Parte XX


Anteriormente:

Todos fizeram cara de espanto. Ninguém estava acreditando no que a Solange estava falando.

– Não só ela como Fábio Queiroz, ele também é um deles. Ele também ajudou essa garota a me prender. CUIDADO! Ela pode fazer coisas piores com vocês. – gritava Solange.

Uma garota então perguntou:

– Sinceramente não acredito em nada. Mas se tudo é verdade… Bem você tem provas do que está dizendo?

– Tenho. – afirmou confiante.

– Quais? – perguntou a menina novamente.

– É mesmo. Quais provas você tem contra mim Solange? – perguntei.

Parte XX

– Se você fizesse o favor de levantar um pouco as calças, acho que até o joelho da para eles verem o canivete, ou melhor, porque você não pega a arma que está dentro da sua bolsa? As pessoas iriam adorar ver.

– Você está tentando dar o maior blefe que eu já vi. – respondi.

– Você sabe que eu estou falando a verdade. Porque você não mostra um dos seus brinquedinhos para eles? Está com medo da reação deles? Espera aqui que eu já volto. – respondeu Solange.

Solange saiu decidida em direção a minha bolsa que estava uns dois metros, mais ou menos, a minha direita. Mas eu tinha me esquecido que tinham coisas sobre a investigação lá dentro, mas Fábio lembrou:

– Tati, têm coisas que ela não pode ver. – disse-me baixinho.

– Do que você está falando, Fá?

– A investigação todinha está dentro da sua bolsa. – respondeu –me.

– Droga! É melhor sermos descobertos do que ter que mudar o plano.

– Tem razão. Deixa comigo. Ela não vai tocar naquela bolsa. – respondeu Fábio com um olhar decidido.

Quando Solange ia pegar a bolsa Fábio sacou a arma, todos se afastaram um pouco e ficaram assustados.

– Eu disse que eles eram perigosos. Olha a arma na mão dele.

Solange parecia não estar com medo então peguei o meu canivete e fui pegar a minha arma na bolsa. Quando peguei a arma:

– Estão vendo? Os dois tem armas. Agora acreditam em mim?

Várias pessoas se entreolharam.

– Fora daqui Solange. Você já me arrumou problemas demais. – respondi.

Fábio e eu percebemos que todos estavam com medo então pegamos os distintivos.

– Fiquem calmos. Somos policiais. Solange é uma foragida da cadeia. – menti. – Por favor, se afastem dela. Não queremos reféns.

Mas até parece que alguém iria me escutar. Quando viram os distintivos e perceberam que estávamos dizendo a verdade todos entraram em pânico. Mas é claro que a diretora tinha que aparecer nessa hora. Na hora errada, em vez de aparecer antes…

– Tatiana Purpuse e Fábio Queiroz queiram por gentileza arrumar um escândalo em outro lugar. – pediu seriamente a diretora.

– Ela começou. – respondi para a diretora.

– Quando o chefe de vocês veio na escola falar comigo sobre a senhorita eu disse que proibia armas dentro da escola. E isso serve para você também senhor Fábio.

– Mas meu chefe lhe disse que se por motivos drásticos eu precisasse usar a minha arma eu iria usar. – respondi.

– E qual é o motivo drástico? – perguntou a diretora como se estivéssemos mentindo.

– Temos uma foragida dentro da escola.

– E onde ela está? – perguntou olhando para os lados.

Fábio e eu olhamos para todos os lados, procurando Solange, mas com o aparecimento da diretora ela havia fugido.

– A senhora conseguiu fazer com que ela fugisse. – respondeu Fábio.

– Então o que vocês dois têm na defesa de vocês?

– Espere um momento. – disse para ela.

Pegamos o C.A. e apertamos o botão encrenca.

– Um de nossos supervisores está vindo. Podemos ir atrás da garota? – perguntei para a diretora.

– Não até alguém chegar. – respondeu ela nervosa.

– A senhora vai se arrepender. – respondi baixo.

– Do que garotinha? E pela última vez, abaixe essa arma os dois.

Guardamos as armas na cintura. Não demorou nem cinco minutos e Henrique já estava lá.

– O que aconteceu? – perguntou Henrique quando chegou.

– A Solange fugiu e a diretora não quer nos deixar ir atrás dela.

– Podem ir. Eu me entendo com ela.

– Também você é o mais novo filho do chefe da agência. – disse Fábio rindo.

– Boca fechada não entra mosca Fábio. Aquilo ainda é um segredo. – sussurrou Henrique para Fábio.

– Minha boca é um túmulo. – respondeu.

– Tomara que continue sendo.

Fábio e eu saímos correndo na direção de Solange. Quando viramos a esquina paramos de correr.

– Porque você falou que a Solange tinha fugido? – perguntou Fábio exausto.

– Porque iríamos ter que escutar muito, e então resolvi dar uma voltinha, quero entrar naquela agência amanhã então temos que fazer uma coisinha antes.  – respondi.

– Você não está querendo matar o Charles agora, está?

– Estava. E depois temos que comprar os disfarces.

– Que belo último dia de aula. – disse Fábio irônico.

– Vai se acostumando. – respondi rindo.

Conseguimos achar o Charles cerca de meia hora depois. Fomos atrás dele. Quando eram mais ou menos três e meia estávamos frente-à-frente com o Charles.

– Carla?

– Acorda! A Carla está morta.

– Ah é você agente Rouxinol. – disse Charles decepcionado.

– Quem você pensou que fosse? Um bicho-papão? – perguntei zoando.

– Engraçadinha. Mas o que querem comigo? A única coisa que eu fiz foi fugir da prisão. E é claro aquela sua amiguinha está atrás de mim. O que foi? Trocou de missão com ela?

– Não seja estúpido. Ela não é minha amiga. E a minha missão é outra.

– Posso saber qual? – perguntou Charles curioso.

– Claro. Já ouviu falara da CMFC?

– E quem é o criminoso que nunca ouviu falar nela? – perguntou ironicamente Charles

– A minha missão é acabar com a agência. – respondi.

– Você esta brincando? Vocês nunca vão conseguir. – respondeu ele.

– Vamos sim.

– Isso não tem nada a ver comigo. O que vocês querem?

– Vamos dizer que você vai entrar na agência. Mas é claro que não vai ser você. – respondi.

– Você acha que eu pareço com você? –disse Fábio rindo.

– Você nunca iria ter coragem para me matar. – disse ele para mim.

– Tem razão. Você nunca me fez nada. Não tenho raiva de você. Mas não sou eu que vou te matar. – respondi.

– Então seria quem? – perguntou como se Fábio não estivesse presente.

– Eu. – respondeu Fábio.

– Mas Legião, você não tem motivos.

– Tenho sim. Mas dá muito trabalho falar todos então vou simplificar. Ciúmes! Você deu em cima da minha namorada. – disse Fábio um pouco sarcástico.

– Vocês ainda não eram namorados. – respondeu ele tentando escapar da morte.

– Tem razão… Mas quem é que liga para esse detalhe? – perguntou apontando a arma.

Fábio é claro que atirou no Charles quando disse isso.

Mandamos o corpo para a agência.

Quinto passo: a aparência. Tínhamos que ser iguais ao Charles e a Carla.

Logo em seguida fomos para o centro da cidade. Entramos em várias lojas de roupas. Para ser sincera demos uma geral no nosso guarda roupa.

Tínhamos as roupas, mas ainda não éramos parecidos com Charles e nem Carla, então fomos cuidar dos cabelos.

Carla tinha os cabelos longos, quase do tamanho dos meus, ah o cabelo dela era escuro, então tive que pintar.

Charles tinha os cabelos bem curtos então Fábio teve que cortar um pouco os cabelos. Mas a sua tonalidade estava perfeita.

Em seguida tínhamos que ter os sinais. Como tatuagens. Claro que não faríamos tatuagens de verdade, então usamos um aparelho que Henrique tinha inventado a mais ou menos três anos. Ficamos parecendo que tínhamos feito tatuagens de verdade. Mas você deve estar se perguntando como iríamos esconder tudo isso dos nossos pais, bem… Os cabelos eram só falar que estava com vontade de mudar um pouco, mas as tatuagens tivemos que passar maquiagem, porque como as tatuagens eram falsas a maquiagem tampava.

Logo em seguida veio a pior parte: A cor de pele. Como o Fábio teve sorte, o Charles era quase da sua cor, então ninguém iria reparar se a tonalidade só fugisse cerca de 0,2% da cor original. Mas como eu não tenho essa sorte tive que fazer bronzeamento artificial, demorou muito para que eu chegasse à cor de Carla. Sorte que não foi ao contrário. Já pensou se eu fosse morena e ela branca?

Já eram 6 da tarde e tínhamos muita coisa para fazer. Tínhamos que mudar um pouco a nossa fisionomia, claro que com uma máscara tudo deu certo. Você deve se perguntar: Mas como eu consegui enganar o Charles e não conseguiria enganar qualquer outro? A resposta é: O Charles era burro, e estava muito escuro para ele reparar em algo.

Sete e meia, quase oito da noite fomos fazer um tipo de maquiagem que dura um mês, resumindo, iríamos ter que ir retocá-la uma vez por mês. E assim tínhamos as cicatrizes.

Agora faltava o corpo. Tínhamos que ter as mesmas medidas de Charles e Carla, como a Carla era muito mais velha que eu, eu tive que ter mais busto, mas de jeito nenhum eu iria colocar silicone, então lá fui eu para mais uma máquina. Como tinha alguns tipos de roupas que não dava para usar sutiã eu tive que dar outro jeito. Não sei como explicar, mas Henrique colocou um simples liquido no meu seio ele conseguiu fazer o meu busto aumentar. A única coisa que eu me perguntava era: Como eu iria explicar para a minha mãe como eu tinha ficado daquele jeito.

A única coisa de Fábio teve que fazer era engordar dois kilos. Então surgiu a seguinte conversa:

– Não vamos poder ir para casa. – disse Fábio.

– Porque não Fábio? – perguntei.

– Nossos pais nem vão nos reconhecer. Tudo em nós está diferente.

– Só porque você não parece ser o Fábio não quer dizer que a sua mãe não te reconheça. – disse brincando.

– Para de gracinhas. – disse Henrique.

– Tudo bem. Concordo. A Tati também não pode aparecer “turbinada” desse jeito em casa. – disse Fábio para Henrique.

– Era para eu rir? – perguntei com raiva.

– Me desculpe, mas você está mesmo “turbinada”, Tati. – respondeu Fábio.

– Vou encarar como um elogio. – respondi com um pouco de raiva.

– Bem, estávamos esquecendo um detalhe. – disse Henrique.

– Qual? –perguntei.

– A voz de vocês. Esqueceu-se que tem reconhecimento de voz em tudo quanto é lugar. – disse Henrique.

– Esquecemos também das retinas, nos olhos. – disse Fábio.

– As retinas é fácil. Fazemos lentes. Mas a voz… – Henrique começou a pensar.

– Alguém já fez isso antes? – perguntou Fábio.

– A Tati já fez, mas tem um problema. – disse Henrique.

– Qual? – perguntou Fábio.

– É que a voz só dura durante 72 horas. – respondeu Henrique.

– E depois disso? – perguntou ele.

– Vocês terão que recarregar. – respondeu Henrique.

– Como assim Henrique?

– Vocês poderão fazer isso pelo C.A., mas é arriscado. – disse Henrique meio pensativo e preocupado ao mesmo tempo.

– Por quê?

– Porque vocês terão que ficar durante uma hora sem falar nada, ou serão descobertos.

– Tudo bem.  Carregamos a voz antes de dormir. – disse Fábio.

– Certo então vou preparar tudo. Daqui a mais ou menos uma hora eu volto.

Quando Henrique saiu Fábio e eu voltamos a conversar:

– Como será que ficou aquela confusão na escola? –perguntou Fábio vagamente.

– Provavelmente tudo bem. Não é a primeira vez que isso acontece.

– Vou perturbar o meu pai para ele me mudar de escola. – disse Fábio sem pensar.

– Eu também. Mas vai ser difícil. Acho que vou fingir que tenho um emprego e pago uma escola particular. – respondi.

– Você vai gastar dinheiro sendo que você sabe tudo que vai aprender?

– É que eu tenho que ter um bom currículo. – respondi.

– Para quê? Você já tem um emprego. – disse Fábio.

– Não pretendo trabalhar aqui até morrer.

– Você vai trabalhar aqui até morrer e seus filhos também. – respondeu ele repentinamente.

– Nada a ver. Isso não vai acontecer.

Quando o Henrique voltou:

– Pronto é só vocês engolirem esse comprimido. Vocês terão dificuldade para falar durante alguns minutos.

Passados esses minutos:

– Podemos ir para a CMFC agora Henrique? – perguntei.

– Claro Carla.

– Não sei até quando vou agüentar que me chamem de Carla. Esse nome é horrível. – respondi.

– O meu é pior ainda Tati. – disse Fábio.

– Charles? Acho que não. Prefiro Charles do que Carla.

– Certo vamos evitar uma discussão. – disse Fábio.

– Por quê? – perguntei.

– Por que se eu brigar com você eu vou pensar que é a Carla então a briga vai ficar séria. – respondeu sério.

– Tem razão. Diz uma coisa Henrique… – comecei.

– Pode falar. – disse ele ainda examinando Fábio e eu como se fossemos algo surpreendente.

– Quanto tempo vai durar essa transformação?

– Temos que renovar no mínimo a cada dois meses. – respondeu sem tirar os olhos de nós.

– Quero ver como vamos fazer isso sem levantar suspeitas. – disse Fábio.

– É só nos encontrarmos em algum lugar que eles não tenham como monitorar. – respondeu Henrique.

– Certo. – respondeu Fábio.

– Mas a Tati e eu não podemos desaparecer. – disse Fábio.

– Bem lembrado Fábio. Vou dar um jeito. – disse Henrique que só agora desviou o olhar.

– Então o que vai acontecer com a Tati e comigo? – perguntou ele mais uma vez para ver se tinha uma resposta mais concreta.

– O JJ e o JJ2 vão simular algumas missões somente para que ninguém desconfie de nada. E enquanto vocês não estiverem em casa para seus pais não desconfiarem.

– Eu não confio muito no JJ. – respondi.

– Por que Tati? – perguntou Henrique.

– Ele está muito estranho ultimamente.

– Tem razão. Mas já fiz uma limpeza nos dados dele, ele não tem nenhum tipo de envolvimento com ninguém fora da agência. – disse Henrique com a melhor desculpa que pôde imaginar na hora.

– Mas e se o traidor não for ele, e sim outro agente? – perguntei.

– Eu vou investigar isso Tati. -disse ele tentando me fazer parar de fazer perguntar.

– Sozinho? – perguntei

– Claro que não. Eu peço para um dos meus amigos me ajudarem. –respondeu imediatamente.

– Aposto que não é um traidor e sim uma traidora. – pensei alto.

– Está pensando em quem? – perguntou-me Fábio.

– É claro que na Isabela. Aquela menina é uma cobra, não poderia nem ser faxineira da agência. – respondi bem séria.

– Claro que não. Na agência são os robôs que arrumam tudo. – disse Henrique brincando.

– Eu sei. –respondi nervosa.

– Só que eu acho que você fica uma graça quando está nervosa. – disse Henrique.

– É um complô? – perguntei irritada.

– Da onde você tirou essa idéia princesa? – perguntou Fábio.

– Os dois adoram me ver nervosa porque dizem que eu fico fofa. Isso é armação só para me deixar nervosa. – respondi irritadíssima.

– Tem razão. Mas vamos parar com esse assunto. Ele não tem sentido. – respondeu Henrique.

– Como foi na escola Henrique? – perguntou Fábio para quebrar o clima.

– Tudo bem. Mas aquela diretora é muito chata. É bom vocês mudarem de escola.

– É a coisa que eu mais quero agora. – respondi.

– É melhor vocês irem. – disse Henrique tristemente.

– Mas nem me despedi da minha mãe. – disse com ar de saudade.

– Sinto muito Tati. Ela não vai nem falar com você. Esqueceu-se que você agora é uma criminosa procurada por toda a polícia? – disse Henrique.

– Tem razão. – respondi

– E como eu vou falar com os meus pais? – perguntou Fábio.

– Não vai falar com ninguém da família de vocês até a missão terminar. – respondeu Henrique.

Sexto passo: se infiltrar.

Chegando à CMFC…

– Queremos falar com o seu chefe. – disse para um condenado que estava na porta.

– Quem são vocês? – perguntou o rapaz.

– Eu sou Carla e ele é Charles. – respondi.

– Ouvi falar muito de vocês. –disse o rapaz mal vestido.

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sobre Vanessa Sueroz

Autora dos livros Confusões em Paris, Minha última chance, Odiado Admirador Secreto, Presente de Aniversário, Eu te amo mais e Três Botões.

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