O diário de uma agente 2 – Parte IV


Anteriormente:

– Sou muito o que Pâmela? – perguntei.

– Muito ciumenta senhora.

– Eu não sou nada ciumenta. E não gosto que falem de mim. Principalmente para o meu marido.

– Calma senhora. Só estava me oferecendo para ajudá-lo.

– Ele não precisa de ajuda. Se precisasse já teria pedido. – respondi.

Parte IV

– Sua vez de lavar a louça, princesa. – disse Fábio para parar a briga.

– Claro Fá. Já falou com o Henrique?

– Já. Ele disse que já está tudo no computador da nossa sala.

– Certo. Depois vemos o que vamos fazer com as crianças.

– Posso saber do que se trata? – perguntou Pâmela.

– Ontem as crianças estiveram fora o dia inteiro e você nem reparou. – disse Fábio. – Está acontecendo alguma coisa?

– Estiveram fora? – perguntou a moça surpresa.

– O dia inteiro. – respondi.

– Como assim? Eles estavam no computador. Até falaram comigo. – disse Pâmela.

– Esse é o problema Fábio. Como vamos deixar as crianças sozinhas se a agente não consegue nem mesmo saber se elas estão em casa? – perguntei.

– Está de TPM querida? – perguntou Fábio.

– Estou tão chata assim? – perguntei.

– Não amor. Você só está stressada. – respondeu Fábio. – Pâmela vá para a sala e espere as crianças acordarem.

– O senhor vai sair? – perguntou a moça.

– Acho que isso não tem haver com você. – respondeu Fábio.

Sorri para a resposta dele.

Na agencia eu e Fábio já chegamos brigando:

– Você é muito arrogante com ela. – disse Fábio.

– Não sou. Ela é que gosta de flertar com homens casados. – respondi.

– Ela não estava flertando.

– Imagina se estivesse. – respondi – Bom dia! – respondi para o computador.

– O que aconteceu para vocês brigarem? – perguntou Evandro.

– A Tati está com ciúmes da baba. – respondeu Fábio nervoso.

– Não estou com ciúmes. Só que ela é desaforada.

– Pare de implicar com ela Tati. – disse Henrique chegando.

– Não estou implicando. Só estou abrindo os olhos de vocês. Ela não serve para ser agente. – respondi.

– Mas o IA nunca se enganou. – disse Fábio.

– O IA é uma informação como outra qualquer. Pode estar errada ou não. – respondi indo para a minha sala.

– Quer que eu arrume outra baba querida? – perguntou Fábio.

– Não sei. Estamos indo para uma missão. Não dá tempo. Depois pensamos nisso.

– Tem certeza disso? Posso providenciar uma agora mesmo. Não iria demorar. – respondeu Fábio olhando alguns arquivos na gaveta.

– Tenho. Querendo ou não os gêmeos confiam na moça. Seria imprudente arrumar outra bem agora eu vamos viajar. – respondi abrindo o relatório da investigação.

– Podemos arrumar alguém que eles conheçam.

– Pode ser. – respondi.

– Acho que tenho idéia melhor. Podemos colocar o JJ2. – disse Fábio.

– Vou falar com o Henrique. Mas veja o relatório.

– Estou indo.

– Demorou!

– Calma Tati!

Busca de informações

Informação buscada: verificar se Thais Araújo (ex-chefe da CMFC) está viva.

RG: 35487165-2

Data de nascimento: 19/03/1976

Pais da criminosa: Mortos.

Irmãos: Não tem.

Localização: Qualquer lugar do mundo

Motivo da investigação: o mundo está passando por uma grande mudança com seus criminosos. Parece que todos estão querendo retornar as atividades da CMFC e a única chefe poderia ser a Thais Araújo.

Agentes convocados: Rouxinol e Legião. Apesar der serem agentes ativos e não estão acostumados com investigações são os únicos que conhecem a criminosa em questão.

Tempo estimado: Sem tempo, pois pode haver complicações e viagens inesperadas.

Chances de erro: Poucas, porém fontes indicam que a antiga investigação está errada.

Dica: Visite primeiro o antigo presídio e a antiga cela da criminosa.

Risco: Baixo.

Motivo da morte da criminosa: Relatórios médicos constam que o corpo foi carbonizado. No dia houve uma explosão e a única cela que foi diretamente atingida foi à cela da criminosa em questão.

Possível: Que a criminosa (caso esteja viva) esteja usando um nome falso.

Pessoas relacionadas à criminosa: Otávio Weting (morto), Solange Morais (morta), Bruna Cavalcante (morta), Henrique Purpuse (agente), Tatiana Purpuse (agente convocada), Fábio Queiroz (agente convocado), Sara Morais (louca) e mais duas pessoas não identificadas pela agencia.

Localização de Sara Morais: Manicômio Nova esperança. Rua Junqueira, 1652, Jardim Theresa, São Paulo – SP.

Envolvimento com Sara Morais: Devido à parceria com Solange Morais (filha legitima de Sara Morais), Thais foi “adotada” como filha por Sara.

Envolvimento com os agentes: Ex-namorada do Henrique Purpuse, tentativa de assassinato de Tatiana Purpuse, envolvimento emocional por parte da criminosa pelo agente Fábio Queiroz.

Envolvimento com os mortos: Otávio Weting era seu parceiro de crime junto com Solange Morais. Bruna Cavalcante era uma de suas capangas.

Envolvimento com pessoas não identificadas: O pouco que sabemos comprova eu era seu marido e filho (a), mas não foram encontrados registros.

Presídio: central da CMCC

– Envolvimento emocional? – perguntei impressionada.

– Essa é nova para mim, mas explica porque a Thais não deixou que me matassem quando me descobriram na CMFC. – respondeu Fábio pensativo.

– Faz sentido. Mas como será que descobriram essa informação se nem mesmo nós sabíamos? – perguntei.

– Não sei. A informação pode estar errada.

– Não pode. Só entra para o relatório as certezas. As informações duvidosas ficam em outro arquivo. – respondi ainda analisando o relatório.

– Mas se tem chances de terem errado com relação à morte da Thais… Porque não se enganaram com os sentimentos dela por mim? – perguntou Fábio olhando algumas imagens da Thais na televisão que tinha na sala.

– Você mesmo disse que faz sentido. Ela não deixou que matassem você.

– Esquece isso. E quem será que são as pessoas não identificadas? Será que ela tem mesmo um filho e um marido? – perguntou Fábio pensativo.

– Boa pergunta. Outra coisa para tentarmos descobrir.

– Princesa… Você sabe que podemos ficar anos investigando isso, não sabe? – perguntou ele.

– Infelizmente sei. Só espero que as crianças não saibam. – respondi fechando o arquivo da missão.

– Não vão saber. Só vão saber se alguém contar. – respondeu Fábio me abraçando.

Logo depois disso fomos para a sala de treinamento, ficamos lá até a hora do almoço. Fomos para casa almoçar.

– Cadê as crianças? – perguntou Fábio procurando os filhos.

– Estão voltando para casa. Eles acabaram de sair da escola. – respondi.

– E porque a Pâmela está na sala? – perguntou Fábio.

– Não sei. Ela deveria ter ido buscar os dois. Vou lá falar com ela.

– Quer que eu vá? – perguntou Fábio.

– Claro que não. Quero que você fique longe dela. – respondi.

– Tudo bem. Vou fazer um arroz, certo?

– Claro. Já volto para te ajudar com a comida. – respondi saindo da cozinha.

Vi Pâmela sentada assistindo o jornal na televisão. Fiquei observando ela por alguns minutos, e finalmente falei:

– Porque não foi buscar as crianças na escola?

– Já estão grandinhos para eu ir buscar na escola. Para eles é mico eu ir buscá-los. – disse a moça sem tirar os olhos da televisão.

– Deveria pelo menos segui-los. É perigoso eles ficarem sozinhos.

– Perigoso? Guilherme e Yasmim são faixa preta em karate e muito mais. – respondeu Pâmela ainda sem me olhar.

– Mas alguém que queira fazer mal a eles sabe bem mais que eles. – respondi.

– É preocupação de mais. Vocês têm que estar mais presentes na vida deles e não obriga-los a ter um guarda costas. – disse a moça olhando para mim pela primeira vez.

– Eles entendem. – respondi.

– São crianças. Apesar de serem filhos dos melhores agentes… São apenas crianças. Você nunca sentiu falta da sua mãe? – perguntou a moça.

– Acho que isso não te diz respeito. – respondi.

– Pense nisso. Seus filhos precisam de pais e não de guarda costas, ou computadores de última geração.

Pâmela saiu pela outra porta em direção a saída da casa indo de encontro a Yasmim e Guilherme que estavam chegando.

Enquanto que eles não entravam contei para Fábio o que Pâmela me disse.

– Será que sou igual a minha mãe, Fá?

– Por que pergunta isso?

– Minha mãe nem lembrava de mim, estava sempre com coisas mais importantes para fazer, pensava que um brinquedo novo, um computador, roupa novas me deixaria feliz. – respondi chateada.

– Nosso trabalho é para pessoas que não tem família. Não temos tempo para nada, mas eles iriam entender e ficar mais próximos de nós quando entrarem para a agencia.

– Em uma semana… Temos que dar uma festa para eles de aniversário. – respondi.

– Tudo bem, mas nada de imprensa… Só iram família e amigos íntimos… Eles odeiam aquelas festas.

– Concordo. Vou falar com eles hoje mesmo. – respondi empolgada.

Guilherme chegou em casa um pouco nervoso e Yasmim não abriu a boca.

– O que foi que aconteceu? – perguntou Fábio para os dois.

– Nada pai. – disse Guilherme indo para o quarto.

– Filha… Tudo bem? – perguntei.

– Acho que sim mãe. – disse Yasmim se sentando na mesa, ainda parecendo estar em estado de choque.

– Está dispensada por hoje senhorita Pâmela. – disse Fábio inesperadamente.

– Obrigada.

Pâmela foi embora na mesma hora. Fábio e eu ficamos olhando para Yasmim esperando ela falar alguma coisa.

– O que aconteceu hoje na escola querida? – perguntei.

– O Vinicius pegou na minha mão na aula da matemática. – disse ela ainda sem atitude e com a mesma expressão estranha.

– Que bom filha! E você gosta dele? – perguntou Fábio.

– Gosto. Ele é um garoto legal. Um grande amigo. – respondeu Yasmim melhorando um pouco.

– Amigo? Namoraria ele filha? – perguntei.

– Não! Claro que não! Ele é meu amigo. – respondeu Yasmim imediatamente.

– E porque você está assim com essa cara? – perguntou Fábio.

– Guilherme viu e não falou nada. Não brigou, não quis bater nele… Fingiu que não viu. – respondeu Yasmim olhando vagamente para a janela.

– Guilherme não fez nada? Nadinha? Tem certeza? – perguntou Fábio.

– Tenho. Agora na saída perguntei para o Vinicius. Guilherme nem olhou feio para ele depois disso. Vinicius disse que o Guilherme parece mais simpático com ele agora. – disse Yasmim.

– Vou falar com ele. – disse Fábio saindo.

– Está assim só por causa do seu irmão? – perguntei quando Fábio saiu.

– Estou mãe. É só por causa do Gui. – respondeu ela sem me olhar.

– Certeza querida? Não quer me contar nada? – perguntei.

– Não mãe. Não tenho nada para contar. – disse ela pausadamente.

– Você está mentindo. Seu irmão foi falar com esse menino. Quando foi na saída da escola? – fez-se uma pausa- O que aconteceu para o Guilherme ficar com tanta raiva?

– Nada mãe. – disse Yasmim olhando para o chão.

– Olhe para mim e me responda. Guilherme foi falar com seu amigo?

Estéfanny abriu a boca para responder umas duas vezes, olhou para o fogão e novamente para mim e finalmente falou:

– A comida está queimando.

E saiu da cozinha.

Enquanto isso Fábio falava com Guilherme.

– O que aconteceu na escola filho? – perguntou Fábio.

– Nada. – respondeu Guilherme deitado de costas para Fábio.

– Tem certeza? Sua irmã disse que você não ficou com raiva de um amigo que pegou na mãe dela. Porque você fica estranho quando se fala desse garoto, o Vinicius?

– Não fico estranho. Só não gosto dele. – respondeu Guilherme com raiva.

– Então porque não brigou com ele? Você nunca deixa sua irmã nem conversar direito com meninos…

– Deixo sim. Ela não gosta que eu brigue com os amigos dela. Agora me deixa sozinho pai. Só me chame quando a comida estiver pronta. Por favor!

– Só uma coisa… Você está bem? Você vai ficar bem? – perguntou Fábio já indo para a porta.

– Vou ficar bem. Só preciso ficar sozinho.

Quando Fábio estava voltando para a cozinha Yasmim estava indo para o quarto.

– Teve alguma sorte com ele, Fá? – perguntei quando Fábio chegou na cozinha.

– Não. E você com a Yasmim?

– Também não.

– Tenho certeza que aconteceu alguma coisa. Não seria melhor irmos na escola? – perguntou Fábio.

– Não. Se fosse algo tão importante já teriam ligado. – respondi.

– Que cheiro de queimado é esse? – perguntou Fábio se levantando para ver o fogão.

No quarto do Guilherme…

– Posso entrar? – perguntou Yasmim na porta.

– Quero ficar sozinho. – gritou Guilherme em resposta.

– Quero falar com você Gui.

– Não quero conversa agora Yasmim.

– Esquece o Vinicius Gui. Esquece o que aconteceu.

– Como vou aparecer na escola amanhã? – perguntou o menino. – Aquele garoto me paga.

– Deixa eu ver. Não sou grande coisa, mas posso ajudar.

– Não Yasmim. – respondeu Guilherme nervoso.

– Vai ter que mostrar para a mamãe ou para o papai. Deixa eu entrar Gui.

– Não. E não vou mostrar nada.

– Para de ser teimoso. Pode infecciona. O corte está profundo. – disse a menina preocupada.

– Mamãe e papai já tiveram cortes piores e estão bem.

– Claro. Eles tinha médicos e tinha o tio Henrique também. – gritou Yasmim.

– Esquece Yasmim, e se contar para alguém nunca mais falo com você.

– É melhor não falar comigo do que ficar doente. Se não me deixar ver esse corte eu vou contar para os nossos pais. – respondeu Yasmim decidida.

Um minuto depois Guilherme abriu a porta para a irmã.

– Deixa eu ver a perna. – exigiu a menina.

Guilherme estava com um corte profundo na batata da perna esquerda.

– Preciso cuidar disso. – disse Yasmim levantando a calça do irmão.

– Você precisa? – perguntou ele surpreso. – Você não sabe cuidar disso.

– Tio Henrique também não sabia quando tirou aquele sensor do braço da mamãe. Posso cuidar disso, ou você quer que alguém saiba? Não confia em mim? – perguntou Yasmim.

– Confio. – respondeu Guilherme.

– Ótimo. Já volto. Vou pegar algumas coisas para desinfetar e para não ficar cicatriz.

Quando Yasmim já estava saindo do quarto Guilherme a chamou:

– Yasmim!

– Fala Gui? – perguntou ela inocentemente.

– Obrigado.

Meia hora depois na sala de jantar estávamos acabando de comer.

– Sua mãe e eu estávamos pensando em dar uma festinha no aniversário de vocês. O que acham? – perguntou Fábio.

– Festa? – perguntaram os dois juntos e desanimados.

– Uma festa só para seus amigos e família. Nada de gente chata. – respondi.

– Se for assim eu quero. – disse Yasmim.

– E você Gui? – perguntou Fábio.

– Ele quer. – respondeu Yasmim.

– Amanhã vamos começar a investigação. Precisam de alguma coisa? – perguntei.

– Não. Mas queremos ficar em casa. Não queremos ir para a casa do tio Henrique.  – disse Yasmim.

– Adoramos ele, a tia e a Paty, mas queremos ficar em casa. – acrescentou rapidamente Guilherme.

– Certo. Vou falar para a Pâmela ficar aqui com vocês. – disse Fábio.

– Não! Queremos ficar sozinhos. E vocês se forem viajar não iram ficar mais que dois ou três dias. Sempre teram que passar em casa.

Olhamos os dois por algum tempo e respondi:

– Vamos pensar. Amanhã cedo antes de irem para a escola damos à resposta.

Sorrisos surgiram no rosto dos dois.

Mais tarde no nosso quarto Fábio e eu conversávamos.

– Como vamos fazer a festa, organizar tudo e estar aqui na hora certa? – perguntou Fábio.

– Vamos dar um jeito. Afinal eles vão entrar para a agencia. – respondi.

– Vamos começar a investigação da Thaís por onde?

– Não adianta irmos à prisão. Faz muito tempo que houve a explosão. Já reformaram tudo. – respondi pensativa.

– Podemos ir falar com a mãe da Solange. É a única pessoa viva que pode nos dar informações sem perceber. – disse Fábio.

– Tem razão. Os bandidos não iriam falar nada que pudesse nos ajudar. Acho melhor você ir sozinho afinal a Sara gosta de você. – disse para ele.

– Tenho uma idéia melhor. – Fábio me olhou quase que me analisando. – Podemos colocar uma peruca em você.

– Para que? – perguntei sem entender.

– Poderia fingir que é a Solange. A mãe dela não iria notar a diferença ela está louca e pensa que a Solange está viva. – disse Fábio um pouco distante, pois sabia que eu não iria gostar da idéia.

– Eu nunca me passaria por aquela mulher. – respondi extremamente irritada.

– São só algumas horas.

– Não faria tudo àquilo de novo. Não faria aquele processo todo que fiz para me parecer com a Carla.

– Não precisa. Uma peruca e no máximo uma mascara facial já é mais que suficiente. A senhora Sara Morais nunca desconfiaria, acho até difícil desconfiar. Ela está doidinha, nunca te reconheceria.

– Não sei. – respondi insegura.

– Vou mandar fazer a marcara. Se você arrumar uma idéia melhor…

– Tudo bem. Vou pensar. – respondi.

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sobre Vanessa Sueroz

Autora dos livros Confusões em Paris, Minha última chance, Odiado Admirador Secreto, Presente de Aniversário, Eu te amo mais e Três Botões.

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