Sr e Sra Potter – Cap 2 1


Anteriormente:

– Eu também. Não sei por que não pensei nele antes.

– Vocês dois seriam perfeitos para o papel. – comentou a Dora com o Sirius.

– Poderíamos definir os personagens por beleza, então eu estaria no palco com o papel principal. – comentou o convencido.

– Você não pode estar no palco. Você agora é meu assistente. – comentou a Lene se juntando a nós.

Essa peça vai dar o que falar!

Cap 2 – Sr e Sra Potter

O dia passou rápido depois daquilo, alias, não tinha muito o que fazer depois daquilo, a não ser ir para o dormitório fazer os deveres e tomar um bom banho.

A Lene sumiu por um tempo atrás de tudo para passar o filme no salão, e claro que a maioria do pessoal já tinha espalhado para o resto da grifinória sobre a “sessão pipoca” mais tarde.

Eu estava deitada confortável em um dos sofás perto da lareira, faltava quase meia hora para o jantar e o salão estava lotado. Eu sei que não deveria ocupar o lugar de três pessoas, mas estava tão bom ler meu livro ali sossegada, pelo menos eu estava sossegada até os marotos chegarem, alias, o Sirius e o Potter.

– Você tem que me contar! – escutei o Sirius pedindo, alias, implorando acho que ficaria melhor.

Tentei não olhar para eles, quem sabe eles não me vissem e fossem sentar em outro lugar.

– Me dá um espaço ruiva. – pediu o Sirius.

Fingi que não era comigo e continuei olhando para o meu livro. Eu ainda estava com raiva por causa das perguntas chatas dele para o Potter sobre “como viramos amigos”.

– Por que você esta tão obcecado com isso? – perguntou o Potter puxando os meus pés e se sentando no sofá para depois colocar minhas pernas em cima das dele.

Eu fiquei olhando para ele sem entender como ele é cara de pau. Como ele chega e vai colocando as minhas pernas no colo dele? O que vão pensar? Ele não tem essa intimidade.

– Não me olhe assim. Você não iria me deixar sentar. – ele me disse quando me viu olhando para ele irritada.

– Por que ele pode sentar e eu não? – perguntou o Sirius emburrado se sentando no chão.

– Ele não pode sentar. – respondi dando de ombros. – Mas por que a briga? – perguntei vendo que não conseguiria mais ler o meu livro.

– O Pontas não quer me contar os detalhes. – reclamou o Sirius.

– Eu já disse que não sei do que você esta falando. – reclamou o Potter.

– É claro que sabe. Eu fiz uma pergunta simples. – ele disse impaciente.

– Pergunte para ela então. – reclamou o Potter.

– Eu sou muito jovem para morrer. – comentou o Sirius.

– Do que vocês estão falando? – perguntei sem entender o porquê da briga.

– Sobre o seu sutiã o que mais? – perguntou o Sirius com a carinha inocente.

Posso ficar vermelha e entrar em pânico ou devo matar o Sirius primeiro?

– Ele esta falando sobre isso. Eu nem ao menos sabia que… – começou o Potter.

– Ela sabe que você olha, alias que homem não olha? Já vi até o Ranhoso olhando. – comentou o Sirius.

Agora eu fico muito vermelha!

– Ei! Respeito é bom e eu gosto! – eu disse irritada me cobrindo com a almofada.

– Não se preocupe. Ele vai apanhar depois. – comentou o Potter como se o Sirius fosse uma criança mimada.

– Não é justo! Eu só fiz uma pergunta simples. O que custa responder? – reclamou o Sirius fazendo bico.

– Não vou falar sobre isso com vocês. – respondi irritada.

– E nem deveria. O Sirius tem que aprender a calar a boca. – reclamou o Potter. – Por que você não pergunta isso para as suas “amigas”? Aposto que elas não se incomodariam de responder. – comentou o Potter.

– Elas sempre mentem. Eu sempre acho que é maior, bom, quase todas às vezes elas estão com aquela porcaria enganadora de sutiã de enchimento do mal.

– Se chama bojo, Sirius. – corrigi.

– Que seja! O bojo do mal. – ele comentou emburrado.

– E posso saber o que o sutiã das garotas fizeram contra você? – perguntei já fechando o livro.

– Você não vai entender. Mas o Pontas deveria. – ele reclamou.

– Entendo, mas não você falar da Lily, nem de nenhuma das nossas amigas. – disse o Potter dando um ponto final na história.

– Afinal por que surgiu toda essa conversa de sutiã? – perguntei intrigada.

– Não faço ideia. Ele só veio com essa conversa maluca durante a reunião sobre a peça de teatro. – respondeu o Potter pensativo.

– É que fiquei curioso. Nunca tinha parado para reparar na Lily desse jeito por que você sempre estava no meu pé, mas depois que ela me contou sobre como vocês são íntimos… – ele começou.

– Sirius! – gritei irritada.

– Acho bom você parar com qualquer ideia que esteja tendo com relação a ela. – disse o Potter batendo na cabeça do Sirius.

– Foi só um pensamento sabe… – reclamou o Sirius massageando a cabeça.

– Vou ter que apagar a sua memória de novo? – perguntei irritada.

– Como assim de novo? – perguntou o Sirius.

Eu e minha boca gigantesca.

– Você contou? – perguntou o Potter deprimido.

– Já me arrependi. – respondi irritada.

– Vocês já apagaram a minha memória? – perguntou o Sirius irritado.

– Olha só… Hora do jantar. Vou descer meninos. – eu disse já me colocando de pé em segundos.

– Vou com você. – disse o Potter na mesma hora.

Acho que sairíamos correndo se não ficasse tão na cara que estávamos fugindo da pergunta do Sirius.

É claro que já apagamos a memória dele. Foi muito constrangedor escutar ele fazendo piadinhas por dois dias inteiros, no final nós dois acabamos apagando a memória do Sirius, por que tínhamos prometido não fazer e ambos fizemos escondido.

– Não acredito que você contou. – reclamou o Potter enquanto nos sentávamos.

– Pensei que ele tivesse amadurecido o suficiente. – eu respondi irritada. – Eu faço ou você? – perguntei para ele quando vi o Sirius surgir no salão com o resto do pessoal.

– Vemos isso durante o filme. – ele respondeu piscando para mim.

O jantar passou rapidamente e sempre o Sirius abria a boca para falar eu ou o Potter cortávamos o assunto.

– Estou ansiosa para ver o filme. – disse a Dora sorridente.

– Então temos que chegar logo para pegar bons lugares. – comentou a Alice.

– Poderíamos conseguir pipoca. – comentou o Pedro.

– A ideia é boa. Vamos ver isso. – comentou o Remus.

– Nós guardamos um lugar para vocês. – disse a Dora empolgada.

Depois que o Remus e o Pedro foram assaltar a cozinha e as meninas foram guardar lugar para todos, o Potter e eu tratamos de nos apressar para vermos como iríamos apagar a memória do cachorro do Sirius, me lembro que da última vez deu muito trabalho.

O salão comunal estava parecendo um cinema com poltronas e tudo mais. Até mesmo a pipoca que o Remus estava distribuindo para todo mundo com o Pedro reclamando que eles iriam ficar sem pipoca.

Me sentei do lado do Potter e do Sirius, então não deu para discutirmos estratégias durante o filme.

– Parece um casal que eu conheço! – disse o Sirius em certa parte do filme.

– Quem? Você e a Lene? – perguntei rindo.

– Na verdade você e o Pontas, tirando a parte dos amassos, pelo menos, quase tirando essa parte. – ele comentou pensativo.

– Acho que é mais a sua cara… Você que gosta de coisas perigosas. – comentei.

– Não gosto de coisas perigosas ruiva, só de coisas divertidas. – ele respondeu com um sorriso numero vinte e seis “Olha como eu sou inocente”.

– Não em importaria de encenar, se fosse para fazer um papel pequeno, quem sabe o motorista do carro desse criminoso. – comentou o Potter.

– Você quer mesmo ficar me cima daquele palco? – perguntei incrédula.

Eu sei que o Potter gosta de ser o centro das atenções, mas não é tanto assim.

– Na verdade preferia jogar quadribol, mas como não tenho escolha e não entendo nada de roupas…  – ele respondeu dando de ombros.

– Você poderia ajudar com o cenário. – comentei.

– Se eu puder escolher iria ficar feliz tendo que montar algumas coisas com isopor. – ele respondeu sorrindo.

– Você poderia conversar com a Lene. Aposto que ela te colocaria para ajudar em alguma coisa que você goste. – comentei dando de ombros.

– Não custa tentar. – ele comentou dando de ombros e voltando a se concentrar no filme.

Na verdade o tempo passou rápido enquanto assistíamos o filme, o Sirius ficou fazendo comentários nada apropriados, mas quem pode culpá-lo?

Vi que de tempos em tempos a Dora olhava sugestivamente para o Remus, mas o esperto nem ao menos se deu conta, e sobre a Alice… Não tem o que falar, acho que ela perdeu metade do filme mandando cartas para o Frank.

A Lene estava super concentrada e fazendo anotações, não quero nem ver o que ela tanto escreve naquele caderno.

Assim que o filme terminou a Lene se postou em frente às cadeiras e começou a falar sobre o filme, não prestei muita atenção, afinal ela estava falando sobre como deveria fazer alguma adaptações para que todos entendam e tudo mais.

– Então todos estão de acordo com o filme?- ela perguntou por fim.

Fiquei muito satisfeita quando praticamente a grifinória inteira levantou a mão, até mesmo os alunos de outros anos que não participariam da peça.

– Amanhã a reunião será só para explicar como irão ser escolhidos os personagens e logo serão dispensados, então não faltem. – ela disse por fim.

Todos nos levantamos para irmos aproveitar o resto da noite antes de irmos deitar, mas parece que alguém não teve tanta sorte:

– Preciso de sua ajuda Sirius. – comentou a Lene.

– Boa sorte. – disse o Remus rindo.

– Ela não vive sem mim. – ele comentou sorrindo galanteador.

– Eu vou terminar a lição de história da magia. Você me ajuda Remus? – perguntou a Dora bem sugestiva.

– Ela disse isso mesmo? – perguntei para a Alice assim que os dois se afastaram.

– Nossa Dorinha esta se tornando mulher. – comentou a Alice rindo.

– Aconteceu alguma coisa entre os dois que eu perdi? – perguntei espantada.

– Na verdade não que eu saiba, mas até que poderia acontecer. Vocês poderiam falar com o Remus. – ela comentou com o Potter e com o Pedro.

– Eu não me intrometo com essas coisas. Sempre sobra para mim no final. – comentou o Pedro antes de ir atrás do resto de pipoca que tinha sobrado na bandeja.

– Por que sempre sobre para ele? – perguntei sem entender.

– Vamos dizer que o Pedro não namora muito. – comentou o Potter dando de ombros.

– Também, ele é baixinho. Deve ser difícil achar alguém do tamanho dele. – comentou a Alice maldosa.

– Olha quem fala… A varinha falando do bruxo! – comentei indicando o tamanho minúsculo dela.

– Você também não é grande coisa ruiva. Você deve precisar de um banquinho para beijar o Sirius ou o Tiago. – comentou a Alice mostrando a língua.

– Se eu preciso de um banquinho você precisa de uma escada. – respondi me segurando para não rir da careta dela.

Mas não consegui segurar a risada muito tempo, por que o Potter começou a rir feito um maluco que fugiu do hospício, e claro que eu acompanhei.

– Isso pode ser contagioso. – comentou a Alice saindo de fininho.

Até parece que o Potter também não percebeu que isso foi só uma desculpa para nos deixar a sós.

Depois de nos acabarmos de rir finalmente sentamos nas escadas do dormitório masculino, já que a salão comunal estava lotado e não tinha mais onde ficar.

Fiquei observando o Sirius e a Marlene discutindo alguma coisa que parecia ser muito chata pela cara de concentrado do Sirius, o que é uma coisa bem rara.

– Acha que os dois se acertam? – me perguntou o Potter cortando o silencio.

– A não ser que um dos dois dê o braço a torcer, é impossível. A Lene nunca vai admitir. – comentei.

– O Sirius muito menos. – comentou ele desanimado.

– Quem sabe com essa história de teatro eles não passem mais tempo juntos e resolvem logo isso? – sugeri.

– Em falar em Sirius… Como vamos afinal apagar a memória dele? – ele me perguntou.

– Como você fez isso da última vez? – perguntei sem ideias.

– Esperei ele dormir. – comentou ele dando de ombros – E você?

– Derrubei ele da escada. – respondi me lembrando de como foi difícil fazer o Sirius bater a cabeça em algum lugar para fingir que foi por causa do tombo e não do feitiço que ele esquecesse algumas horas do seu dia.

– Derrubou ele da escada? Então foi por isso que ele foi para a enfermaria? – ele perguntou rindo.

– Eu tinha que fazer alguma coisa. – comentei dando de ombros.

– Quero realmente morrer seu amigo. – ele comentou ainda rindo.

– Na verdade só derrubei ele da escada por que é meu amigo, senão tinha batido com alguma coisa com força na cabeça dura dele. – respondi observando o Sirius discutindo com a Lene.

– Cada dia que te conheço mais, vejo que você é ainda mais maluca do que eu pensava. – ele comentou rindo.

Ele nunca fica sério? Não entendo como ele consegue estar sempre de bem com a vida.

– Eu não sou maluca, só tenho um padrão diferente. – comentei sorrindo. – Mas você cuida do Sirius. – comentei.

– Por que eu? – ele perguntou cruzando os braços.

– É mais fácil você esperar ele dormir do que eu ficar aqui armando alguma coisa para bater nele. – comentei.

– Ainda não acredito que você contou para ele depois do tudo que passamos. – ele comentou pensativos.

– Eu gosto do Sirius, gosto das brincadeiras sem graça dele e até as coisas insanas que ele fala. Até do ego enorme dele, ele realmente acredita que tudo gira em torno dele. –comentei.

– Isso foi uma declaração? – ele me perguntou com uma sobrancelha levantada.

– Foi uma declaração de amizade pura e sincera. – respondi antes de voltar minha atenção agora para o Remus e a Dora.

Não demorou muito para que o sono chegasse e eu fosse dormir.

A noite foi bem tranquila, acordei como de costume cedo e foi ler no salão comunal. O Remus já estava lendo sentado em uma das poltronas quando me sentei para abrir o livro.

Não demorou muito para a Alice descer e ficar ali olhando o fogo, logo depois desceu a Dora e desistimos de ler para ficarmos jogando conversa fora.

– A Lene esta demorando. – comentei quando vi que se demorássemos muito iríamos perder o café.

– Ela ficou até tarde fazendo coisas para a peça junto com o Sirius. – comentou a Alice.

– E você ficou acordada também? – perguntou a Dora estranhando.

A Alice geralmente era a primeira a ir dormir.

– Fiquei… Estava fazendo o dever que estava atrasado. – ela respondeu dando de ombros.

– E onde estão os meninos? – perguntou a Dora.

– O Sirius deve acordar tarde já que ele ficou com a Lene ontem. – comentei.

– Mas e o Tiago? – perguntou a Dora.

– Os dois brigaram de noite. Não entendi muito bem a briga, mas sei que amos foram dormir muito tarde. – comentou o Remus.

– Os dois brigaram? Sério? Impossível! – comentou a Alice rindo.

– Os dois vivem brigando… – comentou o Remus dando de ombros.

– Não parece. – comentou a Dora pensativa.

– É que eles nunca conseguem ficar mais que algumas horas brigados. – ele respondeu sorrindo.

– Melhor irmos acordar esse povo. – comentei olhando novamente o relógio.

– Eu acordo a Lene. Vocês acordam os três marotos preguiçosos. – comentou a Dora já indo para o quarto das meninas.

– Melhor irmos logo então. – comentou o Remus já de pé.

O quarto dos meninos como de costume estava terrivelmente bagunçado, apenas um canto do quarto se mantinha arrumado, que sempre julguei ser o do Remus, e tive a minha certeza hoje quando ele foi guardar o livro.

O Pedro foi o primeiro a acordar e correr para o banheiro reclamando que estava atrasado para o café.

Quando fomos acordar o Sirius ele ficou xingando a nossa pobre mãe de todos os nomes feios que ele se lembrava naquele estado de sonolência, já que eu acho que o vocabulário dele deve ser bem maior.

O Potter jogou o travesseiro em cima de mim e puxou o cobertor para cobrir o rosto.

Depois de longos minutos brigando com o Potter para a posse do cobertor dele ele se levantou irritado e foi para o banheiro. Quase não me aguentei de pé de tanto rir quando ele deu de cara com a porta.

– Benfeito! – resmungou o Sirius.

– Ainda estão brigados? – perguntou o Remus espantado.

– Tudo culpa da cabeça de fósforo. – comentou o Potter emburrado voltando a sentar na sua cama.

– Cabeça de fósforo é a sua mãe. – retruquei mostrando a língua.

Eu sei que foi infantil, mas era para ele rir, precisava ser infantil.

– Realmente, tem vezes que minha mãe realmente parece uma cabeça de fósforo. – comentou ele pensativo.

– O que aconteceu entre vocês? – perguntou a Alice.

– Vamos dizer que o Pontas pensou que eu estava dormindo e tentou me pregar uma peça. – respondeu o Sirius me olhando de um jeito assassino.

– Que coisa feia Potter. – brinquei tentando amenizar a cara assassina do Sirius.

– Por que ele esperou você dormir? É mais legal pregar peças enquanto a pessoa pode ver que foi passada para trás. – comentou a Alice.

– Até que a ideia não é má. – comentou o Sirius com muita malicia.

Já posso ver que ele vai aprontar.

O dia passou bem lentamente, as aulas eram chatas e a minha companheira de conversa estava ocupada rabiscando alguns papeis, e sempre só me dizia que era para a peça.

Essa peça esta ocupando minha melhor amiga em tempo integral, isso não é justo!

Chegamos um pouco adiantados para a reunião da peça no final do dia, e aproveitei para ir falar com o Potter sobre o fracasso dele quanto a apagar a memória do nosso amigo:

– Você deveria ter esperado ele dormir. – comentei.

– Eu esperei. Ele já estava até roncando, mas aquele… Ele fez um feitiço escudo, aposto que já saiba que iríamos tentar alguma coisa.

– Então teremos que fazer alguma coisa rápido, ele deve estar tramando alguma coisa naquela cabecinha maligna dele. – comentei olhando o Sirius conversando com a Lene.

– Podemos empurrar ele da escada. – comentou o Potter despreocupado.

– O problema é que as escadas se mexem e ele pode levar um tombo feio. – comentei dando de ombros.

– E quem se importa? – brincou o Potter rindo.

Revirei os olhos e sorri. Só ele para brincar com coisa séria. Se alguém escuta…

– Desculpem a demora. – comentou a Lene com mais um discurso. – Mas já estou fazendo os primeiros ajustes no roteiro da peça e assim que tiver tudo certo e aprovado pelos professores eu passo para todos.

Que tipos de ajustes ela esta fazendo que demora tanto?

– Primeiro de tudo, não vamos ter audições para a escolha dos papeis, conversei com a professora Mcgonagall, e ela concordou que isso poderia causar problemas e brigas, então para ficar uma coisa mais justa será colocado um painel no salão comunal com vários lugares me branco, cada lugar irá representar um papel, tanto no palco como por trás das cortinas, como ajudando com luzes, figurino e etc., estará dividido um lado para as mulheres e outros para os homens, para que não tenhamos problemas.

Ela parou de falar, acho que para dar tempo do pessoal absorver as informações.

– Cada um só terá que ir lá e escolher um campo alheatório no quadro e tocar com a varinha, segunda feira todos poderão ver que papel escolheram, e com sorte já pegaram os roteiros para começarem a decorar.

– Não se preocupem, irá ter muita magia no quadro, então ninguém vai conseguir trapacear. – comentou o Sirius olhado na nossa direção.

Isso foi uma indireta para alguma coisa sem sentido dele ou foi impressão minha?

– O quadro ficara no salão comunal de hoje depois do jantar até segunda antes da primeira aula. Uma vez escolhido o papel, não será possível trocar, então boa sorte quando forem colocar os nomes no quadro. – comentou a Lene.

– Quem não colocar o nome do quadro por qualquer motivo que seja ficará de detenção, e terá alguns pontos creditado no final do trabalho, além de que a professora que irá escolher como a pessoa ira colaborar com o teatro como punição, então aconselho que todos coloquem os nomes. Já vi a tia Mine fazendo uma listinha de castigos para aplicar em quem não colocar o nome no quadro. – comentou o Sirius rindo.

– Odeio essa coisa aleatória. Eu nunca tenho sorte. – comentou a Alice fazendo bico.

– Nem me fale. Com o meu azar todo é capaz deu pegar o papel principal masculino. – comentou a Dora.

– Mas eles já disseram que vai estar separado o papel dos meninos e das meninas. – comentou o Remus.

– Você não conhece a minha má sorte. – comentou a Dora fazendo uma careta.

– Estou com a impressão que o Sirius vai aprontar alguma coisa.  – comentei pensativa vendo que o Sirius ainda não tinha tirado os olhos de onde estávamos.

– Não se preocupe ruiva. Ele só está irritado por que tentamos apagar a memória dele de novo. Ele nunca faria nada contra nós dois. – comentou o Potter despreocupado.

Até parece que eu acredito nisso!

Olhei para ele na maior dúvida e ele deu de ombros.

– Vou ter que esperar para ver e começar a dormir de olhos abertos. – brinquei.

– Pelo menos ele não pode entrar no seu quarto. – ele comentou.

– Quando vocês têm quadribol? – perguntei pensativa.

Eu poderia jogar um balaço no Sirius, ele ficaria inconsciente e eu poderia apagar a memória dele sem problemas.

– Em que mundo você esta Lily? O quadribol está cancelado para o pessoal do sexto ano. – comentou a Alice. – Até eu sei disso.

– Esquece o que eu disse… – eu comentei desanimada, lá se foi uma ideia perfeita.

– O que pretendia aprontar? – me perguntou o Potter enquanto íamos para o salão comunal.

– Queria derrubar o Sirius da vassoura. – comentei irritada.

– Nunca pensei que veria a minha ruiva favorita conspirando contra mim. – disse o Sirius aparecendo do meu lado e me assustando.

– De onde você veio? – perguntei levando a mão ao peito.

– Não estamos conspirando contra você. – comentou o Potter passando a mão pelos cabelos.

– Claro que não veado. Vocês estão só discutindo o melhor jeito de me deixarem desacordado. – comentou ele revirando os olhos.

– Não reclame. Não mandei você fazer tanta piada sem graça. – comentei emburrada.

– Como piada sem graça? Eu nunca fiz uma piada que ninguém riu. – ele disse com seu sorriso “Eu sou o máximo”

– Você mesmo rir da piada não conta. – comentou o Potter rindo.

– Então… Já sabem que papeis vocês querem pegar? – ele perguntou mudando totalmente de assunto.

– Quero ajudar com o figurino. – comentei pensativa.

– Quero ajudar com o cenário. – comentou o Potter.

– Trabalho braçal. Bem a sua cara. – comentou a Alice se aproximando. – Acho que teremos fila perto da sala quando você estiver trabalhando, não é Lily?

– Não entendi a piada. – comentei olhando para a Alice sem entender a indireta.

– Ela nunca soube dar boas indiretas. – comentou a Dora.

– Alguém me explica que eu ainda não entendi. – pedi revoltada.

– Ela esta falando para você concordar que o Tiago é bonito. – comentou o Remus.

– Se eu algum dia eu falar isso o ego dele vai inchar tanto que é capaz de explodir em mil pedaços. – respondi irritada.

Até parece que eu vou dizer para o Potter que ele é bonito. Jamais!

– Que conste que você não discordou. – comentou o Potter com um sorriso gigante no rosto.

Achei melhor não responder e dei de ombros. Louco não se contraria.

O resto do que sobrou do nosso tempo livre não fizemos nada muito útil, e para a minha incrível sorte o sábado chegou rapidamente, alias, não foi tanta sorte assim já que acordei com o pé esquerdo naquela manhã.

Para começar aquele pesadelo horrível com o Potter e eu abraçados na torre de astronomia. Não quero nem imaginar o que estávamos fazendo lá.

Para completar cai da cama… Não precisar rir! Cair da cama é normal no castelo, principalmente quando se tem amigas malucas como colegas de quarto.

Até onde entendi a ideia de me acordar gritando “Fogo!” foi da Lene.

– Parem de rir! – gritei irritada depois de voltar batendo o pé para a minha cama.

– Vai ter que admitir que foi engraçado você saindo correndo só de pijamas pelo quarto procurando seus livros. – comentou a Dora.

– Quem em sã consciência iria querer salvar os livros? – perguntou a Alice.

– Meus livros são preciosos. – me defendi irritada.

– Preciosos? Você deveria ter ido salvar suas roupas, seu dinheiro, sua fotos… Mas livros? – reclamou a Lene.

– Afinal com o que estava sonhando que estava sorrindo? – perguntou a Alice maliciosa.

– Com nada. – respondi automaticamente.

Eu não estava sorrindo. Estava fazendo uma careta isso sim.

– Nada? Acho que nada agora tem nome. – comentou a Dora e as três começaram a rir novamente.

Alguém entendeu a piada? Eu não achei graça.

– Eu estava tendo um pesadelo. – eu disse revoltada tentando falar mais alto que as risadas delas.

– Pesadelo? Seu tom de voz e seu sorriso diziam que o sonho era muito bom. – comentou a Alice.

– Hum… Tiago! – disse a Lene com uma voz melosa e dengosa fazendo elas caírem em outra sessão de riso.

Acho que ela estava tentando me imitar, mas eu nunca falaria o nome daquela coisa de cabelos espetados desse jeito.

– Eca! – eu disse fazendo uma careta.

– Vamos tomar café. – disse a Alice quando finalmente parou de rir.

– Vou tomar um banho. Podem ir à frente. – eu disse me levantando da cama.

– Não demora. Vamos guardar um lugar para você do lado do Tiago! – disse a Lene voltando a rir depois de pronunciar o “Tiago” com aquela voz esguilhaçada.

– Podem rir! Eu nunca disse isso! – eu gritei quando elas fecharam a porta. – Até parece que eu diria isso.

Depois do banho as coisas começaram a desandar de vez, não achei minha calça jeans favorita e muito menos a minha varinha. Também… Aquelas meninas fizeram uma bagunça no quarto.

Desci para o salão principal irritada por não poder usar minha calça jeans.

– O que houve? – me perguntou o Remus quando me sentei para tomar café.

– Não achei a minha calça favorita. – comentei irritada.

– E por que o drama? Essa calça esta legal. – comentou o Potter.

– Por que o único dia que eu posso usar jeans é de final de semana e a calça sumiu. – reclamei.

– Não é aquela calça que você emprestou para a Alice? – perguntou a Dora.

– Eu não peguei nada emprestado essa semana. – comentou a Alice na defensiva quando olhei para ela irritada.

– Já vão colocar o nome de vocês no quadro para a peça? – perguntou o Pedro.

– Estou esperando a Lene me dar uma dica para que eu não precise pegar nenhum personagem. – comentou a Dora.

– Eu já disse que não vou ajudar ninguém. – comentou a Lene dando de ombros. – Seria injusto com as outras pessoas da grifinória.

– Mas somos suas amigas. – comentou a Alice.

– Suas melhores amigas. – completei.

– Não vou ajudar vocês. – ela disse por fim.

– Sua amiga trairá. – comentei chateada.

Eu nunca tenho sorte com essas coisas.

– O Sirius pode nos ajudar. – comentou o Pedro.

– É verdade… O almofadinhas também sabe mais ou menos onde estão os personagens naquele quadro. – comentou o Potter animado.

– Sinto muito, prometi para a Lene que não diria nada para ninguém e vocês estão incluídos. – comentou ele dando de ombros.

– Isso é injusto. Que vantagem temos de ser amigos de vocês? – perguntou o Pedro.

– Eu posso tirar algumas cenas que vocês não gostem de interpretar. – comentou a Lene. – Claro que dependendo da cena.

– Eu posso trocar algumas falas e coisa parecida. Pode ser útil. – comentou o Sirius me olhando fixamente.

– Não gostei do seu olhar. – comentei devolvendo o olhar penetrante.

– Não gostei de você ter me derrubado da escada. – ele comentou.

Como ele soube que eu derrubei ele da escada para apagar a memória dele? Isso não é justo! Alguém contou para ele.

Agora tenho que ter cuidado quando estiver perto de uma escada.

– Não me olhe assim. Eu não iria falar para ele. – disse o Potter na defensiva.

– Como assim você derrubou ele da escada? – perguntou a Lene.

– Longa história. – comentei nem um pouco a fim de contar.

– Temos o dia inteiro de folga. –disse a Alice.

– E temos o final de semana inteiro para a Lene nos dizer sobre os papeis da peça. – comentei de volta.

– Isso não é justo. Quem não quer contar é a Lene. Por que não podemos saber do quase assassinato do Sirius? – perguntou a Dora.

– Acho que vamos ter que arriscar e colocar o nome naquele quadro. – comentou o Remus pensativo.

– Na verdade você não precisa Remus. A professora te chamou e disse que vai te ajudar com os papeis já que você talvez não possa estar no palco. – comento a Lene.

– Isso não é justo. Só por que ele tem um probleminha peludo ele vai escapar. – comentou o Potter revoltado.

– Nem tudo é justo. – comentou o Sirius dando de ombros.

– Você só não está preocupado por que não precisa colocar seu nome lá. – comentei.

– E estou feliz por ser assistente da Lene. Na verdade vou ficar só lá rindo e mandando vocês ensaiarem. – comentou ele sorrindo animado. – Vai ser tão divertido!

– Eu não acho nada divertido. – comentei emburrada.

– É por que você não é uma marota! – comentou o Sirius sorrindo.

– Também não achei graça. – comentou o Pedro.

– Você não conta. Só fica feliz com bolinhos. – implicou o Potter.

– O que vamos fazer hoje? – perguntou a Alice empolgada.

– Você não vai ficar agarrada com o Frank? – perguntou a Dora com os olhos arregalados.

– Ele vai fazer trabalho à manhã inteira com o pessoal da casa dele. – respondeu a Alice com a voz manhosa.

– Podemos terminar os deveres de história da magia. Estão todos atrasados. – comentou o Remus.

– Na verdade eu já comecei o meu. – respondi sem dar importância.

Afinal, eu só tinha escrito cinco linhas das duzentas que o professor pediu, mas mesmo assim eu já tinha começado.

– E a ruiva sempre estudiosa. – comentou o Potter sorridente.

– Alguém tem que compensar a falta de estudos de vocês. – respondi segurando o riso com a cara de indignado que ele expressou.

– Falta de estudos? Eu sou tão estudioso! – comentou ele ainda fingindo estar indignado, com a mão no peito e uma voz arrastada e irônica.

– Isso… Já vão começando a ensaiar.  – comentou a Lene rindo.

– Eu realmente não quero ter que subir no palco. – comentou a Dora chateada.

– Por quê? – perguntou o Remus.

– Eu tenho péssima memória. Não vou conseguir decorar falas, sem contar que tenho pavor de falar em público.

– Imagine todo mundo pelado, é sempre bom. – comentou o Sirius malicioso.

– Já tentei, e acabei saindo correndo da sala. – comentou a Dora fazendo bico.

– Eu me lembro disso. Foi assustador. Pensei que você iria vomitar em cima de mim. – comentou a Lene antes que caíssemos na risada.

– Ainda não decidimos o que fazer com o dia livre. – comentou o Pedro.

– Eu tenho alguns encontros para ir, então não vou dar a minha ilustre companhia por algum tempo. – comentou o Sirius com o seu sorriso número 81: “Vou aprontar!”, eu sinceramente odeio esse sorriso.

– O que você vai aprontar Six? – perguntei desconfiada.

– Nada por enquanto ruivinha. – ele respondeu ainda com aquele sorriso.

Mau sinal!

Na verdade não fizemos absolutamente nada durante o sábado, ficamos quase o tempo inteiro tentando decidir que o fazer, até que desistimos e resolvemos perturbar a Lene para nos contar sobre os papeis da peça, e as mudanças que ela fez no roteiro.

Mas nada que pudesse nos ajudar, e tínhamos até segunda pela manhã para colocar nossos nomes, e eu ainda não tinha a menor ideia de onde colocar.

Quando já chegava perto das nove da noite o Sirius se juntou a nós e a “festa” começou. Contávamos piadas e nos divertíamos.

O Remus foi dormir logo com a desculpa que tinha que acordar cedo para fazer o dever já que tínhamos enrolado o dia inteiro e não tínhamos feito nada.

– Acho que vou arriscar. – comentou a Dora olhando fixamente para o quadro da peça.

– Então vou junto. – eu disse já desistindo de conseguir informações com a Lene e com o Sirius.

A Dora foi a primeira e tocou o um ponto vermelho do quadro assim como a Lene tinha nos falado. E pronto. O nome dela apareceu em vermelho no lugar onde ela tinha marcado.

Assim que ela se sentou eu me levantei para fazer a mesma coisa. Não iria adiantar ficar ali sentada olhando o quadro. Eu nunca iria ter uma dica de onde colocar o meu nome, ou uma dica de onde não colocar meu nome.

Parei em frente o quadro por alguns segundos, passei a linha no chão que tinha os feitiços e fiquei olhando o quadro tentando me decidir. Eram tantas opções. Quase ninguém tinha colocado o nome ainda. Acho que todos estavam esperando um sinal divino.

– Lilyzinha, que tal fazer isso depois? – me perguntou o Sirius me agarrando por trás e me tirando de perto do quadro.

– Melhor fazer logo. – comentei dando de ombros.

– Não é melhor não. Pense bem. Já estou quase conseguindo informações para ajudar vocês. Você não tem nada a perder esperando até amanhã de noite ou até segunda de manhã. Se eu não conseguir nada, paciência, senão você vai sair ganhando.

Olhei desconfiada para o Sirius. Ele é um ótimo amigo, mas nunca to bonzinho assim.

– Esta desconfiada de mim ruiva? Sou seu melhor e mais fiel amigo. Não pode desconfiar de mim. – ele comentou fazendo aquela cara de dó. Odeie quando ele faz essa cara.

– Você venceu. Vou esperar, mas tente conseguir alguma informação útil até segunda. Eu realmente não quero ter que subir no palco. – comentei me dando por vencida e voltando a me sentar.

– Desistiu? – perguntou Lene rindo.

– Não custa esperar mais um pouco. – comentei derrotada.

– Quem sabe até você colocar o nome já tenham pegado pelo menos os papeis principais. – brincou a Lene rindo.

– Eu adoro você Lene! – disse a Dora pulando de felicidade.

– Não entendi por que essa alegria toda. – comentou o Pedro olhando estranhamente para a Dora que ainda pulava de felicidade.

– Por que isso significa que eu não vou ser a personagem principal, o que já é um grande alivio. – comentou a Dora feliz.

– Mas isso não quer dizer que você não tenha pegado papel nenhum. – comentei.

– Mas que já é um alivio pensar que não é o principal, isso você não pode negar. – comentou o Potter.

– Agora que eu não coloco mesmo o meu nome lá. – comentou a Alice chegando.

– Não pode ser tão mal assim. – comentou o Pedro já de pé pegando a varinha.

– Vai arriscar? – perguntei olhando para ele.

– Não vai adiantar muito eu ficar aqui esperando. – ele respondeu dando de ombros e indo colocar o nome.

Depois dos corajosos colocarem o nome do quadro, não demorou muito para que fossemos dormir.

Acordei tarde no domingo, e ainda com uma bela dor nas costas.

Tomei meu banho sossegada quando percebi que nenhuma das meninas ainda estava no quarto.

Fui tomar meu café e me encontrei com a Alice que já estava terminando o dela.

– Acordou tarde! – ela comentou assim que me sentei.

– E com dor nas costas. – reclamei.

– Pede para o Tiago fazer uma massagem. Ele é bom nisso. – ela comentou.

– Como sabe que ele é bom nisso Alice? – perguntei levantando uma sobrancelha desconfiada.

Deixa o Frank escutar isso.

– Uma vez estava brincando com os marotos, senão me engano falei que eles estavam parecidos com o Snape, ou alguma coisa parecida. Só sei que no final fiquei fugindo deles por mais de meia hora, e quando finalmente paramos de correr eu não estava mais nem conseguindo andar de tanta dor nas pernas, aí nosso amigo Tiago me fez uma maravilhosa massagem.

– Que por sinal eu ainda tenho que aprender a fazer. – comentou o Frank chegando e nos cumprimentando.

– Conseguiu terminar os trabalhos ontem? – perguntei para ele enquanto ele se sentava do lado da namorada.

– Na verdade eu mais namorei do que fiz trabalho, mas acho que deu para adiantar muita coisa. – ele respondeu rindo.

– E o que os pombinhos vão fazer hoje? – perguntei rindo.

– Na verdade nada. Vamos ficar namorando o dia inteiro. – respondeu o Frank já dando um beijo rápido na Alice.

– Por favor, eu estou comendo. Nada de ficar se agarrando do meu lado. – pedi fazendo uma careta.

Eu não posso os deixar namorar em paz. È minha função da amiga ficar e atrapalhar um pouco.

– E você? O que vai fazer? – me perguntou a Alice.

– Na verdade primeiro tenho que fazer os deveres de história da magia. E depois… Acho que vou criar coragem e colocar meu nome no quadro para a peça. – respondi.

– Eu coloquei o meu hoje de manhã. Espero ter pegado alguma coisa legal para fazer. – disse a Alice empolgada.

– Só espero que você não pegue o papel principal ou vou ter que ter uma conversinha com a Lene e com o Sirius. Não quero a minha namorada beijando ninguém por causa de uma peça. – comentou o Frank enciumado.

– É verdade. Eu não tinha pensado nisso. Tem cenas de beijo na peça. – comentei pensativa.

Como eu pude me esquecer disso? Agora eu realmente preciso da ajuda do Sirius para não pegar o papel principal. Já pensou se pego o papel da Sr Smith e o Pedro pega do Sr Smith? Eca!

– Eu realmente não quero pegar nenhum papel. Vou ficar muito bem cuidando do figurino ou qualquer coisa parecida. – comentei desanimada.

– Talvez a Lene tenha tirado essas cenas. – comentou a Alice esperançosa.

Não precisei dizer nada, só olhei para ela emburrada.

A Lene nunca iria tirar as “melhores” cenas da peça. Beijos são fundamentais nesse tipo de apresentação.

– Vou ver isso agora mesmo. – comentou o Frank olhando para a porta.

Depois que ele se levantou que fui reparar que a Lene estava entrando no salão com a Dora, com o Remus e com o Potter.

– Acho melhor ir impedir ele. O Frank é ciumento de mais. – comentou a Alice já se colocando de pé.

Pelo visto fiquei sozinha mais uma vez.

Fiquei terminando de comer, alias, tentando já que logo vi o Remus tentando afastar o Frank da Lene, e fui obrigada a ir ver o que estava acontecendo.

– Calma gente. Vocês nem ao menos viram se a Alice o papel principal. – escutei o Potter dizendo.

– Eu não vou mudar nada da peça mesmo que ela tenha pego. É tudo profissional Frank. Você vai ter que se conformar com isso. – disse a Lene irritada.

– Não vão brigar por uma coisa que talvez nem esteja acontecendo. – comentou o Remus. – Alias, quais são as chances reais da Alice estar com o papel principal? Seria muito azar. – comentou o Remus novamente.

– Relaxa Frank! Garanto que se a Alice pegar o papel principal tento trocar com ela, seja o meu o que for. – comentei.

Eu sei que posso me arrepender disso, mas… É melhor eu ter que beijar o Pedro do que deixar todo mundo brigando. Sem contar que o Remus tem razão. Quais são as reais chances da Alice pegar o papel principal?

– Você não trocaria de papel com a Alice. – comentou a Dora.

– Melhor ter que beijar o Pedro do que deixar os dois brigando. – comentei.

– Beijar o Pedro? – perguntou o Potter confuso.

– Acho que da grifinória a pessoa menos indicada para o personagem principal é o Pedro, sem contar que eca! Não deve ser agradável beijar ele. – comentei com uma careta.

– Ninguém vai ter que beijar ninguém. Não vão ter cenas de beijo. Isso seria errado! – comentou o Remus.

– Errado? A peça é sobre um casal. É obvio que tem beijos. Como faríamos a cena que eles quase quebrando a casa? Eles dariam um abraço no final e pronto? Deve ter umas três cenas pelo menos com beijos. – respondeu a Lene.

– Acho que vou reconsiderar a parte de não querer o papel principal. – comentou o Potter.

Não perdi a oportunidade e bati na cabeça dele.

– Isso dói! – ele comentou.

– Não quero comentários pervertidos enquanto eu estou aqui. – comentei irritada.

– Com ciúmes ruiva? – ele perguntou rindo.

– Me recuso a responder isso! – respondi.

– Estou brincando. Nem que fosse pra dar uns amassos com você eu iria querer ser o Sr Smith. Não vai ser muito legal perder os finais de semana tentando decorar falas e ficar ensaiando. – ele me respondeu.

– Perder finais de semana? – perguntou a Dora alarmada.

– Quem foi mesmo que inventou isso de teatro? Já estou querendo matar alguém. – comentou a Alice.

– Nada de briga gente. Se vamos ter que fazer isso, que seja dando risada. – comentei.

– Não se preocupem. Temos uma hora por dia para ensaiar. Ninguém vai perder final de semana. – respondeu a Lene.

– Eu realmente espero que você esteja certa. – comentou o Remus pensativo.

Depois dessa confusão toda eu acabei perdendo a pouca fome que tinha e fui para a minha infelicidade fazer o dever de história da magia.

Já passava da hora do almoço quando finalmente terminei o dever. Mas foi ai que as coisas começaram a desandar naquele domingo.

Assim que guardei meu material, fui me encontrar com o pessoal que estavam no lago jogando conversa fora, o problema é que o Potter estava em pânico quando cheguei.

– É claro que eu não perdi! – escutei ele reclamando com o Pedro.

– O que houve? – perguntei assim que cheguei perto o suficiente.

– Minha varinha sumiu. – comentou o Potter irritado.

– Como assim sumiu? – perguntei não acreditando.

Como alguém perde a varinha assim?

– Evaporou ruiva! Ela não esta em lugar nenhum. Já revirei o dormitório inteiro e o castelo inteiro. – ele reclamou.

– Você deve ter deixado cair. – comentou o Remus.

– Eu nunca deixei a minha varinha cair. – reclamou ele irritado.

– Já tentou convocar? – perguntei.

– Não! – Ele disse animado. – Vai gente… Alguém convoque a minha varinha. – ele disse quando viu que ninguém se mexeu.

– Ok! Eu faço isso. – eu disse procurando minha varinha.

Exato! Procurando. Alias fiquei alguns longos minutos procurando, já que não encontrei nada.

– Devo ter esquecido no dormitório. –comentei irritada.

Eu nunca esqueço a varinha.

– Vou buscar! – eu disse ainda intrigada com o sumiço da minha varinha.

– Vou com você. Procurar mais um pouco no quarto. – ele disse derrotado.

Voltamos para o dormitório praticamente correndo, acho que se estivéssemos com uma varinha teríamos ido voando para ir mais rápido.

Acho que o Potter estava com a mesma ideia que eu. Alguém tinha pegado as nossas varinhas, é coincidência de mais ele ter perdido a varinha assim e a minha ter “ficado no dormitório”.

– Estou no quarto. – ele me disse antes de subir correndo as escadas.

– Ok! – respondi subindo de dois em dois degraus.

Se for possível revirei o quarto inteiro, tinha roupa espalhada pelo quarto, camas bagunçadas. Tirei tudo do malão e nada!

Fui para o quarto dos marotos muito irritada com o sumiço da minha varinha.

– Achou? – me perguntou o Potter assim que entrei.

– Adivinha? – perguntei derrotada.

Pelo menos o quarto dele não ficou muito diferente do meu depois de procurar a varinha.

– Eu tenho certeza que não perdi. – ele reclamou.

– Então somos dois. – comentei ainda irritada.

– Por que ninguém quer nos ajudar a procurar? – ele reclamou novamente.

– Isso só pode ter um nome. – eu comentei pensativa.

– Sirius! – ele completou pensativo também.

– Mas por quê? – perguntei chateada.

– Ruivinha, nós apagamos a memória dele algumas vezes e tentamos de novo. Achou que ele não iria fazer nada? – me perguntou o Potter derrotado.

– Pensei que você era o líder dos marotos. – comentei frustrada.

– Não é bem assim… – ele comentou derrotado se jogando na cama.

– O que ele vai aprontar? – perguntei pensativa.

– Não faço ideia, mas podemos tentar achá-lo. – ele me encorajou.

– E como pretende fazer isso Einstein? – perguntei irônica.

O castelo é enorme, e nem sabemos há quanto tempo as varinhas sumiram.

– Quem? – ele me perguntou confuso.

– Deixa para lá. – respondi revirando os olhos.

– Primeira tentativa. – ele disse pegando um espelho.

– Não é hora para ficar se olhando no espelho Potter! – reclamei.

– É um espelho de duas faces Lily. – ele explicou. – Sirius Black! – ele disse para o espelho.

Não preciso dizer que o Sirius não respondeu, não é?

– Tem mais algum plano brilhante? – perguntei depois que o Potter cansou de xingar o Sirius pelo espelho.

– Preciso achar o mapa! – ele disse depois de alguns minutos pensando.

– Mapa? – perguntei sem entender. – Que mapa? Para que você quer um mapa?

– Depois eu explico. – ele disse já correndo para fora do quarto.

– Potter! Espera-me! – gritei correndo atrás dele.

Acho que nunca pensei correr atrás do Potter!

Para a minha surpresa voltamos para o lago onde o pessoal ainda estava sentado conversado.

Não tive tempo nem de observar o por do sol.

– Aluado, você sabe com quem esta o mapa? – ouvi o Potter perguntando.

– Até onde sei o Sirius pegou ontem de manhã e não vi mais depois. – ele respondeu sem importância.

– Sem ideias! – me disse o Potter se sentando na grama.

– Alguma hora ele vai ter que voltar para o dormitório. – eu disse irritada.

– Só quero saber como ele pegou a sua. Ele não pode ter entrado no seu quarto. – comentou o Potter desconfiado para os nossos amigos.

– Temos um traidor entre nós. – brinquei.

Ficamos de tocaia no salão comunal esperando o Sirius voltar, mas já passava das onze da noite quando finalmente desisti de esperar e subi para o meu quarto.

O Potter já estava quase dormindo no sofá quando o mandei ir para a cama também. O que quer que o Sirius queira com as nossas varinhas, ele já deveria ter feito.

Acordei cedo no dia seguinte. Segunda-feira, e eu não coloquei meu nome no quadro ainda. Acho que a professora Mcgonagall não vai gostar se eu disser que a minha varinha sumiu misteriosamente o domingo inteiro.

Peguei meu livro e desci para esperar o Sirius. Ele precisava parar com a brincadeira logo.

– Ele não esta no dormitório. – foi o que o Potter me disse quando me sentei na poltrona naquela manhã.

– Esta aí há muito tempo? – perguntei.

– Algum tempo. – ele me respondeu com um meio sorriso.

– Precisamos colocar nosso nome no quadro. Logo o prazo termina. – comentei.

– Acho que não teremos problema com o prazo. – comentou o Potter irritado.

– Acha que ele vai devolver logo? – perguntei esperançosa.

– Acho que ele já fez o que queria. – ele comentou indicando o quadro.

Fiquei confusa! O que ele queria dizer com isso? Foi quando eu vi! Meu nome estava no quadro, em um canto esquecido, perto do nome da Dora. O do Potter estava no outro lado do quadro, no meio de muitos outros nomes.

– Você não acha que… – eu comecei.

– Acho que teremos muito o que ensaiar. – ele comentou derrotado.

– Ele não nos colocaria nos papeis principais, não é? – perguntei me sentando derrotada no sofá.

– Não. Acho que ele só quis dar uma lição. Devemos ter algum personagem como os amigos dos principais ou alguma coisa parecida. – comentou o Potter me animando um pouco.

– Posso matar seu amigo cachorro? – perguntei querendo chorar de raiva.

– Só depois que eu matá-lo. – comentou o Potter irritado.

Ficamos mis algum tempo nos lamentando no salão comunal, até que o pessoal começou a descer, mas o Sirius ainda não tinha aparecido.

Sinceramente o Sirius me fez até perder a fome naquela manhã. Eu realmente queria acreditar no Potter, mas não acho que o Sirius seja tão bonzinho, senão ele não teria sumido tanto tempo.

Para falar a verdade o Sirius chegou atrasado à aula de poções naquela manhã, e sentou junto com o Pedro no fundo da sala.

Nós nem tivemos tempo de recuperar nossas varinhas, muito menos de irmos tirar satisfação com ele.

A parte estranha de tudo foi quando chegamos à aula de feitiços. Eu sentei atrás do Sirius e o Potter do meu lado, enquanto o próprio Sirius estava sentado com a Lene.

– Devolve Sirius. Acabou a graça. –eu cochichei com ele.

– Devolver o que ruiva? – ele me perguntou com aquela falsa cara de inocente.

– Você sabe do que ela esta falando. Pode ir devolvendo. E já sabe que vai ter volta. – disse o Potter irritado.

– Não peguei nada de vocês. – ele disse sorrindo diabolicamente antes de voltar a olhar para frente.

– Peguem suas varinhas e repitam o movimento. – escutei o professor dizendo.

Eu e o Potter olhamos um para o outro sem saber o que fazer.

Vimos todo mundo fazendo os movimentos com a varinha e logo em seguida o professor vindo até a nossa mesa.

– Algum problema? Senhorita Evans? Senhor Potter?

– Não professor. È que não estamos achando a varinha. – disse o Potter fingindo olhar a mochila.

O professor olhou desconfiado para nós, mas logo se afastou.

– Achei! – gritou o Potter de repente me assustando.

– Achou? – perguntei em entender.

– Achei. – ele respondeu espantado.

E para o meu espanto a minha também estava na minha mochila.

– Mas nós procuramos aqui. – eu disse espantada.

– Tiramos tudo da mochila ontem. – comentou o Potter.

– Não é possível. – eu disse pensativa.

– Vocês são bruxos. Tudo é possível! – disse a Lene.

– E ficam me acusando injustamente. – reclamou o Sirius fazendo bico.

Eu tenho certeza que não estava na minha bolsa!

Ficamos o dia inteiro frustrados e tentando arrancar informações do Sirius, mas ele nunca confessou nada.

Logo a ultima aula do dia terminou, e com ela teríamos que ir para a sala de transfiguração saber sobre a escolha dos personagens.

Meu estomago já estava até revirando de nervosismo.

Sentei-me no fundo da sala. E para o meu espanto o resto dos meus amigos, exceto claro o Sirius e a Lene, estavam do nosso lado também.

– Hoje só vamos ver algumas mudanças que foram feitas no roteiro, combinar os próximos encontros e distribuir os papeis. – comentou a Lene.

– A principal mudança na peça foi o nome. – começou o Sirius sorrindo de um jeito que eu não gosto muito. – Os personagens principais terão seu sobrenome mantido, vamos supor que eu e a Lene estivéssemos como personagens principais, então o nome da peça seria “Sr e Sra Black” – disse o Sirius empolgado.

– Algumas cenas foram cortadas, outras editadas. Vocês poderão ver melhor assim que eu entregar os roteiros. – comentou a Lene mostrando os livros em cima da mesa. – Algumas pessoas pegaram duas funções na peça, como por exemplo, cenário e algum figurante, por que tínhamos muitos figurantes na peça e poucas pessoas para ajudarem com tudo.

– Agora vamos para a parte legal do dia. – disse o Sirius empolgado.

Muito empolgado devo ressaltar.

A Lene apontou a varinha para o quadro e em seguida vários nomes pequenos apareceram em cima dos nossos.

– E nossa Jane será… – ela disse com suspense. – Lily Evans!

Já posso vomitar?

– E nosso John será nosso querido amigo Tiago Potter. – comentou o Sirius com aquele sorriso maligno.

– Vou matar o Sirius! – ouvi o Potter revoltado do meu lado.

– Eu vou me matar! – eu disse enjoada.

– Senhoras e Senhores, eu tenho a honra de entregar o roteiro da nossa peça, “Sr e Sra Potter”. – disse a Lene fazendo um leve movimento com a varinha. E logo os pequenos livros começaram a voar para as nossas mãos.

Agora eu posso vomitar!

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sobre Vanessa Sueroz

Autora dos livros Confusões em Paris, Minha última chance, Odiado Admirador Secreto, Presente de Aniversário, Eu te amo mais e Três Botões.


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