Cap 8) Quadribol 1


No cap anterior:

Estou há uns cinco anos com esse objetivo: ter a ruiva para mim, mas nunca cheguei nem ao menos próximo e isso é realmente desanimador.

Hoje cheguei a mais nova e velha conclusão sobre este assunto: Devo esquecer de vez Lílian Evans. Se isso será fácil? Tenho certeza que não. Se vou conseguir? Não custa nada tentar!

O engraçado dessa história toda é que quando me encontrei com o Sirius na sala precisa minutos depois, nós tínhamos as mesmas metas e desafios pela frente e ambos tínhamos certeza que seria quase impossível enganar nosso coração com outras mulheres, será difícil resistir ao charme natural das nossas musas, será difícil suportar a dor de estar ao lado dela e fingir que não a conhece, mas será um bem necessário, um bem necessário para o meu coração.

Cap 8) Quadribol

Passaram-se alguns dias que eu não falava com a L… Evans, e que o Sirius não falava com a Marlene.

Mentiroso, você sempre falava com a ruiva!

Certo… Eu falava com ela, mas somente o básico, afinal éramos monitores juntos e não tinha como não falar nada, mas nenhuma das vezes eu a chamei de Lily ou de ruivinha ou qualquer outro apelido que eu tenha lhe dado. Só a chamava de Evans.

Resumindo: A Lily e a Marlene só falavam com o Remo!

E eu como um bom amigo estava cansado de tentar fazer esses dois cabeças duras voltarem atrás.

Eu não sou cabeça dura… Só estava tentando esquecê-la. É pecado isso agora?

O teimoso aqui é você Remo. Você sabe que temos muitos problemas com aquelas duas…

Um certo dia estávamos fazendo ronda juntos, aquela semana era decisiva para o quadribol, o primeiro jogo estava próximo e eu estava evitando treinar a Evans. Quem estava fazendo isso era o Sirius e eu estava treinando o resto do time.

O que era uma tremenda perda de tempo. Você deveria ter treinado a Lily e o Sirius ajudava a treinar o resto do time. Você é o capitão e apanhador.

Ignorando o Aluado por alguns instantes…

Estávamos fazendo a ronda em completo silêncio, um silêncio torturante por sinal, quando a Lily resolveu quebrá-lo e falar comigo:

– Potter eu acho que… – mas parou de falar.

Fiquei olhando para ela esperando que terminasse, mas como não o fez eu voltei a andar e fazer a ronda, enquanto ela ficou mais para trás parecendo pensativa.

E alguns minutos mais tarde ela voltou a puxar assunto, mas dessa vez eu nem me dei ao trabalho de parar para olhá-la:

– Potter, não acha que é melhor você me treinar ao invés do Sirius? – perguntou ela em um fôlego só.

Parei de andar de repente. Não sabia o que responder. Ela estava certa, mas se eu ficasse tão próximo dela por tanto tempo eu não iria resistir. Estava quase esquecendo aquele perfume…

Mentiroso! Você sonhava com ela todos os dias!

Mas eu estava esquecendo.

Esquecendo? Você já estava entrando em crise de abstinência.

Crise de abstinência? Estamos falando de uma mulher!

Exatamente. Você é viciado na Lily e estava muito tempo sem brigar ou elogiá-la e até mesmo de chamá-la para sair.

Crise de abstinência de mulher? Essa é boa… Não sou um mariquinha!

Quem te contou essa mentira?

Não precisam me contar. Eu sei a verdade!

Então sabe que você é um veado e um mariquinha? Pensei que nunca iria admitir!

Vou fingir que não escutei nada disso…

Fiquei pensando por algum tempo, só percebi que foi tempo demais quando a Lily me tirou dos meus pensamentos:

– E então? Não vai dizer nada? Eu sei que você está me evitando, mas…
– Não estou te evitando! – eu disse rapidamente.
– Você desaprendeu a mentir Potter? – perguntou ela séria. – Claro que está me evitando. Nem ao menos olha para a minha cara.
– Isso não é verdade. Estou falando com você normalmente.
– E cadê o “ruivinha”, “foguinho”, “meu lírio”, e tantos outros que você vivia usando? – perguntou ela irritada com as mãos na cintura.
– Resolvi aposentá-los. – eu respondi simplesmente voltando a andar.
– Posso pelo menos saber o motivo? – perguntou ela nervosa segurando meu braço e me fazendo parar de andar.
– O que foi? Está sentindo falta? – perguntei debochadamente.
– O que houve com você? – perguntou ela me olhando estranhamente.
– Eu mudei. Estou fazendo o que você me pede desde quando te conheço. Estou te tratando como se não nos conhecêssemos. Não era o que você queria? Que eu parasse com os apelidos? Que parasse de te chamar para sair? Que te tirasse da minha vida? – perguntei magoado e irritado ao mesmo tempo.
– Era… – respondeu ela com um fio de voz.
– Então é o que estou fazendo! Estou te tirando da minha cabeça, quem sabe assim você saia do meu coração! – eu gritei em resposta e saindo do corredor para terminar a ronda em outro lugar.

Sentia-me um monstro. Eu havia acabado de gritar com a L… Evans! Por que eu tinha que fazer isso? Por que tinha que ser logo ela? Com tantas mulheres nesse mundo… Porque logo a mais problemática?

Porque você é Tiago Problemático Potter! De acordo com o tio James (nosso pai) ser problemático está no sangue…

E pelo visto você entrou para a família certa Sirius!

Eu não sou problemático!

Imagina se fosse! Se não é problemático então por que não está com a Marlene em seus braços?

Porque ela é problemática

Melhor nem entrar em detalhes!

Voltando a minha melancolia…

Eu fiz a ronda e me sentei em uma sala qualquer no meio do caminho. Fiquei ali no escuro por um bom tempo até que aquela voz insuportável do Almofadinhas se fez presente:

– Tiago atende logo seu veado! – escutei.

Logo tirei o espelho de duas faces de dentro do bolso e vi o rosto do Sirius surgindo em seguida:

– Não posso mais nem ficar sozinho! – eu reclamei.
– Claro que não. Reunião os marotos no quarto agora! – disse o Sirius empolgado.
– Qual o problema? – perguntei desanimado.
– O Remo está gostando de uma garota! – respondeu o Sirius sorrindo abertamente.
– Não estou gostando. Só a achei bonita! – ouvi a voz do Remo falando um pouco distante.
– É a mesma coisa! – o Sirius disse olhando para o meu amigo lobinho.
– Dá para pararem de discutir? – perguntei.
– Você ainda está fazendo ronda? – perguntou o Sirius ignorando a minha pergunta.
– Não. Já terminei há algum tempo. – respondi me levantando para ir embora.
– E por que não voltou? – ouvi o Pedro perguntando.
– Estava pensando na vida e esqueci das horas. – eu respondi tentando não demonstrar a minha falta de animo.
– Brigou com a Lily de novo? – perguntou o Sirius meio chateado.
– Aham. – respondi sem encará-lo.
– Conversamos quando ele chegar. – ouvi o Remo dizendo.

Fui bem devagar para o salão da grifinória. Estava rezando para não encontrar com a Evans no caminho. Era provável que ela estivesse conversando com a Marlene por lá, senão o Sirius teria ido me buscar…

Cheguei ao salão comunal minutos depois e não foi surpresa ver a Marlene e a Evans conversando em um canto da sala. Quando elas me viram entrando a Marlene já fiou de pé e começou a vir na minha direção. Eu fingi que não a vi continuei indo rumo ao quarto dos marotos.

– Tiago não adianta fingir que não me viu! – gritou a Marlene do outro lado do salão quando eu coloquei o primeiro pé na escada.
– Mas eu não te vi… – eu respondi me virando para encará-la.
– Vou fingir que acredito. – ela me disse pegando na minha mão.
– O que foi? – perguntei estranhando aquele contato.
– Não tem um lugar onde possamos conversar? – perguntou ela timidamente.
– Estou te estranhando… O que foi? Os marotos estão me esperando e não posso demorar. E os únicos aqui no salão somos nós dois e a Evans que no caso é sua amiga e pode escutar o que tem a dizer, não é? – perguntei estranhando muito aquela conversa.
– Você sabe que é sobre ela que quero falar. – sussurrou a Marlene.
– Se é sobre a Evans então não temos o que falar. Até mais. Boa noite! – eu disse soltando a mão dela e voltando a subir as escadas.
– Você é mais teimoso que ela. Os filhos de vocês serão umas mulas teimosas! – gritou a Marlene enfurecida da escada.
– Não teremos filhos! – eu gritei em resposta.
– Eu não suporto os dois! Se amam e ficam com essa palhaçada! – escutei a Marlene furiosa gritando no salão comunal.

Quando cheguei ao quarto dos marotos eles estavam todos calados:

– O que aconteceu com vocês para estarem tão quietos? – perguntei surpreso.
– Eram gritos da Marlene? – perguntou o Remo.
– Eram. – eu respondi me jogando na minha antiga cama.
– Se você fez alguma coisa para ela… – começou o Sirius.
– Ela que fez comigo! – eu respondi irritado. – Está querendo que eu volte a ser humilhado pela Evans. – eu respondi dando de ombros.
– E lá vai o veado distorcer a história! – reclamou o Remo no canto do quarto. – Ela só quer que vocês parem de ser teimosos e fiquem finalmente juntos.
– Já esqueci dela. – eu menti descaradamente.

Pelo menos ele assume que essa mentira foi muito forçada.

– Conseguiu mesmo esquecer a ruiva? – perguntou o Pedro inocentemente.

O Pedro tem muito senso de humor!

Outro mentiroso… Ele é desligado mesmo! Aquilo não foi uma piada… Ele acreditou na mentira do Pontas!

Não estou mentindo tão mal assim…

– Claro que ele não esqueceu a ruiva! Ele está mentindo… E está mentindo muito mal por sinal. – respondeu o Remo cético.
– Não é mentira! – eu gritei nervoso.
– Não é mentira. Só não é uma verdade. – respondeu o Sirius rindo. – Mas discutimos isso depois. A reunião dos marotos tinha outro alvo. Do teimoso chifrudo cuidamos depois.
– Vou te falar quem é chifrudo! – eu respondi irritado.
– Ele está estressado hoje! – comentou o Pedro como se eu não estivesse presente.
– Voltando ao assunto principal… O Remo arrumou uma namorada! – disse o Sirius sorridente.
– Eu só a achei bonita… Por que será que cada vez que você toca no assunto essa menina vira mais intima? – perguntou o Remo sentando na cama e balançando a cabeça negativamente.
– Porque é o que ela vai ser quando você a chamar para sair! – respondeu o Sirius contente enquanto eu ria da cara do Remo.
– E quem te disse que vou chamá-la para sair? – perguntou o Remo rapidamente.
– O seu bom senso! – eu respondi.
– Não vou chamá-la para sair. Eu sou um… – começou ele, mas o cachorro o interrompeu.
– Um cara legal com um probleminha peludo. Nada de mais! O que te impede de dar uns amassos por aí? – respondeu o Almofadinhas.
– Que tal voltarmos ao assunto Tiago versus Lílian? – perguntou o Remo em uma tentativa frustrada de escapar do interrogatório.
– Que tal você parar de fugir do assunto? – perguntei me levantando e indo até o guarda roupas.
– O que vai pegar aí se as suas coisas estão todas no dormitório de monitor? – perguntou o Pedro.
– Um pouco de veritaserum. – eu respondi como se aquilo não fosse nada de mais.
– E você vai fazer o que com a poção? – perguntou o Sirius rindo.
– Dar para o Remo tomar e parar de falar besteiras. – respondi seriamente já com o vidrinho na mão.
– Eu só achei a menina bonita, nada de mais! É normal um rapaz achar uma moça bonita… – disse o Remo já levantando a mão em rendição e se afastando de nós.
– Ainda faltam informações! – eu disse balançando o vidrinho da mão.
– Ela é do primeiro ano gente… – ele disse apreensivo.
– Não temos tudo que queremos, Aluado. – disse o Sirius com um sorriso maroto no rosto.
– É da grifinória! – disse o Aluado já encostado na parede e sem ter para onde fugir.
– Queremos o nome… – eu disse abrindo o vidrinho da poção.
– Tonks. Ninfadora Tonks! – ele respondeu quando Sirius e Pedro o seguraram e eu estava prestes a jogar a poção na boca dele.
– A filha da minha prima Andrômeda? A pequena Ninfa? Está brincando, não é? – perguntou o Sirius rindo.
– Ela é sua prima? – perguntou o Remo confuso.
– É! – respondeu o Sirius rindo.
– Caso resolvido! Já posso voltar para o meu quarto. Tenho que pensar na estratégia de treino do quadribol de amanhã. – eu disse finalmente tapando o vidrinho com a poção.

O Sirius ficou rindo por mais algum tempo.

– Tinha mesmo veritaserum naquele vidro? – perguntou o lobinho quando eu estava saindo do quarto.
– Não! Tinha só água. – eu respondi rindo e continuei rindo até chegar ao salão dos monitores quando me encontrei com a Evans deitada no sofá.

Aquela ingrata estava vestida para ME matar. A linda camisola que um dia ela escondeu de meus olhos estava totalmente à mostra. As lindas pernas definidas e carnudas estavam me deixando paralisado. Os cabelos ruivos caídos no sofá faziam um lindo charme com a pele branca da menina. O decote estava saliente me chamando para analisá-lo mais de perto, mas me contive.

Fui para o meu quarto ainda com aquela cena maravilhosa em minha mente, porém infelizmente meu coração mole falou mais alto e tive que ir colocá-la na cama.

Resumindo: ele não resistiu ao charme dela e iria tirar proveito da situação!

Não iria não!

Ele só ia colocá-la na cama para que ela não ficasse com dor nas costas por dormir no sofá!

Ia? É verdade eu ia!

Você estava querendo era passar as mãos no decote dela!

Se quisesse fazer isso eu teria feito, mas não fiz.

Então conte o que fez!

Eu saí, tomei meu banho demoradamente pensando se deveria ou não colocá-la na cama. Decidi por fim, tirá-la de lá.

Voltei para o salão dos monitores e ela ainda estava lá, deitada parecendo uma deusa…

Como uma deusa…

Lá vem o desafinado do Sirius começar a cantar novamente.

Minha voz é linda! Você está com inveja!

Parei de frente para ela sem ter coragem de tocá-la. O tempo que fiquei ali parado eu não saberia dizer. Fiquei velando seu sono imaginando…

Imaginando vocês dois sozinhos em um quarto…

Claro que não!

Vai dizer que nunca pensou nisso?

Eu…

Vamos precisar de veritaserum por aqui!

Confesso! Já pensei sim, mas não naquele momento. Posso continuar a história?

Agora pode! Agora que todos os leitores sabem que você é um safado!

Não sou safado! Mas vou ignorar esse ataque de ciúme do Sirius e voltar a minha narrativa:

Depois daquela indecisão toda cheguei à conclusão de acordá-la.

– Evans! – chamei receoso.

Chamei a ruiva por mais algumas vezes, porém ela não acordou.

– Lílian! – chamei me agachando ao seu lado.

Ela se mexeu, porém ainda não acordou.

– Lily! – chamei sacudindo ela levemente.
– Tiago? – perguntou ela sonolenta. – O que esta fazendo no meu quarto? Aconteceu alguma coisa? – perguntou ela me olhando estranhamente, por um pequeno momento pensei que ela estava fingindo que estava acordando, mas descartei essa possibilidade quando me toquei que ela me chamou de Tiago.

Mais uma prova de que ela te ama!

Ou que está ficando maluca.

Ou os dois!

– Você dormiu no sofá. – eu respondi simplesmente.
– Sofá? – perguntou ela confusa.
– Consegue ir para a cama? – perguntei olhando ela se sentar no sofá desengonçada e sonolenta.
– Por que você não fica um pouco aqui comigo? – perguntou ela me olhando estranhamente.
– O que deu em você? – perguntei extremamente confuso. – Vou te levar para sua cama. – eu disse ajudando ela a se levantar.
– Eu não quero ir para a cama. Quero ficar aqui com você! – ela me respondeu agarrando a minha mão que estava no braço dela.
– Eu vou ficar com você! Vem… – eu menti levando ela com cuidado para o quarto.

Você carregou ela?

Não! Eu a fiz apoiar em mim e a conduzi para o quarto.

Isso foi cavalheirismo ou burrice?

Eu fico com as duas opções!

A levei até a porta do quarto e me lembrei que eu não conseguiria abrir.

– Está entregue. Pode entrar. – eu disse mostrando a porta.
– Mas… – começou ela depois que a soltei.
– Você não está em condições de ter uma conversa séria agora. – eu disse me afastando.
– Boa noite Tiago! – disse ela parecendo chateada.

Mulheres são sensíveis de mais… Choram por tudo, qualquer coisa ficam tristes, chateadas, com raiva…

Mas é claro que ela iria ficar com raiva! O Tiago estava fingindo que não a conhecia.

Ela me pediu isso por anos…

E agora se arrependeu!

Eu não respondi ao “Boa noite” da Evans. Eu realmente estava muito chateado com ela, mas não era hora de pensar em romances, estava na hora de planejar um jogo de quadribol.

Fiquei mais uma ou duas horas acordado no meu quarto planejando o treino, e infelizmente a conclusão que cheguei foi: se o Sirius não voltasse a treinar com a Marlene e eu não treinasse a nova apanhadora nós estaríamos perdidos!

A manhã seguinte foi calma demais para o meu gosto, fomos para as aulas como de costume. Antes da hora do almoço tínhamos uma aula vaga e eu tinha uma ronda. Os marotos ficaram no jardim conversando e zoando com o povo enquanto eu fui para a minha odiosa tortura.

Depois de quase meia hora voltei para o jardim para me encontrar com o pessoal.

– Já decidiu como vai ser o treino hoje? – perguntou o Remo de repente.
– Já sim, e tenho uma péssima noticia para o Sirius. – eu disse pensativo.
– Lá vem ele acabar com o meu dia, mas pode falar veado.
– Cervo! – eu disse irritado.
– Veado! – disse o Sirius mais uma vez.
– Cervo! – eu rebati.

E logo o Pedro já estava rindo da nossa cara e o Remo balançando a cabeça em desaprovação.

– Posso ou não falar a noticia ruim? – perguntei depois de muita discussão sobre cervos e veados.
– Fale logo. Acabe com o meu dia! – disse o Sirius fazendo o maior drama.
– Você vai ter que treinar com a Marlene. Não estamos rendendo do jeito que está.
– Mas a Lily está indo bem com o meu treino! – disse o Sirius revoltado.
– Não tão bem quanto deveria estar. – eu respondi pensativo.
– Nisso ele tem razão. – disse o Aluado concordando comigo.
– E a Marlene como está treinando comigo está um pouco menos rápida do que de costume. – eu disse me lembrando do último treino.
– Mas… –começou o Sirius.
– Se tiver outra solução… – eu disse pensativo.
– Infelizmente agora não tenho idéia nenhuma, mas vou pensar. O treino é só as seis, não é?
– Isso mesmo. – eu respondi.
– Até lá eu arrumo outra solução. – respondeu o Sirius já pensativo.
– Difícil, fiquei pensando de noite, mas não encontrei…
– Eu sou mais inteligente que você. – se gabou o Sirius.
– Mais um maroto que gosta de inventar mentiras… – eu respondi rindo enquanto o Sirius abria a boca para rebater.
– Qual o motivo da nova briga de vocês? – perguntou a Marlene se aproximando com a Evans.
– Estamos discutindo quem é mais inteligente. – eu respondi.
– Quais as opções? – perguntou a Marlene interessada.
– Tiago e Sirius. – respondeu o Pedro.
– Tiago com certeza! – respondeu a Marlene na mesma hora.
– Sirius sem dúvida. – respondeu a Evans junto com a amiga morena.
– Eu disse que era mais inteligente. – respondemos eu e o Almofadinhas juntos também.

O Pedro começou a rir histericamente enquanto eu e o Almofadinhas discutíamos e as meninas também.

– Eu sou mais inteligente! – dissemos eu e o Sirius. – Não! Claro que sou eu!
– Não vê que o Sirius é mais inteligente? Olhe as notas dele. – disse a Evans.
– Não é só de notas que vive um homem. Sem contar que quase todos os trabalhos do Sirius são copiados do Remo. O Tiago tem mais duelos. – respondeu a Lene.
– Você… – começamos os quatro de uma só vez, mas fomos interrompidos.
– Calem a boca pelo amor de Merlin! – gritou o Remo no instante seguinte.
– Ele é o mais inteligente. – dissemos os quatro rapidamente apontando para o Remo.

E por incrível que pareça nós nos juntamos ao Pedro e começamos a rir. Rimos tanto que mal conseguimos levantar minutos depois.

Logo em seguida fomos todos juntos para o salão principal para comer.

Almoçamos conversando, e fomos para mais algumas aulas chatas:

– Ainda bem que logo o natal chega! – eu disse quando chegamos à sala de poções.
– Não vejo a hora de ir para a minha casa! – respondeu o Sirius.
– Sua casa? – perguntei sem entender.
– É… A nossa casa. – ele respondeu com um sorriso enorme.
– Vocês vão passar o natal na casa do Tiago? – perguntou a Marlene.
– Se tudo der certo vamos todos. – respondeu o Remo.
– Se tudo der certo? – perguntou a Lily confusa.
– É que temos que convencer a mãe do Tiago a deixar quatro marotos sozinhos em casa. – respondeu o Pedro.
– E isso vai ser difícil… – eu respondi pensativo.
– Podem entrar… – disse o professor quando passou.

Entramos na sala e ficamos duas aulas inteiras com aquele chato que só sabe paparicar a Evans e o Snape.

Aliás, me lembrei… Faz tanto tempo que não azaro o Snape… Já estou sentindo falta.

Não disse que ele é um veado? Está sentindo falta do Seboso!

Não foi isso que eu disse.

Mas foi o que quis dizer.

Eu só disse que gosto de azarar o Snape… Que é muito divertido.

Se afasta de mim Pontinhas… Eu sou muito homem.

Melhor fingir que não ouvi isso e voltar para a narração da aula.

Aliás, vou pular aquela aula chata, nós só ficamos vendo teorias de poções avançadas, como a tal da poção polissuco. É que com essa guerra que está começando no mundo mágico,estão ensinando esse tipo de coisa.

Depois das duas aulas mais chatas da minha vida.

Não foram as mais chatas. As aulas de história da mágia eram bem piores.

Não eram não. Pelo menos o professor era desligado do mundo e podíamos conversar a vontade.

Não tão à vontade assim. Uma vez ele me deu uma detenção só porque eu estava estudando com uma menina da sala.

Estudando química e biologia só se for. Você estava se agarrando com a menina no meio da aula.

Estudando o que?

Nada… É matéria de escolas trouxas.

É parecido com o que?

Com curandismo

Ainda bem que aqui em Hogwarts é opcional essa matéria!

Voltando…

Saímos da aula e fomos direto para o campo de quadribol naturalmente.

Depois que todos colocaram o uniforme de treino e sentamos nos bancos ainda no vestiário para discutir estratégias de jogo foi que começou a confusão:

– Alguém tem alguma sugestão de jogada antes de irmos para o campo? – eu perguntei, afinal sou um capitão democrático.
– Eu tenho! – disse a Kely, artilheira do time.
– Pois estou ouvindo. – eu disse fazendo sinal para que ela continue a falar.
– Porque você não treina a Evans pessoalmente? Não vê que ela ainda não está pronta para vencer da Corvinal no próximo jogo? E olha a Marlene…
– O que tem? – perguntou a própria Marlene.
– Você não está tão rápida quando treinava com o Black isoladamente. – explicou Kely.
– Mas somente um treino antes do jogo que treinamos todos juntos. Sempre foi assim. – respondeu o Sirius.
– Então que volte a ser como antes! – sugeriu a Alice.
– O que quer dizer com: “como antes?” – perguntei esperando o pior.
– Deixe o Sirius e a Marlene juntos. E você treine a Lílian. Você é o apanhador, sabe mais técnicas do que o Sirius. – respondeu à loira falando justamente o que eu temia.
– Eu tenho uma idéia melhor… – disse o Sirius de repente para o meu alivio.
– Então diga! – pedi quase suplicante.
– Por que não treinamos todos juntos e o Tiago apenas fica vendo onde estão os erros? – sugeriu o Sirius, não era uma má idéia, só não era tão boa assim.
– Não vai dar certo! – a Marlene disse do outro lado do vestiário.
– Precisamos que a Lily vença… O resto nós enrolamos, mas se ela não pegar o pomo é muito difícil ganhar. – disse o goleiro.

Olhei para o Sirius dizendo: “não vamos escapar dessa”.

– Certo. Se o time inteiro acredita nisso… Evans, nós vamos ter um treino isolado hoje. – eu disse já pensando nas conseqüências. – Marlene, você volta a treinar com o Sirius e na sexta treinamos um jogo todos juntos. – eu disse com certo pesar.

Vi a Marlene esboçava um sorriso e olhava para a Lily enquanto o time comemorava e se preparava para mais um treino.

O treino ia ser longo para mim!

Para mim também…

Fomos todos para o campo e logo quase todas as vassouras já estavam no ar.

– Artilheiros comecem com arremessos à distância. – eu disse vendo o goleiro se preparar. – Batedores, o mesmo de sempre, e nada de deixar a bola cair.

Os batedores treinavam com se estivessem em um jogo de tênis, eles jogavam a bola tentando fazer com que o outro não pegasse usando o campo inteiro.

– E nós…? – perguntou a ruiva ao meu lado.
– Vamos ver quanto tempo você demora a pegar esse pomo. – eu disse tirando um pomo do bolso.
– Mas esse pomo não é o usado no jogo. Esse é o que você pegou… – começou ela.
– Por não ser o pomo da escola e ser o meu pomo de estimação, acredite… Ele é mais difícil de ser localizado.
– Que feitiços colocou nele? – perguntou ela.
– Nenhum! – respondi dando de ombros e soltando o pomo. – Quando me trouxer esse pomo o treino vai começar de verdade! – eu disse assim que o pomo sumiu no ar.
– Você está arrumando um jeito de se afastar de mim. – ela disse irritada.
– Estou arrumando um jeito de você ficar mais rápida. – eu respondi enquanto ela montava na vassoura.
– Já volto com o seu pomo idiota, Potter! – ela gritou já levantando vôo.
– Vamos ver… – eu disse quase para mim mesmo.

Fiquei observado o time. O goleiro estava pegando todos os lances. Marlene estava furiosa e jogava o balaço perigosamente para cima do Sirius, eu sabia que eles estavam conversando, pois via os lábios deles se mexendo, mas não conseguia escutar.

– Artilheiros! – gritei, fazendo os três me olharem. – Vamos treinar pênaltis. – eu disse o logo os artilheiros se aproximaram do goleiro para mais uma seção de jogadas.

Na metade do treino eu parei para prestar atenção na Evans. Ela ainda andava sem rumo no campo à procura do pomo, foi quando ela olhou para mim e eu fingi que não a observava.

Distrai-me vendo o time novamente e de repente senti pequenas mãos cobrindo meus olhos.

Retirei as mãos com cuidado, pensei que era mais uma daquelas doidas que me perseguem na escola, mas até que isso seria bom, pois arrumaria alguém para ir à Hogsmead comigo no sábado.

Mas tomei o maior susto quando virei para trás e dei de cara com ninguém menos que Lílian Evans.

Fiquei ali segurando as mãos dela sem reação enquanto ela sorria para mim. Será que isso tinha sido um sonho?

Creio que sim… Lílian Evans ficar tão perto de você sem gritar? Impossível!

– Vamos treinar? – perguntou ela sorrindo enquanto eu ainda segurava suas mãos.

Meu cérebro dizia para eu largar aquelas mãos macias, mas meu corpo não obedecia. Parecia que eu precisava daquele contato para me manter vivo!

Que coisa mais gay!

Se esqueceu que ele é um veado?

Até tu, Brutos? Cervo!!! Será que vocês não entendem?

Não!

Esquece…

Acho que eu estava com a maior cara de bobo, pois a Líl… Evans começou a rir.

– Você está bem? – ela me perguntou.
– Eu… Ah… Pegou o pomo? – perguntei soltando as mãos dela.
– Claro que sim! Você está diante da melhor apanhadora da escola. – respondeu ela me mostrando o pomo.

Acho que ser apanhador faz as pessoas serem metidas… Até a Lily entrou nessa agora…

Tem alguém nessa fic que não mente, além de mim?

Você é o que mais mente Aluado!

Isso é uma calunia… Nunca menti!

Sei…

– Onde será que já ouvi isso… – eu disse para ela.
– E então? Vai me treinar ou não? – perguntou ela me encarando ainda com aquele sorriso nos lábios.
– Não seria melhor você… – eu comecei e o sorriso dela desapareceu.
– Se tudo isso é porque você escutou uma conversa que não deveria… – começou ela nervosa.
– Não deveria, mas você sabe que eu ouvi, e aquilo foi o mais sincero que você já me disse, então…
– Você está sendo infantil! – disse ela com raiva se afastando de mim.
– Vai me dizer que estava mentindo para a Marlene? – perguntei debochadamente.

Ela demorou algum tempo para responder:

– Eu te odeio, Potter! – gritou ela nervosa e saiu do campo batendo o pé.
– Devolva meu pomo, Evans! – eu gritei nervoso também.
– Ele é meu agora! – ela gritou e logo em seguida bateu a porta do vestiário a suas costas.

Eu estava revoltado e logo algumas lâmpadas se quebraram no estádio.

– Alguém tem água com açúcar aí? – perguntou o goleiro.
– Se acalme Tiago. Você está fazendo magia involuntária… – disse o Remo assim que chegou ao meu lado.
– Ela me tira do sério Remo! – eu respondi me acalmando.
– Pontas… Ela levou o seu pomo! – disse o Sirius parando com a vassoura do meu lado.
– Ela pode levar tudo, mas meu pomo não! – eu disse irritado. – Evans! – chamei – Devolva meu pomo… – gritei correndo em direção ao vestiário.
– Ela vai deixá-lo maluco! – disse o Sirius enquanto eu saia.
– Já me deixou maluco! – eu gritei em resposta.

Fui correndo e vi a Evans virando um corredor para o salão comunal.

– Evans! – eu gritei.

Ela me escutou e correu mais ainda.

– Devolva meu pomo de ouro! – e gritei.
– Nem em sonhos, Potter! – ela gritou em resposta sumindo pelo retrato da mulher gorda.

Quando entrei no salão ela já deveria ter ido para o salão dos monitores. Entrei rapidamente no salão dos monitores, mas não vi aquela cabeleira vermelha.

– Evans! – gritei enfurecido.
– Esqueça seu pomo assim como você esqueceu de me treinar. – gritou ela em resposta.

Percebi que a voz vinha do banheiro e fui até a porta.

– Você realmente quer me deixar maluco, não é? – eu perguntei choramingando.
– Resposta errada, Potter! – gritou ela abrindo a porta do banheiro e me observando.
– Eu agüento seus insultos, suas humilhações e tudo que você tem feito comigo nesses anos, mas você não vai ficar com o meu pomo! – eu disse com raiva segurando os braços dela.
– Então o coitadinho do Potter está nervoso? – perguntou ela debochadamente.
– Vou pedir mais uma vez: devolva meu pomo! – pedi ainda segurando os braços dela.
– Solte meu braço ou vai me machucar! – ela disse ainda sustentando o olhar orgulhoso.
– Desculpe! – eu disse constrangido a soltando na mesma hora. – Por favor, me devolva esse pomo.
– Ele é especial para você? – perguntou ela rindo. – Ele pode deixar de ser assim como você faz com as pessoas que diz amar.
– Eu… Você é importante para mim, mas eu estou decepcionado comigo mesmo. – eu confessei.
– Por quê? – perguntou ela finalmente deixando aquele ar presunçoso de lado.
– Por que não consegui te conquistar em tantos anos. – eu respondi frustrado sentando no sofá.

Ele estava romântico e parecendo um emo!

Tudo isso por causa de um pomo idiota!

Não é por causa de um pomo idiota!

Então era o que?

Por causa dela. Sabia que ela me deixa louco? Literalmente falando!

Mulheres!

Vocês dois não tem jeito…

– Eu… Sinto muito! – ela me disse chateada, ou pelo menos parecia.
– Devolva-me o pomo! – pedi.
– Com uma condição… – ela me disse com um olhar maroto.
– Qual? – perguntei na mesma hora.
– Que eu ganhe o jogo! Pare de me evitar e me treine como deveria fazer… – ela propôs.
– Mas… – comecei a reclamar.
– É pegar ou largar, Potter! – ela disse sorrindo.
– Ok! Negócio fechado! Tenho sua palavra que vai me devolver?
– Palavra de monitora! – ela respondeu apertando a minha mão.
– Tem ronda hoje? – perguntei assim que lhe soltei a mão.
– Não… – respondeu ela pensativa. – Por quê? – perguntou ainda mais desconfiada.
– Vamos treinar quadribol. – eu disse já ficando de pé.
– Sério? – perguntou ela com um sorriso enorme.
– Vamos? – eu perguntei mostrando a saída para ela.
– Vamos! – disse ela se levantando e indo em direção a porta.

Saindo do salão dos monitores nos encontramos com os marotos e com a Marlene sentados no sofá.

– Conseguiu seu pomo? – perguntou o Sirius assim que me viu.
– Não, mas consegui um acordo. – eu respondi animado.
– Fizeram as pazes finalmente? – perguntou a Marlene com um sorriso enorme.
– Não! – respondemos os dois juntos.
– Duas cabeças duras. O filho de vocês será tão teimoso que ninguém irá suportá-lo. – disse a Marlene irritada.
– Não teremos filhos. – respondemos os dois juntos.
– Duvido! – escutei o Remo dizendo.

Anotação pessoal: perguntar para o Sirius o motivo da briga dele e da Marlene.

Fomos os dois em silêncio para o campo de quadribol que estava deserto.

– Está com o pomo? – perguntei.
– Estou, mas não vamos treinar com ele… Corro o risco de você pegá-lo. – ela respondeu.
– Não confia em mim mesmo, hein? – perguntei um pouco chateado, mas tentando não passar isso pela minha voz.

Coisa que não deve ter sido feita!

Como sabe?

Você infelizmente anda mentindo muito mal. Principalmente para a ruivinha.

Anda reparando muito em mim, hein! Sai para lá que eu gosto de mulher Sirius.

Merlin me livre desse caminho… O veado aqui é você!

Cervo!!!

Veado!

Não vou discutir com crianças!

Então cuidado para não ficar discutindo com a sua consciência… Se você é criança, sua consciência também é!

– Confio em você, mas estou me prevenindo! – respondeu ela.
– Sei… – eu respondi rindo.
– Então vamos começar? – perguntou ela montando na vassoura.
– Não precisará de uma vassoura por enquanto. – eu respondi rindo ao ver a cara de contrária dela.

Ficamos ali por mais duas horas e voltamos para o salão principal para o jantar.

O pessoal já estava nos esperando por lá quando chegamos.

– Onde estavam? – perguntou o Remo assim que me sentei ao lado dele e do Sirius.
– Treinando quadribol. – eu respondi já começando a me servir.
– E está tudo bem com os dois? Não se mataram? – perguntou a Marlene debochadamente.
– Estamos ótimos. – respondeu a Evans sentando ao lado da amiga e de frente para o Sirius.
– Estou vendo que você e a Marlene sobreviveram… – eu comentei com o Sirius.
– Vamos dizer que depois dela quase me matar com um balaço nós fizemos as pazes. – ele me respondeu dando o ombro.
– Beijou ela? – perguntei feliz da vida.
– Ela quem? – perguntou a Evans escutando a minha pergunta.
– A menina que estava me paquerando. – respondeu o Sirius quando eu abri a boca para inventar uma desculpa.
– E beijou? – perguntou a Marlene com uma expressão indecifrável…
– Não! Não tive oportunidade. – respondeu o Almofadinhas me olhando de canto do olho.

Ficamos conversando no salão principal até todos terminarem de comer. Logo em seguida fomos direto para o salão comunal.

– Sábado tem Quadribol e domingo tem Hogsmead. Nada mal para um final de semana! – disse o Sirius se esparramando no sofá.
– Já sabe com quem você vai ao povoado? – perguntou o Remo para o Almofadinhas.
– Tenho três pares, mas se conseguisse mais um ficaria perfeito! – ele respondeu levando uma almofadada da L… Evans.
– E você Pontas? – perguntou o Remo.
– Estava tão preocupado com o quadribol que tinha até me esquecido do passeio, mas amanhã eu convido alguém.
– Não vai chamar a Lily? – perguntou a Marlene se aproximando e sentando no braço da poltrona do Aluado.
– Não! – respondi simplesmente.
– Estou quebrada! – disse a Lily se jogando em cima do Aluado também.
– Por que as mulheres estão se jogando em cima do Aluado hoje? – perguntou o Sirius fingindo estar irritado.
– Por que eu tenho mel! – respondeu o lobinho com um sorriso enorme.
– É bom o seu mel não se aproximar do meu alvo! – reclamou o Sirius.
– Então estou ferrado! A população feminina inteira do castelo é seu alvo. – resmungou o Remo.
– Não é não. Ainda lhe sobrou as minhas primas Belatriz e a sua futura esposa Ninfadora. – respondeu o Sirius rindo.
– Está namorando e não me contou? – perguntou a Evans para o Remo já dando leves tapinhas nas costas dele.
– O Sirius viaja… Claro que não estou namorando. Só achei a priminha dele bonitinha. – respondeu o lobinho se esquivando dos tapas.
– E está com medo de chamá-la para sair. O máximo que pode acontecer é você levar um fora.O que ainda te deixa na vantagem, pois o Pontas tem tantos foras que nem você consegue alcançá-lo. – disse o Sirius com um sorriso enorme.
– Vou recuperar os foras que levei. Vou voltar a ser o antigo Tiago Potter. Se ela não me quer tem quem queira. – eu respondi olhando de canto de olho para a Evans.
– Mas aí você não estaria perdendo todo o crédito que teve com ela nesse tempo todo? – perguntou a Marlene preocupada.
– Não tive crédito com ela. – eu respondi dando de ombros.
– Então não vai ser mais padre? – perguntou a Evans com um sorriso amarelo.
– Não. Desisti! Como a Marlene disse: “Seria um desperdício de homem!” – eu respondi convencido.

Pelo menos ele admite que é um convencido!

É que aprendi com você Almofadinhas!

Como era Segunda-feira e na manhã seguinte tínhamos aula fomos todos dormir cedo.

Acordei um pouco atrasado na manhã seguinte com murros na porta.

– Levanta logo Potter! Você está atrasado. – gritou uma voz bem potente do outro lado.

Levantei rapidamente e me troquei. Quando sai do quarto dei de cara com uma ruiva realmente irritada.

– Não sei onde Dumbledore estava com a cabeça quando te colocou como monitor! – resmungou ela.
– Não vem estragar meu dia logo cedo. – eu disse já começando a ficar irritado.
– Já pensou em fazer terapia? Você só anda nervoso ultimamente. – respondeu ela já sorrindo.

As mulheres mudam de humor com uma rapidez…

– Minha terapia é ter uma linda mulher em meus braços, mas não se preocupe. Ainda hoje eu arrumo alguém, não preciso de esforço assim que todas souberem que estou de volta à ativa vão cair em cima. Se eu deixar vão até brigar para sair comigo.
– Você não é mais convencido por falta de espaço. – respondeu ela irritada novamente e saindo bufando do salão dos monitores.
– Não reclame Evans… Só estou seguindo o que você mesma me pediu! – eu respondi saindo do salão.
– Me espera Potter nossa conversa ainda não terminou! – gritou ela indo atrás de mim.

Deveria ter aproveitado a oportunidade e beijado a ruiva!

Não viaja Sirius… Eu estava brigando com ela.

Mais uma desculpa para ter feito isso…

Saí do salão dos monitores direto para a primeira aula do dia: transfiguração, e para a minha sorte a professora Mcgonagall estava com um ótimo humor naquela manhã, coisa inédita, devo acrescentar.

– Bom dia professorinha do meu coração! – eu disse todo feliz.
– O senhor está bem Potter? – perguntou ela estranhando o meu cumprimento.
– Melhor impossível Mimi. Vamos ganhar esse jogo no sábado. – eu respondi feliz.
– A senhorita Evans está pronta para o substituir?
– Quase… Nada que eu não resolva. – eu respondi assim que a Evans entrou na sala.
– Bom dia! – disse ela tentando não demonstrar que estava nervosa.
– Bom dia sua maluca! – eu disse para ela com um sorriso enorme.
– Não enche Potter! – ela respondeu nervosa.
– Já que vocês estão se dando tão bem não vão se importar de fazer o trabalho juntos. – disse a professora para nós quando sentamos cada um em um canto da sala.
– Mas… – começamos juntos um protesto.
– Os dois formam um belo casal, não é professora? – perguntou o Sirius rindo quando entrou na sala.

Mandei um olhar querendo matar o Sirius pelo comentário.

– Vamos logo começar a aula. Hoje teremos que mudar a aparência do parceiro de vocês. Vou separar as duplas: Evans e Potter, Black e…

Ela ficou mais uns dez minutos falando enquanto a sala inteira ia se sentar com o seu parceiro.

– Pelo visto vamos ter que fazer juntos. – eu disse tentando fingir que estava bravo.
– Pelo menos vou tentar deixar você bonito! – respondeu ela com um sorriso travesso.
– Eu sou maravilhoso, se mudar estraga. – eu respondi.
– Só se for para essas meninas vulgares. Para mim você é horrível e vou te deixar como um lord! – disse ela já segurando a varinha.
– Olha lá o que vai fazer Evans… – eu disse temendo ficar feio.
– Vamos lá… Já fizemos esse feitiço no ano passado. Não quero reconhecer ninguém nessa sala! – disse a professora já com a varinha na mão. – A dupla que se sair melhor irá ganhar dez pontos para a sua casa e a próxima aula vaga.
– Mas a senhora não irá passar nada na próxima aula? – perguntou o Remo.
– Irei passar a revisão dessa matéria, então quem se sair bem não precisará assistir a aula. – respondeu ela. – Podem começar.
– As damas primeiro. – eu disse para a ruiva na minha frente.
– Eu quero ganhar Potter então faça um bom trabalho. – respondeu a ruiva pensativa me observando.
– Você está falando com o melhor aluno em transfiguração da sala. Se alguém aqui é ruim nessa matéria esse alguém é você! – eu respondi marotamente.
– Não vou me dar ao trabalho de lhe responder. Vamos terminar com isso logo Potter. – ela disse já mirando a varinha para os meus óculos.
– Tente me deixar pelo menos apresentável Lily… – eu disse apreensivo.
– Me chamou de Lily? – perguntou ela confusa fazendo meus olhos ficarem verdes.
– Algum problema? – perguntei me referindo a tê-la chamado de Lily, não deveria ter feito isso, mas já que aconteceu…
– Problema nenhum… – ela respondeu confusa. – Gosta de ruivas Potter?
– Você sabe que sim. – eu respondi sem entender.

No momento seguinte meu cabelo estava ruivo.

– Verde com vermelho? – eu perguntei olhando no espelho e fazendo uma careta.
– Já dou um jeito nos seus óculos… – respondeu ela pensativa.

Só sei que quando ela acabou eu estava com um nariz de batata, não precisava mais de óculos, cabelos enrolados e ruivos, minha pele estava um pouco mais clara, estava um pouco mais alto e tinha olhos verdes iguais aos dela… Ela só não mexeu na boca.

– Acho que esqueceu a minha boca. – eu brinquei.
– Ela está bem do jeito que está. – respondeu a Lily ficando vermelha.

Acho que isso foi uma cantada!

– Obrigado, mas terá que mudar. – eu disse para ela ainda me olhando no espelho.
– Já que insiste! – ela respondeu deixando meus lábios bem finos.
– Estou parecendo uma cópia sua só que na versão masculina. – eu disse rindo me olhando no espelho.
– Essa era a intenção. Vamos dizer que não tenho muita criatividade para essas coisas.
– Que tal uma cicatriz? – perguntei.
– Onde? – perguntou ela.
– Na sobrancelha! – eu disse analisando.
– Certo… – ela disse insegura e logo uma falha surgiu na minha sobrancelha.
– Minha vez ruiva. Pode dar adeus aos seus cabelos. – eu disse e logo ela já estava loira com o cabelo até a cintura e liso, olhos pretos, nariz arrebitado, boca carnuda e rosada, pele bronzeada, estava parecendo aquelas trouxas ricas, que ficam desfilando com maquiagem para cima e para baixo.
– Gosta de loiras? – ela me perguntou se olhando no espelho.
– Não no seu caso. – eu respondi rindo.
– Mulheres com essa aparência geralmente são muito chatas e fúteis! – eu respondi me sentando.
– Até que não fiquei tão mal assim! – ela disse ainda analisando a pele bronzeada.
– E teremos uma aula livre. – eu disse feliz da vida. – Professora! Terminamos! – eu chamei a professora que logo surgiu ao nosso lado.
– Esqueceu de mudar a voz do seu parceiro, mas tirando isso à transformação está perfeita. – disse a professora para a Lily.
– E quanto a ela? Como ficou? – perguntei.
– Ficou muito bem, quase não a reconheço. Dez pontos para a grifinória e estão dispensados da aula. – ela disse observando nós dois.
– Pode desfazer o feitiço? – perguntou a Lily logo em seguida.
– Pode! – respondeu a professora se encaminhando para outra dupla.

Eu desfiz o encanto só depois de zoar com o Sirius e com o Remo.

Sirius estava parecendo uma mulher, obra da Marlene que era sua parceira e que agora estava com o cabelo azul e mechas pretas, bem bizarro!

O Remo estava parecendo um roqueiro, piercings e barba estavam presentes junto com cabelos cumpridos e bagunçados. Estava muito estranho.

– Até que não ficamos tão mal! – eu disse para a loira ao meu lado.
– Tem razão! – ela respondeu ainda se olhando no espelho e me acompanhando para o salão comunal.
– Gostou tanto do feitiço que não vai desfazer? – eu perguntei desconfiado.
– Eu… – começou ela
– Não consegue desfazer o feitiço? – eu perguntei rindo.
– Lógico que consigo. – ela respondeu na mesma hora.
– Se precisar de ajuda é só pedir. – eu respondi indo à frente.
– Potter! – ela me chamou depois de uns cinco minutos calada.
– Sim… – eu disse com um sorriso enorme me virando para ela. Tinha certeza que ela não sabia desfazer o feitiço.
– Preciso de ajuda! – disse ela com a cabeça baixa.
– Demorou para pedir! – eu respondi rindo e desfazendo o feitiço.
– Ruivos! – disse ela alisando seu próprio cabelo, feliz da vida.

Ficamos conversando quase meia hora no salão comunal até que a Marlene e o Sirius chegaram e mais cinco minutos o Remo chegou também.

– E o Pedro? – perguntei assim que o Remo chegou.
– Vai ficar na aula. Ele não conseguiu fazer o feitiço com sucesso. Parece que a parceira dele foi parar na enfermaria. – respondeu o Remo rindo.
– Tinha que ser o desengonçado do Pedro… – eu disse rindo.
– Pelo visto vocês dois fizeram as pazes… – disse o Sirius apontando para mim e para a Lily.
– Vamos dizer que sim… – respondemos juntos.
– Até que enfim! – gritou a Marlene feliz. – Vocês estão namorando?
– Claro que não! – respondemos juntos.
– Eu tenho um encontro mais tarde! – eu disse com um sorriso amarelo.
– E eu nunca iria namorar alguém como o Potter! – respondeu a Lily.
– Alguém como o Potter, mas namoraria ele? – perguntou o Sirius marotamente.
– Não! – disse ela no mesmo instante.
– Sei… – disseram a Marlene e o Sirius juntos e logo os dois começaram a rir.

Nessa aula vaga ficamos todos no jardim conversando e rindo.

Almoçamos na maior paz, tirando o Pedro que falava e reclamava ao mesmo tempo. Eu estava quase abrindo um guarda chuvas na mesa, porque ele mais cuspia na minha cara do que comia.

As aulas de tarde foram tediantes demais para o meu gosto, então não vou citá-las.

Desde quando aulas de DCAT são tediantes?

Desde que estão fazendo mais teorias do que aulas práticas!

É porque têm muitas pessoas na sala com dificuldades na parte teórica.

Que façam aula de reforço. Eu não mereço agüentar aulas de DCAT sentado com a bunda na cadeira.

Você pode ficar de pé a aula inteira sendo cobaia do professor!

Engraçadinho…

Eu sei que sou

Logo que terminou a aula de DCAT fomos direto para o próximo treino de quadribol. Estávamos na quarta-feira e o jogo seria no sábado de manhã… Todos já estavam ansiosos.

– Não se preocupem já ganhamos tantas vezes da lufa-lufa que dessa vez não será diferente. – eu disse animando o time.
– Mas estamos com um desfalque! – disse o goleiro.
– Que desfalque? Estou vendo todas as posições ocupadas. – eu respondi.
– Sinto muito Tiago, mas não acho que a Lily está pronta para enfrentar um jogo de verdade. – disse a Marlene chateada.
– Que história é essa? É claro que ela está pronta! – eu disse no mesmo instante.
– O apanhador da Lufa-lufa é muito bom, já ganhou uma vez de você! – disse a Kely.
– Eu deixei que ele ganhasse! – afirmei.

Afirmou uma grande mentira! Você ficou reclamando dessa derrota por mais de mês!

Às vezes temos que fingir perder para que o outro possa pensar que ganhou!

Falou demais e acabou não falando nada útil.

Não ligue Aluado eu estou aqui para que os leitores não se iludam… Tiago Potter é um mentiroso!

Pulando as brigas sem fundamento do Almofadinhas e do Aluado eu volto para a minha história:

– Converse com a professora Mcgonagall, talvez ela deixe você jogar! – disse a outra artilheira.
– Está maluca? A Lily está mais do que pronta. Se ela não ganhar juro que viro gay! – eu disse, mas acho que exagerei, a Lily não estava tão bem assim.
– Isso não vale… Veado você sempre foi, só iria precisar assumir. – reclamou o Sirius marotamente.
– Vou fingir que você não disse isso ou ficará no banco no próximo jogo! – eu respondi fingindo estar sério.
– É bom que você ganhe Evans… Ou Hogwarts inteira vai para cima de você. Onde já se viu colocar a honra de um homem em risco! – disse uma menina quando chegamos no campo de quadribol e a noticia se espalhou.

A Lily ficou vermelha de raiva e foi para um lugar mais afastado no campo.
Infelizmente eu tive que ir falar com ela.

Infelizmente? Eu vi o sorriso que você deu quando estava indo de encontro com a ruiva!

Certo… Eu estava feliz! Infelizmente não tinha conseguido esquecer aquela doida e já até tinha feito as pazes com ela, então não me custava nada tentar conquistá-la.

É assim que eu gosto de ouvir!

Nosso menininho está crescendo…

Pare de drama Sirius!

Fui até a Lily e me sentei ao lado dela:

– Não vai colocar minha vida promissora de mulheres, casamento e filhos por água a baixo, não é? – eu perguntei fazendo o maior drama possível.

Também… Temos um palhaço entre os marotos!

Mas era essa a intenção…

Ela começou a rir da minha encenação exagerada.

– Não se preocupe, Potter, seus filhos chatos e metidos vão ser do seu próprio sangue! Não vai precisar virar gay! – respondeu ela rindo.
– Chatos e metidos? – perguntei fingindo estar chateado – Por quê?
– Com o pai que tem… Está na cara que eles vão ser muito chatos… – respondeu a Lily ainda rindo.
– E a mãe não conta? – eu perguntei.
– Claro que conta, mas o seu casamento não vai ser algo do tipo: “até que a morte os separe”.
– E posso saber o motivo? – perguntei surpreso. – O dia que eu me casar vai ser com a mulher que amo e não vou largá-la por nada.
– Não disse que você iria largá-la. Quis dizer que ela iria largar você! Ninguém deve te agüentar por mais de vinte e quatro horas. – respondeu a ruiva rindo ainda mais.
Acho que fiz a maior cara de bobo!

Você tem cara de bobo!

– Mentira! – eu disse depois de me recuperar do choque. – O Sirius me agüenta muito mais que isso. – eu respondi confiante.
– Então se case com ele! – ela respondeu agora com a mão na barriga de tanto rir.
– Merlin me livre desse destino! – eu disse fazendo sinal da cruz como os trouxas fazem.

Imaginem a cena…

Aluado está andando demais com o Sirius…

Que nada! Só estou andando de menos com a Lily…

Não teve graça a piada!

É porque não era uma piada!

– Mas vamos jogar quadribol? – eu perguntei depois de me recuperar do susto de ter o Sirius como esposa.
– Demorou para perguntar! – ela respondeu no instante seguinte com um lindo sorriso.

Assim que subi na vassoura para acompanhar a Lily no treino, vi que o Sirius deixou a bola cair no chão.

Fiquei realmente nervoso naquela hora:

– Sirius! – gritei.
– Ferrou! – ele disse, mas eu escutei.

E tinha ferrado mesmo. O Tiago é muito chato como capitão. Ele fica nervoso!

– O objetivo do treino é não deixar a bola cair! – eu gritei nervoso para o Sirius.
– Foi mal Tiago, mas foi um acidente.
– Imagine um acidente desses no meio do jogo! Não pode acontecer!
– Mas é só um treino. Você nunca me vê fazendo isso. – gritou o Sirius em resposta do outro lado no campo.
-É por nunca ver que você está no time! – eu respondi irritado.
– Tiago se acalme! – pediu a Marlene. – A culpa foi minha!
– Não tente me enrolar… Eu vi o que aconteceu! – eu disse quase soltando fogo pela boca.
– Certo, não vai se repetir. – disse o Sirius dando a conversa por encerrada.
– O que vocês estão olhando? Por que não estão treinando? Kely passe mais essa bola! – eu disse antes de ir até onde aquela cabeleira ruiva estava.
– Não acha que exagerou? – perguntou a Lily assim que me aproximei.
– Não! – respondi nervoso.

E com um bico enorme!

Estava parecendo uma criança contrariada!

Não estava não!

Estava sim!

– Vamos ou não treinar? – ela me perguntou com uma das mãos na cintura.
– Vê se você consegue ganhar de mim! – eu disse piscando um dos olhos e me afastando dela para procurar o pomo.
– Vai ser assim o treino? – gritou ela para mim.
– Ganhe de mim e faço o que você quiser por uma semana! – eu gritei com um sorriso maroto.
– Até virar um CDF e fazer meus deveres? – perguntou ela desconfiada.
– Até! – eu respondi.
– Até fazer uma declaração gay para o Snape no salão principal? – perguntou ela com uma cara de: “agora você vai recusar”
– Até isso! – eu respondi confiante.
– Se o jogo dependesse só da sua confiança já teríamos ganhado. – ela disse rindo.
– Lição número um: Confie em si mesmo! – eu disse sorrindo gentilmente e já saindo em um mergulho por ter avistado o pomo perto do gramado.

Coitada da Lily, nem dei chances para ela pegar o pomo. Assim que ela começou a mergulhar eu agarrei o pomo e fui até ela.

– Perdeu uma chance! – eu disse sorrindo e passando as mãos pelos cabelos.
– Não valeu. Você trapaceou. – ela me disse emburrada.
– Então vamos de novo! – eu disse soltando o pomo. – Então… Quando teremos ronda juntos novamente? – eu perguntei para passar o tempo para dar tempo do pomo sumir de vista.
– Vai demorar, Potter. – ela respondeu ainda observando o pomo se afastar.
– Olhe para mim e não para o pomo. No jogo você não vai saber onde ele está, então no treino também não pode saber. – eu disse pegando levemente no rosto dela e a fazendo olhar para mim.
– Mas terei você para me dar uma dica… – ela disse sorrindo sedutoramente.
– Se eu fizesse isso seria trapaça, então estaríamos perdendo de qualquer jeito. – eu respondi docemente.
– Mas você é do meu time… Qual a diferença da Marlene me dizer onde está o pomo ou você me dizer? – ela perguntou com uma expressão de dúvida no rosto.
– A diferença é que eles estão no jogo e eu estou assistindo. – eu respondi com um sorriso enorme.
– Mas você é o capitão! – ela me disse revoltada.
– Capitão ou não eu não estou no jogo e não poderei te ajudar! – eu respondi passando as mãos pelos cabelos novamente.
– E como vou fazer? – perguntou ela chateada.
– Vai fazer igual agora. Vai procurar o pomo. – eu disse já me afastando para procurar o pomo.

Mais uns dez minutos e eu já estava com o pomo novamente entre meus dedos.

– Foi trapaça dessa vez? – perguntei rindo quando me aproximei dela.
– Não, mas eu quero revanche! – ela disse levemente irritada.
– Você é quem manda! – eu disse soltando o pomo novamente.
– Já arrumou quantos encontros para o passeio em Hogsmead? A Marlene me disse que vai sair com quatro rapazes.
– Então ela ganhou do Sirius. Ele vai com três meninas e eu vou com uma da corvinal. E você vai com o Victor? – eu perguntei tentando parecer casual.
– Fiquei de dar a resposta para ele ainda hoje. – ela me disse começando a ficar com a face rosada.
– E você vai? – perguntei evitando olhar para ela.
– Não sei. O que você acha? A Lene disse para eu não ir não! – respondeu a ruiva já rubra de vergonha.
– Acho que deveria ir. Vai se divertir um pouco… Ele é safado, mas parece ser gente boa. – até hoje não acredito que eu disse para a minha musa sair com outro.
– Vou pensar. Tenho mais algum tempo antes de responder. – ela me disse sorrindo encabulada.

A única vez que a Lily chegou perto de pegar o pomo eu simplesmente a enganei indo para o lado errado e peguei o pomo antes.

Depois de um longo banho pensando na besteira que falei para ela eu fui para o salão principal jantar.

– Que cara é essa Pontas? – me perguntou o Remo assim que me sentei.
– Acredita se eu disser que disse para a minha ruivinha sair com o panaca do Victor? – eu perguntei irritado e chateado.
– Eu disse que ele estava assumindo seu lado veado para o mundo! – o Sirius zoou do outro lado da mesa.
– Cervo! E eu não sou gay. Mas não sei o que me deu para responder isso…
– Orgulho! – respondeu o Remo.
– Orgulho? – perguntei sem entender.
– Você ficou com o orgulho ferido quando ela te falou que iria com outro sendo que você a chamou tantas vezes… – respondeu o Aluado calmamente.
– Deve ter sido isso mesmo. – eu respondi cabisbaixo. – Será que se eu falar que pensei melhor ela não sai com ele?
– Não custa tentar! – respondeu o Sirius dando de ombros.
– Eu vou lá falar com ela. – eu disse já me colocando de pé.
– Espere pelo menos a coitada terminar de comer… – disse o Remo já me puxando para sentar de novo.

Acho que mal comi pensando no que iria dizer para a Lily e como ela poderia reagir.

Assim que ela e a Marlene levantaram da mesa para irem para o salão comunal eu me levantei também e fui ao encontro das duas.

– Perdido Tiago? – perguntou a Marlene quando eu parei no meio do corredor para localizar as duas em meio a muvuca de estudantes.
– Estava procurando as mulheres mais bonitas desse castelo. – eu respondi sorrindo e passando as mãos pelos cabelos.
– E as encontrou? – perguntou a Lily olhando para os lados.

Acho que ela não percebeu que eu estava falando delas.

– Claro que ele encontrou. Ele está falando conosco. – respondeu a Marlene rindo.
– Exatamente. – eu disse quando a Lily fez uma cara de quem não acreditou nas palavras da amiga.
– E a que devemos a honra? – perguntou a Marlene rindo.
– É que… Sabe Lily…
– Evans! – ela disse calmamente
– Lily… – eu insisti. – É que você tinha me feito uma pergunta lá no campo e pensando melhor eu mudei de idéia sobre meu conselho. – eu respondi meio enrolado com as palavras.
– Dá para ser mais especifico, Potter? Eu realmente não sei do que você está falando. – ela me respondeu pensativa.
– Você disse que não sabia se iria com o Victor no passeio, e eu te disse que seria uma boa você ir… – comecei, mas a doida da Marlene me interrompeu.
– Você o que? – gritou ela surpresa fazendo os poucos alunos no salão comunal olhar para mim.
– Ele me disse que seria legal ir com o Victor. Que ele parecia ser um cara legal. – respondeu ela normalmente.
– Você estava drogado? Tinha tomado alguma poção que te fez mal? – perguntou a Marlene me sacudindo.
– Não, eu só não tinha pensado direito… – eu respondi chateado.

Como eu tinha sido burro de falar para a minha ruivinha sair com outro!

Ainda bem que você sabe…

– E mudou de opinião? – perguntou a Lily com uma expressão indecifrável.
– Não é isso… É que você encontra alguém melhor que ele. – eu disse passando as mãos pelo cabelo nervoso.
– Como quem? – ela me perguntou.
– Oras… Como eu é claro. – eu respondi tentando não parecer convencido, mas acho que não deu certo. Ser convencido está no sangue já!

Vocês dois são convencidos e nunca vão deixar de ser…

Não sou convencido. Sou realista!

Convencido!

Realista…

Não vou discutir essa questão.

– Não acredito que você seja melhor. – ela respondeu.
– Sou mais inteligente que ele! – eu disse.
– Não é. Ele tem melhores notas… – respondeu a Lily
– Mas ele se mata de estudar para tirá-las e eu não! – eu respondi.
– Verdade. Um ponto para o Tiago! – disse a Marlene rindo.
– Ele é mais simpático! – disse a ruiva.
– Mentira. Eu sou mais popular que ele, então minha simpatia é maior. – eu respondi.
– E mais um ponto para o Potter. E Potter está na frente com dois pontos a zero. – narrou Marlene como em um jogo de quadribol.
– Ele é mais atencioso que você! – ela me disse ignorando totalmente a Lene.
– Ele sabe que quando você está triste você se tranca no quarto para que ninguém te veja chorar? Que você gosta tanto da lua que é capaz de passar a noite inteira acordada só admirando ela? Que quando está ansiosa você fala sem parar? Que quando está nervosa você se enfia em um livro para tentar se distrair com os estudos? E quando está preocupada fica fazendo cachos nos cabelos mesmo sabendo que eles vão se desmanchar assim que você soltar a mecha? Que sua comida preferida é um grande prato de batata frita? Que você prefere passar frio do que calor? Que… – eu perguntei me lembrando dos detalhes que tinha observado na minha ruivinha por tantos anos.

A Lily ficou com a maior cara de boba e de surpresa na minha frente por algum tempo até que a Marlene resolveu falar:

– Ele com certeza é mais atencioso. – respondeu minha amiga morena.
– Certo… Você é mais atencioso, mas ele é muito mais bonito. – ela me disse logo depois que a Marlene se calou.
– O que não gosta no meu corpo perfeito? Os óculos? O cabelo bagunçado? – eu perguntei rindo.
– Ela acha que seus óculos te dão um ar sério e fica perfeito com o jeito brincalhão que seu cabelo traz. – respondeu a Marlene como se não tivesse falado nada de mais.
– Marlene! – reclamou a ruiva.
– O que foi? Só repeti o que você me disse um dia desses! – respondeu a morena dando de ombros.

A Lily ficou vermelha na mesma hora.

– Então vai ou não sair comigo? – perguntei poupando o trabalho a ruiva de sair dessa enrascada.
– Não! – ela respondeu.
– Por que não? – perguntei cabisbaixo.
– Por vários motivos. Vai querer que eu cite todos eles como faço sempre ou você já sabe?
– Já sei! – eu respondi irritado, me lembrando do discurso dela: “galinha, egocêntrico, metido, arrogante…”.

Eu fui em direção ao salão dos monitores e logo a Marlene surgiu pela porta e sentou ao meu lado no sofá.

– Não liga não. Ela estava mentindo. – disse a Marlene de repente.
– Como? – eu perguntei sem entender direito.
– Ela não sai com você porque já deu a resposta para o Victor e ela nunca voltaria atrás em uma decisão. Ela ficou bem chateada quando você disse para ela sair com ele.
– Mas ela me odeia! – eu disse revoltado.
– Ela te ama. Só que ainda não admitiu para ela mesma.
– Não ajuda em nada! – eu disse ainda irritado.
– Claro que ajuda. Ela já esta vendo que sente ciúme de você, mas ainda não entende o porquê. Mais alguns dias e vocês já estarão namorando.
– Igual você e o Sirius?
– O que tem nós dois? – perguntou a Marlene confusa.
– Vocês se amam, mas nenhum dos dois admite! – eu disse normalmente para ela, mas rindo por dentro.

A Marlene fez a maior cara de indignada que já vi.

– Eu não amo o Black! – ela respondeu quando se recuperou.
– Ama sim, e ele te ama também. Só estou pensando… Quem será que vai admitir primeiro?
– Só se for ele, pois eu não sinto nada pelo Sirius. – disse a Marlene saindo nervosa do salão dos monitores.

Minutos depois a Lily entrou:

– O que você disse para a Marlene? Ela está nervosa…
– Só disse a verdade. – eu respondi não querendo entrar em detalhes.
– Que verdade? – perguntou a Lily se sentando no sofá a minha frente.
– Que ela e o Sirius se amam e nenhum dos dois admite. – eu respondi.
– Que tal uma aposta? – perguntou a Lily.
– Que tipo de aposta? – perguntei desconfiado.
– Aposto que faço a Marlene admitir que ama o Sirius antes de você convencer o Sirius a dizer. – ela me disse sorrindo encantadoramente.
– E o que eu ganharia com essa aposta? – perguntei curioso.
– Além de ver os dois finalmente felizes? – perguntou ela rindo.
– Além disso,… – eu respondi sorrindo também.
– Não sei… O que você quer? – ela me perguntou.

Pergunta tentadora, devo acrescentar.

– O que eu quero não ganharia em uma aposta. – eu respondi optando por dizer na cara dela que queria ela como prêmio, afinal ela poderia encarar de forma errada e ficar com raiva.
– Vamos Potter… Vai ser divertido… – ela me disse.
– Te ajudo e fazemos uma aposta valendo algo material… Uma bala, por exemplo. Não quero apostar coisas muito comprometedoras. Já estou em uma aposta muito delicada com o Sirius.
– Delicada? – perguntou ela desconfiada.
– Vamos dizer que se eu perder o expresso Hogwarts vai ver um lindo moreno gostoso desfilando sem roupas.
– Está de brincadeira, não é? – ela me perguntou rindo.
– Estou falando sério, mas o lado bom é que se eu ganhar quem paga o mico é o Sirius.
– E se empatar? – ela perguntou pensativa.
– Quase impossível, mas se acontecer fazemos alguém pagar a aposta… – eu respondi com um sorriso maroto.
– E posso saber que aposta é essa que te faria andar sem roupa no trem? – perguntou ela pensativa e logo ficou vermelha como um pimentão.

Ela deve ter me imaginado nu… Deve ter sido uma cena tão maravilhosa para ela que ela ficou sem jeito…

Melhor eu nem dar ouvidos.

– Infelizmente não, mas se esses dois cabeças duras admitirem que se amam logo eu tenho mais chances de ganhar…
– Apostaram a Lene? – perguntou ela surpresa.
– Não exatamente. Sirius não a considera uma aposta, é só uma maneira dele me pedir ajuda com ela. – eu respondi pensando bem nas palavras usadas.
– Vocês têm um jeito estranho de pedir ajuda… – ela respondeu rindo.
– Os homens não são como as mulheres que pedem ajuda, homens têm mais orgulho! – eu expliquei.
– Homens são burros isso sim, mas vai ou não me ajudar com a Marlene?
– Uma barra de chocolate como ganho de você! – eu disse.
– Fechado Potter, mas tem que provar que ele admitiu.
– Ele precisa dizer na sua frente ou para ela? – eu perguntei pensativo.
– Não, se me mostrar uma lembrança dele admitindo já está bom. – ela respondeu.
– Perfeito. Vá comprando o chocolate quando for com aquele idiota em Hogsmead, pois eu vou vencer. – eu disse tentando sorrir, mas ao me lembrar que ela iria sair com outro fiquei furioso novamente.
– Nunca perdi uma aposta! – ela me disse sorrindo triunfal.
– Pois está na hora que aprender a perder. – eu respondi sorrindo.

Essa semana se passou rapidamente e logo chegou à manhã do jogo de Quadribol.

O tempo estava ótimo para jogar, um sol gostoso que não iria atrapalhar a Lily, não tinha muito vento, nem nada que dificultasse a visão.

Acordei animado, me encontrei com o pessoal no salão comunal e descemos juntos para o salão principal, nos sentamos ao lado de time e comemos por lá. A grifinória estava na maior agitação. Coros gritando “Grifinória é a maior” estavam presentes toda hora durante a refeição.

– Vocês não estão atrasados? – perguntou a professora Mcgonagall para mim.
– Já? – eu perguntei espantado.
– Vocês têm meia hora para entrar em campo. – ela respondeu levemente irritada.
– Time! – eu chamei. – Todos para o vestiário. – e me levantei seguido do time da grifinória.
– Boa sorte! – desejou a professora Mimi.

Sorri para ela e saí rumo ao vestiário.

Depois de todos estarem vestidos, eu fui dar as últimas recomendações.

-… E façam um bom jogo. Estarei na arquibancada, mas vou dar algumas dicas! – eu disse feliz e chateado ao mesmo tempo. Primeiro jogo do ano e eu não iria participar.
– Você vai entrar em campo conosco? – perguntou a Marlene.
– Vou. Tenho que apertar a mão do outro capitão, essas coisas chatas… – eu respondi pegando a vassoura.
– Não te deixaram ficar no campo? – perguntou a Kely.
– Infelizmente não, por mais que eu tenha perturbado a McGonagall essa semana ela não deixou.
– Vamos então? – perguntou o Sirius empolgado.
– Podem me dar um minuto gente? – eu perguntei quando todos se levantaram.
– Claro! – respondeu o time.
– Lily podemos dar umas palavrinhas antes de você ir lá? – eu perguntei receoso.

Ela se levantou e me acompanhou até os armários.

– Tem um calmante aí? – ela me perguntou rindo nervosa.
– Relaxa! Se você não relaxar não vai conseguir achar o pomo! – eu disse sorrindo gentilmente.
– Eu sei Tiago, mas estou nervosa… Nunca fui apanhadora!
– Você vai ser sair melhor que eu. – eu disse sorrindo.
– Vindo de você isso é um grande elogio! – ela brincou.
– Não tenha duvidas! – eu respondi tentando deixá-la mais calma.
– E alguma recomendação capitão? – ela perguntou sorrindo um pouco nervosa.
– Cuidado com aquele cara. Não é só porque ele te acha linda que vai pegar leve com você!
– Mas…
– Lily… Não quero te assustar pelo contrário quero que nada te aconteça, mas as coisas não são como nos treinos. O Sirius e a Marlene não jogavam balaços em você para te matar ou te derrubar da vassoura, eles simplesmente estavam te atrapalhando. O pessoal da Corvinal não vai pegar leve com você só porque você é uma novata.
– Promete que não vai me deixar cair da

vassoura? – ela perguntou me abraçando preocupada.
– Prometo que não vou deixar você se machucar muito. O que estiver ao meu alcance eu vou fazer. Se precisar de algo me faz um sinal que eu peço tempo e eles param o jogo por cinco minutos.
– Acha mesmo que estou pronta? Não sei, melhor eu não jogar…
– Pare de pensar besteiras… É claro que você está pronta. Nunca mais diga isso… Lembra-se da primeira regra para ganhar um jogo? – eu perguntei ainda a abraçando forte.
– Não cair da vassoura? – ela me perguntou rindo.
– Também… – eu respondi rindo com ela. – Mas me referia a ter confiança. Sirius e Marlene vão te ajudar e eu estarei torcendo por você! – eu disse dando um beijo na testa dela.
– Desculpe atrapalhar o casal, mas temos cinco minutos para entrar ou perderemos por não comparecer. – disse o Sirius rindo da nossa cara.

Nos separamos na mesma hora, montamos nossas vassouras e saímos é para o campo.

-… E lá vem o time da grifinória. O capitão Potter não parece tão feliz assim. – narrou Jordan.
– Jordan, o jogo! – advertiu Mcgonagall.
– Capitães apertem as mãos. E eu quero um jogo limpo! – disse a juíza.
– E Potter vai para arquibancada, é a primeira vez que ele não joga desde ter entrado para o time. E os Corvinais estão confiantes, parece que Potter colocou uma novata para o substituir.
– Jordan! – brigou Mcgonagall.
– E começa o jogo… Grifinória com a posse da goles, Mrght passa para Jakson, Jakson devolve a bola e é ponto para a grifinória.
“Corvinal com a goles… Ferraz passa para Klamo que é atingido por um balaço de Black e perde a goles. Mrgth recupera a posse da goles…

Eu já estava nervoso na arquibancada. Assistir o jogo é muito ruim. A gente fica mais nervoso do que no campo.

O Tiago não parava de xingar o pessoal do outro time!

– Parece que a Evans avistou alguma coisa… – narrou Jordan. – Sim, senhoras e senhores Evans está subindo, e Pravrat segue a moça. – uma pausa onde ninguém nem ousou respirar. – Parece que Haj está disposto a derrubar a ruiva da vassoura! E o capitão Potter entra em pânico na arquibancada quando Evans se desequilibra e quase cai da vassoura. E parece que perderam o pomo de vista.
“Grifinória com a goles… Manobra espetacular dos artilheiros e mais dez pontos para a Grifinória. Setenta a vinte para a grifinória.”
” Corvinal com a goles… O que o Potter está fazendo? Parece que a namorada dele precisa de uma água!”

– Narre o jogo Jordan! – pediu Mcgonagall mais uma vez.
– E é tempo para a Grifinória! – gritou Jordan – E vamos para as fofocas do dia… – depois não ouvi mais o que ele disse, pois logo o time inteiro já estava no campo ao meu lado.
– Boa jogada! – eu disse para os artilheiros. – Joguem pela direita eles estão com uma defesa fraca daquele lado.
– Pode deixar! – assentiram.
– Frank! Ótimo trabalho! Parabéns, suas defesas foram espetaculares… – eu disse para o goleiro.
– Obrigado! – me agradeceu.
– Sirius e Marlene, estão fazendo um ótimo trabalho, mas ainda não está perfeito. A Lily não tem muita experiência com os balaços…
– Já entendemos! – respondeu o Sirius se afastando para ir combinar estratégias com a Marlene.
– Água? – ofereci para a Lily.
– Estou tão mal assim? – perguntou ela depois que bebeu um pouco.
– Está indo muito bem, mas fique mais esperta quando estiver atrás do pomo. – eu aconselhei.
– Olha o casal da namorados estão trocando estratégias… – começou Jordan se referindo a mim e a Lily.

Sorrimos envergonhados, mas não dissemos nada.

– Está mais calma? – eu perguntei para ela depois de alguns instantes.
– Eu juro que se acontecer alguma coisa comigo eu mato você! – ela me disse tentando ficar séria.
– Não vai conseguir. – eu respondi.
– Não conseguiria fugir de mim por tanto tempo. – ela me disse.
– Não vou me esconder. É que se acontecesse algo com você eu mesmo me mataria.
– Exagerado… – ela comentou rindo.
– E o tempo da grifinória acabou. – disse Jordan me atrapalhando com a ruiva novamente.
– Boa sorte! – eu disse para ela piscando o olho direito.

Voltei para a arquibancada enquanto o jogo recomeçava.

O jogo estava fácil como de costume para o nosso time, mas nada fácil para a Lily. Uma vez quase que a corvinal pega o pomo, mas a Lily foi para o outro lado e enganou o cara.

A Lily é bem esperta!

Por isso é a minha garota!

E ele está viajando nas idéias novamente…

A pior hora do jogo foi essa:

– E a única salvação da corvinal é o pomo de ouro. O placar marca 200 a 60 para Grifinória. – narrou Jordan.
– Lily! – eu gritei vendo o pomo perto do gramado.

Ela pareceu ter escutado eu a chamando, pois olhou para os lados, mas voltou sua atenção para o campo novamente.

– Vamos lá! – eu disse para mim mesmo.
– Achou o pomo? – perguntou o Remo do meu lado.
– Aham! A Lily precisa ver também. – eu disse já angustiado.
– E parece que Evans viu alguma coisa perto do gramado e dá um mergulho. Será que dessa vez a ruiva agarra o pomo?

A maior perseguição começou. Logo o apanhador de Corvinal já estava a alcançando e ela seguia o pomo com a vassoura quase rente ao chão, passou por trás das arquibancadas, subiu um pouco, desceu novamente, mas não conseguia a velocidade necessária.

De repente os balaços começaram a surgir para cima dos apanhadores e a Lily estava desviando dos balaços e tentando ganhar velocidade, o que nunca aconteceria se ela continuasse a se mexer tanto.

– E o pomo está dando o maior olé nos apanhadores. Black está disposto a derrubar Nond da vassoura. – narrou Jordan.

E foi quando aconteceu:

– Evans está a centímetros do pomo parece que grifinória vai ganhar de lavada! E o pomo está subindo novamente, com os apanhadores o seguindo, e Mrgth marca mais dez pontos para a Grifinoria.
“E Evans pega o pomo senhoras e senhores! Parece que Potter não se enganou ao colocar a ruiva atrás daquele pomo. Vitória esmagadora da grifinória 360 a 90.
Mas o que o…? Parece que tem um balaço na direção da nova apanhadora que parece não ter percebido. Ela viu o balaço, mas mesmo tentando desviar ela foi atingida no cabo da vassoura e perdeu o controle. Alguém faça alguma coisa! – narrava Jordan, e ninguém mais respirava.

– Alvo… – a Mcgonagall disse.
– Não se preocupe! Ela já tem um…- ouvi o Dumbledore dizer quando passei voando por eles para pegar a Lily.

Na hora que vi o balaço indo na direção da Lily eu fiquei desesperado, principalmente por que ela não tinha visto e parecia que ninguém mais também.

– O que foi Tiago? – me perguntou o Remo quando comecei a colocar a capa e pegar a vassoura.
– Olha! – eu apontei já abrindo espaço para subir na vassoura.
– Mas não é mais fácil alguém do time ir lá? – perguntou o Remo.
– O time já está no chão. – ele disse preocupado mostrando o time inteiro correndo para a torcida.

Foi quando todos repararam o balaço quase atingindo a Lily e ela também se deu conta do ocorrido e tentou desviar, ainda bem, pois senão ela teria sido atingida na costela.

Montei na minha vassoura e sai voando em a direção da Lily. Voei ainda mais rápido quando ela se desequilibrou e começou a cair em queda livre.

– É o Potter naquela vassoura? – perguntou o Jordan. – Parece que Potter foi salvar sua companheira de equipe…

Voei o mais rápido possível e para meu alivio consegui pegar a Lily ainda no ar, mas ela estava desacordada, acho que foi o choque.

Não pensei duas vezes a assim que aterrissei arrumei a Lily nos meus braços e sai correndo para a enfermaria.

– Mas o que… – começou a enfermeira.
– Acidente no quadribol. – eu disse.
– Já estava esperando por alguém. Nunca vi um jogo que pelo menos um jogador não saísse machucado. – a enfermeira me explicou indicando a cama arrumada.
– E ela vai ficar bem? – eu perguntei preocupado.
– Mas é claro que vai ficar bem. Vou examiná-la para ver o que houve.
– Ela caiu da vassoura, mas a peguei ainda no ar e ela estava desacordada. – eu expliquei na mesma hora.
– Obrigada pela explicação, mas ainda preciso examiná-la. Com licença! – disse ela fechando o cortinado da cama.

Fiquei longos minutos esperando e logo o time junto com a Mcgonagall já estavam lá comigo.

– Como ela está? – me perguntou a Marlene.
– Não sei ainda. – eu respondi cabisbaixo.
– Pelo menos o filho de vocês vai ser um ótimo apanhador, os pais são muito bons nisso! – brincou o Sirius.
– É talvez… – eu respondi sorrindo.
– Porque ele ganha um talvez e eu sempre ganho um não vou ter filhos com ela? – perguntou a Marlene revoltada.
– É a vida Lenezinha! – disse o Sirius rindo.
– Você a salvou, Potter. – me disse a professora com um singelo sorriso no rosto.
– Prometi a ela que ficaria tudo bem… – eu disse chateado. – Mas não cumpri com a minha promessa.
– Claro que cumpriu! – escutei a voz da Lily e me virei para olhá-la.

Ela estava deitada na cama me olhando.

– Parabéns Lily! – disse o time no mesmo instante enquanto eu a olhava. – Uma ótima apanhadora… Ganhamos!
– Eu sou demais. A melhor apanhadora da grifinória. – ela disse com um sorriso fraco.
– Acho que ser convencido é algo dos apanhadores… – comentou a Marlene rindo.
– O que ela teve? – perguntou a professora para a enfermeira.
– Só estava em choque. Dei um calmante e logo ela poderá voltar para o salão comunal.
– Certo… A festa não é aqui. Todos podem voltar para o salão comunal. – disse a professora.

O time inteiro, com exceção dos marotos, Marlene e eu seguiram o que a professora disse.

– E vocês? – perguntou a professora.
– Vamos ficar até a Lily poder sair. – respondeu o Sirius.
– Muita gente. Fiquem dois de vocês, no máximo! – disse a enfermeira irritada. – E não façam bagunça.
– Podem ir gente. Logo eu vou também! – a Lily disse toda gentil.
– Eu vou ficar! Só saio daqui quando você for comigo! – eu disse na mesma hora.
– Nada mais justo. – disse o Pedro em minha defesa.
– Eu também fico! – disseram a Marlene e o Sirius juntos.
– E lá vão eles brigar… – cochichou o Remo para mim e para a Lily.
– Gente! – disse a Lily na hora que os dois abriram a boca para discutir. – Por que vocês não vão se agarrar por aí para comemorar a vitória? Eu estou ótima. – ela disse sorrindo enquanto Remo, Pedro e eu nos segurávamos para não rir da cara dos dois.
– Não vou me agarrar com ele/ela. – disseram juntos cruzando os braços nervosos.
– Mas como são teimosos… Se beijem logo! – disse a ruiva novamente.
– Beije o Tiago/ Pontas então! – responderam a Marlene e o Sirius juntos.

Essa parte da conversa me interessou muito.

– Não posso beijá-lo com vocês aqui. – respondeu a Lily surpreendendo todos.

Todos saíram da enfermaria no instante seguinte, até mesmo a professora.

– Pelo menos eles pararam de brigar. – ela disse quando fecharam a porta.
– Estava falando sério? – eu perguntei com um sorriso enorme!

Ela me ama!

Não acredito que vou perder a aposta!

Quem quer ver o Sirius pelado no trem?

Coitado de mim…

– Estava, mas não vou te beijar do jeito que vocês mentes poluídas estão pensando. – ela disse rindo e eu desmanchei o meu sorriso. – Vem aqui Tiago. Eu queria te agradecer…

Me aproximei dela e ela tocou em meu rosto o trazendo para perto dela.

Pensei que iria ganhar meu primeiro beijo dela…

Você já tinha beijado ela antes.

Mas ela nunca me beijou sem eu ter que tomar a iniciativa!

Buaaa… Vou perder a aposta!

Ela se aproximou da minha boca e desviou me dando um beijo demorado no rosto.

– Obrigada! Não sei o que faria sem você por lá! – ela me disse sorrindo enquanto eu sentava na ponta da cama dela.
– Não foi nada de mais! – eu respondi sorrindo também e ainda sentindo aquela sensação maravilhosa de ter os lábios dela no meu rosto.

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sobre Vanessa Sueroz

Autora dos livros Confusões em Paris, Minha última chance, Odiado Admirador Secreto, Presente de Aniversário, Eu te amo mais e Três Botões.


Obrigada pela visita. Por favor, deixe um comentário com a sua opinião, isso é muto importante para nós.

One thought on “Cap 8) Quadribol

  • Wateru

    Aquela ingrata estava vestida para ME matar. A linda camisola que um dia ela escondeu de meus olhos estava totalmente à mostra. As lindas pernas definidas e carnudas estavam me deixando paralisado. Os cabelos ruivos caídos no sofá faziam um lindo charme com a pele branca da menina. O decote estava saliente me chamando para analisá-lo mais de perto, mas me contive.

    Lily do mal :hot:

    Quote:

    – O que deu em você? – perguntei extremamente confuso. – Vou te levar para sua cama. – eu disse ajudando ela a se levantar.
    – Eu não quero ir para a cama. Quero ficar aqui com você! – ela me respondeu agarrando a minha mão que estava no braço dela.
    – Eu vou ficar com você! Vem… – eu menti levando ela com cuidado para o quarto.

    Lily bêbada? :dogscared:
    só pode :hebe:

    Ai, eles se reconciliaram! :flirt:
    Não do jeito que eu queria :oops2: mas tá bom :porn:

    Vanessa, o que aconteceu? :scared:

    Seu estilo de escrita evoluiu muito do último capítulo para esse :omg: tÔ impressionado com sua evolução, é sério :aah:

    E estou simplesmente adorando a forma como você elabora a narrativa, desenvolve o capítulo. Eu nunca tinha gostado de ler uma long tão long! :olhao:

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