Parte XXV


Anteriormente:
– Você sabe o motivo. – respondeu Isabela ofendida.

– Aquilo não era o suficiente.

– Era sim. Você já tinha feito aquilo várias vezes.

– Tinha, mas não com o namorado dos outros, principalmente da minha melhor amiga.

– Você sabe que isso não é verdade. – respondeu Isabela.

Parte XXV

– Você tem como provar que aquilo não foi culpa sua?

– Tenho.

– Então prova. – disse desconfiada dela.

– Você está com o notebook aí perto?

– Estou.

– Faz um download no chip 2020.

– Para quê? –perguntei ainda desconfiada.

– Você vai ver.

Fiz o que ela pediu.

– O eu é isso?

– É o tape daquele dia. Avança até 03h20min da tarde.

– Pronto.

– Aperta “play”.

Alguns minutos depois…

– Então viu o que tinha acontecido? – perguntou-me Isabela.

– Vi. – respondi chateada.

– Viu que não foi culpa minha, que foi o chefe que mandou ele fazer aquilo?

– Vi. – respondi sem reação.

– Então vai me perdoar?

– Acho que eu não tenho escolha. – respondi orgulhosa.

– Como sempre orgulhosa. – respondeu Isabela.

– Como sempre.

– Tati eles precisam te substituir.

– Eles vão prender o Roger? – perguntei.

– Eles querem pegar ele em flagrante para ele ficar mais tempo na cadeia.

– Quem eles vão colocar no meu lugar para ser a Carla?

– Se você deixar eu vou te substituir. – disse Isabela inocentemente.

– Como assim se eu deixar?

– Eu vou ter que ser parceira do Fábio.

– Faça o que você quiser. É melhor mesmo que seja você, pelo menos o Fábio te conhece. – respondi.

– O Fábio te ama.

– Mas me enganou.

– Não foi culpa dele.

– Vou tentar lembrar desse detalhe. –disse meio irônica.

– Não tente, consiga. – respondeu ela em forma de apelo.

– Como o Henrique está?

– Está com saudades.

– Mas não faz nem três horas que eu saí da agência. – respondi incrédula.

– Mas você está brigada com ele. – respondeu Isabela.

– Dele eu não tenho raiva. Sei como o chefe é. Ele não podia me contar nada.

– Mas com o Fábio foi à mesma coisa.

– Não. O Fábio poderia ter me contado. – respondi chateada.

– Bom você é quem decide. Mas liga para eles para dizer que você está bem.

– Eles vão rastrear a ligação.

– Mas mesmo se você não ligar eles podem rastrear. – respondeu Isabela.

– Eles não vão fazer isso. Pelo menos não agora.

– Bom tenho que desligar. Tchau. – respondeu Isabela.

– Tchau. Diz para o Henrique que estou com saudades.

Depois que eu desliguei fiquei pensando no que a Isabela me disse sobre o Fábio, mas não o perdoei na hora, então fui para a varanda e fiquei olhando o mar, por algum tempo.

Enquanto isso na agência…

– Já falei com a Tati. – disse Isabela.

– Fizeram as pazes? – perguntou Henrique.

– Pode se dizer que sim. – respondeu a menina.

– Ela está bem? – perguntou Henrique.

– Está ótima. Ela disse que está com saudades de você Henrique.

– Ela não está com raiva de mim? – perguntou meu irmão surpreso.

– Não. Fábio ela mesmo não dizendo nada, sei que vocês vão voltar.

– Tomara que você esteja certa. – respondeu Fábio esperançoso.

– Tenho certeza que estou. Não se preocupe.

– Então vai à missão com o Fábio? – perguntou Henrique.

– Vou, mas nada de pensar que sou a Tati. Eu sou totalmente diferente dela. – respondeu Isabela rindo.

– Então é melhor vocês se transformarem em Charles e Carla, pois vai ficar estranho os dois sumirem por muito tempo.

– Já estamos indo. – respondeu Fábio.

Fiquei quase dois anos no hotel, ligava para o Henrique e Fábio duas vezes por semana, perdoei Fábio quase que na primeira semana, sempre eu ligava para eles, Fábio nunca conseguiu ir me buscar como ele disse que iria fazer, ele já tinha pedido para voltar comigo, mas como iria voltar com ele sendo agente? Ele não teria tempo para me ver. Sempre quando eu ligava para ele a única coisa que ele dizia é que as coisas estavam bem, mas eu nunca acreditei muito naquilo, até que um dia eles me ligaram. A conversa foi assim:

– Tati? – perguntou Fábio assustado no telefone.

– Eu disse que não é para ninguém me ligar. – respondi agressiva.

– Me desculpe princesa, mas é que a Isabela sofreu um acidente.

– Que tipo de acidente? Ela está bem? Onde ela está? – perguntei muito preocupada.

– Ela estava em um tiroteio e foi atingida na barriga.

– Então ela está bem. – respondi aliviada.

– Porque você disse isso? – perguntou surpreso.

– Porque eu já fui atingida na barriga. – respondi me lembrando da dor.

– Tati sinto te dizer, mas a Isabela morreu.

– Como assim ela morreu? Ela não podia… – e comecei a chorar no telefone.

– Ela perdeu muito sangue e morreu a caminho do hospital. – disse Fábio me escutando chorar.

– Isso não podia ter acontecido. – respondi ainda chorando.

– Você vai vir no enterro? – perguntou Fábio.

– Não. Não quero ir a outro enterro.

– Entendo. Você vai ficar bem? – perguntou preocupado.

– Vou.

– Tem certeza?

– Tenho. Mas ela morreu muito jovem. – disse ainda chorando.

– Ela tinha só 17 anos. – disse Fábio parecendo abatido.

– Quem saiba eu também não saia dessa idade.

– Pára de falar besteira. Ano que vem você faz 18. – respondeu Fábio.

– Você disse tudo… Ano que vem… – respondi.

– Tem certeza que não quer voltar? – perguntou Fábio mais uma vez.

– Tenho.

– Você precisa de dinheiro?

– Você sabe que não. O hotel não é muito caro. Tenho dinheiro para mais dois ou três anos. Estou trabalhando. Mudando de assunto… Vocês prenderam o Roger?

– O prendemos hoje cedo. – respondeu Fábio.

– E o Otávio? – perguntei esperançosa.

– Diz que não vê a hora da sua volta.

– Ele está aprontando alguma? – perguntei.

– Deve estar. A Solange já está desconfiada de mim.

– Ela nunca iria te entregar. Ela sabe que você morreria.

– Não tenho tanta certeza. Parece que ela está apaixonada pelo Otávio. – respondeu Fábio sem emoção.

– Estranho. Por que você não sai da agência? – perguntei esperançosa.

– Quero me vingar do Otávio por tudo que ele te fez, não consigo sair da agência sem ter feito isso antes.

– Queria te ter perto de mim. – respondi com saudade.

– Tenha certeza que eu te quero muito mais. Volta comigo? – pediu ele.

– Não dá. Você tem muito trabalho, e não tem tempo para namoro.

– Para você eu tenho todo o tempo do mundo. – respondeu Fábio.

– Não tem não. É melhor você ir, ou vai perder o enterro.

Nono passo: destruir a CMFC

Fiquei sem notícias do Fábio por cerca de dois meses até que apareceu um helicóptero na praia bem onde eu estava, quando percebi era o Henrique.

– Tati eu vim te buscar. – gritou ele por causa do barulho que o helicóptero fazia.

– Mas o que foi que aconteceu? – perguntei preocupada.

– O Fábio foi…

– Ele está bem? Ele não morreu! Eu não vou suportar isso.

– Não tenho certeza se está bem. – disse Henrique.

– O que aconteceu? – perguntei assustada e preocupa com ele.

– Ele foi descoberto e está preso na CMFC. – respondeu Henrique tristemente.

– aí não! – disse angustiada. – Eu disse para ele largar o caso. Mas o que aconteceu?

– A Solange o entregou. Eles disseram que querem você. – respondeu Henrique.

– A Solange nunca deixaria nada acontecer com o Fábio. – respondi confiante.

– Ela não deixou, mas o Fábio diz que te ama sobre tudo e não vai ceder a Solange de jeito nenhum. Já mandei vários agentes para resgatá-lo, mas não conseguiram nem entrar na agência.

– Vou pegar as minhas coisas e já estou indo. – respondi.

– Você sabe que isso é uma armadilha? – perguntou Henrique muito preocupado.

– Sei, mas eu treinei muito esse tempo todo, e também não vou deixar o Fábio nas mãos de bandidos. É a mim que eles querem. Não terei problemas para entrar na CMFC.

– É isso que eu admiro em você maninha. – respondeu Henrique um pouco alegre.

– Isso o quê?

– A sua coragem. – respondeu triunfante.

– Espera eu arrumar as minhas coisas?

– Tudo bem.

Quando nós estávamos chegando pedi para o Henrique passar na minha casa.

– Mas para quê? quer ver a nossa mãe?

– Não. – respondi sem emoção.

– Você não está com saudade? – perguntou chateado.

– Estou, mas não é por causa dela. Eu tenho que pegar uma coisa.

Chegando em casa:

– Filha você voltou! – disse minha mãe quando me viu entrando.

– Não vou ficar muito tempo.

– Aonde você vai? – perguntou minha mãe preocupada.

– Preciso salvar o Fábio. – respondi.

– Oi mãe. – disse Henrique.

– Então porque está aqui? – perguntou minha mãe sem entender.

E virando se para o Henrique completou:

– Você não deveria tê-la trazido.

– Preciso pegar uma coisinha.

Eu e Henrique fomos direto para o meu quarto.

– O que você quer aqui? – perguntou o Henrique me observando.

– Cadê o meu C.A.? – perguntei.

– Está aqui. Mas para que você… – disse me mostrando o C.A. que eu havia colocado em cima da cama.

– Você vai ver.

Abri uma gaveta que tinha na escrivaninha que estava ceia de disquetes (a única gaveta que deixei ceia lembra?) tirei todos os disquetes e tirei um fundo falso. Peguei uma caixinha que estava escondida. Liguei com um fio o meu C.A. no computador de bordo da caixinha, digitei uma senha e a caixinha abriu, dentro tinha um chip e uma cápsula, peguei a cápsula e guardei tudo no lugar de novo. Depois fui direto para o meu quarto na agência.

– O que você vai fazer com essa cápsula? – perguntou Henrique.

– Essa cápsula serve como um remédio.

– Como assim? – perguntou Henrique ainda muito confuso.

– Tudo que acontecer com o corpo da pessoa que tomar ela cura em cerca de duas horas.

– Por isso que você sempre se recupera rápido?

– Isso mesmo.

– Você acha que vai acontecer alguma coisa com você? – perguntou Henrique.

– Não me importo comigo.

– Então a cápsula é para quem?

– Para o Fábio. Mas a cápsula só faz efeito quando é tomada antes do incidente.

– O que você veio fazer aqui? – perguntou Henrique.

– Vim colocar uma conversa no chip do Fábio.

– Como assim uma conversa?

– Descobri um jeito de colocar “lembranças” no chip. Ele vai saber tudo sobre essa cápsula. Então quando eu chegar lá eu dou um ajeito dele engolir.

– E você acha que pode contra mais de mil bandidos? –perguntou Henrique preocupado.

– Sei que não.

– Então o que você pretende fazer? – perguntou Henrique preocupado.

– Tenho um plano e vou precisar de algumas coisinhas que você tem guardado.

– Pode falar que eu pego.

– Eu vou precisa de…

Quando eu disse o que eu queria Henrique foi correndo buscar. Foi aí quê…

– Alô!

– Alô, Tati?

– O que você quer Otávio? – perguntei ao telefone.

– Quero você. – disse ele sedutor.

– Onde o Fábio está?

– Está comigo. – respondeu Otávio.

– Ele está bem? – perguntei.

– Até agora está.

– Porque você me ligou?

– Para ver se você finalmente tinha voltado de viagem.

– Voltei. Mas não se preocupe você me verá em breve. – respondi alegre.

– Você está vindo para cá? – perguntou Otávio esperançoso.

– Estou. Só vim trocar de roupa, mas já estava de saída.

– Estou a sua espera. – respondeu ele.

– Já estou indo. Só espero ter uma boa recepção.

– Terá a melhor recepção possível.

– Assim espero. – respondi.

Peguei tudo que tinha pedido para o Henrique.

– Tomou uma cápsula também?

– Que cápsula? – perguntei.

– A que você vai dar para o Fábio. – respondeu Henrique.

– Não. Só tinha uma. – respondi preocupada.

E fui logo para a CMFC. Eu estava com o uniforme da agência, óculos escuros, (claro tenho que ter um charme), e é claro que eu tinha várias armas e canivetes guardados. Pronto, estava pronta para encarar todos aqueles bandidos?

Errado, eu estava esquecendo a minha principal arma, e quem consegue adivinhar qual era? Eu estava esquecendo de me arrumar, claro que a melhor arma contra os homens é o corpo, e é claro a inteligência. Agora sim eu estava pronta. E fui direto para a CMFC.

Chegando lá as coisas saíram melhor que a encomenda. Marcos tentou me barrar na portaria, mas como eu estava sem paciência dei um tiro em cada perna dele.

Logo em seguida vários bandidos que não é necessário citar o nome tentaram me deter, mas foi tudo em vão. Quando finalmente cheguei em um salão todo fechado e vários bandidos tive certeza que estava no lugar certo. Então guardei a arma e fui logo tirando os óculos escuros. (Com muito charme é claro!).

– Caro Otávio, a sua recepção não estava nada empolgante. – disse entrando.

– Faltou alguma coisa querida? – perguntou ele decepcionado.

– Faltaram muitas coisas. – respondi.

– Quais?

– Faltou emoção e competência. – respondi guardando delicadamente os óculos.

– Me desculpe querida, mas está difícil arrumar bons bandidos hoje em dia. Você me entende? – perguntou ele alegremente.

– Claro. Mas então eu vou ter um aquecimento ou vamos logo para a guerra? – perguntei caminhando lentamente em sua direção.

– Pensei que você iria querer ver o Fábio. – disse ele surpreso.

– Se você me permite. – respondi como senão fizesse muita diferença.

– Claro. Depois você é todinha minha. –respondeu maliciosamente.

– Então onde ele está?

– Está logo ali. – apontou Otávio.

Quando cheguei perto do Fábio começamos a conversar:

– Princesa vai embora isso é uma armadinha.

– Eu sei. – respondi olhando para ele.

– Você mesma disse que estava fraca.

– Eu andei treinando.

– Mas o Otávio está usando drogas para ficar mais forte.

– Não tem problema. Quem disse que eu não sei como parar o efeito de uma droga? – disse calmamente.

– Vai embora. Não quero perder você.

Fábio estava muito “agitado”, bom agitado no sentido de inquieto, pois estava muito bem amarrado.

– Você não vai me perder, isso é uma promessa. Eu só quero que você engula isso.

– O que é isso? – perguntou.

– É uma cápsula. Faz pouco tempo que transferi algumas informações para você. Você reparou? – perguntei ainda calma.

– Claro. Mas é sobre aquilo?

– É sim. – respondi ainda sem emoção na voz.

– E você já tomou?

– Toma primeiro.

Depois que Fábio engoliu a cápsula:

– Então? Você tomou uma cápsula dessas? – perguntou preocupado.

– Não. Essa era a última que eu tinha.

– Mas Tati…

– Quieto. Agora eu tenho um trabalho para fazer.

Então voltei para falar com Otávio deixando Fábio falando sozinho:

– Pronto, já fiz o que eu queria.

– Podemos ter a nossa festa em paz agora? – perguntou Otávio ansioso.

– Claro. Vão ter dançarinos? – perguntei ironicamente.

– Claro. Música por favor.

Uma música lenta começou a tocar. Todos os bandidos que estavam a minha volta foram para cima de mim. (aquilo era o que chamamos de dançarinos).

– Primeiro o seu aquecimento, querida. Gostou da música?

– Adorei. – respondi cada vez mais irônica.

– A melhor é para nós. Claro que se você não estiver cansada e quiser se render a mim.

– Nunca estou cansada demais para uma boa dança. – Traduzindo, dança que nós falamos é uma briga.

– Ótimo, assim vai ser bem melhor. –respondeu Otávio sorridente.

Claro que não foi difícil acabar com aqueles bandidos, só tive que usar uma metralhadora e algumas coisinhas que o Henrique me emprestou, coisa que se eu falar vocês não entenderiam, não me julguem mal por ter usado alguns brinquedinhos, mas é que vocês têm que entender que eram 258 contra uma.

Vocês me perdoam?

Em seguida Otávio e eu tivemos mais uma breve conversa:

– Estou vendo que você não perdeu o jeito. – disse ele me olhando maliciosamente.

– Obrigada. – respondi educadamente.

– Será que você acompanha o meu ritmo? –perguntou ele confiante.

– Claro que sim. Mas antes quero te pedir uma coisa.

– Pode pedir se estiver ao meu alcance…

– Eu só queria um abraço amistoso com você. – pedi.

– Como se fossemos namorados? –perguntou Otávio com um olhar maldoso.

– Isso mesmo.

– Com prazer. – respondeu ele me abraçando.

Mas é claro que o Otávio também tinha os seus truques, quando eu apliquei nele um liquido que anula qualquer droga ele aplicou em mim uma droga.

– Fiquei sabendo que você não suporta nenhum tipo de droga, então mandei acrescentar cocaína.

– Eu já estava esperando por isso. – respondi alegremente.

– Mas para continuarmos sendo amigos, você poderia me informar o que aplicou em mim? – perguntou gentilmente.

– Você ainda não descobriu? Faça o seguinte: tente bater em qualquer um que está aqui presente.

Quando Otávio percebeu que eu tinha anulado a droga que está no seu organismo…

– O único consolo que tenho é que você também está mais fraca por causa do meu soro. – disse ele confiante.

– Sinto te informar, mas você está errado.

– Como assim? – perguntou incrédulo.

– Eu sabia que você iria fazer algo então coloquei em todo o corpo pequenas partículas do mesmo soro que coloquei em você, sendo assim, o meu soro destruiu o seu. – respondi confiante.

– Meus parabéns querida Tatiana. Mas você esqueceu que eu estou com o seu queridinho.

– Tem razão. Tenho uma idéia. Porque você não coloca drogas nele também? – sugeri.

– Ele não está com o seu soro?

– Não. Pode conferir.

O soro era transparente, mas quando aplicado no corpo ele dava uma cor rosada em todo o pescoço da vitima…

Depois que Otávio conferiu que Fábio não tinha nada, aplicou a droga nele e o soltou.

– Para que você quer o Legião drogado? – perguntou Otávio inocentemente.

– Esqueci de te contar que o organismo do Fábio reagi muito bem as suas drogas.

– O que você quer dizer com isso? – perguntou preocupado.

– Quando ele foi trabalhar comigo eu sem que ele soubesse coloquei um dispositivo nele. Dentro de um dia ele estará novinho. (Mas é claro que é mentira. Não tinha dispositivo nenhum, mas tinha a minha cápsula. Dentro de uma hora ele estaria mais do que bom).

– Você está dizendo 24 horas?

– Estou sim.

– Enquanto isso…? – perguntou ainda inocente.

– Enquanto isso ele fica pior do que estava antes. Mas não tem problema. – respondi.

– Gostei desse seu remedinho. Mas então podemos começar a nossa dança? – perguntou Otávio com um grande sorriso.

– Estava esperando você me tirar para dançar. – respondi como se estivéssemos em um baile.

– Você quer começar com armas, facas ou uma dança livre?

– Prefiro dança livre.

– Ótimo, eu também prefiro. Pronto querida?

– Estou sempre pronta.

Digo que não foi nada fácil, mas como ele tinha se cansado foi logo para as armas, bem, no começo foi fácil, mas depois eu estava começando a ficar cansada.

Quem não se cansaria com uma briga de mais de meia hora?

Bom… Nessa brincadeirinha do Otávio a Solange pegou um pedaço de ferro e bateu com muita força nas minhas costas, por uma fração de segundos vi o Fábio correndo em minha direção e o Otávio disparando a arma, não sei como, mas vi como se fosse o Gabriel, foi tudo igual só que desta vez eu não estava com proteção nenhuma.

A bala atingiu bem no peito do Fábio, por alguns instantes me esqueci que eu tinha dado a cápsula para ele e pensei que tudo iria acontecer mais uma vez, então como o Otávio não tinha dó de mim, não tive dó dele. Dei logo sete tiros nele, todos os bandidos (que sobraram) ficaram com medo e saíram correndo, mas é claro que a Solange correu para ver como o Otávio estava. Não sei como, mas a Solange tinha se apaixonado pelo Otávio. Peguei o Fábio e o levei para o carro. Não me perguntem como. Eu não saberia explicar. Realmente ele era muito pesado, ou melhor, ele é realmente pesado.

Chegando na agência:

– O que aconteceu? – perguntou Henrique me vendo entrar com Fábio nos braços.

– Ele foi atingido. Pegue alguma coisa para que ele não perca muito sangue.

– Tati ele foi atingido no peito, tem poucas chances de sobreviver. – disse Henrique quase chorando.

– Dei um remedinho meu para ele. Ele vai ficar bem, só que não pode perder tanto sangue.

– Mas e esses seus machucados? Você foi atingida no braço? – perguntava cada vez mais preocupado.

– Se preocupe com ele. Eu estou bem.

Levei Fábio para o meu quarto. Depois de mais ou menos uma hora Fábio corda:

– Tati, onde eu estou?

– Você está no meu quarto. – respondi.

– Você esta bem não está? – perguntou Fábio preocupado ao ver sangue no meu braço.

– Estou. Foi só um tiro de raspão. Obrigada.

– O que aconteceu?

– Você me salvou como de costume.

Parte Anterior
Próxima Parte


sobre Vanessa Sueroz

Autora dos livros Confusões em Paris, Minha última chance, Odiado Admirador Secreto, Presente de Aniversário, Eu te amo mais e Três Botões.

Obrigada pela visita. Por favor, deixe um comentário com a sua opinião, isso é muto importante para nós.