Parte XVIII


Anteriormente:

– Na mais interessante. – respondi.

– Estou prendendo de novo o Charles. Coisa que você não fez direito.

– Eu estou acabando com a CMFC. –respondi confiante.

– Já ouvi falar dessa agência. Mas não sabia quem tinha pegado essa droga de missão. – disse ela morrendo de ciúmes da minha missão.

– E a sua? Quanto tempo você demora para pegar o Charles? Eu o pego em metade de um dia.

– Querida, você usa o corpo e eu o cérebro. – respondeu Isabela.

Parte XVIII

– Claro. Se você tivesse um corpo igual o meu, você já tinha pegado ele. Resumindo: Eu tenho um corpo definido e você tem um monte de banha no lugar. – respondi.

– O seu corpo só é definido se for definição de bola. – respondeu Isabela irritada.

– Olha para você primeiro. Eu só peso 51, mas você…

– Só para a sua informação eu estou pesando 55 kg.

– Veja a diferença. Você é 4 kg mais gorda que eu. – respondi.

– Quem você está chamando de gorda? – perguntou Isabela.

– Você. Além de gorda está ficando surda?

– Pelo menos eu não uso óculos. – disse Isabela.

– Eu uso lentes. Mas você é surda querida. Está me escutando? Quer que eu grite mais alto? – zoei ela.

– Ora sua…

E começamos a brigar de novo. Mas Henrique separou.

– Se as duas ainda não perceberam vocês quebraram uma parede de vidro. – disse ele nervoso.

– Não tem problema. Eu pago depois. – respondemos juntas.

– Você não pode falar junto comigo. – disse Isabela.

– Quem não pode falar junto comigo é você. Isabela vai caçar o que fazer. – disse para ela.

– Igualmente Tatiana.

Depois Isabela foi embora eu fui para a minha sala.

Mas ainda na SV:

– Caramba. A última vez que elas brigaram assim faz mais de sete meses. – disse Henrique.

– Eu sei. Logo que eu entrei na agência eu vi as duas brigando de longe. – respondeu Fábio.

– Mas nem sempre foi assim. –disse Henrique

– As duas eram amigas, não é? – perguntou Fábio para confirmar.

– É. Mas por um motivo que nenhuma das duas fala elas pararam de se falar.

– Até que idade as duas foram amigas? – perguntou Fábio.

– Até os 8 anos.

– As duas se conheceram com que idade? – perguntou Fábio curioso.

– A minha mãe é amiga da mãe da Isabela. Elas planejaram ter as duas juntas.

– Então as duas nasceram no mesmo dia?

– Não. Deu alguma coisa errada. A Tati é cinco dias mais velha que a Isabela.

– E a sua mãe? Ela ainda é amiga da mãe da Isabela? – perguntou Fábio.

– É. As duas sempre tentam fazer as duas voltarem a se falar, mas nunca conseguem. – disse Henrique.

– Deve ser difícil. A Tati é teimosa demais.

– E você pensa que a Isabela não é? – perguntou Henrique.

– Então é impossível fazer elas voltarem a se falar. – concluiu Fábio.

Acho que você não está entendendo nada do que está acontecendo. Eu explico. Nós estamos tentando descobrir algo que incrimine a CMFC. Então no meio dessa bagunça, nós descobrimos que eles usam hologramas para fazer os crimes. Descobrimos também que os chefes de segurança dos bancos devem estar envolvidos com o traidor da agência. E a última coisa que contei é uma das mil brigas que eu e a Isabela tivemos. Só contei agora porque vocês vão precisar saber de coisas para também tentarem decifrar os mistérios do mundo dos agentes. Voltando a história:

Eu e Fábio ficamos algum tempo sem novas pistas e decidimos entrar na agência.

Já estávamos no último dia de aula na nossa escola. E como sempre a única coisa que todos os alunos faziam era assinar e pedir para que os outros assinassem camisetas. Os mais populares sempre se cansavam de tantas camisetas que assinavam. Esse era para ser um dia normal. E pelo menos foi até a metade da tarde.

O dia começou normal. Henrique me acordou como sempre com uma ligação no C.A. pedindo que eu fosse para a agência. Chegando na agência Fábio e eu fomos investigar algum criminoso que pudéssemos nos disfarçar. Lá para as 10 da manhã fomos treinar um pouco. Pois estávamos cansados de ficar na frente de um computador fazendo pesquisas. Até aí tudo estava normal. Até que no meio do treino escutamos o som parar de tocar e uma voz começa a falar:

– Atenção todos os agentes. Quero todos no ginásio, formem cerca de 1000 filas cada uma com cerca de 100 agentes. Quero por classificação. Os que são classificados melhores eu quero na frente. E isso é para agora. Nada de embromação.

Foi quando vimos todos os agentes entrarem em disparada para ir para o ginásio. Claro que fomos atrás. Quem dera que aquilo fosse somente algo sem importância. Porque nunca conseguimos cair na rotina? Então enquanto entravamos na fila Fábio e eu ficamos conversando:

– O que seu pai quer desta vez? – perguntou ele.

– Quem? – perguntei.

– O chefe.

– Eu acho que entendi outra coisa. – respondi confusa.

– O que você entendeu?

– Nada não. Besteira. Mas é a segunda vez que ele faz isso.

– O que aconteceu na primeira vez? – perguntou Fábio.

– O chefe queria humilhar cerca de 100 agentes na frente da agência inteira. Ele falou coisas horríveis de um por um. E depois chamou os agentes que ele considera os melhores para uma luta. Quem ganhasse a luta, seria escalado para uma missão, que na época era mais perigosa e mais honrosa que existiu.

– E quem ganhou a luta? – perguntou Fábio.

– Não lembro. Eu era muito nova.

– Mas você não ficou entre as melhores?
– Fiquei. Mas o chefe só deixa ir para essas missões agentes que tem entre 15 a 25 anos. – respondi.

– Mas porque isso?

– Porque ele diz que nessa idade temos mais energia e nos saímos melhor nas missões, então eu não pude nem tentar pegar essa missão.

– Será que isso vai acontecer de novo? – perguntou Fábio.

– Não sei.

– Era só um agente escalado para essa missão? – perguntou Fábio.

– Não. Eram os três melhores. É claro que o melhor ficava como comandante.

– Mas e as missões que eles já tinham?

– Eram deixadas de lado por cerca de duas semanas. que era o tempo que o chefe dava para os três acabarem com a missão. – respondi.

– Mas e se eles não conseguissem?

– Eles voltavam para a sua missão normal, e a super-missão era entregue para mais três agentes. E assim por adiante.

– Mas é praticamente impossível terminar uma missão desse nível em duas semanas. – respondeu Fábio.

– Mas essa era a intenção. O melhor agente não era aquele que resolvia o caso e sim aquele que conseguia se misturar com os seus rivais e ainda assim conseguir pistas de um mistério sem fim.

– Porque sem fim? –perguntou Fábio.

– Porque eles bolavam uma missão que não existia. Só que impossível de se solucionar, mas cada vez que eles descobriram alguma coisa, a agência enrolava mais o caso.

Depois fomos interrompidos. Quando percebemos todos estavam nas filas e o chefe estava pedindo silêncio para que pudesse falar:

– Me desculpe a confusão. Graças a Deus não temos nenhuma emergência e nenhuma prova igual da outra vez.

Só se ouviram rumores por algum tempo.

– Acalmem-se. Só quero a ajuda de todos para que possamos melhorar a agência. Queremos sugestões. Eu quero saber o que falta para a agência ser perfeita. Porque alguém deixaria a agência CMCC para ir para o lado do crime? Se alguém tiver respostas, por favor, anotem e ponham naquela caixa ali. Não é preciso colocar seu nome.

– Ele quer o que com isso? – perguntei para Fábio.

– Acho que quer descobrir quem é o traidor. – respondi.

Fomos interrompidos de novo com o chefe pedindo silêncio.

– Tenho uma confissão a fazer. – disse o chefe.

Ouviram-se mais rumores.

– Eu logo-logo vou me aposentar e meus filhos vão me assumir.

Ouviam – se mais rumores.

– Você sabe quem são os filhos dele, Fá?

– Não faço idéia. – claro que Fábio mentiu. – “Será que ele vai contar? Como será que a Tati vai reagir?”.

O chefe voltou a falar:

– Como poucos de vocês sabem, meus filhos trabalham aqui na agência. E já estou muito velho para continuar administrando uma corporação secreta. Henrique sendo o meu filho mais velho irá me assumir em pouco tempo.

Agora ouvimos rumores como nunca. E as mesmas perguntas: Será que o Henrique vai ser um bom chefe? Quem será o outro filho do chefe? Foi quando ouvimos alguém falar algo:

– E quem é o seu outro filho? – perguntou um agente.

– Não está na hora dela saber. – respondeu o chefe.

– Então é mulher? – perguntou outro agente.

– É. Vocês estão dispensados. –respondeu o chefe.

– Ela sabe que o senhor é pai dela? – perguntou uma agente.

– Não. Agora voltem para as suas atividades normais. – respondeu o chefe.

Adivinha de quem foi que essa pergunta… Claro que foi a Isabela. Depois veio toda cínica falar comigo:

– Tenho certeza que sou eu à irmã do Henrique. – “Vamos ver qual é a sua nessa história”. – pensou ela olhando para mim.

– Se for você… Coitado do meu maninho.

– Você não pode o chamar de irmão. Ele não é seu irmão. Ele é meu irmão. – “pelo visto você ainda não sabe nada”.

– Eu não dou a mínima para isso. O Henrique é meu irmão de consideração. E você sabe disso. –respondi.

– Não é porque um dia eu fui sua amiga que eu tenho que saber tudo sobre a sua vida. – “Será que eles nunca vão te contar”?- pensou Isabela.

– Você não tem mesmo coração. Você nunca gostou de alguém. – respondi.

– Claro que gostei. Pare de mentir. Só que a pessoa que eu gostei era proibida. E você sabe muito bem que coisa proibida é melhor. – disse Isabela decidida.

– E o que é que eu fiz que fosse proibido?

– Você sabe. – disse Isabela com tom de finalização.

– Acho que não. –respondi decidida a continuar a discussão.

– Você quer que eu fale na frente do seu namorado?

– Eu não tenho nada a esconder. – respondi.

– Então tudo bem. Você se lembra daquele dia que pegamos a sua missão e fomos sozinhas para as ruas? – perguntou ela antes de continuar.

– Todo mundo sabe disso. – respondi

– Mas eles não sabem que nós resolvemos o caso, e você.. – eu a interrompi.

– Olha aqui. Eu nada. Você também estava junto. – falei.

– Eu disse que não era uma boa idéia. – respondeu Isabela.

– Mas e você que… – ela me interrompeu.

– Tudo bem. Já estamos bem grandinhas para isso.

– Tem razão. Nada de chantagem. – respondi.

– Eu parei com isso.

– Ainda bem. Porque eu parei de aceitar chantagens.

Isabela virou a cara e saiu andando. E dizendo:

– Você vai ver só o que te aguarda. Você vai sofrer muito.

– Vai tarde sua cobra. – respondi.

Isabela saiu dando risada.

– Porque vocês duas brigaram? – perguntou-me Fábio.

– Eu não estou a fim de falar nisso agora.

– Mas Tati… – começou ele.

– Você não vai ficar falando na minha cabeça sobre esse assunto, vai?

– Porque vocês se odeiam? – perguntou ele novamente.

– Já disse que não quero falar nisso agora. Qualquer coisa eu vou estar no meu quarto pesquisando sobre a Carla. – respondi.

– De novo essa condenada. – disse ele entediado.

– Se eu enganei o Charles falando que era ela… Porque não posso enganar um bando de patetas? –perguntei decidida.

– Você vai ser a Carla. E eu ainda não sei quem eu vou ser.

– Que tal nós matarmos o Charles? – perguntei.

– Para quê? – perguntou ele surpreso.

– Você pode ser ele. Afinal o Charles tinha um caso com a Carla.

– Você não tem dó? – me perguntou.

– Não. Você lembra quando eu fui prender ele? Lembra-se o que ele me disse? – estiguei ele.

– É mesmo. Eu tinha me esquecido. Devemos matá-lo. Mas eu não acho certo. Me da um tempo para pensar? – perguntou Fábio um pouco chateado.

– Claro. Você tem cerca de dois dias. Senão vamos nos atrasar para a rebelião que vai ter nos presídios. –respondi.

Nós fomos informados, e ajudamos a causar uma rebelião no presídio que o Charles iria ser preso logo-logo pela Isabela.  E para fingirmos que somos condenados nós vamos aparecer na CMFC logo após a rebelião.

Fui para a minha sala. E Fábio foi falar com o Henrique que por sinal estava rodeado da garotas.

– Me deixem passar. – pedia ele.

– Oi Fábio. O que aconteceu? – perguntou Henrique.

– Nada. Só queria falar com você.

Henrique mandou todas as garotas irem embora.

– Ainda bem que você apareceu. Odeio gente interesseira. – disse ele um pouco nervoso.

– Pensei que você estivesse gostando. – disse Fábio rindo.

– Deus me livre! Se minha namorada vê isso…

– Sério? Não sabia que tinha namorada.

– É que ela não é aqui da agência. Mas pedi para a Tati treiná-la. Quem sabe ela consegue entrar aqui na agência. – respondeu Henrique esperançoso.

– Então quer dizer que ela sabe tudo da agência? – perguntou Fábio curioso.

– Tudo e mais um pouco. Eu conto tudo para ela. Principalmente sobre você e a Tati.

– Ah! Quanto tempo vocês estão juntos? – perguntou mostrando interesse.

– A cerca de cinco anos e meio.

– Nossa! A Tati sabe?

– Sabe. Mas ela como de costume, não vai com a cara dela.

– A Tati não vai com a cara de ninguém. Mas me diz: Qual o nome dela? – perguntou Fábio.

– Foi mal esqueci de te falar. O nome dela é Thais.

– Porque eu nunca ouvi falar dela?

– Não sei. Pensei que você soubesse. – respondeu Henrique sem entender.

– Não. Eu pensei que você não tinha namorada.

– Mas você não veio aqui para isso, ou veio?

– Eu tinha me esquecido. Eu vim para ver se você tinha a fita de quando a Tati e a Isabela brigaram.

– Eu não tenho. Mas a Tati tem. – respondeu tristemente.

– Como assim?

– Quando as duas brigaram para ninguém ver o que ouve a Tati pegou uma fita e a Isabela outra. Pelo que sei, a fita da Tati incrimina a Isabela e vice-versa. – disse Henrique pensativo.

– Elas fizeram algo errado? – perguntou Fábio.

– Pelo pouco que sei fizeram. Foi alguma coisa contra a lei.

– Você tem idéia do que seja?

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sobre Vanessa Sueroz

Autora dos livros Confusões em Paris, Minha última chance, Odiado Admirador Secreto, Presente de Aniversário, Eu te amo mais e Três Botões.

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