Cap 2. Detenção 3


Mais tarde Lupin e Lílian estavam voltando da sala de transfiguração:

– Senhorita Evans! – chamou Minerva.

– Sim, professora.

– Não sei o que aconteceu com você. Suas notas na minha matéria caíram muito nos últimos dias…

– Estou tendo um pouco de dificuldade em animagia, professora.

– Peça para o senhor Black ou o senhor Potter ajudá-la. Eles são ótimos! – disse Minerva.

– Obrigada pelo conselho, professora, mas prefiro estudar sozinha.

– Você é quem sabe. Mas se suas notas não melhorarem vou ser obrigada a comunicar sua mãe.

– Não será preciso, professora. – disse Lílian.

Depois que a professora Minerva se afastou, Lupin foi logo perguntando:

– Por que não pede ajuda para o Tiago? Ele ficaria muito feliz em te ajudar.

– Não quero saber do Potter. Ele traiu minha confiança. Ele fica mentindo para mim…

– Mentindo? O que ele te disse? – perguntou Lupin preocupado.

– O de sempre. Que me ama. E agora fica tentando me enrolar falando que não foi culpa dele vocês terem pensado que nós passamos a noite juntos…

– Mas vocês passaram a noite juntos… O Tiago contou que você estava com medo dos trovões e não conseguia dormir…

– Ele disse que eu… O quê?

– Que você estava com medo dos trovões. Sinceramente, eu não acreditei nisso. Até onde sei, você até gosta de dias chuvosos…
– Ele não disse nada sobre meus pais? – perguntou Lílian sem entender.

– Não. Por quê? Ele deveria? – perguntou Lupin.

– Remo, você acabou de aliviar a barra do seu amigo. Não acredito que ele não falou nada. – disse Lílian abraçando Remo.

– O QUE VOCÊ PENSA QUE ESTÁ FAZENDO? – gritou Tiago ao ver os dois abraçados. – Como pôde Aluado? A minha ruivinha… Com tantas meninas na escola…

– Sua ruivinha? É Evans pra você, Potter! Evans! – disse Lílian tentando manter a calma. – E mesmo que não seja da sua conta, eu estava agradecendo seu amigo por me informar que você não traiu tanto assim minha confiança, e eu ia te pedir desculpas – disse ela começando a gritar, sem controlar a raiva. – mas você chega já gritando sem motivo. Quem você pensa que é para tentar controlar minha vida desse jeito? – perguntou ela gritando.

Tiago abriu a boca algumas vezes para responder, mas quando achou as palavras certas, Minerva chegou.

– O que está acontecendo aqui? Senhorita Evans? Senhor Lupin? Senhor Potter? Por que tantos gritos? – perguntou ela extremamente aborrecida.

– Me desculpa, professora, eu o e Potter perdemos o controle…

– Vinte pontos a menos para a Grifinória por causa disso e na próxima vez que eu pegar vocês dois brigando desse jeito será uma detenção. – disse ela saindo, mas virou novamente para eles e completou – Senhorita Evans, não esqueça o que te falei. Potter será um ótimo professore e ajudaria a fazer vocês dois se entenderem. – virou-se e saiu.

Lily bufou de raiva e saiu andando.

– Ei Evans! – chamou Tiago.

– O que foi, Potter? Não escutou a professora? Não posso brigar com você.

– Já que não pode brigar comigo, que tal sair comigo?

– Quantas vezes tenho que falar que NÃO! Não quero sair com você. Não vou ser mais uma na sua lista.

– Mas Evans… – começou Potter, mas ela já estava longe para escutar.

– Relaxa, logo ela vai procurar você. Minerva quase a obrigou a te pedir um favor. – disse Remo se colocando do lado do amigo.

– Que favor? – perguntou Tiago curioso.

– Não sei se devo contar… – começou Lupin.

– Pode ir contando, seu lobo solitário.

– Sem chances. Pergunta para a Evans. – disse Lupin saindo de perto do amigo.

– Pode ir voltando aqui. Eu quero saber… – disse Tiago.

– Nem sob tortura. – disse Lupin já correndo do amigo.

– Alguma hora eu te pego, Aluado!

Mais tarde Tiago chegou ao salão comunal com um sorriso maroto.

– O que houve? Sua ruivinha parou de gritar com você? – perguntou Pettigrew.

– Quem dera fosse. Estou querendo aprontar alguma coisa. Alguém tem alguma idéia? Estou precisando me distrair.

– Que tal dar um jeito na gata do Filsh? – perguntou Sirius.

– Um jeito como?

– Não sei… Poderíamos soltar uma bomba de bosta em cima dela. – disse Pedro.

– É, gostei da idéia, mas acho que é melhor deixar para amanhã. – disse Lupin.

– O Aluado está concordando em aprontar? – perguntou Tiago sem acreditar.

– Estou, mas quero que a nossa amiga ruiva de uma detenção para o Pontas. – disse Remo.

– Você quer que eu pegue uma detenção? – perguntou Tiago confuso.

– Mais ou menos. – respondeu misteriosamente.

– Já entendi. – disse Sirius. – Pode deixar que eu falo com a ruivinha. Ela vai adorar dar uma detenção para o Pontas. Só tem um problema. Ela vai suspeitar se o Pontas aprontar sozinho.

– É por isso que você vai levar suspensão com ele. – disse Remo.

– Por que tem que ser eu? Por que você não vai junto, Remo? – perguntou Sirius.

– Por que eu vou tirar você de lá sem que ela perceba. Assim os dois ficam sozinhos. – disse ele e ao ver a cara de dúvida do amigo completou – Sou monitor também, lembra?

– Combinado. – disse Sirius.

– Combinado nada. Se eu pegar uma detenção com a Evans ela vai me matar. – disse Tiago sentando no sofá.

– Deixa isso comigo. – disse Sirius.

– Amanhã, quando eu der o sinal, vocês agem. – disse Lupin.

– Não sei se é uma boa idéia. – disse Tiago.

– Mas não era você que queria aprontar? – perguntou Rabicho.

– Tem razão. Eu sou um Maroto! – disse Tiago.

Enquanto isso, Kely estava conversando com sua amiga.

– Então, você vai pedir a ajuda do Ti? – perguntou Kely.

– Não estou afim, mas tenho que admitir que não estou bem em animagia, e se minha mãe for convocada… Não quero nem pensar!

– Quem sabe eles não chamam seu pai? Você sempre diz que ele é mais legal e que gosta de você ser uma bruxa, ao contrário da sua mãe…

– Kely… Vamos mudar de assunto?

– Claro…

– E então? Você e o Sirius?

– O que tem?

– Sei que você não resiste àquele sorriso. – disse Lily se divertindo com reação da amiga.

– Eu?! Pensei que agora você o chamava de Black.

– Sirius é meu amigo. Só o chamo assim quando estou com raiva dele…

– E o que ele te fez hoje?

– Defendeu o Tiago! – respondeu Lily rapidamente.

– Pensei que fosse Potter. – disse Kely rindo.

– Eu pensei que você pertencesse a Grifinória. – disse a amiga.

– O que quer dizer? – perguntou Kely parando de rir.

– Oras… Se gosta dele, fala logo com ele. Afinal, falta de coragem não pode ser.

– Pensei que achasse impossível Marotos se apaixonarem.

– E ainda acho.

– Então, por que quer que eu fale com o Sirius? – perguntou Kely confusa.

– Porque ele está afim de você. E quem sabe você consiga o impossível… Conquistar de vez um Maroto.

– Desculpe, mas você já fez isso. – disse Kely saindo do quarto e deixando Lily com seus pensamentos.

No salão comunal.

– Vocês deveriam estar na cama. – disse Kely ao ver os Marotos.

– Estamos armando um plano. Quer participar? – perguntou Remo.

– Vão aprontar com quem? – perguntou desconfiada.

– Com a gata do Filch, mas pretendemos ajudar um amigo. – disse Sirius abraçando Kely.

– E que amigo seria? – perguntou ela rindo.

– O Pontinhas, mas se você quiser ajudar outro amigo também…

– O que pretende senhor Black? – perguntou ela se divertindo.

– Pretendo te levar para sair assim que me livrar de uma detenção que vou pegar amanhã.

– Está planejando pegar uma detenção? – perguntou ela sem entender.

– Agora você está começando a entender. – disse Remo sorrindo marotamente.

No dia seguinte todos acordaram cedo para colocar o plano de Sirius em prática.

– Lily, preciso falar com você. – disse Kely.

– Pode falar.

– Aqui não. Vamos para outro lugar.

No sétimo andar Sirius e Tiago estavam só aguardando o sinal de Remo:

– Elas estão vindo. Preparem se. – disse ele antes de sumir.

– Você vai ficar me devendo uma, Pontinhas.

– E você vai me dever uma se isso não der certo. – disse ele soltando a gata.

Minutos depois as meninas se encontram com Remo.

– Bom dia, meninas.

– Bom dia, Remo. – disseram.

– Nossa, que cheiro é esse? – perguntou ele fingindo não saber de nada.

– Parece bomba de… – começou Kely também fingindo não saber do plano.

– Bosta! Quem soltou uma bomba de bosta aqui? – perguntou Lily irritada.

– Não é bem aqui. – disse Kely apontando a gata fedendo.

– Certo, só conheço quatro pessoas que fariam isso. – Disse Lily furiosa.

– Eu não estou nessa, Lily. Vamos atrás deles. Eles estão merecendo uma detenção, quem sabe aprendem? – disse Remo indo na direção de onde tinha deixado os meninos.

Chegando lá os dois estavam sentados no chão rindo.

– O que vocês pensam que estão fazendo? – perguntou Lily nervosa.

– Só estamos nos divertindo, querida Lily. – disse Sirius ainda rindo.

– Você não gostou de ver a gata do Filch assim, meu lírio? – perguntou Tiago parando de rir.

– Vocês são terríveis. – disse Remo.

– Tira logo os pontos deles, Lily. Não agüento esse cheiro. – disse Kely.

– Eles merecem mais que isso. Afinal, tirando pontos nós também acabamos perdendo. – disse Remo.

– O que sugere, Remo? – perguntou Lily desconfiada.

– Não sei. Você é a monitora chefa. – disse ele.

– Detenção para os dois hoje à tarde. – disse ela irritada.

– Para com isso, minha ruivinha. Você sabe que sempre enrolamos o Filch. Vai nos dar detenção para nós termos o prazer de enganá-lo de novo? – perguntou Tiago.

– Você não vai enganá-lo, pois quem vai dar a detenção sou eu e o Remo aqui.

– Por que eu? – perguntou Remo.

– Não foi você mesmo que queria dar uma lição nesses dois? – perguntou Lily.

– Tem razão. – disse Remo.

– Até você vai ficar do lado dela, Aluado? – perguntou Sirius fingindo se ofender.

Lílian virou e saiu puxando a amiga com um sorriso triunfal no rosto.
Enquanto os Marotos tentavam disfarçar enquanto a amiga se afastava.

– Pelo visto, a primeira parte do plano deu certo. – disse Remo.

– Agora vem a parte difícil. – disse Sirius.

– Ela nunca vai te dispensar, Sirius. – disse Tiago.

– Ela não precisa. Só precisa me deixar aos cuidados do nosso amigo aqui. – disse Sirius ainda rindo e apontando Remo.

”Eu consegui!!! Vou dar uma detenção pro Potter… E ele vai se arrepender de ter feito o que fez e ter mexido comigo… Ele não pode brincar com os sentimentos das pessoas assim… Ele vai pagar caro pelo que está fazendo! Eu…”

– Lily? Terra chamando Lily. – chamou Kely tirando a concentração de Lily.

– Hãn?… Fala… – disse ela voltando a si.

– Em que mundo você estava? E que sorriso maroto é esse? – perguntou Kely segurando o riso.

– Finalmente peguei o Potter! Ele e o Sirius vão me pagar hoje à tarde.

– Só não se esqueça de pedir o favor pro Tiago. – disse Kely rindo.

– Ah, é verdade! Tinha me esquecido desse detalhe.

Mais tarde, quando todos foram comer, os Marotos fingiram estar tristes pela detenção, enquanto Lily estava de ótimo humor.

– Nossa Evans, o que ouve para estar com esse ótimo humor? – perguntou Diggory.

– Nada! – mentiu ela. – Só acordei muito bem hoje!

– É, pelo visto ela não desconfiou de nada. – cochichou Sirius para Tiago que abriu um enorme sorriso.

Passado alguns minutos, Lílian resolveu falar com Remo sobre a detenção.

– Estará livre às três horas hoje, Remo? – perguntou ainda sorrindo.

– Estarei, por quê? Está me chamando para sair, senhorita Evans? – perguntou ele rindo enquanto Tiago fechava a cara.

– Ainda não… – respondeu ela rindo. – Estava pensando na detenção desses dois. – disse mostrando Tiago e Sirius que estavam do outro lado da mesa de frente para eles – Você vai comigo?

– Com certeza. Aliais, o Sirius está me devendo uma, então vou pegar pesado com ele hoje. E como você deve estar doida para se vingar do Tiago…

– Vá direto ao assunto senhor Lupin. O que está planejando? – perguntou ela empolgada.

– Nós dois podemos ter uma vingança. Você com o Tiago e eu com o Sirius. O que acha? – perguntou Lupin com um sorriso maroto.

– Afinal, o que o Sirius te fez? – perguntou extremamente curiosa.

– Roubou minha garota. – disse Remo tentando parecer convincente.

– Não acredito que o Sirius fez isso… – começou Lily quase gritando.

– Eu fiz o quê? – perguntou Sirius quando escutou seu nome.

– Você roubou a garota do Remo. Isso é desonroso senhor Black. – disse Kely entrando na brincadeira.

– Você ainda não esqueceu isso, Remo? – perguntou Sirius entendendo a brincadeira.

Tiago e Rabicho se seguravam para não rir.

– Não esqueci. – disse ele fingindo estar nervoso. E se virando para Lílian continuou – E então Lily? Negócio fechado? – perguntou estendendo a mão.

Lílian olhou de Remo para Tiago, depois para Sirius e parou de novo em Remo. Sorriu marotamente e pegou na mão de Remo:

– Negócio fechado. Só que me dê um tempinho com o Sirius também.

– Que tal meia hora? – perguntou Remo.

– Perfeito. – respondeu ela feliz.

– Afinal, o que vamos fazer na detenção? Vamos namorar um pouco, meu lírio? – perguntou Tiago.

– É Evans, Potter! E não… Vocês vão limpar os troféus que semana passada os alunos do primeiro ano fizeram questão de sujar.

– Quem sujou? Eu e Thiago ficaremos horas limpando aquilo… – começou Sirius revoltado.

– Não vem ao caso quem foi… Mas sabemos quem vai limpar. – disse ela rindo e voltando a comer.

– Espero que o seu plano dê certo. Não queremos passar a tarde inteira limpando troféus. – disse Tiago para Sirius entre dentes.

– Você não quer. Eu vou dar o fora com o Aluado depois de meia hora. – disse Sirius rindo e Tiago fechando a cara. – Mas relaxa, Pontinhas… Vai dar tudo certo. Está tudo dentro do plano!

– Espero mesmo que esteja… – comentou Tiago.

– O que disse Tiago? – perguntou Pedro ainda com muita comida na boca.

– Nada não. – respondeu Tiago observando Lílian.

”Meu Mérlin! Como essa ruiva é linda… Mas hoje ela não me escapa… Vou deixar ela com gostinho de quero mais… Ah se vou!”

14h45min do mesmo dia no salão Comunal:

– Cadê a Lily, Kely? – perguntou Tiago.

– Está pegando um livro. Ela disse que vai ler enquanto vocês limpam os troféus. – respondeu a menina voltando a escrever no pergaminho.

– O que você tanto escreve ai, minha querida? – perguntou Sirius tanto ver as anotações da amiga.

– Estou fazendo lição de Poções, meu caro Sirius. Você já fez o relatório sobre sangue de cobra?

– Não! – disse ele dando de ombros.

– E não vai fazer? – perguntou Kely um pouco preocupada.

– Não. Pego do Remo. Em falar nele… Onde aquele lobo foi desta vez? Ele não pode esquecer de me tirar de perto da Lily, se não o plano não dará certo. – disse Sirius olhando para os lados procurando o amigo.

Lily desceu as escadas, distraída com seu livro.

– Nossa… Para quem vai dar uma detenção você está realmente muito linda! – disse Tiago.

– Hãn?… Ah, oi Potter… – disse ela olhando para ele. – Meu Merlin… Como ele está lindo… Esses olhos me fascinam… O que estou dizendo? Eu odeio o Potter!!!

– Então, vamos Evans? – disse ele.

– Cadê o Sirius? – perguntou Lílian.

– Presente! – gritou o menino do outro lado da sala.

– Ótimo. Vamos rapazes. Quero começar isso o quanto antes. – disse ela rindo e dando o braço para os dois.

No caminho da sala de troféus:

– Não acredito… A sangue-ruim da Evans está se revelando! Dois de uma vez… – começou Malfoy

– Acho melhor você sair da nossa frente, Malfoy. – disse Sirius já pegando a varinha.

– Está defendendo a sangue – ruim, Black? – perguntou ele

– Estou defendendo minha amiga. – disse ele já com a varinha em punho pronto para lançar um feitiço.

– Não vê que está em desvantagem, Malfoy? – perguntou Tiago com a varinha em uma das mãos e a mão de Lílian na outra.

– Que meigo! Estou morrendo de medo dos dois. E você sangue-ruim? Não vai fazer nada, como sair chorando, por exemplo? – perguntou Malfoy.

– Não, Malfoy. Vou simplesmente pegar meus dois namorados, como você mesmo disse, e me agarrar com eles em qualquer canto. Não quer vir junto? – perguntou Lílian sem soltar a mão dos amigos e os puxando para longe de Malfoy

Já na sala dos troféus:

– Adorei isso, Lily! – disse Sirius dando um beijo estalado na bochecha da amiga.

– Por que não deixou agente acabar com ele? – perguntou Tiago ainda nervoso.

– Deixem isso para uma outra ocasião… – respondeu ela. – Ótimo, são três horas em ponto. Dêem-me as varinhas. – disse estendendo a mão para pegar as varinhas.

– Tem certeza que não podemos usar magia? – perguntou Sirius galanteador. – Faço tudo que você quiser depois, ruivinha… – disse ele malicioso.

– Vai querer que eu mesma bata em você por causa disso ou posso deixar você se entender com o Tiago aqui? – perguntou Lily pegando a varinha da mão dos dois e se afastando.

– Para bater neles eu sirvo?! – perguntou Tiago inconformado e feliz ao mesmo tempo.

– Tinha que servir para alguma coisa, não é Potter? – perguntou ela sem olhá-lo. – Podem começar, meninos. – disse conjurando dois baldes e panos. – Divirtam-se! – disse entregando os baldes para eles.

Os dois se afastaram e foram começar a limpar os troféus enquanto Lily sentou em um canto, encostou-se na parede e foi ler.

– É bom que seu plano dê certo! – disse Tiago pegando o pano.

– Vai dar, meu caro Pontas… Vai dar… – disse Sirius pegando o primeiro troféu.

A cada dois minutos, Lílian olhava como os meninos estavam indo e se estavam fazendo o trabalho certo, fazendo questão de não querer escutar um único barulhinho da voz deles.

“Caramba! Como ele está lindo… E nossa, que corpo… Foi uma ótima idéia dar água para eles… Olha a camisa do Tiago como está colada… E que peito… O que eu estou pensando? Só posso estar ficando com sono… Estou até pensando besteira…”

Na hora combinada, Remo apareceu e ficou realmente impressionado ao ver que os amigos estavam realmente fazendo a tarefa.

– Como você conseguiu fazer esse dois ficarem quietos desse jeito e ainda fazendo a tarefa? – perguntou Remo chegando.

– Não fiz nada de mais. – disse Lílian dando de ombros.

– E quem é louco de ir contra essa ruivinha quando ela está invocada? – perguntou Sirius.

Lupin riu e resolveu colocar o plano logo em prática.

– Posso levar o Sirius, Lily? – perguntou Remo.

– Não sei não. Está tão divertindo ver Sirius Black quieto e obediente. – disse ela rindo.

– Não vai querer furar nosso trato agora, vai? – perguntou Remo tentando não demonstrar o pânico que estava começando a sentir, afinal se o plano não desse certo, Tiago iria matar ele e Sirius.

– Não… é que como são amigos… Talvez você queira ajudar ele… – começou.

– Você deve estar com sono ruivinha. – disse Remo rindo. – Já te falei. Vou me vingar do Sirius.

– E qual seria a detenção que você vai dar pra ele? – perguntou.

– Sabe aquela área da biblioteca que ninguém entra por não agüentar o pó? – perguntou Remo com um sorriso maroto.

– Ele é todo seu, Remo. – disse Lílian rindo.

– Você não pode estar falando sério, não é? – perguntou Sirius para Lily.

– Por que não estaria? – perguntou Lílian.

– Vocês estão querendo me matar. Limpar troféu é moleza… Mas a biblioteca… Por que não manda o Tiago junto? – perguntou Sirius esquecendo por um momento o plano.

– Até que não é má idéia. – respondeu Lílian pensativa.

Remo e Tiago olharam para Sirius, desesperados, tentando entender o que ele estava planejando.

– Só tem um problema nisso… – começou Remo.

– E qual seria? – perguntou Lílian.

– Não poderíamos os dois se vingar. Não pode dois monitores dar a mesma detenção… – começou Remo.

– Certo. Leva o Sirius logo antes que eu me arrependa. – respondeu Lílian voltando a se sentar no chão.

– Cadê a varinha do Sirius? – perguntou Remo antes de sair.

– Para garantir que ele não vai aprontar nada a varinha fica comigo. Devolvo depois da detenção.

– Certo Lily. – disse Remo sem ter mais o que dizer.

Assim que os dois saíram da sala, Sirius vira para Remo e pede:

– Me empresta sua varinha? Quero ter certeza que eles não vão sair de lá antes de pelo menos um beijo. – disse Sirius.

– O que pretende? – perguntou Remo entregando a varinha.

– Usar o feitiço dos Marotos na porta. – disse Sirius apontando para a porta e fazendo o feitiço.

Plon – a porta bateu.

– O que você fez, Potter? – perguntou Lílian levando um susto com o barulho.

– Como eu ia fazer alguma coisa se não saí do lugar e estou sem varinha? – perguntou ele dando de ombros e voltando a limpar os troféus.

Lá para as 5 da tarde, Lílian levantou e foi tentar abrir a porta…
Ficou vários minutos tentando, até tentou feitiços para destrancar.

– Posso tentar? – perguntou Tiago depois de um tempo.

Lily deu de ombros e voltou a se sentar, só que desta vez não pegou seu livro… Ela ficou observando Potter.

Tiago tentou de tudo: força, jeito e nada…

– Li… Evans, nós precisamos sair daqui.

– Eu sei. Era pra detenção acabar as quatro e meia, só que a porta não abre. – disse ela um pouco irritada

– Que ótimo! Não consigo lembrar mais nenhum feitiço que possa abrir essa porta. – disse Tiago se sentando ao lado dela, que agora estava deitada no chão fazendo desenhos imaginários no ar.

– Tem alguma idéia? Vamos lá! Você é um Maroto… – começou ela.

– Estou pensando Lily… Tenho certeza que foram aqueles dois que fizeram isso. – disse Tiago.

– No mínimo, queriam que nos entendêssemos. – disse ela.

– Então, quem sabe quando fizermos isso eles abrem a porta… – disse quase que para si mesmo. – Lily, me desculpe por aquele dia… Mas não foi a minha intenção… Não falei nada para ninguém… Eu até tentei fazer com que não te vissem… Lembra? Coloquei a capa em você… Só nos descobriram porque estávamos…

– Abraçados? É, percebi! Desculpe-me também Tiago, eu não podia ter gritado tanto com você. Você deveria ter feito alguma coisa para que eu te escutasse… – disse ela rindo.

– Vou me lembrar disso na próxima vez. – disse ele sorrindo.

– Ótimo! Agora que somos amigos… Poderia abrir essa porta? – perguntou calmamente.

– Você está calma de mais para quem está pressa em uma sala com um cara que você diz odiar. – disse ele.

– Não estou calma. Estou com sono. Não dormi muito bem essa noite, se quer saber. – disse ela ainda fazendo seus desenhos.

Tiago abriu a boca para falar algo, mas achou melhor não dizer… Era bem melhor ficarem quietos e juntos do que brigando. Ficou observando-a por algum tempo até escutar risos do outro lado da porta.

– Sei que são vocês… Remo, Sirius! – chamou ele.

– Que droga! Eu falei para você não fazer barulho. – disse Remo para Sirius.

– Ótimo! Qual foi o feitiço que os dois engraçadinhos colocaram na porta? – perguntou Tiago ainda sem tirar os olhos da ruiva.

– Ainda não descobriu, Tiaguinho? – perguntou Sirius rindo.

– Não… – respondeu ele pensativo.

– Pensa bem Tiago… Você conhece esse feitiço muito bem… Você é um Maroto! – disse Remo rindo. – Joga logo, Sirius. Quero acabar essa partida de xadrez! – disse para Sirius.

– Maroto… Eu conheço… – começou a pensar. – Vocês não… – começou ele irritado.

– Até que enfim! – disse Sirius. – Culpa sua, perdi uma aposta. Toma Remo, seus sapos de chocolate.

– Falei que ele ia ficar tão distraído com a ruivinha que nem ia se lembrar do feitiço. – disse Remo rindo.

– Por que você não descobriu isso há cinco minutos atrás? – perguntou Sirius parecendo irritado.

– Eu vou matar vocês dois! Aposto que a idéia foi sua, seu cachorro pulguento! – gritou Tiago se levantando e se aproximando da porta.

– Faz logo o que tem que fazer, seu veado, temos muito que fazer hoje. – disse Sirius. – Ganhei Remo. Xeque mate!

– Eu nunca vou conseguir sair daqui, seus… – começou ele, mas Lílian o interrompeu.

– Posso saber que feitiço é, afinal? – perguntou ela sem se mover.

– É coisa de maroto, meu lírio. E garanto que você não vai gostar de saber. – disse ele se aproximando dela.

– Então, vai fazer o que tem que ser feito ou vai ficar enrolando? – perguntou Remo.

– Eu não tenho pressa. Quando a Lily souber o que é… Ela também não vai ter pressa nenhuma. – respondeu ele voltando a sentar ao lado da ruiva.

– Faz assim… Enquanto vocês discutem, eu vou dormir um pouco. – disse Lily colocando a varinha do lado e levando as mãos à cabeça para usar de travesseiro.

– Não pode ser outra coisa? – perguntou Tiago depois de algum tempo.

– Você é que sabe. Você conhece as regras… Só se apresse temos uma noite cheia com o lobinho aqui. – disse Sirius. – Até o Rabicho já chegou.

– Demorou pra sair daí, Tiago. – disse Pettigrew.

Tiago começou a andar de um lado para o outro da sala.

“Lobinho?… Não acredito! Deve ser lua cheia… Tenho até as seis e meia para sair daqui ou não vai dar tempo… Pensa Tiago… Feitiço dos Marotos: o feitiço só é desfeito com um tipo de prenda oferecida, um sentimento ou ação que todos os participantes não experimentaram juntos ainda, que demonstre o mesmo sentimento de ambos os lados, quanto maior a prenda mais rápido e mais eficiente o feitiço é… Pensa Tiago… Participantes: Lily e eu… Sentimentos: acabamos de ficar amigos e isso nem ao menos mexeu a porta… Ódio não seria… Tenho certeza que ela não me odeia de verdade… e mesmo que fosse, eu a amo… Então, não iria adiantar… Tem o amor… Mas a ruivinha não me ama de verdade… Ou ama?”

”Uau! Ele realmente está preocupado… O que será que tem esse feitiço? Nossa, que sono… Mas como o Tiago fica ainda mais bonito quando está nervoso… A boca dele…”

– Tiago, o tempo está acabando. – disse Remo com a voz fraca.

– Lily, por Mérlin, que horas são? – perguntou ele agachando do lado da ruiva.

– São seis e vinte Tiago. – disse ela olhando no relógio de pulso sem entender por que tanta pressa.

– Lily, me desculpa. – disse ele.

– Desculpar por quê? – perguntou ela ainda sem entender.

– Sabe… Eu tenho uma coisa muito importante para fazer agora e não tenho tempo para pensar em como sair daqui de outro jeito, então… – Disse ele colocando seu corpo em cima do dela, fazendo-a arrepiar-se por inteira e fazendo a porta dar sinais de que logo iria abrir.

– O-o que… – começou ela já indo empurrar ele.

– Estou abrindo a porta. – disse ele prendendo as mãos dela em cima da cabeça dela, e com e outra acariciou o rosto da ruiva delicadamente, fazendo a porta tremer, parecendo que ia explodir a qualquer momento.

– Tiago, o que quer que tenha feito… Ainda não foi o bastante e você está sem tempo… – disse Sirius começando a ficar desesperado.

– Um minuto. Podem ir indo na frente… Logo alcanço vocês. – disse ele para os meninos do outro lado da porta.

”Posso beijá-la… Ela está tão perto… Mas se fizer isso vai ser tão rápido… Se ela corresponder ao meu beijo à porta vai abrir rapidamente e o barulho irá nos distrair… Qualquer coisa que eu fizer com ela a porta irá se abrir… Só de tocar essa pele macia a porta já deu sinal de “vida”… Não vou beijá-la… Sei que ela está correspondendo as minha carícias… Ela está gostando… Vou deixá-la na vontade… Assim como eu sempre fico..”.

”O que ele pensa que está fazendo? E por que me sinto assim quando ele me toca? Que pele… Que rosto… Que boca… Ele está tão próximo… Acho que vai me beijar… Estou ficando louca, mas não vou fazer nada… Não consigo desviar os olhos dos dele… E por que cada vez que ele acaricia meu rosto a porta treme? Não entendo o que está acontecendo… Só sei que não quero que acabe…”

Tiago se aproximou lentamente do rosto da sua ruiva… ela estava ali, indefesa… E ele sabia que ela estava gostando, só que estava sem tempo… Roçou seu nariz no dela fazendo-a tremer, ele sorriu para ela quando sentiu seu corpo tremer com o toque, estava paralisado com seus olhos, e que olhos, aquelas esmeraldas o fascinavam…

– Tiago! Vai… Logo… – disse Sirius se desesperando.

Tiago olhou para suas esmeraldas novamente e murmurou um “desculpa”, e com a mão que estava livre forçou levemente o rosto da ruiva para o lado, quebrando o contato visual que mantinham até então, aproximou-se do pescoço da menina, e que cheiro de lírios, ele estava quase esquecendo o que tinha que fazer, aquele cheiro o fazia esquecer tudo a sua volta, mas não, ele tinha que terminar logo aquilo, mesmo que para sua infelicidade… Encostou seus lábios no pescoço dela, e escutou a porta tremer como nunca, acariciou aquele pescoço, aquela pele, com os lábios, mas quando tocou sua língua naquela pele macia, sentiu sua ruiva tremer e escutou um estouro que parecia ser da porta. Não se importou em levantar logo, sabia que não teria outra oportunidade então continuou a caricia até escutar seus amigos:

– Eu sei que a coisa está muito boa ai, Tiago, mas estamos sem tempo para namoros. – disse Remo que estava muito pálido.

– Uau! Você nem a beijou e a porta quase explodiu. Por Merlin, o que você fez? – perguntou Sirius rindo enquanto Tiago saia de cima da ruiva, sem ter coragem de olhá-la nos olhos.

– Vamos. Estamos sem tempo. – disse ele para os Marotos. – E Lily… – disse sem olhá-la. – Desculpa! – e saiu correndo rumo aos jardins.

Lílian ficou ali deitada sem conseguir se levantar por mais algum tempo… Só pensando no ocorrido.

“Por Merlin! O que foi aquilo? E que cheiro ele tem… E o toque… Sua boca… E que boca! Seus lábios são tão macios… Por que ele não me beijou logo? Ficou só me torturando!!! O que é isso Lílian? Por que você não levanta logo e vai atrás dele tirar satisfação? Por mais incrível que pareça, minhas pernas estão bambas… Ainda bem que estou deitada… Se estivesse de pé, assim que ele me largasse, eu teria caído no chão… Como é possível ele ser tão carinhoso e arrogante ao mesmo tempo? Ser tão seguro e irritante?… Tão… Tão… Potter… Tão… Maroto!!! Lílian Evans pára já com isso! Você não pode simplesmente se apaixonar pelo Tiago… Pelo Potter!! Para você ele é o Potter!! Vamos lá… Honre o sangue Grifinório que você tem… Lílian Evans levante e vá falar com ele… Grite com ele se preciso… Mas beije-o se possível!!”

– Pára! – gritou para si mesma.

– O que houve, Lily? Por que está gritando? – disse Kely entrando. – E o que está fazendo deitada aí no chão? E cadê os Marotos?

– Uma pergunta de cada vez… – começou ela tentando se levantar.

– Nossa, agora eu quero saber o que aconteceu aqui, Lílian Evans! Você está pálida! Está se sentindo bem?

– Estou ótima…

– Pare de mentir. O que o Tiago te fez? – perguntou Kely sem rodeios.

– Ele não me beijou. – disse ela quase que para si mesma.

– Ainda bem que não te beijou. Não era isso que você queria? – perguntou Kely sem entender.

– O que eu estou dizendo, Kely? – perguntou confusa. – Ainda bem que ele não me beijou. Por Merlin! O que está acontecendo comigo? – disse finalmente se levantando.

– Quer que eu responda? – perguntou Kely rindo.

– E você acha que sabe mais de mim mesma do que eu? – perguntou Lily pensando não receber resposta.

– Você está apaixonada por um Maroto… Você está apaixonada por Tiago Potter. – disse a amiga triunfante.

– Você só pode ter bebido cerveja amanteigada de mais! – disse Lily quase rindo. – E afinal… Como soube que nós não estávamos mais em detenção? – perguntou desconfiada já saindo da sala.

– Sirius me avisou para vir aqui depois das sete caso você não aparecesse. – disse ela.

– 19 horas? Não acredito!

– O que foi? – perguntou Kely preocupada.

– Eles saíram faz mais de meia hora. Eu nem vi o tempo passar… Só fiquei pensando no…

– No Tiago? – perguntou à amiga rindo.

– Também… Mas estava…

– Admitiu que estava pensando nele! – disse Kely.

– Não! Você está me confundindo. Eu não estou apaixonada por ele! Não gosto dele! Não penso nele! E não tenho atração por ele! – gritou Lílian irritada.

– A última parte você exagerou muito. – respondeu Kely rindo e entrando no salão Comunal.

– É, exagerei… Mas só um pouquinho. Ele é bonito e tudo, mas…

– Mas… – incentivou a amiga.

Lily não respondeu, só virou as costas e foi em direção ao dormitório masculino.

– Cadê os Marotos? – perguntou assim que entrou.

– Não sei não, Evans. Devem estar aprontando alguma por ai. – respondeu Lovewood.

– Vai dar detenção para eles, Evans? – perguntou Diggory.

– Já chega de detenções com eles! – disse ela bufando e saindo do quarto.

– O que deu nela? – perguntou Lovewood

– Não faço idéia! – respondeu Diggory.

**

– Vou dormir! Boa noite, Kely.

– ‘Noite, Lily. – disse ela sentando-se no sofá.

Lílian subiu e foi dormir… Ou melhor, tentar dormir. Enquanto os Marotos foram para a casa dos gritos.

Na manhã seguinte, os Marotos chegaram e nem tiveram tempo de ir para o quarto, pois viram Kely e Lily descendo.

– Se você não quer ver sua ruivinha tão cedo, acho melhor correr, Pontas. – disse Remo.

– Não estou em condições de correr mais, Remo. – disse Tiago se jogando no sofá.

– Bom dia, meninos. – disse Kely dando um beijo no rosto de cada.

– Bom dia, Marotos. – disse Lily ainda descendo as escadas.

– Bom dia, meninas. – responderam em um coro desanimado.

– Posso saber onde vocês foram ontem com tanta pressa? – perguntou Lily sentando ao lado de Sirius.

– Ora Lily! Somos Marotos… Temos o dever de cumprir esse título! – disse Sirius rindo.

– Lily, você não esqueceu nada não? – perguntou Tiago escondendo o livro dela nas costas.

– A que se refere, Potter? – perguntou ela fixando seus olhos nos dele.

– Depois te dou, minha ruivinha. Temos aula agora. – disse Tiago se levantando.

– Que aula? – perguntou Kely.

– Transfiguração. – disse Remo olhando disfarçadamente para Lily.

– Não posso me encontrar com a Minerva ainda. – disse ela bufando.

– Por quê? – perguntou Sirius.

– Nada não! E então? Vamos? – perguntou se colocando de pé e indo em direção a saída.

Na sala, Remo deu um jeitinho de sentar com Lily. Quase no final da aula a professora se distraiu com Sirius e Tiago, que estavam indo muito bem, e aproveitou para falar com Lily.

– Você ficou todo aquele tempo com o Tiago e não falou com ele sobre as aulas da Minerva? – perguntou o menino quando a professora virou de costas.

– Não deu, Remo. Esqueci-me totalmente. – respondeu ela sinceramente.

– E você e o Tiago? Vejo que se entenderam.

– Vamos dizer que ele foi simpático ontem. – respondeu ela distraída.

– Simpático? Caramba! Se aquilo foi simpático não quero nem saber como seria o amável… – disse ele rindo.

Lily corou ligeiramente.

– E afinal… Qual feitiço vocês usaram na porta? Posso saber?

– Não! Segredo de Maroto. – disse Remo tentando parecer casual.

– Remo! – disse Lily um pouco mais alto, o suficiente para a professora abandonar Tiago e Sirius e vir para a mesa dos dois.

– Senhorita Evans e senhor Lupin, vejo que ainda não terminaram os deveres de hoje. – disse a professora com um olhar de reprovação. – Evans… Já arrumou alguém para te ajudar ou vou ter que fazer isso pessoalmente?

– Vou ver isso agora mesmo, professora. – disse Lily antes do sinal bater indicando o fim da aula.

No corredor da sala de poções todos se encontraram novamente.

– Remo! – gritou Sirius.

– Fala, Almofadinhas.

– Preciso do seu dever de poções. Não deu tempo de fazer ontem.

– Não dá mais tempo de você copiar, Sirius. Por que não falou antes?

– É que com todo o plano…

– Que plano? – perguntou Lily se aproximando.

– Em que mundo você esteve ontem de noite, Lily? Os Marotos passaram a noite inteira fora. – disse Kely antes do professor chegar.

Lily olhou desconfiada para eles, mas não deu tempo dela falar nada e foi puxada para dentro da sala por Sirius.

– Vem, Lily. Preciso de você. – disse ele sentando ao lado da amiga.

– A Kely vai ficar com ciúmes. – disse Lily rindo ao se sentar.

– Engraçadinha! O ciumento aqui é o Tiaguinho. – disse Sirius se divertindo da cara de reprovação que Tiago fez ao escutar seu apelido “carinhoso”.

– Afinal, precisa de mim para que, Sirius? – perguntou ela.

– Sabe como é… Não tive tempo de fazer o trabalho de poções…

– De novo, Sirius! – disse ela revoltada entregando o trabalho para Sirius.

– Cara, eu te amo, Evans. – disse ele dando um beijo estalado na bochecha da amiga fazendo o professor manifestar um “hum-hum”.

No final da aula, enquanto o professor estava avaliando as poções, Sirius pode voltar a conversar com sua amiga.

– E então, Lily? – perguntou ele.

– Então o quê? – perguntou ela sem entender.

– E você e o Tiago? – perguntou um pouco mais baixo.

– Eu estou bem, e o Tiago… – ela olhou para ele que estava com uma cara confusa olhando seu caldeirão -… O Tiago me parece bem também.

– Não foi isso que eu perguntei. – disse Sirius irritado.

– Seja mais claro, Sirius. – pediu a amiga sem tirar os olhos de Tiago.

– Nossa, eu vi o beijo que ele te deu. – disse Sirius um pouco alto de mais, fazendo todos olharem para eles.

– Não foi bem assim. – disse a menina o mais baixo que conseguiu.

– Então, foi o quê? – perguntou Sirius imitando o tom de voz da amiga.

– Foi só um beijo no pescoço. E ainda não entendi por que ele fez aquilo.

– Só um beijo? Não! Foi o beijo! – disse ele inconformado.

Lily riu e deu de ombros ainda observando Tiago e seu caldeirão.

– E você gostou? Não minta para mim… Eu sei que gostou! – Disse Sirius.

– Não gostei. Foi à força!

– Não minta, Evans. O Tiago finalmente conseguiu te conquistar. – disse Sirius sério.

– Eu não estou gostando dele! – gritou ela revoltada e ao perceber que todos a observavam novamente corou ainda mais.

– Vejo que está nervosa hoje, Evans, mas nem por isso deixa de ser minha melhor aluna em poções. – disse o professor analisando a poção da menina.

– Obrigada, professor!

E o sinal tocou.

– Senhor Potter, preciso falar com o senhor um minuto. Os demais podem ir comer.

– Não acredito que as duas aulas passaram tão rápido. – disse Remo.

– Só se for para você. Eu estou morrendo de fome. – disse Rabicho.

– Conta alguma novidade. – disse Sirius se aproximando.

– O que deu em você lá na sala? – perguntou Kely para Lily.

**
– Senhor Potter, vejo que quer ser auror, mas…

– Mas?

– Mas está indo muito mal em poções este ano, e se não melhorar não poderá seguir essa carreira. – completou o professor.

– Mas eu estou me esforçando… – começou Tiago.

– Sugiro que procure algum amigo para te ajudar. Caso não consiga te darei aulas de reforço. – disse o professor.

– Mas quem…?

– Tenho dois alunos exemplares em poções. Se quiser, falo com Severo Snape para te ajudar.

– Nem pensar! Qualquer um, menos ele! – disse Tiago na mesma hora.

– Tem ainda a Lílian Evans…

– Vou falar com a Lily agora mesmo. – disse ele saindo da sala.

Na porta do salão principal, Potter encontra ninguém menos que Snape.

– Ora, ora… Quem eu mais queria ver! – disse Snape.

– O que quer, Seboso? – perguntou Tiago irritado procurando Lílian.

– Fiquei sabendo que o quarteto maravilha não dormiu na cama ontem…

Tiago não respondeu, só foi em direção à mesa dos amigos.

– Ninguém me deixa falando sozinho, Potter. – disse Snape levantando a varinha.

– Estupefaça – gritou Sirius antes de Tiago ser atingido.

– Estou te devendo uma. – disse Tiago sentando ao lado dele.

– Ótimo, porque ainda não fiz o dever de Adivinhações também. – disse Sirius rindo.

– Mas esse é fácil. É só inventar que sonhou com alguém morrendo. – disse Tiago.

– Não acredito que vocês fazem isso. – disse Kely incrédula.

– Ou eu poderia dizer que eu sonhei com a Kely e que nós estávamos… – começou ele.

– Acho melhor você não terminar essa frase, senhor Black. – disse Kely.

– Só ia dizer que estávamos conversando no meu sonho, senhorita. – disse ele galanteador fazendo todos da mesa rirem.

Assim que acabou o jantar, Lily foi logo falando:

– Tiago, espera! Eu preciso falar com você. – disse ela.

– Que coincidência. Estava esperando a hora certa de falar com você. – disse Tiago.

– Não é nada sobre… – começou ela.

– É sobre a aula de poções. –disse ele interrompendo-a.

– Poções? Eu queria te pedir um favor.

– Saio com você quando quiser, Lily. – disse ele rindo. – Mas é sério. Estou precisando de sua ajuda…

– Não vou sair com você! E é Evans, Potter! Evans! – disse ela bufando de raiva.

– Sabia que não ia durar muito a amizade dos dois. – disse Rabicho para os outros.

– Certo Li… Evans… Preciso que me ajude em poções.

– Você está brincando? – perguntou ela rindo.

– Não. – respondeu ele ofendido. – Está rindo do quê?

– É que eu estou precisando de ajuda em animagia.

– Você veio à pessoa certa. – disse ele um com sorriso maroto.

– Então me ajuda, Potter? – perguntou ela.

– Com uma condição. – disse ele.

– Não vou sair com você! – disse ela mais irritada que antes.

– Não era isso… Mas se quiser… Podemos dar umas voltas depois das aulas… – disse ele olhando maliciosamente para ela. – Mas minha condição é que me ajude em poções. E então? Negócio fechado? – perguntou ele

– Fechado. – respondeu ela.

E assim se passou o dia. No final do dia, os Marotos sumiram novamente para a casa dos gritos.

No almoço de quarta-feira, Lily resolveu voltar ao assunto da troca de favores entre ela e Tiago.

– Potter! Precisamos começar a estudar logo! A professora Minerva está pegando no meu pé…

– Eu sei, ruivinha. Eu vi. Certo, vamos começar agora mesmo. A próxima aula é de transfiguração, então sentamos juntos e eu vou te dando umas dicas.

– Por que não estudamos um pouco todos os dias de noite? Um dia eu te ajudo, no outro você me ajuda… – começou Lílian

– Não vai dar, Lily. Só vou poder te ver a noite semana que vem. – disse ele distraído.

– É Evans, Potter! – disse ela irritada, e se acalmando um pouco, completou: – E por que não pode me ver essa semana?

– É… –começou ele pensando em uma desculpa.

– Quadribol. – disse Sirius chegando.

– Como? – perguntou Lílian sem entender.

– Estamos treinando quadribol de noite. Sabe como é… O campeonato logo vai chegar e… – continuou Sirius.

– E vai até que horas os treinos? – perguntou Lily interrompendo Sirius.

– Começa as sete e vai até a hora que der. – mentiu Tiago.

Lílian olhou desconfiada para os dois por algum tempo e finalmente resolveu falar algo.

– Certo… Espero-te na aula de transfiguração. E espero que seja tão bom nessa matéria quanto diz ser. – e saiu.

– Algo me diz que ainda vou ter problema com a minha ruivinha…

– Você sempre tem problemas com a sua ruivinha. Mas agora me conta. O que vai fazer? – perguntou Sirius curioso.

– Como assim, Almofadinhas? – perguntou Tiago.

– Sua ruivinha gostou do beijo naquele dia… Por que não beija logo ela?

– Ainda não está na hora. Não tenho certeza de como ela reagiria.

– Depois daquela porta, você acha mesmo que ela não gostou? – perguntou Sirius.

– É claro que ela gostou. – disse Remo se juntando aos dois.

– Tinha até me esquecido. Preciso matar vocês por usarem aquele feitiço na porta. – disse ele olhando furiosamente para os dois.

– Calma, Pontas. Nós te ajudamos… – começou Sirius.

– Ele tem razão, Tiago. Afinal, você se entendeu com a sua ruivinha por alguns dias… – dizia Remo dando alguns passos para trás.

– E tínhamos certeza que você iria sair de lá. Apesar do que a ruiva diz, ela te ama, sabia? – perguntou Sirius também se afastando.

– Eu vou matar vocês e só sobrarão dois Marotos nessa escola! – disse Tiago correndo atrás dos dois

Na aula de Transfigurações Lílian e Tiago sentaram juntos como o combinado, assim como Sirius e Kely, e Remo e Rabicho.

– Vejo que finalmente seguiu meu conselho, senhorita Evans. – disse a professora passando pela mesa dos dois, fazendo Lily corar e Tiago sorrir.

– Viu só? Sou uma ótima influência para você, meu lírio.

– E posso saber como você sabe tanto de animagia, senhor Potter? – perguntou ela irritada.

– Querida Lily… Eu sou um Maroto, não posso sair revelando meus segredos assim. – disse ele rindo. – E você escreveu errado aqui. – disse ele mostrando uma anotação dela. – Os bruxos não sentem dor na hora de se transformar em animais.

– Não foi isso que a professora disse? – perguntou ela sem entender.

– Não! Ela quis dizer que alguns bruxos que não sabem fazer animagia e se transformam errado sentem dor no processo. – disse Tiago.

– Então me empresta suas anotações. – pediu ela.

– Sinto muito, Lily. Eu não fiz anotação nenhuma.

– E como tem tanta certeza que a animagia não causa dor? – perguntou ela desconfiada.

– Quer apostar o quê? – perguntou Tiago com um sorriso maroto.

– Que tal… Alguns sapos de chocolate? – perguntou Lily desconfiada.

– Que tal sair comigo? – perguntou ele.

– Por que você não desiste? – perguntou ela com uma pequena irritação.

– Porque você não resiste! – disse ele olhando dentro dos olhos dela e sorrindo. – E então, apostado?

– Eu resisto, senhor Potter. Esse seu charme não me atinge. – respondeu ela irritada.

– Então você é a única garota da escola, Lily. – disse Kely que estava atrás deles.

– Você está paquerando o Pontas? – perguntou Sirius surpreso.

– Não. Só estou falando que ele é uma gracinha. E você também é uma gracinha, senhor Black. – disse a menina. – Agora vamos terminar isso aqui. – disse mostrando os deveres.

– Obrigado Kely. – respondeu Tiago com um sorriso maroto. – E então ruivinha? Apostado?

– Tenho opção? – perguntou ela revirando os olhos.

– Tem. Você pode simplesmente confiar em mim e acreditar no que eu te disse.

– Confiar em um Maroto? Só se eu estiver louca. Prefiro arriscar ter que sair com você, Potter.

– Certo então. A próxima vez que eu te convidar você tem que aceitar. – disse ele.

– Você ainda não me provou que estava certo, Potter. – disse ela confiante.

Ele simplesmente pegou o livro da mesa de Sirius e mostrou um parágrafo para ela.

– Pronto! Ganhei. Não se esqueça que tem que sair comigo, senhorita Evans.

– Não me esquecerei, senhor Potter. – respondeu ela irritada.

– E eu já até sei quando vamos sair. – disse ele pensativo.

– E quando seria? – perguntou Kely que estava escutando a conversa.

– Logo saberão. – disse Tiago antes de bater o sinal.

A semana passou rapidamente. A aproximação dos exames já estava começando a mudar a rotina dos estudantes do sétimo ano. Os Marotos continuaram a ir todas as noites para a casa dos gritos e a dizer para as amigas que estavam no treino de quadribol.

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sobre Vanessa Sueroz

Autora dos livros Confusões em Paris, Minha última chance, Odiado Admirador Secreto, Presente de Aniversário, Eu te amo mais e Três Botões.


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