O diário de uma agente 2 – Parte III


Anteriormente:

– Mais uma história? – perguntou Yasmim chateada.

– É.

– Certo. Deixa para depois. Mamãe já descobriu o que queríamos. Vamos embora. – disse Yasmim.

– Espera. Vamos observá-lo. Quem sabe ele dá alguma dica.

– Nossa mãe é doida. Ela chega aqui e pergunta… Como se o Marcos fosse responder a verdade. – disse Yasmim.

– A Rouxinol não mudou nada. Continua linda e objetiva e esperta como sempre. – disse Marcos para si mesmo.

Parte III

– Esse cara é doente. – disse Guilherme para si mesmo.

– Ele nada Gui. – disse Yasmim.

– Olha o Antônio chegando. – disse o menino se agachando mais.

– Ouvi vozes. Com quem você estava falando? – perguntou Antonio para Marcos.

– Rouxinol.

– O que ela queria?

– Saber da CMFC. – respondeu Marcos sem importância.

– Ela está desconfiada da Thais? – perguntou Antonio.

– E como estaria? Ela pensa que a Thais está morta. –respondeu Marcos.

– Está na hora da Thais voltar para as ruas. Logo vamos perder o controle da situação. A Rouxinol e o Legião não podem voltar para as ruas. Temos que tomar uma providencia. – disse Antonio saindo.

– Ouviu isso Yasmim? – perguntou Guilherme.

– Ouvi. Temos que falar com o tio Henrique. – disse Yasmim saindo.

– Acho melhor falarmos com a Pâmela. Se falarmos com o Henrique ele vai saber que estivemos aqui a vai contar para os nossos pais. – respondeu Guilherme.

– Sei lá. Você é que sabe. – respondeu Yasmim sem emoção.

Minutos depois no parque…

– Certo esse assunto já resolvemos… Agora quero falar sobre aquele seu amigo. – disse Guilherme.

– Porque você não gosta dele? – perguntou Yasmim.

– Não posso mentir para você, então não vou dizer que ele falou mal de você, pois não sei, mas Yasmim ele não é para você. Tem alguma coisa nele que eu não gosto.

– Gui não se preocupe. Não vou namorar com ele. Somos somente amigos.

– Promete que não vai namorar ele. – pediu Guilherme.

– Prometo. Agora vamos para uma lan-house. Precisamos colocar essas informações no computador da agencia sem sermos rastreados. – disse Yasmim.

– Sem sermos pegos você quer dizer. Rastreados vamos ser com certeza. Trouxe o RG e o IA falso? – perguntou Guilherme entrando na lan house.

– Trouxe.

Meus filhos tinham RG e IA falsos porque tinham invadido o meu computador da agencia e criado os documentos, que até então eu não sabia.

Enquanto isso na minha casa…

– Guilherme, Yasmim! Vocês estão bem? – perguntou Pâmela batendo na porta do quarto.

– Estamos bem. Estamos na internet. – respondeu a voz da Yasmim.

– Certo. Se quiserem comer me avisem. A comida está pronta.

– Tudo bem. – respondeu a voz do Guilherme.

Quando eu cheguei a agencia…

– Como foi? – perguntou Fábio.

– Tenho a impressão que a Thais não está morta. – respondi.

– Tati achamos o corpo dela. –disse Fábio meio sem acreditar em seus ouvidos.

– Não. Achamos um corpo na cela dela. – corrigi.

– Mas não tinha como ser outra pessoa. – respondeu Fábio.

– Tem certeza disso? O corpo estava carbonizado. Não da para ter certeza que era a Thais.

– Se a Tais está vida… Porque ela ainda não apareceu? Já se passaram mais de 5 anos.

– Não sei Fá. –respondi pensativa. – E os gêmeos estavam lá. – disse recuperando o animo.

– De novo?

– É. Mas como eles enganaram a Pâmela? – perguntei.

– Não sei. Mas ela me ligou a pouco falando que eles estão bem em casa e que estão à internet. – respondeu Fábio.

– Que estão na internet isso é verdade. – disse Evandro entrando na conversa. – Acabamos de receber informações de uma lan house sobre o caso.

Lan house é um lugar que se paga para usar o computador. Geralmente para jogar e para entrar na internet.

– Os gêmeos estão fora de controle. – respondeu Fábio.

– Fora de controle eles não estão. Sabemos de tudo que eles fazem, mas eles não sabem que sabemos. – respondi.

– Querida isso não pode continuar por muito tempo. Eles não estão nos obedecendo. Mandamos eles ficarem longe dos arquivos e missões da agencia.

– Não vai durar muito. Logo eles vão entrar para a agencia e vão parar de se esconder. Vão ter muito que fazer para perder tempo com as missões dos outros.

– Tati semana passada eles foram para Pernambuco para realizar a missão de um dos agentes. – disse Henrique chegando.

– Eu sei. Vamos pensar em algo para acabar com essas aventuras dos dois. E como foi a viajem? – perguntei.

– Normal. E com o Marcos? –perguntou Henrique.

– Se adivinhar ganha um doce. – disse Fábio.

– Pela sua cara ele ficou cantando a Tati. – respondeu Henrique.

– Exatamente. – disse Fábio meio irritado.

– Gravou a conversa? –perguntou Henrique.

– Claro. Vamos para a sala que eu te mostro.

Mais tarde…

– Temos que ir atrás de uma pista sobre a Thais. – disse Henrique pensativo.

– O problema é por onde vamos começar. – disse Fábio.

– Não sei. Mas vocês aceitam a missão? – perguntou Henrique.

– Tudo bem. – respondemos juntos.

– Vou mandar fazer a papelada. Mas e as crianças? Como vão contar que vão para uma missão? Vão acabar ficando alguns dias fora. A Thais se estiver viva, pode estar em qualquer canto do mundo.

– Sabemos disso Henrique, mas a Thais é esperta de mais para qualquer um… Conhecemo-la melhor que qualquer agente. Claro que tirando você. – respondi.

– E porque você não vai Henrique? – perguntou Fábio.

– Não vou para missões desde que a Tati tinha 10 anos. – respondeu Henrique. – E não tenho parceiro. Preciso de um parceiro para uma missão.

– Sandra. – respondi.

– Sandra nunca se tornaria agente. Ela odeia esse negócio de agente. Ela gosta de ser dona de casa. Já tentei convence-la. Impossível! – respondeu Henrique.

– Vamos falar com as crianças e você prepara a papelada. – respondeu Fábio.

– Já vou. Qualquer coisa me chame. – disse Henrique saindo.

– Não da para deixar as crianças com a Pâmela. – disse de repente.

– Elas enganam a Pâmela com facilidade. Mas como será que elas saíram de casa hoje e deixaram os corpos… – brincou Fábio.

– Deixarem os corpos… É isso!

– Isso o que princesa?

– Nossas alianças. – respondi.

– O que têm elas? A minha está no meu dedo como sempre esteve. – disse Fábio.

– Não as alianças de casamento… As de namoro…

– O que tem as… – começou Fábio sem entender. – Hologramas. – concluiu.

– Deve ser. Pensei que tivesse acabado com todos os hologramas. –respondi.

– Eu não iria deixar você quebrar a nossa primeira aliança em mil pedaços. – respondeu Fábio.

– Nossos filhos acharam e descobriram os hologramas. – disse tristemente.

– E como eles sabem como funciona um holograma?

– Aula de história, internet… Sei lá. – respondi, mas segundos depois continuei. – Ao menos que o Henrique tenha… – comecei.

– Vou falar com ele. – disse Fábio saindo da sala.

– Que domingo! – falei antes de me sentar na frente do computador.

Na sala do Henrique (antiga sala do meu pai):

– Henrique eu quero te fazer uma pergunta. – disse Fábio entrando.

– Já estou saindo. – disse Ricardo.

– Pode ficar. – disse para Ricardo. – Você disse para os gêmeos com funciona um holograma? – perguntou Fábio para Henrique.

– Acho que não.

– Acha? – perguntou Fábio.

– Acho que não. – confirmou Henrique.

– Certo. – disse Fábio já saindo.

– O que foi? –perguntou Henrique.

– Depois explico. – disse Fábio saindo.

Segundos depois Ricardo sai correndo na direção do Fábio.

– Fábio! O Henrique está te chamando. – gritou Ricardo.

De novo na sala do Henrique:

– Fala Henrique.

– Faz uns dois anos que meus sobrinhos me perguntaram sobre hologramas. – disse ele sem rodeios.

– Dois anos! Eles estão ficando bons nisso de fazer as coisas escondidos. – comentou Fábio.

– Por quê? – perguntou Henrique.

– Estão usando a minha aliança e a da Tati para saírem escondidos. – respondeu Fábio abrindo a porta para sair.

– A Patrícia nem pensa na agencia. Ela puxou a mãe. – disse Henrique um pouco decepcionado.

– Pelo menos você não precisa se preocupar com ela saindo escondida. – disse Fábio.

Na minha sala mais tarde…

– Vamos para casa princesa? – perguntou Fábio se espreguiçando.

– Que horas são?

– Quase oito.

– Vamos. Temos que falar com os gêmeos. É melhor chegar mais cedo.

– Em falar nas crianças… Você precisa falar com o Guilherme… O ciúmes dele está passando dos limites. – disse Fábio.

– Certo. E você com a Yasmim. Ela tem que entender o lado do irmão.

– Claro. Mas ela entende um pouco o irmão. O que é estranho é essa implicância com o novo amiginho da Yasmim. Ele está implicando de mais com ele. – disse Fábio guardando as coisas.

– Percebi, mas não achei nada de errado nele quando falei com ele, ele só estava extremamente nervoso por falar comigo. O Guilherme deve ter um bom motivo, mas acho que não quer contar.

Chegando em casa…

– Ola senhor Fábio. – disse Pâmela assim que Fábio colocou os pés em casa.

– Boa noite Pâmela. – respondeu. – E as crianças?

– Estão no quarto. Passaram o dia inteiro lá. Nem quiseram comer. Acho que estão brigados por causa do novo amigo da Yasmim. –concluiu a moça para Fábio.

– Não estavam em casa, e talvez nem tenham chegado. – respondi.

– Ola senhora Tatiana não tinha visto à senhora. – disse a moça gentilmente.

– Percebi. – respondi um pouco ignorante. – Pode ir para casa senhorita Suzuki.

– Está cedo. Porque não vai tomar banho? Faço companhia para o Fábio.

– Não. Meu marido vai tomar banho comigo. E seu expediente acabou por hoje. – respondi puxando o Fábio para o quarto.

No quarto:

– Não precisava ser tão grosseira com ela. – disse Fábio.

– Ela estava cantando você. – respondi irritada.

– Ela estava sendo gentil. Se controla. – pediu ele.

– Estou calma. Vou entrar no banho. – respondi.

– Vou ver as crianças e já entro no banho com você. – respondeu Fábio.

– Tudo bem.

No quarto dos gêmeos…

– Será que desconfiam de nós? – perguntou Yasmim de repente.

– Acho que não. Mamãe nem percebeu que estávamos na antiga CMFC. – disse Guilherme quando Fábio bateu na porta. – Pode entrar pai.

– Como foi o dia crianças? – perguntou Fábio.

– Bem. – respondeu Guilherme.

– Fizeram o que? – perguntou.

– Ficamos no computador. – respondeu Yasmim.

– Certeza? – perguntou Fábio.

Os gêmeos se olharam o responderam:

– Certeza.

– Que bom! Vamos jantar mais cedo hoje e depois do jantar sua mãe e eu queremos falar com vocês.

– Aconteceu alguma coisa pai? – perguntou Guilherme.

– Não sei direito. – disse ele pensativo. – Explico mais tarde. Tomem banho e se troquem. Logo chamamos vocês para comer.

Depois do jantar ainda na cozinha:

– Vão escovar os dentes e depois vão para a sala. Queremos falar com os dois. – disse para eles enquanto tirava a mesa.

Na sala cerca de quinze minutos depois:

– O que foi mãe? –perguntou Yasmim sentando.

– Vocês parecem preocupados com alguma coisa. – disse Guilherme nos observando.

– E estamos filho. – disse Fábio. – Sua mãe e eu vamos ter que ir para uma missão.

– Que bom! Vocês sempre quiseram voltar às ruas. – disse Yasmim.

– O problema é deixar vocês dois sozinhos. – respondi.

– Ficamos com a Pâmela. – disse Guilherme.

– Vão ficar quanto tempo fora? – perguntou Yasmim.

– Não sabemos ainda… Pode ser que até podemos dormir em casa. Vamos saber de tudo amanhã. – respondi.

– Não se preocupem. Ficaremos bem com a senhorita Pâmela. – respondeu Guilherme inocentemente.

– Vocês enganam com muita facilidade a moça. – respondeu Fábio.

– Como assim? – perguntou Yasmim se fazendo de desentendida.

– Entreguem os hologramas. – pedi.

– Do que vocês estão falando? – perguntou Guilherme fingindo não saber.

– Não adianta mentirem. Vocês são muito espertos, mas não nos enganam. – disse Fábio.

Os gêmeos entregarão as alianças.

– E agora vão me explicar porque foram na CMFC hoje ou não iam nos contar? –perguntei.

– Falei que aquele óculos de sol tinha rastreador. – disse Guilherme para a irmã.

– Não tem rastreador filho. – disse Fábio rindo.

– Não tem rastreador em nada que é de vocês. – respondi.

– Então o rastreador estava nas alianças? – perguntou Yasmim.

– Não. O rastreador somos nós. Somos seus pais e conhecemos vocês, mesmo que não concordem. – respondeu Fábio.

– Então como soube que estávamos lá, mãe? – perguntou Guilherme.

– Vi os dois. Mas estavam muito bem. Ninguém mais os viu e nem desconfiaram que vocês estavam lá. Parabéns. – respondi.

– Já que sabem que nós sabemos de tudo… Dá para explicar quem é Thais? – pediu Guilherme.

– Thais é uma antiga namorada do sou tio Henrique. Ela era chefe da CMFC, comparsa do Otávio e da Solange. Deu dois tiros na sua mãe quando a pedi em casamento. É umas ex-agente. – respondeu Fábio.

– Você resumiu de mais. – disse Yasmim.

– Se querem mesmo saber sobre a agencia e sobre sua mãe, já falei para não procurarem na internet e nem perguntarem para os seus professores. Leiam o livro dela. – respondeu Fábio esquecendo que eu estava presente.

– Ler meu livro? – perguntei indignada.

– São seus filhos princesa. – disse Fábio calmamente.

– Certo. Vou tirar uma cópia para vocês. – respondi para eles, mesmo sabendo que não iria faze-lo.

– Temos uma cópia mãe. – respondeu Guilherme.

– Quem deu uma cópia para vocês? – perguntei.

– O pai é claro. – respondeu Guilherme.

– Você Fábio! – disse surpresa. – Tudo bem! Só que temos que decidir se vamos para a missão ou não. Vocês vão se comportar? – perguntei.

– Somos comportados mãe. – respondeu Yasmim.

– Vocês vão parar de sair escondido? É pouco tempo que vamos ficar fora. Se quiserem podem ficar no seu tio. – disse Fábio.

– Vocês vão mesmo? – perguntou Guilherme.

– Não sabemos. Vamos decidir depois. Só queremos saber se podemos confiar em vocês se sairmos por um tempo. – respondi.

– Claro que pode confiar mãe. E outra, sabemos nos defender. – respondeu Guilherme. – Eu cuido da Yasmim.

– Eu sei que você cuida da sua irmã… O problema é quem cuida de você. – respondi.

– E senhorita Pâmela. – respondeu Guilherme.

– A agente Pâmela não consegue nem saber quando estão em casa… – respondi.

– Prometemos que não vamos sair. – disse Yasmim.

– Certo. Amanhã conversamos. –respondeu Fábio dando boa noite aos gêmeos.

No quarto mais tarde:

– Acha que eles vão cumprir a promessa? – perguntei para Fábio.

– Não sei. Acho que vão tentar, mas não tenho certeza se vão conseguir. – respondeu Fábio preocupado.

– Vamos fazer o que então Fá?

– Vamos para a missão. Precisamos saber sobre a Thais. – respondeu Fábio trocando de roupa.

– Acho que se formos demorar para voltar eu venho para casa.

– E eu fico sem parceira? – perguntou Fábio.

– Melhor sem parceira por um tempo do que sem filhos. – respondi.

– Certo. Passamos em casa sempre que der. Quem sabe podemos investigar sem precisar viajar.

– Porque o Henrique não dá essa missão para um agente de cada país? Eles podem trabalhar juntos. Facilitaria! –sujeri.

– Só nós conhecemos ela.

– Mas tudo que sabermos pode ir para a papelada do caso. – respondi.

– Está com medo de que aconteça alguma coisa conosco pelas crianças? – perguntou Fábio.

– Não posso negar que estou. – respondi.

– Sei como é. Também estou com um pouco de medo, mas temos que protege-los também. Antes não tínhamos pontos fracos e agora temos dois, Guilherme e Yasmim.

– E será que a Thais sabe disso?

– Temos que descobrir isso também. Quem sabe achamos ela, ou quem sabe ela está mesmo morta… Só vamos saber se agentes experientes forem nessa missão… E quem melhor que nós para isso? – perguntou Fábio.

– Tem razão! Vamos para essa missão, mas só depois de amanhã. Temos que treinar um pouco juntos.

– Claro. Amanhã pegamos à papelada e decidimos como vamos fazer.

No dia seguinte no café da manhã foi à mesma coisa da manhã passada… Ricardo nos acordou, Pâmela chegou e viu Fábio na cozinha preparando o café da manhã para as crianças.

– Não quer ajuda senhor Fábio? – perguntou a moça.

– Não obrigado. E não é por nada, mas não fique me oferecendo ajuda. – respondeu Fábio gentilmente.

– Por que não? – perguntou Pâmela.

– Se eu precisar de ajuda eu peço. E a Tatiana não gosta muito dessa sua gentileza.

– Sua esposa é muito… – começou a moça, mas parou de falar quando me viu na porta.

– Sou muito o que Pâmela? – perguntei.

– Muito ciumenta senhora.

– Eu não sou nada ciumenta. E não gosto que falem de mim. Principalmente para o meu marido.

– Calma senhora. Só estava me oferecendo para ajudá-lo.

– Ele não precisa de ajuda. Se precisasse já teria pedido. – respondi.

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sobre Vanessa Sueroz

Autora dos livros Confusões em Paris, Minha última chance, Odiado Admirador Secreto, Presente de Aniversário, Eu te amo mais e Três Botões.

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