mais, o problema é que ela não queria o papel principal, sem contar que iria tomar muito tempo dela com o Frank se pegasse em papel com mais falas como os melhores amigos do casal. – Comentei.

– Só quero ver como eles vão fazer as cenas de ação. – Comentou o Potter pensativo.

– Essas serão as piores cenas para ensaiar. – Comentei pensando em algumas cenas complicadas.

– Mas acho que no geral a peça vai ser divertida. – Ele comentou rindo.

– Vai sim. Acho que a maioria do pessoal vai gostar. Tirando os professores, já que terão cenas “quentes”. – Comentei rindo.

– Duvido que a Mcgonacal saiba dessas cenas. – Ele respondeu rindo.

– Eu não quero estar por perto quando ela descobrir. – Comentei rindo também.

Não demorou muito para que os outros voltassem do salão principal.

Ficamos até tarde conversando e só fomos dormir quando o salão comunal já estava praticamente deserto.

Acordei cedo como de costume e fiquei lendo sozinha até que o Remus se juntou a mim no salão.

Não demorou muito para que todos os nossos amigos acordassem e logo fomos tomar café.

– Hoje vamos tirar as medidas das roupas. – Comentou a Lene

– Eu quero uma roupa bem séria. – Comentou a Alice contente.

– Vamos começar a ensaiar também a segunda cena. – Comentou o Sirius.

– Na verdade vamos ensaiar a primeira cena de novo e a segunda, então não pense que esta de folga Alice. – Comentou a Lene piscando para ela.

– Já começamos a desenhar em cenários. O primeiro já está praticamente pronto o esboço. – Comentou a Dora empolgada.

– Já viram quem vai ser o narrador? – Perguntou o Remus.

– Narrador para que? – perguntou o Pedro.

– Alguém tem que anunciar o nome da peça e coisas assim. – Respondeu o Remus.

– Ah! – Foi à resposta do Pedro.

– Qualquer um pode fazer isso. – Comentou a Lene dando de ombros. – Qualquer coisa eu mesma falo.

– Vamos só ler as falas de novo? – Perguntei já pensando que a segunda cena é quando os dois se conhecem.

– A principio sim, mas se der tempo pretendo pelo menos ensaiar a movimentação, mesmo sem cenário essa cena vai ser fácil de ensaiar. – Respondeu a Lene pensativa.

– Essa não é a cena que o Pontas esta tomando alguma coisa no bar e a Lily chega com os policiais? – Perguntou o Sirius.

– Essa mesma. Temos que ensaiar os dois mostrando as armas, se encontrando. E já começar a colocar o pessoal com papéis menos significativos para ensaiar, os policiais e o barman por exemplo. – Comentou a Lene.

– Já avisou o pessoal que vai ter ensaio? – Perguntei.

– Na verdade mandei todo mundo aparecer, afinal, vamos ter que tirar as medidas. No caso de vocês, fazemos isso enquanto ensaiam. – Ela comentou despreocupada.

– Já tem os desenhos das roupas? – Perguntou a Alice.

– Das primeiras cenas já temos sim. – Comentou o Sirius empolgado. – Tem uma roupa muito “da hora” da Lily. – Comentou o Sirius empolgado.

– Que roupa? – Perguntei curiosa.

– Aquele que você vai vestir quando for matar o cara logo no começo da peça. – Ele respondeu pensativo.

– Vocês não tiraram essa cena? – Perguntei preocupada.

– Por que tiraríamos? É uma cena importante para mostrar o seu trabalho. Não têm como cortar! – Respondeu a Lene.

– Não podem pelo menos colocar uma roupa mais descente? – Perguntei preocupada.

– De que roupa vocês estão falando? – Perguntou o Potter curioso.

– Se lembra de cena que a Jane se veste de prostituta e mata um cara? Logo no começo do filme, ela escapa com a alça da bolsa se jogando de um prédio ou alguma coisa assim. – Disse a Alice.

– Eu gostei a roupa. – Ele contou pensativo.

– Aposto que vai deixar de gostar quando a Lily vestir aquilo na frente da escola inteira. – Comentou o Remus.

– Já estamos atrasados para a aula! – Eu disse antes do Potter ter oportunidade para abrir a boca e responder as provocações do Remus.

As aulas passaram rápido, tão rápido que estranhei quando o sol começou a se por e tive que ir buscar o roteiro para mais um ensaio.

Quando cheguei à sala de transfiguração vi que a sala estava incrivelmente lotada. Literalmente o sexto ano da grifinória estava inteiro lá.

– Perdi alguma coisa? – Perguntei para a Alice que estava em um canto da sala sorrindo observando tudo.

– Estão vendo as roupas e os cenários. O Tiago não voltou ainda, estamos esperando vocês dois para começar os ensaios. – Ela respondeu sorrindo.

– Já viu sua roupa? – Perguntei vendo seu sorriso.

– Já sim. Já tiraram as minhas medidas e já me mostraram o esboço do desenho. Ou pelo menos o que eles estão tentando conseguir. É um terninho muito fofo. – Ela disse empolgada.

– Aposto que eu não vou ficar tão empolgada com as minhas roupas. – Comentei mais comigo mesma do que com ela.

– Não reclame. Eu vou ter que usar terno. – Disse o Potter chegando.

– Melhor do que usar roupa de vadia. – Comentei irritada.

– Vamos dar um jeito nisso. – Ele disse sorrindo.

– Aí estão vocês… Vamos começar. Enquanto ensaiam a primeira cena o pessoal vai tirar as medidas de vocês. – Comentou o Sirius nos puxando para o outro lado.

– Mas essa cena fazemos sentados. – Eu disse tentando inutilmente me livrar daquilo.

– Vão só ensaiam as falas. Depois fazemos tudo direitinho. – Ele disse sem importância.

– Certo – Disse o Potter pegando o roteiro.

– Sem roteiros. – Disse a Lene pegando nossos roteiros e jogando em uma cadeira. – Como eles vão medir vocês se estiverem com as mãos ocupadas? – Ela perguntou com um sorriso malvado.

– Mas eu não decorei as falas direito. – eu disse revoltada.

– Mais um motivo para ensaiar sem o roteiro. Improvise. – Ela disse maldosamente.

– Não vou nem responder o que eu vou improvisar Lene. – Eu disse irritada.

– Pode começar Tiago. – Ela disse quando um dos meninos mandou o Potter levantar os braços.

– Esta bem! Eu começo. Eu queria dizer que não precisávamos ter vindo aqui. Já estamos casados há cinco anos e… – Começou o Potter.

– Seis! – eu disse irritada enquanto a Dora media minha altura.

– Cinco… Seis anos… – Disse o Potter sem importância. – Isso é como um check-up para nós. A chance de dar uma olhada no motor… Trocar o óleo se precisar. – Ele disse com dificuldade.

– Continue. – Pediu a Lene quando o Potter ficou quieto.

– Me esqueci o resto da fala. – ele disse irritado.

-… Trocar o óleo se precisar. Trocar uma válvula ou duas… – Leu a Lene.

– Do começo! – Pediu o Sirius.

Ninguém merece!

Ficamos uns vinte minutos para conseguir completar a primeira cena sem erros. Acho que pior do que não poder ler os roteiros era ter que ficar virando e levantando os braços para o pessoal nos medir.

– Vou chamar o pessoal para a segunda cena. – Disse o Sirius empolgado.

– Lily, posso falar com você um minuto. – Pediu a Lene parecendo um pouco aflita.

Afastamos-nos um pouco de onde o pessoal estava conversando para que ela pudesse dizer o que queria.

– Não entre em pânico. – Ela pediu com uma voz bem calma.

– Não estou em pânico. – Eu disse sem entender onde ela queria chegar.

– Certo. Agora não vamos ser só nosso grupinho. Teremos os policiais e o barman, então tente fingir que estamos conversando no salão comunal! – Ela pediu.

– Não estou nervosa. – Comentei tentando relaxar.

– Espero que você continue assim. – Ela comentou sorrindo antes de voltarmos para perto do pessoal. – Você já pode ir se quiser Alice. Não vamos ensaiar de novo a primeira cena hoje. – Ela disse assim que chegamos perto da Alice e do Potter.

– Posso ficar e ver o ensaio? – perguntou a Alice empolgada.

Vi a Lene me olhando de canto de olho, acho que ela pensou algo parecido com “Quanto menos gente melhor!”

– Melhor não. – Comentou a Lene indecisa.

– A deixe ficar Lene. Não vai ter problema nenhum. – Comentei como que não quer nada.

– Tudo bem! – Disse a Lene com um falso tom de derrota.

– Esses são o barman e os policiais. – Disse o Sirius trazendo um pequeno grupo de meninos até nós. – Vocês já devem conhecer a Lily e o Tiago. – Ele disse indicando a mim e ao Potter.

– Podemos começar? – Perguntou a Lene puxando uma cadeira. – Primeiro vamos só ler as falas. Depois fazemos a encenação. – Ela disse já se sentando e abrindo o próprio roteiro.

– Vamos para a segunda cena. – Disse o Sirius contente.

– Comecem quando quiserem. – Disse a Lene.

– Você olha lá que eu vou dar uma olhada por aqui. – começou um dos meninos.

– Houve um crime feio por aqui e a policia esta procurando quem esta viajando sozinho. – Disse o menino que interpretava o barman.

– Está sozinho senhor? – Perguntou o primeiro guarda. – Está sozinho?

– Senhorita seu passaporte. – Pediu um dos meninos.

Acho que chegou a minha vez.

– Senhora, seu passaporte. – Pediu ele novamente.

– Está sozinha? – Perguntou o outro menino. – Está sozinha? – Me perguntou novamente

– Não. – Eu respondi.

– Não… Não. Está tudo bem. Ela esta comigo. – Disse o Potter.

– Eu sou a Jane. – Eu disse.

– John. – Ele me respondeu.

– Prazer. – Eu disse.

– O prazer é meu. – Ele respondeu.

E terminou a primeira leitura.

– Agora vamos tudo de novo, mas interpretando. Tiago você fica aqui. Isso aqui vai ser o balcão. – Disse a Lene indicando a mesa da professora. – E vocês vêm daqui. – Ela disse indicando um ponto da sala. – Lily e Tiago, não se esqueçam das trocas de olhar. Essa cena não tem muitas falas, mas é muito importante, principalmente que pulamos as cenas que mostram vocês dando uns beijos. – Ela comentou piscando para mim.

– Se vocês não interpretarem bem essa cena, teremos que colocar as outras duas de novo no roteiro. – Comentou o Sirius com um sorriso sacana.

– Do começo de novo. – Disse a Lene nos afastando. – Não se esqueça que esta fugindo deles Lily. E os dois não se esqueçam de mostrar a arma para o público. – Disse a Lene muito mandona.

– E não se esquecem de olhar para outro como se acabasse de salvar sua vida. – Comentou o Sirius sorrindo.

– Acho que vamos ter problemas com essa cena. – Comentei.

– Nem me fale. – Ele disse desanimado.

– Podem começar. – Disse a Lene.

– Você olha lá que eu vou dar uma olhada por aqui. – Disse um dos meninos enquanto todos entravam onde deveria ser o Hal do hotel.

O Potter olhou para eles curioso por alguns instantes.

– Houve um crime feio por aqui e a policia esta procurando quem esta viajando sozinho. – Disse o barman enquanto o Potter ainda olhava os policiais.

– Está sozinho senhor? – Perguntou o primeiro guarda indo na direção do Potter que se fez de desentendido – Está sozinho? – Ele perguntou de novo.

Foi quando eu entrei em cena. Olhei para os lados tentando achar uma possível saída, e parei olhando para o Potter.

– Senhorita seu passaporte. – Me pediu um dos meninos enquanto eu ainda mantinha os olhos o Potter. – Senhora, seu passaporte. – Ele me pediu de novo.

– Está sozinha? – Perguntou o outro menino, mas eu ainda não respondi – Está sozinha? – Me perguntou novamente.

– Não. – Eu respondi indo na direção do Potter.

– Não… – Disse o Potter mexendo nas costas, acho que para mostrar a arma, coisa que eu me esqueci de fazer. – Não. Está tudo bem. Ela esta comigo. – Ele disse me puxando pela mão para fora de cena.

Fingimos escutar através da porta enquanto nos olhávamos.

– Eu sou a Jane. – Eu disse lhe estendendo a mão.

– John. – Ele me respondeu sorrindo.

– Prazer. – Eu disse.

– O prazer é meu. – Ele respondeu.

– Corta! – Gritou o Sirius.

De onde ele tirou isso?

– Essa fala é de diretor de cinema Sirius, não de teatro. – Disse a Lene balançando a cabeça e rindo levemente.

– Eu sempre quis dizer isso. – Ele respondeu dando de ombros.

– Alguns errinhos… Meninos, vocês estão atrás de fugitivos, sejam mais brutos, sérios. – Disse a Lene pensativa.

Vi os três concordando.

– Lily nem vou falar nada. Você não mostrou a arma na perna. – Ela me disse fazendo careta.

– Eu me esqueci. – Respondi na defensiva.

– E mais uma coisa. Vocês dois acabaram de ver a salvação quando se olham no salão. Mais emoção gente. Sem contar que um gostou do outro no quarto. Eu sei que é só um “Oi, meu nome é fulano”, mas tentem passar para o público que você gostou dele. – Ele disse empolgada.

– Mas eu fiz isso. – Reclamei.

– Faça isso de um jeito menos Lily e mais Alice. – Comentou o Sirius sorrindo.

– Ei! – Reclamou a Alice.

– Você que é a romântica sem limites. – Ele se defendeu.

– A Lily também é! – Ela disse cruzando os braços nervosa.

– A Lily só é assim quando pensa que ninguém esta olhando. – Comentou a Lene rindo.

– Eu ainda estou aqui. – Eu disse revoltada.

– Nunca vi a Lily suspirando pelos cantos, igual à Alice. – Comentou o Potter pensativo.

– Mas eu já ouvi ela sair cantando e dançando pelo quarto com cara de boba. – Comentou a Dora se aproximando.

– Não estava com cara de boba! – Me defendi.

– Que seja! – Disse a Lene desinteressada. – Faça cara de Alice.

Como assim menos Lily e mais Alice? Eu sei mostrar quando estou apaixonada. Só que cada um encara as coisas de um jeito.

– Vamos de novo! – Escutei a Lene dizendo enquanto eu ainda falava mal de todo mundo em pensamento.

Perdi a conta de quantas vezes ensaiamos aquela mesma cena. Uma hora era o jeito que eu olhava, outra hora era o sorriso do Potter, depois eram os policiais, e a Lene nunca estava satisfeita com a cena.

Saímos da sala da Minerva já tinha começado a janta, e tínhamos a promessa de retomar tudo do começo no dia seguinte e ainda começar o ensaio da terceira cena.

Depois de jantarmos e fazermos a enorme quantidade que tínhamos de trabalhos e ficamos conversando no salão comunal:

– E o Remus? – Perguntei estranho ele não estar por perto.

– Foi arrumar uma arma de plástico para o ensaio de amanhã. – Respondeu a Dora.

– Não seriam duas armas? – Perguntei.

– É a arma para a terceira cena. A cena do parque de diversão. – Ela respondeu dando de ombros.

– Que cena? – Perguntou a Alice.

– Nós vamos há um parque de diversão, a Lily vai atirar em alguns alvos em um jogo e vai errar. – comentou o Potter. – Depois eu vou dar uma de metido e acertar os alvos e ganhando um ursinho pequeno de presente, e como a Lily não gosta de gente metida ela pega a arma e acerta todos os alvos.

– Isso me lembra que tenho que arrumar dois ursinhos, um grande e outro pequeno para ensaiar. – Comentou a Lene.

– Essa cena é tão boba… Por que não tiraram? – Perguntou a Alice.

– Na verdade eu pensei em tirar, mas é o namoro deles. Ia ficar muito esquisito sair deles se conhecendo para eles anunciando o casamento. – Comentou a Lene pensativa.

– Você tirou os beijos da cena, não é? – Perguntei depois de me lembrar exatamente da cena.

– Tirei. Coloquei alguns beijos no rosto, mas isso não vai dar para fugir por muito tempo. Daqui umas duas cenas vocês vão estar casados, pelo menos selinhos vão ter que dar. – Respondeu a Lene.

– Poderíamos começar a ensaiar logo a cena mais legal do filme. – Disse o Sirius empolgado.

– Que cena? – Perguntou o Pedro.

– A que os dois ficam tentando se matar e depois acabam se agarrando. – Ele comentou com um sorriso malicioso.

– Eu definitivamente não quero estar presente quando isso acontecer.  – Disse o Pedro pensativo.

– Podemos mudar a cena. – eu tentei.

Claro que era inútil falar isso, afinal é uma das cenas mais legais do filme. Só que ela deixou de ser legal quando eu tenho que fazer a Jane e o Potter o John.

– Bela tentativa. – Comentou o Sirius rindo.

– Vamos ensaiar uma cena por dia? – Perguntou o Potter mudando de assunto.

– Acho difícil. Logo as cenas começam a ficar mais longas e mais trabalhosas, e vamos demorar alguns dias ensaiando, mas é bom aproveitar que essas cenas do começo são curtas e sem muita coisa.

– Esse negócio de teatro é tão legal! – Comentou Alice animada.

– Eu não acho legal quando vou ter que fazer o papel do cara sem graça. – Comentou o Pedro.

– Que cara sem graça? – Perguntei.

– Eu sou aquele cara que vocês tentam matar no começo. – Ele respondeu desanimado.

– Então temos algumas cenas juntos. – Respondeu o Potter sorrindo gentil.

– Não vai ser muito agradável. Quase todas as cenas que eu faço com os dois, vocês estão brigando, o que é capaz de sobrar para mim. – Ele comentou desanimado.

– Podemos falar de outra coisa? Já estou cansada de falar dessa peça. – Comentei antes que o assunto durasse o suficiente pra me deixar entediada.

– Perdi alguma coisa? – disse o Remus chegando com uma sacola.

– Não. Só estávamos zoando com o Pontas e a ruiva. – Comentou o Sirius.

– Conseguiu? – Perguntou a Dora empolgada.

– Aqui estão as duas pequenas para a segunda cena e uma grande para a terceira. – Ele respondeu entregando a sacola para a Dora.

– Você que transfigurou? – Ela perguntou empolgada.

– Na verdade não pude transfigurar, mas a professora me deu autorização para mandar uma carta para algumas lojas no vilarejo e consegui bem rápido. – Ele respondeu dando de ombros.

– Esse negócio de só poder usar coisas trouxas vai ser complicado para montar o cenário. – Comentou o Pedro pensativo.

– Quero ver como vamos fazer para a Lily sair voando de um prédio. – Comentou a Alice.

– Já estou vendo esse tipo de coisas com a professora, alias amanhã eu tenho uma reunião com ela na hora do almoço sobre algumas coisas da peça.

– Reunião? Que chique. – Brincou a Alice rindo.

Ficamos mais algum tempo ainda falando sobre isso, mesmo eu insistindo para mudar de assunto. Não fomos dormir tarde, afinal, com todo aquele frio de outono ninguém aguentava ficar fora da cama até tarde sem estar do lado da lareira.

O dia seguinte estava chuvoso e todos estavam desanimados. Odeio Quinta-feira, o dia é sempre cansativo e desanimado.

Fui me arrastando ao longo do dia de uma sala para a outra. Não prestei realmente atenção nas aulas, estava com muito sono para isso. Acho que preciso parar de ficar até tarde conversando e ir dormir, ou pelo menos acordar mais tarde.

Na hora do almoço e na aula livre que tínhamos em seguida a Lene tinha sumido, o que interpretei como ido a tal reunião com a Minerva.

Já estava virando rotina ensaiarmos e não foi grande surpresa quando o Sirius quis repassar a segunda cena durante o tempo livre, o que devo acrescentar que foi muito tedioso.

– Que falta de empolgação. – Disse o Pedro depois do que para mim já parecia à milésima vez que dizia as mesmas falas.

– Não é você que tem que ficar repetindo dez vezes a mesma coisa. – Eu disse um pouco irritada.

– Temos mesmo que ficar fazendo isso no tempo livre? – Perguntou o Potter desanimado.

– Daqui alguns dias você é que vai estar empolgado para ensaiar nos tempos livres. – Comentou o Sirius malicioso.

– Não digo empolgado, mas vamos ter motivos para ensaiar. – Ele respondeu dando de ombros.

– Ainda bem que amanhã é sexta feira e final de semana não tem ensaio. – Comentei mais para mim mesma do que para o pessoal.

– Duvido que não tenha ensaio. – Comentou a Dora.

– Algumas pessoas tem que fazer trabalhos atrasados no final de semana. – Comentou o Pedro.

– E outras que simplesmente descansar. – Comentei.

– Vocês estão em um desanimo. – Reclamou o Sirius. – Estamos ganhando nota em todas as matérias do jeito mais fácil possível. – Ele disse empolgado.

– Mais fácil para você que só fica sentado olhando para a nossa cara. – Respondeu o Remus.

– Por que já não começamos a ensaiar logo a próxima cena? – Perguntou a Alice.

– A próxima cena é dos dois no parque de diversões. – comentou o Sirius pensativo. – Vocês vão estar abraçados. – Ele disse com um sorriso maroto.

– O que seria abraçado? – Perguntei não me lembrando muito bem da cena.

– Me deixe demonstrar ruiva. – Ele respondeu se aproximando e passando o braço no meu ombro. – Agora é só me abraçar pela cintura. – Ele comentou puxando minha mão. – Se quiser pode deitar a cabeça no meu ombro para ficar mais real. – Ele disse maroto.

– Não quero ser morta pelas suas fãs. – Respondi rindo.

– Você sabe que é minha preferida! – Ele me respondeu com aquele sorriso número sete “Eu sei que você me ama”.

– Acha que consegue fazer isso sem ter um ataque do coração Lily? – Perguntou a Alice rindo.

– Sem problemas. – Eu respondi sem entender o que ela quis dizer com “ataque do coração”

– Essa cena não têm beijos nem nada? – Perguntou o Remus.

– A cena original tem, mas a sem graça da Lene tirou e colocou um beijo no rosto. – Reclamou o Sirius.

– Vai dar mais emoção Sirius. Todo mundo vai estar esperando o grande beijo. – Comentou a Alice sonhadora.

– Não tinha pensado por esse lado. – Ele comentou pensativo.

– Esse não é aquela cena que o John fica se exibindo com a arma e a Jane vai lá e acaba com ele? – Perguntei empolgada.

– Ela não acaba com ele. Só acerta mais alvos que ele no jogo. – Respondeu o Potter.

– Ou seja, acabou com ele. – Respondi.

– Seja quem for que acabe com quem, vamos descobrir mais tarde. Acabou o tempo livre. – Comentou a Dora.

O resto das aulas passou muito rápido, o que foi um espanto, já que o começo do dia tinha sido bem tediante.

Para a minha infelicidade logo chegou a hora dos ensaios e mais uma vez me vi abrindo o roteiro para mais uma cena ao lado do Potter.

– Essa cena também não têm muitas falas, então tentem demonstrar que gostam de estar um com o outro, por que na próxima cena vocês já anunciam o casamento. – Comentou a Lene.

– Arrumamos a arma e os ursinhos, mas os alvos ainda não foram desenhados direito. – Disse o Remus chegando com dois ursinhos e uma arma de plástico.

– Não se esqueça que quando a cena estiver acabando você joga o ursinho pequeno fora Tiago. – Disse a Lene entregando os objetos para um menino que iria fazer o rapaz da barraca.

– Sem problemas! – Respondeu o Potter dando de ombros.

– E quando a cena começa vocês estão abraçados, e não se esqueça do beijo no rosto. – Ela continuou.

– Certo. – Respondeu o Potter.

– E sorriam. – Ela finalizou olhando para mim.

– Estou sorrindo. – eu disse colocando um sorriso forçado no rosto.

– Podem começar. – Disse a Lene puxando uma cadeira e se sentando.

– Decorou as poucas falas? – Me perguntou o Potter enquanto nos preparávamos.

– Espero que sim. – Respondi sorrindo.

– Ação! – gritou o Sirius entusiasmado.

– Já sei… Ele sempre quis dizer isso. – Disse a Lene com cara de tédio.

– Posso? – me perguntou o Potter se aproximando.

– Sem problemas. – Eu respondi sorrindo.

Não tem nada de mais amigos se abraçarem, não é? Eu abraço o Sirius toda hora. O Potter não é diferente.

O braço do Potter era um pouco maior que meus ombros o que deu a deixa para que eu desse a mão para ele e colocasse a outra na sua cintura.

– Eles não são lindos? – Ouvi a Alice suspirando.

– Mamãe me fez lindo assim. – Brincou o Potter sorrindo.

– Lindo e modesto. – Comentei revirando os olhos.

– Parem de enrolar. – Pediu a Lene impaciente.

– O que deu nela? – Me perguntou o Potter.

Dei de ombros. A Lene é maluca de natureza, não precisa de uma razão especifica.

– Eu quero tentar. – Eu disse quando paramos de andar.

Teoricamente aqui deveria ser a barraquinha de tiro ao alvo

– Dois. – Disse o Potter entregando o dinheiro. – Sabe segurar isso aí? – Ele me perguntou enquanto eu esperava o menino me entregar a arma.

– Assim? – Perguntei segurando a arma.

– Isso. – Ele disse rindo. – Tem que mirar. – Ele me disse depois que fingi dar um tiro e errar.

– Eu estou! – Eu disse rindo. – Não vem não… Eu posso te matar. – eu disse quando finalmente acertei um tiro.

A cena ficaria melhor se realmente tivesse alguma coisa para atirar.

Rimos quando terminou os meus tiros e entreguei a arma para o Potter, que deu uma de exibido e acerto quase todos os tiros.

– Ganhamos alguma coisa? – Ele perguntou para o menino da barraca enquanto eu olhava para ele desconfiada. – Golpe de sorte! – Ele me disse.

Ele pegou o ursinho e me mostrou.

– Eu quero tentar de novo. – Eu disse séria.

– Vamos de novo. – disse ele pagando o moço de novo.

E finalmente eu acertei todos os tiros.

– Onde aprendeu a atirar assim? – ele me perguntou depois que peguei o meu urso gigante.

– Pura sorte. – respondi dando de ombros.

O Potter passou ao lado de uma criança e lhe entregou o ursinho pequeno, me abraçou e me deu um beijo no rosto enquanto caminhávamos para fora da cena.

Até que não foi tão ruim, pelo menos não das cinco primeiras vezes.

– E finalmente terminamos por hoje. – Disse a Lene sorrindo. – Amanhã serão duas cenas intercaladas.

– A do anuncio do casamento. – Disse o Sirius desnecessariamente empolgado.

– Eles vão se casar! – Comentou a Alice empolgada.

– Na verdade eles já estão casados há… – começou a Lene.

– Cinco ou seis anos. – Completamos o Potter e eu juntos.

– Eles estão pegando o jeito da coisa. – Comentou o Sirius rindo.

– Já podem se soltar. – Comentou o Sirius rindo.

Foi quando percebi que eu ainda estava abraçada ao Potter e ao ursinho de pelúcia.

– Por que não tentamos tudo desde o começo? – Perguntou a Alice empolgada.

– Não é má ideia. – Disse a Lene ainda mais empolgada.

Longo dia!

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sobre Vanessa Sueroz

Autora dos livros Confusões em Paris, Minha última chance, Odiado Admirador Secreto, Presente de Aniversário, Eu te amo mais e Três Botões.


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4 thoughts on “Sr e Sra Potter – Cap 4

  • lucas

    eu estou pensando em escrever um livro, o nome dele vai ser A Saga Do Cruzador, no ano de 1825, um navio chamado O Cruzador sai do porto de uma cidade da costa dos Estados Unidos para pescar baleias, esse navio é comandado por Bernad Jockshop, um homen de cerca de 50 anos que teve a mão arrancada por um tubarão, esse navio viaja por todo o mundo, o jovem Crhistopher, novato no négocio da pesca de baleia entra na tripulação desse navio, no Oceano Indico, depois de ter o navio destruido por uma baleia, Capitão Bernad e sua tripulação é morta por tubarões, queria que voce me respondesse sobre o que achou desse enredo e me diga se daria um bom livro.

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