Sr e Sra Potter – Cap 11 1


Anteriormente:

– Limusine senhor? – perguntou um rapaz que assistia a confusão.

O Potter aceita, mas de um jeito diferente. Abre a porta do motorista desesperado e arranca o homem do volante o jogando no chão liga a carro e finalmente fim da cena!

 

– Eu definitivamente odeio tango! – eu disse quando finalmente o ensaio terminou, junto com toda a nossa manhã e metade da nossa tarde de folga e claro, junto com os pés do Potter.

Cap 11 – Até ela esta contra mim

Durante aquela semana ficamos ensaiando a mesma cena repetidas vezes, afinal, tínhamos muitos figurantes.

Improvisamos uma escada falsa para os ensaios enquanto o pessoal o cenário dava um jeito de montar alguma coisa segura para que eu subisse e algumas pessoas descessem.f

Só sábado pela noite que tivemos um tempo para conversar e nos distrair. Reunimo-nos no salão comunal, deixamos todos os cadernos e livros nos dormitórios, sentamos enfrente a lareira e desatamos uma conversa agradável, ou pelo menos estava agradável até o Sirius resolver abrir a boca.

– Eu não entendi uma coisa! – ele disse pensativo.

– O que? – perguntou a Dora.

– O filme conta a história de um casal maluco que ora se ama e ora se odeia. – ele começou.

– Não é bem assim Six. Os dois se amam, mas estão tendo uma crise, fe é justamente quando descobrem que cada um tinha uma vida secreta e pensam que o outro estava no casamento por trabalho e não por amor, e ficam brigando o tempo todo até descobrirem que se amam loucamente. – comentou a Alice sonhadora.

– Acho que isso fica bem claro naquela cena que a Jane explode o suposto elevador que o John esta e depois fica toda preocupada com ele. – comentei.

– Ou naquela cena que estamos ensaiando onde ela esta chorando a morte do marido e do casamento, logo no começo da cena. – comentou a Dora.

– Na verdade ele também esta na dúvida. Tem uma hora que ele diz que ela tratava o casamento dos dois como trabalho e fica na dúvida quando ela diz que pode não ser bem assim. – comentou o Remus.

– No fim os dois se amam, mas não se deram conta disso ainda, pelo menos não na parte que estamos. – comentou o Potter dando de ombros.

– Qual a grande dúvida nisso tudo? – perguntou a Lene.

– Pensei que o filme retratasse realmente o Pontas e a ruiva, mas ele só é bem parecido. – ele respondeu ainda pensativo.

-Ei! – reclamei.

– É verdade. Vocês não estão em um relacionamento fracassado, mas mesmo assim ainda não descobriram que se amam.

– Ok! Pode parar a encenação para tentar fazer com que o Potter e eu fiquemos juntos do outro modo. – comentei finalmente entendendo a mente doentia do Sirius.

– Eu tenho provas de que vocês se amam. – disse o Sirius na defensiva.

– Esse eu quero ver. – disse o Potter rindo.

– Arrumem uma poltrona confortável que vai começar. – disse a Alice empolgada.

– Essa até eu quero participar. – comentou a Lene rindo.

– Prova número um: vocês têm muitas coisas em comum. – disse o Sirius empolgado.

– Isso não prova nada. Todos nós somos amigos por que temos alguma coisa em comum. – respondi dando de ombros.

– Prova número dois: vocês sentem saudades um do outro. – comentou a Lene.

– Outra coisa que não prova nada. Eu sinto saudades de você nas férias e nem por isso quero te beijar. – respondi sorrindo triunfante.

– Prova número três: Seus olhos brilham quando olham um para o outro. – comentou o Sirius.

– Eles vivem se olhando quando pensam que ninguém esta vendo. – comentou a Dora.

– O que nos leva a prova cinco: o Tiago faz de tudo para te impressionar e você fica com vergonha na frente dele. – disse a Lene.

– Ei! Não é bem assim. Eu não fico tentando impressionar ninguém. Não tenho culpa se isso acontece. – reclamou o Potter.

– Prova seis: você é gostosa e o Pontas é aceitável, ele não é como o Sirius aqui, mas dá para o gasto. – comentou o Sirius.

Revirei os olhos. Além de todas as essas provas ridículas não fazerem sentido ele ainda não deixa de se exibir.

– Eu sou incrivelmente gostoso Almofadinhas. Aceitável é… Deixa para lá. Tem mulheres presentes. – comentou o Potter revoltado.

– Ele não discordou que a Lily é gostosa. – comentou o Remus com a Dora que começou a rir.

– Gostosa é a bunda dele. – reclamei, mas esqueci que o Sirius leva tudo pelo lado errado da coisa.

– Obrigado ruiva. Eu sempre soube que você tinha uma tara por bundas! E não posso negar. Minha bunda é muito gostosa. Muitas meninas adoram apertar. – ele disse se achando.

Preciso realmente responder?

– Me recuso a respondeu isso. – comentei revirando os olhos de novo.

– Prova sete: vocês vivem juntos. – ele disse apontando para o sofá de dois lugares onde o Potter e eu estávamos sentados.

Obvio que na hora que ele disse isso nos afastamos ligeiramente encabulados.

– Novamente não prova nada. Eu vivo grudada com você e nem por isso teria algum envolvimento romântico.

– Você tem um desejo secreto por mim ruiva, mas sabe que eu não ficaria com você para não magoá-la.

Eu realmente não sei como o ego de alguém pode ser assim tão inabalável.

– Impossível conversar com ele. – comentei com o Potter que se limitou a rir.

– Prova oito: vocês são lindos juntos! – comentou a Alice.

– Isso eu não posso negar! – disse o Potter me abraçando pelo ombro com um sorriso gigante no rosto.

– Prova nove: todo mundo já acha que vocês são um casal. Vocês agem como um casal. – comentou a Lene.

– E prova número dez: vocês ambos já passaram a mão em partes impróprias do outro. – disse o Sirius triunfante.

– Pode explicar? – pediu o Potter confuso.

– Eu não queria falar aqui na frente de todo mundo, mas já que você esta pedindo… – ele começou se fazendo de vitima.

– Diz logo Six! – pediu a Dora empolgada.

– Bom… Alguns podem não saber, mas o Pontas é safadinho.

– Ei! Não sou não! Safado aqui é você! – reclamou o Potter.

– Não fui eu que sai por ai apalpando o que não se deve. – disse o Sirius fazendo um movimento com a mão indicando que estava apertando alguma coisa.

– Eu não sei do que você esta falando. – disse o Potter irritado.

Aposto que ele sabe! Assim como eu acho que sei.

Acho que o Sirius esta falando daquela vez lamentável de quando eu e o Potter viramos amigos, sabe… Que eu cai em cima do Potter e tudo mais.

– Claro que sabe Pontinhas. – ele disse sorrindo.

– Olha só! Ninguém me contou essa cena.

– Eu vou te contar em… – começou o Sirius.

– Sirius! – eu disse muito irritada.

– Bem… Os pombinhos vão cometer um homicídio em dupla se eu não ficar quieto.

– Ah! – reclamou a Dora.

– Tudo bem, você esta dizendo que o Tiago fez alguma coisa indevida, mas você disse que os dois passaram a mão onde não deveria. Nunca vi a Lily fazendo nada de mais. – comentou o Remus.

– Isso mesmo Reminho! Eu nunca fiz nada de errado! – eu disse empolgada.

– Na verdade todos nós vimos a Lily fazer travessuras e várias vezes por sinal! – comentou o Sirius malicioso.

Fiquei chocada! Eu não fiz nada!

– Desculpa Sirius, mas a Lily é tímida de mais para isso. – comentou a Lene.

– Nisso vou ter que concordar! – comentou a Dora.

– Pontas… O que tem a dizer? – perguntou o Remus.

– Isso aqui é realmente uma novela. – comentou o Pedro rindo.

– A Lily nunca fez nada. Pelo menos não comigo. – ele comentou dando de ombros.

Como alguém ainda pode pensar que fiz alguma coisa? Como as meninas disseram… Sou tímida de mais para isso. Acho que depois de uns vinte anos de namoro quem sabe eu crie coragem de passar a mão na bunda dele?

– Mas eu tenho provas que a Lily fez e todos você vão ter que concordar comigo. – disse o Sirius ainda com aquele sorriso diabólico e malicioso.

Como alguém consegue sorrir daquele jeito?

– Essa até eu quero saber. – comentou o Potter rindo.

– Ok! Vamos pensar no último ensaio. – pediu o Sirius fazendo o maior mistério.

– O que tem de mais? – perguntei sem importância.

– Vocês estão lá dançando desastrosamente… – ele comentou me ignorando.

– Não dançamos desastrosamente. – reclamou o Potter.

– Vocês dançariam melhor se a Lily colocasse os pés em cima dos seus como as criancinhas fazem. – ele comentou rindo da própria piada sem graça.

– Até que não é má ideia. – comentou a Lene pensativa.

Não acredito que ela esta pensando na besteira que o Sirius falou.

Imagine o mico que vai ser se eu tiver que colocar os pés no do Potter, lindo… Vou parecer uma criança de cinco anos dançando com o pai.

É mico de mais para uma ruiva só.

– Enfim… Vocês estavam lá dançando desastrosamente e de repente o Pontas te joga, como naqueles filmes onde o casal esta dançando e vão se beijar, alias, bem que poderia ter um beijo naquela cena. – ele comentou pensativo.

– Eles estão no meio de uma briga Sirius, não dá para colocar beijos na cena. – respondi revirando os olhos.

– Enfim… Nessa hora ele tira a faca, arma ou sei lá o que você tem guardado.

– Não vi problema até ai! – comentei.

– O problema esta depois desse ponto. – ele disse sorrindo malicioso. – Depois disso vocês voltam a dançar tranquilamente até que a ruiva ataca! – ele disse fazendo suspense.

– Eu sei do que você está falando e eu não fiz nada. – eu disse já revoltada. – O Potter pode confirmar!

– Do que vocês estão falando? – ele perguntou quando todos nós olhamos para ele.

– De quando a Lily esta passando a mão na sua barriga e vai descendo bem devagar… – comentou o Sirius demonstrando nele mesmo.

– Lily sua pervertida! – gritou a Dora se matando de rir.

Posso fazer igual à avestruz e enfiar a cabeça embaixo da terra?

– Eu realmente não vi nada de mais na Lily passando a barriga do Pontas. Acho que muitas mulheres já fizeram isso! – comentou o Pedro.

– Disso não temos dúvidas Rabicho! – comentou o Remus agora rindo.

– Ei! Não é bem assim! Não é qualquer uma que pode abusar de mim assim. – comentou o Potter com um sorriso sacana.

– Obrigada pela parte que me toca Potter. – respondi emburrada.

– Pedro, ele não esta falando da barriga especificamente. – comentou a Lene. – Tente um pouco mais para baixo.

– Oh! Ruvinha… Nunca pensei que você fosse tarada por pernas! – disse o Pedro exaltado dando um susto em todo mundo.

Preciso dizer que ninguém, até mesmo eu, não nos agüentamos e começamos a rir?

Só o Pedro mesmo!

– Agora tenta mais para cima Pedro. Você esta chegando lá. – brincou a Lene.

– Eu tenho direito de defesa. Eu não passei a mão em nenhum lugar inapropriado. – eu disse vitoriosa.

Eu não fiz nada!

– Então por que ficou vermelha quando estava fazendo a cena? – retrucou o Sirius.

– Eu fico vermelha por qualquer coisa. – respondi na defensiva.

– Nisso ela tem razão. – comentou a Alice.

– Vai dizer que não passou a mão no “Junior” do Pontas?

– Que pergunta indelicada Sirius. – comentou o Remus segurando o riso.

– Não estou achando a menor graça. – reclamei.

Eu não fiz nada, pelo menos não de propósito.

Ok, eu confesso! Algumas vezes acabei esbarrando a mão onde não deveria, mas foi sem querer e garanto que eu fiquei com mais vergonha que ele.

– O que você achou Lily? – perguntou a Alice depois que conseguiu parar de rir.

– Achei do que? – perguntei sem entender.

– Do “Junior” do Tiago. É como as meninas falam no banheiro?

– Eu não ouvi isso! – eu disse colocando as mãos no ouvido e sentindo meu rosto pegar fogo.

– Vocês falam disso no banheiro? – perguntou o Pedro abismado.

– É claro que falamos disso no banheiro. Falamos de tudo no banheiro. Por que acha que vamos todas juntas no banheiro? – perguntou a Dora.

– Uau! Eu queria poder entrar no banheiro das meninas. – comentou o Sirius. – O que falam de mim?

– Que seu equipamento é minúsculo. – mentiu a Lene.

– Mas como? Impossível! – reclamou o Sirius parecendo revoltado.

– Que precisa de telescópio para enxergar. – completou a Dora.

– Podemos trocar de assunto? – perguntei.

– Quem foi à infeliz que falou isso de mim? Já podem preparar a lápide que ela estará morta pela manhã. – comentou o Sirius ainda revoltado andando de um lado para o outro.

– Ela esta mentindo Sirius. – eu disse revirando os olhos. – Não sei por que vocês ficam tão sensíveis com esse assunto.

– Mas voltando ao assunto em questão… – começou a Lene. – Não se preocupe Tiago. Ela nega até o fim, então ninguém fala de você.

– Isso mesmo! – eu disse orgulhosa de mim mesma.

– Pelo menos não falam na frente da Lily. – comentou a Dora.

– O que? – perguntei abismada.

– Agora a coisa esta ficando interessante. – comentou o Sirius.

– Aposto que falam do Remus também. – comentou o Potter sem importância.

– Ninguém é louca! – reclamou a Dora.

– E nem tem como falar, o Aluado nunca teve ninguém. – comentou o Sirius dando de ombros.

– Adoro uma fofoca! – comentou a Alice animada.

– A Dora fala do Remus. – comentou a Lene.

Preciso falar que dessa vez foi a Dora que ficou vermelha?

– Não estávamos zoando a Lily? – perguntou a Dora irritada.

– É verdade. Pode admitir Lily. Você fez! – disse o Sirius triunfante.

– Não fiz nada. E o Potter pode confirmar, não é Potter? – perguntei ameaçadoramente.

Fizemos um juramento mudo de nunca falar sobre aquele incidente.

– Ela não fez nada! – ele repetiu categoricamente.

– Vocês ouviram o homem. – eu disse sorrindo.

Como é que uma conversa inocente pode chegar a tudo isso?

– Duvido! – comentou o Sirius emburrado pelo plano dele ter falhado.

– Parece que nunca vamos saber. – comentou a Alice chateada.

– Que tal poção da verdade? – perguntou o Pedro com os olhos brilhando.

– Querem parar com isso? Isso tudo só diz respeito a mim e a minha ruivinha. Ninguém mais! – reclamou o Potter.

– Ai que fofo! – disse a Alice sonhadora.

– Eu não sou fofo. Gostoso, charmoso, mas não fofo! – reclamou o Potter.

– Você é fofo e aceite isso. – comentou a Dora rindo.

– Se ele é fofo o Aluado é o que? – perguntou o Sirius.

– Um perfeito cavalheiro. – respondi.

– Isso mesmo! Meu Remuxo é um cavalheiro. – afirmou a Dora.

– Se o Pontas é “fofo”, e Aluado é um cavalheiro eu sou o que? Um príncipe encantado? – ele perguntou animado.

Obvio que nós, as meninas e eu, começamos a rir.

Até parece que o Sirius seria um príncipe encantando.

– Claro… Só faltou o cavalo branco e a armadura brilhante. – comentou a Dora enquanto ria.

– Você é o Bad Boy, Sirius. – respondeu a Lene quando conseguiu parar de rir.

– E isso é bom? – ele perguntou ansioso.

– Todo mulher tem ou teve um na sua vida. – respondi dando de ombros.

– Então isso é bom. – ele disse animado. – Afinal, nem todas gostam de caras fofos e cavalheiros. Eu sou de mais!

– Toda mulher teve um, mas nenhuma casa com ele. – comentou o Remus vitoriosamente.

E claro que os três marotos presentes se acabaram de rir junto comigo e as meninas.

– Eu não me importo. Não pretendo casar. Casar é para os fracos. – respondeu o Sirius emburrado.

– Nem com a Lene? – perguntei quando paramos de rir.

– Ei! Desde quando meu nome entrou na conversa? – perguntou a Lene emburrada.

– Foi só um exemplo bem colocado Lenizinha. – comentou a Alice sorrindo.

– A Lily só diz isso por que todo mundo sabe que ela vai casar com o Tiago e vão ter vários marotinhos. – comentou a Lene maldosamente.

É claro que eu fiquei ultrajada! Eu não sei nem se eu quero casar, muito menos com o Potter.

Tudo bem que ele deve ser um bom marido, afinal, ninguém pode negar que ele é atencioso, charmoso, gostoso…

Esquece, enfim… Ele é galinha, e o pior, um galinha muito bonito e rico. Imagina o tanto de chifres que eu não iria ganhar?

– Falando sozinha Lily? – me perguntou o Pedro maldoso.

– Aposto que ela estava imaginando a vida de casado. – comentou a Alice.

– Não se preocupe Lily. Te levo café na cama no finais de semana. – comentou o Potter sorridente.

– E pode ter certeza que eu o padrinho do casamento vou aparecer para o jantar. – comentou o Sirius.

– Eu vou ser a dama de honra. – comentou a Dora empolgada.

– Eu é que vou ser a dama de honra Dora. – reclamou a Alice.

– Eu não me importo. Vou ser a madrinha do primogênito. – comentou a Lene empolgada.

– Aposto que essa criança vai ser bem teimosa e explosiva. – comentou o Remus pensativo. – Só espero que ele puxe a mãe.

– Ele pode puxar o pai perfeito aqui. Aposto que ele vai ser o segundo melhor apanhador de Hogwarts. – comentou o Potter empolgado.

– Por que segundo? – perguntou o Pedro.

– Ele pode ser meu filho, mas eu ainda sou o melhor apanhador. – respondeu o Potter passando a mão pelo cabelo.

Alguém aqui além de mim percebeu que não tem nem namoro muito menos um casamento e criancinhas?

– Eu não vou me casar com o Potter! – eu disse irritada enquanto todo mundo discutia os enfeites da igreja e a decoração da festa.

– Ela esta em fase de negação. – comentou a Lene com o Potter.

Mas é obvio que eu escutei. Eu estava sentada no sofá de dois lugares com o Potter e a Lene estava no sofá do lado, de modo que ela não pode ser tão discreta ao soltar essa frase.

– Eu já disse que não estou em negação! – reclamei.

– Então já aceitou? Eu sabia que vocês estavam tendo um caso escondidos. – comentou o Sirius empolgado.

– Claro que estamos Six. – respondi sarcástica.

– Por que não mudamos de assunto? – perguntou o Potter desviando a atenção de uma possível briga entre o Sirius e eu.

– Ei Anã! – chamou o Sirius e infelizmente era comigo. – Acho que você esta acabando com os pés do Pontas.

– O que você esta insinuando Black? – perguntei revoltada.

Como ele se atreve?

– O Pontas é “fofo” de mais para dizer, mas… Caramba mulher! Quer matar ele? Tente pisar menos no pé dele. Imagina como vai ficar o coitado quando você colocar aquele sapato enorme?

– O sapato não é enorme Sirius, só o salto dele. – comentou a Lene entediada.

– Olha aqui primo Iti (referencia a família Adams), eu não danço mal. Seu amigo que não sabe conduzir.

Obvio que aquilo também era mentira, mas quem se importa?

– Primo quem? – ele perguntou confuso.

– Não queria saber. – comentou o Remus se acabando de rir.

– Cabeça de fósforo! – gritou o Sirius rindo fazendo algumas cabeças no salão comunal nos olhar.

– Saco de sarcasmo! – retruquei.

– Tampinha de garrafa!

– Saco de pulgas!

– Senhora Snape!

– Sirius Black! – gritei irritada.

Anã e cabeça de fósforo é aceitável. Nós sempre nos chamamos assim, mas senhora Snape foi de mais para mim.

Acho que todo mundo pode adivinhar o que veio em seguida. Uma ruiva descabelada e vermelha de raiva correndo atrás de um Sirius Black risonho.

Acho que chegamos a dar duas voltas nos sofá onde o pessoal estava sentado e logo senti alguma coisa me puxando pela cintura e senti que cai em cima de alguma coisa bem confortável.

Só gostei mesmo da situação quando vi que a Lene tinha puxado o Sirius pela camisa e estava quase o enforcando. Uma cena bem cômica!

– O que vou fazer com vocês dois? – comentou a Lene soltando o Sirius.

Finalmente a esperta aqui resolveu se levantar seja lá onde eu estava sentada.

Eu sei que pode parecer guichê, mas a culpa não foi minha se eu estava no colo do Potter. Eu fui obrigada a gritar de susto!

– Se tudo isso é medo de se afastar de mim pode continuar ai. – ele brincou.

– Eles não são lindos? – perguntou a Alice.

Revirei os olhos é claro. Não tinha muito que eu pudesse fazer.

Não demorou muito para irmos dormir, e devo dizer que não demorou nada para o meu despertado tocar no dia seguinte.

O dia passou tranquilamente. De tarde na hora do ensaio ninguém estranhou quando eu tentei escapar de novo. Bom… Eu tento escapar todos os dias!

Quando fui perceber estava pendurada nas costas do Sirius rindo de uma piada idiota com os marotos.

O Remus estava contando alguma coisa engraçada que espero que a Dora nunca ouça, o Pedro tinha sumido para variar. Apostei com o Sirius que ele estava na cozinha. O Potter estava carregando a minha mochila e os scripts para o ensaio.

Mas como sempre nossa alegria não durou tanto. Novamente tivemos uma surpresa ao chegar à sala de transfiguração para o ensaio, Severo estava a minha espera.

O Sirius me colocou no chão assim que viu o meu “amigo”.

– Vamos! – chamou o Remus puxando o Sirius.

– Se vocês demorarem eu venho socorrer vocês. – comentou o Sirius.

Vi o Potter colocando nossas mochilas no chão. Foi bem estranho quando senti o corpo do Potter colado as minhas costas e seus braços apertando levemente minha cintura, e foi ainda mais estranho quando ele encostou seu queixo no meu ombro.

Foi uma sensação estranha e confortável! Eu meio que relaxei!

– Podemos te ajudar em alguma coisa Snape? – perguntou o Potter calmamente.

Ainda bem que ele falou. Eu estava distraída de mais com o seu perfume para falar qualquer coisa com o Snape.

– Preciso falar com a Lily. – ele disse sem importância ainda mantendo o corpo encostado na parede ao lado da porta e os braços cruzados.

– Pode falar. – eu disse o encorajando.

Sinceramente eu rezava para que ele me pedisse desculpas.

– Quero falar com você a sós. – ele disse emburrado.

– Desculpe Severo, mas Tiago não se sente muito confortável me deixando sozinha com você.

– Pensa que vou roubar sua garota, Potter? – perguntou o Snape com um sorriso maldoso no rosto.

– Roubar não Ranhoso, mas machucar talvez.

– Eu nunca machucaria a Lily! – disse o Severo revoltado.

– Não fisicamente pelo menos. – comentou o Tiago.

– Parem os dois! O que você quer falar comigo Snape? – perguntei entrelaçando os dedos nervosamente nos do Potter que ainda repousavam na minha barriga.

– Quero te pedir desculpas Lily. Eu estava fora de mim naqueles dias, principalmente naquele dia que bem… Nos beijamos!

Como ele fala isso na frente do Potter e de um jeito que faz parece que eu correspondi?

Eu simplesmente não reagi, mas corresponder já foi de mais.

Senti o Potter ficar tenso, mas não disse nada e não pude ver seu rosto. Ele não poderia saber disso assim.

– Não nos beijamos! – eu disse irritada.

– Então você chama aquilo do que? Encostar minha boca na sua? – ele me perguntou revirando os olhos, uma mania minha devo acrescentar.

– Esqueça isso Severo! – eu comentei ainda mantendo minha cabeça no Potter.

Ele definitivamente não poderia saber dessa história assim.

– Eu agi por impulso Lily! Não vai mais se repetir. Eu a…

– Não diga isso! – pedi irritada.

– Mas eu amo você! Largue esse imbecil do Potter, ele nunca vai te fazer feliz. Caramba Lily! É o Potter! Lembra-se como riamos das idiotices dele?

– Isso foi no primeiro ano Severo. – comentei já tendo mais uma coisa para me preocupar.

– Seja pelo menos minha amiga.

– Você sabe por que deixamos de nos falar. Estamos de lados diferentes. – respondi chateada.

– Fuja comigo! – ele propôs.

– Você só pode estar de brincadeira. – eu disse irritada.

Ele se esqueceu que meu namorado esta aqui? Por que o Potter não vai lá e arrebenta o Snape?

– Eu largo tudo isso Lily. Só preciso que você fique comigo. – ele disse suplicante.

– Eu não posso ser mais do que sua amiga. – respondi.

– Lily! – ele disse se aproximando.

Senti o Potter me puxar um pouco para trás.

Apertei sua mão levemente, eu queria que ele me tirasse dali.

– Snape não perturbe minha namorada ou vou ter que fazer alguma coisa. – comentou o Potter calmamente.

– Não se intrometa Potter. – ralhou o Snape.

– Vamos Lil. – ele me disse já me puxando levemente em direção a sala.

– Você ficou abalada com aquele beijo Lily! Você ia ceder quando o Black apareceu. – disse o Snape irritado.

Senti o Potter me soltar e ele foi pegar as mochilas do chão.

– Você sabe que isso é mentira! – eu respondi.

– Não é! – disse o Snape já se aproximando o suficiente para me puxar pelo braço. – Podemos tentar de novo!

Obvio que eu já tinha entendido que ele não iria desistir me afastei o máximo possível dele naquele momento e tentei controlar a minha raiva e magoa.

– Tira suas mãos imundas da minha namorada Ranhoso. – escutei o Potter com uma voz furiosa.

Não preciso dizer que o Snape ficou com raiva, não é?

Bom, não tive tempo para ver muita coisa, a não ser meu braço sendo solto e o Snape cambaleando para trás.

– Eu disse para se afastar. – disse o Potter irritado. – Vamos Lil. – ele disse tocando levemente no meu braço.

Foi estranho ver o Snape com a mão no nariz terrivelmente irritado pelo soco que levou e o Potter extremamente tranqüilo segurando nossas mochilas. E claro que ele não precisou pedir duas vezes, logo já estávamos na sala.

– Obrigada! – agradeci assim que fechamos a porta atrás de nós.

– Sempre que precisar! – ele respondeu sorrindo.

Será que ele esta chateado? O Snape não podia tocar naquele assunto na frente dele.

– Ainda bem que chegaram! – comentou a Lene empolgada.

– Não temos o cenário dessa cena pronto ainda, mas já vamos começar a ensaiar. – comentou o Sirius nos entregando os scripts.

– Acho que a Lily vai querer um pouco de água. – comentou o Tiago depois de jogar nossas mochilas em um canto.

– Estou ótima. – respondi sorrindo.

– Bom… Vamos começar então. – disse a Dora empolgada.

– Que cena estamos? – perguntei assim que me sentei na minha cadeira.

– Cena depois do Tango. Vocês estão no carro indo para casa depois da confusão no restaurante e começam uma briga pelo telefone. – comentou o Sirius.

– A cena inteira é sentada, mas vamos precisar de entonação de voz. Então Lily se lembre você esta chateada seu marido não te ama, é um mentiroso. Esta chateada pelo casamento ter chegado ao fim e irritada por ele não tentar recuperá-lo.

– Certo! – comentei dando de ombros.

– Tiago você esta com raiva. A Lily é uma mentirosa que tratou o casamento de vocês como um trabalho, não te ama e te enganou por anos e ainda tentou te matar com uma bomba.

– Pode deixar Lene. – respondeu o Potter.

– Então vamos começar. – disse o Sirius empolgado.

E lá vamos nós para mais uma cena. Meu celular toca primeiro.

– Jane Potter. – eu digo animada.

– Foi à segunda vez que você tentou me matar. – disse o Potter irritado.

– Que isso, foi só uma bombinha. – eu respondi dando de ombros.

– Presta atenção, estou indo para casa e vou queimar todas as coisas que eu te dei.

– Então vamos apostar corrida. – eu digo antes de desligar o telefone.

Segundos depois ele me liga de novo.

– Já chegou? – pergunto quando atendo o telefone.

– Quando nos conhecemos você pensou em que?

– Me diz você! – pedi.

– Bom… Eu pensei que você parecia uma manhã de natal! Não sei expressar de outro jeito.

– Por que esta me dizendo isso agora? – perguntei.

– Eu acho que no fim você começa a pensar no começo. – ele me respondeu. – Só achei que você deveria saber. E você Jane?

– Eu pensei… – tomei fôlego para mais uma mentira. – Pensei que você era o alvo mais bonito que eu já tinha visto.

O Potter baixou a cabeça sem graça e pensativo.

– Foram sempre negócios? – ele perguntou chateado.

– Sempre negócios. – respondi.

– Desde sempre? – ele me perguntou novamente.

– Frio e calculado. – respondi.

– Obrigado, era tudo que eu tinha que saber! – ele me respondeu.

Ficamos um tempo em silêncio.

– Tudo bem! – ele disse por fim.

– Tudo bem! – respondi um pouco agitada. E obvio que depois já estava batendo a cabeça no banco revoltada por ter inventado outra mentira. – Merda! – disse comigo mesma.

Depois eu bato no meu carro no dele em frente de casa.

– Ah! – ele grita irritado.

Eu simplesmente dou ré e entro em casa primeiro que ele.

– Pode continuar! – disse o Sirius assim que parei e fechei o script.

– Não vamos ensaiar a próxima cena. – eu disse emburrada.

– Mas a próxima cena é a melhor! – comentou o Sirius empolgado.

– Qual é a próxima cena? – perguntou o Potter.

– A dos amassos. – respondeu o Sirius ainda animado.

– Já disse que não vamos ensaiar isso agora. – eu disse emburrada.

– Nós vamos precisar ensaiar essa cena logo Lily. – comentou a Lene.

– Por que não vemos isso mais tarde? – perguntou o Remus.

– Certo. Vamos repassar essa cena mais umas duas vezes pelo menos. – comentou a Lene se dando por vencida.

Depois de mais ou menos uma hora e pelo menos cinco leituras da cena finalmente estávamos indo para o salão da grifinória.

– Como a Jane é mentirosa! – comentou a Dora.

– Realmente. O que custava ela admitir que ama ele? Ele já tinha admitido! – comentou o Sirius.

– Acho que ela pensava que ele estava mentindo. – comentou o Remus.

– Ou talvez ela soubesse que um teria que matar o outro e seria mais fácil assim. – comentei.

– Os dois são bem teimosos. Por isso demoram a se entender. – comentou o Potter dando de ombros.

– Eu vou tomar um banho e cair na cama. – comentou o Tiago assim que chegamos ao salão comunal.

– Também vou tomar banho. – eu disse querendo fugir das perguntas sobre o Snape.

– Vão tomar banho juntos? – perguntou o Sirius rindo.

Subi para o meu quarto em meio às risadas dos meus amigos, e adivinhe novamente eles estavam rindo de mim.

Tomei um banho rápido e aproveitei que o pessoal não tinha subido para ir falar com o Potter.

– Potter? – chamei depois que bati na porta e ninguém respondeu.

Abri a porta cuidadosamente e não tinha ninguém no quarto, e nem barulho do chuveiro.

– Potter? – chamei novamente.

A porta do banheiro se abriu e eu virei de costas na mesma hora.

– Perdida ruiva? – escutei o Potter perguntando.

– Está vestido? – perguntei com medo de me virar.

– Mais ou menos. – ele respondeu dando risada.

O que seria mais ou menos vestido? Só de cueca? De camiseta e cueca?

Obvio que me virei para olhar. Por pura curiosidade é claro, e não era nenhuma das opções que pensei, ele estava de shorts e sem camisa e claro secando o cabelo.

– Está mais arrepiado do que de costume. – comentei.

– É a única hora que tenho para tentar penteá-lo, às vezes ajuda. – ele respondeu rindo. – O que faz no meu humilde quarto? – me perguntou algum tempo depois.

– Queria falar com você! – eu disse sem graça.

– Senta ai! Deixa só eu terminar aqui. – ele disse indo até o guarda roupas.

Pensei que ele estava indo pegar uma camisa, mas ele pegou um pente e ficou vários minutos tentando pentear o cabelo.

– Ainda está bagunçado. – comentei quando ele desistiu.

– Mas melhorou pelo menos. – ele brincou.

– Não vai colocar uma camisa? – perguntei quando ele deixou a toalha no banheiro e veio em minha direção.

– Te incomoda? – ele perguntou rindo.

– Na verdade não! – respondi sincera.

Acho que já acostumei com os meninos sem camisa, afinal, muitas vezes que vamos ao dormitório deles eles fazem questão de ficam sem a parte de cima da roupa.

Ele sorriu e se sentou ao meu lado na sua cama.

– Diga!

– É que bem… Sabe como é… – comecei enrolando. – Obrigada lá com o Snape.

– Não esta com raiva por ter batido nele? – ele perguntou desconfiado.

– Não precisava ter batido nele, mas não vou dizer que ele não mereceu. – brinquei.

– Fico feliz em saber disso. – ele disse sorrindo ainda mais.

Ficamos sorrindo um para o outro por algum tempo enquanto eu tentava criar coragem e falar sobre… Bem… Sobre Snape.

– Não vai me dizer o que queria? – ele me perguntou cauteloso.

– Já disse! – eu respondi nervosa.

– Não. Você esta enrolando para falar o que realmente quer. – ele respondeu dando de ombros.

– Como você… Esquece! – comecei a dizer, mas é bem obvio. Eu não viria até o quarto dele só para agradecer, sendo que já tinha agradecido na sala.

– Então…? – ele perguntou.

– É que… Bem… – comecei mais uma vez.

– Posso saber pelo menos sobre o que é? Já ajuda. – ele brincou.

– É sobre nossa conversa com o Snape. – eu disse de uma vez me levantando da cama e começando a andar de um lado para o outro no quarto.

– Ah! – ele disse estranho.

Não consegui decifrar o tom de voz do Potter.

– É que eu… Não foi bem como ele disse. Quer dizer… Não queria que você soubesse daquele jeito. – eu disse cada vez mais atrapalhada.

– Lily… – ele começou.

– Me desculpe! Eu ia te contar. Eu queria te contar, mas…

– Lily é que… – ele começou de novo.

– Eu não queria que você soubesse. Não queria que ninguém soubesse, além do Sirius que estava lá, mas fora isso…

– Eu…

– Me deixa explicar! – pedi. – Estávamos discutindo e bem foi de repente, eu não estava esperando por aquilo. Nunca esperei aquilo do Severo. Foi estranho! Estranho, ruim, mas o pior não foi ter acontecido, o ruim foi eu não ter reação. Caramba! Eu sempre pensei que iria dar um senhor tapa em quem fizesse isso comigo, se fizessem, mas fiquei lá parada, estática, não conseguia nem me mover de tão assustada que fiquei… Eu só… Sinto muito!

– Terminou? – ele perguntou calmamente.

Fiz que sim com a cabeça.

– Eu já sabia! – ele me disse.

Eu acho que não escutei direito!

– Como?

– Eu já sabia Lily. – ele me disse indo até onde eu estava. – Fiquei sabendo logo depois do ocorrido. Não me agüentei de curiosidade e investiguei. Não foi tão difícil pegar você e o Sirius conversando.

– Mas você não…

– Eu achei melhor não acabar com o Snape. Você já estava chateada o suficiente para ter que ir a um enterro. – ele brincou.

– Eu pensei que você fosse ficar chateado.

– E realmente fiquei! Caramba! Sempre pensei que você fosse me dar um senhor tapa e um belo chute nas partes baixas se eu fizesse isso com você.

– Eu também achava. – eu disse bem chateada, afinal ele estava certo.

– Ei! O Sirius me disse uma coisa que faz sentido. Sempre dizemos que faríamos determinada coisa, sabe, como quando o povo diz que não iria reagir a um assalto, e reage. Com você foi à mesma coisa. – ele disse isso de uma maneira boa e me abraçou por trás.

Novamente me senti estranha, não era para me sentir confortável, era?

– Relaxa Lily! – ele me pediu me apertando um pouco mais.

– É só que… – comecei.

Mas eu também não tinha muito que dizer. Não sei por que eu me importei tanto com o Potter saber disso, afinal somos amigos, ele não tem nada haver com isso, mas sei lá. Sabe aquela sensação de que você traiu a pessoa? É muito estranho!

– Eu sei Lily! – ele disse me dando um leve e rápido beijo no pescoço.

Por que ele faz esse tipo de coisa? Eu fiquei toda arrepiada! Isso não é justo!

Ai alguém pensa que eu simplesmente me afastei com alguma desculpa e sai correndo para o meu quarto, mas não… Eu sou estúpida de mais para fazer isso. Eu simplesmente gostei daquilo e fiquei ali sorrindo igual uma barata tonta.

Senti o Potter respirar fundo antes de quebrar o silêncio.

– Lily! – o Potter disse depois de alguns minutos ainda naquela posição constrangedora e confortável.

– Oi! – respondi animada.

– Temos outro assunto pendente. – ele disse bem cauteloso.

– Qual?

Do que ele esta falando?

– Temos que começar a ensaiar aquela cena. – ele disse com pressa.

Afastei-me dele no mesmo momento. Ele ainda mantinha as mãos segurando as minhas e eu agora estava de frente para ele.

– Você não pode estar falando sério! – eu disse descrente.

– Lily, me escute por alguns segundos! – ele me pediu – De qualquer jeito vamos ter que fazer aquela cena, é uma das principais da peça. Ninguém vai concordar em tirá-la.

– Eu ainda posso convencer a Lene. – tentei argumentar.

– Não você não pode. A Lene assim como todos os nossos amigos acha que é bom para nós dois passarmos por isso.

– Eu não posso Potter! Não estou pronta para isso! – reclamei.

– Podemos só tentar. Ir devagar… – ele sugeriu.

– Não acho que realmente vai dar certo. – comentei pensativa.

– Podemos pelo menos tentar? – ele me perguntou cauteloso.

– Não sei… Até amanhã eu vou ter uma solução. – respondi rezando para pensar em alguma coisa até lá.

Eu tenho que arrumar alguma solução!

Não preciso dizer que passei quase a noite inteira acordada e não consegui muita coisa, não é?

Tinha que ter alguma solução para não precisar fazer aquela cena!

Passei o dia inteiro distraída pensando nisso e devo dizer que a minha imaginação estava totalmente enferrujada já que eu não consegui nem chegar perto de alguma coisa. Eu sei que conversar com o pessoal não vai adiantar, mas acho que é a minha única solução.

– Eu me recuso a fazer aquela cena. – eu disse por fim enquanto íamos pegar os roteiros.

– Você concordou em fazer a Jane na peça. Você meio que esta concordando com tudo que resume ser a Jane, até dar uns amassos no maridão gostoso. – comentou a Lene.

– Você não vai morrer por dar alguns beijos bem dados no Tiago. – brincou a Dora rindo.

– Eu não estou vendo graça! – reclamei.

– Ora Lily. Seja um pouco mais flexível. É só uma cena como qualquer outra. – comentou a Alice tentando me acalmar.

– Podemos pelo menos tentar? – perguntou a Lene.

– Não sei não! – respondi incerta.

Eu não quero tentar, não quero nem pensar naquela cena.

– Não pode ser tão ruim assim. – disse a Alice dando fim à discussão.

Eu mereço essas amigas?

– Alguém já fez o trabalho de DCAT? Eu não consegui escrever os três pergaminhos ainda. – dizia o Sirius quando eu entrei na sala para o ensaio.

– E quanto você já fez Sirius? – perguntou o Remus desgrudando o olho dos papeis que ele tinha na mão.

– Isso realmente importa? – perguntou o Sirius sem importância.

– Importa se você quer meu trabalho para copiar ou para ter base para terminar o seu. – respondeu o Remus.

– Está duvidando que eu fiz meu trabalho? – ele perguntou parecendo ofendido.

– Claro que não. Só quero ter certeza que não vai emprestar meu trabalho para ninguém. – comentou o Remus irônico.

Tentei deixar as implicâncias do Sirius e do Remus para lá enquanto tentava me concentrar no maldito ensaio.

– Parece que vamos pular a parte que o Tiago se mata para entrar em casa e vamos logo para a ação. – comentou a Dora do meu lado.

– Eu realmente não quero fazer isso. – comentei chateada.

– Vamos pelo menos começar. Na dúvida finja um desmaio. – ela brincou.

– Qualquer coisa é só falar que paramos o ensaio. – comentou o Potter depois que a Dora se afastou.

– Já disse que isso não vai dar certo? – perguntei desanimada.

E ele ao invés de concordar comigo simplesmente deu uma risada.

– Vamos começar a cena com a Lily entrando com a arma na mão a procura do Tiago pela casa. – disse a Lene depois de algum tempo.

– Eu tranquei a porta por via das dúvidas. – escutei o Sirius comentando com o Remus.

– É uma cena de ação gente… Então estejam ofegantes e sexys. – brincou a Lene.

– Estar sexy não é realmente um problema. – respondeu o Potter passando a mão pelo cabelo.

– Já podemos começar. – disse o Sirius muito empolgado.

Peguei a arma de brinquedo e me postei onde seria o começo a cena, mirei com a arma e andei cautelosamente pela casa até chegar ao hall, apaguei a luz e me coloquei em posição de ataque esperando o Potter aparecer.

– Tiago você vai entrar por uma janela que montamos no cenário paralelo. – comentou a Lene sacudindo a varinha e colocando um cenário.

O Tiago dói cuidadosamente até a janela e sem o menor cuidado meteu o cotovelo no vidro, quebrando o mesmo para poder entrar em casa.

Aguardou alguns segundos a espera que eu aparecesse para matar ele, mas eu não apareci e rapidamente ele abriu o trinco e entrou em casa.

E cena pula para mim novamente ainda andando pela casa com a arma na mão.

A cena pula para o Tiago que ao apertar um botão faz algumas armas que estavam escondidas aparecerem. Ele monta a arma com agilidade e esta pronto para tentar me matar, assim ele mesmo sai pela casa a minha procura.

Eu me agacho na escada e miro a arma para o corredor só esperando a hora que ele vai passar por ali.

Novamente a cena via para o Tiago que tem a brilhante ideia de colocar um espelho para ver se eu estou do outro lado da parede e claro que eu atiro assim que vejo a mão dele. Alias, atiro várias vezes.

– Ainda está vivo amor? – perguntou irônica.

O Potter muito inteligente começa a gemer fingindo que foi atingido e joga a arma no chão para demonstrar isso e assim que eu abaixo um pouco a guarda ele começa a atirar na minha direção através do buraco que eu fiz na parede da sala.

Eu saio correndo e rolando pelo chão para fugir dos tiros e claro que assim que tenho a chance eu atiro de volta tentando matar o infeliz.

Não preciso dizer que começa o quebra – quebra, não é? Os próximos minutos são de nós dois rolando e correndo apontando armas e atirando e claro quebrando a casa inteira.

Fazemos um pouco de suspense como no filme em alguns momentos parando de atirar, mas não dura muito, assim como na parte que o Potter derruba um vaso sem querer e denuncia sua posição na casa, me fazendo atirar contra as paredes.

A parte que eu mais gosto do quebra – quebra é quando o Potter se esconde atrás da porta de geladeira e eu acabo atirando mesmo assim jogando comida e sucos por todo lugar.

Depois disso o Potter perde a arma e como esta na cozinha ele apela para as facas.

– Você atira tão mal quanto cozinha, meu amor. – ele comentou ainda me procurando. – O que não é pouca coisa.

Enquanto ele me provoca aproveito para trocar a munição da minha arma e sem mesmo olhar entro na cozinha atirando o que é um grande erro, já que o Potter abriu o gás do fogão e faz tudo explodir, me jogando na parede com o impacto.

Nessa parte que entramos na briga corpo a corpo e bom… Não foi tão fácil quanto parece.

Assim que eu cai no chão o Potter deveria entrar na sala me dando um chute no estomago, mas não era a minha intenção nem a dele que isso acontecesse.

– Acho que precisamos ver direito como vamos fazer essa parte. – comentou o Potter me dando a mão para levantar.

– Certo… Pulamos isso por agora. – disse a Lene relutante.

– Vamos para a parte que os dois estão frente a frente um com a arma apontada para o outro. – pediu o Sirius.

Ficamos na posição e logo voltamos à cena.

– Eu não posso. – disse o Potter abaixando a arma após alguns minutos naquela posição.

– Não! – eu digo revoltada. – Anda! – reclamo. – Vamos lá!

– Você quer? – ele me pergunta ainda com a arma abaixada. – Atira!

As luzes voltam para mim e para a minha cara de sofrimento segurando as lágrimas.

Seria nessa hora que nos beijaríamos.

Olhei excitante para o Potter.

– Ainda estamos ensaiando! – comentou o Sirius.

O Potter deu um passo para frente bateu a mão na minha arma jogando ela para o lado e se aproximou ainda mais.

– Na cena os dois vãos em direção um ao outro Lily. – comentou o Sirius.

– Não podemos pular essa parte e fazer a cena da briga? – perguntei desviando os olhos do Potter.

– Só tente Lily. O Tiago faz tudo e você só fica parada. – pediu a Lene.

– Eu preciso falar com a professora. – eu disse tendo uma ideia brilhante!

Mcgonagall nunca iria concordar com isso, principalmente sabendo que eu não quero beijar o Potter.

– Acho que o ensaio terminou. – escutei o Potter dizendo enquanto eu corria para o dormitório da professora.

Escutei o barulho das cadeiras sendo postas no lugar novamente e comecei a bater freneticamente na porta da professora.

– Mas o que… – a Minerva começou a dizer, mas parou assim que me viu. – Esta tudo bem senhorita Evans?

Fiquei apreensiva por alguns segundos, mas meu medo de ter que fazer aquela cena foi maior e despejei tudo em cima dela, que não queria fazer a cena, que tentei convencer os outros de tirá-la e tudo mais.

Assim que terminei de falar a professora ainda me olhava estupefata, pelo menos acho que era assim que ela me olhava.

Ela não me disse nada, mas desceu as escadas para onde o pessoal ainda discutia os cenários, figurinos e o resto do pessoal que ainda me esperava para terminar o ensaio.

– Atenção, por favor! – ela pediu assim que chegou à sala. – Infelizmente vou ter que terminar o ensaio mais cedo hoje.

– Mas por quê? – todo mundo começou a perguntar ao mesmo tempo.

– Tenho alguns assuntos para conversar com a senhorita Evans e apreciaria ter um lugar melhor para conversar do que de pé nas escadas. – ela comentou com um pequeno sorriso.

Vi todos os alunos se levantando para sair. O Sirius e a Lene me olharam revoltados, acho que não gostaram da minha ideia brilhante.

– Senhor Potter, poderia ficar mais um pouco? – ela pediu me assustando.

Para que ela quer o Potter presente? Ela só vai cancelar a cena. Deveria chamar o Sirius e a Lene ou anunciar de uma vez por todas, de preferência para todos os alunos para que ninguém tenha dúvidas.

– Algum problema professora? – perguntou a Lene antes de sair da sala.

– Esta tudo sobre controle senhorita Marlene. Conversamos amanhã.

Ela dispensou a Lene! Uau!

– Sentem-se! – pediu a professora nos indicando às cadeiras da sala, logo depois que a própria se postou a sua mesa.

– Professora eu acho que não deveria estar participando dessa conversa. – comentou o Potter meio deslocado.

Pare o mundo que eu quero descer! Alguém já viu o Potter deslocado em algum lugar?

– Sua colega Lílian me trouxe um problema que já deve ser de seu conhecimento, e preciso saber se o senhor compartilha esse sentimento. – ela disse categoricamente.

– Não sei exatamente o que ela te disse, mas não tenho nada contra a cena, se a Lily se sentir confortável para fazê-la. – ele respondeu sem me olhar.

Ele tinha que me apoiar! Ele tinha que falar que também não queria aquela cena!

Tentei dar um olhar de odeio mortal para o Potter, mas infelizmente não fez efeito. Deve ser por que ele não quis me olhar.

Tenho a impressão que ele sabia que essa não era a resposta que eu queria que ele desse.

– Pensei que o relacionamento de vocês já tinha avançado o suficiente para precisarmos nos preocupar com uma cena mais intima. – ela comentou pensativa.

– Vamos dizer que os boatos são falsos. – comentou o Potter sem graça passando a mão pelos cabelos.

– E vocês não tentaram nem desmentir? – ela perguntou surpresa olhando mais para mim do que para o Potter.

– Na verdade até tentamos no começo, mas ninguém acreditava. Eu sinceramente não sei onde eles acham que temos um envolvimento romântico. – comentei.

Esse povo vê coisas onde não têm!

– A senhorita não quer nem pensar melhor no caso? – ela me perguntou apreensiva.

Sacudi a cabeça indicando que não. Acho que se eu falasse em voz alta o Potter poderia ficar chateado, afinal esse foi o maior fora que eu já dei nele, e na frente da escola inteira.

– Então creio que precisarei tomar uma atitude. – ela disse parecendo chateada por dois segundos.

– Então a senhora vai tirar essa cena da peça? – perguntei empolgada.

– Não senhorita Evans. Eu já tinha conversado com a Marlene e com o Sirius sobre essa cena especifica e creio que seja uma das cenas mais importantes da peça de vocês, não acho certo tira-la.

– Mas então… – comecei a ficar desesperada.

– Já que o senhor Potter não se importa em fazer a cena… A melhor solução que vejo sobre o assunto é colocarmos alguém no seu lugar.

– O que? Não pode fazer isso professora. A Lily tem ensaiado bastante para… – começou o Potter enquanto eu estava chocada de mais para falar alguma coisa.

Pode parecer que sim, mas eu não quero sair da peça. Já me acostumei com ela e até gostei de atuar. O Potter até me ajudou com o meu problema com palco!

Eu só queria que ela cancelasse a cena, não queria sair da peça.

– Se acalme Tiago. Ela não irá perder a participação na peça, só vai deixar de fazer essa cena. – comentou a professora.

– Agora eu que não entendi. Como não vou fazer a cena se a senhora disse que não vai tirar a cena?

– Simples. Colocaremos uma substituta somente nessa cena especifica. Eu darei autorização para que mudem a aparência da nova moça para que ela fique parecida com a senhorita.

– A senhora não pode estar falando sério! – eu disse abismada.

Ele não poderia estar falando sério! Ela esta realmente sugerindo que o Potter faça a cena com outra pessoa?

– Fala alguma coisa Potter! – pedi agoniada.

– Não tem outra solução professora? – ele

– perguntou na defensiva.

– Infelizmente não consigo pensar em mais nada. Se sua amiga não se sente confortável tendo uma relação mais intima com o senhor, e não posso tirar a cena assim, então não vejo outra maneira.

– Mas professora isso não é certo! – eu disse irritada. – O Potter nem vai concordar com isso.

– Ele já concordou. Perguntei se ele tinha problemas em realizar a cena e ele me disse que não. – ela comentou parecendo chateada.

– Mas professora… – comecei, mas eu não tinha muito que fazer.

– A senhorita pode mudar de ideia até que seus amigos achem alguém para substituí-la. Depois disso não teremos muito que fazer.

– A Lene e o Sirius não vão concordar com isso. – eu disse relutante.

– Eu já tinha conversado com a Marlene e com o Sirius sobre o assunto e já tinha sugerido isso, mas eles disseram que você iria mudar de ideia, mas deixei claro que não queria que a senhorita fizesse algo que fosse contra.

A Marlene e o Sirius tinham concordado em me substituir?

– Amanhã logo pela manhã orientarei a Marlene e o Sirius a colocarem panfletos no salão comunal para achar alguém para fazer essa cena, mas eu espero que a senhorita mude de ideia.

Ela estava realmente falando sério! Não posso acreditar.

Nos levantamos relutantes para sair da sala, alias, eu é que estava relutante. O Potter parecia absorvido em pensamentos.

– Se mudar de ideia é só me avisar senhorita Evans. – ela me disse quando eu estava saindo da sala.

Assenti com a cabeça, mas até parece que eu vou mudar de ideia!

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sobre Vanessa Sueroz

Autora dos livros Confusões em Paris, Minha última chance, Odiado Admirador Secreto, Presente de Aniversário, Eu te amo mais e Três Botões.


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