Sr e Sra Potter – Cap 13 3


Anteriormente:

– Todo nosso! – ele respondeu rindo enquanto saímos da cozinha.

– E aonde vamos?

– Se quiser ficar de vela podemos ir para a torre da grifinoria. Eu prefiro o corujal.

– Ótima ideia.

Isso por que não tínhamos nem terminados as aulas do dia!

Cap 13 – Cenas Indesejadas

No dia seguinte acordei com uma estranha sensação de que o dia não iria ser nada bom.

Não me entenda mal, eu estava super feliz pelo não-estamos-namorando-nem-ficando-mas-estamos-juntos do Sirius e da Lene, mas bom… Agora estamos em casais, só o Pedro e eu estávamos solteiros.

Eu sei que o Potter não tem ninguém, mas para ele é fácil arrumar quem ele quiser e quando quiser, por que convenhamos o cara é um pedaço de mau caminho.

Para o meu espanto eu era a única no quarto quando me levantei e o Potter era o único no salão comunal quando desci.

– Estamos bem atrasados. – ele disse sem a menor pressa.

– Você não deveria estar tomando café? – perguntei enquanto íamos para o salão principal.

– Ainda tem meia hora para fazer isso. – ele disse dando de ombros.

– Por que não está com os outros? – perguntei.

– E ficar de vela? Nem pensar! – ele respondeu dando de ombros.

Rindo entramos no salão comunal e pareceu que nossa voz ecoou no salão por que vi todos pararem de conversar e ficarem nos olhando.

Eu perdi alguma coisa?

– Os ignore. – me disse o Potter parecendo saber do que falava.

Não preciso dizer que passamos o café da manhã em um silêncio constrangedor, não é?

– Ei Lily. Posso te fazer uma pergunta? – essa era uma menina do quinto ano da corvinal parada na minha frente.

– Claro! – respondi simpática.

– Você e o Tiago Potter terminaram? – ela me perguntou inocente.

Claro que as risadas do Sirius do lado não eram nada constrangedoras.

– Não… Quer dizer… Nós… – não tenho culpa de me enrolar com as palavras. Não posso dizer a verdade, afinal o Snape tem que pensar que temos um caso.

– Eles tiveram uma briga feia ontem, mas logo devem se resolver. – respondeu o Sirius quando conseguiu parar de rir.

– Não achei graça. – respondi emburrada.

– Eu achei! – ele respondeu rindo.

– Então é verdade Tiago? – escutei uma menina de Lufa-lufa perguntando para ele na porta da sala, enquanto enrolava os cabelos timidamente.

– Eu realmente não quero falar sobre isso. – ele disse passando as mãos pelo cabelo.

– Ok! O que esta acontecendo? – perguntei assim que vi aquela cena.

– Simples. Colocamos os cartazes sobre sua substituição na peça ontem enquanto você e o Tiago cabulavam as aulas da tarde. – respondeu a Lene dando de ombro.

– Você não poderia ter feito isso! – reclamei irritada.

Como ela faz uma coisa dessas nas minhas costas? Ela não poderia! Deveria ter esperado eu pensar em uma solução.

– Desculpe Lil, mas você mesma me disse que não ia fazer a cena de jeito nenhum. Tive que seguir as orientações da Mcgonagall.

– Eu te ajudei a ter sei lá o que com o Saco de pulgas e você não esta me ajudando, não quero ninguém no meu lugar. – reclamei.

– Estou te ajudando sim, mas vai demorar para você perceber. – ela respondeu antes de sair puxando o Sirius para uma carteira.

– Problemas Lil? – me perguntou o Potter parando ao meu lado no corredor.

– Vamos dizer que acabei de descobrir que a Lene e o Sirius são péssimos amigos. – eu disse revoltada.

– Há! – ele disse parecendo pensativo. – Veja o lado bom… Logo isso termina!

Acho que levei alguns minutos para ter uma reação por que quando entrei na sala já tinha uma menina sentada com o Potter.

– Acho que vamos ter uma briga afinal! – escutei a Dora dizendo.

– Ela está no meu lugar! – eu disse revoltada.

– E com o seu homem. – brincou a Alice.

– Ela não pode estar pensando que vai ficar lá. – eu disse irritada.

– Pois olhe de novo. Ela já está tirando o livro da bolsa. – comentou a Alice.

Não sei o que me deu exatamente, mas em um momento eu estava com a Dora, Alice e o Remus e no outro eu estava apoiando as mãos na MINHA MESA:

– Desculpe, acho que você está no meu lugar. – eu disse tentando manter a calma.

– Desculpe Lilian, mas cheguei primeiro. – ela disse cínica.

Se eu pudesse lançar uma Avada pelos olhos…

– Acho que você não entendeu… Você está no meu lugar! Sai! – eu disse revoltada.

– Hã… Ana, eu e a Lily tínhamos começado um trabalho juntos aula passada. Precisamos sentar juntos. – disse o Potter passando as mãos pelo cabelo.

Ele não sabe fazer outra coisa? E que história é essa de trabalho? Não temos nenhum trabalho para fazer.

– Conversamos depois então. – ela disse sorrindo e lhe dando um beijo no rosto antes de sair. – Pode sentar Evans!

Joguei minha bolsa na mesa irritada. O que aquela anã pensa que estava fazendo sentada no meu lugar?

– O que foi isso? – perguntei irritada.

– A escola inteira pensa que terminamos. Ela só queria saber se era verdade.

– Estou atrapalhando seu flerte? – perguntei revoltada cruzando os braços no peito e batendo o pé irritada.

– Não seja ciumenta Lil. Você é a única Jane Potter para mim. – ele respondeu sorrindo e piscando.

– Eu ainda vou matar a Lene por isso. – eu reclamei comigo mesma.

Aquilo era um sorriso no rosto do Potter?

Depois da terceira aula eu desisti de sentar com o Potter e comecei a contar quantas pessoas me perguntavam se eu tinha terminado meu namoro com ele.

Quando finalmente chegamos ao ensaio daquela tarde eu já estava irritada o suficiente para matar alguém a socos, e olha que precisa de muito para que eu faça isso.

– Que cara é essa? – perguntou a Dora.

– Já contei quarenta e sete perguntas sobre meu grande término com o Potter. – respondi.

– Até que foi pouco. – ela comentou dando de ombros.

– Eu disse perguntas e não pessoas! – eu respondi ainda mais irritada.

– Veja o lado bom. Depois que realmente começar o ensaio hoje ninguém mais vai ter dúvidas.

O que ela quis dizer com isso?

Foi quando finalmente entrei na sala para o ensaio e pode achar exagero, mas a sala estava tão cheia de meninas para tudo que é lado que mal cabíamos na sala.

– Parece que a noticia se espalhou. – disse a Lene animada.

– Isso tudo não pode ser só por causa do seu cartaz. – eu disse abismada.

– Parece que é sim. Vamos ter um longo ensaio!

E se afastou com uma prancheta.

– O que achou desse povo todo ruiva? Muita menina gata, não é? – me perguntou o Sirius.

– Não vou responder. – eu disse revoltada.

– Veja o lado bom… Isso quer dizer que todas queriam estar no lado lugar.

– Estou honrada Sirius. – eu disse emburrada.

– Ainda tem tempo de mudar de ideia. É só falar.

– Não vou mudar de ideia. – eu disse convencida.

– Atenção todo mundo! Fiquem na sala somente as pessoas que irão ensaiar a cena da Jane e do John se reconciliando, os outros estão dispensados. – disse a Lene ampliando a voz.

Tratei de seguir a Dora e o resto do pessoal para fora da sala, mas fui barrada pelo Sirius.

– Onde você pensa que vai? – ele me perguntou.

– É para ficar na sala só quem vai ensaiar, eu não vou.

– Mas você vai nos ajudar a escolher alguém para fazer a cena no seu lugar. – disse o Sirius me arrastando para uma cadeira ao lado dele. – Fique sentadinha e aprecie o ensaio.

– Ok! Ainda tem muita gente aqui. – disse a Lene alarmada para o Sirius.

– Meninas, aquelas que não forem da grifinória infelizmente não vão poder fazer o teste. – disse o Sirius fazendo várias meninas abaixarem a cabeça chateadas e rumarem para a porta. – Melhorou? – ele perguntou para a Lene.

– Parece que vamos ter que ensaiar uma por uma. – ela disse me olhando.

– Hoje vamos só ensaiar com as meninas do sexto ano, caso não encontremos uma Jane pediremos que as outras voltem amanhã. – disse o Sirius sorrindo.

– Bem melhor! – disse a Lene vendo só restarem umas vinte meninas de pé.

– Já posso ir embora? – perguntei realmente querendo sair dali.

– Está ficando louca Lily? Você é quem vai escolher sua substituta. – comentou a Lene animada.

– Longo fim de tarde! – comentei comigo mesma enquanto a Lene anotava o nome de todas as meninas.

– Eu realmente não me sinto confortável com tudo isso. – escutei o Potter falando.

Olhei para o lado e vi que ele estava conversando com o Sirius alguns metros mais para a direita.

– Relaxa Pontas. É só esquecer que ela está aqui. – comentou o Sirius.

– É bem difícil fazer isso! – reclamou o Potter.

– Oras… Você não esta fazendo nada de mais! – disse o Sirius dando de ombros.

– Vocês estão querendo nos matar! – reclamou o Potter levando as mãos ao rosto.

– Estou querendo te ajudar. Agora relaxe e aproveite. Encare como uma despedida de solteiro. – brincou o Sirius.

Do que esses malucos estão falando?

Não pude prestar mais atenção já que a Lene se sentou na cadeira ao lado:

– Se quiser mudar de ideia… – ela começou.

– Não vou! – a interrompi.

– Você que sabe! – ela disse por fim. – Vamos começar então.

Vi o Potter se levantar e ir até onde seria o palco e tentei não ficar chateada por alguém estar me substituindo.

– Comecem a cena do começo e pulem a parte que vocês tentam se matar a ponta pés. – pediu a Lene.

– E o Sirius? – perguntei quando o Potter e uma menina começavam a cena.

– Foi buscar água para o Tiago. Ele vai precisar…

Não entendi o comentário, mas enfim…

A cena foi incrivelmente chata. Acho que só é legal quando eu estou lá, afinal pelo menos o tempo passa mais rápido. Não demorou muito para os dois estarem com arma apontada um para o outro.

A cena não deveria terminar ai? Sério! Eles não podem fazer o Potter sair beijando todas essas meninas por ai. Sem chance… Eles não fariam isso!

Vi que o Potter vacilou um pouco, mas logo deu um passo para frente empurrando a arma da menina e no instante seguinte os dois estavam aos beijos na sala.

Eca! Eu realmente tenho que assistir isso? Ok! Agora não estou me sentindo bem! Aliás, nada bem!

Por que estou com raiva? Ele só esta tirando a roupa dela enquanto os dois se beijam loucamente em cima da mesa. Eu não tenho nada haver com isso.

– Ok! Podem parar! – disse a Lene finalmente.

– Bebe água! – disse o Sirius indo até o Potter e dando a garrafinha para ele.

Não consegui escutar o que eles conversavam, já que a Lene tentava convencer a menina que iria avisar se ela fosse escolhida.

– O que achou da cena Lily? – ela me perguntou animada.

– No filme é bem melhor. – respondi sarcástica.

– E a menina? Achou que ela interpretou bem?

– Achei ela uma oferecida. – respondi dando de ombros.

Não tenho culpa em falar a verdade. Aquela menina deveria ter vergonha de vir se oferecer para ficar no meu lugar agarrando um cara que nem é namorado dela.

– Oferecida? Que nada! Ela nem se jogou em cima dele. – comentou a Lene pensativa.

– É claro que não se jogou… Ela tem amor à vida! – comentou o Sirius se aproximando. – O Pontas está pronto.

– Ok! Próxima! – chamou a Lene anotando alguma coisa na prancheta.

– Você só pode estar brincando! Vai mesmo fazer tudo isso de novo com outra garota? – perguntei inconformada.

Já não foi ruim o suficiente com uma?

– Claro que sim. Faremos isso até nós três gostarmos de uma.

Ela não pode estar falando sério.

Ok! Na quarta menina eu tive que sair da sala. Não dava para ver tudo aquilo e ficar quieta. Como o Potter pode fazer isso?

Precisei de um longo banho relaxante para tentar não pensar naquilo tudo, mas toda vez que eu fechava os olhos eu via o Potter se agarrando com alguém diferente.

Esperei o jantar estar no fim para descer na esperança de não me encontrar com ninguém com coragem para vir falar comigo, mas infelizmente todos os meus amigos ainda estavam no salão comendo.

– Achei que você não vinha! – disse a Alice.

– Perdi a hora no banho. – respondi dando de ombros.

– Já acharam alguém para a peça? – perguntou o Remus.

– Não. – respondeu o Sirius.

– Como não? Tinham mais de vinte meninas lá. – comentei revoltada.

– Bom… Só fizemos o teste com quatro, afinal, você saiu correndo da sala sei lá por que! Não pudemos continuar o ensaio sem você! – comentou a Lene dando de ombros.

– Eu não vou voltar lá. – eu disse decidida.

– E por que não? – perguntou o Remus.

– Não vou ficar vendo aquela pouca vergonha. – reclamei já perdendo a fome.

– Não é pouca vergonha Lily. É só uma cena idiota que o Tiago esta sendo obrigado a fazer com qualquer outra que queria porque você não quer. – disse a Alice.

– Perdi a fome. – eu disse já me levantando e indo embora.

– Ei Lily a Alice não quis… – começou a Dora, mas eu não quis escutar o resto.

Por que estou me sentindo tão mal com tudo isso?

– Oi Evans. – me disse uma morena parada a minha frente.

– Desculpe! – pedi por ter trombado nela.

– Sem problemas. Fiquei sabendo sobre o seu namoro e depois essa coisa de arrumarem alguém para ficar no seu lugar na peça. Deve estar sendo complicado. – ela disse parecendo pensativa.

– Tenho que ir! – eu disse apressada.

Não se fala em outra coisa na escola a não ser o término do meu namoro de mentira?

– Ei ruiva! Você parece tensa. – me disse o Sirius enquanto eu lia um livro no meu quarto.

– Como entrou aqui? Tenho certeza que tranquei as portas e janelas. – eu disse irritada.

– Varinhas servem para destrancar a porta. – ele disse indicando a dele.

– Sirius eu realmente não estou com um bom humor agora. – eu disse tentando voltar a minha leitura.

– O que foi que te aconteceu para você estar tão irritada?

– Me responda você! – pedi já fechando o livro.

– Nem você sabe porque está irritada! – ele me disse pensativo.

– E daí? Não posso ficar de mau humor às vezes? – perguntei cruzando os braços de maneira feroz.

– Então isso tudo não é por que o Pontas aceitou fazer a cena sem você? – ele me perguntou parecendo calmo.

– Ele não poderia ter feito isso! Pensei que a peça estivesse significando alguma coisa para ele. – reclamei.

Ok! O Sirius nunca era a pessoa certa para me abrir, mas as meninas não entenderiam.

– Foi difícil convencê-lo sabe, mas no final… Bem… Ele sabe que não podemos cancelar a cena e como a professora não deu muitas opções.

– Ele poderia ter dito não! – respondi emburrada.

– E você poderia ter dito sim. – retrucou o Sirius. – Por que saiu correndo da sala durante o ensaio?

– Não estava me sentindo bem. – dessa vez eu não menti.

– Você não parecia bem… – ele admitiu.

– Sirius, por favor, me deixa sozinha. – pedi.

– Só me responda uma coisa! – ele pediu.

Assenti.

– De quem você ficou com mais raiva do Pontas ou das meninas quando eles estavam se beijando?

– Do Potter é claro. – respondi na mesma hora.

– Eu perguntei com raiva e não chateada ruiva. Pense nisso. – ele disse antes de deixar um bombom no criado mudo e sair do quarto.

Comi o bombom e tentei dormir. Preciso dizer que a noite foi longa? Acho que não.

Se passaram mais dois dias nesse mesmo ritmo, agora ao invés de fazer o teste com quatro meninas eu saia da sala antes mesmo da primeira terminar o teste.

Levantei muito mais cedo do que o habitual, com os olhos cheios de olheiras pela noite mal dormida. Eu queria saber o que está acontecendo comigo.

– Já acordada Lil? – me perguntou o Remus quando me joguei ao lado dele no sofá.

– Não consegui dormir. Pesadelos de novo. – respondi dando de ombros.

– Acho que você realmente precisa fazer alguma coisa sobre tudo isso. – ele comentou.

– Sobre o que você está falando? – perguntei.

– Ok! Todos querem que você veja sozinha, mas está assim por que está com ciúmes. Agora você vive de mau humor, não dorme, não fala mais com o Tiago, que, aliás, está bem chateado com tudo isso. Sempre que alguém fala com você, você simplesmente grita irritada. Já quebrou uma mesa ontem no ensaio antes de sair de lá passando mal…

– O ensaio não tem nada haver com isso! – eu disse tentando controlar minha vontade de gritar com o Remus também.

– Não tem mesmo. O problema está no que você pensa que sente e o que você realmente sente com o ensaio. – ele me disse calmamente.

– Eu só não gosto daquela porcaria. Não gosto de estar lá, não gosto de ninguém ensaiando no meu lugar, não gosto das meninas suspirando pelos cantos, não gosto de ter que ficar olhando eles se agarrando toda hora, eu não gosto de ser parada no corredor toda hora por causa disso. Eu não gosto disso! – gritei antes de sair dali irritada.

Por que todo mundo tem que ficar me enchendo por causa disso?

Pulei o café da manhã para não ter que ver ninguém e fui direto para a aula de transfiguração. A professora já estava na sala provavelmente corrigindo aos trabalhos quando entrei.

– Está bem adiantada senhorita Evans.

– Estou sem fome. Posso ficar? – perguntei.

– Claro. Sente-se.

Abri um livro e tentei inutilmente ler sobre o assunto da aula, quando a professora me interrompeu:

– Sei que não deveria me intrometer, mas não acha que já está na hora da senhorita fazer alguma coisa para resolver tudo isso? – ela me perguntou me olhando por cima dos óculos.

– Do que a senhora está falando? – perguntei.

– Você sabe do que estou falando. E sugiro que faça alguma coisa rápido antes que ou você ou o senhor Potter sofram mais do que já estão sofrendo.

Dizendo isso ela saiu da sala e não demorou para que todos entrassem para começar a aula.

O que ela quis dizer com isso?

Eu realmente não me espantei quando nenhum dos meus amigos se sentou comigo na aula, afinal o único que realmente faria isso seria o Potter, já que os outros estão em casais, e como não estou falando com o Potter…

Eu sei que tenho que reconsiderar não falar mais com ele, mas poxa! Ele nem pediu desculpas por estar se agarrando por aí com qualquer uma que queira.

Tudo bem que as minhas próprias amigas estão do lado dele, dizendo que eu o forcei a isso, mas ele tem livre arbítrio, não forcei nada.

Olhei para ele, não era tão difícil fazer isso, aliás, eu fazia isso muito agora que não nos falávamos. É certo sentir saudade dele? Não sinto saudades do modo geral ou de conversar com ele, pelo menos não tanto. Talvez seja por que só estamos sem nos falar por dois ou três dias.

O problema está que sinto falta de tudo e de nada! Sinto falta da sua risada, das suas piadas sem graça, da sua mania irritante de passar a mão no cabelo, de me puxar pela cintura e me abraçar do nada, do jeito como fica concentrado quando tem um problema para resolver, do jeito que anda.

Eu sei que a maioria é loucura, afinal eu o vejo passando as mãos pelo cabelo toda hora quando conversa com o Sirius durante as aulas, mas definitivamente não é a mesma coisa.

Passei a observar o Potter e até a fazer meu jogo estúpido de numerar seus sorrisos como fiz com o Sirius, o problema é que tem um sorriso em especial que não vi nesses dois dias, e esse sorriso é o que mais me faz falta nisso tudo.

– Sua briga com ele foi mesmo feia, não é? – me perguntou a menina da lufa-lufa que estava sentada comigo na aula.

Olhei para ela atentamente. Nunca tínhamos conversado mais do que o necessário, como “Bom dia” ou “Com licença”.

– Não brigamos exatamente. – respondi pensativa.

Acho que teria sido melhor eu ir lá e gritar com ele como sempre faço, pelo menos não estaria me sentindo tão mal, eu acho.

– Me desculpe me intrometer, mas seja lá o que for que aconteceu sei que vão se acertar.

– Não vamos. Nem ao menos decidimos quem está errado nisso tudo.

Eu acho que ele está errado, mas parece que só eu penso isso, aliás, no ponto de vista dele eu estou mesmo errada por estar permitindo que tudo isso aconteça, já que eu posso ir lá e dizer que quero minha cena de volta.

– Ele realmente parece gostar de você! – ela disse parecendo sincera.

– Se gostasse não estaria fazendo aqueles testes ridículos. – respondi na mesma hora.

O que eu não menti!

– Talvez ele esteja esperando que você demonstre que realmente gosta dele e empeça que tudo isso aconteça.

– Não seria presunção de mais? – perguntei levantando a sobrancelha.

– Não seria se ele duvidasse do que você sente.

– Acho que esta mais para eu duvidar no que sinto. – brinquei.

Pelo menos é o que as meninas vivem me dizendo.

– Então talvez seja mesmo esse o ponto. Às vezes ele quer que você veja que o relacionamento de vocês é real. Bom… Devo estar falando bobagens, desculpe!

– Não sei nem o que pensar! – admiti.

– Por que não deixa a lógica de lado e age por impulso. Pode dar certo. – ela disse piscando o olho para mim segundos antes do sinal bater e acabar a aula dupla.

Quem sabe… Não custa tentar!

Olhei para o Potter que conversava com o Pedro animadamente. Queria ir lá abraça-lo e pedir para nunca mais ficar sem falar comigo, mas não o faço. Seria pura loucura.

As aulas se arrastam para a tarde e acho que não preciso dizer que as palavras daquela menina, assim como da professora, ainda estavam na minha cabeça. O que elas queriam dizer com tudo isso?

Assim que cheguei ao corredor de transfiguração vi que tinha uma pequena muvuca no local.

– O que houve? – perguntei para a Lene.

– Estão reclamando por não poderem assistir ao ensaio. – ela disse dando de ombros.

– Então deixe que assistam. – eu disse dando de ombros.

O que teria de errado nisso tudo?

– Tiago não quer. Diz que já é ruim o suficiente ter que fazer isso sem platéia. – ela me responde parecendo pensar no assunto.

– Acho que ele não gosta muito de ficar fazendo essa cena inúmeras vezes. – comentou.

– Acho que o problema não está em repetir a cena, e sim repeti-la com quem ele não quer. Quem sabe quando acharmos uma garota fique mais fácil!

– Vocês já poderiam ter escolhido uma delas. – reclamei.

– Só fizemos o teste com sete delas, e não chegamos a nenhuma conclusão. – ela comenta dando de ombros.

– Podemos escolher uma delas! – eu disse animada.

Era só ir lá e escolher alguma aleatoriamente e acabar logo com tudo isso.

– Não é certo. Precisamos fazer o teste com todas antes de chegar a uma conclusão. Não seria muito justo. – ela comentou parecendo chateada.

– O Potter poderia simplesmente desistir e fazer greve. – eu disse me animando com a ideia.

– Não poderia. Ele se comprometeu com a professora Minerva a fazer a peça.

– E o que isso tem haver? Ele pode se recusar quanto a essa cena. – eu disse na defensiva.

– Você é que não deveria ter desistido dela e não ele desistir junto. – ela disse antes de entrar na sala e trancar as portas.

– Você está nos trancando! – comentou o Sirius revoltado. – Se for para me trancar em algum lugar que seja só você, eu e uma cama Lene. – ele brincou.

– Não ouvi isso! – ela disse fingindo estar irritada, mas eu vi um pequeno sorriso no rosto dela.

– Você não esqueceu nada, meu amor? – perguntou o Sirius sentado na cadeira e sorrindo.

– Lily chame à próxima, por favor. – ela me disse parecendo cansada.

– Você trancou a porta! – eu reclamei.

– Por que trancou a porta? – perguntou o Potter.

– Para manter a Lily aqui dentro. Precisamos fazer o teste em pelo menos cinco meninas hoje, senão nunca vamos terminar.

– E você acha que eu não consigo sair daqui se quiser? – perguntei revoltada cruzando os braços no peito.

– Não, por que a professora me deu a chave dela, que é contra magia. – a Lene me respondeu mostrando a chave.

– Pelo visto teremos uma longa tarde! – disse o Sirius revoltado antes de pegar a chave da Lene e ir chamar a próxima menina.

O ensaio estava à mesma coisa dos outros dias, extremamente chato, irritante e nauseante.

Eu sentia meu sangue subir quando a cena ficava nojenta de mais para olhar. Sentia vontade de gritar e xingar todo mundo para que aquela palhaçada terminasse, até mesmo cheguei a tentar abrir a porta e sair dali. Eu realmente precisava de um pouco de ar.

– Obrigada Mayara. Falo com você assim que tivermos uma decisão. – disse a Lene por fim.

A menina sorriu sem graça e não fiz questão de esconder a minha careta malcriada quando a infeliz passou por mim.

– Próxima! – disse o Sirius enquanto jogava uma garrafa de água para o Potter.

Me levantei para acompanhar o Sirius até a porta e dar um jeito de sair dali, mas a Lene me puxou pela blusa.

– Onde você pensa que vai? – ela me perguntou acusadora.

– Tomar um pouco de ar. Não vou demorar. – eu disse parecendo realmente convincente.

– Tiago te dá um pouco de água se quiser. – ela disse ainda desconfiada.

– Não quero água. Só um pouco de ar. – eu disse tentando me afastar dela.

– Senta Lily. Só faltam mais quatro meninas e vamos embora.

Me sentei contrariada enquanto o Sirius chegava com outra menina que sorria e piscava para o Potter.

– Pode começar quando quiser. – o Sirius disse animado depois que voltou para o lugar dele.

E mais uma vez vi outra menina imitando a minha posição na escada, assim como mais uma vez o Potter pulou pela janela e assim por diante.

Acho que a coisa ficou fora de controle quando eles chegaram à parte da cena onde acontece o beijo. Estava na hora do Potter empurrar a arma dela para o lado e os dois começarem a se agarrar, mas não foi bem isso que eu vi.

Geralmente o Potter vacila alguns segundos antes de dar um passo hesitante para frente e empurrar a arma, assim como ele sempre hesita antes de beijar as meninas.

Bom dessa vez foi um pouco diferente. O Potter estava lá naqueles segundos onde ele parece que vai mudar de ideia e sair correndo e de repente à menina dá um passo a frente antes dele.

Ela estava sendo oferecida! Não acredito! Ela estava “forçando a barra”. Por que ninguém vai lá e a expulsa?

Antes que eu pudesse processar mais alguma coisa o Potter empurrou a arma e novamente hesitou, mas parece que a loirinha tingida não soube esperar e o agarrou.

Não preciso dizer que não fiquei nada feliz com aquilo, não é?

Ela o agarrou!

Não sei exatamente de onde veio aquilo, mas eu simplesmente me levantei da minha carteira e fui até os dois.

Eu sei que não era bem o que uma pessoa normal deveria fazer, aliás, nem eu sabia o que estava fazendo direito.

Eu só estava com raiva, com muita raiva e sabia que aquela menina que estava me tirando do sério.

Afastei os dois, o que devo acrescentar foi bem complicado já que a aquela vaca estava grudada nele como se a vida dela dependesse disso. Bom… Eu só fui lá e empurrei os dois, simples assim.

– Você está louca Evans? – perguntou a menina com raiva.

– Sai! – eu disse irritada apontando para a porta.

Eu queria que a Lene me ajudasse a expulsar a menina, mas eu nem conseguia ver seu rosto, a única coisa que eu via na minha frente era aquela oferecida.

Eu sabia que todos estavam me olhando, principalmente o Potter que eu podia sentir parado atrás de mim, mas eu simplesmente não conseguia mais ver aquela porcaria toda.

– Sai daqui! Fora daqui! – eu disse de novo.

– Você é louca! – a outra disse bem irritada.

– Você não vai fazer cena nenhuma. Sai! – eu disse ficando cada hora mais irritada.

Por que ela não mexia aquela bunda murcha da minha frente?

– Tiago faça alguma coisa! – pediu a menina olhando para um ponto atrás de mim.

– Acho que o ensaio terminou por hoje. – escutei a voz receosa do Potter.

Como vi que aquela “menina”, para não falar outra coisa, não se mexeu eu bom… Não fiz uma coisa muito boa, já que agarrei o seu braço e sai puxando ela para fora.

– Não chegue perto dele de novo. – eu disse no ouvido dela enquanto a enxotava da sala.

Não me pergunte por que eu disse isso! Eu estava fora de controle! Eu só… Bom… Foi à primeira coisa que me veio à cabeça.

Voltei para o meu lugar peguei meu roteiro sem olhar para ninguém, mas assim que cheguei à porta para sair da sala a voz da Lene me parou:

– Isso significa que vai fazer a cena? – ela me perguntou.

Não olhei para trás. Não queria ver a cara deles. Acho que a raiva já estava começando a passar e a vergonha já estava começando a aparecer.

– Vou. – respondi antes de fechar a porta e sair pelos corredores.

Não sei por que eu respondi aquilo. Meu Deus! Por que eu disse que vou fazer?

Tudo bem que não quero ninguém no meu lugar e não sei por que não me sinto bem vendo essas interesseiras agarrando o Potter, mas como eu posso fazer a cena? Eu não seria uma delas?

– Ei Evans! – alguém me chamou quando entrei no salão comunal.

Olhei e lá estavam cinco garotas reunidas, e entre elas estava à oferecida que expulsei da sala.

– Ficamos sabendo do seu ataque de ciúmes. – comentou uma delas sorrindo maldosa.

– Você tem que aprender a se controlar. Se o Tiago te deu um pé na bunda, paciência. – comentou a outra antes das três começarem a rir.

– Ele só enjoou de você. – comentou outra fazendo todas rirem ainda mais.

Eu simplesmente continuei andando para o meu dormitório e tentei ignorar aquelas oferecidas.

– Como foi o ensaio? – perguntou a Dora assim que entrei.

– Não quero falar sobre isso! – respondi dando de ombros.

– Conseguiram achar alguém para fazer a cena? – ela perguntou empolgada.

– Parece que sim. – respondi dando de ombros e pegando uma roupa limpa no guarda-roupa.

– Sério? E quem é? – ele perguntou surpresa.

– Eu realmente não quero falar sobre isso Dora. – eu disse antes de entrar no banho.

Será que fui muito grossa com ela? Não foi bem a minha intenção.

Fiquei no banho até que meus dedos enrugassem. Eu realmente não queria sair de lá e ter que encarar todo mundo.

– Alguém tem que conversar com ela. – escutei o Sirius dizendo quando desci para o salão comunal.

– Por que você não vai? – escutei a Dora perguntando.

– Vocês são as amigas inseparáveis. – reclamou ele.

– Acho melhor dar um tempo para ela. – comentou o Remus.

– E quem vai fazer a escola inteira dar um tempo para ela? – perguntou a Lene.

– Falando de mim? – perguntei me aproximando deles.

Eles se olharam assustados e um começou a empurrar o outro para perto de mim.

– Vai você! – dizia um.

– Você vai se sair melhor do que eu. – dizia o outro.

– Você tem alguma coisa para me falar? – perguntei cruzando os braços no peito.

– Sabe o que é Lil… – começou a Lene. – Gostei da sua decisão.

– Não era para ela falar isso. – escutei a Dora comentando com o Remus.

– Vai lá Sirius! – a Lene disse empurrando o Sirius.

– Então ruiva… Achei que fosse bater na menina. – ele disse sorrindo

– Vá direto ao ponto Sirius. – pedi.

– É que bem… O Pontas quer falar com você! – ele disse se escondendo atrás do Tiago e o empurrando para cima de mim.

O Potter passou a mão no cabelo enquanto seu rosto ficava levemente corado.

– Por que não me falam logo que o castelo inteiro está pensando que eu estou com ciúmes do Potter por que ele terminou o nosso suposto namoro para ficar de galinhagem por aí? – perguntei me irritando com aquela palhaçada toda.

– Eu nunca disse que queria terminar nosso falso namoro. – comentou o Potter acanhado.

Isso mesmo! Ele estava lá quase encolhido.

– Como você soube? – perguntou a Lene.

– Até parece que já não vieram falar comigo. – respondeu dando de ombros e me sentando no sofá mais próximo.

– E você está bem com tudo isso? – me perguntou a Alice.

– Não, mas vou fazer o que? – perguntei dando de ombros.

– Você pode voltar com o Pontas. – sugeriu o Sirius empolgado.

– Six meu amor, se você não se lembra nós nunca namoramos de verdade. – comentei revirando os olhos.

– Afinal, por que vocês estão brigados? – perguntou o Pedro.

– É complicado. – comentou o Potter passando as mãos pelos cabelos.

– Descomplique! – disse o Pedro dando de ombros.

– E o que vai fazer sobre os rumores no castelo? – me perguntou o Remus.

– Qual deles? – perguntei.

– Sobre seu ataque de ciúmes agora pouco. – respondeu a Lene.

– Só nós estávamos na sala e não tem como aquela oferecida provar, então… Não vou fazer nada além de negar. – respondi dando de ombros.

– Você a chamou de oferecida? – perguntou a Alice alarmada.

– Você acabou de admitir que teve um ataque de ciúmes? – perguntou a Dora abismada.

– Deixem a ruiva em paz gente. – pediu o Potter.

– Ok! Vamos deixar uma coisa bem clara. Primeira que aquela garota é oferecida e o Potter se aproveitou da situação.

– Ei! Eu não…

– Vão dizer que ninguém viu que foi ela que começou a cena toda e não o Potter como deve ser? – perguntei não esperando resposta. – Depois eu não tive um ataque de ciúmes, só me irritei um pouco. Não tenho motivos para ter ciúmes.

– Mas você vai fazer a cena mesmo? – perguntou o Pedro.

Olhei para o Potter que me olhava de um jeito estranho.

– Parece que sim. – respondi dando de ombros.

Quem sabe se eu fingir que isso tudo é normal eles parem de fazer perguntas.

E bem… Deu certo!

O jantar foi horrível! Em todos os aspectos, não consegui comer direito, depois de todas as provocações daquela oferecida e das amigas eu perdi a fome.

Fui para a sala dos monitores tentar ficar um pouco sozinha. Ninguém nunca iria lá mesmo.

– Podemos conversar? – escutei a voz do Potter.

Desviei os olhos do meu livro e finalmente olhei para ele. Devo admitir que eu estava evitando isso.

Ele estava ali apoiado no batente da porta despreocupado com a camisa um pouco aberta e os cabelos molhados.

Não respondi a sua pergunta, mas fechei o livro e passei a encará-lo.

– Eu sei o que está passando na sua cabeça e tenho que dizer que não é verdade. Não estava me aproveitando de nada e muito menos gostando da situação. Eu só estava fazendo o que prometi que faria. – disse sentando na cadeira a minha frente.

O pior de tudo é que no fundo eu acredito nele, mesmo não querendo acreditar.

– Eu realmente senti sua falta nesses dias e não quero ficar longe de você! Você é uma das minhas melhores amigas. – ele disse calmo.

– Também senti sua falta! – foi a única coisa que consegui responder.

– Podemos esquecer tudo isso?

– A culpa foi… – eu comecei a dizer.

– A culpa foi nossa. De nós dois Lil. Você deveria ter aceitado fazer a cena e nos poupado disso tudo e eu poderia ter retirado a minha palavra e não aceitado.

Eu sempre disse que ele não precisava ter aceitado! Tudo bem que eu poderia ter aceitado fazer a cena, afinal vou acabar fazendo de qualquer jeito.

– Não podemos consertar isso agora. – eu disse cabisbaixa.

– Podemos fingir que não aconteceu nada. Cada um assume o seu erro e voltamos a ser como antes. – ele sugeriu.

– Acha que isso vai dar certo? – perguntei na defensiva.

Eu não queria mais ficar longe dele, mas não vou querer ele se agarrando com ninguém na minha frente.

– Claro que vai dar certo. – ele me respondeu sorrindo e pulando para a cadeira ao meu lado. – Somos amigos acima de tudo Lil.

Ele tem razão… Só tentar fingir que nada aconteceu! Afinal foi culpa de nós dois.

– Chocolate? – perguntei lhe entregando um bombom como presente de paz.

E não preciso dizer que ficamos até tarde ali conversando, não é?

Na manhã seguinte, acordei antes de todo mundo como de costume, me arrumei e deitei no sofá para ler um livro enquanto esperava meus amigos.

As coisas estavam bem dentro do normal. Remus foi o segundo a descer, abrir um livro e ficar esperando.

Não trocamos muitas palavras, mas acho que as coisas estão voltando ao normal.

A Dora logo desceu e fiquei observando meus dois amigos trocarem alguns beijos rápidos de bom dia. Definitivamente é bom vê-los juntos.

A Lene desceu logo em seguida, mas ao invés de se juntar a nós ela rumou para o dormitório masculino e voltou algum tempo depois com o resto dos marotos.

Só hoje que reparei em como ela está feliz com o Sirius, o puxando pela gravata escada a baixo e rindo.

Eu sou realmente um ótimo cupido!

– Não vou ficar segurando vela. – comentou o Pedro antes de sair andando para fora do salão.

O Potter veio e sentou nas minhas pernas.

– Bom dia minha ruivinha! – ele disse feliz.

– Vou ficar paralitica se você não tirar essas banhas de cima das minhas lindas perninhas. – brinquei fazendo drama.

Aproveitei quando ele se levantou para me sentar ao seu lado e não me pergunte do onde eu tirei isso, mas simplesmente passei meu braço pela cintura dele. É eu sei! Fiquei maluca de vez!

O dia passou sem problemas… Acho que a escola inteira pensa que eu e o Potter voltamos a namorar. Só faltava um jornal “Extra! Potter e Evans reatam o namoro”. Não se falava em outra coisa no almoço.

Durante as aulas da tarde eu tentei não pensar no ensaio que estava chegando e me concentrei só em compensar o tempo que fiquei longe do Potter, e devo acrescentar que ele também parecia pensar a mesma coisa.

A aula de feitiços já estava terminando e eu não tinha olhado nenhuma vez para o professor. O Potter e eu estávamos conversando animadamente via pergaminhos sobre nenhuma coisa especifica, mas acho que esse não era o problema que algumas pessoas estavam vendo em não participarmos da aula e sim na mão do Potter pousada na minha perna.

Eu sei que se eu visse um cara com a mão na perna de uma menina, principalmente na sala de aula eu acharia o cúmulo, ainda mais, acharia que os dois estão faltando com o respeito com o professor, ou até mesmo que o cara é um abusado e tudo mais, mas o Potter… Bom era diferente! A mão dele só estava ali! Era quente e agradável, não estava me incomodando, nem sendo ousada, só estava ali parada. Isso é tão ruim?

– Vocês não estão juntos de mais? – me perguntou o Frank.

– Temos que recuperar os dois dias que ficamos sem nos falar. – respondeu o Potter dando de ombros.

Eu não disse que ele tinha a mesma opinião que eu?

– Mas precisam se tocar o tempo todo? – ele perguntou apontando para a minha cintura, onde novamente a mão do Potter estava.

– Você e a Alice não poderiam namorar menos e deixar que ela saia comigo às vezes? – perguntei.

– Tuchê! – ele respondeu rindo.

– Que aula agora? – perguntou o Sirius empurrando o Potter e ficando entre nós dois.

– Herbologia. – respondi dando de ombros.

– Ninguém merece! – ele disse parecendo deprimido.

– E o namoro Six? – perguntei.

– De quem? Seu e do Pontas? Eu particularmente acho que já esta demorando a se tornar oficial, mas o Pontas é bem lerdinho Lily. Acho que você que vai ter que pedi-lo em namoro.

– Eu ainda estou aqui. – comentou o Potter com um falso ar zangado.

– Desculpe chifrudo, só disse a verdade. – ele disse levantando as mãos em rendição.

– Ouviu isso Lene? O Sirius quer que você peça ele em namoro. – eu gritei para a Lene que estava andando um pouco mais na frente com o Remus e a Dora.

– Até que não é má ideia. Do jeito que ele é lerdo… – ela respondeu rindo.

E obviamente eu também tive que rir, principalmente pela cara de indignado do Sirius.

A aula de Herbologia passou extremamente rápida, e infelizmente já estávamos a caminho da sala da Minerva quando me dei conta.

Acho que não deveria ter me espantado quando chegamos à sala e ela estava incrivelmente lotada!

– Por que todo mundo está aqui? – perguntou a Dora.

– Parece que todos querem ver o beijo do século. – comentou o Frank animado.

– Mas se eles já estão namorando não é mais o beijo do século. – comentou a Lene.

– Na verdade Mckinnon, ninguém nunca viu os dois realmente se beijando. – comentou o Snape.

– Ranhoso! – disse o Sirius animado. – A que devemos a honra? Você viu o anúncio sobre lavagem de cabelo? Acho que está na sala errada. – brincou Sirius.

Ok! Foi engraçado, principalmente depois da cara de ódio do Severo, mas não me atrevi a rir.

– Acho melhor que o ensaio seja privado hoje. – escutei o Potter comentando com a Lene.

Eu realmente não prestei atenção quando todos saíram da sala xingando baixo. Eu estava mais preocupada com o que eu iria fazer. Eu não poderia beijar meu amigo assim. Não era certo!

Será que se eu fingir desmaiar eles vão descobrir?

– Se você sair correndo eu juro que te amarro em uma cadeira. – brincou a Dora rindo.

– Não vou correr. – afirmei.

– Não tente desmaiar ou coisa parecida, não vai dar muito certo. É capaz de o Sirius te reanimar para continuar a cena. – comentou o Remus fazendo ele e a namorada rirem.

Não vi nenhuma graça, mas pelo visto fui a única.

Novamente começamos aquela cena, tudo bem que eu tinha combinado com o Potter que iríamos tentar fazer a cena inteira, o que me daria um bom tempo, já que teríamos que ensaiar a parte que os dois entram em uma luta de Box.

Para a minha infelicidade à hora mais esperada chegou até que rápido, acho que só estávamos ensaiando há umas duas horas quando finalmente nos vimos apontando a arma um para o outro.

O Potter me prometeu que só iria me beijar quando eu estivesse pronta, ou seja, eu também tomasse a iniciativa, mesmo que esta fosse mínima.

Estávamos lá a quase cinco longos minutos e eu já escutava a Lene e o Sirius reclamando da demora.

Respirei fundo pronta para fazer a maior besteira da minha vida e talvez acabar com uma boa amizade, ok! Quem eu quero enganar? Eu nunca iria tomar iniciativa naquilo tudo.

Dei um passo para frente e antes que o Potter tivesse chance de fazer alguma coisa eu saí correndo.

Eu sei que estou fugindo muito ultimamente, mas garanto que é para continuar a ter uma mente sã.

Eu sabia que todos iriam me procurar no quarto e obviamente lá não era um lugar muito seguro, então a única coisa que consegui pensar foi na sala dos monitores.

Fechei a porta atrás de mim e escorreguei nela respirando bem rápido por causa da corrida. Meu coração ainda estava acelerado quando escutei cochichos do outro lado da porta.

– Eu dou um jeito nisso! – escutei a Lene dizendo.

– Você é muito bruta. Deixa que eu converso com ela. – escutei a Dora dizendo antes de bater na porta.

– Vocês duas estão calmas de mais. Eu vou dar uma chacoalhada naquela ruiva. – comentou o Sirius.

– Deixem a Lily um pouco em paz gente. Acho que ela entrou em pânico. – escutei a voz calma do Remus.

– Querem fazer o favor de irem namorar e me deixar cuidar disso? – escutei o Potter.

Escutei protestos, mas acho que finalmente alguém ganhou aquela briga.

Batidas na porta foram ouvidas novamente, e eu, é claro, fingi que não ouvi. A luz estava acessa da sala, mas com sorte ninguém teria reparado e eles não têm como ter certeza que eu estou aqui.

– Lily! Sou eu o Tiago. Abra a porta. Eu só quero conversar.

Eu mordi os lábios para ter certeza que eu não iria responder e estava respirando o mais devagar possível, acho que era possível escutar minha respiração ofegante bem longe dali.

– Abra a porta Lily. – ele me pediu de novo. – Eu sei que você está aí. Não adianta fingir que não está.

Ele não pode ter certeza!

– Eu tenho o mapa do maroto aqui. Eu tenho certeza que você está aí dentro.

Por que eu fui virar amiga de um delinquente juvenil? Não posso nem me esconder em paz.

– Não quero conversar agora. – respondi irritada por ele ter aquele maldito mapa.

– Mas realmente precisamos conversar e ensaiar também.

– Já disse que não! – eu disse ainda mais irritada.

– Mas precisamos ensaiar. – pediu o Tiago.

– Vai ensaiar com a parede Potter. – eu disse cruzando os braços no peito.

– Eu vou abrir a porta. – ele disse derrotado.

– Não se atreva. – eu ameacei, mas até parece que surgiu efeito.

Escutei o trinco se abrindo e logo o Potter entrou e trancou a porta atrás de si.

– Quer para de fugir e falar comigo? – ele perguntou indo até uma das cadeiras e se jogando nela.

– Estou com tanto sono… – eu disse fingindo um bocejo. – Melhor eu ir para a cama.

– Lily, não são nem oito horas da noite ainda. Pare com isso e vamos conversar.

– Ótimo! – eu disse derrotada me sentando na cadeira em frente a ele.

– Quer me dizer o que está passando na sua cabeça?

– Nesse exato momento estou pensando em te chantagear com um chocolate. – comentei.

– Se fosse o Sirius talvez desse certo. – ele brincou. – Agora só me responda uma coisa.

– Pode perguntar. – eu disse dando de ombros.

– Por que fugiu? Pensei que tinha concordado em fazer a cena.

– Eu concordei, mas sabe o que é… Não quero que nada fique estranho sabe… Somos amigos e eu quero continuar sendo.

– Ainda não estou vendo o problema. Claro que vamos continuar sendo amigos. – ele me respondeu confuso.

– Mas pode ficar estranho. E se ficarmos com vergonha um do outro depois disso? Sabe… Não é muito normal amigos se beijarem, principalmente um beijo tão… Envolvente quanto o dessa cena.

– Te garanto que tudo vai ficar bem e não vou deixar que a sua vergonha termine a nossa amizade. – ele me respondeu bem seguro.

Até parece que é fácil assim. Eu sei que isso vai estragar tudo.

– Não acho que vai dar certo. – eu respondi sincera.

– Confie em mim. Nada vai mudar entre nós. Bom… Talvez um pouco, aliás, eu espero que mude. – ele disse pensativo.

– Como é? – eu perguntei apavorada.

Ele não quer mais ser meu amigo?

– Não é nada disso que está pensando. Só espero que fiquemos ainda mais amigos depois disso. – ele me respondeu alarmado.

Acho que minha cara de susto assustou mais ele do que eu.

– Ainda tenho minhas dúvidas.

– É só um beijo Lil. – ele disse calmo.

– OK! Vamos ensaiar essa porcaria. – eu disse derrotada.

Espero que ele não esteja mentindo e as coisas não fiquem estranhas entre nós.

– Espere eu estar pronta. – pedi quando nos colocamos frente a frente.

– Você me diz quando. Só dê um sinal. – ele me pediu paciente.

Como ele pode ser tão paciente assim? Se fosse eu no seu lugar já teria sacudido ele pelos ombros e mandado parar de enrolação.

Não sei exatamente quanto tempo ficamos ali olhando um para o outro. Eu realmente queria dizer alguma coisa, ou até mesmo ir lá e beijá-lo logo, mas eu definitivamente estou na casa errada. Coragem era uma das coisas que tinham fugido junto comigo da sala, o problema é que a minha é tão burra que fugiu para o lado errado.

Queria que a coisa fosse igual nos filmes… Sabe, quando a menina fica toda emocionada esperando o grande beijo e o rapaz a beija loucamente depois disso, mas bom… A única coisa que passava pela minha cabeça era “Eu vou beijar o Potter, só posso estar louca”

Pensei naquela menina de onze anos na plataforma olhando o grande trem vermelho e quando conheci os meninos. Quem diria que eu estaria em uma situação como essa?

Olhei para o Potter novamente. Eu sei que qualquer uma estaria aqui dizendo o quanto eu sou idiota. Caramba! Ele é lindo, charmoso, carinhoso, inteligente, o genro que minha mãe pediu a Deus, mas… Estou insegura… Acho que essa era a palavra.

Não sei bem ao certo se meu cérebro enviou uma mensagem cifrada para minhas pernas ou se no instante que eu fechei os olhos para pensar perdi o equilíbrio, só sei que senti meu pé dando um leve passo para frente e logo em seguida lábios macios e quentes estavam colados aos meus.

Minha vontade era passar os braços pelo pescoço dele e o puxar mais para perto, mas antes que eu fizesse isso o meu único pensamento foi que dessa vez Tiago Potter não hesitou.

Betado by Larissa K.

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sobre Vanessa Sueroz

Autora dos livros Confusões em Paris, Minha última chance, Odiado Admirador Secreto, Presente de Aniversário, Eu te amo mais e Três Botões.


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