Parte XIV


Anteriormente:

– Me devolva ela. – disse Otávio.

– Vem buscar.

– Com o maior prazer. – finalizou Otávio.

Vou contar uma briga de cada vez senão você não vai entender nada do que aconteceu naquele dia.

Eu e a Solange estávamos brigando, mas também conversando:

– Acho que você melhorou. Meus parabéns Solange. Pelo menos agora você sabe matar mosca. – tirei sarro com ela.

– É, mas você ainda não aprendeu. Parece que nem treinou.

Parte XIV

– Quero ver até onde você vai. – respondi confiante para irritá-la.

– Tenha certeza que se continuar assim, o Fábio é meu.

– Mas você não conseguiu nem me acertar ainda. –respondi cada vez mais confiante.

– Mas é só questão de tempo. – disse a garota.

– Sabia que você e o Otávio formam um casal perfeito? – a interroguei.

– Eu prefiro você com o Otávio, e eu com o Fábio. Afinal você não tem classe. – disse Solange.

– Eu preciso aprender a ter menos classe com você. Ou é melhor você subir pelo menos perto do meu nível? – perguntei.

Quando eu disse isso a Solange começou a ficar nervosa e a tentar me acertar de qualquer jeito.

– Agora sim, sei que você treinou um pouco. – disse para ela.

Depois de um tempinho ela conseguiu dar um tapinha no meu braço.

– Está vendo só? Eu já te acertei.

Enquanto isso o Fábio e o Otávio também estavam em uma briga.

– Você não mudou nada. Está o mesmo frangote de sempre. – disse Otávio debochando.

– Então porque você não me acertou ainda?

– Por que eu estou com dó. – respondeu Otávio sorridente.

– Então pára com isso, porque dó não é típico de um homem e sim das mulheres.

– Está me chamando de bicha? –perguntou irritado.

– Se você vê as coisas assim… Ou melhor, se a carapuça serviu.

Com o Fábio foi à mesma coisa. Depois de um tempo Otávio deu um soquinho de leve, mas na barriga do Fábio.

– Eu já te acertei sua bicha. – disse Otávio.

– Você pode me chamar de bicha, mas pelo menos eu tenho uma namorada. – provocou Fábio.

– Ora seu… –começou Otávio.

– Não tente nada. Ou as conseqüências serão catastróficas. – disse Fábio.

Ele tentou dar um chute no Fábio, mas então…

– Acho que está na hora princesa. – disse Fábio.

– Acho melhor esperar. – respondi.

– Mas ele está muito cheio de si.

– Ela também, mas temos que ser educados. –respondi.

Do nada a Solange e o Otávio gritam:

– Agora!

Então sai uma flecha, tipo tranqüilizante, de uma pequena arma que os dois tinham. Vimos uma flecha na direção de cada um.

Mas como estávamos mais velozes pegamos a flecha antes mesmo que ela nos atingisse.

– Mas como vocês fizeram isso? – perguntou Solange.

– Está vendo só o que dá ser gentil com bandidos, princesa?

– É eles me decepcionaram. Pensei que eles iriam tentar dopar a gente pelo menos quando estivéssemos distraídos. –respondi olhando a flecha.

– Eu também pensei que eles seriam capazes de pensar em algo melhor. Mas isso aqui. – disse mostrando a flechinha. – Isso não tem nem imaginação.

– Mas como vocês fizeram isso? – perguntou Solange.

– Tati vamos tirar esses pesos dos nossos braços. – disse Fábio.

Tiramos de cada braço mais ou menos 20 Kg.

– Vocês tinham pesos nos braços? – perguntou Solange espantada.

– Claro. Queríamos estar no mesmo nível que vocês. Mas como vocês não foram legais com a gente, nós vamos ter que dificultar as coisas.

– Não vão nos dizer que ainda tem pesos no corpo de vocês. – disse Otávio.

– Tem mais 20 kg em cada perna. Mas não estou a fim de tirar. Você está Fá? – perguntei debochando do Otávio.

– Não princesa. Mas se eles fizerem algo tão sem senso de novo aí tenha certeza que eu tiro. Só para eles verem o que é bom.

– Solange, não se assusta. É só “veco” dos dois. – disse Otávio vendo a cara de espanto de Solange.

– Mas já estava difícil antes, imagina agora.

– Relaxa. Mas vê senão bate com força na minha Tati.  – brincou ele tentando tranqüilizar a parceira.

– Pensei que você iria dopar ela de novo. – disse Solange.

– E vou fazer isso. Só que primeiro preciso acabar com esse chato.

– Olha como você fala com o meu Fábio. – disse Solange irritada.

– Pensei que você iria dopar ele também.

– Mas vou. Ou pelo menos vou tentar. – disse a menina.

– Acho que você vai ficar na tentação Solange. – disse para ela.

– Eu ainda não estou falando com você. – respondeu ela ignorante.

– Olha como fala com a minha princesa. – disse Fábio para Solange.

– Como você tem coragem de chamar “essa” de princesa? Você me decepciona Fábio. – respondeu Solange.

– Ainda bem. Porque eu te odeio. E agora vamos acabar com esse papo chato. Quero acabar com você dois logo. Concorda princesa? – perguntou Fábio confiante.

– Claro Fá. Vamos arrebentar! – respondi.

Nós quatro começamos a brigar de novo. Depois de mais ou menos meia hora Otávio e Solange conseguem acertar eu e Fábio. Depois de quase dez minutos eles tentam ejetar a droga de novo. No Fábio não chegou nem perto, mas em mim… Se eu não estivesse com aquela pomada eu já era, mas como eu tinha cinco minutos para tirar “aquilo” que agora estava sólida, do meu pescoço…

Depois de pouco esforço eu e Fábio conseguimos prender os dois, mas como de costume juraram vingança.

Mais tarde conversando com o Henrique:

– Até que em fim vocês prenderam os dois.

– Eu já não via a hora. – respondi.

– Eu também. Mas agora vamos pelo menos ter um tempo de descanso. – respondeu Fábio cansado.

– Tenho que avisar para os dois que o pagamento de vocês já foi depositado.

– Nós recebemos o valor de ter feito o quê? – perguntei.

– Vocês receberam por dois serviços. –disse Henrique.

– Quais maninho? – perguntei.

– Por seqüestro e por ter prendido um foragido. – respondeu Henrique.

– Resumindo? – disse para ele.

– Vocês receberam mais de 20 mil. Mais três e quinhentos por ter prendido o Charles.

– Então nós estamos com mais de vinte a três mil e quinhentos (23.500) no banco? – perguntou Fábio impressionado.

– Isso mesmo Fábio. – respondeu Henrique.

– Acho que vou colocar um pouco na conta da minha mãe, acho que se for pouco ela não vai perceber.

– Põe uns 300 por semana Tati. – respondeu Henrique.

– Acho que vou fazer isso Henrique. Mas tenho que ser muito discreta.

– Concordo. Mas eu não tenho o número da conta nem da minha mãe nem do meu pai. – disse Fábio.

– Quer que eu arrume Fábio? –perguntou Henrique parecendo algo normal.

– Como vocês fazem para conseguir isso Henrique?

– A Tati pegou pela internet. Mas podemos pegar diretamente pelo seu pai, ou pelo banco. É só você escolher.

– Se vocês fazem isso, o que os bandidos não fazem?

– Tem razão. Mas temos uma tecnologia muito avançada. – disse Henrique se gabando.

– Eu sei. Conheço pouco da agência e já estou impressionado.

– Você se acostuma Fá. – respondi rindo.

– Mas trocando de assunto.. Vocês têm que descobrir quem é o traidor… –disse Henrique.

– Mas isso é quase impossível maninho.

– Mas se vocês não descobrirem, o Otávio ainda vai ter informações sobre tudo da agência.

– Eu sei, mas é complicado. – respondi.

– A Tati tem razão. Não podemos acusar alguém sem provas. – respondeu Fábio pensativo.

– Dizendo assim parece que você sabe alguma coisa Fábio. – disse Henrique desconfiado.

– Infelizmente não sei de nada. – respondeu ele pensativo.

– Mas vamos ter que descobrir. Vocês estão correndo risco de vida.

– Não chega a tanto, Henrique. – respondi.

– Mas me diz uma coisa: E a Bruna? –perguntou Fábio.

– O que tem a Bruna Fá? –perguntei desconfiada.

– Ela sabe que somos agentes, e ela também era cúmplice da Solange.

– Ela não vai ser presa? A Solange foi.

– Mas o pai da Solange foi preso no lugar dela. – respondi

– Mas como ela foi presa também? – perguntou Fábio.

– A Solange foi para a FEBEM, vai ficar lá por dois anos. Mas no caso da Bruna é diferente.

– Diferente como Tati? – perguntou Fábio para mim.

– O caso dela é mais leve. Então ela pode pagar fiança ou fazer serviços comunitários por uns 9 meses.

– Mas isso é muito pouco. – disse Fábio revoltado.

– Na verdade é… Mas a justiça do nosso país é assim mesmo.

– Então ela vai poder me infernizar? – perguntou Fábio decepcionado.

– Claro que não. Eu não deixo ela nem chegar perto de você. – respondi com ciúmes.

– Não liga Fábio. Ela está com ciúmes. – respondeu Henrique rindo.

– Ciúmes do quê? – perguntou ele.

– De que a Bruna gosta de você. Mas não liga. – respondeu Henrique.

– Me diz uma coisa: E se ela contar da gente para alguém? – perguntou Fábio para Henrique.

– E você acha que alguém vai acreditar que vocês dois são agentes secretos? – disse Henrique sorridente.

– O Henrique tem razão. – respondi.

– Mas e se alguém acreditar? – perguntou Fábio.

– Eles não têm provas. E outra, na escola onde a Tati estudava sabiam que ela é uma agente. – respondeu Henrique.

– Por quê? – perguntou Fábio surpreso.

– Porque ela teve que resolver um caso que envolveu a escola inteira.

– Foi por isso que ela saiu da escola? – perguntou Fábio.

– Claro que não. Eu sai da escola por que minha mãe quis. Eu acho legal as pessoas terem medo de você, porque sabem que você anda com uma arma. – respondi.

– Você acha isso legal? – perguntou-me Fábio surpreso.

– De certa forma sim.

– Como assim de certa forma? – perguntou ele confuso.

– É que alguns pediam para contar como foram alguns casos, outros ajudavam a resolver algum mistério, já outros que pensavam que eram os “tais” ficavam me desafiando, e eu não podia bater neles com força, ou senão eles iriam para a enfermaria na hora.

– Deve ser legal. Mas não quero experimentar, pelo menos agora.

– Entendo. Mas graças a Deus amanhã vamos conseguir ir para a escola. Localiza para mim o JJ e o JJ2, por favor, Henrique. – pedi.

– É para já. – respondeu Henrique virando para o computador.

Nem dois minutos depois…

– O JJ2 já está vindo para cá, mas o JJ eu não acho em lugar nenhum.

– Acho que vou mudar de robô. Já é a segunda vez que o JJ some. – respondi.

– Estranho Tati. Ele nunca foi de fazer isso. – disse-me Henrique.

– Eu também acho, mas… O que eu posso fazer? – respondi.

– Vou pedir para o JJ2 localizar o JJ.

Só para que vocês saibam já estávamos entrando nas provas finais da escola. Não podíamos mandar os robôs fazerem as provas. E não podíamos faltar muito na escola. Eram normas da agência que controlava as notas de todos os agentes menores de 18 anos.

Os dois (JJ e JJ2) foram encontrados meia hora depois. Passamos todas as informações para nós. E como sempre, tínhamos cada vez mais problemas para resolver.

Ficamos em casos pequenos por quase dois meses. Casos que não vale a pena citar. Foram bandidos que tínhamos que prender, tipo como o caso do Charles, foi muito fácil.

Não sabemos quem é o traidor ainda… Pode ser o Roger, o chefe, o Henrique, o JJ, o JJ2, e mais pessoas que você ainda não conhece. Como a minha inimiga aqui na agência. Ela chama-se Isabela.

Depois de algum tempo conseguimos um caso descente. A missão era: Eliminar a Agência CMFC. (Corporação Mundial à Favor do Crime). Essa agência funcionava igual à CMCC, mas ela em vez de ajudar a polícia, ela atrapalhava.

Você pode se perguntar assim: Dois agentes para acabar com uma agência inteira… É loucura. Se vocês pensaram assim, é melhor pararem, pois saibam que somos os melhores agentes que essa agência já teve. Tenham certeza que saímos inteiros dessa missão. E tenham mais certeza ainda que temos mais inimigos também.

Descobrimos que existe uma organização que está nos desafiando.

Henrique jura que essa missão foi a mais perigosa que já fizemos. Mas acho que não.

O Fábio acha que todas as missões são difíceis, mas mesmo assim acha que essa missão vale a pena contar em detalhes.

Então vamos lá:

Primeiro passo: os dados da missão

Missão: Eliminar a CMFC

Números de agentes: Como é uma nova corporação do crime, só contem um pouco mais de 10 mil agentes.

Chefe da CMFC: Não descoberto.

Classe dos Bandidos: Varia de estrupador até ladrão de banco.

Localização: Não encontrada.

Unidades envolvidas: Todos os presídios do mundo. (com exceção dos estados do Brasil: Acre e Rondônia).

Tecnologia: normal. (pequena para uma agência secreta).

Últimos crimes cometidos pelos agentes: Assalto a três bancos, roubo de um laboratório (que só levaram uma fórmula), roubo a uma joalheria, assalto a uma feira beneficente (só levaram metais), assalto a loja de brinquedos, à reserva da polícia militar, a um mercado, a uma biblioteca (que só levaram livros de ciências).

Motivos: Não identificados.

Modo que ocorreu o assalto: Todos com armas, roupas pretas e com mascaras.

Sabem sobre a nossa agência? Já foi comprovado que sim. Eles querem destruir todos os agentes que prenderam alguém, que tenham envolvimento com eles. (com exceção do traidor).

Objetivo: Se infiltrar.

Quantos agentes foram convocados: exatamente 2. Só a Rouxinol e o Legião. Mais para frente vão poder chamar mais 998 agentes, caso precise.

Dica: Evitar um ataque.

Suspeitamos quê: O traidor da nossa agência seja o chefe da CMFC.

Quanto tempo para terminar a missão: indeterminado, mas não queremos que passe de 5 anos.

Suspeitos de participação: Nenhum até agora.

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sobre Vanessa Sueroz

Autora dos livros Confusões em Paris, Minha última chance, Odiado Admirador Secreto, Presente de Aniversário, Eu te amo mais e Três Botões.

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