O diário de uma agente 3 – Parte 10


Anteriormente:

Fábio e eu tivemos uma ótima noite, parecia que tínhamos voltado para a nossa adolescência. Para vocês terem uma noção de como nos divertimos, jogamos batalha naval e fizemos guerra de travesseiros, mas é claro que a guerrinha de travesseiros não acabou no zero a zero.

Eu acordei cedo, mas fiquei na cama até umas oito na manhã. Levantei, tomei banho, e Fábio já estava acordado.

– Temos que acordar as crianças. Vou fazer o café da manhã. – disse ele levantando.

Parte 10

– Fá, nós estamos em um hotel na Alemanha. Não precisa fazer café da manhã e as crianças acordam na hora que quiserem. E se duvidar já estão nos esperando para falar com o professor que marcou conosco as nove e meia no restaurante.

– Verdade! Eu até estava estranhando o Henrique não ter ligado ainda. – disse Fábio rindo. – Vou tomar um banho a já desço para comer. Você vai me esperar ou vai na frente? – perguntou ele.

– Vou te esperar. Vou ver se me lembro como uma televisão funciona. – respondi zoando.

Realmente não havia muita coisa a qual eu me interessasse na televisão. Eu Tatiana Purpuse Queiroz fiquei assistindo desenho animado enquanto meu marido tomava banho. Podem acreditar?

Yasmim levantou mais cedo que Lucas e desceu na frente para ir fazendo o pedido enquanto o amigo tomava banho. Para sua infelicidade se encontrou com Richard que estava tomando café com os pais, e foi falar com ela:

– Aqueles dois idiotas não estão aqui? – perguntou ele se aproximando.

– Não. Ainda não desceram. E me desculpe por eles. Eles são um pouquinho ciumentos.

– Percebi! Mas então? Você volta para a Islândia quando? – perguntou Richard.

– Se não me engano hoje mesmo. – respondeu Yasmim. – E você quando volta para casa?

– Só volto para o meu querido país depois que meus pais acertarem uns assuntos.

– Assuntos? Que tipo de assuntos? – perguntou Yasmim toda charmosa.

– Sabe como é. Querem rir da cara dos perdedores. – respondeu Richard feliz.

– Mas rir da cara deles? Isso é uma coisa idiota a se fazer. – respondeu Yasmim.

– Concordo, mas eles disseram que é parte da vingança deles.

– Vingança? Você ainda não me contou sobre essa vingança. Senta aí. – disse Yasmim cuidadosamente para não espantar o garoto.

– É que os meus pais querem se vingar de todos que ganharam deles.

– Mas como pretendem fazer isso?

– Eles só vão… – mas Richard foi interrompido por Lucas que havia chegado.

– O que ele está fazendo aqui? – perguntou Lucas.

– Estamos só conversando. – disse Yasmim.

Lucas ao perceber do que se tratava, tentou se conter e sentar-se ao lado da “namorada”.

– Continua contando Richard. – pediu Yasmim.

– Seu namorado não vai querer me bater de novo? – perguntou o menino.

– Não. Queria te pedir desculpas por ontem. É que tenho muito ciúme da minha Yasmim. – disse Lucas entre os dentes, tentando sorrir e dando um selinho da “namorada”.

– Estou tendo que usar esses óculos idiotas por culpa sua. – disse Richard apontando os óculos de sol que ele tinha no rosto.

E foi nessa hora que Guilherme chegou de mão dada com Kelly, mas ao ver Richard perto de Yasmim já chegou brigando com o menino:

– O que você está fazendo perto da minha irmã? – perguntou Guilherme nervoso.

– Relaxa Guilherme. Ele é só amigo dela. – disse Lucas tentando parecer simpático.

– É melhor eu ir sentar com os meus pais. – disse Richard rapidamente se levantando.

– Fica. –pediu Kelly que logo entendeu que se tratava da investigação.

– Melhor não. Esse louco me fez ficar a noite inteira na ala hospitalar e ainda estou com uma tremenda dor no pescoço. – disse Richard se afastando.

– Droga! Ele estava quase contando sobre os pais dele. – disse Yasmim quando Richard se afastou.

– Que bonito casal. – disse Lucas vendo Guilherme puxar a cadeira para Kelly se sentar.

– Bonito casal que ainda não somos. – disse Yasmim triste.

– Calma meu amor. Tudo ao seu tempo. Vou fazer seus pais mudarem de idéia. – mentiu Lucas carinhosamente.

– Em falar nos meus pais… – disse Guilherme nos vendo chegar.

– Oi meus amores. Dormiram bem? – perguntei.

– Ótimos mãe. – respondeu Guilherme.

– Estou vendo que temos um casal novo na mesa. – disse Fábio. – Viu princesa? Não somos mais o único casal em casa. – disse ele se virando e me dando um beijo na testa.

– Percebi. – respondi tentando não olhar para Guilherme e Kelly abraçados.

Realmente quis acabar com aquilo naquela hora. Meu menininho estava abraçado com uma “desconhecida”, estava beijando a menina! Beijando! Isso era demais para mim. Era insuportável para eu saber que meu único filho homem estava de namorinho com a Kelly. Nada contra a menina, mas realmente ele poderia esperar um pouco mais. Quem sabe poderia ter esperado mais uns cinco anos? Foi muito difícil me acostumar com aquela nova situação, mas…

– E porque vocês deixaram Guilherme e Kelly namorarem e não… – dizia Yasmim quando Lucas a interrompeu.

– Calma Yasmim. Isso não é por causa deles. Fui eu que errei. Logo concertarei meu erro. – respondeu Lucas graciosamente.

– Nós o quê? – perguntei.

– Nada senhora. Yasmim não está de bom humor. Acabou de perder uma informação preciosa para a investigação. – respondeu Lucas

– Que informação? – perguntou Fábio.

– Richard estava quase contando como Michael e Jenifer pretendem ganhar o primeiro lugar do concurso. – respondeu Lucas.

– Isso sim era uma informação importante. – respondi. – E como perderam a informação? – perguntei.

– Nem queira saber. – respondeu Kelly.

– Por que não? – perguntou Fábio curiosamente.

– É melhor esquecer essa história. Depois conseguimos a informação. – respondeu Yasmim.

Mais tarde fomos todos nadar. Sinceramente eu odiei ter que colocar biquíni. Odeio aparecer um público quase sem roupa. Fábio disse que eu estava linda, ou melhor, que eu sou linda, mas não acreditei muito, então disse para ele que eu tinha espelho em casa, e sabe o que ele respondeu? Ele disse que não adianta ter espelho em casa se eu nunca olho para ele. Tudo bem que é verdade que eu evito espelhos, mas também não exagera. Já me vi no espelho de vestido e de biquíni. E eu realmente não fico tão bem assim. Acho bem melhor vestir uma calça e um tênis. Nada de sandálias e essas coisas de saias e vestidos. Mas porque eu estou contando tudo isso? Ah sim, eu estava falando de como fiquei feia de biquíni.

Eu evitei ficar perto do Guilherme naquele dia. Até a Kelly percebeu que eu estava distante deles, mas eu não queria ficar vendo o “amor” dos dois. Eu admito! Eu estava com ciúmes do Guilherme com a Kelly! Mas não contem para ninguém. É que eu odeio admitir que o Fábio estava certo. Eu estava com ciúmes, não é era por isso que eu não ficaria perto do meu filho. Eu estava tentando me acostumar com a idéia de que ele cresceu.

Voltamos para o Brasil ao entardecer. Fábio e eu fomos para a agência. Guilherme foi com Yasmim e Kelly para o parque andar de bicicleta e Lucas disse que iria cuidar de assuntos importantes, que até aquele momento eu não sabia do que se tratava.

Assim que chegamos à agência:

– Bem vindo de volta ao Brasil. Senhor Legião. E é bom tê-la conosco de volta senhora Rouxinol. – disse uma voz robótica.

– Esses computadores estão cada vez mais parecidos com pessoas. – disse Fábio entrando na agência.

– Realmente Fá.

– Como foi na Alemanha? – perguntou Ricardo.

– Fomos bem. Temos vários suspeitos. – respondi.

– Já tem uma idéia de quem seja? – perguntou Evandro.

– Ainda não dá para saber. Muitos têm motivos. – respondeu Fábio pensativo.

– E como pretender fazer para eliminar os suspeitos? – perguntou Ricardo extremamente curioso.

– Sinto muito cunhado. Não podemos falar. É informação restrita da missão. – respondi.

– Eu entendo. – respondeu Ricardo tentando não parecer decepcionado.

– Fiquei sabendo que seu nome agora é Fabrício. É verdade Fábio? – perguntou Evandro zoando.

– É sim. Na missão me chamo Fabrício. Eu não gostei muito do nome, mas fazer o quê?

Todos riram. E foi nessa hora que Henrique chegou já perguntando:

– Do que estão rindo?

– Nada de mais. – respondi.

– E como vão as coisas por aqui? – perguntou Fábio.

– Estranhas. Patrícia voltou um pouco estranha da viajem. – respondeu Henrique.

– Estranha como? – perguntei.

– Não fica mais em casa, ficou o dia inteiro pendurada no telefone, e quer fazer outra viagem.

– Nossa. A Patrícia nunca foi assim. Me lembro dela ser muito caseira. – respondeu Fábio pensativo.

– E ela era caseira, mas agora… – disse Henrique.

– Em falar nela… – disse Ricardo vendo Patrícia se aproximar.

– Oi tia! – gritou Patrícia do outro lado da sala. – Tio Fábio vamos treinar? – perguntou ela sem largar o celular.

– Não posso querida. Preciso ajudar sua tia. – respondeu Fábio gentilmente.

– Vocês todos estão muito chatos ultimamente. Não querem fazer compras, passear, treinar, não querem fazer nada além de trabalhar. – respondeu Patrícia irritada.

– Chama a Yasmim para fazer comprar com você. Ela adora essas coisas. – disse para ela.

– A Yasmim está muito chata. Ela só fala do Lucas. – disse Patrícia.

– Mas como sabe se não viu a Yasmim ainda? – perguntou Fábio.

– Deduzi. – respondeu Patrícia. – Pai, você pode me levar no shopping?

– Para que? – perguntou Henrique começando a ficar irritado.

– Preciso de roupas novas. – respondeu Patrícia.

– Você comprou roupas ontem. – disse Henrique espantado.

– Então… Hoje preciso de mais.

– Patrícia não posso largar o serviço para te levar no shopping.

– Vou pegar o carro da agência então. – respondeu Patrícia

– Você não vai. – respondeu Henrique nervoso.

– Vou sim. Eu tenho o meu carro aqui na agência e posso usá-lo quando eu quiser. – respondeu Patrícia indo em direção ao estacionamento.

– Você só pode usar o carro para suas missões.

– Como você é chato pai. Eu só vou ao shopping.

– Você está em horário de trabalho. – respondeu Henrique extremamente nervoso.

– E o que tem? Eu sou herdeira disso tudo. Posso trabalhar na hora que eu quiser. – respondeu Patrícia.

– Patrícia, volte imediatamente. – gritou Henrique vendo Patrícia sair da SV.

– Calma Henrique. – respondeu Fábio.

– Vou falar com ela. – disse saindo na mesma direção que Patrícia.

– Não precisa. Eu falo com ela. Ela está passando dos limites. E ela vai ter que me escutar! – disse Henrique saindo determinado e nervoso da SV.

– Nossa! O que aconteceu com a Patrícia? – perguntou Fábio para os outros.

– Boa pergunta. – respondeu Ricardo.

Depois desse pequeno incidente Fábio e eu fomos para a nossa sala e verificamos cada nome e vida de cada participante do concurso, só que desta vez somente os produtores e empregados terceirizados.

Não encontramos grandes coisas em nenhum registro, assim como quando pesquisamos sobre os participantes. Nada que possa levar a um suspeito evidente.

Resolvemos então nos disfarçar e ir até os bastidores do concurso para uma nova investigação, porém o nosso professor não deixou. Tínhamos que ensaiar para a próxima etapa do concurso. Alguma coisa me dizia que deveríamos ter ido aos bastidores, mas infelizmente o professor estava certo, se não passássemos para a próxima etapa não teria como continuar a investigação.

As crianças chegaram quando Fábio e eu estávamos treinando:

– Alguma novidade no caso? – perguntou Guilherme se aproximando.

– Ainda não. – respondeu Fábio ainda tentando me acertar.

– Vou vasculhar todos os sites a procura do bandido. – disse Yasmim.

– Faça isso mais tarde. – respondi desviando de um chute do Fábio.

– Não estamos atrasados para a aula? – perguntou Kelly.

– Vocês estão. – respondeu Fábio me acertando na barriga e me jogando contra a parede.

– Você está bem? – perguntou Lucas assustado quando bati na parede.

– Estou bem. – respondi me levantando e dando uma rasteira no Fábio.

– Vocês treinam para valer. – comentou Kelly assustada.

– Claro que sim. – respondeu Fábio se levantando.

– Temos que estar prontos para tudo. – respondi abrindo a porta que levava para a anti-sala que as crianças estavam.

– Vocês disseram que nós estamos atrasados para a aula… Mas e vocês também não estão? – perguntou Yasmim.

– Não. Vocês têm uma hora a mais de ensaio. – respondeu Fábio saindo da sala de treinamento, e vendo a expressão de descontentamento das crianças, acrescentou: – O professor pediu!

– Para que uma hora a mais de ensaio? – perguntou Lucas.

– Não sei. Mas desejo boa sorte. – respondi me afastando do Fábio que iria me beijar.

– Não vai me beijar por quê? Está com vergonha das crianças? – perguntou Fábio inconformado.

– Você está todo suado. Vai tomar um banho. – respondi.

– Mas de noite você gosta e me beija quando estou suado. – respondeu Fábio se divertindo com a situação.

– Fábio! – respondi com voz de censura.

As crianças apenas riram, e foi quando o professor e o figurinista chegaram:

– Do que estão rindo? Não sabem que estão atrasados? – disse o professor chegando.

– Nada de mais. – disse Yasmim.

– Não diga uma palavra mocinha. Você errou alguns passos na apresentação. – respondeu ele autoritário.

– Cala a boca. – respondeu Lucas. – A Yasmim foi muito bem para quem nunca dançou este tipo de música.

– Não adianta querer defender a namorada. – respondeu o figurinista. – E os senhores? – perguntou para mim e Fábio. – Não vão para o ensaio?

– Não. Vou tomar um banho. – respondi.

– Realmente está precisando. Está toda suada. – respondeu o professor entre os dentes.

– Não sou como você que fica sentado o dia inteiro acumulando gordura. – respondi.

– Está me chamando de gordo? – perguntou o professor indignado.

– Estou falando que você está em forma. – respondi docemente. – Em forma de bola. – acrescentei.

– Que desaforo!

– Quieto. – disse Fábio. – Você não vai querer arrumar briga nem comigo nem com ela. – respondeu Fábio indo tomar banho.

As crianças não se conterão e começaram a rir.

– Estão rindo do que? – perguntou o figurinista.

– De nada. – respondeu Kelly tentando parar de rir.

– Vamos. Temos muito que fazer. – respondeu o professor.

Depois de tomarmos banho Fábio e eu fomos direto para o salão nos encontrar com os outros, ou melhor, na sala das crianças, pois não os encontramos no salão.

Quando chegamos o professor estava mostrando a fita da apresentação para eles e brigando pelos passos errados:

– Não sei como vocês conseguiram passar para a próxima etapa. Essa apresentação foi horrível! – dizia ele quando chegamos. – Chegaram bem na hora. – disse ele quando nos viu.

– Vocês não perderam nada. – sussurrou Lucas para Fábio.

– Eu estava mostrando os erros para as crianças. E até achei um erro no passo de vocês dois. – disse o professor.

– Que erro? – perguntei sem acreditar.

Depois que o professor mostrou:

– Isso não é erro. E senhor está um pouco desinformado. – disse Fábio.

– O que você quer dizer com isso? – perguntou ele com uma voz estranha.

– Esse é um passo usado somente para solos, e muito arriscado, mas estou vendo que fizemos com extrema perfeição. – respondi.

– Como um grande professor como o senhor não conhece? – perguntou Fábio.

– Conheço, eu só estava testando as crianças. – respondeu ele.

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sobre Vanessa Sueroz

Autora dos livros Confusões em Paris, Minha última chance, Odiado Admirador Secreto, Presente de Aniversário, Eu te amo mais e Três Botões.

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