Eu monitor chefe?Não! – Cap 21


Anteriormente:

– Cadê ele? – perguntei para a Lene e para o Remo quando sai do salão.

Eu precisava pedir desculpas pelo menos

– Não vá falar com ele agora… Espere ele se acalmar. – pediu o Remo.
– Mas…
– Não vai conseguir nada falando com ele agora. – me disse a Lene.

Sai cabisbaixa no salão. Não sei ao certo porque, mas assim que vi aquela foto que tanto gosto da turma inteira junta no lago eu comecei a chorar. Uma dor estranha e forte me arruinava por dentro e eu não tinha forças para lutar contra ela.

Cap 21 – Eu, o Potter e o Quadribol

Dias se passaram a cada um deles foi longo e tediante. A Lene também andava melancólica. Odeio admitir mais os marotos animavam a nossa vidinha chata.

Vou ter que concordar… Aqueles dias sem eles estavam me matando!

O Remo ainda falava conosco, mas como estava sempre com os outros ele acabava só dando bom dia e boa tarde.

As coisas ficavam complicadas quando eu e o Potter tínhamos que fazer alguma coisa de monitor juntos. Ele fingia que não me escutava, me tratava mal quando abria a boca. Era terrível!

Um certo dia estávamos fazendo ronda juntos, aquela semana era decisiva para o quadribol, o primeiro jogo estava próximo e ele estava evitando me treinar. E sem o treino eu nunca iria ganhar o jogo. Quem estava me treinando era o Sirius e ele estava treinando o resto do time.

Estávamos fazendo a ronda em completo silêncio, um silêncio torturante por sinal, quando eu resolvi quebrá-lo e falar com ele:

– Potter eu acho que… – mas parei de falar. Não tinha certeza se tinha coragem de falar aquilo para ele. Ele me olhava com tanto desdém que me tirava a coragem.

Ele me olhou, mas como a coragem não vinha ele voltou a andar, mas eu não consegui.

Por que eu estava me sentindo estranha?

Será que é por que o ama e esta finalmente percebendo isso?

Você não fala coisa com coisa!

Sério… Você é muito teimosa! Já estou cansada de você Lily.

Duas!

Tentei puxar assunto novamente, mas ele nem ao menos me olhou, o que me desanimou ainda mais.

– Potter, não acha que é melhor você me treinar ao invés do Sirius? – perguntei em um fôlego só para não perde a coragem.

Ele parou de andar na mesma hora.

A Lily estava corajosa… Eu não teria falado com o Sirius se ele fizesse isso comigo.

Eu sou uma grifinoriana!

Vou considerar uma ofensa senhorita Evans!

Pois considere!

Chata!

Ele ficou muito tempo lá parado me olhando distraído, não agüentei mais e resolvi perguntar novamente:

– E então? Não vai dizer nada? Eu sei que você está me evitando, mas…
– Não estou te evitando! – ele respondeu rapidamente. Uma grande mentira!
– Você desaprendeu a mentir Potter? – perguntei séria. – Claro que está me evitando. Nem ao menos olha para a minha cara.
– Isso não é verdade. Estou falando com você normalmente.
– E cadê o “ruivinha”, “foguinho”, “meu lírio”, e tantos outros que você vivia usando? – perguntei irritada com as mãos na cintura me lembrando que há muito tempo não escutava aqueles apelidos chatos

Se eram chatos por que está cobrando dele?

Não estou cobrando. Só estou provando que ele está mentindo!

– Resolvi aposentá-los. – ele me respondeu simplesmente voltando a andar.
– Posso pelo menos saber o motivo? – perguntei nervosa segurando seu braço e o fazendo parar de andar. Não gostei dele me deixar falando sozinha novamente.
– O que foi? Está sentindo falta? – perguntou debochadamente.
– O que houve com você? – perguntei estranhando as atitudes dele. Ele nunca foi assim… Era um idiota, mas não era tanto…
– Eu mudei. Estou fazendo o que você me pede desde quando te conheço. Estou te tratando como se não nos conhecêssemos. Não era o que você queria? Que eu parasse com os apelidos? Que parasse de te chamar para sair? Que te tirasse da minha vida? – perguntou magoado e irritado ao mesmo tempo.
– Era… – respondi com um fio de voz.
– Então é o que estou fazendo! Estou te tirando da minha cabeça, quem sabe assim você saia do meu coração! – ele gritou em resposta e saiu do corredor para terminar a ronda em outro lugar.

Não sei por que ele fez isso… Me senti em pedaços. Nunca pensei que ele pudesse ser tão grosso comigo… Só percebi que chorava quando senti uma lágrima grossa tocar minha boca. Senti uma fraqueza se apoderando de mim e logo já estava sentada no chão encostada na parede do corredor chorando descontroladamente. Minhas lágrimas mostravam o quanto ele havia me ferido.

Fiquei algum tempo lá até conseguir me recompor. Limpei as lágrimas e fui para o salão comunal, chegando lá fui direto para um canto escondido do salão, para evitar perguntas por parte dos marotos presentes.

Logo a Lene foi falar comigo:

– Você está bem? – ela me perguntou preocupada.
– Ótima! – respondi grossa ainda com raiva dela.
– Me desculpe pelo que falei. Às vezes é difícil controlar a minha língua. – ela pediu.
– Tudo bem… – respondi, não queria me preocupar com isso naquela hora.
– Não está tudo bem… Brigou com o Tiago novamente?
– O Potter é um idiota! Um grosso! Nunca mais quero falar com ele! – eu gritei nervosa sentindo aquele nó na garganta que indicava que logo eu iria sentir as lágrimas descendo dos meus olhos.
– O que ele fez Lil? – me perguntou a Lene me abraçando.

Quando eu terminei de contar tudo que aconteceu no corredor vi o imprestável entrando no salão e foi se sentar com o Sirius.

– Mas eu vou falar com ele… Onde já se viu te tratar assim… – disse a Lene revoltada quando o viu entrando.
– Não vale a pena! – eu disse chateada.
– Claro que vale a pena! Olhe o seu estado! – ela me disse já de pé indo em direção ao traste.

Ele fingiu que não viu a Lene e continuou andando rumo ao quarto dos marotos.

– Tiago não adianta fingir que não me viu! – gritou a Marlene do outro lado do salão quando ele colocou o primeiro pé na escada.
– Mas eu não te vi… – aquele mentiroso disse se virando para olhar para a Lene.
– Vou fingir que acredito. – ela lhe disse pegando em sua mão.
– O que foi? – ele perguntou olhando para a mão dos dois.
– Não tem um lugar onde possamos conversar? – perguntou ela timidamente.
– Estou te estranhando… O que foi? Os marotos estão me esperando e não posso demorar. E os únicos aqui no salão somos nós dois e a Evans que no caso é sua amiga e pode escutar o que tem a dizer, não é? – perguntou estranhando muito aquela conversa.

A Lene disse alguma coisa para ele que eu não ouvi.

– Se é sobre a Evans então não temos o que falar. Até mais. Boa noite! – ele disse soltando a mão dela e voltando a subir as escadas.
– Você é mais teimoso que ela. Os filhos de vocês serão umas mulas teimosas! – gritou a Marlene enfurecida da escada.
– Não teremos filhos! – ele gritou em resposta.

Já é um progresso… Ele não disse que não te ama, só disse que não quer ter filhos…

Ele não te ama e nunca te amou Mini. Pare de pensar que a vida é um conto de fadas!

Por que você não para de brigar com ele e tenta fazer as pazes? Você é que foi errada nisso tudo!

Eu? Ele é que foi grosso!

Você não é mais criança Evans. Pare de agir como uma. Vocês se amam! Ele é perfeito para você!

Perfeito para mim? Você realmente não fala nada que dê para se utilizar!

Eu queria uma única vez assumir o controle da situação.

Pois isso nunca acontecera. Eu é que mando aqui Mini! Eu é que decido o que fazer…

Se eu pudesse mostrar para ele o que sinto… Nada disso teria acontecido!

E o que você sente?

O amo!

Você não o ama, senão eu o amaria também. Somos uma só Mini. Pare de tentar em confundir.

Então por que você estava chorando no corredor? Por que ficou olhando aquela foto dele toda vez que brigam? Porque não para de escrever sobre ele naquele diário?

Não sei, mas tem qualquer explicação menos essa!

Pare de fantasiar… Você o ama!

– Eu não suporto os dois! Se amam e ficam com essa palhaçada! – escutei a Marlene furiosa gritando no salão comunal.
-Não! – gritei sem querer fazendo o pessoal do salão comunal me olhar assustados, inclusive a Lene.
– O que foi? – ela me perguntou assustada.
– Nada! – respondi com vergonha de falar que tem uma voz na minha cabeça me incomodando. Ela iria falar que eu estou louca!
– Sei… Depois eu falo com ele Lil… Não se preocupe. – ela me disse solidária.
– Não estou preocupada Lene. Obrigada pela força! – respondi me levantando e indo para o meu quarto.

Tomei um banho e coloquei a minha camisola preferida.

Assim que me deitei na cama tomei uma decisão: Já que o Potter queria me tratar assim eu iria provocá-lo. Tinha que fazer algo para ele se arrepender de como me tratou.

Como eu sabia que ele não iria demorar muito fui me deitar no sofá e fingi dormir, foi quando escutei a porta do salão se abrir:

Ele entrou rindo, mas logo senti seus olhos sobre mim e seu riso parou.

Eu me vesti para provocá-lo: coloquei a camisola que ele tanto queria ver e deixei totalmente à mostra. As pernas de fora, tenho certeza que o encantaram. Arrumei os cabelos cuidadosamente no sofá. O decote estava saliente e sei que ele não conseguia tirar os olhos dele.

Estava pronta para provocá-lo, e pela respiração ofegante dele eu consegui o que queria.

Ele nos deseja tanto…

Por que você não morre? Me deixe executar meu plano sozinha!

Não posso deixá-la sozinha Lil…Tenho que estar com você o tempo todo… Alguém tem que te ensinar o caminho correto.

Aff! Mas que ele ficou sem reação, disso eu tenho certeza!

Claro que ficou… Nós somos lindas!

Até que enfim vou concordar com você!

Já não era sem tempo…

Senti ele se aproximar devagar, sua respiração ainda ofegante me animava, consegui o que queria!

– Evans! – ele me chamou receoso.

Me chamou várias vezes, mas eu fingi estar dormindo.

– Lílian! – me chamou agachando ao meu lado. Não disse que ele iria cair? Já até me chamou de Lílian…

Me mexi para conter a risada, mas ainda fingi estar dormindo.

– Lily! – consegui…
– Tiago? – perguntei fingindo sonolência. – O que está fazendo no meu quarto? Aconteceu alguma coisa? – perguntei o olhando triunfante… Consegui o que queria! E ele estava desnorteado ainda olhando o meu decote.

Eu sou uma boa atriz!

Nós somos Lil…

– Você dormiu no sofá. – ele disse apressado por eu ter mencionado quarto.
– Sofá? – perguntei fingindo estar confusa.
– Consegue ir para a cama? – perguntou me olhando.
– Por que você não fica um pouco aqui comigo? – por que pelo amor de Merlin eu disse isso?
– O que deu em você? – ele me perguntou extremamente confuso. – Vou te levar para sua cama. – ele disse me puxando pela cintura para me ajudar a ir para o quarto.
– Eu não quero ir para a cama. Quero ficar aqui com você! – respondi agarrando a mão dele.

Pare de me controlar assim Mini!

É você que esta fazendo isso Lily… Você quer ficar perto dele tanto quanto eu!

– Eu vou ficar com você! Vem… – ele foi tão fofo!

Acorda Lily… Você está falando do idiota do Potter que gritou com você mais cedo!

Ele parou em frente ao meu quarto ainda mantendo seu braço na minha cintura me segurando.

– Está entregue. Pode entrar. – ele disse mostrando a porta.
– Mas… – comecei depois que ele me soltou.
– Você não está em condições de ter uma conversa séria agora. – ele disse se afastando.
– Boa noite Tiago! – eu disse decepcionada.

Ele nem ao menos me deu boa noite!

Ele quase caiu na minha isca! Quase se arrependeu do que fez… Ele foi carinhoso ou faria isso com qualquer uma?

Foi só por que era com você

Será?

Acordei cedo no dia seguinte e me encontrei com a Lene no salão principal:

– Está melhor? – ela me perguntou assim que me viu.
– Estou ótima Lene. Obrigada – eu respondi tentando sorrir.
– Temos treino de quadribol hoje! – ela me disse chateada.
– Nem me fale… Não agüento mais o Sirius reclamando.
– O Tiago também… – ela me disse.

Ambas estávamos chateadas com o quadribol.

– Eu tenho que treinar com o Sirius!
– E eu com o Potter. Não sou apanhadora profissional. – eu disse emburrada.
– Precisamos dar um jeito nisso Lil… – ela me disse pensativa.
– E vamos dar… Ele vai me ouvir Lene! – eu disse decidida.
– É isso mesmo garota. Mostra quem manda na relação… – disse a Lene rindo.
– Que relação? – perguntei fechando a cara.
– Brincadeira! – ela me disse levantando as mãos em sinal de rendição.

Logo fomos nos encontrar com os marotos no jardim.

Logo os vimos e fomos falar com eles:

– Mais um maroto que gosta de inventar mentiras… – ouvi o Potter dizendo e rindo enquanto o Sirius abria a boca para rebater.
– Qual o motivo da nova briga de vocês? – perguntou a Marlene se aproximando.
– Estamos discutindo quem é mais inteligente. – respondeu o traste.
– Quais as opções? – perguntou a Marlene interessada.
– Tiago e Sirius. – respondeu o Pedro.
– Tiago com certeza! – respondeu a Marlene na mesma hora.
– Sirius sem dúvida. – respondi junto com a morena.
– Eu disse que era mais inteligente. – responderam os dois juntos também.

O Pedro começou a rir histericamente enquanto os dois discutiam e as nós também.

– Eu sou mais inteligente! – disseram os dois. – Não! Claro que sou eu!
– Não vê que o Sirius é mais inteligente? Olhe as notas dele. – eu disse para a Lene.
– Não é só de notas que vive um homem. Sem contar que quase todos os trabalhos do Sirius são copiados do Remo. O Tiago tem mais duelos. – respondeu a Lene.
– Você… – começamos os quatro de uma só vez, mas fomos interrompidos.
– Calem a boca pelo amor de Merlin! – gritou o Remo no instante seguinte.
– Ele é o mais inteligente. – dissemos os quatro rapidamente apontando para o Remo.

E por incrível que pareça nós nos juntamos ao Pedro e começamos a rir. Rimos tanto que mal conseguimos levantar minutos depois.

Almoçamos conversando, e fomos para mais algumas aulas.

Escutamos os marotos conversamos e logo a Lene foi se intrometer na conversa:

– Ainda bem que logo o natal chega! – disse o traste quando chegamos à sala de poções.
– Não vejo a hora de ir para a minha casa! – respondeu o Sirius.
– Sua casa? – perguntou o mala sem entender.
– É… A nossa casa. – ele respondeu com um sorriso enorme.
– Vocês vão passar o natal na casa do Tiago? – perguntou a Marlene.
– Se tudo der certo vamos todos. – respondeu o Remo.
– Se tudo der certo? – perguntei não entendendo a indireta.
– É que temos que convencer a mãe do Tiago a deixar quatro marotos sozinhos em casa. – respondeu o Pedro.
– E isso vai ser difícil… – respondeu o energúmeno pensativo.
– Podem entrar… – disse o professor quando passou.

Entramos na sala e ficamos duas aulas inteiras com o professor que é um amor…

Depois das duas aulas mais interessantes que já tive…

Interessante para você! Eu achei uma porcaria!

Pois eu discordo… A poção polissuco é muito importante!

Mas é chata e trabalhosa!

Concordo plenamente!

Saímos da aula e fomos direto para o campo de quadribol finalmente.

Depois que todos colocaram o uniforme de treino e sentamos nos bancos ainda no vestiário para discutir estratégias de jogo foi que começou a confusão:

– Alguém tem alguma sugestão de jogada antes de irmos para o campo? – perguntou o mala sem alça que é capitão do time.
– Eu tenho! – disse a Kely, artilheira do time.
– Pois estou ouvindo. – ele disse fazendo sinal para que ela continue a falar.
– Porque você não treina a Evans pessoalmente? Não vê que ela ainda não está pronta para vencer da Corvinal no próximo jogo? E olha a Marlene… – bingo! Finalmente alguém mais percebeu que ele estava errado.
– O que tem? – perguntou a própria Marlene.
– Você não está tão rápida quando treinava com o Black isoladamente. – explicou Kely.
– Mas somente um treino antes do jogo que treinamos todos juntos. Sempre foi assim. – respondeu o Sirius.
– Então que volte a ser como antes! – sugeriu a Alice.
– O que quer dizer com: “como antes?” – perguntou o Potter chateado.
– Deixe o Sirius e a Marlene juntos. E você treine a Lílian. Você é o apanhador, sabe mais técnicas do que o Sirius. – respondeu à loira falando justamente o que eu queria.
– Eu tenho uma idéia melhor… – disse o Sirius de repente para o meu desespero.
– Então diga! – pediu o Potter quase suplicante.
– Por que não treinamos todos juntos e o Tiago apenas fica vendo onde estão os erros? – sugeriu o Sirius, não era uma má idéia, só não era tão boa assim.
– Não vai dar certo! – a Marlene disse do outro lado do vestiário.
– Precisamos que a Lily vença… O resto nós enrolamos, mas se ela não pegar o pomo é muito difícil ganhar. – disse o goleiro.

Vi o Potter e o Sirius se olhando tristes.

– Certo. Se o time inteiro acredita nisso… Evans, nós vamos ter um treino isolado hoje. – ele disse já chateado. – Marlene, você volta a treinar com o Sirius e na sexta treinamos um jogo todos juntos. – ele disse com certo pesar.

Eu e a Lily nos olhamos sorrindo. Agora o time iria dar certo e as coisas iriam começar a melhorar.

Fomos todos para o campo e logo quase todas as vassouras já estavam no ar.

– Artilheiros comecem com arremessos à distância. – disse o capitão vendo o goleiro se preparar. – Batedores, o mesmo de sempre, e nada de deixar a bola cair.

Os batedores treinavam como se estivessem em um jogo de tênis, eles jogavam a bola tentando fazer com que o outro não pegasse usando o campo inteiro.

– E nós…? – perguntei ao lado dele.
– Vamos ver quanto tempo você demora a pegar esse pomo. – ele me disse tirando um pomo do bolso.
– Mas esse pomo não é o usado no jogo. Esse é o que você pegou… – comecei.
– Por não ser o pomo da escola e ser o meu pomo de estimação, acredite… Ele é mais difícil de ser localizado.
– Que feitiços colocou nele? – perguntei desconfiada.
– Nenhum! – respondeu o mentiroso dando de ombros e soltando o pomo. – Quando me trouxer esse pomo o treino vai começar de verdade! – ele disse assim que o pomo sumiu no ar.
– Você está arrumando um jeito de se afastar de mim. – eu disse irritada. Não acredito que ele estava fazendo aquilo.
– Estou arrumando um jeito de você ficar mais rápida. – ele respondeu enquanto eu montava na vassoura.
– Já volto com o seu pomo idiota, Potter! – gritei já levantando vôo.
– Vamos ver… – ele disse ainda triste.

Fiquei observado o time. O goleiro estava pegando todos os lances. Marlene estava furiosa e jogava o balaço perigosamente para cima do Sirius, eu sabia que eles estavam conversando, pois via os lábios deles se mexendo, mas não conseguia escutar.

– Artilheiros! – gritou o Potter me distraindo. – Vamos treinar pênaltis. – ele disse o logo os artilheiros se aproximaram do goleiro para mais uma seção de jogadas.

Eu não consegui pegar nenhuma vez o pomo em metade do treino, já estava desistindo quando vi o mala me olhando e logo disfarçou. Foi quando criei mais coragem e fui atrás do pomo.

E dito e feito! Achei o pomo e logo desci da vassoura sorridente com a pequena bolinha entre os dedos.

Estava tão feliz que tampei os olhos dele por cima do óculos e senti a mão dele logo em seguida tirando as minhas.

O engraçado foi o susto dele quando me viu. Ele ficou lá parado segurando as minhas mãos enquanto eu explodia de felicidade.

A mão dele é tão quente e macia…

Lá vem você de novo!

Ele não é um amor, Lily?

Não é! Ele é um mala sem alça!

– Vamos treinar? – perguntei sorrindo enquanto ele ainda segurava minhas mãos.

Ele estava com a maior cara de bobo… Fico lá com os olhos vidrados em mim, segurando as minhas mãos nas suas, foi bem cômico.

Foi a emoção de ficar perto de mim

Não me aguentei e comecei a rir baixinho.

– Você está bem? – perguntei ainda rindo.
– Eu… Ah… Pegou o pomo? – perguntou soltando as minhas mãos confuso.
– Claro que sim! Você está diante da melhor apanhadora da escola. – respondi lhe mostrando o pomo.

Acho que ser apanhador faz as pessoas serem metidas… Até você entrou nessa agora…

Tem alguém nessa fic que não mente, além de mim?

Nem falo nada…

– Onde será que já ouvi isso… – ele me disse sorrindo.
– E então? Vai me treinar ou não? – perguntei o encarando ainda com aquele sorriso nos lábios.
– Não seria melhor você… – esse tonto está querendo me afastar, mas eu não vou deixar.

É assim que se fala Lil…

– Se tudo isso é porque você escutou uma conversa que não deveria… – comecei a reclamar já nervosa.
– Não deveria, mas você sabe que eu ouvi, e aquilo foi o mais sincero que você já me disse, então…
– Você está sendo infantil! – não acredito que ele esta assim por causa daquilo Já disse que não o amo tantas vezes e só agora ele vai ficar com frescura?
– Vai me dizer que estava mentindo para a Marlene? – me perguntou debochadamente.

O que eu deveria responder?

A verdade… Que mentiu para a Lene e que o ama.

Isso seria mentira!

Se fosse mentira você não estaria na dúvida do que falar…

Dessa eu gostei Mini!

– Eu te odeio, Potter! – resolvi não responder e sai furiosa do campo de quadribol.
– Devolva meu pomo, Evans! – ele gritou também nervoso.
– Ele é meu agora! – bem feito. Vou ficar com o pomo idiota dele… Estava tão irritada que bati forte a porta do vestiário.

Ouvi estalos das lâmpadas do estádio se quebrando… Alguém estava descontrolado… Bem feito para o Mala energúmeno irritante Potter.

– Evans! – escutei ele me chamando zangado – Devolva meu pomo… – acho que ele estava vindo para o vestiário.

Alguém disse alguma coisa e só escutei o Potter gritando:

– Já me deixou maluco!

Ele ficou correndo atrás de mim até nos corredores.

– Evans! – gritava me chamando.

E é claro que quanto mais ele gritava mais eu corria para fugir dele.

– Devolva meu pomo de ouro! – ele gritou nervoso.

O Potter tem que trocar o disco… Isso já esta ficando chato!

– Nem em sonhos, Potter! – gritei em resposta quando entrei pelo retrato da mulher gorda.
– Evans! – ele gritou já dentro do salão dos monitores enquanto eu estava no banheiro.
– Esqueça seu pomo assim como você esqueceu de me treinar. – gritei furiosa.

Ele tinha que aprender que comigo não brinca… Esse tonto… Vou perder o jogo por culpa dele.

Acho que ele se aproximou da porta do banheiro.

– Você realmente quer me deixar maluco, não é? – ele choramingou.
– Resposta errada, Potter! – gritei nervosa antes de abrir a porta do banheiro para olhar para a cara ridícula dele.

Já estava com saudades dos olhos castanhos esverdeados do Tiago, Lil?

Claro que não… Estava querendo ver ele com raiva… É bem divertido.

Sei…

– Eu agüento seus insultos, suas humilhações e tudo que você tem feito comigo nesses anos, mas você não vai ficar com o meu pomo! – ele disse irritado já segurando o meu braço.
– Então o coitadinho do Potter está nervoso? – perguntei debochadamente. Queria vê-lo furioso.
– Vou pedir mais uma vez: devolva meu pomo! – ele pediu tentando se acalmar ainda segurando meu braço.
– Solte meu braço ou vai me machucar! – eu disse sustentando o olhar, não iria admitir para ele que estava me machucando.
– Desculpe! – ele pediu soltando o meu braço. – Por favor, me devolva esse pomo.
– Ele é especial para você? – perguntei rindo de tão nervosa que eu estava. Era capaz de matá-lo se pudesse – Ele pode deixar de ser assim como você faz com as pessoas que diz amar. – Acho que exagerei.

Isso foi ciúme… Você acha que o pomo é mais importante que você!

Terra chamando Lene! Você está aérea hoje…

Estou dizendo a verdade… Você está sentindo falta dele Lily.

Impossível!

Não é, senão você não estaria transtornada deste jeito!

Não estou transtornada! E me deixe continuar a história…

Você é quem sabe…

– Eu… Você é importante para mim, mas eu estou decepcionado comigo mesmo. – ele disse confuso, mas pareceu bem sincero.

O Potter não é sincero Lilian Evans…

Mas ele é fofo, Lil!

– Por quê? – perguntei desconfiada.
– Por que não consegui te conquistar em tantos anos. – respondeu sentando no sofá emburrado.

Que fofo!

Ele não é fofo Mini… É irritante!

– Eu… Sinto muito! – eu fiquei chateada com o que ele disse, mas não poderia mudar nada, não o amo e ponto final.

E continua mentindo para todos os leitores…

Ela fala do Tiago, mas está mentindo mais que ele quando ele narrou…

Você se uniram para me perturbar?

Claro que não!

Eu nunca faria uma coisa dessas Lilyzinha!

Senti um tom irônico dos dois!

– Devolva-me o pomo! – ele pediu de novo.
– Com uma condição… – eu disse já pensando em um modo de ganhar o jogo.
– Qual? – ele me perguntou na mesma hora.
– Que eu ganhe o jogo! Pare de me evitar e me treine como deveria fazer… – propus.
– Mas… – ele começou a reclamar.
– É pegar ou largar, Potter! – eu disse sorrindo triunfante. Sabia que ele não iria negar.
– Ok! Negócio fechado! Tenho sua palavra que vai me devolver?
– Palavra de monitora! – respondi apertando a mão dele.
– Tem ronda hoje? – perguntou assim que soltou a minha mão.
– Não… – respondi tentando me lembrar – Por quê? – perguntei desconfiada.
– Vamos treinar quadribol. – ele disse já de pé a minha frente.
– Sério? – perguntei sorrindo feliz.
– Vamos? – ele me perguntou indicando a saída.

Ele é bem temperamental, não é? Em uma hora está com raiva, na hora quer ir treinar…

Você fez chantagem com ele coitado!

Chantagem? Que calúnia!

Como gosta de mentir!

– Vamos! – eu respondi indo para a porta.

Saindo do salão dos monitores nós encontramos os marotos e a Marlene sentados no sofá.

– Conseguiu seu pomo? – perguntou o Sirius assim que viu o Potter.
– Não, mas consegui um acordo. – ele respondeu animado.
– Fizeram as pazes finalmente? – perguntou a Marlene com um sorriso enorme.
– Não! – respondemos os dois juntos.
– Duas cabeças duras. O filho de vocês será tão teimoso que ninguém irá suportar. – disse a Marlene irritada.
– Não teremos filhos. – respondemos os dois juntos.
– Duvido! – escutei o Remo dizendo.

Fomos os dois em silêncio para o campo de quadribol que estava deserto.

– Está com o pomo? – perguntou ele assim que paramos.
– Estou, mas não vamos treinar com ele… Corro o risco de você pegá-lo. – respondi escondendo ainda mais o pomo.
– Não confia em mim mesmo, hein? – perguntou um pouco chateado.
– Confio em você, mas estou me prevenindo! – respondi.
– Sei… – respondeu ele.
– Então vamos começar? – perguntei já montando na vassoura.
– Não precisará de uma vassoura por enquanto. – ele disse rindo ao ver a minha cara de contrária.

Ficamos ali por mais duas horas e voltamos para o salão principal para o jantar.

O pessoal já estava nos esperando por lá quando chegamos.

– Onde estavam? – perguntou o Remo assim que o Potter se sentou ao lado dele e do Sirius.
– Treinando quadribol. – ele respondeu começando a se servir.
– E está tudo bem com os dois? Não se mataram? – perguntou a Marlene debochadamente.
– Estamos ótimos. – respondi sentando ao lado d minha amiga e de frente para o Sirius.
– Estou vendo que você e a Marlene sobreviveram… – comentou o mala.
– Vamos dizer que depois dela quase me matar com um balaço nós fizemos as pazes. – ele respondeu dando o ombro.
– Beijou ela? – perguntou o mala feliz da vida.
– Ela quem? – perguntei escutando a conversa.
– A menina que estava me paquerando. – respondeu o Sirius quando o Potter abriu a boca para responder.
– E beijou? – perguntou a Marlene com uma expressão indecifrável…

Não era indecifrável… Era ciumenta

Lily mentirosa!

Desta vez não foi mentira!

Convencido!

Claro que não… Sou irresistível…

Chato!

Porque vocês não param de brigar?

– Não! Não tive oportunidade. – respondeu o Almofadinhas olhando de canto de olho pro mala.

Ficamos conversando no salão principal até todos terminarem de comer. Logo em seguida fomos direto para o salão comunal.

– Sábado tem Quadribol e domingo tem Hogsmead. Nada mal para um final de semana! – disse o Sirius se esparramando no sofá.
– Já sabe com quem você vai ao povoado? – perguntou o Remo para o Almofadinhas.
– Tenho três pares, mas se conseguisse mais um ficaria perfeito! – ele respondeu levando uma almofadada minha. Ele é abusado… Já tem três encontros e ainda quer mais um…
– E você Pontas? – perguntou o Remo.
– Estava tão preocupado com o quadribol que tinha até me esquecido do passeio, mas amanhã eu convido alguém.
– Não vai chamar a Lily? – perguntou a Marlene se aproximando e sentando no braço da poltrona do Remo.
– Não! – respondeu simplesmente.
– Estou quebrada! – eu disse para cortar o clima pesado e me joguei em cima do Remo também.
– Por que as mulheres estão se jogando em cima do Aluado hoje? – perguntou o Sirius fingindo estar irritado.
– Por que eu tenho mel! – respondeu o Reminho com um sorriso enorme.
– É bom o seu mel não se aproximar do meu alvo! – reclamou o Sirius.
– Então estou ferrado! A população feminina inteira do castelo é seu alvo. – resmungou o Remo.
– Não é não. Ainda lhe sobrou as minhas primas Bellatriz e a sua futura esposa Ninfadora. – respondeu o Sirius rindo.
– Está namorando e não me contou? – perguntei para o Remo já dando leves tapinhas nas costas dele.
– O Sirius viaja… Claro que não estou namorando. Só achei a priminha dele bonitinha. – respondeu o Remo se esquivando dos tapas.
– E está com medo de chamá-la para sair. O máximo que pode acontecer é você levar um não. O que ainda te deixa na vantagem, pois o Pontas tem tantos foras que nem você consegue alcançá-lo. – disse o Sirius com um sorriso enorme.
– Vou recuperar os foras que levei. Vou voltar a ser o antigo Tiago Potter. Se ela não me quer tem quem queira. – ele respondeu me olhando de canto de olho.
– Mas aí você não estaria perdendo todo o crédito que teve com ela nesse tempo todo? – perguntou a Marlene preocupada.
– Não tive crédito com ela. – ele respondeu dando de ombros.
– Então não vai ser mais padre? – perguntei.

Você só disse aquilo para disfarçar seu mau humor por ele convidar outra garota!

Pare de mentir Lene… Às vezes alguém pode acreditar…

– Não. Desisti! Como a Marlene disse: “Seria um desperdício de homem!” – respondeu o convencido.

Como era Segunda-feira e na manhã seguinte tínhamos aula fomos todos dormir cedo.

Na manhã seguinte como sempre o Potter estava atrasado e tive que ir acordá-lo.

Já estava esmurrando a porta quando o inútil resolve acordar.

– Levanta logo Potter! Você está atrasado. – gritei novamente.

Não demorou muito e ele já estava me olhando ainda segurando a porta aberta.

– Não sei onde Dumbledore estava com a cabeça quando te colocou como monitor! – resmunguei.
– Não vem estragar meu dia logo cedo. – ele disse já nervoso.
– Já pensou em fazer terapia? Você só anda nervoso ultimamente. – respondi sorrindo e o deixando ainda mais nervoso.
– Minha terapia é ter uma linda mulher em meus braços, mas não se preocupe. Ainda hoje eu arrumo alguém, não preciso de esforço assim que todas souberem que estou de volta à ativa vão cair em cima. Se eu deixar vão até brigar para sair comigo. – disse o convencido passando as mãos pelos cabelos.
– Você não é mais convencido por falta de espaço. – respondi me irritando novamente e bufei de raiva.
– Não reclame Evans… Só estou seguindo o que você mesma me pediu! – ele respondeu saindo do salão dos monitores.
– Me espera Potter nossa conversa ainda não terminou! – gritei indo atrás dele.

Saí do salão dos monitores direto para a primeira aula do dia: transfiguração, e para a minha sorte a professora Mcgonagall estava com um ótimo humor naquela manhã, e eu não tinha conseguido terminar a minha conversa com o mala.

– Quase… Nada que eu não resolva. – eu escutei o Potter dizendo para a professora quando entrei na sala.
– Bom dia! – eu disse tentando não demonstrar que estava nervosa.
– Bom dia sua maluca! – ele respondeu com um sorriso enorme.
– Não enche Potter! – respondi nervosa.
– Já que vocês estão se dando tão bem não vão se importar de fazer o trabalho juntos. – disse a professora para nós quando sentamos cada um em um canto da sala.
– Mas… – começamos juntos em um protesto.
– Os dois formam um belo casal, não é professora? – perguntou o Sirius rindo quando entrou na sala.

Mandei um olhar querendo matar o Sirius pelo comentário.

– Vamos logo começar a aula. Hoje teremos que mudar a aparência do parceiro de vocês. Vou separar as duplas: Evans e Potter, Black e…

Ela ficou mais uns dez minutos falando enquanto a sala inteira ia se sentar com o seu parceiro.

– Pelo visto vamos ter que fazer juntos. – ele disse com raiva.
– Pelo menos vou tentar deixar você bonito! – respondi sorrindo… Eu iria deixar ele ridículo…
– Eu sou maravilhoso, se mudar estraga. – respondeu o convencido.
– Só se for para essas meninas vulgares. Para mim você é horrível e vou te deixar como um lord! – eu respondi já segurando a varinha.
– Olha lá o que vai fazer Evans… – ele disse com um leve medo de eu deixá-lo feio, mas impossível deixar ele pior do que já é, não é?

E lá vem você mentir de novo… Não vê que ninguém acredita nas suas mentiras?

– Vamos lá… Já fizemos esse feitiço no ano passado. Não quero reconhecer ninguém nessa sala! – disse a professora já com a varinha na mão. – A dupla que se sair melhor irá ganhar dez pontos para a sua casa e a próxima aula vaga.
– Mas a senhora não irá passar nada na próxima aula? – perguntou o Remo.
– Irei passar a revisão dessa matéria, então quem se sair bem não precisará assistir a aula. – respondeu ela. – Podem começar.
– As damas primeiro. – me disse o Potter tentando ser gentil.
– Eu quero ganhar Potter então faça um bom trabalho. – respondi já pensando na transformação que iria fazer nele.
– Você está falando com o melhor aluno em transfiguração da sala. Se alguém aqui é ruim nessa matéria esse alguém é você! – ele respondeu convencido e maroto.
– Não vou me dar ao trabalho de lhe responder. Vamos terminar com isso logo, Potter. – respondi já mirando a varinha para os seus óculos.
– Tente me deixar pelo menos apresentável, Lily… – ele pediu apreensivo.
– Me chamou de Lily? – perguntei sem entender… Ele estava com raiva de mim… Por que tinha me chamado de Lily? Enquanto pensava nisso fiz os olhos de ficarem verdes.
– Algum problema? – perguntou se referindo a ter me chamado de Lily. Ele é confuso…
– Problema nenhum… – respondi ainda sem entender. – Gosta de ruivas, Potter?
– Você sabe que sim. – ele respondeu me olhando fixamente.

No momento seguinte o cabelo dele estava ruivo.

– Verde com vermelho? – ele me perguntou olhando no espelho e fazendo uma careta.
– Já dou um jeito nos seus óculos… – respondi pensativa.

Ele ficou bem estranho… Nariz de batata, lentes de contato, olhos verdes, cabelos enrolados e ruivos, pele um pouco mais clara que o normal, ainda mais alto (como se ele já não fosse alto o suficiente), só achei melhor não mexer na boca…

Claro… Ela é perfeita e te atrai, para que mexer?

Como assim a boca dele me atrai?

Vai negar?

Mas é obvio que vou!

Ninguém acredite nela!

– Acho que esqueceu a minha boca. – ele disse brincalhão
– Ela está bem do jeito que está. – respondi sem pensar, mas não deveria ter falado aquilo.

Acho que isso foi uma cantada, Lily!

– Obrigado, mas terá que mudar. – ele me disse ainda olhando no espelho.
– Já que insiste! – respondi deixando os lábios dele finos.
– Estou parecendo uma cópia sua só que na versão masculina. – me disse rindo e olhando no espelho.
– Essa era a intenção. Vamos dizer que não tenho muita criatividade para essas coisas.
– Que tal uma cicatriz? – perguntou rindo.
– Onde? – perguntei analisando ele.
– Na sobrancelha! – ele respondeu analisando.
– Certo… – respondi meio insegura, não tinha certeza se sabia fazer uma cicatriz, mas logo uma falha surgiu na sobrancelha dele.
– Minha vez ruiva. Pode dar adeus aos seus cabelos. – ele me disse e logo eu já estava loira com o cabelo até a cintura e liso, olhos pretos, nariz arrebitado, boca carnuda e rosada, pele bronzeada, estava parecendo aquelas trouxas ricas, que ficam desfilando com maquiagem para cima e para baixo.
– Gosta de loiras? – perguntei me olhando no espelho odiando a minha aparência. Estava parecendo uma madame cheia de fricotes.
– Não no seu caso. – ele respondeu rindo. Foi impressão minha ou ele me chamou de feia?

Não… Ele só disse que te ama do jeito que você é…

Ele disse tudo isso e eu não ouvi?

Disse subliminarmente Lil…

– Mulheres com essa aparência geralmente são muito chatas e fúteis! – ele me respondeu se sentando.
– Até que não fiquei tão mal assim! – eu disse analisando a cor da minha pele… Até que ser morena deve ser legal… Já cansei de ser pálida.

Só fala besteiras!

– E teremos uma aula livre. – ele disse feliz. – Professora! Terminamos! – chamou a professora que logo surgiu ao nosso lado.
– Esqueceu de mudar a voz do seu parceiro, mas tirando isso à transformação está perfeita. – disse a professora para mim.
– E quanto a ela? Como ficou? – perguntou o chato.
– Ficou muito bem, quase não a reconheço. Dez pontos para a grifinória e estão dispensados da aula. – ela nos disse nos observando.
– Pode desfazer o feitiço? – perguntei assim que ela nos dispensou, gostei de ser morena, mas odiei ser loira…
– Pode! – respondeu a professora se encaminhando para outra dupla.

Ele desfez o encanto só depois de zoar com o Sirius e com o Remo.

Sirius estava parecendo uma mulher, obra da Marlene que era sua parceira e que agora estava com o cabelo azul e mechas pretas, bem estranha!

O Remo estava parecendo um roqueiro, piercings e barba estavam presentes junto com cabelos cumpridos e bagunçado. Estava muito estranho. Não parecia o Reminho…

– Até que não ficamos tão mal! – ele me disse sorrindo.
– Tem razão! – respondi ainda me olhando no espelho e o acompanhando para o salão comunal.
– Gostou tanto do feitiço que não vai desfazer? – ele perguntou desconfiado.
– Eu… – comecei.
– Não consegue desfazer o feitiço? – perguntou ele rindo. Como ele sabe que eu não consegui?

É que você não ficaria loira por tanto tempo…

– Lógico que consigo. – menti na mesma hora.
– Se precisar de ajuda é só pedir. – ele me respondeu indo mais à frente.
– Potter! – o chamei depois de uns cinco minutos calada. Ok! Tenho que admitir que não consegui desfazer o feitiço e teria que pedir a ajuda dele… Que droga!
– Sim… – ele disse com um sorriso enorme se virando para mim. Aquele convencido iria me lembrar deste incidente pelo resto da minha vida acadêmica, sorte que ela tinha pouco tempo de vida.

Acho que ele vai te lembrar pelo resto da vida Lil…

Não pretendo vê-lo fora de Howgarts.

Me engana que eu gosto!

– Preciso de ajuda! – eu disse tentando não olhá-lo.
– Demorou para pedir! – ele me respondeu gentil desfazendo o feitiço.
– Ruivos! – eu disse feliz analisando meu lindo cabelo. Bem melhor ser ruiva!

Ficamos conversando quase meia hora no salão comunal até que a Marlene e o Sirius chegaram e mais cinco minutos o Remo chegou também.

– E o Pedro? – perguntou o Potter assim que o Remo chegou.
– Vai ficar na aula. Ele não conseguiu fazer o feitiço com sucesso. Parece que a parceira dele foi parar na enfermaria. – respondeu o Remo rindo.
– Tinha que ser o desengonçado do Pedro… – comentou o Potter rindo.
– Pelo visto vocês dois fizeram as pazes… – disse o Sirius apontando para nós dois.
– Vamos dizer que sim… – respondemos juntos.
– Até que enfim! – gritou a Marlene feliz. – Vocês estão namorando?
– Claro que não! – respondemos juntos.
– Eu tenho um encontro mais tarde! – ele respondeu de imediato e com sorriso amarelo.
– E eu nunca iria namorar alguém como o Potter! – respondi.

Só respondeu para não deixá-lo na vantagem…

– Alguém como o Potter, mas namoraria ele? – perguntou o Sirius marotamente.
– Não! – respondi rapidamente.

Tão rápido que mal tive tempo de terminar a pergunta

– Sei… – disseram a Marlene e o Sirius juntos e logo os dois começaram a rir.

Nessa aula vaga ficamos todos no jardim conversando e rindo.

Almoçamos na maior paz, tirando o Pedro que falava e reclamava ao mesmo tempo. O Pedro não sabe nem falar direito. Ficou cuspindo no Potter, já estava vendo a hora do mala levantar e bater no Pedro, o que pensando bem não seria mal…

As outras aulas foram até que divertidas, mas não vou perder tempo citando-as.

Logo que terminou a aula de DCAT fomos direto para o próximo treino de quadribol. Estávamos na quarta-feira e o jogo seria no sábado de manhã… Todos já estavam ansiosos. Principalmente eu, seria meu primeiro jogo como apanhadora.

– Não se preocupem já ganhamos tantas vezes da lufa-lufa que dessa vez não será diferente. – disse o capitão animando o time.
– Mas estamos com um desfalque! – disse o goleiro.
– Que desfalque? Estou vendo todas as posições ocupadas. – respondeu ele contrariado.
– Sinto muito Tiago, mas não acho que a Lily está pronta para enfrentar um jogo de verdade. – disse a Marlene chateada.
– Que história é essa? É claro que ela está pronta! – ele disse no mesmo instante.
– O apanhador da Lufa-lufa é muito bom, já ganhou uma vez de você! – disse a Kely.
– Eu deixei que ele ganhasse! – afirmou o convencido.

Deixou? Isso é uma grande mentira! Ele ficou reclamando dessa derrota por mais de mês!

– Converse com a professora Mcgonagall, talvez ela deixe você jogar! – disse a outra artilheira.
– Está maluca? A Lily está mais do que pronta. Se ela não ganhar juro que viro gay! – ele disse, mas ele exagerou… Eu não estava tão bem assim.
– Isso não vale… Veado você sempre foi, só iria precisar assumir. – reclamou o Sirius marotamente.
– Vou fingir que você não disse isso ou ficará no banco no próximo jogo! – ele respondeu levemente irritado.
– É bom que você ganhe Evans… Ou Hogwarts inteira vai para cima de você. Onde já se viu colocar a honra de um homem em risco! – disse uma menina quando chegamos no campo de quadribol onde a noticia se espalhou.

Não acredito que aquela vaca me disse aquilo! Eu não mereço isso!

Por que não bateu nela?

Não vou perder tempo batendo nela por causa do Potter!

Não seria por causa do Tiago, Lil… Poderia ser só por bater nela mesmo…

Está incentivando, Sirius?

Adoro briga de mulher!

Doido!

O engraçado é que logo o Potter veio se sentar ao meu lado:

– Não vá colocar minha vida promissora de mulheres, casamento e filhos por água a baixo, não é? – ele me perguntou fazendo o maior drama possível.

É normal dele fazer drama

Comecei a rir do exagero dele.

Ele estava tão lindo…

E lá vem a Mini atrapalhar…

Eu não atrapalho, Lil… Só digo o que você não tem coragem de dizer…

Que seria?

Que o Tiago é lindo até fazendo drama… E só para que todos tenham certeza… Você não mudou a boca dele por que estava doida para experimentá-la.

O que você bebeu hoje de manhã? Whisky?

Bebi o mesmo que você! Mas o Tiago é lindo mesmo… Todas as mulheres do mundo vão concordar comigo.

Todas exceto eu! Eu não sou qualquer uma…

Você é a primeira a concordar Lily…

– Não se preocupe, Potter, seus filhos chatos e metidos vão ser do seu próprio sangue! Não vai precisar virar gay! – respondi rindo.
– Chatos e metidos? – perguntou fingindo estar chateado – Por quê?
– Com o pai que tem… Está na cara que eles vão ser muito chatos… – respondi ainda rindo da cara dele.
– E a mãe não conta? – perguntou ele. Estranhei… Pensei que ele iria continuar falando que era lindo e tal…

Para que você pudesse concordar com ele…

Claro que não… Pensei isso por que ele é metido.

Metido por que quer chamar a sua atenção!

– Claro que conta, mas o seu casamento não vai ser algo do tipo: “até que a morte os separe”.
– E posso saber o motivo? – perguntou surpreso. – O dia que eu me casar vai ser com a mulher que amo e não vou largá-la por nada.
– Não disse que você iria largá-la. Quis dizer que ela iria largar você! Ninguém deve te agüentar por mais de vinte e quatro horas. – respondi rindo ainda mais.

Ele fez a maior cara de bobo!

Não é que eu amei a minha resposta!

Foi maldade!

Muita maldade Lil… Coitadinho do Pontinhas… Acho que as mulheres não agüentariam nem cinco horas…

Verdade Six!

Os dois estão errados… Nenhuma mulher resite ao meu charme!

Não disse que ele era metido?

– Mentira! – ele disse depois de se recuperar do choque. – O Sirius me agüenta muito mais que isso. – respondeu confiante, mas ele não deveria ter dito aquilo…
– Então se case com ele! – respondi agora com a mão na barriga de tanto rir.
– Merlin me livre desse destino! – ele respondeu fazendo sinal da cruz como os trouxas fazem.

Imaginem a cena…

Seria bem cômico!

Cômico é pouco Lil…

Não teve graça a piada!

Claro que teve

Concordo com a Lene!

– Mas vamos jogar quadribol? – perguntou ele depois de se recuperar do susto de ter o Sirius como esposa.
– Demorou para perguntar! – respondi me animando e abrindo um enorme sorriso no rosto.

Assim que ele subiu na vassoura para me acompanhar no treino, vimos que o Sirius deixou a bola cair no chão.

O problema foi que ele ficou nervoso:

– Sirius! – gritou furioso.
– Ferrou! – disse o moreno de cabelo cumprido, mas eu escutei.

E tinha ferrado mesmo. O Tiago é muito chato como capitão. Ele fica nervoso!

– O objetivo do treino é não deixar a bola cair! – gritou nervoso para o Sirius.
– Foi mal Tiago, mas foi um acidente.
– Imagine um acidente desses no meio do jogo! Não pode acontecer!
– Mas é só um treino. Você nunca me vê fazendo isso. – gritou o Sirius em resposta do outro lado no campo.
– É por nunca ver que você está no time! – respondeu irritado.
– Tiago se acalme! – pediu a Marlene. – A culpa foi minha!
– Não tente me enrolar… Eu vi o que aconteceu! – ele disse quase soltando fogo pela boca.
– Certo, não vai se repetir. – disse o Sirius dando a conversa por encerrada.
– O que vocês estão olhando? Por que não estão treinando? Kely passe mais essa bola! – ele gritou ainda nervoso antes de ir até onde eu estava o esperando.
– Não acha que exagerou? – perguntei assim que se aproximou.
– Não! – respondeu nervoso.

E com um bico enorme!

Estava parecendo uma criança contrariada!

O pior é que ele estava mesmo.

– Vamos ou não treinar? – perguntei com uma das mãos na cintura.
– Vê se você consegue ganhar de mim! – disse o metido piscando um dos olhos e se afastando de mim para procurar o pomo.
– Vai ser assim o treino? – gritei chateada.
– Ganhe de mim e faço o que você quiser por uma semana! – ele gritou em resposta com um sorriso maroto.
– Até virar um CDF e fazer meus deveres? – perguntei desconfiada.
– Até! – ele respondeu na mesma hora.
– Até fazer uma declaração gay para o Snape no salão principal? – perguntei com uma cara de: “agora você vai recusar”. Mas era obvio que ele iria recusar… Não iria se arriscar à toa!
– Até isso! – respondeu confiante. Confiante até de mais para o meu gosto. Ele deveria ter colocado algum feitiço no pomo

Como se o pomo estava com você?

Não sei, mas do Potter eu espero tudo!

– Se o jogo dependesse só da sua confiança já teríamos ganhado. – respondi rindo.
– Lição número um: Confie em si mesmo! – ele me disse sorrindo gentilmente e já saindo em um mergulho por ter avistado o pomo perto do gramado.

Assim que eu comecei a mergulhar para pegar o pomo ele já o pegou. Fiquei com tanta raiva daquilo… Como ele podia ser tão bom naquilo e eu tão ruim?

Você não era ruim… Só não era tão boa!

– Perdeu uma chance! – ele me disse sorrindo e passando as mãos pelos cabelos.
– Não valeu. Você trapaceou. – respondi emburrada.
– Então vamos de novo! – ele me disse soltando o pomo. – Então… Quando teremos ronda juntos novamente? – perguntou para passar o tempo para dar tempo do pomo sumir de vista.
– Vai demorar, Potter. – respondi ainda observando o pomo se afastar.
– Olhe para mim e não para o pomo. No jogo você não vai saber onde ele está, então no treino também não pode saber. – me disse pegando levemente no meu rosto e me fazendo olhar para ele.
– Mas terei você para me dar uma dica… – respondi sorrindo sedutoramente. Adoro provocar ele…

A sua graça está quando ele se deixa ser seduzido!

Claro que não… A graça é ver a cara de confuso dele.

Você reza para que ele perca o controle e te beije… Está na cara!

Na sua cara você quer dizer… Só você vê isso…

Eu e o resto do mundo, tirando os dois teimosos, Tiago e Lilian Potter.

E eu posso saber por que me colocou com o sobrenome dele?

Por que é o que você será em breve!

Sonhar faz bem para você Lene.

– Se eu fizesse isso seria trapaça, então estaríamos perdendo de qualquer jeito. – ele me respondeu docemente sem tirar a mão do meu rosto.
– Mas você é do meu time… Qual a diferença da Marlene me dizer onde está o pomo ou você me dizer? – perguntei com uma expressão de dúvida no rosto.
– A diferença é que eles estão no jogo e eu estou assistindo. – me respondeu com um sorriso lindo.

ADMITIU!

O que?

Que o sorriso dele é lindo!

Foi culpa da Mini isso ter saído da minha boca!

Não foi não… Eu estou quieta agora!

– Mas você é o capitão! – eu respondi revoltada.
– Capitão ou não eu não estou no jogo e não poderei te ajudar! – respondeu passando as mãos pelo cabelo novamente. Preciso dizer que isso me irrita?

Você já disse isso mais de mil vezes.

– E como vou fazer? -perguntei chateada.
– Vai fazer igual agora. Vai procurar o pomo. – ele me disse já se afastando para procurar o pomo.

Mais uns dez minutos e ele já estava com o pomo novamente entre os seus dedos.

– Foi trapaça dessa vez? – perguntou rindo quando se aproximou de mim.
– Não, mas eu quero revanche! – eu disse já me irritando por não pegar o pomo.
– Você é quem manda! – ele me respondeu soltando o pomo novamente.
– Já arrumou quantos encontros para o passeio em Hogsmead? A Marlene me disse que vai sair com quatro rapazes.
– Então ela ganhou do Sirius. Ele vai com três meninas e eu vou com uma da corvinal. E você vai com o Victor? – perguntou ele casualmente.
– Fiquei de dar a resposta para ele ainda hoje. – respondi começando a ficar com a face rosada.
– E você vai? – perguntou olhando para o goleiro.
– Não sei. O que você acha? A Lene disse para eu não ir não! – respondi já rubra de vergonha.

Por que pelo amor de Merlin eu disse aquilo?

– Acho que deveria ir. Vai se divertir um pouco… Ele é safado, mas parece ser gente boa. – não acredito que ele me disse isso!

O que você esperava depois dos foras que deu nele?

Fiquei boba! Não acredito que ele me disse aquilo…

– Vou pensar. Tenho mais algum tempo antes de responder. – respondi sorrindo encabulada. Afinal, se ele mesmo disse que deveria ir com o Victor é porque não se importa mais.

E isso faz diferença para você

Claro que não!

E lá vai a Lily mentir de novo!

Antes de me sentar para comer com a Lene fui logo falar com o Victor, mesmo não sabendo se era o certo a fazer:

– Podemos conversar? – perguntei para ele quando me juntei ao grupo de amigos dele.
– Claro Lil. – ele me respondeu com um sorriso enjoado.

Nos afastamos um pouco dos amigos dele e eu não perdi tempo.

– Aceito sair com você no sábado. – falei logo. Afinal, eu poderia me arrepender se demorasse muito para falar.
– Sabia que não iria negar!

Ele é mais convencido que o Potter!

Percebemos…

– Certo… Te encontro no sábado de tarde na entrada do castelo…
– Tudo bem… Irei te esperar ansiosamente. – ele me respondeu fazendo um bico para me beijar.
– Tchau! – eu disse me afastando dele logo e indo me juntar a Lene.

Assim que nos sentamos para comer a Lene já veio com umas conversas malucas:

– O Sirius está me irritando. Você viu quando ele derrubou a bola?

Eu só concordei com a cabeça.

– É por que ele ficou falando besteira e eu me irritei, aí joguei a bola na cabeça dele.
– Legal… – respondi desanimada. Ainda não tinha tirado da cabeça o que o Potter tinha me dito… Ir com o Victor no passeio?
– O que você tem? – me perguntou a Lene.
– Nada. Por que? – perguntei.
– Como foi o treino? O Tiago te evitou?
– Não. Ele estava me ajudando, ficamos treinando um contra o outro.
– E ganhou dele? – ela me perguntou sorrindo.
– Infelizmente não… Tenho que admitir que ele é muito bom nisso. – eu respondi brincando com a comida.
– Mas você não está assim por que perdeu para ele, está?
– Estou normal Lene. – menti.
– Pois não parece… Se não me contar vou eu mesma falar com ele.
– Não precisa. Não aconteceu nada. – eu respondi na mesma hora.
– Tiago! – chamou a Lene, mas acho que ele não escutou, estava absorvido nos pensamentos dele.
– Ok, eu conto… – eu disse me dando por vencida.
– Demorou! – exclamou a Lene rindo. – O que aconteceu?
– Perguntei para o Tiago o que ele achava de eu ir para o passeio no sábado.
– E ele te convidou para ir com ele? Se for isso… Você já deveria ter se acostumado… – começou a Lene.
– Pelo contrário Lene. Ele me disse que era para eu ir com o Victor que ele deveria ser uma boa companhia. – eu respondi chateada.

E depois diz que não gosta dele.

Mas não gosto… Não sei o que me deu…

Ficou chateada com ele!

Não fiquei… Só fiquei surpresa

Você está mentindo muito mal ultimamente, Lil.

– Está brincando? – me perguntou a Lene surpresa e sem acreditar.
– Estou falando sério Lene. Ele disse isso mesmo. Com todas as letras.
– O que deu no Tiago para falar isso? Deveria ser alguém com uma poção polissuco… O Tiago que eu conheço nunca diria isso…
– Também estranhei, mas era ele mesmo. Desistiu de me ter como troféu! – respondi magoada e irritada.
– Ele nunca te quis como um troféu. Já te falei isso… – ela disse irritada. – O que não entendo é por que ele te disse isso.
– Por que ele é um idiota! – respondi irritada.
– Calma Lily. O Tiago deve estar bem arrependido do que disse. – a Lene disse observando o Ti… Potter conversando com os marotos.
– Será? – perguntei para mim mesma, mas acho que saiu em voz alta.
– Não se preocupe com isso, Lil. Logo saberemos o que houve. Agora tente comer um pouco. – ela me pediu.
– Não estou com fome Lene. – respondi empurrando o prato para longe de mim.

A Lene ficou me olhando por um tempo, mas logo desistiu de comer também e nos levantamos para ir para o salão comunal.

Vimos o Potter vir na nossa direção para ele parou parecendo perdido no meio dos estudantes.

– Perdido Tiago? – perguntou a Marlene quando ele parou no meio do corredor para localizar as duas em meio a muvuca de estudantes.
– Estava procurando as mulheres mais bonitas desse castelo. – ele respondeu sorrindo e passando as mãos pelos cabelos.
– E as encontrou? – perguntei fingindo procurar as tais mulheres.
– Claro que ele encontrou. Ele está falando conosco. – respondeu a Marlene rindo.
– Exatamente. – ele respondeu não levando em conta o que a Lene disse.
– E a que devemos a honra? – perguntou a Marlene rindo.
– É que… Sabe Lily…
– Evans! – eu disse tentando parecer calma.

Você estava chateada com ele…

Chateada não seria a palavra certa…

– Lily… – ele insistiu. – É que você tinha me feito uma pergunta lá no campo e pensando melhor eu mudei de idéia sobre meu conselho. – respondeu meio enrolado com as palavras.
– Dá para ser mais especifico, Potter? Eu realmente não sei do que você está falando. – respondi pensativa. A Lene disse que ele iria se arrepender, mas eu não iria deixar quieto.
– Você disse que não sabia se iria com o Victor no passeio, e eu te disse que seria uma boa você ir… – começou, mas a doida da Marlene me interrompeu.
– Você o que? – gritou fingindo estar surpresa.
– Ele me disse que seria legal ir com o Victor. Que ele parecia ser um cara legal. – respondi fingindo que não tinha falado nada.
– Você estava drogado? Tinha tomado alguma poção que te fez mal? – perguntou a Marlene o sacudindo.
– Não, eu só não tinha pensado direito… – respondeu chateado.

O Tiago foi muito burro em dizer aquilo… Você quase que pediu para ele te chamar para sair…

Não pedi não!

Mas quase pediu…

Não viaja Lene.

– E mudou de opinião? – perguntei já pensando se cedia ou não… Deixar meu orgulho de lado ou sair com o apressadinho do Victor?
– Não é isso… É que você encontra alguém melhor que ele. – ele me respondeu passando as mãos pelo cabelo, nervoso.
– Como quem? – perguntei não lembrando de ninguém que tivesse me chamado para sair.
– Oras… Como eu é claro. – respondeu tentando não parecer convencido, mas é claro que ele foi convencido.

Vocês dois são convencidos e nunca vão deixar de ser…

Não sou convencido. Sou realista!

Convencido!

Realista…

Não vou discutir essa questão.

– Não acredito que você seja melhor. – respondi.

Ele já tinha ferido os nossos sentimentos quando disse para irmos com o tonto do Victor.

Exatamente… Quer dizer… Não feriu sentimento nenhum, mas o que foi dito não pode ser mudado.

Não pode ser mudado, mas pode ser esquecido…

– Sou mais inteligente que ele! – ele me disse.
– Não é. Ele tem melhores notas… – respondi. Já que é guerra…
– Mas ele se mata de estudar para tirá-las e eu não! – respondeu. Ele estava certo, mas eu não poderia me dar por vencida.
– Verdade. Um ponto para o Tiago! – disse a Marlene rindo.
– Ele é mais simpático! – eu disse na mesma hora.
– Mentira. Eu sou mais popular que ele, então minha simpatia é maior. – me disse o Potter.
– E mais um ponto para o Potter. E Potter está na frente com dois pontos a zero. – narrou Marlene como em um jogo de quadribol.
– Ele é mais atencioso que você! – eu disse ignorando totalmente a Lene.
– Ele sabe que quando você está triste você se tranca no quarto para que ninguém te veja chorar? Que você gosta tanto da lua que é capaz de passar a noite inteira acordada só admirando ela? Que quando está ansiosa você fala sem parar? Que quando está nervosa você se enfia em um livro para tentar se distrair com os estudos? E quando está preocupada fica fazendo cachos nos cabelos mesmo sabendo que eles vão se desmanchar assim que você soltar a mecha? Que sua comida preferida é um grande prato de batata frita? Que você prefere passar frio do que calor? Que… – ele falava sem parar me olhando profundamente nos olhos. Deu até um arrepio quando ele disse tudo aquilo.

Não conseguia acreditar em tudo que ele disse… De onde será que ele tirou tudo aquilo? Era impossível ele saber tanto sobre mim… Tem coisas que ele disse que nem eu mesma tinha me tocado… Realmente é verdade… Para que eu fico fazendo cachos nos cabelos se eles não vão durar? Como o Tiago sabe tanto sobre mim?

Por que ele te ama?

Será mesmo?

Tenho certeza…

Impossível!

Não pode ser verdade…

Mas é!

Acho que fiquei com a maior cara de boba enquanto pensava essas coisas, então a Lene resolveu falar:

– Ele com certeza é mais atencioso. – respondeu minha amiga morena.
– Certo… Você é mais atencioso, mas ele é muito mais bonito. – eu disse para acabar com aquilo tudo.
– O que não gosta no meu corpo perfeito? Os óculos? O cabelo bagunçado? – ele perguntou rindo divertido.
– Ela acha que seus óculos te dão um ar sério e fica perfeito com o jeito brincalhão que seu cabelo traz. – Marlene traíra! Como ela foi falar isso para ele? Eu nem poderia desmentir… Ia ficar muito na cara que era mentira!
– Marlene! – reclamei… Era o máximo que eu poderia fazer…
– O que foi? Só repeti o que você me disse um dia desses! – respondeu a morena dando de ombros.

Não acredito que ela repetiu isso… Vou matar ela quando tiver oportunidade!

– Então vai ou não sair comigo? – perguntou poupando o meu trabalho de tentar matar a Lene no corredor.
– Não! – respondi. Claro que eu não iria sair com ele… Ele mesmo disse que eu saísse com o Victor E pela primeira vez na vida vou seguir o conselho dele.

Orgulhosa!

Somos.

– Por que não? – perguntou cabisbaixo.
– Por vários motivos. Vai querer que eu cite todos eles como faço sempre ou você já sabe?
– Já sei! – respondeu irritado.

Ele saiu irritado para o salão dos monitores e a Lene foi junto e eu preferi esperar que ele se acalmasse para voltar para o salão dos monitores.

Minutos depois a Lene saiu do salão furiosa:

– O que houve? – perguntei.
– Mate o Potter para mim… Ele merece! – ela gritou irritada antes de sair pelo retrato.

Resolvi ver o que houve:

– O que você disse para a Marlene? Ela está nervosa… –eu disse quando entrei no salão dos monitores.
– Só disse a verdade. – ele respondeu não querendo entrar em detalhes.
– Que verdade? – perguntei me sentando no sofá de frente para ele.
– Que ela e o Sirius se amam e nenhum dos dois admite. – respondeu dando de ombros deitando no sofá…
– Que tal uma aposta? – perguntei tendo uma ótima idéia.
– Que tipo de aposta? – perguntou desconfiado.
– Aposto que faço a Marlene admitir que ama o Sirius antes de você convencer o Sirius a dizer. – eu disse sorrindo empolgada.
– E o que eu ganharia com essa aposta? – perguntou curioso.
– Além de ver os dois finalmente felizes? – perguntei rindo.
– Além disso,… – ele respondeu sorrindo também.
– Não sei… O que você quer? – perguntei não me lembrando de nada para apostar.

Acho que fiz uma pergunta meio comprometedora… Ele fez a maior cara de safado antes de responder:

– O que eu quero não ganharia em uma aposta. – ele respondeu. Acho que isso foi uma indireta, mas não sei por que…

Deve ser por que foi uma grande indireta dizendo que te ama! O amor é lindo!

Credo… Falou igual a Mini agora!

– Vamos Potter… Vai ser divertido… – eu lhe incentivei.
– Te ajudo e fazemos uma aposta valendo algo material… Uma bala, por exemplo. Não quero apostar coisas muito comprometedoras. Já estou em uma aposta muito delicada com o Sirius.
– Delicada? – perguntei desconfiada. De que aposta ele estava falando?
– Vamos dizer que se eu perder o expresso Hogwarts vai ver um lindo moreno gostoso desfilando sem roupas.
– Está de brincadeira, não é? – perguntei rindo. Não acredito que ele vai mesmo andar sem roupa no trem.

Seria muito proveitoso!

Eu não iria perder essa cena!

Vocês duas são umas pervertidas!

Só disse o que você não teve coragem de dizer…

– Estou falando sério, mas o lado bom é que se eu ganhar quem paga o mico é o Sirius.
– E se empatar? – perguntei pensativa.
– Quase impossível, mas se acontecer, faremos alguém pagar a aposta… – ele respondeu com um sorriso maroto.
– E posso saber que aposta é essa que te faria andar sem roupa no trem? – perguntei pensativa. Espero que ele perca.

Meu Merlin, não acredito que pensei isso… Devo estar ficando louca… Vozes na minha cabeça, pensar no Potter pelado na minha frente… Acho que vou me internar no St. Mungus…

Acho que fiquei vermelha como um pimentão…

– Infelizmente não, mas se esses dois cabeças duras admitirem que se amam logo eu tenho mais chances de ganhar…
– Apostaram a Lene? – perguntei sem acreditar.
– Não exatamente. Sirius não a considera uma aposta, é só uma maneira dele me pedir ajuda com ela. – me respondeu pensando bem nas palavras usadas.
– Vocês têm um jeito estranho de pedir ajuda… – respondi rindo. Homens são muito confusos. Não tem como entendê-los.

Nem vou falar nada das mulheres…

– Os homens não são como as mulheres que pedem ajuda, homens têm mais orgulho! – ele tentou explicar.
– Homens são burros isso sim, mas vai ou não me ajudar com a Marlene?
– Uma barra de chocolate como ganho de você! – ele me disse sorrindo.
– Fechado Potter, mas tem que provar que ele admitiu.
– Ele precisa dizer na sua frente ou para ela? – perguntou pensativo.
– Não, se me mostrar uma lembrança dele admitindo já está bom. – respondi já pensando em um jeito de fazer a Lene admitir.
– Perfeito. Vá comprando o chocolate quando for com aquele idiota em Hogsmead, pois eu vou vencer. – ele me disse com um leve sorriso.
– Nunca perdi uma aposta! – respondi sorrindo triunfal.
– Pois está na hora que aprender a perder. – Como ele é convencido.

Essa semana se passou rapidamente e logo chegou à manhã do jogo de Quadribol.

O tempo estava ótimo para jogar, um sol gostoso que não iria me atrapalhar, não tinha muito vento, nem nada que dificultasse a visão.

Acordei animada, me encontrei com o pessoal no salão comunal e descemos juntos para o salão principal, nos sentamos ao lado de time e comemos por lá. A grifinória estava na maior agitação. Coros gritando “Grifinória é a maior” estavam presentes toda hora durante a refeição.

– Vocês não estão atrasados? – perguntou a professora Mcgonagall para o Potter que estava ao meu lado no café.
– Já? – perguntou espantado.
– Vocês têm meia hora para entrar em campo. – ela respondeu levemente irritada.
– Time! – ele chamou. – Todos para o vestiário. – e se levantou seguido do time da grifinória.
– Boa sorte! – desejou a professora Minerva.

Sorrimos para ela e saímos rumo ao vestiário.

Depois de todos estarem vestidos, o Potter resolveu falar:

-… E façam um bom jogo. Estarei na arquibancada, mas vou dar algumas dicas! – ele disse feliz e chateado ao mesmo tempo.
– Você vai entrar em campo conosco? – perguntou a Marlene.
– Vou. Tenho que apertar a mão do outro capitão, essas coisas chatas… – respondeu pegando a vassoura.
– Não te deixaram ficar no campo? – perguntou a Kely.
– Infelizmente não, por mais que eu tenha perturbado a McGonagall essa semana, ela não deixou.
– Vamos então? – perguntou o Sirius empolgado.
– Podem me dar um minuto gente? – o Potter perguntou quando todos se levantaram.
– Claro! – respondemos juntos.
– Lily, podemos dar umas palavrinhas antes de você ir lá? – perguntou receoso.

Levantei-me e fui até os armários com ele.

– Tem um calmante aí? – perguntei rindo nervosa. Nunca fiquei tão nervosa antes de entrar em campo.
– Relaxa! Se você não relaxar não vai conseguir achar o pomo! – ele me disse sorrindo gentilmente.
– Eu sei Tiago, mas estou nervosa… Nunca fui apanhadora!

Eu o chamei de Tiago?

Chamou…

Ainda bem que ele não percebeu!

– Você vai se sair melhor que eu. – ele disse sorrindo.
– Vindo de você isso é um grande elogio! – brinquei, afinal ele é tão convencido que não diria isso se não fosse verdade.
– Não tenha duvidas! – respondeu sorrindo.
– E alguma recomendação capitão? – perguntei sorrindo um pouco nervosa.
– Cuidado com aquele cara. Não é só porque ele te acha linda que vai pegar leve com você! – ele disse que o apanhador me acha linda?

Disse…

Nossa!

– Mas…
– Lily… Não quero te assustar pelo contrário quero que nada te aconteça, mas as coisas não são como nos treinos. O Sirius e a Marlene não jogavam balaços em você para te matar ou te derrubar da vassoura, eles simplesmente estavam te atrapalhando. O pessoal da Corvinal não vai pegar leve com você só porque você é uma novata.
– Promete que não vai me deixar cair da vassoura? – perguntei o abraçando com medo. Não queria mais sair do vestiário.

Ele tem um cheirinho tão bom e confortante…

– Prometo que não vou deixar você se machucar muito. O que estiver ao meu alcance eu vou fazer. Se precisar de algo me faz um sinal que eu peço tempo e eles param o jogo por cinco minutos.
– Acha mesmo que estou pronta? Não sei, melhor eu não jogar… – não quero mais jogar… Vou perder e ainda cair da vassoura!
– Pare de pensar besteiras… É claro que você está pronta. Nunca mais diga isso… Lembra-se da primeira regra para ganhar um jogo? – me perguntou ainda me abraçando forte.
– Não cair da vassoura? – perguntei rindo escondida no peito dele.
– Também… – ele respondeu rindo comigo. – Mas me referia a ter confiança. Sirius e Marlene vão te ajudar e eu estarei torcendo por você! – ele respondeu me dando um beijo na testa.
– Desculpe atrapalhar o casal, mas temos cinco minutos para entrar ou perderemos por não comparecer. – disse o Sirius rindo da nossa cara.

Nos separamos na mesma hora, montamos nossas vassouras e saímos para o campo.

-… E lá vem o time da grifinória. O capitão Potter não parece tão feliz assim. – narrou Jordan.
– Jordan, o jogo! – advertiu Mcgonagall.
– Capitães apertem as mãos. E eu quero um jogo limpo! – disse a juíza.
– E Potter vai para arquibancada, é a primeira vez que ele não joga desde ter entrado para o time. E os Corvinais estão confiantes, parece que Potter colocou uma novata para o substituir.
– Jordan! – brigou Mcgonagall.
– E começa o jogo… Grifinória com a posse da goles, Mrght passa para Jakson, Jakson devolve a bola e é ponto para a grifinória.
“Corvinal com a goles… Ferraz passa para Klamo que é atingido por um balaço de Black e perde a goles. Mrgth recupera a posse da goles…”

Me distrai com o jogo por algum tempo e me esqueci do pomo, foi quando me lembrei que era a apanhadora e finalmente fui atrás do pomo e logo o vi. Lá em cima perto das nuvens altas…

Mas aquele palhaço do Haj me lançou com balaço que me desequilibrou e quase cai.

– Parece que a Evans avistou alguma coisa… – narrou Jordan. – Sim, senhoras e senhores Evans está subindo, e Pravrat segue a moça. – uma pausa onde ninguém nem ousou respirar. – Parece que Haj está disposto a derrubar a ruiva da vassoura! E o capitão Potter entra em pânico na arquibancada quando Evans se desequilibra e quase cai da vassoura. E parece que perderam o pomo de vista.
“Grifinória com a goles… Manobra espetacular dos artilheiros e mais dez pontos para a Grifinória. Setenta a vinte para a grifinória.”
” Corvinal com a goles… O que o Potter está fazendo? Parece que a namorada dele precisa de uma água!”

Eu estava exausta… Não acredito que quase cai da vassoura… Entrei em pânico quando me recuperei.

– Narre o jogo Jordan! – pediu Mcgonagall mais uma vez.
– E é tempo para a Grifinória! – gritou Jordan – E vamos para as fofocas do dia… – depois não ouvi mais o que ele disse, pois fui o mais rápido possível para o chão.
– Boa jogada! – ouvi o Potter dizendo para os artilheiros. – Joguem pela direita eles estão com uma defesa fraca daquele lado.
– Pode deixar! – assentiram.
– Frank! Ótimo trabalho! Parabéns, suas defesas foram espetaculares… – ele disse para o goleiro.
– Obrigado! – agradeceu o Frank.
– Sirius e Marlene, estão fazendo um ótimo trabalho, mas ainda não está perfeito. A Lily não tem muita experiência com os balaços…
– Já entendemos! – respondeu o Sirius se afastando para ir combinar estratégias com a Marlene.
– Água? – ele me ofereceu.
– Estou tão mal assim? – perguntei depois que bebi um pouco.
– Está indo muito bem, mas fique mais esperta quando estiver atrás do pomo. – ele me aconselhou.
– Olha o casal de namorados estão trocando estratégias… – começou Jordan se referindo a mim e a ele.

Sorrimos envergonhados, mas não dissemos nada.

– Está mais calma? – me perguntou depois de alguns instantes.
– Eu juro que se acontecer alguma coisa comigo eu mato você! – eu disse tentando ficar séria, mas não tive muito sucesso.
– Não vai conseguir. – ele respondeu sorrindo.
– Não conseguiria fugir de mim por tanto tempo. – eu respondi.
– Não vou me esconder. É que se acontecesse algo com você eu mesmo me mataria.
– Exagerado… – comentei rindo.
– E o tempo da grifinória acabou. – disse Jordan nos atrapalhando novamente.
– Boa sorte! – ele me disse piscando o olho direito.

Montei na vassoura, respirei fundo e fui para o campo novamente.

O Jogo não estava fácil para mim, só para o resto do time que estava muito bem treinado. Uma vez quase que a corvinal pega o pomo, mas eu o enganei.

Você foi bem esperta!

Eu sou esperta!

A pior hora do jogo foi essa:

– E a única salvação da corvinal é o pomo de ouro. O placar marca 200 a 60 para Grifinória. – narrou Jordan.
– Lily! – escutei o Potter me gritando.

Olhei para os lados procurando ele, mas como não achei voltei a procurar o pomo. Deveria ser impressão minha ter ouvido a voz dele.

Finalmente vi o pomo perto do gramado! E logo mergulhei.

– E parece que Evans viu alguma coisa perto do gramado e dá um mergulho. Será que dessa vez a ruiva agarra o pomo?

A maior perseguição começou. Logo o apanhador de Corvinal já estava me alcançando e eu seguia o pomo com a vassoura quase rente ao chão, passei por trás das arquibancadas, subi um pouco, desci novamente, mas não conseguia a velocidade necessária.

De repente os balaços começaram a surgir para cima de nós e eu estava desviando dos balaços e tentando ganhar velocidade, o que nunca aconteceria se eu continuasse a me mexer tanto.

– E o pomo está dando o maior olé nos apanhadores. Black está disposto a derrubar Nond da vassoura. – narrou Jordan.

E foi quando aconteceu:

– Evans está a centímetros do pomo parece que grifinória vai ganhar de lavada! E o pomo está subindo novamente, com os apanhadores o seguindo, e Mrgth marca mais dez pontos para a Grifinoria.

Foi quando finalmente consegui agarrar o pomo de ouro. Aquela pequena bolinha estava entre os meus dedos batendo as asinhas.

– E Evans pega o pomo, senhoras e senhores! Parece que Potter não se enganou ao colocar a ruiva atrás daquele pomo. Vitória esmagadora da grifinória 360 a 90. – narrou o Jordan.

Estava observando o pomo quando vi um balaço vindo na minha direção, mas quando estava desviando o balaço bateu no cabo da minha vassoura e perdi o controle, e como estava no alto ainda comemorando a vitória…
– Mas o que o…? Parece que tem um balaço na direção da nova apanhadora que parece não ter percebido. Ela viu o balaço, mas mesmo tentando desviar ela foi atingida no cabo da vassoura e perdeu o controle. Alguém faça alguma coisa! – narrava Jordan, e ninguém mais respirava.

Quando me desequilibrei cai da vassoura e logo já estava em queda livre. Alguém tinha que fazer alguma coisa… Eu estava em pânico para poder agir.

– É o Potter naquela vassoura? – perguntou o Jordan. – Parece que Potter foi salvar sua companheira de equipe…

Depois que escutei isso não vi nem ouvi mais nada por algum tempo. Devo ter desmaiado.

Fiquei longos minutos esperando e logo o time junto com a Mcgonagall já estavam lá comigo.

Acordei com a enfermeira me dando água e escutei um pouco da conversa do pessoal que estava por perto:

– É a vida Lenezinha! – disse o Sirius rindo.
– Você a salvou, Potter. – disse a professora Minerva para o Potter.
– Prometi a ela que ficaria tudo bem… – ele disse chateado. – Mas não cumpri com a minha promessa.
– Claro que cumpriu! – eu disse no mesmo instante.

Fiquei olhando para ele ainda deitada na cama.

– Parabéns, Lily! – disse o time no mesmo instante enquanto nos olhávamos. – Uma ótima apanhadora… Ganhamos!
– Eu sou demais. A melhor apanhadora da grifinória. – respondi com um sorriso fraco.
– Acho que ser convencido é algo dos apanhadores… – comentou a Marlene rindo.
– O que ela teve? – perguntou a professora para a enfermeira.
– Só estava em choque. Dei um calmante e logo ela poderá voltar para o salão comunal.
– Certo… A festa não é aqui. Todos podem voltar para o salão comunal. – disse a professora.

O time inteiro, com exceção dos marotos, Marlene e o Tiago seguiram o que a professora disse.

– E vocês? – perguntou a professora.
– Vamos ficar até a Lily poder sair. – respondeu o Sirius.
– Muita gente. Fiquem dois de vocês, no máximo! – disse a enfermeira irritada. – E não façam bagunça.
– Pode ir gente. Logo eu vou também! – eu disse toda gentil. Não queria que eles perdessem a festa por minha culpa.

Você queria era ficar sozinha com o Tiago… Sabia que ele não te deixaria lá sozinha.

Claro que não!

– Eu vou ficar! Só saio daqui quando você for comigo! – ele disse na mesma hora.
– Nada mais justo. – disse o Pedro em defesa dele.
– Eu também fico! – disseram a Marlene e o Sirius juntos.
– E lá vão eles brigar… – cochichou o Remo para mim e para ele.
– Gente! – eu disse na hora que os dois abriram a boca para discutir. – Por que vocês não vão se agarrar por aí para comemorar a vitória? Eu estou ótima. – respondi sorrindo enquanto Remo, Pedro e o Potter se seguravam para não rir da cara dos dois.
– Não vou me agarrar com ele/ela. – disseram juntos cruzando os braços nervosos.
– Mas como são teimosos… Se beijem logo! – eu disse novamente. Como eles são chatos… Se amam…

Não nos amamos..

Isso mesmo!

Imagina se amassem.

– Beije o Tiago/ Pontas então! – responderam a Marlene e o Sirius juntos.

Não gostei do comentário, mas tinha que falar alguma coisa, não é?

– Não posso beijá-lo com vocês aqui. – respondi surpreendendo todos, inclusive a mim… Isso foi obra da Mini! Como essa louca conseguiu fazer isso sair da minha boca?

Tem horas que você fica vulnerável a mim…

Só posso estar louca…

Todos saíram da enfermaria no instante seguinte, até mesmo a professora.

– Pelo menos eles pararam de brigar. – eu disse quando fecharam a porta.
– Estava falando sério? – perguntou o Tiago muito fofo e com um sorriso gigante.

Ele nos ama!

Não vou nem falar nada Mini!

– Estava, mas não vou te beijar do jeito que vocês mentes poluídas estão pensando. – eu disse rindo da cara dele enquanto ele desmanchava o sorriso. – Vem aqui Tiago. Eu queria te agradecer…

Ele se aproximou e fui lhe dar o beijo.

Pensei que você ia beijá-lo como se deve…

E como se deve Mini?

Na boca, não é obvio?

Para ver a reação dele eu me aproximei da boca dele para beijá-lo e desviei dando um beijo demorado no rosto.

Mentira… Você quase não resiste!

Que calunia!

Eu sei a verdade Lil… Eu sou você!

Você é muito chata e mentirosa!

Não vou discutir… Você é muito teimosa.

Olha quem fala…

Vou ter que concordar com a Mini!

Dê que lado você está?

Do lado da sua felicidade…

Aff!

– Obrigada! Não sei o que faria sem você por lá! – eu disse gentilmente sorrindo enquanto ele sentava na ponta da cama minha cama.
– Não foi nada de mais! – respondeu sorrindo também.

A sensação dos meus lábios no rosto dele não me deixou por algum tempo!

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sobre Vanessa Sueroz

Autora dos livros Confusões em Paris, Minha última chance, Odiado Admirador Secreto, Presente de Aniversário, Eu te amo mais e Três Botões.

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