Parte IX


Anteriormente:

Minha mãe não queria fazer festa para mim. E eu também não estava afim.

No dia seguinte: (meu aniversário)

– Henrique? – eu estava no C.A.

– Tati. Eu é que deveria te ligar. – disse ele surpreso em ouvir a minha voz.

– Nada a ver. – respondi rindo.

– Parabéns, muitos anos de vida. quero que os seus 15 anos sejam dez.

Parte IV

– Valeu Henrique, mas eu não te liguei para você me desejar feliz aniversário. – respondi feliz.

– É impressão minha ou você está preocupada com alguma coisa? Se é sobre o Fábio, deixa que eu falo hoje mesmo qual a minha opinião.

– Não é nada disso. Eu quero saber por que você estava desanimado ontem.

– Eu desanimado? Não me faça rir. –respondeu ele.

– Eu estou falando sério.

– Como você soube que eu estava triste? – perguntou.

– Eu te conheço tão bem quanto você me conhece. O que você tinha?

– A minha mãe não me ligou. – respondeu ele triste.

– Mas a sua mãe não está morta?-perguntei desconfiada.

– Da onde você tirou isso? – “que droga me esqueci que eu tinha falado que minha mãe tinha morrido”.

– Eu devo estar mesmo ficando louca. Mas você tem certeza que é só isso? E não esquenta sua mãe deve ter uma boa explicação.

– Tomara que sim, mas eu quero que você venha aqui na agência para nós conversarmos sobre você e o Fábio.

– Eu não posso. Tenho que ficar com a minha mãe. – respondi.

– E o seu irmão? Eu não vou poder te ver? – perguntou Henrique.

– Vem aqui em casa. – sugeri.

– Você sabe que eu não posso.

– Não pode por quê?

– O chefe não deixa. – respondeu ele.

– Ele é só seu chefe Henrique.

– Tati sinto muito, mas eu não posso ir ai. Só vou quando a sua mãe não estiver em casa.

– Você está com medo da minha mãe? – perguntei me divertindo com a situação.

– Não Tati, só dá uma passadinha aqui na agência. Não precisa demorar.

– Se eu demorar mais de meia hora, a culpa é sua. Eu não vou colocar o JJ no meu lugar. Falando nele, ele sumiu, faz uma semana que eu não vejo ele. Você tem que dar um jeito nesse robô.

– Tudo bem. Mas vem para cá. O Fábio está aqui.

– Estou indo. – e desliguei.

Quando cheguei a agência, vi Henrique e Fábio me esperando.

– Pronto! Estou aqui.

– Parabéns Tati. – disse Fábio me dando um abraço.

– Obrigada Fábio.

– Nós precisamos conversar sobre vocês dois. – disse Henrique.

– O que você acha que devemos fazer? – perguntou Fábio.

– Ora Fábio, vocês podem ficar juntos…

– Está vendo só Tati. – respondeu Fábio.

– Mas vocês podem dar errado, e pode acontecer alguma coisa…

– Eu disse Fábio. – respondi.

– Deixa eu falar? – perguntou ele se irritando.

– Pode falar Henrique. –respondeu Fábio pegando na minha mão.

– Então como eu estava dizendo, é imprevisível o que vai acontecer com vocês, mas acho que se vocês se gostam vocês têm que ficar juntos, ou tentar ficar juntos, mas se vocês têm dúvidas esclareçam os dois juntos. Não posso ajudar. A escolha é de vocês. Dos dois.

– Você acha que devemos ficar juntos? – perguntei.

– Sim, acho que vocês devem namorar. E não precisam parar de trabalhar juntos, mas os dois têm que tomar juízo.

– Eu entendo o que você quer dizer maninho, mas.. – comecei.

– Já sei. E se acontecer de novo? Era isso que você iria perguntar?

– Era sim. – respondi

– Não vai acontecer de novo, os dois são bem grandinhos. – respondeu ele olhando profundamente nos olhos do Fábio.

– Você tem certeza? – perguntei.

– Eu só tenho certeza que vocês devem ficar juntos se os dois quiserem caso contrário os dois devem ficar longe, pois é meio complicado ficar do lado de alguém que você gosta, mas que você não pode tocar. Vocês querem ficar juntos? – perguntou ele de repente.

– Eu quero. – disse Fábio.

– E você Tati?

– Querer eu quero, mas não tenho certeza se devo. – respondi segurando a mão do Fábio com força.

– Nesse caso acho melhor vocês namorarem. – disse Henrique.

– Mas ela disse que não tinha certeza. – respondeu Fábio triste sem reparar que eu estava apertando a mão dele.

– A Tati disse que quer. Se ela tem certeza ou não, isso já é porque ela não confia em si mesma. – respondeu Henrique.

– Nossa! Quem disse que eu não tenho alto-estima? – disse soltando a mão do Fábio e cruzando os braços.

– Você tem alto-estima? Sério? Não brinca! Conta outra Tati. Mas vocês vão namorar ou não? Isso é vocês que escolhem. Não sou eu.

– Vamos. Mas… – comecei.

– Outro, “mas”, eu já estou cansando Tatiana! –disse Fábio impaciente.

– Não gosto quando você me chama de Tatiana. E o, “mas”, é que eu quero segredo pelo menos aqui na agência.

– Se for isso é claro que eu topo. Mas por que o segredo? – perguntou Fábio.

– Por que o povo é muito invejoso. – respondi

Então o meu C.A. toca:

– Alô!

– Alô Oi querida. Feliz aniversário.

– Quem está falando? –perguntei irritada.

– Ainda não lembra a minha voz? Você está precisando urgente me ver.

– Otávio? – perguntei irritada.

– Nossa você do nada me reconheceu. O que eu disse?

– Você me ligou para estragar a minha alegria? Se for, pode desistir. Impossível. – respondi me afastando do Fábio e do Henrique.

– Não. Eu só liguei para perguntar o número do telefone, ou C.A. do seu parceiro.

– O número do telefone do meu parceiro?

– É. Você está bem? Porque repetiu o que eu disse? Quem esta ai? – perguntou Otávio.

– Eu não vou te dar número nenhum.

– Me dá o nome dele então?

– Você não sabe? – perguntei debochadamente.

– Ainda não querida. – disse docilmente Otávio.

– Então você vai ficar sem saber.

– Então me dá o endereço dele? – pediu Otávio.

– Para quê? Para matá-lo como você fez com o Gabriel? Não vou dar nada.

– Não esqueça que você matou o Gabriel, e não eu. O seu passado te condena. Ah uma pergunta: Você não vai me investigar?

– Não. Você não cometeu nenhum crime. – respondi.

– Então fugir da cadeia não é crime? – perguntou ele espantado.

– Isso não é assunto meu. Eu estou em outro caso.

– Mas e eu querida? Você não vai me procurar? – perguntou ele intrigado.

– Nem morta.

Henrique pegou o C.A. da minha mãe e:

– Deixa a Tati em paz.

– É o Henrique? – perguntou ele com aquela voz nojenta e séria.

– Tenha certeza que eu não sou o papa. – respondeu Henrique nervoso.

– Você não mudou nada Henrique. Você está com a velha ironia de sempre. – disse Otávio.

– Eu já disse se afasta da Tati. Se não…

– Senão o quê? Você vai chorar? – perguntou Otávio zoando.

– Eu te mato se você chegar perto dela.

– Então me dá informações sobre o novo parceiro dela.

– Nunca.

– Então até mesmo hoje que é aniversário dela eu vou perturbá-la isso se eu não aparecer na casa dela. Quem sabe cumprimentar a sogrinha pela filha mais esperta da CMCC.

– Você não faria isso. – duvidou Henrique.

– Você sabe que eu faria, quer dizer faço. Tchau tenho que ver a minha sogrinha. Ela deve estar preocupada comigo, faz três anos que eu não a vejo.

– Vai para o quinto dos infernos.

E os dois desligaram.

– Era o Otávio, Henrique? – perguntou Fábio.

– Era sim.

– O que ele queria? – perguntou Fábio preocupado.

– Ele queria você Fábio.

– Como assim? – perguntou ele sem entender.

– Eu explico Henrique. Ele queria informações sobre você. – respondi.

– Para que Tati? – perguntou Fábio ainda sem entender.

– Para te matar. Mas ele queria mais alguma coisa Henrique? – perguntei.

– Ele ameaçou a sua mãe.

– Como assim? O que ele disse? – perguntei.

– Ele disse que vai contar para ela da agência. E que tem que passar um tempo com ela, porque ela deve estar com saudades dele.

– Tenho que ir. Tenho que ficar perto da minha mãe. Não posso deixar o Otávio se aproximar dela. – respondi já saindo.

– Fábio você vai com ela. Mas só como amigo, ou melhor, namorados. Mas nada de falar que você é Legião.

– Mas… – começou ele.

– Você vai com ela e não discute. – respondeu Henrique.

– É que ele vai saber que eu estou namorando ela.

– Isso pode ser um problema. – respondi

– Ele não vai saber, porque vocês não são burros. E olhos abertos. Vão logo que já pode ser tarde demais. – “Vão logo eu não quero que a minha mãe seja alvo disso. Ela pode saber de tudo, mas é só não fazer nada com ela”.

Chegando à minha casa:

– Fábio, que bom que você está aqui. – disse minha mãe.

– Olá, senhora Purpuse.

– Não gosto quando me chama assim, me chame só de Patrícia. – respondeu ela.

– Tudo bem senhora Patrícia.

– Você está namorando a Tatiana não é Fábio?

– Estou.

– Então porque a senhora na frente do meu nome? – perguntou minha mãe.

– Tenho que ser educado. O que a senhora vai pensar de mim? – perguntou ele.

– Vou pensar que é um garoto comum. Mas que é o namorado da minha única filha.

– Você está bem dona Patrícia? – perguntou Fábio.

– Porque a pergunta Fábio?

– Por nada. É que a senhora… – minha mãe fez uma cara feia para o Fábio. -… Você parece cansada.

– Eu só não dormi direito está noite. Mas obrigada pela observação. – disse minha mãe gentilmente.

– De nada.

Nós passamos a tarde toda conversando. Fábio jura que viu o Otávio, mas eu não o vi. Minha mãe disse que viu alguém rondando a casa. Pode ter sido Otávio, mas eu não fui lá ver.

Eu me diverti muito. Conversamos bastante, e a minha mãe adorou o Fábio. Disse que o nosso namoro iria ser nota dez. Mas é claro que você sabe que foi nota dez.

Mas agora vamos direto para outro assunto.

No dia seguinte Fábio e eu fomos investigar. E fomos direto para a casa da Bruna. Ela tinha que ter pistas. E para falar a verdade tinha, mas não queria contar.

Fomos com os nossos uniformes, e com as novas lentes, para que ela não nos reconhece-se.

Quando chegamos lá, tivemos que abrir o portão e procurar à dorminhoca da Bruna.

Quando finalmente a encontramos eu fiz questão de acordá-la:

– Acorda logo, garota. Temos assuntos para tratar com você. –disse sacudindo a menina.

– Quem são vocês? – perguntou ela assustada.

– Eu sou Rouxinol e ele é Legião. Somos da polícia – respondi mostrando os distintivos.

– Que nominhos vocês têm. – disse com ar de ironia.

– Para de falar besteira e me diga tudo que você sabe sobre o seqüestro de Solange Morais.

– Eu não sei nada. Nem conheço essa tal de Solange. – mentiu a menina.

– Para de mentir que a minha paciência é curta. – respondeu Fábio nervoso.

– A conversa ainda não chegou em você garoto.

Foi quando eu não me agüentei, e peguei a minha arma e apontei para a cabeça da Bruna.

– Agora dá para abrir a boca e contar tudo que você sabe? – perguntei.

– Você não atiraria em mim. – disse ela.

– Você duvida? – perguntei.

– Claro que sim.

Quando eu ia atirar pelo menos na perna dela, o Fábio me segurou.

– Então? Eu deveria estar pedindo perdão e falando tudo que sei sobre a minha amiga agora? – disse ela com ar de deboche.

– Se você falar mais algum desaforo eu vou calar você com porrada. – respondeu Fábio irritado.

– Você se sente o tal, não é garoto? Mas saiba que você não é nada. Se você fosse pelo menos parecido com o meu Fábio, você seria bonito, inteligente, e educado.

– Quem é esse Fábio? – perguntei.

– Não te interessa. – ela me respondeu.

– Senão interessa-se eu não estaria perguntando. – respondi.

– Você é mais chata que esse garoto.

– O que vem de você eu encaro como elogio. – respondi com ar superior.

– Se vocês não saírem do meu quarto agora eu vou gritar. – afirmou ela.

– Pode gritar. Nós colocamos protetor de som na porta.

– É mentira sua. Isso nem existe.

Bruna começou a gritar, mas quando viu que era inútil parou.

– Mas porque os meus pais não vêm aqui para me salvar de vocês?

– Eu já disse. Eles não podem te escutar. – respondi.

– Você é louca garota? – perguntou Bruna para mim.

– Já disse. O que vem de você para mim é elogio. Agora fala logo tudo que você sabe por que eu já estou cansada de escutar a sua voz e quero ir para a minha casa.

– E o que eu tenho a ver com isso? – disse Bruna.

– Não fala assim com a Rouxinol. –disse Fábio me defendendo.

– Você quer que eu fale como? Se você quiser eu grito com ela.

– Agora eu cansei. – dizendo isso Fábio deu um chute na perna da Bruna tão forte que ela quase que caiu no chão por causa da dor.

– Você é louco garoto? – perguntou ela gritando.

– Sou e vou ficar mais louco se você não falar logo tudo que você sabe sobre o seqüestro de Solange Morais.

– Eu conto, mas tem uma condição.

– Eu não aceito. – respondi.

– Mas “Ro”, você nem escutou o que ela quer. –disse Fábio.

– Eu já sei o que ela quer. E não gostei nada. – respondi com raiva.

– Você vai me deixar falar ou não garota? – perguntou Bruna para mim.

– Não. – respondi decidida.

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sobre Vanessa Sueroz

Autora dos livros Confusões em Paris, Minha última chance, Odiado Admirador Secreto, Presente de Aniversário, Eu te amo mais e Três Botões.

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