Parte XIII


Anteriormente:

– Boa sorte no shopping Fábio. – disse Henrique que assistiu a cena.

– Obrigado. Eu vou precisar. Vamos Tatiana?

– Vamos, mas você está bravo comigo? – perguntei.

– Por que você está perguntando?

– Porque você só me chama de Tatiana quando está estressado.

– Não princesa, eu não estou estressado. Só quero que você pare de mexer esse braço. Temos escola amanhã.

– O que tem a escola a ver com o braço? – perguntei sem entender.

– Você não pode aparecer com uma cicatriz dessas no braço, sem ter sofrido nenhum acidente. – disse Fábio distraidamente.

Parte XIII

– Então eu não vou para a escola.

– Eu não quero que você fique na agência sozinha Tati. – respondeu Henrique.

– Mas Henrique, não tem mal nenhum. Eu sempre fiquei.

– Você não se lembra do que aconteceu antes do negócio que eu fiz no seu braço, não é?

– Lembro sim. Eu fui chamar vocês.

– E depois? – perguntou Fábio.

– Você cortou o meu braço.

– Eu te explico no caminho do shopping. – disse Fábio.

– Nós vamos como? – perguntei.

– Vamos com um monza, não quero chamar atenção. Deixa que eu mesmo dirijo. – disse Fábio.

– Você não tem carteira de motorista. Mas pode usar a da agência.  Vamos? Eu quero ir ao cinema, faz mais de dois anos que eu não vou.

– Vamos Tati.

E nós fomos para o shopping. Chegando lá:

– Vamos assistir que filme Tati? – perguntou Fábio olhando os filmes em cartaz.

– Não sei.

– Pode escolher. – disse Fábio sem pressa.

– Mas vai demorar.

– Não tem problema.

Uns dez minutos depois eu disse:

– Você está calmo… – disse desconfiada.

– Eu quero ficar o tempo máximo ao seu lado. – respondeu Fábio docilmente.

– Que bom. Mas agora você escolhe. Eu estou indecisa entre dois filmes.

– Tem certeza que não tem preferência por nenhum deles?

– Tenho. – respondi.

– Então vamos ver os dois. – respondeu ele indo comprar os ingressos.

– Mas Fá, vai ficar tarde. E caro.

– Não tem problema. Esqueceu-se que o JJ e o JJ2 estão no nosso lugar? (Ah, o JJ aparecia às vezes).

– Você tem razão. – respondi.

– Vamos assistir o que vai passar antes primeiro.

Quando o filme acabou:

Falta meia hora para que o outro filme comece. Vamos fazer o que enquanto isso? – perguntou Fábio.

– Que tal namorar um pouco?

– No shopping? – perguntou Fábio surpreso.

– O que tem? Todos fazem isso. Vamos ser só mais um casal na multidão.

– Mas somos o único casal que não pode mexer muito o braço. – disse Fábio preocupado.

– Mas eu não vou mexer o braço. – garanti a ele.

– Tati, você sempre mexe. Como quer que eu acredite que você não vai mexer?

– Você pode segurar a minha mão. – respondi sorrindo.

– Mas eu já estou fazendo isso.

– O que custa? – pediu ela.

– Fazendo essa carinha eu não resisto. Mas vê senão mexe o braço princesa.

– Pode deixar.

O Fábio segurou a minha mão com tanta força que até doeu. Mas a gente assistiu ao outro filme depois de ficar namorando para passar o tempo.

Mas tive que encher ele falando que ele machucou a minha mão. Só para ter graça:

– Fá, você machucou a minha mão.

– Foi sem querer princesa. –disse ele tristemente.

– A culpa foi sua. Você não quis me deixar mexer o meu braço.

– Você está de TPM? – perguntou ele de repente.

– Por que a pergunta?

– Você está brigando comigo por tudo. – respondeu Fábio triste.

– Não estou não. –respondi decidida.

– Está sim.

– Então, para a gente não discutir, vamos embora. – respondi.

– Não! – disse ele na mesma hora.

– Porque não?

– Está cedo. – mentiu ele. – São só onze da noite.

– Já são onze horas? – perguntei.

– Já. – respondeu ele com pouco caso.

– Que pena. Eu queria ficar mais tempo com você Fá.

– Princesa a gente se vê quase vinte e quatro horas por dia.

– Eu sei.

– Você quer ficar mais tempo comigo? – perguntou ele estranhando.

– Quero. Tem problema nisso? –perguntei desconfiada.

– Calma princesa. Não tem problema nenhum. Agora me diz: você está de TPM? – insistiu ele na pergunta.

– Não Fábio. –respondi com raiva.

– Me desculpa a pergunta, mas Tati eu… – começou Fábio.

– Vamos embora? – perguntei irritada o interrompendo.

– Não Tati não precisa ficar nervosa.

– Você está escondendo alguma coisa de mim Fábio?

– Por que você diz isso? – perguntou ele inocente.

– Por que você não quer voltar para a agência? Tem alguma garota lá? – perguntei.

– Tatiana você está desconfiando de mim? – perguntou Fábio nervoso.

– Não, eu só estou perguntando.

– Você quer a verdade? – perguntou ele.

– Claro que sim Fábio. – respondi irritada.

– Senta que eu tenho que te contar uma coisa. – disse ele me levando a uma mesa.

– Você tem outra? – perguntei morrendo de ciúmes.

– Porque mulher desconfia de tudo? Não mexe o braço. E fica calminha que eu vou pegar um suco para a gente.

– Depois você me fala o que está escondendo?

– Falo sim.

Fábio pegou o suco de maracujá e me falou tudo que tinha acontecido durante o dia. Claro que no começo eu não acreditei, mas depois tudo aquilo fez sentido.

– Você esta querendo que eu acredite que o Otávio esta na agência?

– Por qual outro motivo você acha que o Henrique não quer que você fique na agência amanhã? – perguntou ele.

– Não sei. Quem sabe ele cansou da minha cara?

– Princesa me escuta, eu e o Henrique não queremos que você fique na agência porque lá você corre risco de vida. –disse Fábio pausadamente.

– Você está pirando. Me dê um bom motivo para acreditar em você. – pedi para ele.

– Como a Solange estaria àquela hora na agência?

– É mesmo, eu tinha esquecido dela.

– Agora você acredita em mim?

– Me desculpa por não ter acreditado em você Fá. Mas é que eu estava com ciúmes.

– Eu percebi, mas não entendi.

– Não entendeu o quê? – perguntei.

– Ciúmes do quê? – perguntou Fábio.

– De que você gostasse de alguma agente. –respondi envergonhada.

– Mas eu gosto de uma agente, quer dizer, eu amo uma agente. – respondeu todo romântico.

– Como assim? Você tem coragem suficiente para falar que está me traindo com uma agente? Quem é essa sirigaita? É a Isabela?

– Você quer o nome ou Codinome dela? – perguntou ele se divertindo com a situação.

– Serve o codinome. Eu não sei o nome das pessoas da agência. Mas deixa essa sirigaita comigo. Eu vou fazer picadinho dela. Ela não sabe que não pode se envolver com você?

– Por que não? – perguntou Fábio inocentemente.

– Porque você é meu. Me diz logo, não muda de assunto. Qual é o codinome dessa sirigaita que está dando em cima do meu namorado?

– Como você é ciumenta… A única agente com quem eu tenho um caso é a Rouxinol, ou melhor, a senhorita Tatiana Purpuse.

– Eu acabo com essa tal de Tatiana… Epa! Você deve ter falado o nome errado. Você falou o meu nome.

– Eu sei. É porque a única agente que eu tenho um caso é você.

– Acho que eu fui infantil demais Fá.

– Foi sim. – respondeu Fábio.

– Me desculpa? Como eu posso fazer para você me perdoar? – perguntei.

– Isso é difícil… Eu quero que você… A única coisa que eu quero de você é que você fique bem, não quero ver você doente. Então prometa que não vai mexer esse braço até ele sarar.

– Eu prometo.

– Mas em falar no braço… Deixa-me ver ele.

Eu mostrei.

– A minha princesa está quase bem. A cicatriz quase não aparece mais.

– Então eu posso mexer o meu braço? – perguntei.

– Só se for para me dar um beijinho.

– Negócio fechado. Mas temos que ir embora já está tarde.

– Tem razão. Já é quase meia noite. O meu cunhado deve estar preocupado.

Chegando na agência:

– Tati eu e o Fábio vamos dormir no seu quarto hoje com você.

– Meu quarto não cabe mais duas camas.

– Cabe sim.

– Então tenta. Vai ficar muito apertado. Só se tirasse a minha cama de casal.

– Tem razão dorme um no seu quarto e um no meu. –disse Henrique – Então vamos fazer como sempre. Mas eu estou de olho nos dois. Antes vocês não estavam namorando. Não sei não. – completou Henrique desconfiado.

– Relaxa! Somos muito novos para fazer besteira. – respondi.

– Mas é aí que está o perigo.

– Relaxa cunhado! Eu não vou fazer nada. Você pode ficar sossegado.

– Não sei.

– Olha só. Se quiser pode até deixar a porta aberta.

– Eu vou deixar a porta secreta aberta. – disse Henrique.

– Que porta secreta? – perguntou Fábio.

– Não liga Fá. O Henrique tem uma porta meio escondida que liga o meu quarto no dele.

– Mas o quarto de vocês é um de frente para o outro.

– Tem uma passagem subterrânea. – respondi.

– Nossa tem tanta coisa nessa agência que eu não sei ainda…

Um mês depois:

– É hoje que nós vamos prender o Otávio. – disse Fábio distraído.

– Mas vocês já descobriram quem é o traidor? – perguntou Henrique.

– Não. Mas desistimos. Agora vamos prendê-lo e pronto.

– Vocês estão determinados. – afirmou Henrique.

– Não tenha duvidas. – respondi

Mais tarde perto da sala velha:

– Será que já estamos preparados Tati? – perguntou Fábio baixinho.

– Você treinou durante dois meses. Está até ganhando de mim.

– Eu sei. Não estou falando de treinamento e sim, porque ele vai tentar colocar aquelas drogas em você. E vai tentar abalar a gente, com histórias do Gabriel. – disse Fábio preocupado.

– Depois de ver e rever aquela cena na minha cabeça ficou bem claro que foi o Otávio que matou o Biel.

– Matou quem? – perguntou Fábio com ciúmes.

– O Gabriel. – me corrigi.

– Você está o chamando de Biel? Você está me traindo em pensamento. – disse brincando para não demonstrar o ciúme.

– Não dá. Você é muito lindo para eu fazer isso. – respondi dando um beijinho nele.

– Ah sei…

– Você também é inteligente, esperto, romântico, alto, forte, simpático, paciente, e… – ele me interrompeu.

– Obrigado pelos elogios, mas depois você termina. Agora vamos prender o Otávio.

– Não precisa falar duas vezes. – respondi entrando na sala.

Nós já entramos atirando. Mas infelizmente não os matamos.

– Nossa vocês demoraram a vir nos visitar. – disse Otávio.

– Claro que sim. Tínhamos que lembrar de como você é idiota. – respondi.

– Mas isso foi a parte fácil, não é Tati? – perguntou Fábio.

– Foi sim. A parte difícil foi saber se você tem coração ou vamos ter que atirar na cabeça mesmo. – respondi irônica.

– Que ironia amor. Mas não se esqueça que o meu coração pertence a você. – respondeu Otávio gentilmente.

– Se pertencesse eu já tinha esmagado. O único coração que pertence a mim é o do meu Fábio. Ouvi bem Solange? Meu Fábio! – respondi.

– Porque você me despreza tanto Tatiana? O que eu te fiz? – perguntou Otávio.

– Você nasceu Otávio.

– Só lhe digo que você mexeu com a pessoa errada. – disse Otávio.

– O que posso fazer? Só mexo com pessoas sem coração. Digo isso para você também Solange. – respondi.

– Tenho que informar que eu treinei muito Tatiana. – respondeu Solange.

– Ainda bem. Pelo menos vou ter como me aquecer.

– Eu vou pegar o que é meu de volta. – disse a menina.

– Me diz o que eu peguei de você, quem sabe você seja mulher o suficiente. – provoquei.

– Você roubou o meu namorado. – disse Solange irritada.

– Não me diga. Ele era seu? Desculpe-me. Quer ele de volta? Vem pegar. Ele só é seu, se você me matar.

– Isso vai ser fácil Tatiana. – respondeu Solange confiante.

– É o que vamos ver.

Nós começamos a brigar.

– Como eu adoro ver briga de mulher. – disse Otávio.

– Que pena que você não vai ver. – disse Fábio dando um soco na cara do Otávio.

– Porque não Legião? – disse ele colocando o queixo no lugar de novo.

– Porque a Solange não dá nem para o aquecimento da minha princesa.

– A Tatiana não é sua. – disse Otávio irritado.

– Então é de quem? Sua é que não é. – disse Fábio.

– Você pegou emprestado, mas eu sei que vai devolver. – disse Otávio.

– Eu não peguei emprestado, primeiro porque ela nunca foi sua, e segundo, porque se ela fosse sua ela já estava morta. –respondeu Fábio.

– Me devolva ela. – disse Otávio.

– Vem buscar.

– Com o maior prazer. – finalizou Otávio.

Vou contar uma briga de cada vez senão você não vai entender nada do que aconteceu naquele dia.

Eu e a Solange estávamos brigando, mas também conversando:

– Acho que você melhorou. Meus parabéns Solange. Pelo menos agora você sabe matar mosca. – tirei sarro com ela.

– É, mas você ainda não aprendeu. Parece que nem treinou.

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sobre Vanessa Sueroz

Autora dos livros Confusões em Paris, Minha última chance, Odiado Admirador Secreto, Presente de Aniversário, Eu te amo mais e Três Botões.

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