Parte XXIII


Anteriormente:

– Comigo. – respondeu Otávio sorrindo maliciosamente.

– Ela não teria coragem. – respondeu Fábio sem ter o que falar.

– Pergunta para ela. – disse Otávio calmamente.

– Carla você está me traindo com esse cara? – perguntou Fábio super furioso.

– Não. – respondi confiante.

Parte XXIII

– Ela está mentindo. Charles mata essa cachorra. – respondeu Otávio irritado.

– “O que eu faço?” – pensou Fábio olhando para mim. – Tenho coisa melhor para fazer com ela. Onde posso ficar a sós com a minha esposa?

– Tem uma sala vazia ali. – disse apontando uma porta.

Fábio pegou no meu braço e saiu me puxando. E dizendo baixinho no meu ouvido:

– Finge que eu estou te machucando e que estou te ofendendo.

Fingi. Entramos na sala. Fábio fingiu estar me batendo. Pegamos à maquiagem que eu tinha escondida na mochila e simulamos alguns hematomas para que Otávio pensasse que eu realmente apanhei do Fábio. Quando saímos da sala…

– Tenho certeza que ela não vai tentar mais nenhuma gracinha. Mas você… – disse Fábio apontando uma arma para o Otávio. – Mas você eu tenho mais do que certeza.

– Calma Charles. É tudo culpa dela, se você quiser matar alguém… Mate a. – disse Otávio se levantando e afastando do Fábio.

– O que foi? Está sem armas? Se você estivesse com uma você não me deixaria nem bater na sua amante.

– Tem razão. Mas o que posso fazer para que a minha dívida com você esteja quitada? – perguntou ele.

– Eu não estou afim de fazer esse teste. – respondeu com a arma ainda apontada para o Otávio.

– Então não faça. Vamos Carla.

– Ela também não vai. Tenho contas a acertar com ela.

– Tudo bem. Mas quero falar um minuto com ela.

– Tudo bem. – respondeu Fábio saindo.

Quando Fábio estava saindo ele passou do meu lado e falou:

– O comunicador está ligado, qualquer coisa eu apareço.

Não respondi nada só concordei com a cabeça.

Quando Fábio saiu da sala:

– Carla, Carla, bem feito em ter apanhado. Gostou? Você é bonita, inteligente, mas é fraca e senão continuar comigo em segredo eu faço pior que o seu marido. Fui bem claro? – perguntou Otávio maliciosamente.

– Foi. – respondi olhando firmemente em seus olhos.

– Ótimo, pensei que eu teria que colocar um pouco daquela droga em você também. Alguma pergunta?

– Porque você não matou o Charles? –perguntei vendo a arma na perna dele.

– Porque são ordens do chefe. Ele quer o Charles inteiro. – respondeu Otávio sem importância.

– Por quê? – perguntei.

– Não tenho certeza. Mas você é minha, e se eu quiser te beijar você tem que me beijar, se eu quiser você todinha eu vou ter onde e quando eu quiser. Entendeu?

– Claro. – respondi.

– Ótimo então me beija.

Na hora o Fábio apareceu.

– Demorou. Estavam querendo me trair de novo? Mato os dois. – disse Fábio entrando.

– Calma Charles. Eu estava falando justamente para a Carla parar de me procurar, eu não quero nada com ela. Você confia em mim, não é Charles? São as mulheres que seduzem os homens. Não podemos forçá-las a nada. Você sabe muito bem disso.

– Sei. Vamos Carla. Estou cansado. – respondeu me puxando.

Quando chegamos ao quarto:

– Você está bem princesa? – perguntou ele preocupado.

– Estou pensando muito no Gabriel. – respondi tristemente.

Enquanto isso Henrique tinha explicado para o seu pai tudo que ele e Fábio tinham descoberto.

– Mas isso é impossível, filho. – respondeu meu pai.

– Eu também achei, mas não é.

– Faça o que achar melhor. Por mim ela ficava lá até o final de semana. Se as coisas não melhorassem ela e o Legião voltariam, mas se as coisas melhorassem…

– É uma boa sugestão. Mas não sei se é a melhor.

– Eu também não sei. – respondeu o chefe.

– Se ela descobrisse pelo menos quem é o traidor poderíamos parar com isso na hora. – respondeu meu pai.

Sétimo passo: resolver os problemas mais recentes.

Eu e Fábio estávamos conversando e nos lembramos que a Solange iria lá em casa hoje e tivemos uma idéia:

– Tati e se nós inventássemos uma viagem? – perguntou Fábio.

– Como assim? – perguntei.

– Se as nossas famílias ou pelo menos nós dois fossemos viajar ela não teria como conferir se é você ou não.

– Tem razão. Vamos inventar que vamos com alguma turma para a praia. Os nossos pais iriam deixar-nos ir. – sugeri.

– Certo vamos falar com o JJ e o JJ2.

Falamos com os dois. Eles disseram que iriam tentar convencer os nossos pais. Alguns minutos depois disseram que eles vão viajar, mas iria demorar cerca de uma hora para eles saírem de casa. Então tínhamos que distrair a Solange e a Bruna.

– Certo Fá, você distrai a Bruna, mas só porque a Carla é amiga da Solange e fica mais fácil. – falei.

– Certo.

– Juízo em… – respondi para o Fábio.

– Pode deixar. – me respondeu.

– Em uma hora e meia nos encontramos aqui em frente. (Estávamos na porta do nosso quarto).

– Tudo bem. Tchau.

– Ei! E o meu beijo? – perguntei.

Depois de ele me beijar falou:

– Pronto. Está satisfeita?

– Estou.

– Tchau princesa.

– Charles! (briguei com ele porque ele não podia me chamar de princesa, pois ele era o Charles e não o Fábio).

– Foi mal. – disse ele saindo.

A Bruna queria porque queria beijar o Fábio, ou melhor, o Charles, mas sorte que ele conseguiu escapar, ou pelo menos é o que ele diz; fiquei tentando fazer com que a Solange me contasse quem era o chefe, mas a única coisa que ela disse foi que a pessoa tinha um comércio, mas também não quis dizer que tipo de comércio.

Fabio e eu nos encontramos no quarto na hora combinada. Assim que entramos fomos direto falar com o JJ e com o JJ2, ainda bem que eles já tinham saído de casa, pois as duas já estavam a caminho da minha casa, e se eu não estivesse lá elas iriam à casa do Fábio. Sorte nossa que os robôs foram viajar.

Então começamos a conversar:

– Um dos problemas já está resolvido, mas ainda temos muitos outros.

– Como assim? – perguntei.

– Como o Otávio, o traidor, os prisioneiros, os nossos disfarces, as fotos, as roupas…

– Eu não quero me envolver com nada que esteja naquela sala. – respondi decidida.

– Mas Tati você tem que entender que esse é o nosso trabalho e quê…

– Sinto muito Fá, mas se esse for o meu trabalho, tenha certeza que eu peço demissão. – respondi decidida.

– Eu sei que você gostava muito do Gabriel, sei que você o admirava, sei também que você preferiria morrer no lugar dele, mas a sua vida não pode ficar parada. – me respondeu triste.

– Como você sabe que eu admirava o Gabriel sendo que eu nunca falei com ninguém sobre isso?

“Pode ser porque eu li o seu diário”. – Foi só dedução. –respondeu-me finalmente.

– Vou fingir que acredito.

– Pode fingir. Mas então como vamos descobrir os podres do Otávio sendo que você terminou com ele? – perguntou mudando de assunto.

– Não sei. Mas em falar em terminar. Você terminou com a Bruna? – perguntei.

– Terminei. Mas ela está uma fera. – respondeu.

– Não tem problema.

– Tati lembrei. – disse ele de repente.

– Lembrou o quê? – perguntei sem entender.

– Como nós podemos investigar o Otávio.

– Como? – perguntei ansiosa.

– Ele disse que ele não pode fazer nada contra mim, certo?

– Certo.

– Então vamos os dois na sala dele de madrugada e se ele nos achar, bem… Ele não pode fazer nada contra mim, e se eu entrar na sua frente ele não faz nada contra você. – respondeu.

– Sabe o que eu acho? – perguntei inocentemente.

– Não. O quê?

– Que nós devemos treinar mais. –respondi.

– Como assim? – perguntou.

– Fábio eu não consegui me soltar, o Otávio está muito forte, antes eu espancava ele. Como agora eu não consigo nem me soltar? Tem alguma coisa errada. – respondi.

– Se tem algo errado nós vamos descobrir hoje à noite. Tudo bem para você?

– Claro. Faço tudo que você pedir. – respondi.

– Tudo mesmo? – perguntou malicioso.

– Tudo que eu possa me lembrar agora.

– Certo então eu quero que você… Que você… Que você fale que me ama.

– Nossa que coisa difícil. Vou tentar. – respondi rindo. – Fá, eu te amo.

– Mais alto. – pediu.

– Fá, eu te amo, te amo, te amo muito.

– Eu também te amo princesa. Como é bom escutar da garota que amo que ela também me ama. – disse ele me beijando.

Enquanto isso Otávio estava no telefone com o chefe (traidor):

– A Tatiana e o Fábio estão ai? – perguntou o traidor.

– Os testes dizem que não. Mas vou continuar investigando. – respondeu.

– Eu tenho certeza que eles estão ai. Eu os vi falando com o Henrique pelo computador. – disse o traidor.

– Você os viu? – perguntou surpreso.

– Só o Fábio.

– E como ele estava?

– Não sei direito. Quando estava tentando ver direito o resto dele eu tive que sair. – respondeu.

– Mas você terá outras chances. – respondeu Otávio confiante.

– Não tenha duvidas.

Quando eram duas da manhã saímos do quarto.

– Pronta? – perguntou Fábio.

– Pronto. Só que já aviso: Eu não quero ver nada daquilo.

– Tudo bem. Veja só o que você quiser ver. – respondi.

– Obrigada. É por isso que eu gosto de você. – respondi beijando-o.

– Não se esqueça que você é minha supervisora. – respondeu ele rindo.

– Do jeito que eu estou é melhor inverter os papéis. – respondi

Fábio começou a rir.

– Estou falando sério. – disse para ele.

– Com você não dá para fazer um trabalho sem dar uma risada. – respondeu sorridente.

– E isso é bom ou ruim? – perguntei.

– É a melhor coisa do mundo.

– Então vamos? – respondi feliz.

– Estou logo atrás de você.

Na sala do Otávio:

– Então onde foi que você abriu a porta? – perguntou Fábio olhando toda a sala.

– Não sei direito. Mas foi por aqui. – respondi apontado para a mesa que estava do meu lado.

Quando Fábio conseguiu abrir a porta…

– Você vai entrar? – perguntou para mim.

– Não tenho certeza se quero. – respondi.

– Se você quiser pode ficar aqui.

– Obrigada pela força, mas é melhor enfrentar o meu medo. – respondi agarrando o braço dele para poder entrar.

– Se você acha melhor…

– Acho. – respondi confiante.

– Te dou a maior força.

– Obrigada Fá. – respondi.

Entramos na sala. Eu fui olhar as fotos e Fábio foi direto olhar o caixão. Foi aí quê…

– Tati eu estava certo. – disse ele de repente.

– Sobre o quê?

– Isso é mesmo do Gabriel. – respondeu Fábio impressionado.

– Como assim? Isso é impossível.

– Acho que o Otávio quis de algum jeito se vingar dele. – disse Fábio analisando o caixão.

– Eu não vou olhar.

– Não precisa. – respondeu Fábio.

– Fá, atrás de cada foto tem alguma coisa escrita que eu não estou conseguindo entender direito.

– Deixa eu ver isso.

Fábio ficou um tempo tentando ler, mas finalmente falou:

– Tati a sua foto está escrito o seguinte: Tatiana Purpuse minha amada, te encontrei um dia, terei você para mim, mesmo que para isso tenha que te matar e depois cometer um suicídio, faço de tudo para ter você.

– Esse cara é doente. – respondi.

– Concordo. Mas não é só isso. Na foto do Henrique tem o seguinte: Henrique eu algum dia vou me vingar de você por não ter aprovado o meu namoro com a Tatiana, você vai pagar muito caro pelo tempo que eu estou tendo que esperar.

– Como assim o Henrique não aprovou? – perguntei.

– Não sei. Mas na minha foto tem coisa pior. Diz assim: Fábio Queiroz você roubou minha amada, mas não será por muito tempo irei recuperá-la mais cedo do que você imagina. E você passará o resto da sua vida tendo que ver o nosso amor, isso servirá de lição para você.

– Isso é obsessão. – respondi.

– Concordo. Mas é aqui que nos entendemos o porquê do caixão.

– Então lê. – pedi.

– Na foto do Gabriel tem a seguinte frase: A minha vingança já foi aplicada, você nunca descansará em paz, a sua alma é minha assim como o seu corpo. – leu Fábio.

– Nossa isso dá até arrepio.

– O Otávio precisa de terapia. – respondeu Fábio.

– Concordo.

Foi quando escutamos um barulho.

– O que foi isso, Fá?

– Não sei, mas não é bom descobrir.

– Tem razão vamos embora. – respondi.

– Mas nós não descobrimos porque o Otávio está tão forte. – disse Fábio.

– Descobriremos isso em outra ocasião. É melhor irmos embora.

Alguns dias depois quando estávamos tomando café da manhã…

– Atenção todos! Mesmo que os testes digam que não temos policiais na nossa agência há alguns dias eu tive a prova de que eles estão entre nós.

– O que você está querendo dizer com isso? – ouvimos alguém perguntar.

– Hoje fui em uma das minhas salas e encontrei tudo revirado e alguns dias atrás eu tive a impressão de que alguém estava xeretando por lá. Quero avisar que a vigilância vai ser dobrada e que ninguém mais vai poder usar os hologramas.

– Mas sem os hologramas nós não temos como fazer os nossos assaltos. – disse outro bandido.

– Façam do modo normal como sempre fizeram.

Oitavo passo: o traidor.

Quando estávamos saindo da sala Otávio nos chamou:

– Carla, Charles! Preciso falar com vocês.

– O que foi? – perguntou Fábio.

– Podemos conversar na minha sala?

– Claro. Já estamos indo. Mas vamos antes trocar de roupa.

– Estou esperando na minha sala.

No nosso quarto:

– O que ele quer conosco?

– Não sei. Mas vamos descobrir. – disse Fábio se trocando.

– Isso não está me ceirando bem. – respondi.

– Concordo com você.

Na sala do Otávio:

– Então o que você quer conosco? – perguntou Fábio, com voz de quem não queria conversa.

– Bom é que vocês foram os únicos que não fizeram o teste… – começou Otávio.

– E o que tem? – perguntou Fábio.

– É que dá a impressão de que vocês estão escondendo alguma coisa.

– Otávio você sabe muito bem porque nós não fizemos os testes.

– Sei. Mas por falar nisso… Porque a Carla não está com nenhuma marca da surra que levou há dois meses atrás?

– A marca já saiu. E da minha esposa cuido eu. – respondeu Fábio.

– Mas não está cuidando direito. – respondeu Otávio levantando a voz.

– Porque está dizendo isso?

– Porque ela está me encarando. – disse Otávio com raiva.

– E o que isso tem de mal? –perguntou Fábio sem entender

– Eu não gosto que ninguém me encare. Prefiro que mulher olhe para mim e abaixe a cabeça. – respondeu Otávio.

– Se a mulher fosse sua… Mas como não é… – disse Fábio calmamente.

– Não se preocupe logo-logo terei a minha Tatiana.

– Como assim logo-logo? – perguntou Fábio surpreso.

– Agora ela está viajando, mas assim que ela voltar ela vai ter uma surpresinha. – respondeu distraído.

– Como assim? – perguntou Fábio.

– Pergunte para a sua esposa.

– O que você sabe Carla? – perguntou-me Fábio fingindo estar nervoso.

– Não sei de nada. – respondi.

– Pela cara dela acho que ela ainda não ‘sacou’, mas não se preocupe ela sabe de muitas coisas minhas. Coisas que ninguém mais poderia saber. – respondeu Otávio sem desviar o olhar de mim.

– Do que ele está falando Carla? – perguntou Fábio novamente.

– Não tenho a menor idéia.

– É melhor você ficar de olho na sua esposa caro Charles, ela pode estar te escondendo muita coisa.

– Eu sei me cuidar sozinho. Mas não foi para isso que você nos chamou aqui, ou foi?

– Não. Eu só chamei vocês aqui porque quero que vocês façam um trabalho para mim. – disse novamente distraído.

– Que tipo de trabalho? – perguntou Fábio.

– Eu estou precisando de um pouco de cocaína, pouca coisa.

– Mas para quê?

– Quero que a minha querida Tatiana fique mais do que sobre hipnose se é que você entende. – disse Otávio piscando um olho para Fábio.

– Então porque você não vai atrás, já que é pouca coisa que você quer?

– Não posso estar saindo da agência. Mas como eu sei que vocês conhecem algumas pessoas nessa área pensei em pedir um favor. – disse Otávio sem tirar os olhos de mim.

– Não sei não. – disse entrando na conversa.

– Carla eu não estou falando com você e sim com o Charles. Você só tem que obedecer. –disse Otávio.

– Olha como você fala com ela Otávio. Só quem pode falar assim com ela sou eu. – disse Fábio furioso com o machismo do Otávio.

– Falha técnica, Charles.

– Sei…

– Então vão fazer esse favor? – perguntou mudando de assunto.

– Vou pensar. – respondeu Fábio.

– Pense bem, Charles.

– Pensarei. – respondeu Fábio se levantando.

Fábio saiu da sala, mas quando eu ia saindo…

– Você fica. – disse Otávio me segurando pelo braço.

– Charles está me esperando. – respondi tentando me soltar.

– Depois você inventa alguma desculpa.

– Me solta quero sair daqui. – respondi ainda tentando me soltar.

– Se lembra o que eu te falei? – perguntou com o rosto próximo do meu.

Parte Anterior
Próxima Parte


sobre Vanessa Sueroz

Autora dos livros Confusões em Paris, Minha última chance, Odiado Admirador Secreto, Presente de Aniversário, Eu te amo mais e Três Botões.

Obrigada pela visita. Por favor, deixe um comentário com a sua opinião, isso é muto importante para nós.