A jornada do herói 4


Olá queridos leitores,

Para aqueles que querem ser escritores um dia, venho com mais uma dica sobre o assunto. Quem ai quer escrever livros de aventura? Alguns já devem conhecer essas dicas para escritores de aventura, mas vale a pena ressaltar e documentar aqui no blog junto com o resto das dicas.

Em 1949 um livro chamado O herói de mil faces foi publicado por Jeseph Campbell e nele temos uma pesquisa de como criar mitos, lendas e fábulas.

Em todos os livros de ficção existe um herói, principalmente em livros de aventura. A narrativa do livro sempre gira em torno dele, mesmo nem sempre ele sendo o narrador ou até mesmo não sendo humano.

Campbell criou um sistema com doze passos para criar um herói, e se você parar para pensar em todos os livros que leu até agora de aventura você vai encontrar esses passos, mas calma pode haver livros que não se encaixam nisso, ou não tem todas as etapas citadas, afinal isso são dicas, não quer dizer que todos os escritores iram seguir.

Passo 1 – Mundo Comum: O herói é apresentado em seu dia-a-dia.

Geralmente os livros começam mostrando a vida real do personagem, de modo geral os autores usam a técnica de mostrar como é a vida do personagem e não dizer como ela é, geralmente abordado no primeiro capítulo.

Exemplo: Nosso herói é um policial a ponto de se aposentar. Seu único desejo é cumprir o pouco tempo de serviço e se aposentar numa chácara que ele levou anos para comprar. É viúvo e detesta gente de modo geral.

Passo 2 – Chamado à aventura: A rotina do herói é quebrada por algo inesperado, insólito ou incomum.

Para haver uma história alguma coisa tem que acontecer, ou seja, alguma coisa acontece para que a vida de personagem mude e transforme a história em algo palpável.

Exemplo: O policial recebe a missão de levar um perigoso bandido em custódia até outro estado, onde será julgado por vários crimes. Todavia, ele sabe que os comparsas desse criminoso farão de tudo para libertá-lo.

Passo 3 – Recusa ao chamado: Como já diz o próprio título da etapa, nosso herói não quer se envolver e prefere continuar
sua vidinha.

Geralmente a principio o herói não quer participar do ‘Chamado à aventura’ muitas vezes ele tem alguma ideia diferente, um desejo frustrado, um principio de vida, qualquer coisa que faça com que ele não pareça que esta buscando uma aventura. (Algumas vezes os autores pulam essa etapa)

Exemplo: O policial tenta passar a missão para outro, mas o seu chefe lhe diz que não há nenhum perigo e que será uma viagem rápida e segura.

Passo 4 – Encontro com o Mentor: O encontro com o mentor pode ser tanto com alguém mais experiente ou com uma situação que o force a tomar uma decisão.

Essa etapa hoje em dia não é tão utilizada, mas ainda vale a pena pensar nela. Muitas vezes o herói conhece alguém que o coloca no rumo certo, que o explique e ensine como sair da situação em que se meteu.

Exemplo: Nosso policial descobre por meio de um investigador aposentado que um dos membros da gangue do bandido, que ele terá que levar em custódia, assassinou seu irmão, também policial, numa emboscada traiçoeira. Nesse ponto da história, ele se
lembra de que jurou no leito de morte de sua mãe que descobriria o assassino de seu irmão (que tragédia, não?).

Passo 5 – Travessia do Umbral: Nessa fase, nosso herói decide ingressar num novo mundo. Sua decisão pode ser motivada por vários fatores, entre eles algo que o obrigue, mesmo que não seja essa a sua opção.

É aqui que finalmente o herói aceita sua missão, onde ele se vê afundado de corpo e alma na sua missão e esta disposto a fazer de tudo para conseguir vencer.

Exemplo: O policial aceita a missão, mas esperando que seja atacado pela gangue e prenda o assassino do irmão. Em vez de viajar de avião, ele resolve ir de carro, numa viagem muito mais perigosa.

Passo 6 – Testes, aliados e inimigos: A maior parte da história se desenvolve nesse ponto. No mundo especial – fora do
ambiente normal do herói – é que ele irá passará por testes, receberá ajuda (esperada ou inesperada) de aliados e terá que enfrentar os inimigos.

Aqui chegamos finalmente ao desenrolar da história, é onde o autor cria cenários, personagens marcantes e pontos que podem diferir toda a história.

Exemplo: O policial viaja de carro. A gangue o persegue. Ele se refugia numa cidade pequena, onde conhece uma mulher que o ajuda, já que está levemente ferido. Um início de romance começa entre os dois. O bandido que está sendo levado em custódia
consegue fugir, mas é preso pelo irmão da jovem, que ajuda nosso herói. Os elementos da quadrilha fecham todas as saídas da aldeia, mas existe um caminho pelas montanhas que somente um velho conhece. Nosso herói terá que convencê-lo a levá-lo pela trilha perigosa.

Passo 7 – Aproximação do objetivo: O herói se aproxima do objetivo de sua missão, mas o nível de tensão aumenta e tudo fica indefinido.

Chegamos ao clímax, o herói esta perto de conseguir o que quer, mas não perto o suficiente para que o leitor largue o livro já sabendo o final, é hora de ousar, de criar e instigar o leitor.

Exemplo: os bandidos descobrem a trilha que o policial seguiu e começa a persegui-lo. Além de estarem sendo levados por um homem velho, o policial está ferido e o próprio bandido em custódia não o ajuda em nada, atrapalhando sua andança. Oh, dificuldades!

Passo 8 – Provação máxima:É o auge da crise – precisa dizer mais?

Onde o vilão ganha força total e parece que tudo esta perdido.

Exemplo: o herói está cercado e se refugia numa cabana. O velho é ferido. A munição está para acabar. Quando ele está para ser morto, espera uma ajuda inesperada da polícia local, avisada pela jovem que se apaixonou pelo herói.

Passo 9 – Conquista da recompensa: Passada a provação máxima, o herói conquista a recompensa.

Onde finalmente o herói ganha a batalha.

Exemplo: após o herói ser salvo, ele consegue levar o bandido para o estado que o julgará por inúmeros crimes. Todavia, um dos bandidos da quadrilha fugiu, mesmo que a maioria foi presa ou morta.

Passo 10 – Caminho de volta: É a parte mais curta da história – em algumas, nem sequer existem. Após ter conseguido seu objetivo, ele retorna ao mundo anterior.

Onde o herói finalmente volta para casa, para seus amigos e familiares.

Exemplo: O herói toma um avião de volta para sua cidade de origem, sendo parabenizado por todos os colegas.

Passo 11 – Depuração: Aqui o herói pode ter que enfrentar uma trama secundária não totalmente resolvida anteriormente.

Aqui é onde o autor tem a deixa para o próximo livro (se houver) ele deixa alguma coisa inacaba ou resolve alguma outra pendencia secundária do livro.

Exemplo: quando nosso herói entra em casa, após a longa viagem, ele é surpreendido com o bandido que fugira. Ele o espera para liquidá-lo. É o assassino de seu irmão e, antes de matá-lo, revela algo de estarrecedor a seu respeito – o crime fora encomendado pelo capitão da polícia, seu chefe – por isso os bandidos sabiam de todos os seus passos. Quando ele está para dar o tiro fatal, ele cai morto – a mulher que o ama o salva.

Passo 12 – Retorno transformado: É a finalização da história. O herói volta ao seu mundo, mas transformado – já não é mais o mesmo.

Sempre que uma batalha é travada as pessoas que modo geral aprendem alguma coisa, as vezes algo sutil outros algo que pode mudar sua vida. Aqui fechamos o livro.

Exemplo: o herói casa-se com a jovem que o salvou e vai ser o chefe de policia da pequena cidade.

Fonte: Artigo de Albert Paul Dahoui

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sobre Vanessa Sueroz

Autora dos livros Confusões em Paris, Minha última chance, Odiado Admirador Secreto, Presente de Aniversário, Eu te amo mais e Três Botões.


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4 thoughts on “A jornada do herói

  • Andressa

    Olá Vanessa!
    Super bacana as dicas no post! Eu gosto de escrever, sempre escrevo alguma coisa, mas o meu problema é o seguinte: nunca decido qual estória continuar. Tenho vários rascunhos, mas sempre que tento continuar um tenho uma ideia para outro e assim vai.. Mas estou com uma que está se mantendo firme no meu pensamento por enquanto.
    Ah, respondendo o comentário lá no blog, Finale ainda não lançou no Brasil, só será lançado aqui no início do ano que vem. Eu o li em inglês mesmo.
    Beijos!

    [Responder]

    Vanessa Sueroz Reply:

    hahah sei como é, tenho uns 10 rascunhos aqui, mas não termino por flta de tempo msm, tenta assim, continua todos rsrsrs

    [Responder]

  • Cecília Aluada Lupin

    Minha professora de Português passou um trecho desse livro pra mim uma vez… Guardo com todo carinho pois ser escritora ainda não saiu da minha lista de possíveis carreiras. O que é preciso para ser escritora Nessa??

    Beijos,
    Cecília

    [Responder]

    Vanessa Sueroz Reply:

    Oie Cecí,
    Ixii mtas coisas, mas a principal é coragem e determinação, pq não é nem de longe uma carreira fácil aqui no Brasil.
    Depois dá uma olhadinha lá nas dicas para escrever aqui no blog, acho que vc vai gostar.

    Bjos

    [Responder]