Lembranças de uma guerra Cap 3 4


No capítulo anterior:

– Leve ele para a minha mãe. – pediu o Tiago pegando uma sacola com as coisas do Harry que já se acalmava no colo da mãe.
– Vou assim que o deixar lá. – ela respondeu antes de sair para aparatar.

Eu e o Pontas nos olhamos e novamente respiramos fundo. Mais uma noite desperdiçada atrás daquele maníaco.

– Desculpe. – eu pedi por atrapalhar eles.
– Não tem problema. – ele me respondeu com um sorriso fraco. – Sei que te atrapalharam também.
– Nem cheguei a fazer… O Frank chegou antes. – reclamei cansado.

E lá vamos nós para mais uma missão suicida atrás do cara de cobra.

Um motivo para se manter vivo

Será que isso nunca vai acabar?

Quando chegamos à vila trouxa tudo já estava um caos… Os poucos sobreviventes corriam desesperados pelas ruas, casas e mais casas pegavam fogo, aquela chama quente e que nos trazia os piores sentimentos já estava me deixando nervoso.

Olhei para o céu. Uma chuva forte se fez presente quando Dumbledore chegou ao local.

A marca negra ainda cortava o céu quando em um momento de distração senti um feitiço forte me atingir e fui arremessado alguns metros. Parei por causa de um feitiço do Tiago me impedindo de bater na parede.

– Acorde Sirius! Estamos em guerra! – ele me disse me ajudando a levantar.

Lutamos lado a lado como de costume. Um protegendo o outro. Vi ao longe a Lílian lutando contra um comensal e com uma criança escondida entre suas pernas. Uma pequena menina deveria ter seus cinco anos no máximo, não pude ver seu rosto direito, pois estava suja por causa do fogo. A pequena segurava as pernas da Lílian assustada com um das mãos e com a outra agarrava um ursinho de pelúcia.

Voltei minha atenção novamente para um comensal a minha frente. Malfoy sorria enquanto me lançava feitiços:

– Precisamos evacuar as casas Sirius. – me disse o Tiago me empurrando para o chão quando um feitiço veio em nossa direção.
– Estou tentando! – eu respondi me levantando.
– Viu Dumbledore? – ele me perguntou preocupado olhando para a esposa que agora lutava com dois comensais tentando proteger a menina.
– Estava lutando com o cara de cobra. – respondi extuporando o Malfoy. – Menos um!

O Tiago sorriu e correu para a casa que estávamos tentando proteger. O segui e logo conseguimos avistar dois corpos no chão do quarto.

Enquanto eu tentava controlar o fogo o Tiago tentava chegar perto do casal para ver se ainda estavam vivos.

Senti meu estomago se revirar dentro de mim quando o Tiago abaixou a cabeça chateado e logo veio ao meu encontro:

– Estão mortos. Não chegamos a tempo. Vamos para outra casa. – ele me disse já me puxando para aparatar.

Dei uma ultima olhada no casal morto ao meu lado. As chamas logo carbonizariam os corpos, seus rostos ainda mostravam o desespero que passaram minutos antes de morrerem. Olhos abertos e tenebrosos. Eu ainda não tinha me acostumado com tudo isso.

Aparatei em outra casa onde o Tiago já lutava com um comensal.

Fui desviando dos feitiços e tentando tirar um senhor já de idade que estava encolhido em um canto:

– Não se preocupe. Irei tirar o senhor daqui com segurança. – eu disse quando me aproximei e o vi se assustando ainda mais.

O senhor pareceu um pouco mais aliviado, mas ainda não se mexeu.

– Abaixa! – escutei o Tiago gritando.

Pulei em cima do senhor e me joguei em baixo de uma mesa o levando junto. Por pouco algumas facas não nos atingiram. O Tiago pareceu levemente aliviado quando nos viu bem.

Aparatei em frente ao St.Mungus e deixei o senhor lá, onde vários enfermeiros já esperavam os feridos para os curar e depois alterar a memória.

Quando voltei para a casa que estava antes. Já mais tranqüilo por ter conseguido salvar uma vida vi que o Tiago não estava nada bem. O estuporei para desviá-lo de um Avada.

Ele sorriu agradecido e juntos deixamos mais um comensal desmaiado por entre as chamas.

Saímos da casa o mais rápido possível e o caos ainda tomava conta da pequena vila.

Vi Alice correndo com um bebe em seus braços e uma mulher ao seu lado. Mais duas vidas salvas! Ria ao ver a Alice sorrindo ao aparatar com a moça e o bebe.

– Lílian! – ouvi o Tiago gritando ao meu lado quando a esposa foi estuporada.

Corremos para acudir à ruiva, mas foi impossível.

– Onde pensa que vão? – perguntou aquela “doce” voz da minha prima Belatrix.

Quando demos conta já estávamos cercados por cinco comensais.

– Alguma idéia? – me perguntou o Tiago olhando a rodinha de homens encapuzados que nos rodeava.
– E mesmo truque de sempre? – perguntei com um sorriso maroto.

Invoquei a minha moto e em poucos minutos já estavam fugindo dos comensais voando pelos céus e sendo perseguidos por três homens encapuzados em pequenas vassouras.

– Eu dirijo e você acaba com eles. – eu brinquei quando vi o Tiago com aquele sorriso maroto.

Ficamos naquela brincadeira de gato e rato por alguns minutos, mas logo escutamos mais um grito:

– Não!

Só que dessa vez o grito era conhecido. Olhei para trás e logo os comensais aparataram deixando apenas morte e destruição para trás.

– Lílian! – o Tiago disse preocupado. – Foi a Lílian que gritou Almofadinhas! – ele disse desesperado.

Voei o mais rápido que podia para onde vimos à ruiva pela última vez. Para a minha alegria a ruiva estava inteira, alguns cortes, mas nada que não dê para se recuperar.

Só percebi por que ela chorava tanto quando vi o olhar baixo do Tiago. A pequena criança que antes se escondia entre as pernas da ruiva, agora estava estirada no chão. Vi com clareza os fios loiros jogados em seu rosto, sua pequena perna estava sendo esmagada por uma torra de madeira. Dumbledore foi até a ruiva e a abraçou.

– Não chore… Ela foi para um lugar melhor. – o escutei dizendo para a Lílian que ainda estava aos prantos pela menina.
– Era só uma criança! – gritou a ruiva nervosa.

Por alguns momentos só ouvíamos o choro da ruiva e os bombeiros trouxas chegando para apagar o fogo.

– Temos que ir Lily. Logo os trouxas apareceram em montes e não precisamos de mais confusão. – eu disse para ela que apenas concordou com a cabeça.

Olhamos mais uma vez para a pequena criança morta ao nosso lado e aparatamos no hospital.

Para o meu espanto a Kely não estava lá. Deparei-me com o chefe dela, senhor Marcos Costa.

– Olá Sirius. – ele me disse com um leve sorriso.
– Muito trabalho? – perguntei sorrindo levemente.
– Infelizmente sim. – ele me respondeu antes de sair para atender outros trouxas.

Depois dos corativos devidamente feitos aparatamos na casa dos pais do Tiago, ou seja, meus pais adotivos.

– Mãe! Pai! – chamou o Tiago assim que entremos.
– Que bom que chegaram. – disse o James aparecendo no corredor.
– E o Harry? – a Lily foi logo perguntando.
– No antigo quarto do Tiago. – ele respondeu sorrindo.

Em um piscar de olhos a ruiva já estava no andar de cima.

– O que deu nela? – perguntou minha mãe Sara descendo as escadas sendo quase atropelada pela Lily.
– Uma criança que ela protegia morreu ao seu lado. – respondi. Afinal o Tiago já subia as escadas para ver o filho também.

Subimos todos e quando chegamos ao quarto a Lily estava agarrada no Harry e o Tiago olhando os dois com lágrimas nos olhos:

-… O nosso Harry, Tiago. – escutamos a ruiva falando antes de entrarmos no quarto.

Ao nos ver o Tiago deu um leve sorriso convidativo para entrarmos no quarto.

– Deixe-o dormir Lily. – ele pediu cansado. – Alguém precisa dormir em paz nessa família. – ele brincou.

A Lily colocou o Harry na cama novamente e arrumou os travesseiros ao redor dele para que não caísse. Deu um leve sorriso para o filho e abraçou o Tiago pela cintura e saímos do quarto para não acordá-lo.

– Sinto muito ruiva. – disse meu pai.
– Só queria que tudo isso acabasse. – ela disse chateada.
– Vai acabar. Nós vamos acabar com ele Lil. – disse o Tiago dando um beijo terno na testa da esposa.
– Pelo menos conseguimos salvar algumas pessoas. – eu tentei animar o clima.
– Fico orgulhosa de vocês. De todos vocês… – disse minha mãe me abraçando. – Agora voltem para casa e tentem dormir… A Kely deve estar preocupada Sirius.
– Tenho que ir. – eu disse dando um abraço no James e um beijo na Sara.

Ouvi o Tiago falando que iria deixar o Harry dormir ali e logo cedo iria buscá-lo.

Aparatei exausto e me joguei na cama ao lado da Kely que dormia graciosamente.

Dei lhe um beijo suave na testa e dormi logo em seguida.

Acho que não preciso nem dizer que quando acordei a Kely já não estava mais na cama.

Levantei-me a muito custo. Fiz meu café, tomei um bom banho e sai para o ministério. Em pleno sábado e eu tinha que trabalhar meio expediente.

Assim que estacionei minha moto perto da entrada social do ministério avistei minha mãe Sara conversando com a ruivinha do Pontas, alias, quando cheguei perto constatei que elas não conversavam… Elas sussurravam.

Estranhei o fato, mas não dei importância:

– Bom dia ruivas do meu coração. – eu disse sorrindo e dando um susto nas duas.
– Que susto filho. – me disse a tia Sara colocando a mão no peito e respirando ofegante.

Sorri ainda mais quando vi que elas se assustaram mesmo.

– O que estão tramando contra a minha adorável pessoa? – perguntei com meu melhor sorriso maroto.
– Nada que precise se preocupar. – disse a Lily revirando os olhos.
– Já vou indo. Deixei o James cuidando do Harry, então quando eu chegar lá ou o Harry esta cuidando do James ou a casa já esta de pernas para o ar. – brincou minha mãe.
– Tchau! – respondemos a Lily e eu antes da minha mãe aparatar.
– Vamos Six? – me perguntou a ruiva ao meu lado que agora sorria levemente.
– Ainda quero saber o que as duas cabeças de fósforo estavam tramando. – eu disse para ela lhe dando o braço para entrarmos.
– Não sou uma cabeça de fósforo! – brigou a Lily me fazendo rir sinceramente pela primeira vez na semana.
– Pode não ser, mas eu ainda quero informações. – brinquei abraçando ela pelos ombros e entrando no ministério.

Eu fui até a sala dela contando piadas.

A Lily abriu a porta da sala ainda rindo e abraçada a mim. Demos de cara com o ciumento do Veadinho do marido dela:

– O que pensam que estão fazendo? – ele perguntou com uma sobrancelha levantada.
– Rindo. Uma coisa que deveríamos fazer com mais freqüência. – respondi piscando um olho.
– Dá para soltar a minha esposa? – perguntou o veado ainda de mal-humor.
– Esse mal humor é falta de sexo Pontinhas? – brinquei sorrindo maliciosamente.

O Pontas esqueceu que estava bravo comigo e deu aquele sorriso safado que ele dava para a Lily quando estávamos na escola.

– Sexo é o que não falta na minha casa Almofadinhas… Tenho uma mulher insaciável. Já te falei isso muitas vezes… – ele respondeu sorrindo malicioso e eu, é claro que abri o sorriso ainda mais quando a Lily passou de branca para vermelha em segundos.

Ficamos nos olhando por algum tempo até eu quebrar o clima:

– Peguei a sua mulher no flagra hoje Pontas. – eu disse de repente fazendo o Tiago arregalar os olhos e me olhar confuso.
– Como assim no flagra? Não adianta tentar me enganar. A Lily nunca me trairia. – me disse o Pontas desconfiado.

Logo que o veado romântico disse isso a Lily abriu um sorriso bobo e ficou olhando o Tiago com os olhos brilhando. Nossa aquilo estava meloso de mais. Daqui a pouco eles começam a se agarrar e tentar dar um irmão ao Harry.

– Pare de olhar assim para ele Lil. Não vê que o Pontas fica alegrinho com facilidade? – perguntei maldosamente fazendo a Lily rir.
– Melhor ainda. Não me dá trabalho. – me respondeu a Lily me deixando surpreso.

Ruivinha safadinha!

– Mas que flagra você presenciou Almofadinhas? – me perguntou o Pontas.
– As duas ruivas da nossa vida estavam aos chochinhos na entrada do ministério.
– Então quer dizer que a Lily finalmente esta amiga da sogra? – perguntou o Tiago rindo.
– Alguma hora isso tinha que acontecer. – respondeu a Lily dando de ombros.
– Finalmente… – disse o Tiago rindo.

Não deu para rirmos por muito tempo, pois logo a Alice entrou na sala segurando o Neville.

– Lily socorro! O Neville esta ardendo em febre. – disse nossa amiga desesperada.

Em segundos a ruiva já não estava mais ao nosso lado e foi ajudar a Alice.

– E só sobraram machos nessa sala… – brinquei me jogando na cadeira em frente à mesa da ruivinha onde o Tiago estava.
– O jantar ainda esta de pé? – perguntou o Tiago mudando novamente de assunto.
– Claro que esta. Chamei até o Rabicho e o Aluado. – respondi entusiasmado. Hoje a Kely esta de folga de noite. Finalmente vou ter a minha noivinha linda para mim.
– Se eu deixar… – me disse o veado com aquele sorriso maroto voltado para mim.
– E você tem que deixar? Desde quando isso? – perguntei cruzando os braços aborrecido.
– Eu vou ser visita e posso muito bem querer dormir por lá por que vai ficar muito tarde… – disse o veado me irritando.

Dormir na minha casa sendo que ele pode aparatar? A dormir na minha casa no único dia que posso aproveitar o corpinho da minha esposa? Nem pensar!

– A casa é minha e eu expulso você de lá. – eu disse emburrado enquanto novamente ele ria da minha cara. – E o Harry? – perguntei para cessar as risadas dele.
– Meu pai não me deixou traze-lo. Disse que ele quer aproveitar o neto. Quando sai da mansão o Harry estava sentado na barriga do meu pai e ambos rindo de alguma piada sem graça.
– Piada sem graça? O Harry não sabe nem o que é uma piada! – respondi para irritá-lo.
– Meu filho é muito inteligente. Ele não é igual a você! – respondeu o veado irritadinho.
– E não é igual a você também… Ele puxou o meu charme e a inteligência da ruiva. Um marotinho perfeito. – eu disse sorrindo.
– Puxou a você? O filho é meu! Como iria se parecer com você? – perguntou o Tiago revirando os olhos.
– Não te contaram? O filho é meu. A Lily achou melhor que o filho fosse de alguém bonito e gostoso…
– Por isso ela se casou comigo. – disse o veado não deixando eu terminar de falar.
– O que estão falando de mim? – perguntou a ruiva entrando novamente na sala só que agora com uma roupa mais sexy.
– Belas pernas princesa. – eu disse piscando um olho para ela.
– Se olhar de novo eu arranco seus olhos com as mãos. – me disse um veadinho furioso.
– Não tem problema veado. Eu sei que ela prefere a mim.
– E começou mais uma seção de “Eu sou o mais gostoso”. – disse a Lily fingindo ser uma apresentadora de programas trouxas.
– Lílian Potter quem te deixou sair assim pelo ministério? – perguntou o Tiago com os braços cruzados na altura do peito olhando uma Lily de mini saia jeans.
– Meu marido perfeito! – ela disse piscando um olho para o Pontas que logo deixou a cara amarrada de lado.

Ela sempre sabe como acalmar o veado.

– O que houve com a sua calça de minutos atrás? Eu sou tão gostoso que te deixei com calor? – eu perguntei a abraçando pela cintura.
– Neville gorfou na minha calça, mas já esta bem melhor. – eu disse como se aquela coisa nojenta que elas dão o nome de gorfo (que para mim aquilo se chama vomito)fosse uma coisa normal.
– Eca! – eu disse fazendo a minha melhor cara de nojo.
– Fresco! – ouvi o Tiago dizendo.
– Vai dizer que já vomitaram em você também? – eu perguntei com mais nojo ainda. O Pontas além de veado agora esta virando um porquinho.
– Não é vomito Sirius. É gorfar. Bebês fazem isso às vezes. – me disse a Lily.
– Mas é claro que o Harry já fez isso. Já até perdi as contas das minhas camisas novas que ficaram cheirando leite azedo.
– Não reclame tanto! – disse a Lily revirando os olhos. – Espero que a janta esteja boa Sirius. Não comi nada hoje e só pretendo comer na sua casa.
– Então acho melhor comprar mais coisas para comer… – eu brinquei fazendo a ruiva revirar os olhos mais uma vez.
– Aonde você vai? – perguntou a Lily quando o Tiago se dirigiu a porta.
– Alguém tem que trabalhar por aqui. – ele disse saindo com um relatório na mão.
– O que você fez para ele? – perguntamos eu e a Lily juntos antes de começarmos a rir.

As horas demoravam para passar, mas finalmente o relógio marcou meio dia e eu poderia ir embora, mas eu pensava que poderia:

– Six! – disse a Lily escancarando a porta da sala.
– Chamou? – perguntei já com a chave da moto na mão para ir embora.
– Tem como você buscar o Harry na mansão? Eu preciso terminar umas coisas por aqui e o Tiago saiu.
– O veado foi para onde? – perguntei desconfiado.
– Ele disse que precisava passar no banco.
– Eu pego o Harry. – eu disse acompanhando ela pelos corredores.
– Só que não o leve de moto. É muito perigoso! – minha moto não é perigosa.
– Mas Lil… – comecei.
– Padrinho responsável lembra? – ela me perguntou antes de se afastar rebolando.

Não sei por que eu fui prometer para o veado e para a foguinho que eu iria ser responsável e escutaria os dois quando se trata do Harry. Eu sou o padrinho e tenho certeza que o Harry iria gostar de andar de moto.

Fui para a mansão e encontrei o meu pai e o Harry dormindo no chão da sala enquanto a Sara lia um livro.

– Cheguei! – eu disse entrando.
– Shii! – pediu minha mãe mostrando os dois dorminhocos. – Eles brincaram muito a manhã inteira. -ela me explicou – Cadê os outros?
– Trabalhando ainda. Fiquei encarregado de levar o baixinho para casa. – eu disse me jogando no sofá.
– Não pode levá-lo de moto. – disse minha mãe desesperada. – Como o Tiago e a Lílian permitiram uma coisa dessas?
– Eles não permitiram. Eu vou pegar um táxi trouxa ou alguma coisa parecida já que não posso aparatar com o Harry no colo.
– Meu menino esta ficando responsável. – disse minha mãe apertando minhas bochechas.

Peguei o meu afilhado e fui para a casa do veado que estava brigando com a porta da frente.

– O que aconteceu? – perguntei olhando ele batendo na porta irritado.
– Perdi a chave e para variar a Lily fez um feitiço para que não destrancasse a porta sem magia.
– Não tema! Seus problemas acabaram por que o gostosão do Sirius chegou. – eu disse rindo.
– E o que você poderia fazer? – ele me perguntou irritado.
– Eu tenho a chave! – eu disse pegando as chaves do meu bolso.

Só que não peguei a chave do veado e sim as chaves de brinquedo do Harry.

– Harry! Cadê a minha chave? – eu perguntei para o marotinho de olhos verdes que ria da minha cara.
– Harry, diz para o papai onde você colocou as chaves do tio Six. – pediu o Tiago se aproximando do Harry.
– Papai! – gritou o pequeno pulando no meu colo. – Papai! – gritou de novo puxando os óculos do Tiago e sacudindo.
– Devolve os óculos e as chaves Harry. – disse o Tiago bravo.
– Papai! – ele gritou de novo jogando os óculos do Tiago no chão.
– Harry! – brigou o Tiago nervoso antes de pegar os óculos.
– Silius! – disse o Harry se encolhendo no meu colo quando o Tiago foi pegar ele.
– Esta assustando seu filho. – eu disse tirando o Harry de perto dele.
– Só ia brigar com ele. – disse o Tiago sentando no gramado.
– O que esta fazendo sentando no chão? Precisamos da chave!
– O Harry pegou a sua chave e escondeu. É provável que tenha feito um feitiço involuntário para isso e eu perdi a minha chave, resumindo: vamos sentar aqui e esperar a Lily voltar.
– Você não pode estar falando sério! – eu disse vendo que ficaríamos ali durante horas.
– Senta aí seu cachorro pulguento.
– Au! Au! – o Harry disse imitando um cachorro e rindo logo em seguida.

Acho que ficamos esperando ali durante muito tempo, mas a ruiva finalmente chegou:

– O que estão fazendo aqui? – ela nos perguntou pegando o Harry do chão que engatinhava para todos os lados.
– Estamos sem chave. – respondeu o Tiago se levantando da grama.
– E com fome! – eu completei.
– Fome? Fala com o Tiago. É ele que cozinha nessa casa. – ela disse destrancando finalmente a porta. – Por que não entraram pela janela? – perguntou à ruiva.
– Por que não pensamos nisso. – respondeu o Tiago dando de ombros.
– Então Pontas… O que vai fazer para comermos? – perguntei feliz assim que entramos na sala de estar do casal.
– Comer? Só vai ter comida na sua casa hoje Almofadinhas. Não vou cozinhar para marmanjo nenhum. – ele respondeu.
– E por que cozinha para… – mas não terminei de falar por que escutamos barulho de vidro quebrando e logo em seguida o choro do Harry cortou os nossos ouvidos.

A Lily desceu as escadas correndo só calça e sutiã, enquanto eu e o Tiago corríamos para a cozinha onde o meu marotinho chorava olhando um copo quebrado ao seu lado.

A ruiva pegou o filho no colo e o Tiago ficou examinando o Harry para ver se ele não estava machucado.

– Seu arteiro. Não posso desgrudar o olho um minuto de você! – reclamou a ruiva.
– Mas eu não tive culpa Lily. – reclamou o Tiago para o meu espanto. A ruiva estava falando com o filho, não é?
– Mas você deveria estar cuidando dele Tiago. – ela disse zangada e o colocou no chão assim que ele se acalmou. – E limpe essa sujeira que tenho que tomar banho. Larguei a banheira enchendo. – ela disse virando para subir.
– Belos seios, ruiva! – eu disse a fazendo revirar os olhos e ganhar um tapa na cabeça que o Pontas me deu.
– Não olhe a minha esposa sem blusa sem cachorro. – ele brigou recolhendo o vidro do chão.
– Foi na maior inocência veadinho. – respondi com a minha melhor cara de santo.
– Foi com essa inocência toda que eu me tornei pai. – me respondeu o Tiago se agachando para recolher o vidro do chão.

Sorri pelo canto dos lábios por causa do comentário do Pontas. Realmente meu amigo é um cara de sorte…

Fiquei pensando na Kely e como seria a nossa vida de tivéssemos um filho também.

Não sei quanto tempo fiquei ali imaginando como seria ter um filho, só sei que quando dei por mim tinha uma ruiva me sacudindo pelos ombros e um Tiago risonho do lado com uma mamadeira na mão.

– O que foi? – perguntei ao ver os dois me olhando estranhamente.
– No estava pensando tão concentrado? – me perguntou a Lily rindo.
– Nada muito útil. – respondi. Melhor não contar sobre essa idéia maluca sobre ter um filho. Eles iram me zoar e ainda contariam para a Kely.
– Você precisa de férias Almofadinhas! – brincou o Tiago rindo da minha cara.
– Pelo menos não sou eu que fico andando para cima e para baixo com uma mamadeira em casa mão. – brinquei vendo ele tentando inutilmente pegar uma bolsa e segurar as mamadeiras.
– Ossos do oficio! – ele respondeu dando de ombros enquanto a ruiva foi ajudá-lo.

Não demorou muito e já chegamos em casa onde a minha querida Kely estava tomando banho.

– Não se preocupe ficaremos a vontade. – disse o Tiago se jogando no sofá.

Eu não disse nada. Só fui rapidamente para o quarto. O barulho do chuveiro me indicava que minha mulher ainda não sabia que eu estava em casa então fui brincar com ela: abri cuidadosamente a porta do banheiro e fiquei admirando o seu reflexo através do box do banheiro.

– Quem esta aí? Sirius? Lil? – perguntou a Kely de repente. Acho que escutou quando fechei a porta.

Não respondi. Fiquei ali observando suas curvas tão atraentes. Curvas que há muito tempo eu queria ter entre os dedos, mas não estava tendo chances.

Foi quando tive uma idéia genial. Por que não tomar banho junto com a minha noivinha?

– Tem alguém aí? – escutei a Kely perguntando mais uma vez enquanto tirava o xampu do cabelo.

Tirei toda a roupa e antes que ela desse conta já estava a abraçando pela cintura debaixo do chuveiro.

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sobre Vanessa Sueroz

Autora dos livros Confusões em Paris, Minha última chance, Odiado Admirador Secreto, Presente de Aniversário, Eu te amo mais e Três Botões.


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