Parte XIX


Anteriormente:

– Eu não tenho. Mas a Tati tem. – respondeu tristemente.

– Como assim?

– Quando as duas brigaram para ninguém ver o que ouve a Tati pegou uma fita e a Isabela outra. Pelo que sei, a fita da Tati incrimina a Isabela e vice-versa. – disse Henrique pensativo.

– Elas fizeram algo errado? – perguntou Fábio.

– Pelo pouco que sei fizeram. Foi alguma coisa contra a lei.

– Você tem idéia do que seja?

Parte XIX

– Não. Nunca consegui ver nenhuma das fitas.

– Henrique, a Isabela sabe que seu pai…? –começou Fábio.

– Você está falando da Tati?

– É. – respondeu Fábio ansioso.

– Sabe. Porque ela disse alguma coisa?

– Não, mas pelo jeito que ela olhava para a Tati… Mas se as duas se odeiam porque a Isabela não contou nada para a Tati? – perguntou sem esperança.

– Porque essa é a vontade da Solange. – respondeu Henrique.

– Agora eu não estou entendendo nada. – afirmou Fábio confuso.

– Eu explico. É que ano passado ou retrasado a Tati e a Isabela estavam brigando bem na porta da escola, foi quando a Solange apareceu.

– A Solange já odiava a Tati? – perguntou Fábio espantado.

– Já sim. E foi falar com a Isabela.

– O que ela queria? – perguntou Fábio.

– Não sei direito, mas a duas viraram amigas por um tempo. Mas quando a Solange descobriu que tinha algo aqui na agência que a Tati não iria gostar…

– Ela quis que a Isabela falasse tudo para a Tati. – completou Fábio deduzindo o que Henrique iria falar.

– Exatamente. Ela fez chantagens com a Isabela. E a Isabela com a Tati.

– Mas que tipo de chantagens?

– Só elas sabem. – disse Henrique triste por não saber de nada.

– A agência parece um filme de terror.

– Porque você diz isso Fábio? – perguntou Henrique confuso.

– Porque só tem histórias doidas, e todas tristes.

– Normal. Você não queria que as histórias sempre terminassem em “Felizes para sempre”…

– Seria legal.

– Mas isso não é uma história. Você não pode escolher um final. Isso é a vida. É só o destino.

– Que papo doido. – disse Fábio.

– Você deveria estar pensando em quem você vai se disfarçar. – disse Henrique.

– Deveria. Mas é que a Tati quer matar o Charles, porque aí nós podemos ficar juntos sem que ninguém desconfie de nada.

– É uma boa idéia.

– Você acha? – perguntou Fábio surpreso.

– Claro. – respondeu Henrique normalmente.

– Mas porque matar o Charles sendo que a Carla está viva?

– Não está não.

– Como assim?

– A Tati matou a Carla no ano passado. – respondeu Henrique.

– Por quê?

– Não lembro muito bem. Acho que a Carla estava no meio de um assalto. Então a Tati não estava conseguindo prender ninguém e matou todos os fugitivos.

– Nossa! Vocês têm sangue – frio. – disse Fábio um pouco receoso.

“Sangue-frio para quem não sabe é uma expressão, que usamos quando queremos dizer que alguém não tem medo de matar, ou então não se impressiona facilmente”.

– É porque temos missões que é impossível serem realizada sem matar alguém. Como essa que vocês estão.

– Eu não preciso matar ninguém. Eu posso ser alguém que já morreu.

– Não dá. Os bandidos sabem quem está morto e quem está vivo. Tirando a Carla. A Tati deixou um robô no seu lugar para descobrir algumas coisas sobre os bandidos.

– Então de qualquer jeito eu vou ter que matar alguém? –perguntou Fábio indignado.

– É isso mesmo.

– Então que seja o Charles. Pelo menos eu tenho motivos para matar ele.

– Tem? E quais seriam? –perguntou Henrique curioso.

– Ele “deu em cima” da Tati. – respondeu Fábio enciumado.

– Isso não é o bastante. Para uma pessoa comum.

– Eu sou um agente. Quem disse que isso é comum?

– Estava esperando você dizer isso. Mas trocando de assunto… Cadê a Tati?

– Ela disse que iria para o quarto dela.

– Eu vi pelo computador que ela estava discutindo com a Isabela. – respondeu Henrique.

– Como de costume você quer dizer.

– É tem razão.

– Em falar nisso… Tenho que falar com a Isabela. Sabe onde ela está? – perguntou Fábio onde para ver se a menina não estava a sua vista.

– Espera um pouco que eu vou ver.

Em menos de dois minutos depois…

– Ela está na sala dela. – disse Henrique

– Está sozinha.

– Está.

– Ótimo. Não quero que ninguém escute a nossa conversa.

– O que você quer falar com ela? – perguntou Henrique curioso.

– Quero ver se a convenço de me entregar à fita de quando elas brigaram.

– Acho difícil. – disse Henrique certo do que estava dizendo

– Você uma vez me disse que tudo é possível.

– Mas que é difícil isso você não pode negar.

– Vamos ver. – disse Fábio confiante.

– Antes de você ir me responde uma coisa…

– Pode perguntar.

– Você já descobriu quem é o traidor? – perguntou Henrique desconfiado.

– Eu estou de olho no JJ. Por falar nele… Cadê ele?

– Está na casa da Tati. –disse Henrique olhando no computador.

– É mesmo, hoje é dia normal. Por falar nisso… Daqui a pouco tem aula.

– Relaxa é o último dia de aula de vocês.

– Nesse ano… – disse Fábio saindo.

Então Fábio foi falar com a Isabela na sala dela. Chegando lá:

– Isabela! Posso falar com você?

– Se for sobre a Tatiana, pode esquecer.

– Eu só quero as fitas. – disse sem embromação.

– Que fitas? – perguntou fingindo não saber do assunto.

– Do dia que vocês brigaram.

– Insisto. Que fitas? – disse Isabela fingindo que não sabia de nada.

– Pára de fingir. Você não me engana. – disse Fábio.

– Como você é cara-de-pau.

– Sou mesmo.

– É claro que eu não vou te dar a fita. – disse Isabela sem nem olhar para ele.

– Pára de implicância. Você está escondendo o quê?

– Nada que te interesse. – respondeu Isabela olhando para o computador.

– Eu estou calmo. Não vou me irritar com ela. – disse Fábio para si mesmo.

– E porque não estaria calmo?

– Eu quero as fitas. – disse já sem o tom de gentil na voz.

– Se você quer as fitas, significa que você não está com a outra fita.

– Tem algum problema? – perguntou irritado.

– Se a sua própria namorada não te entregou a fita… Porque eu deveria? – perguntou finalmente olhando para ele.

– Porque você não é a Tati. – disse Fábio pensando já ter ganhado a confiança da menina.

– As fitas não são para o seu bico.

– Estou vendo que vai ser mais difícil do que eu pensei. – disse para si mesmo.

– Desiste, eu não vou te dar nenhuma fita.

– Eu preciso das fitas.

– Já disse que não. – respondeu ela decidida.

– Você parece a Tati. – resmungou ele.

– Eu teria que descer o nível para pelo menos se parecida com ela.

– Você é mais tonta do que eu pensei. – respondeu Fábio irritado.

– Igualmente. Não sei como a Tatiana conseguiu algo pior que ela.

– O que você está querendo dizer com isso? – perguntou Fábio irritado.

– Que você consegue ser mais chato e mais irritante que ela.

– Gostaria de saber quanto você ganha para atormentar a Tati. Diz?

– Dizer o quê? – perguntou ela sem entender.

– Quanto você ganha para ser tão chata?

– Você está me chamando de interesseira? – perguntou ela nervosa.

– Se você encara as coisas por esse lado… O que eu posso fazer?

– Sai daqui. Me cansei de você. – gritou ela.

– Eu só saio daqui com a fita.

– A fita não está aqui. – respondeu.

– Onde ela está?

– Em um lugar que você e nem ninguém procuraria.

– As imagens devem estar guardadas em algum chip.

– Claro que sim. Se quiser procurar é só ir lá ao sótão. – respondeu a menina sorridente.

– Aqui na agência tem sótão? – perguntou Fábio confuso.

– Claro que sim. Só que tem pessoas que consideram como um ambiente normal.

– Por quê? – perguntou Fábio interessado.

– Porque é muito grande.

– Lá tem todos os chips?

– Têm. Porque você não vai lá? – perguntou ela inocente.

– É isso mesmo que eu vou fazer. – respondeu Fábio decidido.

Fábio foi ver o lugar que a Isabela disse, mas lá tinha tanto chip que ele desistiu de procurar. E foi falar com Henrique:

– Eu não sei.

– Não sabe o quê?

– Não sei onde procurar. – disse Fábio.

– Você ainda está atrás das fitas? – perguntou Henrique rindo.

– Claro que sim.

– Mas desistiu por quê?

– Porque a Isabela me falou para ir ao último andar, ou sótão como ela chama.

– E o que tem?

– Eu vi mais de 100 quatrilhões de chips. Como eu poderia achar? – perguntou triste.

– Eu já procurei. Mas é impossível. A cada dia vão para lá mais de 100 chips. Já cheguei a olhar um por um, mas só agüentei olhar pouco mais de mil.

– Vamos ter que procurar as fitas.

– A Tati nunca deu nenhuma dica de onde estivesse. – disse Henrique pensativo.

– Mas a Isabela deu. – respondeu Fábio pensativo.

– O que ela falou? – perguntou Henrique.

– Falou que a fita está no único lugar que ninguém iria procurar.

– Mas onde seria esse lugar?

– É o que vamos descobrir. – disse Fábio decidido.

– Você está querendo fazer algo praticamente impossível.

– Você sempre me diz que nada é impossível.

– Mas esse caso é totalmente diferente. – disse Henrique sem esperança.

– Você está querendo fugir do compromisso.

– Você está cada dia pior. Você nunca vai encontrar essas fitas.

– Vamos ver. – respondeu Fábio decidido.

– Fábio desiste. – aconselhou Henrique.

– Eu vou descobrir, seja como for, mas eu vou descobrir.

– Eu estou fora disso. Mas posso te ajudar dando alguma informação, nada mais que isso.

– Estou vendo que sou o único que quer descobrir o que ocorreu no passado.

– Eu quero descobrir, mas já fiz o que podia. Se você conseguir convencer a Tati de entregar a fita, quem sabe a Isabela também entregue a dela. – disse Henrique um pouco esperançoso.

– Vou tentar. Mas tenho certeza que isso vai ser mais difícil do que essa missão.

– Não tenho dúvidas. – disse Henrique.

Então Fábio foi falar comigo lá no meu quarto. Chegando lá eu estava escutando musica no último volume.

– Tati! Tati! – gritava Fábio.

Ele chamou umas quatro vezes e depois entrou no quarto. E foi logo desligando o rádio.

– Porque você fez isso? – perguntei.

– Porque eu quero falar com você.

– Pode falar.

– Tati, pelo amor de Deus me entregue a fita.

– Que fita? – perguntei inocentemente.
– A fita do dia que você e a Isabela brigaram.

– Não. – disse decidida.

– Por que não?

– Porque eu não quero. E por favor, não insista.

– Vou desistir por um momento. – Me respondeu ele.

– Por quê?

– Porque está na hora de ir para a escola.

– Tinha me esquecido que hoje é o último dia de aula.

– Eu nunca tive um ano tão agitado. – comentou Fábio.

– Esse ano não foi tão agitado como o ano passado. – respondi pensando no ano anterior.

– Então vamos para a escola? – perguntou.

– Vamos. Você vai levar alguma coisa para os seus amigos assinarem? – perguntei por não ter o eu falar.

– Acho que não. Como hoje só vão ter gincanas na escola, eu quero ficar com você como se fossemos um casal normal, como os outros casais da escola.

– Mas somos. – respondei.

– Só se for você.

– Bem… Somos quase normais. – completei.

– Vamos parar com esse papo chato e vamos para a escola.

Meia hora depois já estávamos indo para a escola. Como de costume várias pessoas pediram para que nós assinássemos camisetas e agendas, mas mesmo assim estávamos nos divertindo até mais ou menos às 2 horas. (Resumindo nos divertimos somente uma hora).

Mais ou menos às duas horas demos de cara com a Solange que eu não me lembrava que tinha saído da FEBEM. E infelizmente ela teve que me lembrar aparecendo na escola.

– Ora, ora o que eu encontro. – disse olhando para nós.

– Da para explicar como você saiu da FEBEM? – perguntou Fábio.

– É muito simples, Fábio. Meu pai pagou a fiança.

– E o que você está fazendo aqui na escola? Você não estuda aqui. – respondi.

– Querida Tatiana, gostaria primeiro de te informar que você é uma péssima agente, e eu só estou aqui porque é o último dia de aula e a Bruna deu um jeitinho para que eu entrasse na escola.

– Obrigada pelo elogio. Gostaria de te informar também que você não luta nada. – respondi um pouco irritada.

– Tenha certeza que aprendi muito com as minhas amigas. E ouvi falar muito em uma tal de Carla.

– Cala a boca não está vendo que estamos na escola? – perguntou Fábio baixinho só para nós escutarmos.

– Se eu achasse um microfone eu gritaria para todos saberem que você é uma agente e que matou várias pessoas.

– Bandidos eu mato com orgulho. Então toma cuidado porque senão você vai ser a próxima. – respondi.

– É uma ameaça? – perguntou a menina.

– Com certeza. – respondi.

– Então vou ter que te matar antes. – disse Solange.

– Tenta a sorte.

– Com prazer. Porque você não briga comigo agora? quem Sabe você ganhe. – disse Solange.

– Brigaria com o maior prazer, mas tenho modos. Eu estou na escola. -respondi

– Então eu acho que vou ter que provocar. – disse Solange

– Você não vai conseguir. –respondi.

– É o que vamos ver. – e virou para o Fábio. – Você também não pode arrumar briga na escola?

– Claro que não.

– Então você não brigaria se eu machucasse a sua queridinha? – perguntou olhando fundo nos olhos do Fábio.

– Se você quebrar qualquer coisa no corpo da minha princesa, eu te mato aqui mesmo. – respondeu Fábio em tom de ameaça.

– Ótimo, meu amorzinho. – e olhou para a minha cara para ver se eu estava com raiva. – Amor porque nós não vamos namorar um pouquinho?

– Porque para eu fazer isso eu tinha que estar bêbado, acho que até bêbado eu não faria isso.

– Vamos ver. Quer que eu deixe você bêbado? – perguntou Solange.

– Não obrigado. Quero que você me deixe em paz, mesmo. – respondeu Fábio nervoso.

– Isso eu não posso fazer. Mas sei de algo que pode te alegrar. Quer que eu conte? – perguntou Solange.

– Não.

– Mas vou contar do mesmo jeito. Lembra-se quando a sua querida Tati falou que era namorada do Otávio?

– Ela estava sendo controlada. – respondeu Fábio na mesma hora.

– É o que você pensa. Na hora ela estava sendo controlada, mas na hora que ela beijou o Otávio não.

– Você está querendo que eu acredite em você? – perguntou ele rindo.

– Pergunta para a sua namoradinha, ou até mesmo para aquela tal de Isabela. Ela viu tudo.

– Confio na minha namorada, sei que ela nunca faria isso.

Quando Fábio disse isso a Solange fez uma cara de quem tinha entendido que não estava conseguindo me atingir, e como ela queria brigar então:

– Ela não faria isso, mas você.. – dizendo isso ela agarrou o Fábio e beijou-o. Fábio a empurrou com tanta força que ela foi parar longe.

– Você não consegue aceitar que eu amo a Tati. Deixe-nos me paz. – respondeu ele olhando ela no chão.

E nisso a escola toda já estava em volta de nós.

– Vê se olha no espelho. Compare você com a Tati. Eu nunca deixaria a garota que eu amo por uma qualquer feito você.

– Olha como fala comigo. – gritou Solange.

– Acho que devo descer um pouco mais o nível para conseguir me igualar a você – respondeu ele nervoso.

– Porque você não bate em mim? – perguntou ela.

– Estou me segurando para não fazer isso. É covardia eu brigar com você e por isso… – eu interrompi.

– Ele não pode brigar com você, mas eu posso. Apesar de ainda ser covardia. Você é tão fraquinha. Desnutrida. – disse em alto e bom som.

– Só porque você sabe uns truques, Tatiana, não quer dizer que eu também não saiba.

No começo a briga foi normal, mas depois que ela tentou puxar o meu cabelo, a briga ficou séria, tipo quando estávamos brigando no dia que a prendi.

Você deve estar se perguntando por que ninguém nos separou ou porque não fomos parar na diretoria. Mas espere um pouco que você já vai entender.

Claro que quem ganhou fui eu, mas como Solange não se conformou ela começou a fazer um escândalo:

– Alguém aqui sabe o porquê que essa garota ganhou de mim? Alguém faz idéia do porque que ela briga tão bem? – gritava Solange.

Todos ficaram em silêncio por algum tempo.

– Ela! – disse apontando para mim. –… Essa garota, Tatiana Purpuse trabalha em uma agência que incrimina pessoas inocentes como eu. Ela, essa garota que todos conhecem me colocou na cadeia só porque eu tentei pegar o meu namorado de volta.

Todos fizeram cara de espanto. Ninguém estava acreditando no que a Solange estava falando.

– Não só ela como Fábio Queiroz, ele também é um deles. Ele também ajudou essa garota a me prender. CUIDADO! Ela pode fazer coisas piores com vocês. – gritava Solange.

Uma garota então perguntou:

– Sinceramente não acredito em nada. Mas se tudo é verdade… Bem você tem provas do que está dizendo?

– Tenho. – afirmou confiante.

– Quais? – perguntou a menina novamente.

– É mesmo. Quais provas você tem contra mim Solange? – perguntei.

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sobre Vanessa Sueroz

Autora dos livros Confusões em Paris, Minha última chance, Odiado Admirador Secreto, Presente de Aniversário, Eu te amo mais e Três Botões.

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