Parte VII


Anteriormente:

– Não sei. Mas e se eu gritar? Se doer eu grito. –zoou ele.

– Eu não vou deixar você gritar.

– Como não?

– Não sei. Mas até lá eu penso. Vou fazer você calar a boca num instante. Acho que do mesmo jeito que eu calava a boca do Gabriel. –respondi sem perceber.

– Você está me assuntando mais. – disse Fábio zoando.

Parte VII

– Relaxa e não olha para a ponta do fio.

– Claro que não vou olhar. Ela parece uma agulha só que é o dobro do tamanho.

– Que exagero. –respondi rindo.

Quando espetei o foi no braço do Fábio ele começou a gritar. Não sabia o que fazer. Então tive que fazer uma coisa que não queria fazer, mas ele parou na hora de gritar e esqueceu do fio.

Quando eu tirei o fio…

– Por isso que eu te amo! –respondeu alegremente.

– Isso o quê?

– Você fez o que eu precisava.

– Que exagero Fábio. Mas me diz: Sabe o que aconteceu ontem?

– Sei.

– E a matéria? – perguntei mudando de assunto.

– Parece que eu aprendi agora. Lembro-me de tudo.

– É claro. Você aprendeu agora.

– Deixa isso de lado e me dá outro beijo daquele. –disse ele me puxando para perto dele.

– Esse beijo não aconteceu. Fui bem clara?

– Foi Tati! – respondeu Fábio desanimado.

– Alguma pergunta?

– Você é que vai me dar às informações do JJ2 de agora em diante?

– Esse gosta de sofrer. – respondi com ar de deboche.

– Só dói no começo. Depois eu esqueço. Você não me deixa lembrar da dor.

– Esse é tarado. Igualzinho o Gabriel. –respondi distraída.

– Não quero que você fale do Gabriel. Tudo bem? – ele perguntou calmamente.

– Claro Fábio. – respondi tristemente.

– Você sabe por quê.

– Não sei. –respondi chateada.

– Eu não quero ver a minha Tati triste. – respondeu ele me acariciando o rosto.

– Você fala de um jeito tão fácil.

– Vamos mudar de assunto. Diz-me: Você já beijou alguém por causa disso?

– O Gabriel. Todas às vezes. –respondi como se fosse algo normal.

– Nossa. Depois diz que não eram namorados. – respondeu Fábio com ar de ciúmes.

– Mas não éramos. É por que o Henrique pedia.

– Então vou pedir para o Henrique pedir para você.

– Mas é que na época a máquina estava quebrada.

– Não seja por isso. Eu a quebro.

– Para de falar besteiras. Tchau eu tenho que ir para a sala, e você também. E se alguém perguntar por que gritou diz que não foi você.

– Digo que foi quem? – perguntou ele confuso.

– Diz que fui eu. –respondi rapidamente.

– E o que você vai dizer?

– Não sei. Tenho imaginação para quê? – respondi grosseiramente.

– Nossa que “queimada” Tati.

– Foi mal. Não queria ser grosseira, mas agora eu tenho que ir. Depois conversamos.

Quando me afastei, vi o Fábio entrando na sala com um sorriso de orelha a orelha. Ri muito, é claro!

Sinceramente eu não fiz aquilo com a intenção de beijá-lo, mas de fazê-lo parar de gritar. Eu já estava acostumada (vamos dizer assim) a fazer isso por causa do Gabriel.

Não passaram dois minutos e o sinal para a troca de aula tocou. Encontrei-me com o JJ2 e falei para ele me encontrar na hora do intervalo na sala que o Fábio iria estar.

Na hora do intervalo Fábio foi correndo falar comigo:

– Vamos descer para o intervalo? – perguntou-me Fábio

– Agora não. Tenho que falar com JJ2.

– Posso ir com você? – perguntou Fábio.

– Pode sim.

Chegando à sala tinha um aluno sentado. Quando ele me viu:

– Senhorita Rouxinol? –perguntou o menino.

– JJ2 Venha aqui. Não posso demorar.

– Claro. A senhorita vai demorar quanto tempo? – perguntou o robô.

– Só meia hora. Eu acho.

– Não se preocupe, isso não demora. –disse JJ2.

– Acho bom.

Copiei as informações novamente para o C.A.

– Você vai colocar mais informações em mim? – perguntou Fábio entusiasmado.

– Não.

– Mas então porque você copiou tudo para o C.A.? – perguntou Fábio.

– Eu vou passar isso para mim.

– Mas não é o JJ que tinha que estar com as suas informações? Quer que eu te beije para você não gritar? –disse Fábio esperançoso.

– O JJ2 pegou as informações com o JJ. E não tem necessidade de me beijar.

– JJ2 vem aqui comigo rapidinho. – disse Fábio chamando JJ2 para o canto da sala.

– O que foi senhor Legião? – perguntou o robô.

– Faça ela gritar. –pediu Fábio.

– Por que senhor? – perguntou o robô curioso.

– Por que sim.

– Não tenho certeza se consigo senhor. Mas acho que sei um jeito.

– Tente pelo menos.

– Sim senhor.

Quando o JJ2 colocou o fio em mim dei um grito que acho que o JJ2 se assustou.

Quando tudo terminou:

– Você está louco? – perguntei irritadíssima para o JJ2.

– Por que senhorita? –perguntou ele inocente.

– Você exagerou. Nunca mais vou deixar você fazer isso. Deixa que eu mesma faça.

– Mas foi o senhor Fábio que pediu para eu fazer isso.

– Só para me beijar não foi Fábio? – perguntei cada vez mais irritada.

– Não consegui me controlar Tati. –respondeu ele sem me olhar.

– Acho que eu vou pirar com você Fábio. Olha o meu braço! Agora vou ter que colocar um curativo.

– Mas eu não disse para ele te machucar. Eu disse só para você gritar.

– Eu sei. Mas não posso sair com o braço sangrando daqui da sala. – respondi um pouco mais calma.

– Vou ter que chamar o Henrique aqui.

– Mas ele vai demorar. –respondi.

– Tem razão. JJ2 vai para a agência. Fábio você vai me ajudar a pegar uma coisa na minha bolsa que está com as meninas.

– Mas como eu vou te ajudar? – perguntou sem entender.

– Você vai passar do meu lado. Fazendo com que o papel que eu vou colocar no braço não apareça.

– Tudo bem. Mas vamos ter que falar que estamos ficando.

– Já sei. Vamos ter que estar abraçados. – disse demonstrando pouco caso.

– Isso mesmo. – respondeu ele mais empolgado que nunca.

– Mas e a minha mãe? –perguntei de repente.

– Eu falo para ela que nós estamos namorando. Mas se você aceitar nós namoramos de verdade.

– Acho que não entendi. – “Seja mais claro só para eu ter certeza do que você disse”.

– Tati você quer namorar comigo? –perguntou Fábio docilmente.

– De mentira tudo bem. –respondi.

– Eu estou falando de verdade.

– De verdade eu tenho que pensar. – respondi meio pensativa.

– Tudo bem. Mas a sua mãe vai pensar que estamos juntos de verdade, se você quiser, nós terminamos esse namoro no seu aniversário. Só faltam cinco dias mesmo.

– Vamos fazer assim. No aniversário do Henrique eu te falo a resposta para todas as suas perguntas.

Conseguimos pegar uma pomada na minha bolsa. Depois coloquei uma blusa de frio, só para você saber, estava calor no dia. Todos pensaram que eu estava doente.

Mais tarde na agência:

– Henrique eu preciso de alguma coisa para colocar no meu braço. – disse para o Henrique tirando a blusa de frio.

– O que aconteceu? – perguntou ele preocupado.

– O JJ2 me cortou, e fez alguma coisa com a minha veia, pois o meu braço está doendo muito.

– Deixa eu ver isso Tati. –pediu Henrique.

– Mas vê senão aperta Henrique, pois está doendo muito.

– Pode deixar. Você já sabe que eu sou cuidadoso com machucados.

– Eu sei Henrique. –respondi.

– Já que sabe, me deixa ver o seu braço. –disse ele pegando no meu braço.

Henrique examinou o meu braço. E disse:

– Vamos ter que chamar o médico, o ferimento está muito profundo.

– Eu não quero ver médico nenhum. –respondi irritada.

– O que você tem contra os médicos? -perguntou Fábio que não estava entendendo nada.

– Nada. Eu só não gosto de médicos. – respondi.

– Mentira Fábio. Ela odeia médicos. Não gosta nem de ouvir falar deles. – respondeu Henrique rindo.

– Mas por que essa implicância? – perguntou Fábio.

– Não sei. Ela é assim desde quando nasceu.

– Mas Henrique você me conhece desde os meus sete anos. – respondi entrando na conversa.

– Ele entendeu o que eu queria dizer. Não entendeu Fábio? – perguntou Henrique.

– Claro que sim Henrique. Não sou tão burro assim. – “Você a conhece desde quando nasceu, mas ela não sabe”.

Depois dessa discussão toda Henrique me fez um curativo, pois não conseguiu me levar no médico, ou fazer o médico vir até mim.

No dia seguinte às seis da manhã o meu C.A. toca:

– Alô! – disse com uma voz de sono.

– Tati acorda você tem uma missão. – disse Henrique todo empolgado.

– Mas tem que ser agora?

– Claro. Você quer que seja que horas?

– Depois da escola pode ser? – respondi já me levantando.

– Cada dia mais preguiçosa.

– Já estou indo Henrique. –respondi.

– Vou falar para o Fábio que daqui 15 minutos você passa na casa dele.

– Mas não vai dar tempo nem de eu me arrumar. – respondi indignada.

– Dá sim. Ou você quer se arrumar para o Fábio não te ver toda bagunçada?

– Mas é claro que vou me arrumar. Ou você quer que o Fábio desista de ter me pedido em namoro? –perguntei empolgada.

– Ele te pediu em namoro? – perguntou Henrique sem entender.

– Pediu. Foi mal esqueci de te contar.

– Mas… – Henrique ficou sem resposta, sem saber o que dizer.

– Mas o quê? Você não gostou? – perguntei surpresa.

– Gostei, mas… Nada não. Deixa para lá.

Então desliguei, e o Henrique ligou para o Fábio:

– Alô! – respondeu Fábio sonolento.

– Fábio se arruma que a Tati vai passar aí daqui a pouco.

– Mas agora? – perguntou ele sonolento.

– Claro. Não vai ser amanhã. Mas me diz uma coisa…

– Pode falar Henrique.

– Você pediu minha irmã em namoro? – perguntou quase gritando no telefone.

– Foi mal, não me agüentei.

– Mas eu quase implorei para você não pedir antes do aniversário dela.

– Mas ainda falta uma semana.

– Não falta não. – respondeu Henrique.

– Falta quanto então? – perguntou Fábio indignado.

– Faltam só quatro dias. – respondeu Henrique.

– Mas é a mesma coisa. É pouco tempo.

– Você entendeu o que eu quis dizer.

– Entendi. Mas me perdoa por ter pedido ela em namoro agora? – perguntou Fábio.

– Tudo bem, mas se arruma logo que em mais ou menos cinco minutos a Tati está aí.

– Eu estou me arrumando enquanto falo com você. Já estou descendo a escada do prédio para esperar ela.

– Está ficando esperto. – respondeu Henrique com ar de zombaria.

– Pára de zoar Henrique.

– Foi mal cunhadinho. – respondeu Henrique ainda zoando.

– Espera um pouco que a Tati acabou de chegar.

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sobre Vanessa Sueroz

Autora dos livros Confusões em Paris, Minha última chance, Odiado Admirador Secreto, Presente de Aniversário, Eu te amo mais e Três Botões.

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