Parte XXIV


Anteriormente:

– Você fica. – disse Otávio me segurando pelo braço.

– Charles está me esperando. – respondi tentando me soltar.

– Depois você inventa alguma desculpa.

– Me solta quero sair daqui. – respondi ainda tentando me soltar.

– Se lembra o que eu te falei? – perguntou com o rosto próximo do meu.

Parte XXIV

– Charles está me esperando. – respondi tentando me soltar.

– Depois você inventa alguma desculpa.

– Me solta quero sair daqui. – respondi ainda tentando me soltar.

– Se lembra o que eu te falei? – perguntou com o rosto próximo do meu.

– Sobre o quê?

– Sobre nós. É bom você se lembrar, ou vai descobrir na marra.

– Não sei do que você está falando. – respondi ainda tentando me soltar.

Eu não estava conseguindo me comunicar com o Fábio.

Otávio trancou a porta.

– Porque você fez isso? – perguntei cada vez mais assustada e desesperada para me soltar.

– Para ninguém me interromper.

O comunicador deu sinal de novo.

– Não quero nem pensar no que você está pensando em fazer. – respondi para Otávio.

Comecei a escutar o Fábio falando comigo.

– Tati eu estou indo fica calma. – dizia Fábio pelo comunicador.

– Relaxa Carla eu não vou te fazer nada, agora!

– Me solta. Deixa-me sair daqui. Me larga! – eu não estava conseguindo me soltar.

Foi quando alguém começou a tentar abrir a porta.

– Quem será desta vez? – perguntou Otávio desviando o olhar para a porta.

– Carla! Carla abre a porta. – gritava Fábio.

– Se você se atrever a abrir a boca eu não me responsabilizo.

– O que você quer Otávio? Me solta. Se o Charles descobre alguma coisa ele nos mata. – respondi.

– Vai demorar para ele conseguir arrombar a porta. Eu tenho tempo para pelo menos um beijo. que pena que não dá para passar disso.

– Alguém me tira daqui! Me solta. – disse irritada.

– Você não tem força para se soltar? O que está acontecendo com você Carla? – perguntou com um sorriso no rosto.

Fábio estava com tanta raiva que já tinha quebrado a fechadura da porta, mas mesmo assim a porta não abria.

– Me solta. Eu quero sair daqui. Charles me tira daqui. – comecei a gritar.

– Você vai se arrepender de ter gritado.

Então o Otávio me beijou, eu não consegui me soltar ele estava muito forte, foi quando o Fábio conseguiu abrir a porta. O Otávio me soltou na hora. Quando Fábio apontou a arma para o Otávio ele me usou de escudo humano.

– Você não vai matar a mulher que você ama. – dizia Otávio.

– Foi culpa sua. Você a beijou a força. – disse Fábio mais nervoso que nunca.

– Foi. E sabe de uma coisa: ela beija muito bem. quem dera dar um beijo desses na Tatiana.

– Otávio eu não estou conseguindo respirar. – disse com uma voz fraca.

– Então fala para o seu marido abaixar a arma, pois senão você morre agora mesmo.

– Se eu morrer você morre junto. – minha voz estava mais fraca ainda.

– Não tenha tanta certeza disso. – respondeu Otávio.

Otávio me levou para perto da mesa dele.

– Não se preocupe Carla. A minha ajuda está vindo. – respondeu.

Quando eu vi quem era eu fiquei boba.

– Roger? – perguntei surpresa e fraca.

– Que bom que você o conhece, Carla. – disse-me Otávio.

Roger bateu no Fábio pelas costas. Ele não teve como se defender, então eu tive que soltar a arma. O Otávio pegou a arma e apontou para o Fábio.

– Eu vou te matar. – gritou para Fábio.

– Não vai não. – disse Roger.

– Mas… – começou Otávio.

– Se lembra do trato? Ele fica vivo. Agora solta a Carla. Eles não vão fazer nada contra você. Pelo menos aqui dentro. – respondeu Roger.

Otávio me soltou, eu não tinha forças para ficar de pé. Fábio meio fraco por causa da pancada que levou nas costas se levantou e me ajudou a sair da sala. Quando chegamos ao quarto Fábio trancou a porta:

– Você está bem, princesa?

– Eu te disse que eu estava fraca. Mas e você está bem, Fá? – perguntei.

– Estou. Agora calma, eu sei que não foi culpa sua. A culpa foi minha por ter saído na frente. – respondeu inconformado.

– Só de pensar que eu não consegui escapar eu…

– Tati o beijo não foi culpa sua, você tentou fugir. – disse-me Fábio.

– Você deve estar bravo comigo. Eu tinha que ter me soltado. – respondi quase chorando.

– Eu não estou bravo com você. A culpa não foi sua. A culpa foi dele. Se eu tenho que brigar com alguém esse alguém é o Otávio.

– Acho que o Roger é o traidor. Não tem outra solução.

– Eu vou falar com o Henrique. Fica calma, você ainda não está bem.

Fábio ligou para Henrique:

– Henrique?

– Aconteceu alguma coisa Fábio? – perguntou Henrique preocupado.

– Henrique é quê… – Fábio explicou tudo que tinha acontecido.

– E o que vocês vão fazer? – perguntou Henrique.

– Não sei.

– Mas eu sei. – respondi pegando o telefone.

– O que você vai fazer Tati? – perguntou Fábio.

– Eu quero demissão. Não agüento mais esses casos, já estou quase completando dezesseis anos e ainda estou nessa agência. Não quero mais. Para mim isso acaba aqui.

– Mas Tati… Você não pode pedir demissão. – disse Henrique.

– Porque não? Dá-me um bom motivo.

– Porque você… Porque você é… Sinto muito não quero falar sobre isso no telefone. – disse Henrique chateado.

– Sobre isso o quê?

– Vêm os dois aqui na agência. Eu preciso conversar com vocês. – disse Henrique.

– Você vai falar tudo Henrique? – perguntou Fábio.

– Vou.

– Estamos indo.

– O que os dois estão me escondendo? – perguntei irritada.

– Você vai saber. – respondeu Fábio.

– Seja o que for nada, nada ouviram bem? Nada vai me impedir de me demitir. – respondi decidida.

– Não sei como você vai reagir, Tati. Eu não posso falar nada.

Quando chegamos a agência:

– Você tirou a arma? – perguntou Fábio surpreso.

– E porque não tiraria?

– Você sempre esquece. –disse ele.

– Mas agora eu não esqueci. – respondi.

– Você está mesmo decidida a sair da agência? – perguntou-me Fábio.

– Estou. Porque o espanto?

– Por nada. Vamos tirar esses disfarces e ir até a sala do chefe precisamos todos conversar.

Quando nós chegamos à sala do chefe:

– Mãe? O que você está fazendo aqui?
– Vim te ver. – respondeu minha mãe. (Patrícia)

– Como assim?

– Quando fiquei sabendo que você estava trabalhando na agência, eu quis vir aqui. Acho que você ia precisar de mim quando descobrir toda a verdade. – respondeu minha mãe.

– Do que vocês estão falando? – perguntei.

– Sente-se. E obrigado pelo segredo Charles, quer dizer Fábio. – disse o chefe.

– De nada. Não fiz mais do que a minha obrigação. Eu não estava no direito de contar nada para a Tati. – respondeu Fábio inseguro.

– Alguém pode me explicar o que está acontecendo? –perguntei.

– Tati olhe essas fotos.

– Eu comecei a olhar fotos do casamento de alguém com um bebê e de todos junto comigo até os meus quatro anos.

– Quem são estas pessoas que estão comigo?

– Eu o Henrique e sua mãe. – respondeu o chefe.

– O que significa isso? Eu não estou entendendo.

– Você algum dia perguntou para o Henrique o seu nome inteiro? – perguntou o chefe.

– Não pelo que eu me lembro. Mas o que tem isso a ver com essas fotos?

– Eu falo. – disse o Fábio entrando na conversa. – Tati, o chefe é o sei pai. – disse Fábio sem rodeios.

– Acho que a CMFC não te fez bem. – respondi tirando sua temperatura.

– Tati você é minha irmã de verdade. – disse Henrique animado.

– Vocês estão querendo que eu acredite nisso? – perguntei desconfiada.

– Filha, eu sou casada com o seu chefe, e o Henrique é seu irmão sim. – disse minha mãe.

– Isso é mentira. – respondi sem acreditar.

– Não é não. – respondeu minha mãe.

– O senhor meu pai? Não me faça rir. O Henrique eu adoraria que fosse meu irmão, mas não é. Se vocês querem me contar alguma coisa, não precisam falar um monte de mentiras.

– Tati temos o exame de DNA para te provar.

– Eu nunca fiz DNA.

– Se lembra quando eu tive que tirar aquele sensor do seu braço? – perguntou Henrique.

– Lembro.

– Eu peguei um pouco de sangue para fazer o teste. E o resultado está aqui.

Eu li e reli o resultado mais de três vezes.

– Se isso é verdade, porque ninguém me disse isso antes?

– Porque eu não queria que você trabalhasse aqui na agência. – respondeu minha mãe.

– Mas o que tem isso a ver com a verdade, mãe? – perguntei chorando.

– Filha eu não te contei nada porque você poderia acabar contando algo para a sua mãe. – respondeu meu pai no lugar da minha mãe.

– Não me chame de filha.

– Maninha você tem que entender que eles fizeram isso para o seu bem.

– Porque para o meu bem Henrique? Por acaso eu estava correndo risco de vida? – perguntei esperando um silêncio como resposta.

– Estava. – respondeu Henrique.

– Como? – perguntou Fábio.

– É que o pai se envolveu em um caso e o criminoso queria se vingar e com isso ele te seqüestrou então o pai e a mãe decidiram que você não poderia saber de nada. – respondeu Henrique.

– E porque eles deixaram você entrar para a agência? –perguntei inconformada.

– Porque eu já sabia de tudo, e já estava sendo treinado, eu sabia me defender, mas você não, então…

– Você está querendo dizer que eles estavam com medo de que eu não conseguisse me defender?

– Mais ou menos. – respondeu Henrique.

– Fábio você sabia disso? – perguntei furiosa.

– Sabia somente que o chefe é seu pai, e o Henrique seu irmão.

– Todos vocês me esconderam isso por quase nove anos?

– É, mas filha, eu não podia contar… – começou meu pai.

– Eu já disse para você não me chamar de filha. – disse aos berros. – Mas até você Henrique?

– Tati eu queria contar, mas o pai e a mãe não queriam então… Sinto muito!

– Por isso que você estava triste no seu aniversário, a Patrícia não te ligou. Por isso que o Fábio ficava falando que eu tinha um irmão e não sabia, ele sempre confundia o chefe e falava que era meu pai. – gritava chorando.

– Tatiana você nunca me chamou de Patrícia antes. – disse minha mãe muito triste.

– Era porque antes eu não sabia que você tinha mentido para mim sobre um assunto tão sério por mais de oito anos. Eu não quero mais ver vocês. Nenhum de vocês.

– Mas Tati o Fábio não teve culpa, ele só não… – começou Henrique.

– Se ele diz que me ama tanto, porque não me disse? Ele sabe que eu sei guardar segredo.

– Tati eu sei que fui errado, mas me perdoa. –disse Fábio muito triste.

– Foi por isso que quando eu beijei o Otávio você não ficou com raiva, você sabia que quando eu descobrisse tudo eu ficaria com raiva de você, e com isso você quis me recompensar. – falei sem pensar.

– Isso não é verdade. Tati eu te amo. – disse ele sem se importar com todos que estavam presentes. (Que, aliás, foi muito fofo da parte dele, tirando a ocasião).

– Eu pensei que podia confiar em você. Eu não quero te ver nunca mais Fábio.

– Tati o nosso namoro não pode terminar assim. – disse Fábio quase chorando.

– Já terminou. – respondi decidida.

– Maninha a culpa não foi dele. – disse Henrique tentando amenizar as coisas.

– Como você tem coragem de me chamar de maninha? Depois de tudo isso…

– Ele quis te contar, mas eu não deixei. – disse o chefe.

– Isso é bem a sua cara. Senhor Purpuse. – disse com ar de deboche.

– Filha não me chama assim. – respondeu-me ele.

– Tatiana você não pode chamar seu pai assim, parece até que não o conhece. – respondeu minha mãe.

– Eu não o conheço senhora Purpuse.

– Tatiana pára de me chamar assim.

– Não paro. Eu pensei que podia confiar em vocês, eu pensei que vocês confiavam em mim. Mas agora vejo que estava muito enganada. Nunca me decepcionei tanto com alguém! – respondi chorando de tanta raiva.

E fui saindo da sala.

– Aonde você vai Tati? – perguntou Henrique.

– Vou viajar.

– Para onde? – perguntou Fábio.

– Para qualquer lugar que nenhum de vocês possam me achar.

E saí correndo. Henrique e Fábio foram atrás de mim.

– Tati espera precisamos conversar. – disse Fábio.

– Eu não sei se posso te perdoar Fábio. Desculpe-me pelo beijo não tenha dúvidas que eu não queria que fique bem claro que eu odeio o Otávio.

– Eu sei princesa, mas eu quero que você me perdoe…

Mas não o deixei terminar de falar.

– Sinto muito, agora eu não estou a fim de perdoar. Estou de cabeça quente.

– Diga pelo menos para onde você vai. Juro que não conto para ninguém. – disse Fábio com lágrimas nos olhos.

– Não sei direito para onde ir. Saibam os dois que gosto muito de vocês, que amo vocês, mas perdi a confiança. Vou pensar, se eu conseguir perdoar os dois tenham certeza que eu digo onde estou. – respondi entrando no carro.

– Tenho chances de voltar com você Tati? – perguntou Fábio.

– Acho que não. – respondi decidida.

– Pelo menos vai nos ligar para dar noticias? – perguntou Henrique.

– Claro. quero só que os dois saibam que vou estar com o C.A., mas não quero que me liguem. Se alguém me ligar juro que jogo o C.A. fora e sumo.

– Não ligaremos e nem contaremos para ninguém. Segredo nosso. – respondeu Henrique.

– Tomara que vocês guardem esse segredo tão bem quanto guardaram o outro.

E fui para casa. Peguei todas as roupas que eu tinha no guarda roupas, peguei o meu notebook, meus cartões de crédito. Para dizer a verdade peguei tudo que era meu e fui para o aeroporto, quer dizer quase tudo, só deixei uma gaveta intacta.

Enquanto isso na agência:

– O que você vai fazer agora Fábio?- perguntou Henrique enquanto os dois entravam na agência.

– Vou acabar com aquela agência.

– Mas sozinho? – perguntou espantado.

– Sozinho. Se eu não conseguir eu morro tentando. quero prender o Roger e destruir o Otávio.

– E a Carla? – perguntou Henrique.

– Vamos simular uma morte, ou uma viagem. Ninguém vai desconfiar.

– E a Tati?

– Ela vai nos perdoar, de um tempo para ela Henrique. No dia do aniversário dela eu vou buscar ela onde ela estiver. – prometeu Fábio.

– Desculpe interromper, mas preciso falar com os dois. – disse Isabela chegando.

– Isabela? – perguntaram surpresos.

– Porque o espanto?

– Você querendo falar conosco? – perguntou Henrique.

– Quero mostrar as fitas, tenho um pressentimento ruim.

– Você está com a fita? – perguntou Fábio.

– Já peguei as duas. Vamos à minha sala, mostro e explico tudo para vocês.

– Já que você insiste. – completou Henrique.

Fábio e Henrique foram à sala da Isabela, primeiro assistiram à fita que me incrimina e depois a que incriminava a Isabela.

– Eu não entendi. – disse Fábio quando a fita terminou.

– Eu e a Tati estávamos cansadas de ficar aqui na agência. Ela só podia sair com o Henrique e eu com o meu parceiro, então saímos escondidas para resolver o caso da Tati.

– E pelo que eu entendi vocês resolveram. – disse Henrique.

– Resolvemos, mas a Tati ficou com dó do rapaz e o deixou ir embora.

– Então até aí vocês já fizeram duas coisas de errado? – perguntou Henrique para ter certeza.

– Isso mesmo. Mas a história não parou por ai, depois eu e a Tati começamos a discutir por causa do que ela tinha feito então eu fui atrás do rapaz que ela tinha soltado para poder prendê-lo, mas quando eu o reconheci não tive coragem e atirei na perna dele somente para falar que eu fiz alguma coisa. – explicou Isabela.

– Resumindo, vocês deixaram o prisioneiro escapar? – perguntou Fábio.

– Isso. – respondeu Isabela.

– E o que tem de mal no que vocês fizeram? – perguntou Fábio.

– Fábio, elas podiam ter sido presas pelo que elas fizeram. – respondeu Henrique.

– Podiam? – perguntou impressionado.

– Podíamos não, podemos. – respondeu Isabela.

– Mas afinal quem era o rapaz? – perguntou Fábio.

– O Otávio. E é por isso que a Tati se culpa pela morte do Gabriel. – respondeu Isabela.

– Porque se ela tivesse prendido ele nada daquilo teria acontecido. – concluiu Henrique.

– Exatamente Henrique. – disse Isabela.

– Vocês deveriam ter sumido com essas fitas. Se alguém sabe disso vão querer prender vocês duas. – disse Henrique preocupado.

– Foi por isso que não queríamos que ninguém soubesse de nada. – respondeu Isabela.

– Fizeram bem. Mas porque você resolveu mostrar isso agora? – perguntou Henrique sem entender.

– Porque a Tati está enfrentando uma barra pesada, ouvi vocês conversando sobre o caixão que está na sala do Otávio.

– Mas você me mandou a carta antes. – disse Fábio.

– Quando vocês aceitaram essa missão, percebi que tudo isso viria à tona, e que seria mais fácil de vocês entenderem se soubessem o que houve.

– Isabela porque você não entra nesse caso junto com o Fábio?

– A Tati não vai gostar. Ela é muito ciumenta. – respondeu a menina envergonhada.

– Não se preocupe ela fugiu de casa e não vai voltar tão cedo. –respondeu Henrique tristemente.

– E se vocês fizerem as pazes ela não terá nada contra. – disse Fábio

– A Tati não vai querer fazer as pazes comigo. – disse Isabela tristemente.

– Mas afinal, porque vocês brigaram? – perguntou Fábio.

– Porque ela me pegou beijando o Gabriel no dia seguinte.

– Como assim? – perguntou Fábio espantado.

– É que eu estava conversando com o Gabriel quando um dos robôs estava transferindo as informações para mim, pelo meu braço, então eu comecei a gritar e o chefe que estava do lado pediu para o Gabriel me beijar para eu não ter como gritar. Ele não quis, mas foi obrigado. É o jeito mais fácil que eles arranjaram, então…

-… Então ela ficou com raiva e brigou com você.  – completou Henrique. – Como eu pude me esquecer desse dia?

– Certo. – disse Isabela.

– Mas então porque não brigou com ele também? – perguntou Fábio.

– Ela brigou, mas ele se declarou e a pediu em namoro e como ela gostava dele, ela não conseguiu ficar brigada com ele por muito tempo. Afinal ela consegue ficar muito tempo brigada com você?

– Não, mas…  Se ele a pediu em namoro, porque todo mundo fala que eles não namoraram?

– Porque ela disse que iria pensar, e antes dela responder ele morreu.

– Que história! – disse Fábio meio surpreso com tudo aquilo.

– Você sabe para onde a Tati foi? – perguntou Henrique mudando de assunto.

– Ou ela foi para a França ou foi para a praia mais longe que ela encontrar aqui em São Paulo.

– Como você sabe que ela foi para esses lugares? – perguntou Fábio.

– Porque quando ela quer ficar sozinha ela vai sempre para um desses lugares. – respondeu Isabela.

– Então você vai fazer as pazes com ela? – perguntou Fábio.

– Não prometo nada. – disse a menina.

– Vai pelo menos tentar? – perguntou Fábio.

– Acho que sim. – respondeu a menina pensativa.

– Quando você vai falar com ela? – perguntou Henrique.

– Mais tarde eu ligo para o hotel que ela vai estar.

– Como você sabe que hotel ela vai estar? –perguntou Henrique.

– Nós temos preferências, então é fácil de achá-la.

– Nós? – perguntou Fábio.

– É. Eu e ela. Bom agora eu tenho que ir. Diz para o senhor e senhora Purpuse que a Tati está bem. E que não é para ninguém procura-la.

– Vai para a missão com o Fábio? – perguntou Henrique.

– Vou ver. Se eu fizer as pazes com a Tati eu vou, mas caso contrário nada feito.

Eu tinha acabado de chegar ao hotel.

– Um quarto, por favor. – disse para o rapaz na recepção.

– Com sacada ou sem sacada?

– Com sacada, mas só com uma cama, e suíte.

– Com banheira?

– Não é necessário.

– Quantos dias a senhorita vai ficar?

– Não sei ainda, mas pode reservar para uma semana.

– Vai pagar agora ou na hora de ir embora?

– Agora. – respondi.

Quando finalmente acabou a negociação:

– Não quero que informe para ninguém o meu quarto.

– E se alguém ligar? Tem algum problema com a polícia? – perguntou o moço desconfiado.

– Sou polícial. – e mostrei o distintivo. – Se alguém ligar fala que não me conhece.

– Tudo bem senhorita.

– Ótimo estou indo para o meu quarto.

Detalhe: esse hotel é de frente para o mar!

Mais tarde no mesmo dia:

– Alô o senhor tem alguma hospede com o nome de Tatiana Purpuse?

– Não senhorita. Por quê?

– Tenho uma telemensagem para ela, mas ninguém me informou o hotel que ela estava então estou procurando. Só me falaram que é da região.

– Se for esse o caso, eu acho que não tem importância passar uma ligação.

– Isso, por favor. – disse Isabela animada.

Então o telefone tocou:

– Alô!

– Alô, gostaria de falar com a Tatiana.

– Quem é? – perguntei a pessoa.

– É a Isabela.

– Desculpe foi engano.

– Tatiana eu sei que é você que está falando. – disse Isabela.

– Como você me achou? – perguntei sem emoção.

– Sei os hotéis que você está, e sei ainda mais os lugares.

– Sorte sua, azar meu. Mas o que você quer comigo?

– Quero pedir desculpas. – disse Isabela.

– Pelo quê? –perguntei.

– Por tudo. Então você me desculpa?

– Você beijou o meu namorado. – respondeu com raiva.

– Você sabe o motivo. – respondeu Isabela ofendida.

– Aquilo não era o suficiente.

– Era sim. Você já tinha feito aquilo várias vezes.

– Tinha, mas não com o namorado dos outros, principalmente da minha melhor amiga.

– Você sabe que isso não é verdade. – respondeu Isabela.

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sobre Vanessa Sueroz

Autora dos livros Confusões em Paris, Minha última chance, Odiado Admirador Secreto, Presente de Aniversário, Eu te amo mais e Três Botões.

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