O diário de uma agente 2 – Parte II


Anteriormente:

E a campainha tocou.

– Tati atende para mim. Estou um pouco ocupado aqui. – disse Fábio pelo comunicador que tinha na parede.

– Claro.

Apertei um botão do lado da minha cama e um visor apareceu com a imagem da câmera de segurança. E uma voz saiu da lateral do visor:

– Qual câmera deseja visualizar? – perguntou uma voz robótica.

– Entrada principal.

E apareceu Pâmela no visor.

Parte II

– Ola Pâmela. – disse pela escuta do aparelho.

– Ola senhora. O senhor Ricardo pediu para eu vir. – respondeu Pâmela.

– Entre. – respondi apertando um botão para a porta se abrir.

Pâmela foi direto para a cozinha e ficou observando Fábio. Quando eu cheguei ela disfarçou seu interesse por ele e falou:

– Bom dia! E as crianças?

– Ótimas. Estão dormindo. – disse Fábio.

– Fábio vá colocar uma roupa. Não quero você só de cueca andando pela casa. – respondi indo ajudá-lo a fazer o café.

– Já foi, princesa.

– Tem ciúmes do seu marido? – perguntou Pâmela rindo enquanto Fábio saia.

– Ciúmes? Eu? Não. Nunca fui de ter ciúmes. Não sou ciumenta. É que é falta de educação. Você é uma visita, vamos dizer.

– Sou empregada, melhor dizendo. – respondeu Pâmela.

Fábio voltou pronto. Estava até com o uniforme da agencia.

– Demorou! – disse para ele quando voltou à cozinha.

– Tomei banho.

– Percebi. Vou me arrumar. Arruma a cozinha. A empregada…

– Eu sei que a empregada não vem de domingo, princesa. – respondeu Fábio calmamente. – E senhorita Pâmela, preciso de um codinome para você também.

– Para mim? – perguntou a moça espantada.

– É. Você é uma agente, certo?

– Certo, mas tem agentes que não tem codinome.

– Eu sei. Mas você é uma agente ativa. E meus filhos têm que se acostumar com codinomes. Vou pensar em algo. – disse enquanto tirava a mesa do café.

– Quer ajuda? – perguntou gentilmente a moça.

– Não obrigado. Pode ir para a sala. Os meninos vão demorar a acordar. – disse Fábio.

– Com certeza os gêmeos vão querer sair de casa… Posso deixar?

– Só deixe se for para saírem juntos e vá com eles, mas sem constrangê-los. Vá de longo.

– Posso ir sem que percebam. – respondeu ela confiante.

– Impossível enganar os dois. Principalmente quando querem ficar sozinhos.

– Percebi que brigaram ontem na festa.

– Não brigaram. Só estão precisando conversar. – disse Fábio lavando a louça.

– Eu sei. Mas tem certeza que não quer ajuda? – perguntou mais uma vez a moça.

– Ele não quer ajuda. – respondi entrando na cozinha. – Vamos Fá. Estamos atrasados.

– Espere um minuto princesa. Tenho que guardar a louça.

– Não se preocupe. A senhorita Pâmela adoraria fazer esse favor. Ela estava mesmo querendo ajudar. – disse para Fábio. – Temos que ir. Não deixe eles chegarem perto de nenhum bandido, e não deixe Guilherme bater no amiginho da Yasmim, não quero ter que pagar um médico para o garoto. – disse para Pâmela saindo de casa.

Fábio e eu fomos para a agencia. Chegando lá.

– Bom dia senhora Rouxinol! Bom dia senhor Legião. Sejam bem vindos a CMCC. E estão atrasados. – disse uma voz mecânica quando entramos.

– Até um robô sabe que estamos atrasados? – perguntou Fábio irritado.

– Até quem fim vocês chegaram. – disse Ricardo.

– O que aconteceu cunhado? – perguntei.

– Minha mãe está na sua sala.

– Sua mãe o que? – gritei.

– Legal. Ela já não estava de bom humor. – disse Fábio baixinho para Evandro.

– O que sua mãe quer? – perguntei.

– Não sei. Mas acho que vai descobrir logo. – disse Ricardo vendo sua mãe se aproximar.

– Nossa! A sua esposa não consegue nem chegar ao trabalho na hora. – disse Carla para Fábio.

– Bom dia mãe. – disse Fábio.

– Mau dia querido. – disse ela para Fábio – Fui ver minha amiga hoje e preciso ajudá-la. – disse para mim.

– E o que isso tem a ver comigo? – perguntei.

– Você vai ajudá-la. – respondeu Carla.

– E porque eu faria isso? – perguntei.

– É melhor vocês irem para a sala. – disse Fábio vendo alguns agentes olhando assustados.

Na minha sala nem dois minutos depois…

– Vai ajudar minha amiga? – perguntou Carla.

– Não. Primeiro porque não conheço, depois porque a amiga é sua, e por ultimo não tenho tempo para isso.

– Acham que ela está louca. Você pode dizer que não e traze-la para a sociedade. – disse Carla.

– Repito. Não tenho tempo a perder.

– Você vai me ajudar, não é filho?

– Mãe, está falando de quem afinal?

– Claro que estou falando da minha amiga Sara.

– A mãe da Solange? – perguntei.

– Claro. Se não fosse o trágico acidente da minha querida Solange meu filho estava casado com ela… E não com você.

– Não tenho que escutar isso. – respondi saindo da sala.

– Não pode falar assim com a minha esposa, mãe.

– Mas a Solange era uma menina tão meiga. – respondeu Carla.

– É que você não sabe a verdade. Ela não era do jeito que você pensa.

– E como ela era Fábio? – perguntou. Carla nervosa.

– Ela era uma…

– Fábio! – chamou Evandro pelo computador.

– Fala! – respondeu Fábio.

– O Henrique está no telefone. Quer falar com você.

– Pode passar. – e se virou para sua mãe – Tenho que trabalhar. Conversamos depois. Volte para sua casa, minha esposa não te quer aqui. – respondeu Fábio nervoso.

– Viu o jeito que você fala comigo? Nem pareço sua mãe. – resmungava ela quando saiu.

– Pronto Henrique. – disse Fábio no telefone.

– Fábio, eu acho que vamos ter problemas mais tarde.

– Como assim?

– As coisas aqui não estão nada normais. Há, parece que na França e Japão está acontecendo à mesma coisa.

– Me passa um relatório. – pediu Fábio.

– Certo. Pede para a Tati ir atrás do Marcos. Vai ser fácil acha-lo.

– Certo. Mas para que? – perguntou Fábio.

– Vai ver quando olhar o relatório.

– Certo.

Minutos depois o relatório chegou por fax.

Relatório de Estudos Criminais

Paises: Alemanha, Japão e França.

Problema: criminosos estão se encontrando toda semana em um lugar diferente em reuniões secretas. Parece que estão querendo fundar outra CMFC, ou melhor, retornar a original, mas precisam do chefe deles.

Solução: nenhuma.

Pessoas envolvidas: Thais, Otávio, Solange, Bruna, Marcos, Antônio, Carlos. A maioria dos envolvidos estão mortos.

Investigar: Marcos, Antônio e Carlos.

Ajuda: Policial Cristofer.

– Tati! – chamou Fábio pelo C.A.

– Oi, Fá.

– Tenho uma investigação para você.

– Agora?

– Está ocupada? – perguntou Fábio.

– Um pouco. Estou acabando aqui com o JJ e com o JJ2. (Os robôs da agencia)

– Depois vem aqui na nossa sala. O Henrique acabou de me passar um relatório de estudos muito estranho. – disse Fábio.

– Já vou.

Mais tarde em casa…

– Está pronta Yasmim? – perguntou Guilherme para a irmã.

– Estou quase. Falta o óculos de sol.

– Yasmim só vamos a uma sorveteria.

– Eu sei. Mas está sol. E mamãe disse para sempre usar os óculos.

– Você sabe que os óculos têm rastreadores. – respondeu o menino.

– Qual deles Gui? – perguntou a menina mostrando dois óculos nas mãos.

– O da direita. –respondeu Guilherme rindo. – Temos eu nos livrar da Pâmela.

– Quer conversar sobre o Vinicius, não é? –perguntou a irmã indiferente.

– É. E temos que nos preparar. Vamos pegar aquela missão sem ninguém saber.

– Eu sei. E não fale disso dentro de casa. Sabe que a Pâmela gosta de escutar atrás da porta. – disse Yasmim puxando o irmão para a varanda.

– Ela não é tão burra. Coloquei um sensor na porta do quarto.

– Do seu ou do meu? – perguntou a menina.

– Dos três. Da sala que une os dois também. – se gabou o menino.

– Certo. Vamos despistar ela. Que tal hologramas? – perguntou a menina olhando o jardim.

– Estão proibidos e a agencia destruiu todos.

– Menos um, ou melhor, menos dois.

– Como assim? – perguntou Guilherme.

– Mamãe e papai tinham um do caso da CMFC guardado.

– Pegou onde? No cofre de novo? – perguntou Guilherme.

– Não. No fundo falso do guarda-roupa. – disse a menina.

– Certo. Anéis?

– Alianças para ser mais certa. – respondeu ela.

– A primeira aliança do papai e da mamãe?

– É.

– Certo. Cadê?

– Caixa de jóias. Eu pego as alianças e você o relatório da missão.

– Certo Yasmim. Mas e o Vinicius? Não contou a ele, não é?

– Não. Você está certo. Isso é só nosso. – disse a menina abraçando o irmão.

Enquanto isso na sala de estar…

– Aquelas crianças estão quietas de mais. – disse Pâmela.

– Não ligue. A Patrícia é a mesma coisa. – disse uma voz no telefone.

– Eu sei senhora. Mas seu marido me mata se acontecer alguma coisa com elas.

– Acho que deve se preocupar mais com o Fábio. Ele é um pai muito ciumento. – disse Sandra.

– A senhora Rouxinol não fica atrás.

– Tatiana não é tão ligada nos gêmeos. O Guilherme cuida da Yasmim. E o Fábio do Guilherme. Tatiana só ajuda por fora. Ela sabe que os filhos são como ela.

– Ela era assim? Uma pestinha quando tinha essa idade?

– A Tatiana sempre foi agitada e independente. Não vai ser você que vai colocar limite nos gêmeos.

– Desculpe tenho que desligar. Eles estão quietos de mais.

– Tudo bem.

Pâmela foi ao quarto e viu os gêmeos no computador, ou melhor, viu os hologramas.

– Está tudo bem crianças? – perguntou.

– Ótimo. – respondeu Guilherme pelo comunicador.

Na rua…

– Ela já saiu do quarto? – perguntou Yasmim.

– Está saindo agora. – disse Guilherme olhando pelo visor nos óculos. – Sorvete do que Yasmim? – perguntou o irmão.

– Flocos.

– Vou buscar. – disse Guilherme se levantando. – Toma, se a Pâmela entrar no quarto fale com ela. – disse Guilherme entregando o comunicador.

Quando Guilherme voltou tinha um garoto falando com Yasmim.

– Que gatinha você é! Me da seu telefone…

– Desculpe. Tenho namorado. E meu irmão está vindo. – disse Yasmim olhando o irmão se aproximar.

– Que aliança bonita. Mas seu irmão é um frangote. Acabo com ele se você quiser.

– Se eu fosse você saia daqui antes dele chegar. – disse Yasmim.

– Eu não vou fazer isso porque eu… – começou o menino.

– Você o que? – perguntou Guilherme. – O que quer com a minha irmã?

– Sua irmã é muito gostosa cara. – disse o rapaz para Guilherme que estava muito nervoso.

– Esqueci de falar que meu irmão é ciumento? Herdou da minha mãe. – disse Yasmim rindo.

– Maninha segura para mim, por favor. – pediu Guilherme para a irmã.

– Claro. Posso experimentar o seu sorvete Gui?

– Claro.

Guilherme acabou com o garoto. O dono da sorveteria até mandou ele sair. Afinal ele tinha quebrado o braço do rapaz e deixou os dois olhos roxos.

– Não precisava exagerar. Mamãe não vai gostar.

– Ela não vai saber. – disse Guilherme. – Nem vai saber que saímos. Vamos para outro lugar? – perguntou Guilherme.

– Claro Gui. Vamos passear.

No parque…

– Pegou a ultima investigação da mamãe e do papai? – perguntou Yasmim quando sentaram.

– Peguei, mas foi difícil. Faz tempo que eles não pegam missão.

– Eu sei. Mas o que é? – perguntou Yasmim.

– Ela vai investigar o Marcos. E nos vamos atrás do Antônio e do Carlos.

– Eles não vão desconfiar? – perguntou Yasmim.

– Não. Mamãe vai falar com um amigo dela e do papai… Um tal de Cristofer.

– O policial? Que agora é chefe de segurança do banco central?

– Esse. Parece que o Marcos está em uma cadeira de rodas por causa da mamãe e é mais fácil de achar. – respondeu Guilherme.

– E onde vamos procurar os outros?

– Tenho um palpite que estarão na antiga sede da CMFC.

– E porque você acha isso Gui?

– Se eles estão atrás de uma nova agencia… Porque não começar de onde acabou?

– Eles não têm chefe. – disse Yasmim.

– Esse é o estranho do caso. Eles nunca agiriam sem um chefe. E não nomeariam outro que não tivesse ligação com nossos pais. – disse Guilherme analisando o relatório.

– Eles podem ter esquecido nossos pais um pouco. – brincou Yasmim.

– Não é hora de brincar.

Na agencia…

– Vou falar com o Marcos. Volto logo. – disse para Fábio. – E meu irmão? Volta quando?

– Já está voltando. – respondeu Fábio.

– Certo. Vou falar com o Cristofer também. Não quer ir comigo, Fá? Relembrar os tempos de namoro?

– Não posso princesa. Tenho trabalho. – respondeu ele triste.

– Tudo bem.

No banco…

– Cristofer? – chamei batendo na porta.

– Entre Rouxinol. Quanto tempo não nos falamos…

– Vim a trabalho. Sabe onde posso encontrar o Marcos?

– Faz muito tempo que não ouço esse nome. Mas acho que posso ajudar.

– Que bom! Onde acho ele?

– Na antiga sede da CMFC.

– E o que ele estaria fazendo lá? – perguntei.

– Não sei muito. Sei que foi lá porque Estava passando lá perto e o vi há umas duas semanas e o segui.

– Deve ser o motivo da minha investigação. – respondi.

– Deve ser? Investigação? Não parece a Tatiana que conheço.

– Não é uma missão. É mais uma investigação mesmo, e não sei ao certo o que estou procurando.

– Sei como é. – respondeu Cristofer.

– Tenho que ir. Apareça lá em casa algum dia. O Fábio vai adorar vê-lo.

– Claro.

E fui para a CMFC e sem que eu soubesse meus filhos estavam lá… Mas eu não os vi, mas eles me viram.

– Yasmim se esconde. – sussurrou Guilherme.

– O que foi? – perguntou a menina.

– A mamãe. – disse ele apontando para mim na entrada.

– Agente Rouxinol? – perguntou um bandido espantado.

– Não vim prender vocês. Quero falar com o Marcos. – respondi.

– Problema seu que não quer me prender. Eu quero te matar. – disse ele com um revolver apontado para mim.

– Gui, vão matar a mamãe. – disse Yasmim preocupada para o irmão.

– Claro que não. A mamãe é uma das melhores agentes. Vamos ver como ela agi.

– Atire se quiser. Acha eu vai me matar? Como você é idiota. Pare de gracinha. Ou acabo com você. Cadê o Marcos? – perguntei calmamente.

– Não inteiriça. – disse ele engatilhando a arma.

– Atira logo. – pedi para ele.

Mas antes que ele apertasse o gatilho eu peguei duas armas e apontei para ele.

– Atira e mato você e volto para buscar o Marcos. – respondi.

– Deixe a. Saia daqui. Já disse para não chegar perto dessa agente gostosa. – disse Marcos chegando no outro lado do salão.

– Não mudou nada Marcos. – respondi guardando a arma.

– Você também não. Está ainda mais bonita. Que pena que não tenho mais movimento da cintura para baixo. Sei que você adoraria ir para a cama comigo.

– Adoraria. E o Legião também. Pare de graça. O que estão tramando? Reabrir a CMFC?

– Não estamos tramando nada. Não temos chefe. Só vão colocar alguém que tenha algo a ver com você e com seu marido. Que por falar nisso cadê ele? Não são mais parceiros? – perguntou Marcos.

– Não vou mais para missões. E nem ele. Vim porque você é especial para mim. Gostou da cadeira de rodas? – perguntei irônica.

– São perfeitas. Que pena que não cabe você aqui, mas seria legal você no meu colo, estou precisando encostar a cabeça em algo macio como seu corpo.

– Sério! – perguntei debochadamente. – Quem vai ser o novo chefe? – perguntei nervosa.

– Não temos. Só se a Thais, o Otávio ou a Solange voltassem do mundo dos mortos.

– Seria legal. Eles eram divertidos. – respondi saindo.

– Não quer um pouco de cocaína? Ou ainda não pode com elas?

– Estou de dieta. Cocaína engorda. – respondi saindo.

– Mamãe fuma cocaína? – perguntou Yasmim surpresa.

– Não. Ouvi papai dizendo que ela não suporta cocaína que passar mal, uma vez quase morreu.

– Mais uma história? – perguntou Yasmim chateada.

– É.

– Certo. Deixa para depois. Mamãe já descobriu o que queríamos. Vamos embora. – disse Yasmim.

– Espera. Vamos observá-lo. Quem sabe ele dá alguma dica.

– Nossa mãe é doida. Ela chega aqui e pergunta… Como se o Marcos fosse responder a verdade. – disse Yasmim.

– A Rouxinol não mudou nada. Continua linda e objetiva e esperta como sempre. – disse Marcos para si mesmo.

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sobre Vanessa Sueroz

Autora dos livros Confusões em Paris, Minha última chance, Odiado Admirador Secreto, Presente de Aniversário, Eu te amo mais e Três Botões.

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