Sr e Sra Potter – Cap 10 2


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Querida ruiva,

Desculpe por ontem, não queria que você tivesse que passar por aquilo, muito menos chegar ao ponto de desmaiar! Acho que te dei muito chocolate depois disso, espero que melhore!

Não queria que aquilo acontecesse, mas você se saiu muito bem. Estou muito orgulhoso, e não se preocupe, vamos ter muitos ensaios assim para que você perca seu medo.

Espero-te para o café da manhã.

T.P.

Bem… Poderia ter sido bem pior!

Cap 10 – Nossa Música?

Os dias passaram rápido depois que comecei a ensaiar de noite com o Potter.

Todos os dias depois que escurecia, esperávamos todos dormirem e íamos até o campo de quadribol ensaiar e claro que depois dormíamos nas primeiras aulas.

Tivemos que aguentar as indiretas do Sirius pensando que estávamos tendo um caso ou qualquer outra coisa maluca que se passa na cabeça oca do Sirius.

– Eles estão ensaiando a cena proibida. – comentou o Sirius certo dia depois do jantar.

– A cena não é proibida Sirius. Foi a Lily que pediu para deixar essa cena especifica para depois. – respondeu a Lene.

– Que seja… Mas que eles estão dando uns “pegas” por ai não tem como negar. – ele respondeu dando de ombros.

– Não estamos fazendo nada Sirius! – disse o Potter antes de dar um grande bocejo.

– Os dois estão sempre com sono! – ele reclamou.

– Por que estamos indo dormir tarde fazendo trabalho. – respondi cortando o assunto, ou melhor, tentando cortar o assunto.

– Que cena proibida? – perguntou o Pedro ainda tentando engolir um bolinho enorme.

– A cena que eles ficam se agarrando e tirando a roupa. – comentou o Remus marotamente.

– Tirando a roupa? Uau! Não sabia que a relação de vocês estava tão avançada. – comentou o Pedro parecendo admirado.

– E não está Pedro. – respondi fechando a cara.

– Não tente explicar. Ele nunca presta atenção. – disse a Dora dando de ombros. – Mas afinal, o que vocês tanto fazem de noite?

– Estudamos. Não quer estudar com agente? – perguntei.

Obvio que eu menti. Eu não poderia falar algo como “Ei estamos tentando curar meu medo de palco, quer ir lá dar algumas risadas?” – nem pensar!

– Nem pensar! Dez horas de estudo por dia já é suficiente. – ela me respondeu com uma careta.

Demos de ombro e finalmente encerramos aquela conversa.

– Há, me esqueci de perguntar. Algum dos dois sabe dançar? – me perguntou a Lene depois de alguns minutos.

– Claro que eu sei dançar Lene. – respondi ofendida. O que ela pensa que eu faço nas festas? Fico sentada olhando para o namorado gordo da Petúnia?

– Eu sempre danço nas festas dos meus pais. – respondeu o Potter sem importância.

– Menos mal! – ela respondeu parecendo aliviada.

– Eu não entendi a pergunta. – comentou a Dora.

– Logo chegamos à cena que os dois estão tentando se matar em um restaurante enquanto dançam. – ela respondeu sem importância.

– Eu particularmente adorei essa cena. – respondeu a Alice sorrindo. – Ela lá se lamentando por ter perdido o marido e ele aparece todo arrependido, mas os dois orgulhosos não admitem e ficam quebrando tudo. – ela completou animada. – É tão romântico! – disse agora sonhadora.

– Eu não acho romântico! – comentou o Remus.

– Ainda bem, por que não vou destruir um restaurante com você. – comentou a Dora antes de se acabar de rir.

– Fui só eu que não entendi a piada? – perguntei quando vi o casal se matando de rir.

– Deve ser uma piada interna. – comentou a Alice dando de ombros.

– Acho que esta mais para um casal de malucos, mas tudo bem. – comentou o Sirius dando de ombros.

– Ei! Não sou maluca… – comentou a Dora parecendo ofendida. – O Remus bateu a cabeça algumas vezes, mas nada muito grave.

– Engraçadinha! – reclamou o Remus para a namorada antes dos dois se abraçarem e ficarem sorrindo com cara de bobos.

– Espero não ser assim quando arrumar um namorado. – comentou a Lene com uma careta.

– Se você arrumar um namorado. – provocou o Sirius.

– Está me chamando de encalhada? – perguntou a Lene parecendo muito irritada.

– Não… Ele esta dizendo que não vai deixar você namorar ninguém que não seja ele. – disse o Potter tentando acabar com uma briga entre os dois.

– O que na verdade nunca vai acontecer, porque o Sirius é covarde demais para te pedir em namoro. – eu completei meio sem pensar.

Eu sei que não posso ficar falando essas coisas assim, principalmente para esses dois, mas bom… O Potter falou e eu meio que me empolguei.

– Eu não sou covarde ruiva! – reclamou o Sirius parecendo ficar vermelho.

– Não me venham vocês dois com essas conversas fiadas. Vocês é que são o problema por aqui. – reclamou a Lene furiosa.

– Já é hora de sairmos correndo? – perguntei para o Potter.

– Com toda certeza. – ele disse antes de nós dois nos levantarmos e sairmos correndo para fora do salão comunal.

O que não foi lá uma boa ideia, já que já passava da hora de dormir, e adivinhem? A Lene e o Sirius deixaram de brigar entre si. O problema é que eles fizeram isso para brigar com o Potter e comigo.

A corrida pelo castelo não durou nem cinco minutos. Infelizmente tenho que confessar… Eu não sou uma pessoa muito esportiva, então dez minutos de corrida para castelo já acabou com todas as minhas forças.

O Potter já estava tentando me arrastar pelo corredor quando um monitor nos alcançou:

– Potter e Evans? O que fazem foram do salão da grifinória? – perguntou o monitor da Lufa-Lufa.

– Estou levando ela para a enfermaria. Não sei o que ela andou aprontando, mas não esta bem. – disse o Potter apontando para mim.

Ei! Eu estou ótima!

– Eu acompanho vocês até a enfermaria. – ele disse com um sorriso.

Sinceramente eu não gostei desse sorriso.

– Não é preciso. Sou monitora também. Tenho permissão para andar pelo castelo depois da hora se preciso. – eu disse ainda ofegante mostrando meu distintivo.

Não preciso dizer que não gostei da cara que ele fez, não é? Acho que ele estava doido para dar uma detenção para o Potter.

– Eu não fiz nada! Por que o Lufa-Lufa esta atrás de mim? – ele me perguntou assim que nos afastamos o suficiente.

– Tem um prêmio na sala dos monitores para quem aplicar mais detenção em você e no Sirius até o final do ano. – respondi dando de ombros.

O Remus nunca contou para ele isso? Que amigo!

– Um prêmio é? – ele perguntou muito interessado. – Que tipo de prêmio?

– São alguns galões, mas não sei direito quanto. Eu não pude participar. Eles disseram que era covardia.

– E o Remus? Ele esta na frente?

– Remus não quis participar. – eu respondi dando de ombros.

Depois daquilo fomos direto para o campo de quadribol ensaiar, pelo menos tínhamos nos livrado do Sirius e da Lene por enquanto.

– Acho que logo não vamos mais precisar desse feitiço. – comentou o Tiago depois do ensaio enquanto estávamos sentados no palco olhando o nascer do sol.

– Obrigada por isso! – eu agradeci.

– Disponha!

– Você realmente me ajudou muito. Não sei o que faria em relação a apresentação. – comentei.

– Amanhã estamos livres. A professora vai assistir o ensaio hoje e depois não teremos mais ensaio geral. – ele comentou sorrindo.

– As cenas estão ficando mais cansativas. – comentei.

– É que essa parte do filme tem muitos efeitos especiais, então temos que improvisar e mudar muita coisa. – ele comentou pensativo.

– E desde quando você sabe o que é um efeito especial? – perguntei rindo.

– Andei estudando! – ele respondeu dando de ombros. – Se vamos fazer isso do modo trouxa, nada melhor do que pelo menos saber o que esta acontecendo. – ele respondeu rindo.

Ficamos mais alguns minutos em silêncio vendo o sol nascer.

– Precisamos dar um jeito no Sirius e a na Lene. – comentei.

– Eu já tenho um plano. – ele me disse sorriso diabólico.

– E posso saber qual é? – perguntei desconfiada.

– Simples minha cara ruiva. Vamos ter que fazer algumas cenas impróprias certo? – ele me perguntou.

– Certo. – comentei tentando não pensar naquilo.

– Vamos nos recusar a fazer qualquer coisa antes que eles façam também. – ele comentou com um sorriso gigante.

– Até que não é má ideia Potter. – comentei.

– Eu só tenho boas ideias. – ele respondeu sorrindo ainda mais.

– Até parece! – eu disse para provocá-lo.

Ele me mostrou a língua, assim como eu teria feito, e claro que eu não pude fazer alguma coisa além de rir.

– Acha que a professora vai aprovar a peça? – perguntei depois de um tempo que estávamos calados.

– E por que não aprovaria? – ele me perguntou.

– Sabe como é… Têm cenas violentas, outras impróprias e tudo mais. – comentei dando de ombros.

– Na verdade acho que ela já sabe de tudo isso Lily. Lene deve ter contado a história para ela, ou não poderíamos ter começado os ensaios. – ele me respondeu pensativo.

– E se a Lene mentiu? – perguntei esperançosa.

– Mentir eu acho bem difícil, talvez ela possa ter omitido algumas coisas. – ele me respondeu sorrindo.

– Marlene não seria capaz disso, não é? – perguntei na dúvida.

– Marlene não, mas o Sirius já é outra conversa. – ele comentou com um sorriso maroto.

– Em falar no Sirius… Já descobriu quem ajudou ele a roubar nossas varinhas? – perguntei tentando arrancar informações.

– Na verdade nem pensei mais nisso. Estava tão ocupado com essa peça e os trabalhos das outras matérias que nem investiguei ainda.

Essa não era a resposta que eu esperava ouvir.

– A Lene comentou que vamos ter que dançar em alguma cena. – ele comentou como quem não quer nada.

Ok! Eu sei que dançar não é meu forte, alias eu só finjo que danço.

Tudo bem que eu disse que sei dançar e que danço nas festas dos meus familiares, mas pensa comigo… Eu nunca estou em casa para ir à festa.

Não vou mentir… Eu já dancei em algumas festas e até não danço tão mal assim, mas eu estava falando de músicas agitadas sabe… Quando apagam as luzes e colocam aquelas músicas bem ritmada, que a única coisa que você precisa fazer é mexer o corpo.

– Espero que você seja bom em conduzir. – comentei dando de ombros.

Dizem que se a pessoa sabe conduzir qualquer um, ou uma no meu caso, consegue dançar perfeitamente bem. Só espero que não tenham mentido sobre isso.

– Você esta falando com o Tiago Potter Lily. Tudo que eu faço é com perfeição. – ele me disse da maneira mais presunçosa que já ouvi.

– Esta tentando superar o ego do Sirius? – perguntei rindo.

– Não… Já desisti. É impossível ter um ego maior que o dele. – me respondeu o Potter passando a mão pelos cabelos, é… Aquele gesto que ele sempre faz e me deixa maluca.

Não demorou muito para o Sirius aparecer:

– O que as crianças estão fazendo aqui sozinhas? – ele nos perguntou se sentando entre nós dois.

O Potter fez uma careta, mas não entendi realmente o motivo, então vou fingir que é por que ele é louco, o que não deixa de ser verdade.

– Estamos discutindo quanto precisamos encher o seu ego para que ele exploda. – comentei revirando os olhos.

– Você é tão engraçada. – ele disse, e pude jurar que tinha um tom de sarcasmo na voz dele.

– Obrigada Sirius querido, eu faço o que posso. – eu disse com o meu melhor sorriso inocente.

– E a Lene? – perguntou o Potter que até agora assistia nossa demonstração de amor calado.

– Reunião com os professores. – ele respondeu desanimado.

– Reunião? Nós é que somos os monitores… – comentei indignada.

– É sobre a peça! – comentou o Sirius sem importância.

– E por que você não esta junto? – perguntou o Potter desconfiado.

– Por que eu prefiro perturbar vocês. – respondeu o Sirius com um sorriso enorme.

Só espero que tenhamos noticias boas vindas dessa reunião… A última só teve noticias ruins, leia: ensaio geral.

– Alguém sabe do Aluado? – perguntou o Sirius depois da alguns minutos.

– Adivinha… Está com a Dora em algum canto do castelo. – comentei dando de ombros.

– O Aludo esta me saindo pior que o Pontas!

– Ei! – reclamou o Potter emburrado.

– Ele não desgruda da Dora! – reclamou o Sirius.

– Ou a Dora que não desgruda dele. – comentei pensativa.

– Os dois são um caso perdido! – comentou o Potter com descaso.

Não demorou tanto assim para a Lene voltar e irmos para o ensaio.

Mcgonacal ficou assistindo junto com a professora de Ensino dos Trouxas e o diretor.

Isso mesmo! Até o diretor estava por lá!

– Você teve a chance de atirar nela e não atirou? – perguntou o menino que interpretava o melhor amigo do Potter enquanto segurava uma arma e olhava desesperadamente para as janelas. – Amigo, nós estamos equipados aqui cara e você vem me dizer que não conseguiu acabar com ela? Agora ela é um problema para nós dois! A minha casa agora virou prioridade um.

– Me ajuda aqui! – pediu o Potter enquanto procurava dentro do um forno alguns papeis.

– Você esta me deixando doido com essa coisa de papel. Você parece que ficou maluco! – reclamou o menino. – Tudo bem…. – ele disse mais paciência. – Eles te deram quarenta e oito horas. Quantas sobraram? Vinte e três? Vinte e duas?

– Dezoito e alguma coisa. – respondeu o Potter sem importância.

– Você tem dezoito horas até eles acabarem com vocês dois?

– Edie! – escutamos uma voz, que eu não faço ideia de quem seja.

– Mãe! Estamos em alerta aqui. Estou protegendo a senhora caramba! Se toca pelo amor de Deus. – gritou o menino que fazia o Edie irritado.

– Deixa para lá! – gritou a voz de novo.

– Eu já estou cheio de brincar com essa mulher. – reclamou o Edie. – Você precisa encarar logo essa vadia.

– Eu sei lidar com a minha esposa. – comentou o Potter ainda procurando alguns papeis.

– Ela não é sua esposa. Ela é um inimigo e ela pode estar lá fora agora! – gritou o Edie nervoso.

– Edie! Consegui! – disse o Potter mostrando um pedaço pequeno de papel.

– Ai mandou bem… Resta agora saber o resto do nome. – ele disse olhando atento ao pequeno papel.

Logo em seguida o cenário mudou e fomos para ultima cena do ensaio.

O Potter estava com alguns papeis e um capacete fingindo ser engenheiro, entrou no elevador sem a menor pressa e logo o cenário mudou novamente mostrando somente o elevador de um lado do palco, do outro, onde eu estava ainda não tinha as luzes para o público.

Logo escutamos um barulho indicando que o elevador quebrou. E um dos meninos começou a falar:

– Aqui é a segurança. Parece ter um problema com seu elevador senhor. Quer que o engenheiro suba para ver o que aconteceu?

– Sem pressa! Eu estou bem confortável. – disse o Potter irônico.

– Esta confortável mesmo? – perguntou o menino que fazia a voz do elevador.

– Jane! – disse o Potter sorrindo.

As luzes do Potter se apagaram e as minhas se ascenderam.

– É você meu amor? – ele perguntou.

– Primeiro e último aviso John. Saída da cidade! – eu disse séria.

– Você sabe que eu não vou a lugar nenhum. – ele disse.

E claro que as luzes pulavam do meu cenário para o dele.

– Isso é o que você pensa, mas agora você esta preso em uma caixa de aço, há setenta andares a cima do chão. – eu disse.

– Então é uma armadilha? – ele perguntou cético.

– Ele esta no elevador três. – disse uma das meninas que “trabalhava” para mim.

– Isso não vai dar certo não meu amor. Isso não vai dar certo… Sabe por quê? Por que você vive me subestimando. – ele disse antes de tirar os óculos de sol.

– É mesmo? – perguntei sem convicção.

– Você não faz ideia de quem eu sou. – ele me disse sério. – Você não imagina do que eu sou capaz. – ele disse antes de se apoiar no elevador.

– Eu te digo o mesmo meu bem. – eu disse me aproximando da tela do computador, de onde supostamente eu estava vendo o Potter.

– Deixa eu adivinhar! – ele pediu pensativo. – Carga explosiva no cabo de contra peso? Mais duas nos freios primários e secundários. Será? – ele me desafiou.

– Ele encontrou! – disse alarmada uma das meninas.

– Obrigada! – respondi para ela. – Você também achou o explosivo no cabo principal? – perguntei sorrindo.

O Potter olhou para cima preocupado.

– Prometa que sairá da cidade. Ou eu detono você. – eu disse enquanto ele ainda olhava para os lados preocupado.

Mais alguns minutos de suspense, enquanto o Potter pensa.

– Tudo bem! Eu desisto!Detona! – ele me provocou.

As luzes foram para mim novamente enquanto eu fazia cara de surpresa.

– O que? – perguntei.

– Vai em frente! Detona! – debochou o Potter.

– Você acha que eu não vou? – perguntei irritada.

– Eu acho que não vai não. – ele duvidou.

– Tudo bem! – eu disse cruzando os braços no peito. – Cinco… Quatro… Suas últimas palavras? – perguntei.

– Aquelas cortinas são horríveis. – ele disse dando de ombros.

– Adeus John! – eu disse confiante.

E ele sorriu!

Logo em seguida um barulho bem forte de explosão invadiu a sala e fumaça começou a sair por todos os lados.

Assim que a fumaça foi embora a cena voltou para mim.

– O que foi isso? – eu perguntei desesperada segurando o monitor.

– O que? – perguntou a menina sem entender – Você disse adeus.

E eu sai correndo da sala.

O cenário mudou e agora estávamos no térreo do prédio novamente enquanto eu olhava o estrago que o elevador fez, com o meu suporto marido dentro.

– Vem! – chamou minha amiga, enquanto eu ainda olhava os destroços.

A cena muda novamente com outro elevador abrindo e o Potter dentro parecendo chateado. Ele desliga a câmera que ele tinha instalado e sai do elevador.

E fim do ensaio geral finalmente!

Até que não foi tão ruim assim. Apresentamos metade da peça e eu ainda estava viva. Com o estomago um pouco ruim, dor de cabeça e muito suada, mas bem.

Não tive tempo de trocar de roupa e o Potter já estava me abraçando.

– Você conseguiu! – ele disse no meu ouvido.

– Eu consegui! – falei aliviada.

– Você esta bem? – ele me perguntou preocupado quando se afastou um pouco.

– Nada que um sal de frutas não resolva. – respondi sorrindo.

– Um o que? – ele me perguntou sem entender.

– Deixa para lá! – eu disse rindo.

Depois que os professores fizeram suas considerações sobre o ensaio fomos dispensados. Não tive tempo nem de chegar ao quarto direito e a Lene já estava pulando em cima de mim feliz.

– Eu sabia que você conseguiria. – ela disse feliz.

– Eu consegui! – comemorei.

– Não sem ajuda do Tiago! – ela comentou depois que paramos de pular e gritar como doidas.

– Detalhes. – brinquei. – Brincadeira. Ele me ajudou muito. – respondi sorrindo e posso jurar que corei.

– Por que a algazarra toda? – perguntou o Sirius quando se aproximou.

– Estamos comemorando o sucesso do ensaio. – mentiu a Lene.

Melhor ela do que eu que minto muito mal.

– Mas foi só um ensaio! – comentou o Pedro.

– Foi o senhor ensaio! – disse a Dora empolgada. – Caramba! Vocês estavam ótimos! – ela disse sorrindo parecendo feliz.

– Eu sou de mais! – comentou o Potter passando as mãos pelo cabeço.

– Senão fosse eu ali mandando os dois ensaiarem nada disse teria acontecido. Então que eu sou demais e não você! – ele disse sorridente.

– Alguém pode contra o ego dele? – nos perguntou o Potter fingindo que o Sirius não estava na sala.

– Ninguém pode contra mim. E digo isso pelo pacote completo. – comentou o Sirius ainda sorrindo feito bobo. Classifico aquele sorriso como 32: Eu sei que você me ama.

– Eu realmente não sei o que sobraria do Sirius se tirassem o ego dele.

– Sobraria um monte de cabelo. – comentou a Dora rindo.

– E talvez um pouco de sarcasmo. – comentou o Remus.

– Acho que as piadas iriam resistir. – comentei.

– Olha o que vocês pensam de mim. Uma pobre e linda alma indefesa. – ele lamentou enquanto colocava as costas da mão na testa e fazia uma careta de sofrimento.

– Acho que o drama dele se uniria ao seu Lily. – comentou a Lene.

– Quantas vezes eu tenho que dizer que não sou dramática? – perguntei emburrada cruzando os braços no peito e fazendo bico.

– Até que alguém se conversa disso. – comentou a Alice.

– Ou seja, quantas vezes você quiser. – respondeu o Sirius rindo.

– Fala mal, mas não ofende! – reclamei.

– Coitada! Ela não é tão dramática assim. Ela não supera o Sirius. – comentou o Potter passando a mão no meu cabelo.

– Ninguém me supera em nada! –ele disse confiante.

– Principalmente na teimosia. – comentou a Lene antes de se acabar de rir.

– E você adora isso nele. – comentou a Dora de volta piscando um olho enquanto todos nós segurávamos a risada e o Sirius estufava o peito de felicidade, ou será que foi o ego dele que cresceu de mais?

– Vocês não tem nada para fazer? – ela perguntou emburrada depois de alguns minutos.

Alguém mais notou que ela não discordou?

– Na verdade eu não tenho! – comentei dando de ombros.

Tantos dias indo dormindo junto com o sol que agora não estava com sono, mesmo já estando perto do horário de dormir.

Ficamos conversando por mais algum tempo e logo todo mundo começou a subir para os quartos. O Pedro já estava sonhando com uma torta quando o expulsamos do salão e mandamos para o quarto.

A Alice já tinha voltado do namoro e até a Lene e o Sirius já tinham subido.

– Se eu disser que não estou com sono você acredita? – me perguntou o Potter depois que ficamos novamente sozinhos no salão.

– Então estamos na mesma situação… Totalmente sem sono! – declarei com uma leve careta.

– E o que vamos fazer durante essa noite já que não temos mais que ensaiar? – ele me perguntou.

– Estou totalmente sem ideias por enquanto. – comentei dando de ombros.

– A Lene comentou mais cedo que amanhã já começamos o ensaio da cena que vamos dançar. – ele comentou depois de algum tempo.

– Vai ser hilário. – comentei rindo.

Obvio que eu comecei a imaginar a cena. Pense euzinha com aquela roupa social super fofa, salto altíssimo e dançando! Ok? Será que fui só eu que vi o problema?

Primeiro de tudo eu não danço nada quando as luzes estão acessas, muito menos tango quando as luzes estão bem em cima de mim.

Segundo grande problema, eu odeio roupas sociais. Elas são lindas tenho que admitir, mas caramba! Quem foi o infeliz que inventou roupas tão desconfortáveis?

E terceiro e maior problema. Alguém já reparou que a Lily aqui não usa salto? Eu não uso nem sandálias rasteiras, piorou salto agulha de quinze centímetros. Acho que vou levar o senhor tombo!

– O que você esta imaginando? – me perguntou o Potter me tirando dos meus devaneios.

– Eu com um vestido social justo, de salto agulha e dançando. – comentei.

– Ainda não vi o problema. – ele comentou dando de ombros.

– Já reparou que eu não uso salto? – perguntei revirando os olhos e mostrando meu pé, que para variar estava com lindas pantufas.

– Eu gosto das pantufas e não me importo se quiser dançar com elas. – ele comentou rindo.

– Pantufa e vestido social? – perguntei levantando involuntariamente a sobrancelha.

– Iria ficar engraçado e prometo tentar não rir. – ele comentou já começando a rir.

– Quem é que esta imaginando coisas agora? – perguntei colocando as mãos na cintura fingindo estar brava.

E como todos sabem que eu mento muito bem… Ele nãos e importou!

– Vai dizer que não iria ser engraçado? – ele me perguntou ainda rindo, só que detalhe, agora ele gargalhava.

– Queria ver você com aquele terno e gravata. – comentei emburrada.

– Iria ficar magnífico. Nem você poderia dizer o contrário! – ele comentou sorrindo ainda mais.

– Sem comentários!

Claro que me recusei a responder isso. Qualquer coisa que eu respondesse o Potter iria contradizer.

Ficamos algum tempo só olhando para as paredes totalmente sem sono. Tudo bem… Quase sem sono. Depois do que eu acho que foi mais de duas horas olhando para o nada, tudo bem, eu estava olhando para o Potter e ele olhava para o nada, mas ninguém precisa me crucificar por isso.

Enfim, depois desse tempo todo eu fiquei com sono, e deve ter cochilado um pouco. Tudo bem vai… Dormi na poltrona do sofá quase a noite inteira. Acordei com o Potter me sacudindo.

– Eu não dormi! – eu disse assim que abri os olhos e vi que ainda estava escuro.

– Vamos! – ele me chamou sorrindo.

Ok! Ele também dormiu! Dá para ver o cabelo dele fora do lugar e todo amassado. Ele com certeza dormiu.

– Vamos para onde? – perguntei me levantando, e tenho que acrescentar que com uma dor horrível nas costas.

– O que fazemos todas as manhãs do ultimo mês? – ele me perguntou sorrindo.

Como ele consegue sorrir tão cedo?

– Dormimos? – pelo menos é o que eu me lembro de fazer todas as manhãs.

– Vem Lily! – ele me chamou mais uma vez estendendo a mão.

Levantei-me contrariada enquanto ele revirava os olhos.

– Essa mania é minha! – reclamei enquanto ele me conduzia para fora do salão.

– Estou de pijama. Não vou lá fora! – reclamei.

– Eu também não vou deixar ninguém nos ver. – ele disse minutos antes de puxar a capa da invisibilidade.

Como não adivinhei?

Fomos andando até a torre de astronomia e não estranhei quando vimos no corredor um casal voltando para os dormitórios.

– O que fazemos toda manhã? – ele me perguntou quando paramos no parapeito da torre olhando a vista.

– Vemos o nascer do sol. – respondi sorrindo enquanto olhava aquela vista maravilhosa do sol nascendo no horizonte.

Não sei que momento o Potter me abraçou pelos ombros. Só sei que ficamos ali até o sol já não estar mais entre as nuvens.

Mais um novo dia estava nascendo! E graças a Deus era sexta feira!

Ficamos algum tempo ali só olhando o céu, mas não pudemos demorar tanto e tivemos que voltar para o dormitório, afinal, dali algumas poucas horas teríamos aula.

As aulas foram normais, tirando a aula de poções que novamente me sentei com o Sirius que quase explodiu o caldeirão. Tudo bem que isso não seria novidade, a novidade seria ele fazer isso quando eu estou do lado dele.

– Você me salvou ruiva! – ele disse depois que a aula terminou.

– O que seria de você sem mim? – perguntei orgulhosa.

– Uma pessoa feliz e popular. – ele comentou rindo.

– Você é feliz e popular! – eu disse emburrada.

– Eu seria mais popular! – ele reclamou.

– Esta me chamando de “louser”? – perguntei revoltada.

– Estou dizendo que você não me deixa aprontar, mas eu não teria uma vida feliz sem você ruiva. – ele disse gentil.

Eu sorri agradecida.

– Quem eu iria perturbar e ficar tão irritada facilmente me fazendo rir tanto? – ele completou.

Achei melhor nem comentar! Palhaço!

Obvio que sai batendo o pé irritada! Sirius Black é um bobão!

– Por que essa raiva toda? – me perguntou a Alice.

– O bobão do Black. – respondi emburrada me sentando ao seu lado.

– A Lene que vive dizendo isso! – ela disse rindo. – O que ele fez?

– Ficou rindo de mim. – respondi ainda mais emburrada.

– O Sirius ri de todo mundo. – ela respondeu sem se importar.

– Pois não deveria!

– Falando de mim? – perguntou o Potter se sentando ao meu lado.

– Do seu amigo cachorro e insensível. – respondi.

– O que o Sirius aprontou agora? – ele me perguntou na dúvida.

– Nasceu! – respondi com um bico enorme.

– Resolveu trocar de papel com a Lene hoje? – ele me perguntou rindo.

– Deixa para lá! – respondi dando de ombros.

Não iria adiantar muito me irritar por causa disso, como a Alice disse, o Sirius ri de todo mundo.

– Como foi à aula de poções? – perguntei mudando de assunto.

– Não explodi nada. Já é um grande avanço. – ele comentou dando de ombros.

– Finalmente acabou o dia. – comentou a Dora assim que se sentou na minha frente.

– Na verdade Dora, ainda falta o ensaio. – comentou o Remus pacientemente.

– Eles não são lindos? – perguntou a Lene que acabava de chegar, se referindo ao Remus e a Dora.

– Eles são melosos. – comentou o Pedro se sentando ao lado do Potter.

– Ensaio cancelado. – comentou a Lene.

O que posso dizer? Fiquei feliz? Não! Eu fiquei extremamente feliz! Um dia sem ensaio…

– Cancelado para todo mundo exceto vocês dois. – comentou a Lene apontando para mim e para o Potter.

– Você só pode estar de brincadeira! – comentei revoltada.

– Eu adorei! – comentou a Alice sorrindo. – Vou agora contar para o Frank.

Nem tive nem tempo de piscar e a Alice já não estava mais lá na mesa.

– E posso saber por que não temos folga também? – perguntou o Potter.

– Vamos ver se vocês sabem realmente dançar. – ela comentou sorrindo parecendo muito feliz.

– É claro que sabemos dançar. – comentou o Potter parecendo ofendido.

– Sabemos dançar! – afirmei. Já disse que estou ficando melhor nessa coisa de mentir?

– Vamos ver se vocês dançam bem juntos. Só isso! – ela comentou dando de ombros.

– Não acho que seja necessário. – comentei.

Obvio que eu estava tentando adiar isso. Já pensou o mico que vou pagar tendo que dançar com o Potter? É claro que ele sabe dançar. Os pais ele são ricos, provavelmente ele deve ir a muitas festas.

Tudo bem… Não é por que ele é rico que deve ter ido a muitas festas, bom… Ele tem cara de festeiro e isso ninguém pode negar!

– Já arrumei um radio com a professora. – comentou o Sirius que chegou animado.

– Pegou todas as músicas que pedi? – perguntou a Lene.

– Claro que sim. – respondeu o Sirius muito feliz.

Feliz até de mais.

– Não vejo a hora de começarmos o ensaio de hoje. – ele comentou antes de se sentar entre mim e o Potter.

É… Ao invés dele se sentar no lugar livre que a Alice deixou ele empurrou nós dois, digo o Potter e eu, e se sentou no meio. Sirius é muito inconveniente!

– Por que não se sentou ali? Tinha espaço! – reclamou o Potter indicando o lugar da Alice e o lugar vago ao lado do Pedro.

– Eu gosto de perturbar vocês. – ele respondeu com aquele sorriso de falsa inocência.

O Sirius ficou contando a piada do dia enquanto comíamos, e quando finalmente terminamos, é… O ensaio ficou para depois da janta, fomos para a sala de transfiguração.

– Já deixei o rádio aqui. Se precisarem estarei no meu escritório. – comentou a professora Minerva antes de sair da sala.

– Vamos lá gente. Vamos tirar algumas mesas daqui. – pediu a Lene sorridente.

Odeio quando esses dois estão sorridentes de mais. Significa problemas!

– Eu realmente não estou em um clima para dançar. Sabe como é… Nem tem uma festa. – comentei tentando inutilmente acabar com aquele ensaio desnecessário.

– Vamos ter uma festa. Só nós quatro. – comentou a Lene piscando o olho. – Vai ter divertido!

– Eu adoro festas! – comentou o Sirius sorrindo ainda mais.

– Então cadê as bebidas? – perguntou o Potter.

– Depois eu pego. Não poderia trazer para cá com a professora por aqui. – ele cochichou.

Ele não pode estar falando sério.

– Onde vocês arrumaram todos esses CDs? – perguntei vendo uma pilha de CDs na mesa da professora.

– Parece que a professora de estudo dos trouxas faz coleção de CDs trouxas. – respondeu a Lene dando de ombros.

– E posso saber porque tem um cd de funk aqui? – perguntei pegando o cd e mostrando para eles.

– A mulher da capa é gostosa! A música deve ser boa. – respondeu o Sirius dando de ombros.

– Ei! Vamos dançar músicas trouxas? – perguntou o Potter alarmado.

– Claro que vamos dançar músicas trouxas. Pensou que iríamos dançar o que? – perguntei sem entender o pânico dele.

– Eu não sei dançar nada trouxa. – ele comentou.

– A Lene me fez assistir alguns vídeos de dança. Garanto que a música lenta é igual em qualquer lugar. – respondeu o Sirius cochichando para o Potter, mas acho que todo mundo escutou.

– Vamos começar logo então! – disse a Lene empolgada.

– Acho que comi de mais. Minha mãe sempre diz para não fazer exercícios depois que come. Acho que vamos ter que adiar isso. – comentei colocando a mão na barriga.

– Nem comece a inventar histórias Lily. Vamos ter que ensaiar. – reclamou a Lene.

Não pude fazer muita coisa a não ser fechar a cara emburrada. Por que será que ninguém acredita quando eu conto uma mentirinha simples como essa?

– Podemos começar com as músicas agitadas. – comentou o Sirius.

– Para que vamos ensaiar músicas agitadas se eles só dançam uma música na peça e é tango? – perguntei revoltada. – Alias, para que vamos ensaiar qualquer outra música sem ser tango? – perguntei desconfiada.

– Simples! – disse a Lene dando de ombros. – Para os dois ficarem entrosados. Essa é uma das cenas mais legais da peça. Todo mundo adora essa cena. Temos que fazê-la a altura.

– Estou vendo que vamos sair daqui tarde. – comentou o Potter desanimado. – Coloca logo a primeira música!

– Já que você estão com frescura vamos ensaiar só músicas lentas então. Pode colocar alguma coisa alguma coisa romântica Sirius. – pediu a Lene.

Não demorou muito para uma música instrumental chegar ao meu ouvido.

– Estou esperando. – comentou a Lerne olhando para mim e para o Potter.

Ela fica lá sentada e nós ficamos ralando. Não é justo.

O Potter e eu nos aproximamos, ele passou as mãos na minha cintura e eu relutante enlacei seu pescoço.

– Sabe o que é Lene. Preciso ver como os trouxas dançam para ter uma ideia. – comentou o Potter passando a mão pelo cabelo e se afastando de mim.

Será que ele não sabe dançar direito também?

– Dance como você sabe. Vemos se está bom. – ela disse na mesma hora.

– Eu realmente prefiro que vocês demonstrem. – ele comentou sorrindo encabulado.

Pare o mundo que eu quero descer! Tiago Potter está encabulado? Isso é novidade para mim!

– Vem Lily. Vamos esperar eles nos mostrarem como se faz. – pediu o Potter se sentando em uma das mesas próximas.

Sem entender muita coisa me sentiu ao seu lado.

– O que você esta fazendo? – cochichei para ele.

– O que nós tínhamos combinado de fazer. – ele me respondeu dando de ombros.

Foi quando ele disse isso que me lembrei da nossa conversa para ajudar o Sirius e a Lene a se entenderem. Realmente a ideia parece ser boa.

Ficamos olhando para os dois que se olhavam tentando achar uma solução. Foi uma cena bem engraçada. Tínhamos literalmente invertido os papeis por algum tempo. Eu e o Potter só ficamos ali olhando e os dois arrumando um jeito de não precisar fazer aquilo.

– Eu não sei dançar. – comentou a Lene.

– Claro que você sabe. O que você estava fazendo nas férias lá em casa naquela festa se chama dançar! – respondi piscando para ela.

Claro que ela não gostou da minha resposta, a careta que ela me fez não nega.

– Acho que vocês estão enrolando… Como vocês nos falam mesmo? Ah, lembrei: “Vocês são amigos. O que tem de mais dançar juntos?” – comentou o Potter.

Dessa vez foi ele que recebeu caretas em resposta.

– Me recuso a dançar assim. Não tem clima. – comentou o Sirius emburrado.

– Foi exatamente o que eu disse. E como não tem jeito, melhor deixarmos essa cena para lá. – comentei me levantando.

– Não! – disseram os dois na mesma hora.

– Então nos mostre como é! – pedi.

– Ok! Lily vem cá! – pediu a Lene irritada.

Fui até ela sem entender o que exatamente ela queria.

– Dança comigo para mostrar para o Tiago como se faz. – disse ela já me puxando para o espaço vazio.

– Nem pensar! Sinto muito, mas é contra a sua política dançar com mulher. Você me disse isso da ultima vez que te chamei para dançar. – eu disse me afastando.

– O Almofadinhas esta aqui para fazer o papel de homem. Vai lá e dança com a garota. – disse o Potter empurrando o Sirius para perto da Lene.

– Só para constar, odiamos os dois. – comentou o Sirius revoltado.

– Eu também te amo Six. – respondi mandando um beijo.

– Você não perde por esperar cabeça de fósforo. – ele respondeu emburrado.

Os dois se aproximaram emburrados e fizeram a mesma coisa que eu e o Potter tínhamos feito, ele passou o braço na cintura dela e a Lene passou os braços no pescoço dele, mas tinha alguma coisa estranha naquela cena.

– Assim não vale. Até onde eu saiba nenhum dos dois tem uma doença contagiosa. – comentou o Potter rindo.

Vi a Lene bufando de raiva enquanto o Sirius a puxava mais para perto.

Não sei por que eles estão reclamando. Eles se amam! Todo mundo sabe disso, exceto é claro a Lene que não sabe que o Sirius gosta dela e o Sirius que não acredita que a Lene goste realmente dele, e pior ainda, não acredita que os dois possam dar certo juntos.

Acho que não demorou nem cinco minutos para os dois entrarem no clima da música. A Lene encabulada enfiou o rosto no peito do Sirius, enquanto o mesmo tentava olhar para qualquer lugar que não fosse para a Lene.

Foi tão fofo! Já disse que adoro os dois?

O Potter e eu sorrimos satisfeitos. Parece que a ideia do Potter ia realmente funcionar.

Quando a música terminou o infeliz do Sirius se afastou da Lene. Posso matar o Sirius por acabar com o clima?

– Já mostramos. – ele disse voltando a se sentar.

Acho que ele estava meio sem graça por ter cheirado o cabelo da Lene. Ele pensa que eu não vi essa cena? Vi sim!

– Foi bom enquanto durou. – comentou o Potter do meu lado antes de me puxar pela mão para o centro da sala. – Sabe dançar? – ele me perguntou pensativo.

– Vamos ver isso agora! – respondi rindo envergonhada.

– Vou escolher uma música especial para esse momento. – comentou a Lene empolgada indo até o rádio. – Essa música tem tudo haver com vocês dois. E vou fazer os dois escutarem ela até enjoar. – ela comentou enquanto colocava a música. – Quando vocês casarem e tocar essa música no casamento vou contar para todo mundo que fui eu que escolhi a música do casal. Vai ser tão romântico! – ela comentou empolgada.

Acho que a Lene tem uma imaginação fértil de mais em alguns momentos.

Não precisei de muito para saber que música que estava tocando. Logo nos primeiros toques reconheci aquela música “Back at one – Brian Mcknight e Ivete Sangalo”. Preciso dizer que adoro essa música?

Nos primeiros acordes da música o Potter pegou a minha mão e colocou delicadamente no pescoço dele, para logo em seguida me puxar para perto dele pela cintura.

Back at one

Its undeniable…that we should be together

É inegável … que devemos estar juntos
Its unbelievable how I used to say that I fall never

É incrível como eu costumava dizer que eu nunca cai
The basis you need to know, if you don’t know just how I feel,

A base que você precisa saber, se você não sabe exatamente como me sinto,
Then let me show you now that I’m for real

Então deixa eu te mostrar agora que eu estou falando sério
If all things in time, time will reveal

Se todas as coisas no tempo, o tempo revelará
Yeah

One…you´re like a dream come true

Um … você é como um sonho tornado realidade
Two… just wanna be with you

Dois … só quero ficar com você
Three… girl its plain to see

Três … Garota, é evidente para ver
That your the only one for me, and

Que você é a única para mim, e
Four…repeat steps one two three

Quatro … repita os passos de um, dois, três
Five… make you fall in love with me

Cinco … fazer você se apaixonar por mim
If ever I believe my work is done

Se alguma vez eu achar que meu trabalho é feito
Then I start back at one

Então eu começo para trás em um
Yeah

É impossível
Fingir que posso controlar
O que estou sentindo
É muito forte pra negar
Pra que resistir
Se eu sei que você também quer
Sabe que eu não vou seguir sozinha
Você tem a chave do meu coração

One… você é meu sonho bom
Two… eu quero ter você pra mim
Three… por muito tempo esperei
Preciso ouvir você dizer sim
Four… te quero eu posso repetir
Five… o que eu te disse até aqui
A qualquer preço eu quero o seu amor
Só serei feliz assim

Say farewell to the dark night

Diga adeus à escuridão da noite
I see the coming of the sun

Eu vejo a chegada do sol
Eu quero estar ao seu lado baby
Pra recomeçar
You came and bring the new life

Você veio trazer a vida nova
Into this lonely heart of mine

No coração esta solidão de meu
Vou seguir feliz
Just in the nick of time

Só em cima da hora

One… meu sonho bom
Two… just wanna be with you

Dois … só quero ficar com você
Three… por muito tempo esperei
Preciso ouvir você dizer sim
Four, repeat steps one two three

Quatro … repita os passos de um, dois, três
Five, make you fall in love with me

Cinco … fazer você se apaixonar por mim

If ever I believe my work is done
Se alguma vez eu achar que meu trabalho é feito
Then I start back at one

Então eu começo para trás em um

Foi à primeira música que dançamos juntos, não acredito que vou dizer isso, mas foi bom! Isso não quer dizer nada. Eu poderia ter dançado com o Sirius e ter sido bom. É tudo coisa de amigos. Só fiquei impressionada pelo Potter saber dançar, nada mais que isso.

Quando nos separamos percebi que minhas mãos estavam suadas. Como eu consegui ficar suada se nem estava calor?

– Que tal agora uma tudo de novo, mas dessa vez quero os dois se olhando. Essa cena tem muita paixão. Vocês estão apaixonados… Se olhem… – comentou a Lene.

O Potter sorriu para mim parecendo contente com alguma coisa. Pelo menos eu não pisei no pé dele ou coisa parecida.

Tudo bem que estou de tênis e quase não tiramos os pés do chão, só um balanço leve do corpo.

– Eu sei que é dança lenta, mas será que não dá para ter um pouco mais de movimento? Uma voltinha às vezes? – perguntou o Sirius.

– Sem problemas! – respondeu o Potter dando de ombros.

Ele não pode estar falando sério! Ele realmente espera que eu tire meus pés do chão ou qualquer coisa parecida?

Aposto um chocolate que vou acabar pisando no pé dele. E olha que para apostar um chocolate eu tenho que ter certeza do que estou falando.

– Não sei se esse negócio de voltinha vai dar certo. Por que não me mostram como funciona? – perguntei para o Sirius e para a Lene.

– Você sabe como fazer. Já vi você dançando com o seu pai. – comentou a Lene.

– Não conta. Meu pai sempre foi alto e… Alto.

– O Pontas é bem alto, comparado com uma anã como você! – comentou o Sirius segurando uma risada.

– Vocês entenderam. Não sei dar voltinha nenhuma. – comentei por fim.

Não vou dizer que aquilo não era uma manobra para não ter que realmente dançar alguma coisa por que estaria mentindo, mas garanto que também foi para fazer a Lene e o Sirius se aproximarem.

– Pare de graça e dance Lily. – pediu a Lene.

– Sem chances! Não sem uma demonstração antes. – reclamei me sentando em uma das cadeiras decidida.

– Vem Tiago. Vamos mostrar como se faz. – pediu a Lene.

– Desculpe Lene, mas a Lily é meu par. E ela é bem ciumenta sabe… – ele respondeu cochichando a última parte.

E ciumenta? Até parece!

De onde o Potter tira essas coisas?

– A Lily não se importa, não é Lily? – ela me perguntou irritada já agarrando o Potter.

– Mas é claro que eu me importo!Ele é meu par! – eu disse irritada. – Sem contar que ele tem que ver direitinho como se faz para dançar comigo. Como ele vai observar se vai dançar com você?

– Ele sabe dançar Lily. E você também. Eu realmente não ser porque você esta com isso agora. – ela comentou revoltada.

– Eu não sei! – eu disse revoltada.

– Mas é tão simples! – comentou o Sirius.

– Então dance você e a Lene e me mostre.

– Eu gostei da ideia. – comentou o Potter que até agora não tinha me ajudado. – Vou ficar aqui esperando. – ele comentou vindo se sentar do meu lado.

Não preciso comentar que o ensaio ficou assim por mais uma hora, não é? Toda vez que a Lene ou o Sirius inventavam alguma coisa para a cena, nós simplesmente dizíamos que não sabíamos para fazer os dois dançarem juntos.

Tudo bem que eu na maioria das vezes não sabia mesmo fazer aquelas coisas, mas ninguém precisa ficar sabendo desse detalhe insignificante.

No sábado de tarde fomos para o vilarejo, conseguimos até convencer a Dora e o Remus de não sumirem e passearem conosco.

Foi um dia bem divertido. Passeamos, compramos coisas, alias, os meninos resolveram repor o estoque de bombas deles. Não me pergunte como eles gastaram o antigo. Só me lembro de uma bomba nos últimos dias e foi bem jogada, em cima do Lucio Malfoy.

– Vamos tirar algumas fotos? – perguntou a Alice empolgada.

– Nada de fotos. Olha só o estado do meu cabelo! – comentou a Dora mostrando o cabelo dela cheio de folhas, afinal, estávamos no outono.

– Vamos lá Dora. Vai ser divertido. – pediu o Remus.

Eles não são lindos? Estávamos todos de pé olhando a vista. O Remus estava agarrado na cintura fina da Dora, a Alice estava grudada no pescoço do Frank. Pedro estava agarrado com uma sacola da Dedos de mel sentado em um banquinho. Sirius estava jogando folhas em cima da Lene, é eu sei, ele é maluco! Potter estava sorrindo para todo mundo e eu… Eu estava só olhando tudo.

– Me empresta isso aqui. – pedi já pegando a máquina fotográfica da mão da Dora e tirando uma boa foto da Lene com uma cara de assassina correndo atrás do Sirius com várias folhas de árvore na mão. – Isso vai ficar em um quadro na parede da futura casa deles. – brinquei.

– Tire uma nossa! – pediu a Alic empolgada subindo no banquinho da fonte que estávamos perto e agarrando o pescoço do Frank.

– Só assim para a Alice ficar alta. – brincou o Frank rindo antes de levar um tapa na cabeça muito bem dado pela namorada.

– Muito engraçado senhor Longbottom. – ela disse fazendo uma careta.

E claro que foi nessa hora que tirei uma foto, nada mais legal do que fotos espontâneas. Tudo bem que depois tirei uma foto descende dos dois, mas confesso que achei a foto do tapa mais legal.

– Nossa vez. – disse a Dora empolgada.

– Façam uma pose! – pedi.

Não foi nem preciso pedir de mais. O Remus não esperou eu pedir duas vezes e ao invés do que esperávamos, ou seja, ao invés dele simplesmente nos olhar com um sorriso para a foto, ele pegou a Dora no colo.

Isso mesmo! Ele pegou a baixinha no colo e virou de ponta cabeça. Ela desesperada não sabia se segurava a touca ou a blusa.

– Pode tirar! – ele disse rindo em meio aos gritos da namorada.

Aproveitei e tirei muitas fotos.

– Tire pelo menos uma descente. – pediu o Potter rindo.

Depois de muita gritaria o Remus colocou a Dora no chão e pudemos tirar uma foto normal e sem graça dos dois abraçados.

– Prefiro a Dora de ponta cabeça. Ficou bem mais divertido. – comentei.

– Dá isso aqui ruiva. Você já fez estragos de mais. Minha vez de zoar alguém. – disse o Sirius roubando a máquina da minha mão.

– Volte aqui com isso Sirius. – gritei revoltada correndo atrás dele.

Eu só espero realmente que as fotos que ele tirou enquanto corríamos não ficaram tão pavorosas quanto eu imagino.

– Falto uma do Pedrinho. – comentou o Sirius maldosamente.

E claro que ele tirou bem na pior hora possível.

– Pedro! Diz farofa! – ele pediu sorrindo maldoso.

– Por que você quer que eu diga isso? – ele perguntou com a boca cheia de doces.

– Só diga! – disse o Sirius entediado enquanto segurava a máquina pronta para tirar uma foto do coitado do Pedro.

Não preciso nem comentar que voou doces para todos os lados e quando o Pedro finalmente percebeu o mico que pagou começou a correr atrás do Sirius com as bombas que eles compraram.

Quando eu finalmente iria roubar a máquina de volta para tirar uma foto do Sirius fugindo do Pedro senti uma mão me puxando.

– O que estamos fazendo? – perguntei para o Potter que segurava uma das minhas mãos enquanto a outra estava na minha cintura e me puxava de um lado para o outro.

– Estamos dançando! – ele respondeu rindo.

– Palhaço! – eu disse rindo antes de entrar na brincadeira e passar uma das minhas mãos pelo pescoço dele.

– Sorriam! – escutamos o Remus dizendo segundos antes do clique da máquina fotográfica encher meus ouvidos.

Depois de muitas fotos o tempo já estava ruim e resolvemos voltar para o castelo.

– Que tal um chocolate quente para esquentar? – perguntou a Dora.

– Eu gostei da ideia. – eu disse feliz.

Nada como um chocolate quente para fechar o dia muito bem.

– Gostei do dia de hoje. Poderíamos fazer isso sempre. – comentou a Lene pensativa.

– Nós fazemos isso sempre. – respondeu o Remus sorrindo. – Não se lembra das vezes que ficamos zanzando pelo castelo?

– Mas nunca fizemos isso com uma máquina fotográfica nas mãos. – ela respondeu mostrando as fotos. – Isso aqui ficou muito bom!

– Eu quero essas para mim. – comentou o Potter pegando duas fotos e guardando no bolso.

– Que fotos pegou? – perguntei extremamente curiosa.

– Não vou te mostrar. Você vai querer para você!

– Isso é maldade! – comentei fazendo minha melhor cara de pessoa inocente.

Aproveitamos o resto do dia para conversar e nos distrair. Nada como um sábado sem preocupações e lição de casa.

Para a nossa surpresa domingo amanheceu chovendo e não tivemos muita escolha a não ser ficar na cama até tarde. Só não perdemos o café da manhã por que a Alice tinha combinado de estudar com o Frank e tivemos que nos levantar.

Eu quase cai para trás quando vi os meninos no salão principal já terminando o café dele.

– Pensei que vocês não viriam. – comentou o Remus depois de dar um rápido beijo na Dora.

– Eu não pretendia vir. – comentei dando de ombros antes de pegar uma torrada.

– Alice nos acordou! – comentou a Lene emburrada.

– Quero voltar para a minha cama. – reclamou a Dora.

– Em falar na loira… Cadê a Alice? – perguntou o Sirius.

– Foi se encontrar com o Frank. – respondi sem entusiasmo.

– Deixem esse animo de lado hoje temos algo divertido para fazer. – comentou o Sirius empolgado.

– Sério? – perguntei esperançosa.

– Vamos ver você e o Pontas pagarem mico. – ele respondeu ainda mais animado que antes.

– E por que eu iria pagar mico? – perguntou o Potter parecendo não saber do que o Sirius estava falando.

– Oras! Temos que ensinar vocês a dançar tango!

– Isso só pode ser piada! – comentei.

– Vamos nesse ensaio Remus? – perguntou a Dora fazendo a maior cara de dó.

– Claro que vamos. Como o Sirius disse… Vai ser divertido! – ele respondeu sorrindo.

– Até que a ideia não é nada má. – comentou a Lene parecendo se animar.

– Eu topo. – comentou o Potter dando de ombros.

– Você não pode estar falando sério! – eu disse indignada.

– Se você parar para pensar no que o Sirius disse: “Temos que ensinar vocês a dançar…”, isso significa que ele pretende dançar também, o que garanto que vai me fazer rir.

Vi o Sirius expressar uma careta e a Lene cair na gargalhada.

– Até que eu gostei da ideia. Pensando por esse lado… – eu disse já me animando um pouco. Eu iria pagar um mico, mas o Sirius também iria ter que dançar o que já compensaria a vergonha.

– Não foi isso que eu quis dizer. – ele disse na mesma hora.

– Agora já está dito! – comentou o Potter dando ombros.

– Isso vai ser mais legal do que eu imaginava. Vamos precisar de pipoca e cadeiras confortáveis. – comentou a Dora animada.

– Eu cuido da pipoca e vocês das cadeiras. – disse o Pedro animado.

– Até você Rabicho? – perguntou o Sirius parecendo ofendido.

– Vai ser divertido! – respondeu o Pedro dando de ombros.

Já disse que adoro esses meninos? Pois eu adoro! Eles definitivamente me fazem rir.

Como o Sirius disse não tivemos muita escolha a não ser ir ensaiar, afinal era a nossa melhor diversão por hora.

– Ótimo! Agora é só vocês copiarem os passos do filme. – comentou o Sirius empolgado.

– Sem chance espertinho. Pode puxar a Lene e ir dançar. – comentei segurando o riso diante da careta dele.

– Eu nunca dancei tango. Não vai adiantar eu dançar com o Sirius. – comentou a Lene.

– Então vamos aprender todos juntos. Me recuso a pagar mico sozinha. – comentei com um bico.

– Oras… Mas você vai pagar mico com o Tiago e não sozinha. – comentou a Dora sorridente.

– O Potter não conta. Ele iria pagar mico comigo de qualquer jeito. – comentei.

– Pode os dois levantando daí e vindo dançar também. – disse o Potter para o Sirius e para a Lene. – Dê preferência pode vir junto o casal vinte. – comentou olhando para a Dora e para o Remus que fingiram que não era com eles.

Depois de meia hora de fracasso eu simplesmente desisti de dançar aquele troxo.

– Por que não simplificamos tudo e vamos logo para o ensaio da cena? Eles quase nem dançar… Perdem mais tempo brigando do que dançando. – comentou a Lene já toda descabelada.

– Até que a ideia não é má. – comentou o Potter dando de ombros.

– Ótima ideia! Vão ensaiar! – disse o Sirius autoritário.

– Ninguém merece o seu amigo. – comentei com o Potter.

– É seu amigo também. – ele comentou rindo.

Não tive o que fazer a não ser revirar os olhos.

O Potter e eu pegamos os roteiros e lemos as falas algumas vezes, o que devo dizer, não agradou nossos convidados, foi quando finalmente tínhamos decorado as falas que fomos fazer a parte difícil, dançar.

Nesse meio tempo o Pedro tinha ido arrumar um copo para fazer o começo da cena, Coloquei uma mesa e uma cadeira no nosso palco improvisado e me sentei pronta para a tortura.

– Vamos precisar de lágrimas falsas. – comentou a Dora pensativa quando me sentei e peguei o copo fingindo me acabar de chorar por causa do fim do meu casamento.

– Pensamos nisso depois. – comentou o Sirius.

– Ficaria mais legal se a própria Lily chorasse. – comentou o Remus pensativo.

Esse casal só esta aqui para me irritar?

– Nem vem. Isso é já exigir de mais da minha capacidade. – comentei.

– Certo… Esqueçam as lágrimas. Depois pensamos nisso. – comentou a Lene colocando ordem na coisa toda.

Achei melhor voltar à cena.

Levantei a cabeça devagar assim como o filme para exibir minhas lágrimas pelo marido perdido com uma bela taça na mão, cabelo meio caído no rosto, cena lamentável.

Passado alguns segundos limpei discretamente as “lagrimas” dos olhos.

Logo aparece o Potter de costas ainda para o público colocando um pano no braço como os garçons desses restaurantes caros. Pegou na minha mão delicadamente colocando mais bebida na minha taça, e eu já percebendo de quem se tratava logo sorri.

– Madame! – ele disse enquanto me soltava. – Pensei em vários comentários para esse momento. Pensei em “dar um pulo aqui” e dizer, “Amor, obrigado pelo bolo que me deu.”

– Muito bom! – comentei sorrindo irônica e olhando finalmente para ele. – E o que você decidiu?

– Eu quero divórcio. – ele disse na mesma hora.

– Gostei! – eu disse sorrindo ainda mais. – Pediu minha mão nesse restaurante, isso cria uma bela simetria.

O Potter fingiu tirar o terno e entregar para o metre, pelo menos deveria ser assim, mas como só estávamos nós dois ensaiando… Não tinha metre!

– Posso me sentar? – ele perguntou já puxando a cadeira.

– Não! – respondi convicta, mas ele se sentou do mesmo jeito.

Aproveitei a distração momentânea dele para esconde minha arma no meu colo embaixo de um guardanapo. E ele não foi tão discreto quando jogou o guardanapo para cima para desdobrar, deixou cair na mesa e aproveitou para pegar uma faca e esconde-la também.

Ficamos nos olhando irônicos por longos segundos. Até que um garçom nos interrompe:

– Champanhe senhor? – foi à voz do Sirius perguntando.

– Não, champanhe é para comemorar. Eu quero Martine!

– Nada para mim! – eu disse sem importância.

Esperei até o garçom sair da mesa, aproximei meu corpo da mesa e perguntei:

– O que você quer John?

– Estamos com um grande problema Jane. – ele me disse fazendo o mesmo gesto que eu, nos deixando um pouco mais próximos. – Você quer que eu morra e eu me preocupo cada vez menos com o seu bem estar. – ele disse enquanto eu ainda continuava sorrindo achando graça de tudo aquilo. – O que faremos? – ele me perguntou por fim. – Mandamos ver aqui mesmo? Salve-se quem puder?

– Iria ser uma pena, pois acho que eles iriam me mandar sair do restaurante depois que você morresse. – eu disse antes de aumentar ainda mais o meu sorriso.

– Dança comigo? – ele perguntou me surpreendendo.

Depois de pensar rapidamente sobre o assunto fui obrigada a dizer:

– Você não dança!

– Era parte do meu disfarce querida. – ele me respondeu me deixando irritada.

Ele se levantou e já estendeu a mão para mim. Dei a mão para ele é claro.

– A preguiça também era? – perguntei me referindo ao disfarce e tentando estar por cima naquela situação toda.

Mal demos dois passos para a pista e ele logo apertou a minha mão com força.

Exclamei um “Aí” involuntário enquanto continuávamos caminhando. Não preciso dizer que ele me puxou bruscamente para junto dele enquanto mantinha um braço na minha cintura e a outra mão segurando firmemente a minha.

Começamos a dançar finalmente!

– Acha que essa história vai ter um final feliz? – ele me perguntou.

– Só histórias que não acabaram tem finais felizes. – respondi.

Continuamos dançando, e essa era eu dançando e pisando desastrosamente nos pés do Potter.

Até é claro que ele me jogava contra uma parede, não sem parar de dançar é claro.

Assim que me recuperei da dor nas costas ele me puxou violentamente par junto dele para podermos continuar a dançar.

Depois que ele me girou no ar e me inclinou para trás aproveitou para passar a mão nas minhas costas e pernas procurando uma arma.

– Satisfeito? – perguntei quando ele fez uma cara de decepção.

– Nem um pouco. – ele disse me levantando e tirando minha faca que estava pressa na perna a jogando para o outro lado do salão.

Aproveitei para fazer a mesma coisa e tirar as possíveis armas que ele tinha.

Devo dizer que foi uma cena não muito agradável quando tive que descer a mão pela barriga dela e depois pela perna.

– Isso aí é o Júnior. – ele respondeu com uma cara safada.

Já disse que odeio essa parte do filme? E olha que costumava ser uma das minhas preferidas.

Demos mais uma volta enquanto dançávamos e me joguei no chão, não iria deixar quieto aquilo. E claro que tirei uma arma que ele tinha pressa no tornozelo e a jogando longe.

Ele me puxou para cima ainda sem sair do ritmo da música, ou pelo menos tentando não sair do ritmo.

– Por que será que não deu certo? – perguntei. – Por que tínhamos vidas secretas ou foram às mentiras que acabaram com tudo?

– Eu tenho uma teoria. – ele disse pensativo. – Bem recente…

– Mal posso esperar para ouvir. – comentei.

– Você nos matou! – ele disse sem rodeios.

– Que provocante. – brinquei.

– Encarava o nosso casamento como um trabalho, como uma coisa para ser entendida, planejada e executada.

– E você o evitou! – respondi irritada.

– Por que se importa? – ele me perguntou presunçoso. – Foi só um disfarce.

– Quem disse que foi só um disfarce? – perguntei sem sincera.

– E não foi? – ele perguntou na dúvida, mas ainda mantendo o sorrido irônico.

– E se não foi? – perguntei sem importância.

Aos poucos nos separamos e depois de alguns minutos nos encarando eu perdi a coragem.

– Eu preciso… – comecei a dizer já indo rápido para o outro lado. – Com licença. – ai eu já estava correndo.

– Lá em cima não tem saída Jane. – ele me disse quando viu que eu corria para as escadas.

Não dei importância e continuei a subir.

– Fica frio John. Ela é mentirosa. – ele disse para si mesmo enquanto me observava subir as escadas. – Fica bem frio.

Nessa parte algumas mulheres deveriam sair correndo de onde eu estava que já não era no palco, teoricamente estava no banheiro feminino.

Depois disso deveríamos ter algumas mulheres gritando e logo em seguida uma explosão.

Em meio ao pânico dos outros fregueses do restaurante as luzes iriam diretamente para o Potter sorrindo animado e depois mostrariam as pessoas correndo para fora do lugar. Enquanto o Potter me procurava na multidão.

As luzes iriam para mim depois de alguns segundos, que caminhava calmamente para a saída do prédio olhando fixamente para o Potter que estaria irritado ao pé da escada onde eu havia subido.

Assim que ele tivesse me visto sairia correndo para multidão e enquanto corria o cenário seria substituído para o da rua movimentada e as pessoas ainda correndo para fora do restaurante.

Ele iria procurar desesperadamente pela rua lotada de pessoas até que um homem iria falar com ele:

– Você esta fazendo tic-tac.

O Potter começa a procurar alguma coisa na roupa desesperado. Arranca o paletó, coloca em uma caixa de correios e começa a gritar na rua:

– Afastem-se. Todo mundo para trás. – para logo em seguida a mini bomba que eu tinha colocado no palito dele explodisse.

– Limusine senhor? – perguntou um rapaz que assistia a confusão.

O Potter aceita, mas de um jeito diferente. Abre a porta do motorista desesperado e arranca o homem do volante o jogando no chão liga a carro e finalmente fim da cena!

– Eu definitivamente odeio tango! – eu disse quando finalmente o ensaio terminou, junto com toda a nossa manhã e metade da nossa tarde de folga e claro, junto com os pés do Potter.

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sobre Vanessa Sueroz

Autora dos livros Confusões em Paris, Minha última chance, Odiado Admirador Secreto, Presente de Aniversário, Eu te amo mais e Três Botões.


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