Rosas – Cap 1 1


Dia T

Tudo começou naquele dia lindo e maravilhoso. Um dia de muito sol. Os pássaros cantavam, o vento balançava as árvores, as nuvens no céu estavam branquinhas como algodão, e eu estava incrivelmente feliz…

Tudo bem, agora voltando à realidade. Toda essa história aconteceu naquele dia incrivelmente horrível, horrível mesmo! Certo… Não vamos ficar chamando a porcaria do dia de “dia terrível” ou “o pior dia da minha vida”, podemos chamar só de “dia t”, T de terrível obviamente.

Para começo de conversa o dia não estava nada bonito, alias, ele estava era bem frio, e eu detesto o frio, meu nariz fica vermelho e todo mundo gosta de me chamar do nome daquela rena do papai Noel.

Tudo bem vai… Confesso, o frio é muito gostoso, principalmente para ficar na frente da lareira não fazendo nada, mas sendo amiga dos marotos o mínimo que se pode esperar de um dia frio são piadas sobre o meu nariz vermelho e minha pele branca como papel.

Enfim, em um dia terrivelmente frio, a neve caía do lado de fora e nós estávamos todos aglomerados em frente à lareira. Quando digo nós, quero dizer a Lene, a Dora e os meninos, Remus, Pedro, Sirius e o Potter.

Não me pergunte como virei amiga daqueles delinquentes juvenis, eu só me vi amiga deles quando minhas amigas lindas, maravilhosas e completamente sem cérebro se apaixonaram por dois deles, Remus e Sirius. E claro, porque por força maior o Potter se tornou monitor chefe junto comigo no começo do ano e infelizmente tivemos que forçar nossa convivência até que um de nós jogasse a toalha branca e se rendesse.

Eles são conhecidos como “Os marotos” aqui no castelo, o que devo dizer, foram eles mesmos que inventaram e a moda pegou. Eles se dizem marotos por serem os mais populares da escola, mas eu interpreto marotos como baderneiros, maloqueiros, desrespeitadores de regras, delinquentes juvenis. As meninas da escola acrescentariam os adjetivos lindos e gostosos na minha lista, não que eu não concorde, só pode falar isso perto deles, já que o ego deles pode explodir a qualquer momento de tão grande que já está.

Acho que ninguém realmente vai entender logo de cara porque aquele dia foi tão terrível, quem sabe me entendam quando eu terminar a minha história? Ou talvez nem assim entendam! Enfim, eu não sou geralmente tão confusa assim, mas é que aquele dia acabou com o meu pensamento lógico, e com tudo que eu pensava ser certo e errado. Estou ficando louca?

Se alguém entender antes da minha história chegar ao final… Parabéns você é um gênio, porque como diz o Sirius, a LordSith aqui só descobriu tudo quando a Lene me contou. Pelo menos eu entendi quando a Lene me contou. E o James que não entendeu até hoje…

LordSith é como o Sirius me chama às vezes… Não entendi muito bem e nem sabia que ele conhecia Star Wars, mas na cabeça oca do Sirius ele imagina que o Lado da Luz são eles, os marotos, sempre se divertindo e cabulando aulas, e o lado negro, seriamos nós, nerds. E de acordo com a mente doentia do meu amigo, o Remus é o Darth Vader, por ser o carinha do mal que tenta levar ele e o James para o mundo dos nerds, e como ele diz que eu sou a nerd mor dessa escola eu sou o LordSith… Enfim… Impossível entender a cabeça do Sirius, principalmente se você não é uma pessoa fanática por Star Wars.

Mas vamos esquecer um pouco as maluquices do Sirius e nos concentrar na minha história. Para que todos possam entender porque aquele dia foi tão horrível vou ter que começar a contar minha história um pouco antes, alias, no dia anterior, ou melhor, ainda a noite anterior, que estava também bem gelada e todos nós estávamos sentados na frente da lareira já que o Sirius tinha expulsado todos os alunos mais novos de lá.

– Eu disse que iria conseguir o melhor lugar do salão sem problemas. – comentou o Sirius com o seu melhor sorriso cínico.

– Não precisava ter expulsado todo mundo daqui. – comentou a Dora incrivelmente envergonhada já que todos os alunos nos olhavam de canto de olho com a cara emburrada.

– Eu não expulsei todo mundo. Eu deixei vocês ficarem aqui. – ele comentou sorrindo ainda mais.

– Sirius fica quieto ou vamos ser obrigados a trancar você no armário. – comentou a Lene revirando os olhos irritada.

– Vocês não fariam isso. Eu sou a alma da festa! – ele disse convencido e com um sorriso enorme.

– Coitado! Tão novo e já delirando! – comentou a Lene maldosa.

– Lily, sua amiga está judiando de mim. – reclamou o Sirius com um bico enorme se jogando no meu colo e quase me esmagando.

– Lene, não seja má com o seu irmão e pare de falar besteiras! Ninguém vai trancar meu bebê no armário. – respondi séria entrando na brincadeira.

– Papai… A mamãe gosta mais do pentelho do Sirius do que de mim.

– Como você é má Lene. – comentou a Dora segurando o riso.

– Sua mãe gosta igualmente dos dois, filha. – respondeu o James sorrindo.

– James eu acho que você vai ter que colocar seu filho em um colégio interno. – comentou o Remus apontando discretamente para o Sirius

– Não contem para ele, mas ele é adotado! – comentou o Potter fingindo sussurrar.

– Eu disse que você não era meu irmão de verdade. – comentou a Lene vitoriosa.

– James! Pare de falar mentira para as crianças! – eu disse revoltada.

– Desculpe querida, mas não me contive. – ele respondeu antes de todos nós começarmos a rir.

– Que aulas têm amanhã, Red? – me perguntou o Sirius depois que paramos de rir.

Alguém além de mim percebeu que o Sirius adora dar apelidos para todo mundo? Antes eu pensava que era só comigo, mas descobri que comigo só é pior do que com os outros, mas todos… Repito, todos têm apelidos e obviamente tivemos que inventar um para o Sirius. Os meninos o chamam de Almofadinhas, eu particularmente não gosto desse apelido, não tem nada haver com nada. O James disse que é porque o Sirius é metido e tudo mais, mas sinceramente não é um apelido nada legal e intuitivo.

O Sirius colocou apelido em todo mundo, o James além de Jay, que é como nós meninas o chamamos, o Sirius inventou de chamá-lo de Pontas. Tudo bem que faz sentido, já que o cabelo dele sempre está todo para cima, pelo menos foi a explicação que o James nos deu. O Sirius disse que é Pontas porque o James tem muitos chifres. Eu sinceramente não acredito que as meninas traiam muito o James, alias, como vão trair se ele não namora sério?

Enfim, o Pedro, os meninos o chamam de Rabicho, mas não me pergunte porque eles nunca conseguiram explicar direito e eu nunca entendi nada.

O Remus além de Darth Vader é chamado também de Aluado, outro apelido bem simples e fácil… O Remus sempre vive perdido em pensamento, nas palavras do Sirius “no mundo da lua”, então surgiu Aluado.

A Dora algumas vezes que queremos irritá-la chamamos a coitada de Ninfa, e Dora por si só já é um apelido bem carinhoso se for parar para pensar no nome horrível que a mãe dela colocou na coitada.

A Lene não tem muito que falar. Todo mundo a chama de Lene, o Sirius para perturbar às vezes chama a coitada de beijoqueira, mas nós nunca a chamamos assim com medo de uma morte iminente.

No meu caso as coisas sempre são um pouco piores, não estou sendo dramática nem nada, mas eu acho que sou a pessoa que tem mais apelidos chatos nesse castelo.

Red é como os meninos muitas vezes me chamam, esse é bem fácil de explicar, a cor do meu cabelo fica bem óbvia. Tem o apelido de LordSith, Cabeça de fósforo, que particularmente eu detesto, Anã, outro que eu nem preciso falar, não é? E tantos outros como, por exemplo, Ruiva, Ruivinha, Lírio, esse foi o James que inventou, não sei onde o infeliz leu que meu nome significa lírio, ai já era! Ele cismou com a flor. Além dos óbvios como Lily e Lil que esses já fazem parte da minha vida desde… Bom… Desde sempre eu acho.

– Não me lembro bem a ordem, mas tem DCAT, feitiços, Adivinhação e poções. – comentei dando de ombros.

– Odeio a maioria dessas aulas. Acho que vou fingir estar doente amanhã. – comentou o Sirius pensativo.

– Nem vem Sirius, semana passada você já inventou estar doente. Não vai dar muito certo dessa vez. – comentou a Dora pensativa.

– Talvez o Pontas possa fingir estar doente e eu vou precisar faltar para cuidar dele. – sugeriu o Sirius novamente.

– Você vai gostar de ficar cuidando do James? Que amigo dedicado. – comentou a Lene maliciosa.

– Ok! Vocês venceram. Uma das duas vai estar doente amanhã. – ele disse olhando de mim para a Lene.

– Eu não vou perder aula. – eu respondi na mesma hora.

– Eu não vou mentir só para você poder ficar sem ir às aulas. – comentou a Lene dando de ombros.

– As duas são muito chatas! – reclamou o Sirius emburrado.

– Elas só estão sendo responsáveis Almofadinhas. – comentou o Remus sabiamente.

É por causa desses comentários fofos que eu adoro o Remus, alias, não adoro o Remus só por isso. Ele é fofo e isso qualquer um pode ver, atencioso com todos e extremamente responsável, tudo bem que eu acho que ele tem TPM já que uma semana por mês ele fica com um mal-humor horrível, isso quando algum parente dele não fica doente e ele some, eu particularmente não acredito em parente doente, eu acho que tem alguma coisa a mais por trás disso.

Tudo bem vai! Confesso! Eu sei o segredo dele e entendo perfeitamente por que ele não me contou. Não que eu não quisesse que ele me contasse, mas entendo perfeitamente porque não me contou.

O Remus é aquele cara perfeito, lindo, atencioso e educado. Sabe aquele rapaz que sua mãe pediu a Deus para genro? Esse é o Remus, tirando o probleminha dele, mas tirando isso a mãe da Dora tem sorte porque vai tê-lo como genro, eu espero que tenha. Vai ter assim que a Dora criar coragem e ir lá falar com ele, porque, convenhamos, o Remus é um perfeito cavalheiro e nunca iria vir tomar a iniciativa senão tivesse certeza que é correspondido.

Tudo bem que o castelo inteiro sabe que a Dora cai de amores por ele, mas parece que tenho que adicionar uma característica a mais nele, ele é totalmente cego quando se trata de mulheres. Sério! Claro que já vi o Remus com algumas meninas, mas nada nunca era sério e elas que na maioria das vezes pediam para sair com ele, nas outras vezes os meninos davam uma ajuda.

– Ouviu o que ele disse Sirius? Escute a voz da razão. – comentou a Lene.

– Lene, querida, você é tão ingênua. O Aluado só fala essas coisas para impressionar vocês do sexo feminino. – comentou o Sirius dando de ombros.

– Você não queria que eu quisesse impressionar o publico masculino, não é? – perguntou o Remus.

Acho que essa é uma frase que a pessoa pensa… “A Lily disse que ele é todo certinho, mas pessoas certinhas assim não falam isso para o amigo.”

Concordo, mas o Remus não é considerado um maroto a toa, não é?

Não se enganem, ele é tudo que eu falei e mais um pouco, mas o Remus tem ótimos professores. É impossível andar com James e Sirius e não ser um baderneiro às vezes, ou ter boas respostas para perguntas e observações críticas como a que o Sirius fez.

– Não me importa que você seja gay Aluado. Só acho feio você ficar iludindo as meninas assim. E, claro, que se lembre que eu gosto é de mulher. – respondeu o Sirius sorrindo.

– Não tenho culpa se você e o James têm um caso escondido e usam as meninas como fachada para que ninguém perceba. – respondeu o Remus com um sorriso perverso no rosto.

– James eu nunca pensei que você fosse do meu time. – comentou a Dora perplexa.

– Como é que eu sempre vou parar na discussão de vocês? – perguntou o James emburrado.

– Casais na maioria dos casos são considerados uma única pessoa. – comentou a Lene séria.

– E o que isso tem haver? – perguntei sem entender para que ela falou isso.

– O Jay perguntou por que o nome dele sempre aparece quando o Sirius está brigando com alguém. – ela respondeu dando de ombros.

– Não tenho culpa se o Sirius tem uma queda por mim como todas as mulheres desse castelo. – ele respondeu dando de ombros. – Desculpe Almofadinhas, mas seu sentimento não é recíproco.

Esse foi James e seu ego gigantesco! Preciso mesmo falar que ele se sente? Não sei como esse menino foi criado, mas tenho a ligeira impressão que a mãe dele repetiu demais para o coitado que ele é lindo, mas acho que alguém se esqueceu de informar ao Jay que as mães sempre mentem quando se trata dos filhos.

Não estou dizendo que minha mãe é uma mentirosa ou qualquer coisa do tipo. Só estou dizendo que ela mentia quando dizia que se eu saísse de casa sem guarda-chuvas iria chover, se eu deixasse para fazer a lição na ultima hora não faria que se mentisse para eles meu nariz iria crescer, que bruxos não existem, e coisas do tipo.

Alias, isso de bruxos não existirem foi à pior mentira do mundo, principalmente quando eu conheci o Severo e descobri que sou uma bruxa.

E como eu pude me esquecer dele? Severo é, ou melhor, foi meu melhor amigo desde os dez anos de idade até ano passado quando finalmente tive que tomar uma decisão e me afastar dele, afinal tínhamos tomado caminhos diferentes.

Severo é um rapaz bem tímido e tem muitos problemas em casa e por isso acabou escolhendo o caminho errado. Tentei realmente trazê-lo para o caminho certo de novo, ou o que eu vejo como caminho certo, mas infelizmente não tive sucesso.

Nos conhecemos no parque perto de casa quando eu consegui fazer uma magia involuntária e minha irmã e eu ficamos horrorizadas, até que ele me explicou sobre esse mundo e sobre o que eu era realmente.

Viramos grandes amigos na escola mesmo ele indo para a casa inimiga da minha e todos os meus amigos odiando ele e os amigos dele, e devo acrescentar que o sentimento era recíproco pelos amigos dele que também me detestavam e detestavam ainda mais todos os meus amigos.

Severo era atormentado pelos marotos até ano passado também, quando James o “forçou” a falar o que queria sobre mim, ou melhor, forçou ele a escolher entre seus amigos e a mim, e não tenho orgulho de dizer que ele escolheu seus amigos. Claro que ele tentou concertar tudo depois, mas eu já não aguentava mais tudo aquilo, ainda gosto dele é claro, mas infelizmente não podemos mais ser amigos.

Depois daquele dia começamos aos poucos a conversar com os marotos e eles aos poucos também foram deixando o Severo em paz.

– Como assim? – perguntou o Sirius com o maior drama. – Pensei que você me amasse de verdade. Então você estava mentindo para mim esse tempo todo?

– Eu tinha medo de te magoar, mas não tenho mais como esconder de você. Estou tendo um caso com a Dora. – comentou o James fazendo todo mundo olhar para a Dora.

– Jay querido, não era para contar assim. Tínhamos combinado de contar para ele aos poucos. – ela disse sorrindo gentil.

– Não acredito que você esta me traindo com essa maluca de cabelo rosa! – disse o Sirius à beira das lágrimas.

Devo mesmo dizer que eles adoram fazer uma cena?

– Prefere meu cabelo de que cor? Azul talvez? – perguntou a Dora mudando a cor do cabelo.

Dora é maluca e isso é um fato, mas além de tudo ela odeia o cabelo preto dela. Ela diz que preto é uma cor muito sem graça e, desde que aprendeu a mudar a cor do cabelo com magia, ela sempre esta mudando a cor para combinar com a roupa dela e, detalhe, são sempre cores malucas como rosa, roxo, azul, verde e coisas assim. Ela nunca coloca uma cor normal como loiro ou ruivo, ou até mesmo castanho.

– Eu prefiro o verde! – comentou o James.

– Acho que o roxo ficou mais legal! – comentou o Sirius pensativo já esquecendo toda a encenação de antes.

– Eu acho que o loiro vai ficar muito bom. – comentou a Lene.

– Nem vem Lene. Você sempre tenta fazer com que meu cabelo fique loiro. – reclamou a Dora.

– Claro. Eu gosto! – ela respondeu dando de ombros.

– Acho que seu cabelo natural fica bem melhor. – comentei dando de ombros.

– Vocês duas são tão chatas! – ela disse frustrada.

Ficamos ali conversando até que todos ficarem entediados. Tudo bem… Até que eu ficasse entediada. Simplesmente peguei meu livro e tive que ficar lendo. Sabe como é… Pessoa viciadas em livros como eu não conseguem ficar muito tempo longe deles. Alias, eu sou o tipo de pessoa que leva o livro para todos os lugares mesmo que eu saiba que não vá ler.

Isso não é doentio! Sei que o Jay e o Six dizem isso o tempo todo, mas levar o livro para o campo de quadribol quando tem jogo da Sonserina e da Grifinória não é loucura é só prevenção… Vai que o jogo fica chato e eu não tenha nada para fazer? Vai que eu preciso ir para a enfermaria ficar horas do lado de fora para ter noticias se o Sirius ou o James ainda estão vivos? Livros nessas horas são insubstituíveis.

– Red, quer lagar essa porcaria e prestar atenção na conversa? – pediu, ou melhor, mandou o Sirius.

– Não, obrigada! O livro está bem interessante. Estou na parte que a menina acha que o rapaz não gosta dela e…

– Não queremos saber a história do livro. Já basta o Aluado. – comentou o Pedro entediado.

– Mas o livro é legal! – eu me defendi.

– É sobre quadribol? – perguntou o Jay.

– Claro que não é sobre quadribol. È uma comédia romântica. – eu disse frustrada.

Odeio quando eles falam sobre quadribol! Jay não tem outro assunto quando estamos conversando. Tudo bem vai. Ele não é tão chato, ele só fica falando de quadribol quando o grupo está todo junto… Sabe como é… Sirius está por perto e quando os dois se juntam…

Quadribol é o pior esporte que já inventaram. Ele vicia os homens e até algumas meninas insanas como as minhas amigas, acaba com o bom humor dos meus amigos e me faz ficar horas na porta da enfermaria só para saber se eles ainda estão vivos.

Não é exagero! Poxa, esse dois vivem na enfermaria! Se é dia de jogo pode apostar que no final do dia eu estarei na porta de enfermaria preocupada e os dois, ou pelo menos, um deles estava em uma maca todo quebrado.

Se você é daquelas pessoas que pensam que o futebol ou vôlei ou qualquer outro jogo do tipo é perigoso, é porque você nunca assistiu um jogo de quadribol, muito menos SonserinaXGrifinória. O jogo é… Tenso! Literalmente tenso. Tem sempre alguém quebrando o braço, caindo da vassoura, costelas quebradas e coisas do tipo.

Acho que o Sirius e o Jay são todos remendados! Será que eles sem camisa parecem o Frankstein?

O que? É uma dúvida muito séria já que eles vivem quebrando todos os ossos do corpo o tempo todo. E não… Eu nunca vi nenhum dos dois sem camisa, não completamente… Já vi o Sirius secando o rosto suado com a camiseta e deixar à barriga a mostra, mas devo acrescentar que achei aquilo bem nojento, ao contrário da Lene claro.

– Por que mulher gosta dessas coisas? – perguntou o Sirius inconformado.

– Porque são legais! – eu respondi confiante.

– Não são legais Lily, elas são chatas e tediantes. – respondeu o Sirius dando de ombros.

– Sirius Black, você nunca leu uma comédia romântica para saber se é boa. – eu disse irritada.

Mentira! Eu não estava irritada, só estava tentando provocar o Sirius. Eu definitivamente adoro perturbar o Sirius.

– Eu tenho certeza que é chato. Não preciso ler para saber. Esses livros fazem vocês mulheres terem ideias erradas de como é um homem de verdade. E garanto que homens de verdade não ficam por ai dizendo a palavra com “A”.

– Homens de verdade dizem a palavra com “A” o tempo todo mesmo que não seja verdade. – comentou o Pedro.

– Homens de verdade nunca sentem a palavra com “A”, exceto em algumas ocasiões pela sua própria mãe. – completou o Sirius.

Já disse que o Sirius é uma daquelas pessoas que odeia até o sobrenome só por causa da família dele? Esse é o Sirius! A família dele é toda do mal e adora os bandidos, e nós como bons mocinhos precisamos nos unir. Brincadeira!

– Qualquer pessoa pode sentir qualquer sentimento, sendo homem ou mulher. Homens de verdade aceitam seus sentimentos e não tem vergonha deles. – comentou o Remus poeticamente.

Já disse que adoro esses comentários do Remus?

– Você concorda comigo, não é Pontas? – perguntou o Sirius ignorando o Reminho.

– Obvio que não. Concordo com o Remus. Tem que ser muito homem para admitir estar apaixonado. – ele comentou dando de ombros.

O Jay às vezes fala umas coisas bonitas. Acho que ele não fala com mais frequência por que não tem em quem se inspirar. Será que ele já se apaixonou de verdade?

Tudo bem que todo mundo diz que ele era apaixonado por mim, mas isso é passado, foi quando ele não me conhecia o suficiente para saber o quanto eu sou maluca. Depois que viramos monitores juntos obviamente ele viu que estava iludido pensando que eu era uma pessoa perfeita e tudo mais, aí desistiu.

– Eu proponho que o senhor Black leia o livro meloso da Lily. – comentou a Lene pensativa.

– Senhor Almofadinhas, por favor. Odeio esse nome. – ele comentou com uma careta.

Como eu disse, o Sirius odeia a família dele tanto que não suporta nem o nome. Eu nunca pensei que pudesse existir alguém que odiasse a família tanto assim, até conhecer o Sirius.

Basicamente ele foi adotado pela família do Potter quando fugiu de casa, e até onde entendi o Sirius só gosta de uma prima rebelde que fugiu para casar com um trouxa.

Sem sombra de dúvidas a família do Sirius é asquerosa. Se você acha o contrário é por que não conheceu Regulus, Belatriz, Narcisa e companhia e, se não conheceu, reze para nunca conhecer.

– Mas topa o desafio da Lene? – perguntou a Dora.

– E por que eu leria essa coisa horrível? – ele perguntou apontando para o meu livro.

– Não é horrível! – eu disse irritada. – Jay fale para ele que meu livro lindo e maravilhoso não é horrível! – pedi com um bico enorme.

O que? Alguém aqui tem que me defender do Sirius, não é? E quem melhor do que meu salvador da pátria James Potter?

– Sirius, pare de implicar com a Lily. Os livros dela não são terríveis. – disse o James sorrindo para mim.

Viu como ele é fofo? Por isso que eu adoro o Jay.

Acho que já disse isso antes… Enfim! Eu adoro meus amigos malucos e fofos, tirando o Sirius que não é nem um pouco fofo, ele é bem mais maluco para compensar.

– Não são terríveis porque eles a fazem ficar quieta quando você quer ler sobre quadribol no salão dos monitores. – comentou o Sirius.

O que? O Jay só gosta dos meus livros porque eu calo a boca? Magoei!

– O que? Não acredito! – eu disse inconformada.

– Sirius, pare de distorcer as coisas que eu falo. – pediu o James impaciente.

– Então o que você disse? – perguntei revoltada.

– Eu disse que quando você está lendo eu aproveito para ler as noticias de quadribol já que você não vai falar comigo nem gosta quando eu vejo quadribol.

– Ou seja, quando você fica quieta e deixa ele fazer o que gosta. – comentou o Sirius maldosamente.

– Ninguém merece mulher que não fica quieta. – comentou o Pedro.

Até o Pedro? E desde quando o Pedro larga a cozinha para arrumar uma namorada?

– E quando foi que você arrumou uma namorada para saber disso? – perguntou a Dora me ajudando.

– Eu namoro às vezes. – ele comentou emburrado.

– Não na escola é claro. – comentou a Lene segurando o riso.

– Namoro na escola pode atrapalhar os estudos. – comentou o Pedro cético.

– Ou porque você não conseguiu ninguém no castelo. – comentou o Sirius rindo.

– Não é bem assim. Teve a Aninha da Lufa Lufa. – disse o Pedro decidido a terminar a história.

– Vocês não namoraram. Você só a levou para o baile e lá os dois se separam já que ela queria dançar e você queria ficar sentado. – comentou o Remus.

– Por que a conversa chegou a mim quando estávamos falando como o Pontas não suporta a Lily falando? – perguntou ele desviando o assunto.

– Viu como eles distorcem tudo que eu falo? – me perguntou o James.

– Sei… – respondi emburrada para fazer um doce.

James é fofo, mas não posso simplesmente aceitar as coisas que ele faz e nem fingir que não gostei, não é? Vai que ele acostuma e deixa de ser tão fofo!

– Voltando ao assunto. Você vai ler o livro Sirius? – perguntou a Lene.

– Óbvio que não. O que eu vou ganhar com isso? – ele quis saber.

– Que quando você disser que os livros da Lily são ruins ninguém vai poder discordar. – disse a Dora dando de ombros.

– Ainda não estou convencido. – ele disse pensativo.

– Sirius leia logo. Aposto que você vai gostar. – eu disse animada.

– E como eu vou saber se é legal? – perguntou o Sirius desconfiado. – Posso desistir se for ruim?

– Lendo! – respondi com pouca paciência.

– Não sei não Lil. – ele disse pensativo.

– Senta a bunda nessa cadeira e lê logo! – respondi irritada.

Às vezes alguém tem que ser o adulto por aqui!

– Já que você foi tão delicada assim… – ele disse puxando o livro da minha mão. – Mas não garanto gostar.

– Você vai gostar! – eu disse confiante.

– Você é confiante de mais às vezes. – ele disse indo para a minha poltrona. – Agora já pode sair daí. – ele disse parando e me imitando batendo o pé no chão.

– E por que eu sairia do meu lugar? – perguntei levantando a sobrancelha.

– Oras… É o melhor lugar do salão no inverno e se eu vou ser obrigado a ler essa porcaria eu quero no mínimo me sentar no melhor lugar.

– Exatamente por ser o melhor lugar que ele é meu. – eu disse revirando os olhos.

Até parece que eu vou dar o meu lugar para Sirius só para que ele crie vergonha na cara e leia o meu livro.

Eu sei que é o melhor lugar, mas não tenho culpa se eu cheguei aqui primeiro. Só porque é uma poltrona de um lugar só bem ao lado da lareira? E só porque eu posso ficar deitada aqui na maior folga?

Foi perdida em pensamentos que eu escutei a voz distante do Sirius:

– Segura isso para mim um minuto.

E como ele adora me irritar eu senti um dos seus braços passando nos meus joelhos e o outro nas minhas costas para logo em seguida sentir meu peso saindo do sofá e foi quando percebi que o Sirius estava me carregando não tão delicadamente para fora do meu sofá.

– Onde você pensa que está me levando? – perguntei cruzando os braços no peito emburrada e fazendo a minha melhor cara de “eu vou te matar”.

– Estou te tirando do meu lugar. – ele respondeu sem dar importância a minha cara do mal.

Minha cara do mal dá medo em todo mundo, ou pelo menos deveria dar, por isso que eu chamo de cara do mal, é que ela serve para assustar as pessoas e fazerem a minha vontade, mas infelizmente nem sempre dá certo.

– Pontas eu nunca te dei um presente, agora estou te dando a Red. Faça bom proveito. – disse o Sirius me colocando no colo do James.

Quem é que não adivinhou que ele iria fazer isso? Às vezes o Sirius é tão previsível.

– Você sempre me dá presente no meu aniversário. – comentou o James dando de ombros.

– Se não quiser a Red eu dou ela para o Aluado. – disse o Sirius me pegando de volta.

– Deixe ela aqui Sirius. – pediu o James fazendo o Sirius me colocar de volta no colo do James.

– Pode me devolver, Lene. – pediu o Sirius pegando meu livro com a Lene e indo se sentar na minha poltrona.

– Está confortável aí, Lil? – me perguntou a Lene rindo.

– Na verdade nem tanto, o Jay é um pouco magro de mais. – cometei fingindo cochichar para ela.

– Magro? – perguntou a Dora rindo.

– Eu ouvi ironia aí? Está me chamando de gordo? – perguntou o James parecendo revoltado.

– Não… Só estou discordando da Lily. Você não é tão magro assim. – ela comentou na defensiva.

– Muito menos gordo. – comentou a Lene sorrindo. – Eu diria que é gostoso. – ela completou maliciosa.

– Lene, sua tarada! – eu disse revoltada.

Para quem não conhece a Lene ela é bem atirada. Ela simplesmente fala o que quer para os meninos, por mais constrangedor que possa parecer.

Já a Dora é acanhada de mais, não tem nem coragem de dizer que eles estão bonitos ou coisa parecida, alias, ela sofre para dar um beijo no rosto deles às vezes.

Como vocês podem ver eu sou a única normal por aqui.

– A ruivinha não acha. – comentou o James parecendo chateado.

Eu sei que ele estava fingindo, mas não custa nada fingir que acredito.

– James meu amor, suas pernas são puro osso. Claro que não posso dizer o mesmo dos seus braços por causa do quadribol, mas sugiro que você comece a andar mais a pé e deixar a vassoura no dormitório. – comentei sorrindo toda simpática.

– Acho que você acabou de levar um fora! – disse o Remus rindo.

– Como assim minhas pernas são magras? Você não pode falar nada sua magrela. – ele me disse revoltado.

– Não deixa hein Lil. – comentou a Lene colocando lenha na fogueira.

– Não sou magrela! – eu disse revoltada.

– Você não tem carne. – ele disse pegando na minha barriga.

– Isso é bom! Pelo menos não sou gorda! – eu disse revoltada.

– Mas não tem onde pegar! – reclamou o James novamente.

– Melhor do que ter coisa sobrando. – comentei e logo escutei a Dora rindo.

– E onde eu estou sobrando? – perguntou o James revoltado.

Achei melhor parar com a brincadeira antes que o James começasse a levar a coisa mais a sério, então cortei logo o assunto.

– No cabelo é claro. – respondi piscando para ele.

– Nem vou responder senhorita Evans. – ele comentou sorrindo travesso.

Eu adoro quando ele sorri assim, principalmente quando estamos brincando, porque esse sorriso significa que tudo está bem, melhor do que bem.

– Acho que depois dessa confusão toda eu vou dormir um pouco, sabe como é… Amanhã infelizmente tem aula. – comentou a Dora já se levantando.

– Eu vou com você Dora. – comentou o Remus categoricamente fazendo obviamente a minha amiga corar.

– E lá vão os dois pombinhos namorarem escondidos. – comentou a Lene depois que os dois sumiram de vista.

– Nem todo mundo é como você Lene. – alfinetei.

– Realmente, tem pessoas como você e o James que fazem as safadezas publicamente. – ela comentou sorrindo debochada.

– E o que estamos fazendo de mais? – perguntou o James sem entender.

Coitado! Ele nunca entende as indiretas da Lene. Alias, acho que homens no geral não entendem indiretas, alguns homens nem mesmo diretas eles entendem.

– Se agarrando no sofá é claro. Eu sou inocente sabe… Não posso ver essas coisas. – ela comentou fingindo tampar os olhos com as mãos.

– Não estamos fazendo nada de mais. O Sirius que me colocou aqui quando roubou o meu lugar. – reclamei.

– E você muito esperta ainda não saiu daí. – respondeu a Lene maldosa.

Precisa me lembrar disso?

– Acho que essa foi a deixa para que eu fosse dormir também. – eu disse inconformada.

O que? Eu não tinha resposta para ela. EU sei que o James diz que eu sou a pessoa que sempre tem uma reposta criativa na ponta da língua, mas não é bem assim que as coisas funcionam. Queriam que eu falasse o que? Melhor tirar o corpo fora enquanto ainda me resta dignidade.

– Dá para o “trio parada dura” ficar quieto? Eu sinceramente estou tentando ler um pouco. – comentou o Sirius irritado.

– Acho que ele está de mal humor. – comentei com o Jay.

– Ele está sempre de mal humor. – respondeu meu amigo rindo.

– Eu escutei seu chifrudo. – respondeu o Sirius ainda emburrado.

– Era para escutar saco de pulgas. – respondeu o James rindo.

Eu já disse que não entendo por que esses meninos se chamam assim? Chifrudo e saco de pulgas não são apelidos lá muito carinhosos e muito menos alguma coisa intuitiva como Red, por exemplo.

– Vou para o salão de vocês. Não dá para se concentrar com vocês falando o tempo todo. – ele disse emburrado.

– E depois eu que sou mal humorada. – eu cochichei para o James.

– E como você vai entrar no salão se mudou a senha? – perguntou a Lene debochada.

– E como você sabe que mudou a senha? – perguntou o Sirius revoltado.

– Oras… Porque a Lily me disse hoje de manhã. – ela respondeu triunfante.

Odeio quando a Lene quer se mostrar para o Sirius, os dois sempre acabam brigando e me colocando na briga.

– Lily ruiva Evans Pontas, eu exijo saber a nova senha. – disse o Sirius emburrado fazendo a Lene rir.

– De onde você tirou isso? – perguntei inconformada.

De onde ele tira essas coisas? E desde quando meu nome vem antes do James?

– Eu sou o melhor amigo dos dois e exijo saber a senha para entrar no salão dos monitores.

O salão dos monitores nem é tão legal assim. Fica no meio das escadas para os dormitórios e é um salão comum, tem duas poltronas confortáveis como a poltrona que eu estava sentada antes do Sirius roubar meu lugar, uma mesinha de centro com um vaso de flores, uma mesa para estudos e um banheiro.

– O que eu ganho te dando a senha? – perguntei.

– Pontas me diz logo a senha. – exigiu o Sirius mais uma vez.

– Se entenda com a ruivinha. – disse o James dando risada abertamente.

Acho que ele gosta de provocar o Sirius, alias, tenho quase certeza disso, e creio que é recíproco.

– Vamos lá ruiva. Prometo não te chamar de senhora Potter pelas próximas vinte e quatro horas.

– Ainda não me convenceu. – eu disse fazendo manha.

– Que tal não te chamar de cabeça de fósforo e derivados também? – ele perguntou pensativo.

– Agora você está começando a me convencer.

– Quer dizer logo a porcaria da senha? – ele me perguntou irritado.

Ele é muito estressado!

– Eu te dou a senha Six. – disse a Lene por fim fazendo os dois deixarem eu e o James sozinhos.

– Acho melhor irmos dormir. – comentei quando vi o James abrir a boca para puxar assunto.

Sabe como é, podemos ter a melhor relação possível agora, mas não é por isso que vou me permitir ficar sozinha com ele no salão comunal, muito menos estando nessa situação constrangedora.

– Fique mais um pouco. Prometo que se você dormir te levo para a cama.

Eu disse que às vezes ele é fofo!

– Mas não vou te dar tanta atenção com o sono que eu estou. – protestei.

– Quando você parar de falar vou entender que dormiu. – ele disse rindo.

Não sei bem ao certo quanto tempo ficamos conversando ou como fui parar na minha cama, afinal, mesmo o James dizendo que iria me levar, isso é impossível já que ele não pode subir as escadas para o dormitório feminino.

Acordei incrivelmente atrasada e querendo matar qualquer um que aparecesse na minha frente só por que não me acordou em tempo para o café da manhã.

– Estamos atrasadas! – eu gritei quando vi que não fui a única a perder a hora para o café.

A Lene e a Dora estavam dormindo, alias, quase babando na cama.

Foi a maior confusão para nos arrumarmos afinal todas nós estávamos atrasadas para a aula e café da manhã? Nem pensar.

– Alguém viu meu sutiã? – perguntou a Dora desesperada.

– Eu não quero saber de sutiã. Quero saber do meu batom que sumiu! – reclamou a Lene irritada.

Por que elas ficam reclamando de coisas tão inúteis quando o meu livro “Confusões em Paris” sumiu?

– Alguém viu meu livrinho precioso? – perguntei enquanto jogava tudo do meu malão para fora.

– Eu lá quero saber de livro? Como vou sair desse quarto senão achar meu sutiã? – perguntou a Dora desesperada.

– Só você colocar várias blusas de frio grossas que ninguém vai perceber. Aproveita que está frio lá fora. – eu disse ainda revirando o quarto procurando meu livro.

– A ideia é boa. Eu já fiz isso várias vezes. Alias, já sai várias vezes de pijamas e ninguém notou. – comentou o Lene ainda bagunçando a penteadeira. – Mas o importante é meu batom. Como vou andar lá fora com esse frio sem proteção na minha boca?

– Pega a porcaria do meu brilho emprestado. – respondeu a Dora enquanto colocava mais algumas blusas de frio e se olhava no espelho.

– O problema maior aqui é o meu livro! Como vou sobreviver um dia inteiro sem meu livro? – perguntei em pânico.

Eu sinceramente não sei como alguém sobrevive a determinadas aulas sem nenhum livrinho fofo para ler e se distrair, quer um exemplo? Quem aguenta escutar o professor explicando sobre a revolta dos Duendes em um ano que nem minha avó sonhava em nascer? Impossível!

Tudo bem… Os meninos geralmente conversam por pergaminhos então eles sobrevivem sem um livro, mas só por que eles são uns baderneiros. Pessoas direitas como eu não podem ficar passando bilhetinhos na aula, só quando é de extrema necessidade ou uma fofoca muito grande.

Tudo bem… Eu já passei bilhetinhos na aula, mas era urgente, foi uma reunião das meninas no meio da aula de herbologia, mas a Lene estava realmente precisando já que ela tinha acabado de ter sido convidada para sair com o Amos Diggory e tínhamos que pensar na roupa que ela iria usar e tudo mais.

Mas voltando a questão… Como uma pessoa normal pode sobreviver sem uma distração em uma aula dessas? Impossível!

– Pegue outro livro. Sabemos que você tem uma coleção escondida aí. – disse a Dora dando de ombros.

Viram como elas não se importam com a minha sanidade mental? Como vou simplesmente pegar outro livro? Eu estava terminando de ler aquele, não posso simplesmente esquecer aquele e seus personagens fofos e suas vidas complicadas e simplesmente partir para outro. Elas são tão insensíveis!

– Eu não tenho uma coleção escondida. Só alguns poucos livros para sobreviver ao ano letivo. – respondi ignorando o riso delas.

– Vamos descer. Já estamos muito atrasadas para perder tempo com livros. – disse a Lene já colocando a mochila nas costas.

– E como fica a minha sanidade mental? – perguntei sendo ignorada e arrastada escada a baixo.

– Que cara é essa ruivinha? – me perguntou o Potter assim que me aproximei do sofá onde ele estava.

– Minha amigas são insensíveis e eu perdi meu livro precioso. – respondi fazendo o maior drama e um dos braços cruzados no peito e claro que com um bico enorme no rosto.

– Ô meu Deus! – ele disse prendendo o riso e me abraçando. – Quanto as suas amigas não posso te ajudar, mas que livro você perdeu? – ele me perguntou.

– Querem parar com isso e vamos logo para a aula? Já estamos atrasados. – disse o Remus impaciente.

– Cadê o Sirius? – perguntou a Lene.

– Dormiu na sala nos monitores e se atrasou mais que vocês. Ele ainda está tomando banho. – respondeu o Pedro dando de ombros.

– Eu estou com fome! – reclamou a Dora.

– Trouxemos torradas. – comentou o Remus com as bochechas vermelhas entregando torradas para as meninas.

– Não quero torradas! Quero meu livro! – eu disse já a ponto de lágrimas.

Tem aula de adivinhação! Como vou sobreviver?

– Jay, eu não vou sobreviver até amanhã. – eu disse desesperada.

– O que ela tem? – escutei o Pedro perguntando.

– Deve ser TPM. – respondeu a Lene dando de ombros.

– Eu não estou de TPM! – gritei revoltada.

– Isso só prova que ela está de TPM. – comentou a Lene de volta fazendo o casal vermelhinho dar risadas abafadas.

Casal vermelhinho é como eu às vezes chamo o Remus e a Dora. Eles são tão tímidos que até hoje tem vergonha de chamar o outro para sair. Acho que todo mundo já percebeu já que o Remus ficou mais vermelho que meus cabelos só por trazer torradas para a Dora.

– Tenho certeza que você não está de TPM. – comentou o James me acalmando.

Viram por que eu adoro o James? Ele não é totalmente fofo? Ok! Só um pouco fofo, já que ele me chamou de magrela ontem!

Não chegamos atrasados na primeira aula, chegamos em cima da hora, tirando o Sirius é claro, que só chegou depois que a professora já tinha dado Bom dia e por causa disso a Grifinória perdeu mais alguns pontinhos. Se depender do Sirius vamos terminar o ano com pontos negativos, se é que é possível.

– Trouxe seu livro Red. – ele disse me entregando meu precioso.

– Onde você o achou? – perguntei abraçando meu livro apertado.

Não quero nunca mais me separar dele.

– Achei? Ele estava perdido? – perguntou o Sirius confuso enquanto íamos para a próxima aula.

– Claro que ele estava perdido! Ele foi sequestrado hoje cedo. – respondi tentando inutilmente expor os fatos.

– Sequestrado? E você pagou o resgate? – perguntou o Sirius rindo de mim.

– Jay, ele está rindo de mim! – reclamei fazendo bico e apontando para o Sirius.

– Sirius, não faça isso! – pediu o James na maior paciência.

– James, ela está apontando para mim! – reclamou o Sirius.

– Lily, é feio ficar apontando para as outras pessoas. – ele me repreendeu.

– Crianças, vamos parar de brigas e ir para a aula? James ponha limites nos seus filhos. – pediu a Lene mandona.

– Eu estou tentando, mas eles são uns pestinhas! – reclamou o nerd de óculos.

Obviamente acabamos caindo na gargalhada com a cara emburrada do James.

– O que achou do livro Six? – perguntei enquanto a aula não começava.

– Sinceramente? – ele me perguntou receoso.

Aposto que ele não gostou! O Sirius nunca gosta de nada que é legal, só quadribol, mulheres, cerveja… Nada que me agrade!

– Claro que sinceramente. – respondi convicta.

– Até que é legal. – ele respondeu dando de ombros.

Como uma pessoa como o Sirius pode dizer alguma coisa tão bombástica assim e simplesmente sacudir os ombros como se aquilo fosse sem importância?

Tudo bem, eu estou chocada pelo Sirius o livro “até que legal”, eu brinquei com ele, mas nunca achei que ele realmente fosse gostar. Afinal de contas estamos falando do Sirius e não do Reminho.

– Até que legal? – perguntou o James surpreso.

– Sabe como é… Dá para ler sem problemas, não é alguma coisa que eu vá procurar para ler, mas não é tão ruim, alias, até tem algumas coisas legais. – ele respondeu sem dar importância.

– Não é só um livro que coloca coisas na cabeça das meninas? – perguntou o James ainda sem acreditar.

– Não só isso. Claro que ele coloca sim coisas absurdas na cabeça das meninas. Onde já se viu o cara escutar a menina pedindo um beijo e ele simplesmente ficar lá parado com “cara de paisagem”? – perguntou o Sirius inconformado.

– Cara de paisagem? – perguntei sem entender.

– Sabe… Cara de quem está em outro lugar, que não acredita no que ouviu ou que nem escutou o que a pessoa disse… Cara de Pedro, por exemplo. – me respondeu o James sem importância.

Alguém me explica de onde eles tiram essas coisas? Eu, sinceramente, não faço a menor ideia de onde esses malucos arrumam essas gírias ou sei lá como eles chamam essas coisas que para mim não fazem parte do dicionário.

– Mas se ele coloca realmente coisas na cabeça das meninas como você pode ter gostado? – perguntou o James.

– Na verdade ele até coloca coisas inúteis na cabeça das meninas e deve ser por isso que pessoas como a Lily ficam a vida inteira esperando o príncipe encantado… – ele estava dizendo quando eu o interrompi.

– Eu não fico esperando o príncipe encantado. – reclamei colocando as mãos na cintura com a minha melhor cara de raiva.

– Desculpe você já achou, mas ainda não se deu conta disso. – respondeu o Sirius revirando os olhos.

Quem lhe deu o direito de revirar os olhos assim? Isso é uma coisa totalmente Lily! Eu tenho direitos sobre esse gesto.

– Red, pare de pensar no mundo da Lily e volte à realidade, por favor! – pediu o Sirius impaciente me tirando dos meus pensamentos.

Eu não sei de onde o Sirius inventou que eu vivo em um mundo paralelo. Não sei se alguém aqui assistiu o desenho “O Fantástico mundo de Bob”, mas depois que o Sirius assistiu isso lá em casa ele diz que eu tenho “O mundo da Lily”. É eu sei… Ele simplesmente não entende como as pessoas normais pensam.

– Primeiro, eu não fico por aí caçando um príncipe encantado, segundo que eu não achei nada. – respondi irritada.

– Como não? O Pontas é o que então? O vilão com que finge ser bonzinho para pegar a donzela em perigo? – me perguntou o Sirius.

– Acho que você anda assistindo filmes demais. – comentou o James.

E eu claramente vou ter que concordar. Não sou eu que vivo no mundo da Lily. O Sirius que vive em um mundo paralelo. Coitado!

– Foco Sirius, estávamos falando do livro! – eu disse tentando fazer meu amigo voltar

– Então… Apesar disso tudo ele até que é bem útil e engraçado obviamente.

– Como assim útil? – perguntei sem entender onde o ser queria chegar com aquilo tudo.

– Útil… Sabe como é… Ele tem umas dicas legais, como quando eles trancaram o casal no quarto para se acertarem, ou quando fizeram o povinho enrolado dormirem no mesmo quarto por alguns dias, podemos fazer isso com a Dora e o Aluado, vai que funciona! – ele sugeriu animado.

– Até que não seria má ideia. – comentou o James pensativo.

– O livro não te ensinou que homens podem dizer a palavra com “A”? – perguntei curiosa.

– Aonde você quer chegar com isso, cabeça de fósforo? – ele me perguntou com uma sobrancelha levantada.

– Ele não entende nada, não é? – perguntei para o James que apenas deu risada. – Você poderia ser corajoso e dizer para a Lene. – respondi para o Sirius.

Isso é uma coisa tão obvia que eu nem precisaria falar.

– De onde essa doida tira essas coisas? – perguntou o Sirius para o James. – Por que eu diria uma coisa dessas para a Lene? Alias, por que uma pessoa normal diria uma coisa dessas para alguém? – ele me perguntou com a maior cara de tapado.

Tudo bem, o Sirius já tem cara de tapado, mas ele estava bem mais lerdo do que normalmente.

– Por que não deixamos esse assunto para outra hora? – perguntou o James.

Ele adora cortar as minhas brigas com o Sirius. Eu sei que eu iria ganhar isso, porque o Sirius não diz coisa com coisa e a minha lógica é perfeita, mas o James gosta de ajudar os amigos em perigo, sabe como é… Ele tem complexo de herói.

– Vocês vão ficar conversando ai na porta ou vão assistir a minha aula? – perguntou o Professor de mal humor.

– Como ele consegue ficar de mau humor logo cedo? – nos perguntou o Sirius enquanto entravamos na sala as pressas e corríamos para as carteiras mais próximas.

Esse professor está sempre de mau humor seja manhã, tarde ou até de noite. Acho que ele é mal amado.

A aula até que passou rápido. Sentei-me com os meninos e devo dizer que não me lembro de nada que o professor disse, mas acho que nunca vou esquecer o Sirius zoando o relógio do menino da Lufa-Lufa.

– O que vocês tanto conversavam na porta da segunda aula? – nos perguntou a Dora quando sentamos para comer.

– Estávamos tentando fazer a Red sair do Mundo da Lily. – comentou o Sirius dando e ombros.

– Na verdade estamos tentando fazer o Sirius entender que admitir que ama alguém não é pecado, alias, é uma coisa bem bonita. – respondi.

– Você não pode falar do Sirius se você tem o mesmo problema que ele, Lil. – comentou a Lene.

– Como assim o mesmo problema? Eu digo frequentemente para as pessoas que as amo. – respondi na defensiva.

– Nem vem Lil. Sua família não conta. – respondeu a Lene revirando os olhos.

Quantas vezes e vou ter que dizer para eles que eles não podem ficar revirando os olhos assim? Só eu posso fazer isso!

– Na verdade estávamos falando sobre o livro da Lily. – disse o James me interrompendo.

– Você achou o livro? – perguntou a Dora contente.

– Estava com o Sirius o tempo todo. – respondi desanimada.

– E o que o Sirius estava fazendo com o seu livro? – perguntou o Remus sem entender.

– Ele não me devolveu o livro ontem de noite e simplesmente achou legal ficar com ele até que eu entrasse em pânico o procurando. – respondeu emburrada.

– Não tenho culpa se você entra em pânico tão facilmente. – ele respondeu rindo.

E eu não tenho culpa se me esqueci que o livro estava com ele.

– E afinal o Sirius gostou do livro? – perguntou a Dora curiosa.

– Ele leu o livro pelo menos? – brincou o Remus rindo.

– Claro que eu li. Eu disse que iria ler. – reclamou o Sirius.

– Nunca se sabe… – brincou o Remus.

– E afinal você gostou ou não? – perguntou a Dora ainda mais curiosa.

O almoço inteiro o Sirius ficou contando a história do meu livrinho fofo e ficou fazendo comentários. Acho que ele realmente gostou do livro.

Estávamos indo para a penúltima aula do dia e adivinhem? Exatamente… Aula de adivinhações. Sério! Essa é a pior aula que tem na escola. Só de entrar na sala já dá sono.

Eu simplesmente não aguentei aquele cheiro horrível na sala e a professora falando sobre folhas de chá, alias, eu simplesmente tomei o chá e fiquei esperando a Lene ler as inscrições e acho que acabei dormindo nesse meio tempo, mas quer saber? Não perdi nada!

Pelo menos eu não fui a única que acabei dormindo!

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sobre Vanessa Sueroz

Autora dos livros Confusões em Paris, Minha última chance, Odiado Admirador Secreto, Presente de Aniversário, Eu te amo mais e Três Botões.


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One thought on “Rosas – Cap 1

  • BruhPotter

    “Esse professor está sempre de mau humor seja manhã, tarde ou até de noite. Acho que ele é mal amado.”
    srsrsrr Na minha escola tem um professor assim também, falamos que ele é mal comido ;-D
    E adorei o CAP! Essa fic parece ser ótima! *Assim como as suas outras são.

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