Parte XVI


Anteriormente:

– Tudo bem. Isso não vai acontecer mesmo. Então qual dos dois vai me encarar?

– Deixa que eu vá Ro. Não quero que você suje as suas mãos.

– Tudo bem Legião. – respondi animada.

O comandante não durou nem um minuto.

– E agora passa as fitas. – disse Fábio se recompondo e arrumando a camisa.

– Vocês não são pessoas normais. – disse o oficial com um pouco de espanto na voz.

Parte XVI

– Claro que não. – confirmei.

– Quem são vocês? – perguntou tentando se levantar.

– Agentes da CMCC. – respondi.

– Eu já ouvi falar dessa agência. É um lugar onde só entram policiais altamente qualificados.

– Você está falando com os dois melhores agentes da CMCC. Agora estamos atrasados. – respondi.

Saímos de lá e fomos direto para o mercado roubado. Chegando lá:

– Quem é que cuida de tudo por aqui? – perguntei.

– Sou eu mesmo.

– Somos policiais. Queremos saber o que foi roubado. – disse Fábio.

– Foi roubado de tudo.

– Mas só produtos comestíveis? –perguntou Fábio.

– Não. Também foram roubados alguns Dvds, vídeos, câmeras de filmagem, máquina fotográfica, televisores, e outros eletro domésticos.

Estava na cara que eles queriam comida e algumas coisas para montar a parte de tecnologia da agência.

Fomos embora direto para a biblioteca.

– Queremos falar com a bibliotecária. Onde posso encontrá-la? – dissemos para uma moça que estava olhando os livros.

– Vocês são quem? – perguntou-me

– Estamos investigando o caso do roubo. – disse Fábio mostrando os distintivos.

– Já vou chamar.

Dois minutos depois:

– Sim… O que desejam? – perguntou uma mocinha um pouco mais velha que eu.

– Ficamos sabendo que só foram roubados livros de ciência. A senhora pode confirmar isso? –perguntou Fábio.

– Sim rapaz.

– Qual era o conteúdo dos livros? – perguntei.

– Todos os livros continham somente informações sobre experiências.

– Tinha algum outro assunto nos livros?

– Só em um que tinha fórmulas já inventadas, de alguns cientistas, fórmulas que nunca deram certo. – disse a mocinha.

– A senhora tem fitas de segurança? – perguntei entrando na conversa.

– Não. Aqui é uma biblioteca pública e não particular, mocinha.

– Muito obrigada pelas informações, senhora. – respondi enfatizando a última palavra, para zoar a moça.

– Voltem sempre que precisarem.

Voltamos para a agência.

Terceiro passo: juntar tudo e encontrar pistas.

Na agência alguns meses depois:

– E agora? O que leva tudo isso? – perguntou Henrique.

– É só pensar um pouco maninho. – respondi.

– Quase tudo roubado serve para que a fórmula funcione em maior número. Ou seja, que funcione melhor. – respondi.

– Mas aí é que está o dilema Tati. – disse Henrique.

– Qual? – perguntei

– E os que não servem para a fórmula? – perguntou ele.

– Eu ainda não tenho certeza. Tem alguma idéia Fá?

– Ainda não. Mas tenho já algumas coisas em mente. – disse ele misterioso.

– Me diz uma coisa: Porque vocês trouxeram as fitas de segurança? Querem identificar alguém? – perguntou Henrique.

– Não. queremos ver como eles agem. – respondeu Fábio.

– De quem foi à idéia Fábio?

– Dos dois. – respondeu.

– Certo. E o que descobriram? – perguntou Henrique curioso.

– Nada ainda. Mas vamos tentar copiar algumas técnicas, para ver se conseguimos nos sair bem na missão.

– Vocês podem fazer outra coisa. É muito perigoso se infiltrar. – preveniu Henrique.

– Nós já estamos cientes disso. – disse Fábio.

– Mudando de assunto… Vocês não têm prova amanhã?

– É mesmo eu tinha me esquecido. – respondi.

– Eu também. – disse Fábio pensativo.

– É melhor vocês irem para casa.

– Tem razão. Temos que estudar. – disse Fábio.

– Você vai para casa agora Fábio? – perguntei.

– Vou sim. Tenho prova de biologia.

– Então deixa que eu chame o motorista. – disse Henrique apertando aos botões em uma gaveta.

– Tudo bem. Vamos arrumar a sala e já vamos encontrar você na SV. – disse Fábio se aprontando para sair.

– Não demorem.

Mais ou menos 15 minutos depois na SV:

– O motorista já está à espera de vocês – disse Henrique.

– Tchau maninho.

– Tchau.

– Tchau Henrique.

– Tchau. E estudem os dois.

– Pode deixar. – respondemos juntos.

Fomos cada um para a sua casa. Estudamos um pouco, mas o Fábio me ligou porque estava cansado de estudar. Então entramos na internet. Ficamos conversando até mais ou menos 10h30min da noite.

No dia seguinte na escola:

– Meu Deus, eu não lembro nada. – disse Fábio ao vento.

– Relaxa Fá, você é inteligente. – respondi tentando anima-lo.

– Eu acho que vou tirar vermelha.

– Não vai não. Você estudou ontem.

– Tati, o “C.D.F.” aqui é você. – respondeu-me.

– Olha só quem fala. Um garoto que nunca tirou nota vermelha na vida.

– Você também não. E outra, para tudo tem uma primeira vez.

– Fica calmo Fá. Você vai se sair bem. – respondi.

– Tomara que você esteja certa. – respondeu preocupado.

No intervalo:

– E então como você foi na prova, Fá?

– Dá para tirar um 8.0, mas não tenho certeza. E você, como foi na prova?

– Normal. – respondi sem importância.

– Que nota você acha que tirou?

– Não sei. Mas devo tirar só 9.0 ou 9.3. – respondi

– Você fala só?  – perguntou indignado.

– Eu tava rezando para tirar essa nota.

– É que você não estudou direito. – respondi brincando.

– Eu não sou igual a você. – disse ele rindo.

– Só porque eu acho legal estudar não quer dizer que temos muita diferença. – respondi um pouco irritada.

– Vamos trocar de assunto. Eu não estou a fim de brigar com você hoje, Tati. – disse ele mais sério.

– Tudo bem. Fá, como é que todos da escola descobriram que nós estamos namorando?

– Porque faz muito tempo. Nós só conseguimos esconder tudo deles por no máximo um mês.

– E quanto tempo faz que nós estamos juntos? – perguntei.

– Nossa era para eu te perguntar isso. Porque geralmente quem sabe dessas coisas são as mulheres. – disse Fábio.

– Me desculpa, mas é que eu perdi a noção do tempo.

– Tudo bem. – disse meio chateado.

– Então faz quanto tempo que nós estamos juntos? – insisti na pergunta.

– Quase sete meses.

– Já? –perguntei espantada.

– Já. Porque o espanto?

– Nada não.

– O que foi princesa?

– Nada. – respondi pensativa.

– Não quer me contar por quê?

– Fá, eu não tenho nada para te contar. –respondi.

– Tem sim. Pode falar. Você sabe que eu não vou contar nada para ninguém.

– Eu sei. Mas eu estou falando sério. Não estou te escondendo nada. Eu vou fingir que estou te escondendo alguma coisa. –respondi.

– Você vai ter mais alguma prova hoje? – perguntou ele.

– Vou.

– Qual matéria?

– Inglês. – respondi desanimada.

– Então você nem precisou estudar. – disse Fábio.

– Como você sabe?

– O Henrique me falou que você sabe falar espanhol, francês, alemão, italiano, português e está no último estágio do inglês.

– Odeio quando sabem muito da minha vida.

– Não parece. –me respondeu.

– Você está cada dia mais louco. Acho que vou ter que pegar o telefone do hospício.

– Engraçadinha. – disse Fábio rindo.

– Obrigada. – respondi com um grande sorriso.

– Mas porque você sabe falar tantos idiomas? – perguntou ele voltando ao assunto.

– Coisa do Henrique. Ele quer que quando eu tenha que viajar por causa da agência, eu não precisa de tradutor ou ficar adivinhando o que as pessoas estão tentando dizer. – respondi.

– Mas você já teve alguma missão em outro país? – perguntou ele interessado.

– Quando eu tinha 10 anos eu fui com o Otávio para a França, mas geralmente não precisa. Tem agentes bons lá.

– O que vocês tinham que fazer lá?

– Tínhamos que prender um bandido que tinha viajado para lá para fugir. Mas essa história é chata. – respondi.

– Você já viajou para outro lugar?

– Fora do país não, só fui mesmo para a França, mas já viajei quase todo o Brasil sem minha mãe saber. Não sei como até hoje ela não descobriu nada.

– Desde pequena o JJ fica no seu lugar?

– Pelo que eu lembre sim. – respondi curiosa.

– Você nunca trocou de robô? – perguntou me observando.

– Acho que não. Mas porque a pergunta? – perguntei desconfiada.

– Não sei. Mas estou com um pressentimento ruim. – respondeu

– Que tipo de pressentimento?

– Eu acho que o JJ é o traidor. – disse Fábio seriamente.

– Acho que agora que eu vou ter mesmo que te internar em um manicômio.

– Eu estou falando sério. – disse ele mais sério que nunca.

– E você pensa que eu estou brincando? –perguntei séria.

– Tati, mas pensa bem. O JJ sempre está sumindo. Ele sabe tudo sobre a sua vida, tudo que ele sabe de alguma forma o Otávio sabe.

– Faz sentido, mas eu tenho certeza que o JJ não está me traindo.

– Como você pode ter tanta certeza?

– Não sei. Mas acho que o JJ nunca faria isso.

– Eu não posso acusar ele. Mas é para ele ficar esperto. Eu estou de olho nele.

– Não sei não.

– Você vai ficar do meu lado ou não? –perguntou Fábio.

– Claro que sim.

– Vou falar com o Henrique. Acho que ele pode me ajudar. Você vai me ajudar?

– Dependendo do que for eu posso ajudar. – respondi sem encará-lo.

– Eu entendo que você não quer acusar ninguém, mas é a única saída que temos. Se você não quiser me ajudar não precisa. Não é porque somos namorados que você precisa me apoiar em tudo. –respondeu Fábio.

– Eu sei disso. Mas eu só quero descobrir por onde ele anda ultimamente.

– Tudo bem. Quando eu descobrir te falo. Mas não quero que você se envolva muito nisso. – disse Fábio me abraçando forte.

– Tenha certeza que eu não vou me envolver muito. – respondi.

– Ótimo.

Na saída da escola:

– Posso te acompanhar até em casa? – perguntou Fábio gentilmente.

– Você me acompanha até em casa todo dia.

– Mas quero ir como jovens normais. – disse ele gentilmente.

– Mas somos jovens normais. – respondi.

– Você sabe do que estou falando.

– Claro que sei. – respondi rindo.

– Então posso? – perguntou Fábio todo romântico.

– Claro que pode.

Começamos a ir para casa:

– Você já pensou em abandonar alguma missão? – perguntou de repente me assustando.

– Já. Mas porque a pergunta?

– Não sei. Veio-me na cabeça. – disse ele distraído.

– Você precisa de férias.

– Você já pensou em sair da agência algum dia? – perguntou.

– Não. Mas porque o interrogatório, Fá?

– Não sei. Mas tenho a impressão que você vai sair de agência.

– Você bebeu o que hoje? – perguntei brincando.

– Só água. – respondeu ele naturalmente.

– Então colocaram alguma coisa na sua água.

– Eu não te entendo. – disse ele.

Foi quando alguém chegou para estragar a nossa “festa”. Adivinhem quem era…

– Nossa, eu não sabia que você estava gostando de penas Fábio. –disse a pessoa

– Como você tem coragem de vir aqui me ofender? – perguntei nervosa.

– A conversa ainda não chegou ao galinheiro.

– Cala a boca, sua vaca. –respondi agressivamente.

– Vamos parar de trocar elogios. O que quer aqui Solange? – perguntou Fábio.

– Você. – respondeu a menina sem rodeios.

– Então vai ver se eu estou na esquina. – disse Fábio.

– Já vi. Você está aqui. Mas eu vou dar mais uma chance para você. Larga essa galinha e fica comigo. – propôs Solange.

– Você gosta de apanhar! – afirmei.

– Eu já disse que a conversa ainda não chegou ao galinheiro.

– Olha como você fala com a Tati. – disse Fábio se irritando.

– Eu falo com ela do mesmo jeito que você fala comigo. – respondeu ela.

– Você está a fim de levar outra surra, garota? – perguntei.

– Você só ganhou de mim porque eu deixei.

– Eu ganho de você com os braços amarrados nas costas. – respondi para ela.

– Sério? Vamos para com esse papo. –disse Solange para mim.

E virando-se para o Fábio perguntou:

– Então Fábio o que você me diz?

– Sobre? – Fábio se fez de desentendido.

– Eu e você. – respondeu ela chegando mais perto do rosto dele.

– Eu digo que é melhor você ir plantar batata. – respondeu Fábio nervoso.

– Sei que você não pode falar que me ama na frente dessa garota. Mas se quiser me encontrar você sabe onde eu moro. – respondeu Solange com a mão no rosto de Fábio.

– Tenha certeza que se eu quiser vou à sua casa para te matar. Mas não se preocupe. A Tati não deixa. Agradeça a ela. senão você já tinha morrido. Agora saia daqui. Vá para o Diabo que te carregue. – disse Fábio decidido.

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sobre Vanessa Sueroz

Autora dos livros Confusões em Paris, Minha última chance, Odiado Admirador Secreto, Presente de Aniversário, Eu te amo mais e Três Botões.

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