A casa dos gritos – Cap 12 5


Anteriormente:
– Posso mentir com você até que se ache pronta para a verdade? – perguntei.

Eu tive que perguntar. Não vou agüentar ficar ao seu lado fingindo ser seu namorado se não puder ao menos tocá-la algumas vezes, abraçá-la ou lhe fazer um agrado.

Só preciso de um sim, para continuar.

– Você já esta mentindo comigo. – ela respondeu sorrindo levemente.

Diante dessa breve confirmação não pode fazer outra coisa a não ser beijá-la.

Beijá-la como sempre quis fazer e nunca pude.

Cap 12 – Verdade ou Mentira?

– Acho que estávamos um pouco tensos. – comentei.- Acho melhor darmos um tempo. – ela comentou chateada.- Lily… Não desista assim. Nós fomos interrompidos quando… – comecei tentando me aproximar.Eu sempre quis beijá-la. Durante anos fiquei imaginando o gosto da sua boca e a suavidade do seu toque!

Esse beijo era para ter sido perfeito, mas…

Estávamos tensos de mais, quase imóveis esperando o outro ter reação, e mesmo quando conseguimos nos lembrar que precisávamos nos mexer as coisas ainda ficaram um pouco tensas de mais.

Nunca pensei que eu poderia ficar sem reação ao beijar alguém.

Claro que sempre soube que a Lily iria ser um pouco relutante, mas nenhum de nós conseguir relaxar foi estranho, não sei se tivéssemos mais tempo teria dado certo, só sei que não foi o melhor beijo da minha vida como deveria ser!

E se a Lily pensar que eu beijo mal e não quiser mais me beijar?

E se não fomos feitos um para o outro?

– Voltamos outra hora. – disse a Lene saindo do quarto e puxando o Sirius.

Talvez se eles não tivessem entrado no quarto nós tivéssemos relaxado e o beijo tivesse ficado bem melhor?

Estava cheio de dúvidas e aposto que a Lily também estava, e percebi que estava certo quando a olhei.

– Não deveríamos ter feito isso. – ela comentou sem me olhar.

– Eu sei. Só precisamos de um tempo para nos acostumarmos com tudo isso. Eu preciso de um tempo. – ela comentou desviando o rosto quando fui beijá-la de novo.

– Esta desistindo? – perguntei chateado.

– Claro que não! Só que podemos fazer isso sem nos beijarmos realmente. É só por um tempo. – ela comentou ficando extremamente vermelha.

– Me desculpe Lily. Eu sabia que você não estava pronta ainda e forcei a barra. – comentei desapontado.

– Como vamos fazer com tudo isso? – ela me perguntou depois de alguns minutos em silêncio.

– Esta se referindo a nossa pequena mentira? – perguntei na dúvida.
Ela fez que sim com a cabeça ainda sem ter muita coragem de me olhar.

– Vamos fazer como deve ser feito ruiva, mas claro, sem beijos. A menos que você já tenha mudado de idéia. – comentei tentando descontrair.
– Acha mesmo que isso vai dar certo? – ela me perguntou pensativa.
– Mas é claro que vai dar certo. Vamos enganar sua irmã, seu pai vai ter tempo para digerir a noticia, você se acostumara com tudo isso e ficaremos bem.
– Tenho medo que as coisas se compliquem ainda mais. – ela comentou indo para a varanda.
– Só vão se complicar se você não nos der uma chance ruivinha. – comentei a abraçando por trás.

Senti ela ficando tensa com a abraço repentino, mas não a soltei.

Acho que se passaram alguns minutos antes dela começar a relaxar e logo também o pessoal voltou.

– Eu disse que sou irresistível. – escutei o Sirius comentando quando entrou no quarto.

Soltei a Lily e voltamos para o quarto sem dizer nada.

– Vocês deveriam ter visto a cara da Petúnia quando o Sirius e o Remus começaram a flertar com ela. – comentou a Dora rindo.

Eu ainda estava esperando algum deles falar alguma coisa sobre o beijo que a Lene e o Sirius viram.

– Sua mãe falou que logo o jantar vai ser servido. – comentou a Lene.

Eu e a Lily nos olhamos ainda esperando os comentários.

– Acho melhor ver se ela precisa de ajuda. – comentou a Lily.
– Eu vou tomar um banho. – comentou a Lene.
– Eu vou junto. – disse o Sirius com um sorriso enorme.
– Eu vou desfazer as malas. – disse a Dora já pegando a mala dela.
– E nós vamos ficar fazendo o que? – perguntei.
– O quarto é de vocês. – comentou a Lily antes de sair.

Assim que a Lily saiu do quarto todos voltaram correndo e se sentaram em algum canto e ficaram me olhando.

– Por que estão me olhando assim? – perguntou desconfiado.
– Estamos esperando você contar as novidades. Não podíamos perguntar na frente da Lily. – comentou o Remus dando de ombro.
– Não tenho novidades. – respondi dando de ombros.
– Como não seu veado? E aquele beijo? – perguntou o Sirius.
– Eu vi vocês dois se agarrando! – afirmou a Lene sorrindo travessa.
– Foi só um beijo e não foi muito bom por sinal. – comentei tentando evitar uma careta.
– Não foi bom? – perguntaram as meninas alarmadas.
– Não é que não foi bom, mas estamos tensos que de mais, e não deu tempo para relaxar já que os dois indivíduos resolveram atrapalhar. – comentei apontando o Sirius e a Lene.
– Não acredito que você beija tão mal assim. Aposto que a ruiva saiu correndo. Agora vou ter que tirar o trauma dela. – comentou o Sirius tentando me fazer sorrir.
– Na verdade foi tudo bem rápido. Eu estava pressionado a Lily. Queria respostas. Queria saber que ela vai nos dar uma chance e acabei a beijando. Ela ainda não estava preparada para isso.
– Você a pressionou? – perguntou o Remus incrédulo.
– Na verdade sim. Não queria ficar fingindo ser namorado dela se ela não estivesse disposta a tornar isso uma coisa agradável e benéfica para nós dois.
– Falou até bonito agora. – comentou a Dora rindo.
– E o que foi decidido? – perguntou a Lene.
– Na verdade só discutimos isso por cima. Podemos andar abraçados, de mãos dadas e tudo mais, mas a Lily ainda quer um tempo para avançarmos mais que isso. – comentei chateado.
– Mas agora as coisas vão ser mais rápidas.  – comentou o Remus.
– Bem mais rápidas! – comentei sorrindo.
– Por isso vocês estavam abraçados na varanda. – comentou o Dora.
– Eu a abracei. Acho que demorou uns cinco minutos pelo menos para a Lily relaxar, mas logo ela se acostuma com isso. – respondi sorrindo.
– Agora as coisas vão dar certo Tiago. – comentou a Lene me abraçando.
– Não acredito que vocês estão praticamente namorando. – comentou a Dora feliz.
– Precisamos comemorar. – comentou a Lene.
– Na verdade não podemos. Precisamos fingir que tudo é normal. Se ficarmos comentando sobre isso, vai ser mais difícil a Lily entrar no espírito da coisa. – comentou o Remus.
– Isso mesmo Aluado. Comentários maldosos só enquanto a Lily não puder ouvir. – comentou o Sirius antes deu dar outro tapa na cabeça dele.
– Não acostuma com isso não veado. – ele comentou massageando a cabeça.

Antes da Lily subir todos nós já tínhamos tomado banho e estávamos contando piadas.

– Acho que perdi a parte legal do dia. – ela comentou se jogando na cama em cima do Sirius.
– Você esta me esmagando! Eu vou morrer! – começou a gritar o Sirius.

Claro que não conseguimos fazer muito além de rir do drama do Sirius.

– Veado! Tira essa obesa de cima de mim! – pediu o Sirius enquanto nós ainda riamos.
– Eu não sou obesa. – reclamou a Lily.
– Lenezinha… Eu deixo todos os meus bens para você e minha dividas para a minha mãe. – comentou o Sirius. – Eu estou vendo a luz!
– Para de drama Sirius. – comentei ainda rindo e puxando a Lily de cima do Sirius.
– Você tem sorte que eu não posso usar a minha varinha ruiva. – ele comentou se sentando na cama.
– Eu não preciso de varinha para ganhar de você Six. – comentou a Lily antes de empurrar o Sirius que acabou caindo sentado na cama de novo.
– Eu te pego ruiva. Vou jogar você na lama. Sua anãzinha de jardim. – ele disse já se levantando e correndo atrás da Lily.
– Para me pegar você vai ter que pegar o Remus primeiro. – disse a Lily se escondendo atrás do Remus.
– Eu não estou na brincadeira. – comentou o Rems antes do Sirius se jogar em cima dele.
– Montinho no Aluado! – eu gritei me jogando em cima dos dois.

Não vi quem veio depois, só senti o peso caindo.

– Já podem sair! – comentou o Sirius com a voz sufocada.
– Espera aí! Eu ainda não subi! – escutei a Lily.
– É que você não alcança sua anã. – retrucou o Sirius.
– Não seja por isso. – comentou a Lily.
– Não faz isso Lily. – escutei a Dora reclamando.
– Um… – a Lily começou a contae.
– Me deixem sair daqui! – gritou a Lene.
– Eu saio primeiro. – disse a Dora nos empurrando ainda mais tentando se levantar.
– E o que esta acontecendo aí em cima? – perguntou o Remus.
– Dois… – disse a Lily.
– A Lily vai se jogar de cima da cama. – gritou a Dora já se afastando.
– Socorro! – gritou a Lene se jogando do meu lado.
– Três! – disse a Lily se jogando em cima de mim.
– Aí! Não sabia que iria doer tanto seu monte de ossos. – reclamou ela.
– Eu vou morrer esmagado! – gritou o Remus.
– Saiam de cima de mim! – brigou o Sirius.
– Lily a posição esta ótima, mas o Aluado e o Almofadinhas vão morrer se não levantarmos. – comentei.

A Lily ficou rapidamente vermelha e tentou se levantar.

– Estou vendo a luz. – gritou o Sirius.
– Não vá para a luz Six. – pediu a Lene.

Vendo que a Lily não conseguia se levantar eu tive que levantar e a levar junto livrando o Remus e o Sirius de uma morte terrível.

– Eu ainda tenho meu corpo! – gritou o Remus massageando o corpo. – Esta tudo doendo! – reclamou ele.
– Eu estou vivo! Essa anãzinha já acabou com duas vidas minhas em um dia. – reclamou o Sirius.
– Fiquem aí se lamentando que eu vou tomar banho antes que a minha mãe… – dizia a Lily antes de ser interrompida.
– Aberração! A mamãe esta chamando. – disse a Petúnia já entrando no quarto.
– Não sabe bater na porta? – reclamou a Lily.
– O que esta acontecendo aqui? – perguntou a Petúnia nos analisando.

As meninas estavam descabeladas e nós sem ar.

– Nada que seja da sua conta. – respondeu a Lily irritada.
– Vou contar para o papai. – comentou minha cunhada irritada.
– E por que não foi ainda? – perguntou a Lily irritada.

Eu quase vi saindo fumaça da cabeça da Petúnia antes dela sair do quarto batendo o pé.

– Ela vai inventar alguma coisa Lily. Não deveria tê-la deixado sair assim. – comentou a Dora.
– Ela iria inventar de qualquer jeito. – respondeu a Lily dando de ombros.
– Acho que seu banho fica para depois. – comentou o Remus.
– Fazer o que! – ela respondeu dando de ombros.
– Então vamos comer que eu estou morrendo de fome. – comentou o Sirius sorridente.
– Novidade! – comentou a Lene.

E lá vamos nós para o nosso primeiro jantar em família.

Narrado por Lílian Evans

Fiquei pensando na conversa que tive com o Tiago enquanto ajudava a minha mãe. Tudo ainda é novo para mim e espero que acostumar com a idéia logo, e que tudo dê certo. Não quero sofrer de novo!

– Então vamos comer que eu estou morrendo de fome. – comentou o Sirius sorridente.
– Novidade! – comentou a Lene.

Eu sai do quarto e todos foram junto comigo sentido a cozinha, mas foi bem estranho quando estávamos chegando na cozinha senti a mão do Tiago procurando a minha.

Paralisei na hora! Acho que fiquei em uma posição bem constrangedora também, se duvidar uma das minhas pernas ficou levantada.

Não sei o que acontece comigo quando ele chega perto, principalmente sem avisar. Meu corpo inteiro treme, fico estática sem saber como agir, pensar ou falar.
Será que isso algum dia vai passar? Não vou conseguir viver assim por muito tempo.

Olhei para as meninas. Eu precisava de uma ajuda!  Mas elas agiram como se eu estar de mãos dadas com o Tiago fosse a coisa mais normal do mundo. Isso não é normal!

– Relaxa Lily! – escutei o Tiago dizendo no meu ouvido.

Ok! É só respirar fundo e imaginar que estou andando de mãos dadas com as meninas. Nós fazíamos muito isso quando éramos mais novas.

Vamos lá Lily… É só agir normalmente.

– Por que estão parados aí iguais bobos? – perguntou minha mãe surgindo no vão da porta.
– Estamos brincando de estátua e a Lily não quer perder de jeito nenhum. – comentou o Sirius.

Minha mãe nos olhou estranhamente e voltou para a cozinha.

Brincando de estátuas? Onde o Sirius tirou isso?

– Estátuas? – perguntei descrente.
– O que eu poderia responder se sem motivo você ficou parada aí feito uma estátua? – ele me perguntou dando de ombros.

Foi quando todos ficaram quietos de novo que fui novamente me lembrar que eu estava de mãos dadas com o Tiago!

É estranho… Um estranho bom claro… Tirando a parte de não saber como agir é bom estar perto dele. É gostoso, não tem explicação, é como se uma paz interior me invadisse.

– Esta pronta? – escutei a voz do Tiago.

Dei um sorriso sem graça e fui para a cozinha.

Nos sentamos lado a lado na mesa e minha mãe sorriu enquanto terminava colocar as panelas na mesa.

O jantar estava bem agradável até que meu pai resolveu fazer uma investigação sobre a acusação insana da Petúnia que eu nem sei qual é:

– Então meninos… O que vocês estavam fazendo enquanto a comida não ficava pronta? – perguntou meu pai sério.

Reconheci aquele olhar. Ele sempre me diz que estou com problemas.

– Estávamos só conversando. – comentou a Dora.
– Até que o insano do Sirius resolveu dar um montinho no Remus. – comentei sabendo que meu pai não iria acreditar em “conversando”.
– Eu não sou insano! – reclamou o Sirius.
– Meu amigo… Já te falei mil vezes que mentir assim é muito feio. – disse o Tiago segurando o riso.

Vi minha mãe segurando o riso quando o Sirius fez uma careta.

– Só sei que você deveria castiga-los tio. Eles quase mataram o meu namorado. – comentou a Dora.
– Quase mataram o seu namorado? E o coitado do Sirius? – perguntou a Marlene.
– Eu fui esmagado, trucidado, perdi algumas vidas, cheguei a ver a luz, mas fiquei aqui pela Lene. – comentei o Sirius dramático.

Agora foi a vez do meu pai segurar o riso.

– A minha pobre pessoa foi massacrada por esse ser minúsculo. – disse o Sirius apontando para mim.
– Eu não fiz nada. – comentei dando dele ombros.
– Ninguém tem culpa se você é pequena Lil. – comentou o Tiago.
– Palhaço! – reclamei.
– Essa pequena anã quase me matou. Eu quero uma indenização. – comentou o Sirius novamente.
– O que a Lily te fez? – perguntou meu pai ainda segurando o riso.
– Esse ser… Essa coisa pequena que chamamos de ruivinha – ele disse se levantando e fazendo o maior drama apontando para mim – Essa coisa ruiva não conseguiu subir no montinho.
– Não acredito Lily! – comentou minha mãe rindo.
– E foi esse mesmo ser minúsculo que resolveu se jogar no montinho de cima da cama.
– Não acredito Lily – comentou meu pai rindo
– E claro que essa obesa esmagou todo mundo. – comentou a Petúnia enjoada.
– Menos eu é claro. Eu sai do montinho antes da Lily se jogar. – comentou a Marlene
– E eu também. Não queria ser massacrada. – comentou a Dora.
– Eu não sou pesada suas baleias. –respondi mostrando a língua para as duas que retribuíram.
– Então a Lily só esmagou os meninos? – perguntou minha mãe que se divertia com a história.
– Na verdade ela só me esmagou tia. – respondeu o Sirius.
– Só você? Eu estava em baixo de você. – comentou o Remus.
– Mas quem sofreu o impacto fui eu. – comentou o Tiago.
– Até tu brutos? – perguntei indignada.
– Quem é brutos? – perguntou o Sirius.
– Não sou obrigada. – disse a Petúnia se levantando e indo para o quarto.
– Deixa para lá Sirius. – comentou o Remus.
– Eu queria ter visto essa cena. – disse meu pai rindo.
– Podemos reconstituir a cena. – comentou a Lene.
– Claro que podemos… Você estava em cima e não em baixo. – comentou o Sirius emburrado.
– Vocês são umas figuras. – disse meu pai antes de dar um beijo na minha mãe e sair da cozinha rindo.
– Vou tomar um banho. – eu disse já me levantando.
– Eu vou junto. Vou arrumar as camas. – comentou a Dora.
– Eu te ajudo. – comentou o Remus se levantando.
– Eu vou precisar de ajuda na cozinha. – escutei minha mãe falando e subi correndo.

Odeio lavar louça.

Tomei o meu banho sossegado, até pensei em ajudar o casal a arrumar a cama, mas acho que eles estavam mais bagunçando do que arrumando.

Achei estranho a Lene e os meninos não terem subido ainda e resolvi ver o que estava acontecendo na cozinha.

– Foi hilário o Tiago acompanhando a Lily pelo castelo inteiro em cima de uma vassoura. – escutei o Sirius comentando.
– E é claro que a Lily fingia que ele não existia. – comentou a Lene fazendo todo mundo rir.

Claro que não escutei a voz do Tiago com tudo isso.

– Ai meu Deus. Me desculpe querido. Foi sem querer. – escutei minha mãe dizendo.
– Não foi nada. – escutei a voz do Tiago e corri para a cozinha.

Não sei por que não imaginei isso antes. Lá estava minha mãe terminando de lavar a louça com uma vasilha na mão onde antes tinha água que estava agora no chão e na blusa do Tiago.

– Tire essa camisa que eu vou colocar para secar para você. – disse minha mãe já pegando na camiseta do Tiago para ajudá-lo a tirá-la.

Tirei a varinha no bolso e sequei a camisa dele na mesma hora. E vi todos me olhando.

– Não vi que estava aí meu amor. – comentou minha mãe sem graça.
– Pensei que iria ser mais discreta. – comentei guardando a varinha.
– Culpa sua! – ela respondeu dando de ombros.
– Pensei que você não pudesse fazer magia ainda Lily. – comentou a Lene segurando o riso.
– Não posso, mas o Tiago e o Sirius podem. – comentei dando de ombros.
– Não entendi. – comentou minha mãe.
– Eles não sabem quem fez a magia, só de onde ela vem, por isso nunca posso fazer magia, senão vou ser descoberta, mas como os dois estão aqui… – comentei dando de ombros.
– Eu sabia que você tinha um lado maroto Lily. – comentou o Sirius sorridente.
– É mais fácil você deixá-la fazer o que quer. – comentou a Lene.
– Você esta parecendo uma adolescente mãe. – reclamou a Lily emburrada.
– Você teve a quem puxar. – ela respondeu sorrindo. – E não é culpa minha se vocês me contaram essa história umas dez mil vezes no verão passado. Eu só fiquei curiosa. – ela respondeu dando de ombros.

Só revirei os olhos.

– Ainda não entendi essa história. – comentou o Tiago.
– Nem eu. – comentou o Sirius.
– Já que vocês têm essas maravilhas na mão por que não lavaram a louça? – perguntou minha mãe revoltada para o Sirius e para o Tiago.

Acho que foi mais para mudar de assunto.

Vi os dois se olhando engraçado, mas resolvi não interferir.

– Vou deixar os homens cuidando da cozinha e vou ver se o casal não destruiu o quarto. – comentou a Lene.
– Vamos arrumar aquelas camas logo. – eu disse subindo com ela.
– Se precisar tem cobertor lá no meu quarto. – escutei minha mãe falando enquanto eu subia as escadas.

Será que é confiável deixar aqueles dois sozinhos com a minha mãe na cozinha?

– Acha que sua mãe vai querer atacar o Sirius e o Remus depois? – perguntou a Lene quando chegamos à porta do quarto.
– O Sirius eu acho que sim, mas o Remus eu não posso afirmar por que eu nunca… – eu disse abrindo a porta, e para o nosso espanto o Remus e a Dora estavam os dois sem camisa.
– Eu não vi isso! – eu disse voltando para o corredor.
– Não façam isso onde eu pretendo dormir! – escutei a Lene reclamando.

Eu acho que ainda estava em estado de choque quando o Sirius e o Tiago subiram.

– Você esta bem ruiva? – o Sirius me perguntou me olhando preocupado.
– Pensei que você era o mais pervertido. – comentei apontando para o Sirius.
– Perdi alguma coisa? – perguntou o Tiago me olhando com uma sobrancelha levantada.
– Acho que mais alguns minutos que teríamos outra meia na porta. – eu disse enjoada.
– Esta falando que o Aluado e a Dorinha estavam… – começou o Sirius malicioso. – É isso ai Aluado! – disse o Sirius entrando no quarto.
– Você não parece muito bem. – comentou o Tiago ainda me olhando estanho.
– Estou traumatizada! – respondi.
– Eles estavam sem roupa no seu quarto? – ele perguntou alarmado.
– Estavam tirando a roupa. – respondi chateada.
– Vou falar com os dois. – ele me disse.
– Não precisa. – eu disse chateada.

Acho que a Lene já deve ter falado o suficiente.

– Mas Lily… – começou o Tiago.
– Eles só se empolgaram. – eu respondi sorrindo.

Eca! Ainda bem que chegamos antes de acontecer alguma coisa.

Vi o Tiago sorrir para mim com aquele sorriso “eu tenho trinta e dois dentes”.

– Vamos! – ele me disse pegando a minha mão e me puxando para dentro do quarto. – Posso saber que fará é essa? – ele perguntou sério quando vimos a bagunça que estava tudo.
– Culpa do Sirius. – comentou a Dora.
– Culpa do Aluado que revidou. – comentou o Sirius na defensiva.
– Eu preciso de um banho. – eu reclamei quando vi todas aquelas penas espalhadas pelo quarto.

Narrado por Tiago Potter

Eles são malucos!

– Agora que a Lily entrou no banho é melhor vocês arrumarem logo isso. Precisamos arrumar as camas antes que a casa inteira vá dormir.
– Não precisamos de cobertor nem nada Tiago, relaxa. Nós sempre ligamos o aquecedor no máximo e dormimos sem coberta. – comentou a Lene.
– Por que vocês não pegam a coberta? – perguntou o Aluado também sem entender.
– Muito trabalho para guardar. – respondeu a Dora dando de ombros.
– Mudando de assunto. Por que a mãe da Lily quer tanto que o veado tire a roupa? – perguntou o Sirius.
– Vamos dizer que a Lily acha o nosso amigo aqui muito sexy sem camisa. – comentou a Lene piscando para mim.
– É por que ela não me viu sem camisa. – comentou o Sirius.
– E nem vai ver. – comentei revoltado.
– Tem medo dela preferir a mim como todas as mulheres veadinho? – me perguntou o Sirius sorrindo malicioso.
– E lá vão eles para mais uma briga sem fundamento. – escutei o Aluado comentando enquanto eu e o Sirius corríamos pelo quarto.

Não demorou muito para a Lily sair do banho e as meninas irem se trocar.

Achei muito linda quando vi a Lily com aquele pijama de flanela, eu sei que o pijama não era sexy nem nada, e cobria tudo e mais um pouco por ser pijama de frio, mas ela me pareceu ainda mais inocente e delicada do que já é.

– Já disse que você é linda? – perguntei para ela quando ela passou do meu lado.
– Não comecem com a melação. – pediu o Sirius fazendo careta enquanto a Lily passava de branca para rosa e vermelho em milésimos de segundos.

Ficamos conversando enquanto as meninas se arrumavam, e olha que eles demoraram e quando saíram do banheiro as duas estavam com camisolas curtas de calor.

Vi a Lily levantar a sobrancelha espantada para as duas, mas não comentou nada.

– Vocês não vão se trocar? – perguntou a Dora depois de algum tempo.

Olhamos um para os outros sem entender e tiramos a camisa.

– Já estamos prontos para dormir. – comentou o Remus.
– Agora você já pode babar ruiva. Sei que sou gostoso. – comentou o Sirius.
– Menos Sirius. – reclamou a Lene.

Foi quando olhei para a Lily que encarava as minhas costas de um jeito que nunca tinha visto.

– O que deu nela? – perguntei para a Lene que estava do meu lado.
– Ela esta com a mesma cara de quando te viu sem camisa pela primeira vez. – comentou ela sem dar importância.

Ainda não entendi.

– Aconteceu alguma coisa? – perguntei para a Lily me sentando ao lado dela.
– Quer, por favor, colocar a camisa? – ela perguntou depois de alguns segundos encarando o meu peito.
– Mas eu durmo assim. – comentei.
– Não dormiu assim nas duas vezes que dormimos juntos. – ela comentou vermelha.
– Então você finalmente admite que já tinha rolado alguma coisa entre vocês. – comentou a Dora.

O que deu na Dora? Ela sabe que estamos fingindo ser namorados e que o máximo que aconteceu foi aquele beijo esquisito.

– Claro que aconteceu. Dormimos juntos no sofá e acordamos os dois com dor nas costas. – respondeu a Lily dando de ombros.
– Você sabe o que eu quis dizer. – comentou a Dora.
– E você já sabe a resposta. – respondeu a Lily mal-humorada.
– O que vamos fazer agora? – perguntou a Lene empolgada.
– Podemos jogar alguma coisa. – comentou o Remus.
– A Lily tem alguns jogos trouxas legais. – comentou a Dora empolgada.
– Podemos joga stop. – comentou a Lily.

O que diabos é isso?

– Tem que tirar a roupa? – perguntou o Sirius animado.
– Claro que não Sirius. – respondi mesmo não sabendo do que se tratava esse jogo.
– Então não tem graça. – ele respondeu emburrado.
– É um jogo para quem tem pensamento rápido. – comentou a Lily.
– Já ganhei! – respondeu o Sirius.
– Quer me deixar explicar? – perguntou a Lily. – Escolhemos alguns temas para as resposta, como cor, nome, fruta, marca de carro, essas coisas, ai sorteamos uma letra e todas as palavras terão que começar com aquela letra.
– Ainda não entendi. – comentou a Dora.
– Exemplo, sorteamos a letra A, então podemos escreve, Ana no nome, Azul na cor, Abacate na fruta e coisas assim.
– Parece legal. – comentou o Remus.
– Quem preencher tudo primeiro fala stop e todos têm que parar de escrever. Aí contamos os pontos.
– E quem perder tira a roupa. – comentou o Sirius empolgado.
– Quem perder pode pagar um mico. – comentou a Lene.
– Então vamos jogar! – disse a Dora empolgada.
– Por que não jogamos em dupla? Vai ficar mais legal. – comentou o Remus.

Eu gostei da idéia.

– Certo. Vou pegar papel e caneta para todo mundo. – disse a Lily já se levantando.
– Eu ajudo. – eu disse na mesma hora indo atrás dela.
Sai do quarto para ajudar a Lily, mas ela virou para mim bem irritada e respirou fundo:

– Coloca a camisa! – ela me disse irritada.
– Por que você se sente tão incomodada quando eu fico sem camisa? – perguntei na defensiva.
– O problema não sou eu. É alguém mais te ver assim. – ela respondeu irritada.

Isso me parece ciúme!

– As meninas já me viram assim. – comentei.
– Mas a Pet… – ela dizendo antes da minha “querida cunhada” nos interromper.
-Aberração eu já… – ela começou a falar, mas parou para me encarar.
– Quer tirar os olhos? – perguntou a Lily irritada para a Petúnia que ainda me encerrava.
– Olha só… Não pensei que você tivesse bom gosto. – ela comentou dando de ombros.
– Por que você não vai babar em cima daquele porco que chama de namorado e para de babar em cima do meu? – reclamou a Lily irritada entrando na minha frente.
– E quem disse que achei a sua aberração de estimação bonito? – ela perguntou fazendo uma careta.
– Caí fora Petúnia. – respondeu a Lily irritada.

Agora eu tenho certeza que a Lily esta com ciúmes.

– E você por que ainda não colocou a porcaria da camisa? – ela me perguntou irritada quando a irmã saiu de perto.
– Você fica ainda mais linda com ciúmes. – comentei antes de entra no quarto de novo para colocar a camisa.

Narrado por Lílian Evans

Ele quer me torturar assim. Só pode! É castigo!

– E quem disse que achei a sua aberração de estimação bonito? – ela perguntou fazendo uma careta.

Como a Petúnia é cara de pau. Esta babando em cima do MEU namorado e ainda diz que o acha feio.

– Caí fora Petúnia. – respondi muito irritada.

Olhei para o Tiago irritada. Por que ele não coloca logo a camisa? Não vê que isso vai me causar problemas? Principalmente se eu agarrar ele.

– E você por que ainda não colocou a porcaria da camisa? – perguntei me contendo entre a irritação com a Petúnia e a vontade de jogar ele na parede e beijá-lo.
– Você fica ainda mais linda com ciúmes. – ele me disse com aquele sorriso convencido antes de voltar para o quarto.

Eu não estava com ciúmes.

Isso é totalmente diferente.

– Vocês esta equivocado. – respondi antes de sair indo atrás de papel e caneta.

Não demorou muito e voltamos para o quarto e devo acrescentar que ele graças a Merlin colocou a camisa.

O que foi ótimo para a minha sanidade mental.

– Pegamos papel e lápis para todo mundo. – eu disse quando voltamos para o quarto.
– Como vamos separar as duplas? – perguntou o Remus.
– Eu vou ficar com a Lenezinha. – comentou o Sirius na mesma hora.
– Vamos ficar cada um com o seu amor. – comentou a Dora rindo.

Nos sentamos cada casal em um canto do quarto.

– E vamos fazer que temas? – perguntou o Sirius.
– Os clássicos primeiros. – respondi dando de ombros. – Nome, cor, fruta, animal… – respondi já anotando.
– O que mais vocês colocam? – perguntou o Tiago.
– Na verdade muita coisa, mas vocês não vão saber responder como, por exemplo, marca de carro, marca de cigarro, essas coisas. – respondi dando de ombros.
– Podemos colocar feitiço. – comentou o Sirius.
– Pode ser. – respondi já anotando. – E não podemos esquecer de colocar “Minha sogra é”. – respondi empolgada.
– O que é isso? – perguntou a Lene interessada.
– É bem simples, temos que colocar um adjetivo para a nossa querida sogra, como, amiga, chata, companheira, feia, bonita, coisas assim.
– Mas que droga! Não conheço a mãe do Remus. Não dá para brincar. – respondeu a Dora emburrada.
– Não precisa colocar a verdade Dora. É só um jogo, não é por que a mãe do Sirius é uma vaca que a Lene não pode colocar que ela e simpática. – respondi sorrindo.
– Obrigado por chamar a minha mãe de vaca. – respondeu o Sirius rindo.
– Disponha! – respondi rindo.

Jogamos por um longo tempo. Só fomos dormir depois que o Remus desistiu do jogo. A Dora já dormia no colo dele há muito tempo e eu também não estava em meu juízo perfeito, acho que o tico e o téco já não estavam funcionando direito naquela hora da noite.

Levando em conta o meu sono todo não parei para pensar como todos iriam dormir, ou quem iria dormir na cama comigo, quando fui pensar nisso vi que o Remus já estava abraçado com a Dora perto da escrivaninha, a Dora pelo que vi já deveria estar no quinto sono, só fui reparar em como as coisas estavam ficando quando a Lene me deu boa noite e se deitou do lado do Sirius no colchão que estava no pé da minha cama.

Olhei um pouco perdida para o Tiago que me encarava receoso.

– Aposto que você não tinha pensado nisso até agora. – ele disse sorrindo.
– Nem me passou pela cabeça. – comentei observando meus amigos abraçados.
– Pensei pelo lado positivo, já fizemos isso algumas vezes. – ele comentou dando de ombros.
– Não acho que seja a mesma coisa. – comentei na defensiva.
– Por que não? – ele me perguntou segurando um riso.

Onde ele viu a piada?

– Você sabe bem por que. – respondi o encarando.
– Eu não faço idéia. – ele respondeu me encarando de volta.
– Melhor irmos dormir! – eu disse emburrada.

É claro que ele sabe por que é diferente.

– Você tem que aprender a falar o que quiser comigo Lily. Vamos… Diz por que é diferente dormirmos na mesma cama agora.
– Por que nos beijamos hoje. – respondi revoltada.
– Poderíamos nos beijar mais vezes se esse é o problema. – ele respondeu com aquele sorriso “eu tenho trinta e dois dentes na boca.”
– O nosso próximo beijo vou ser eu que vou te dar e não o contrário. – reclamei.
– Estou esperando. – ele me disse se aproximando um pouco.
– Não vai ser hoje. – reclamei o empurrando revoltada.
– Sei que não. Só estou te perturbando. – ele respondeu dando de ombros. – Então… Podemos dormir? Você esta bocejando a cada dois minutos.
– Temos que arrumar uma solução para isso. – eu respondi pensativa.

Não é uma boa idéia dormirmos juntos. E se meu pai entra no quarto?

– Lily! Se quiser posso esperar você dormir depois eu venho dormir. – ele me disse com um leve sorriso não típico dele.
– Tiago, meu pai pode entrar no quarto. Não é uma boa idéia. – comentei mordendo os lábios.
– Então é esse o problema? Pensei que estava desconfortável.
– Não vou dizer que não estou, mas… – comecei.

Mas o que? Eu realmente quero dormir abraçada com você? Patético! Claro que não vou dizer isso!

– Já entendi. – ele respondeu sorrindo. – Mas não se preocupe com o seu pai. Primeiro que ele vai trabalhar amanhã e depois que os colchões estão atrapalhando um pouco para abrir a porta, então ele não vai entrar assim.
– Não sei não. – respondi olhando incerta para a porta.
– Confia em mim Lily. Seu pai não vai entrar aqui enquanto estivermos dormindo. Não se preocupe. – ele me pediu puxando levemente meu rosto para que eu o olhasse.

Espero realmente que ele esteja certo ou vou ter grandes problemas com o meu pai.

Narrador por Tiago Potter

Acordei com o sol entrando pela cortina que estava aberta.

Vi também que deixaram o aquecedor ligado ontem, já que todos estavam descobertos. Devo ter acordado muito cedo já que todos ainda estavam dormindo tranquilamente.

Comecei a velar o sono da Lily, que por sinal estava linda com um sorriso singelo no rosto, acho que o sonho estava realmente bom.

Peguei a minha varinha que eu tinha deixado do lado da cama e aproveitei para desfazer o feitiço que coloquei na porta ontem de noite. Prometi para a Lily que ninguém entraria no quarto e nada melhor do que um bom feitiço para garantir isso.

Assim que vi a Dora acordando levantei e fui tomar um banho. Já estou ate imaginando a briga que vai ser quando todo mundo acordar e quiser tomar banho ao mesmo tempo, vai ser pior que no nosso dormitório em dia de prova, afinal somos mais e as meninas demoram uma eternidade no banho. Queria saber o que elas tanto fazem embaixo do chuveiro para demorar.

Quando sai do banho todos estavam acordados exceto a Lily que ainda dormia.

– Como ela consegue? – perguntei indicando a Lily.
– Ela dorme feito uma pedra. – comentou a Lene. – Pelo menos na maior parte das vezes.
– Crianças! – chamou a mãe da Lily antes de entrar no quarto. – Já estão acordados? A mesa esta pronta para o café. Estou saindo com a Petúnia para ver algumas coisas do casamento. Deixei dinheiro em cima da mesa para caso precise.
– Não se preocupe tia. – respondeu a Lene.
– Juízo! – pediu a mãe da Lily antes de sair do quarto rindo.

Não demorou muito até todos nos estarmos prontos para tomar café.

O café foi bem legal, tínhamos a casa toda para nos e claro que aproveitamos, exceto a Lily que estava um pouco abatida.

– Esta tudo bem Lily? – perguntei pela quarta vez no dia.
– Esta tudo bem sim. – ela respondeu com um pequeno sorriso.
– Por que esse Coiote só se dá mal? – perguntou o Sirius revoltado.
– É a graça do desenho Sirius. Que graça teria se ele conseguisse pegar o papa-léguas? – perguntou o Remus.
– Esses trouxas não sabem o que e diversão. – comentou o Sirius revoltado.
– Acho que já acabamos com a cota de desenhos animados por hoje. – respondeu a Lily mudando de canal.
– O que os trouxas fazem para se divertir? – perguntou o Sirius depois de alguns minutos.
– O mesmo que todo mundo. – respondeu a Lily dando de ombros.
– Podemos colocar uma musica e dançar um pouco. – sugeriu a Dora empolgada.
– Às onze da manhã? – perguntou a Lily espantada.
– Estamos de férias! – respondeu a Lene rindo.
– Só coloco uma musica se os meninos dançarem funk. – escutei a Lily falando e rindo.

Pelo tom de voz era para ser uma piada, mas como não sei o que é esse tal do funk…

– O que e isso? – perguntou o Sirius curioso.
– Algo que eu não vou querer dançar. – comentou o Remus.
– Eu ia gostar de ver isso. – comentou a Lene rindo.
– Você sempre disse que odiou funk. – comentou a Dora com a Lene.
– Odeio, mas se o Sirius dançar para mim eu não iria odiar tanto assim. – respondeu a Lene maliciosa.
– Já estou começando a gostar desse tal de funk. – comentou o Sirius sorrindo malicioso para a namorada.
– O que afinal e funk? – perguntei.
– Isso. – disse a Lily mudando novamente de canal.

Que coisa mais sem noção! Ok! A Lily dançando isso para mim em quatro paredes deve ser bom, mas no meio de todo mundo? Isso não poderia ser considerado uma dança.

– Só danço se você dançar comigo Lene. – comentou o Sirius se empolgando.
– Sou inocente demais para isso Sirius. – comentei tampando o meu olho e o da Lily quando o Sirius começou a rebolar.
– Não acredito que estou vendo isso. – comentou a Dora rindo.
– Pelo menos a Lene rebola junto. – comentou Sirius rindo.
– Isso esta ficando indecente demais para mim. – disse a Lily desligando a TV.
– Agora que estava ficando bom. – reclamou a Lene.
– Vou colocar música de verdade. – comentou a Lily indo até o rádio.

Os outros aproveitaram algumas músicas que a Lily colocou para dançar enquanto ela só olhava tudo. Fiquei intrigado com aquilo e me sentei ao seu lado no sofá um pouco distante do pessoal:

– Você não esta bem hoje. – comentei ao me sentar.
– Vamos dizer que a noite foi longa. – ela comentou sem dar importância.
– Foi tão ruim assim dividir a cama comigo? – perguntei fazendo a minha melhor cara de coitado.

Não sei o que a Lily tem hoje, mas pretendo descobrir logo.

– Não foi por isso, acho que não me acostumei com o aquecedor ainda ou alguma coisa parecida. – ela mentiu.

Por que ela esta mentindo para mim? Sei que o problema não fui eu, dormimos a noite inteira abraçados e ela não reclamou e nem ficou constrangida com isso, mas por que ela esta mentindo?

– Sabia que você é uma péssima mentirosa? – perguntei sorrindo.

Ela me olhou espantada por alguns leves segundos, mas logo se recompôs.

– Não estou mentindo. – ela respondeu mentindo novamente.
– Sei quando você mente. – respondi.
– Claro… Isso como eu sei quando você mente. – ela me respondeu irônica.
– Você sabe quando eu minto ou não estaríamos aqui agora. – respondi piscando para ela.
– Tenho minhas dúvidas. – ela respondeu pensativa.
– Quer um teste? – perguntei rindo.
– Que tipo de teste? – ela me perguntou desconfiada.
– Posso te contar três histórias que aconteceram comigo e com os marotos, posso contar duas histórias falsos que até mesmo Mcgonacal acreditou e vai me dizer qual a história é verdadeira.
– Sou toda ouvidos. – ela me respondeu sorrindo.
– Podemos ir para a cozinha pelo menos? Como vai prestar atenção em mim com o Sirius rebolando desse jeito? – perguntei rindo e estendendo a mão para ajudá-la a se levantar.
– Posso fazer esse sacrifício de perder o mico do Sirius para provar que você esta errado. – ela me respondeu sorrindo.

Essa é a minha Lily que eu conheço.

– Não precisa ver o Sirius dançando. Posso dançar para você quando você quiser, mas me recuso a fazer isso com toda essa roupa. – brinquei.
– Seria uma honra. – ela respondeu sorrindo e se sentando em uma das cadeiras.

O dia passou rápido depois disso e com ele os pais da Lily e sua irmã.

– Amanhã temos que ir ver o seu vestido Lily. – comentou a mãe dela enquanto ajudávamos a arrumar a cozinha depois do jantar.

Vi a Lily fazendo uma careta, mas achei melhor não interferir.

– Claro mãe. – ela respondeu com uma voz rouca.
– Petúnia quer escolher o seu vestido pessoalmente. Ela esta muito empolgada para isso Lily. Então seja simpática. – pediu a mãe dela sorrindo.
– Petúnia esta empolgada? – perguntou a Lily desconfiada.
– Esta sim. Falamos sobre isso hoje. – respondeu a mãe da Lily.
– Não seria melhor ir alguém para ajudar? – comentei tentando deixar a Lily mais feliz. – Uma opinião de alguém que não esta tão envolvida com o casamento. Aposto que a Lene ou a Dora adorariam ir com vocês. – comentei.
– Até que não seria má idéia. O pai da Lily não quer ir junto, mas acho que você iria ajudar Tiago. – respondeu a mãe da Lily empolgada.
– Ajudar em que? – perguntei receoso.
– Precisamos de uma opinião masculina. – ela comentou empolgada.

Lily me olhou deprimida.

– Ótima idéia mãe. – ela respondeu ainda desanimada.

Assim que terminamos de arrumar a cozinha parei a Lily no corredor para conversar:

– Por que o desanimo? Pensei que iria ficar feliz com alguma companhia.
– É que Petúnia esta animada para isso. – ela me disse desanimada.
– Ainda não entendi qual o problema com isso. Talvez ela esteja querendo ser simpática. – comentei esperançoso.

Seria bom para a Lily se as duas se dessem bem.

– Tiago… – ela começou pensativa quando peguei na sua mão.
– Pode falar. – eu disse confiante acariciando a sua mão.
– Não quero que vá amanhã. – ela disse sem me olhar.

O que?

Não acredito que ela não me quer por perto.

– Mas… – comecei.

Ela me olhou estranhamente, parecendo sofrer com aquilo mais do que eu.

– É que… – ela começou insegura.

Ela não pode estar terminando o que nem começou. Ela esta se acostumando, nem fica mais tão estranha quando me aproximo. Ela estava reagindo tão bem com tudo isso.

O que deu na Lily?

– Não quero que me veja amanhã. – ela comentou mais uma vez.
– Eu entendi isso Lily. Só não entendi o que. – respondi incerto.
– Por causa da Petúnia. – ela me disse insegura.

O que a irmã dela tem haver com tudo isso?

– Mas sua irmã esta tentando ajudar. – eu comentei.
– Ela quer me humilhar Tiago, e não vou deixar ela fazer isso na sua frente. – ela comentou com os olhos úmidos.

Não acredito que a Lily ficou chateada por isso.

– Mas ela não vai fazer nada Lily. Vou estar com você. – eu disse a abraçando.
– Você não entende! – ela disse dengosa. – Ela vai me fazer ir para o casamento com o pior vestido que encontrar, vai me fazer parecer uma palhaça. Não quero que veja isso. – ela comentou ainda me abraçando forte.
– É impossível sua irmã conseguir te fazer ficar feia com alguma coisa Lily. Sem contar que sua mãe vai estar ajudando com tudo e eu vou estar ao seu lado. – comentei mexendo em seus cabelos.
– Mas… – ela ia começar a argumentar novamente.
– Vou estar ao seu lado mesmo que não queira. O dia vai ser agradável. Não vou deixar a Petúnia estragar o nosso dia. – respondi sorrindo confiante.

A Lily só esta nervosa. A irmã dela não arriscaria fazer isso com a Lily no casamento dela. Ela não é tão má assim, não é?

Ficamos todos conversando no quarto até resolvermos dormir.

A Lily ainda continuava estranha, mas acho que não era mais por causa da Petúnia, ela estava agora assim como estava pela manhã, abatida e desanimada.

Se deitou ao meu lado e lhe dei um beijo de boa noite no rosto, a abracei e deitamos de conchinha.

Não sei que horas eram quando escutei a porta do quarto se fechando.

Já pensei no pior, o pai da Lily tinha nos visto. Apesar que se ele nos visse com certeza ele iria fazer um escândalo.

Assim que comecei a raciocinar direito percebi que a Lily não estava na cama e a porta do banheiro estava aberta, sinal que ela não estava lá.

Relaxei. Ela só deve ter descido para beber água, ou coisa parecida.
Não sei quanto tempo demorei para pegar no sono, só sei que depois acordei novamente e a Lily ainda não estava na cama, olhei para o relógio que marcava três e quarenta da madrugada.

A Lily não tinha ido simplesmente tomar água. Ela já teria voltado.

Me levantei e coloquei o roupão que estava do lado da cama, como a Lily disse, não posso andar pela casa só de calça.

Desci as escadas tentando não fazer barulho para não acordar o resto da casa e foi com espanto que encontrei a Lily deitada no sofá.

– Lily? – chamei me aproximando para ter certeza que ela estava acordada.
– Oi. – ela respondeu com um leve sorriso.
– O que esta fazendo aqui? – perguntei me agachando ao seu lado.
– Só passando o tempo. – ela respondeu ainda tentando dar um sorriso descente.
– Por que não passa o tempo na sua cama? – perguntei me sentando onde ela estava com a cabeça, a forçando a deitar no meu colo.
– Não sou fã de aquecedor. – ela respondeu se acomodando mais no meu colo.
– Vou anotar para comprar mais cobertores para a nossa casa. – respondi sorrindo.
– Aquecedor não esquenta tanto quando cobertores. – ela me respondeu sorrindo.
– Talvez… – respondi na dúvida.
Acho que nunca parei para pensar nisso.
– Não esta empolgada para sair amanhã? – perguntei para puxar assunto.
Eu não poderia simplesmente sair perguntando o que ela tem, sei que ela não responderia.
– Você sabe que não estou empolgada. Amanhã o dia vai ser muito longo. – ela respondeu desanimada.
– Talvez até seja bom. – tentei animá-la.
Ela me olhou levantando a sobrancelha. Já vi que não gostou do comentário.
– Mas o que você esta fazendo aqui embaixo? – ela me perguntou depois de alguns minutos em silêncio onde eu mexia no seu cabelo.
– Acordei e você não estava na cama. – respondi dando de ombros.
– E já desceu para me ver? – ela perguntou desconfiada e risonha.
– Na verdade eu voltei a dormir, mas como eu acordei de novo e você ainda não tinha voltado eu resolvi vir ver se o lobo mal veio te pegar. – respondi rindo.
– Muito atencioso querer me salvar de um possível lobo mal. – ela me respondeu rindo.
– Mas você esta há algum tempo e não vi nada que a impedisse de estar na cama. – comentei.
– Não é nada de mais. – ela respondeu escondendo o rosto na minha barriga.
– Estava cansada de ficar deitada? – perguntei.
– Talvez. – ela respondeu rindo.
– Aposto que você ficou cansada de se agarrar em mim e quis me dar um tempo. – brinquei.
– Mas minha idéia não deu muito certo já que você veio me agarrar. – ela me respondeu rindo ainda mais.

Esperei ela parar de rir e novamente voltei o grande mistério. O que a minha ruivinha esta fazendo de madrugada no sofá?

– Agora que já estraguei os seus planos podemos voltar para a cama. – comentei.
– Não quero voltar Tiago. – ela me respondeu manhosa.
– Se não me dizer por que saiu da cama no meio da noite eu não vou poder te ajudar. – respondi tentando fazer ela me olhar, mas como ela estava deitada o meu colo, isso ficou um pouco difícil.
– Só não estava muito bem. – ela respondeu dando de ombros.
– Vai Lily. Já te vi algumas vezes com a cara que você ficou o dia inteiro, mas nunca entendi o que estava acontecendo.
– Nada que você precise se preocupar mocinho. – ela me respondeu com um sorriso.
– Acho que você esta sorrindo muito para mim ultimamente, vou ficar mal acostumado. – comentei rindo. – Sério Lil, o que foi? – perguntei mais uma vez.

Foi quando reparei que ela não havia tirado o braço da barriga o tempo inteiro que estávamos conversando e me lembrei que o mesmo aconteceu o dia inteiro.

– Dor de estômago? Posso fazer um bom chá. Sabe… Vivemos com o Pedro e como ele vive comendo de mais e precisamos aprender algumas coisas para aliviar a dor de estômago. – comentei.
– Não é o estômago. – ela me respondeu desanimada.
– Vou te arrastar para a cama e te forçar a ficar deitada do meu lado se não me contar o que esta acontecendo. – brinquei.
– Isso seria uma tortura. – ela respondeu rindo.

Estou gostando dessa Lily animada e sem vergonha. Será que é só o sono?

– Então vou te torturar todas as noites. – respondi sorrindo.
– Não se preocupe Tiago. É só um pouco de cólica. – ela respondeu sem me olhar, mas puder ver seu rosto ficando vermelho.
– Você tem cólica? Pensei que não tivesse problema com isso. Tudo bem que você fica um pouco abatida quando esta nesses dias, mas ficar doente? – perguntei desanimado.
– Como sabe que estou naqueles dias? – ela me perguntou se levantando para me encarar e tive a confirmação que ela estava muito vermelha.
– Faz algum tempo que sei. Você fica bem abatida sabia? Não tem como não reparar, ai comecei a juntar o fato de que você só fica assim alguns dias no mês… Enfim… Isso não é motivo para ficar com vergonha. – eu disse sorrindo enquanto ela ficava ainda mais vermelha a cada palavra minha.

Ela voltou a se deitar e pelo visto fez voto de silêncio até que voltasse ao seu estado normal.

– Mas como posso te ajudar? – perguntei
– Já já passa. – ela me respondeu dando de ombros.
– Você esta assim o dia inteiro. Não vai passar assim.
– É só esquentar um pouco que melhora. – ela respondeu dando de ombros.
– Só isso? – perguntei animado.

Por que ela não falou antes?

– Esquentar sempre ajuda. – ela respondeu dando de ombros novamente.
– Então vamos para a cama que já vou dar um jeito nisso. – eu disse já a forçando  a se levantar.
– O que você vai aprontar? – ela perguntou desconfiada.
– Vem comigo. – eu disse a puxando pela mão.

A levei até o seu quarto e parei na porta.

– Vai deitando na cama que eu já venho. Vou dar um jeito. – respondi misterioso.

Adoro deixar a Lily curiosa.

– Mas o que você… – ela começou.
– Não me faça perguntas. – respondi lhe dando um beijo no rosto e a empurrando levemente para dentro do quarto.

Fui direto para o quarto dos pais dela e sem fazer barulho abri a porta e com um feitiço peguei três cobertores.

Voltei para o quarto da Lily e joguei os cobertores em cima dos dois casais deitados no chão, não preciso acrescentar que eles logo empurraram o cobertor para longe, não é?

Aproveitei e desliguei o aquecedor ou eu iria morrer desidratado já que peguei o cobertor mais quente para mim e para a Lily.

– Pegou cobertores? – ela me perguntou estranhando.
– Você não disse que cobertor esquenta mais que o aquecedor? – perguntei dando de ombros.
– Não acho que vai ser suficiente, ou o aquecedor teria resolvido. – ela comentou.
– Na verdade vai dar certo porque quem vai te esquentar vou ser eu. – respondei me deitando onde ela sempre deitava, ou seja, encostada na parede.
– Você pegou o meu lugar. – ela respondeu fingindo estar brava.
– A parede é gelada e não é bom você ficar perto dela. – respondei puxando o cobertor para nos cobrir.
– Você vai ficar com frio. – ela reclamou se deitando virada de frente para mim.
– Eu sou quente Lily, não se preocupe, sem contar que vou precisar de alguma coisa gelada para não morrer de calor aqui dentro. – respondi indicando o cobertor que já começava a esquentar.
– Não esta tão quente assim. – ela comentou revirando os olhos.
– Vou te esquentar. – eu disse a puxando mais para perto.
– Não vai dar certo. – ela comentou ficando a milímetros de mim.
– Claro que vai ruiva. – respondi colocando a minha mão n barriga dela por dentro da blusa do pijama.
– Ei! – ela reclamou um pouco alto fazendo a Lene resmungar alguma coisa.
– Não vou fazer nada. Só estou com  mão n su barriga. Isso vai esquentar o local mais rápido. – me defendi.
– Seu tarado! – ela comentou rindo no meu ouvido.
– Só com você. – respondi rindo também.
– Tiago… – ela me chamou depois de alguns minutos.
– Sim. – respondi já um pouco sonolento.
– Minha mãe ou meu pai vai vir nos acordar hoje. Eles vão achar ruim de nos ver assim. – ela comentou apreensiva.
– Eu me preocupo com isso Lily. Só durma. – respondi lhe dando um beijo na testa.

Narrado por Lílian Evans

– Lily! Tiago! Hora de levantar. – escutei minha mãe falando.
– Já estamos acordados. – escutei o Tiago respondendo antes que minha mãe tivesse chance de abrir  porta do quarto.

Abri os olhos e vi ele me olhando e sorrindo.

– Bom dia! – me disse gentil e me dando um beijo no rosto.
– Bom dia! Acordou há muito tempo? – perguntei desconfiada.

Será que ele acordou cedo só para que meus pis não entrassem?

– Acordei agora. – ele me respondeu dando de ombros. – Coloquei um feitiço no corredor. – ele se explicou quando viu minha cara de quem não entendeu.
– Não anda fazendo feitiços de mais n minha casa? – perguntei rindo.
– Vou fazer muito mais quando estivermos na nossa casa. – ele respondeu rindo.
– Dá para o casal melação parar de falar? Eu ainda quero dormir. – reclamou o Sirius com voz de sono.

Continuamos rindo enquanto eu ia ao banheiro me arrumar. Deixei o Tiago na cama para que ele dormisse mais.

Acho que essa foi uma das melhores noites da minha vida! E por incrível que pareça não estou mais com cólica.

Quando voltei par o quarto o Tiago tinha voltado a dormir e claro que eu tive que acordá-lo.

– Não vai acordá-lo? – escutei a Lene perguntando.
– Ele fica uma graça dormindo. – comentei.
– Não esta na hora desse namoro de vocês ficar mais emocionante? – ela me perguntou sorrindo maliciosa.
– Estamos fingindo Lene. – comentei.
– E daí? Não é para que você se acostume para que isso possa ficar bem real depois? – ela me perguntou.

Olhei para ela na dúvida. Ela estava certa, mas…

– Acorda ele da melhor forma possível Lily. – ela pediu sorrindo.
– Não sei não. – respondi incerta.

Eu queria, mas é complicado!

– Vocês não iriam me acordar para presenciar isso? Já perdi o último beijo não quero perder o próximo.
– Não vai haver beijo. – respondi descartando a idéia.
– Selinho não é beijo Lily. – comentou a Dora fingindo estar desinteressada.

Olhei incerta par as duas. Eu não posso fazer isso!

– Vai dizer que não quer? – perguntou a Lene já se sentando.
– Até parece que ela não quer. – comentou a Dora rindo.
– Vocês vão acordá-lo. – comentei muito constrangida com o rumo da conversa.
– Se você não vai acordá-lo como se deve por que esta irritada se vamos acordá-lo? – perguntou a Lene maliciosa.

Onde eu fui arrumar amigas assim?

– Eu não posso fazer isso suas taradas. – respondi.
– Taradas? Não fui eu que fiquei babando quando ele tirou a camisa para dormir. – comentou a Lene.

Só espero que nenhum deles acorde para escutar isso.

– Eu não estava babando. – comentei cruzando os braços fingindo estar nervosa pra esconder  vergonha.
– Imagina se estivesse. Ele iria precisar comprar um babador par você. – comentou a Dora rindo.
– Suas palhaças. – respondi rindo imaginando a cena cômica.
– Vai beijá-lo ou não? – perguntou a Lene impaciente.
– Vai querer tirar fotos se eu fizer? – perguntei irônica.
– Se algum deles me emprestar uma máquina fotográfica. Acho que a foto ficaria melhor sendo bruxa do que trouxa. – comentou a Dora.
– Eu estava sendo irônica. – respondi indo até a cama.
– Que pena! Eu não estava! – comentou a Dora dando de ombros.
– O que vocês fizeram que ele está tão cansado? Acabou com o coitado ontem Lily? – perguntou a Lene.
– Não sei do que você esta falando. – comentei sentindo meu rosto esquentar levemente.
– Acordei de noite e nenhum dos dois estava na cama. – ela respondeu.
– Sem contar essas cobertas que apareceram do nada aqui. – comentou a Dora.
– Só estávamos conversando. – respondi agora ficando muito quente.
– Conversando com a língua dentro da boca um do outro? – perguntou a Lene maliciosa.
– Você e sua mente poluída. Só estávamos deitados no sofá conversando. – respondi passando a mão no rosto do Tiago de leve.
– Estavam trocando carinhos ontem também? – perguntou a Dora rindo.

Tirei minha mão do rosto dele na mesma hora.

– Voltem  dormir. E cuidem bem da casa. Não quer nada quebrado e nem indecente por aqui. – comentei antes de me virar e me aproximar do Tiago para acordá-lo.

Não foi difícil acordá-lo afinal acho que ele nõ tinha dormido há muito tempo.

Depois dele tomar um banho descemos para tomar café e minha mãe e a Petúnia já estavam terminando de comer.

– Vocês demoraram. – comentou minha mãe trazendo o leite.
– Tiago acabou dormindo novamente. – comentei novamente.
– A culpa não é minha se você demora para tomar banho. – ele me respondeu dando de ombros.
– Não vamos brigar logo cedo. – comentou minha mãe.
– Não estamos brigando mãe. Só expondo fatos. – comentei.
– Hoje o Valter vai vir jantar conosco. É bom que você e as aberrações se comportem como gente normal ou sumam daqui. – disse a Petúnia com o seu sorriso falso.
– Petúnia! – repreendeu minha mãe.
– Só estou falando a verdade. Não quero que o Valter saiba que temos uma aberração na família. – comentou a Petúnia dando de ombros.
– Então por que ele esta se casando com uma? – perguntei já me irritando.
– Parem as duas! – pediu minha mãe autoritária.

O Tiago pegou na minha mão por de baixo da mesa depois disso. Acho que ele já percebeu que o dia não vai ser tão fácil.

Narrado por Tiago Potter

Já havíamos passado por várias lojas e a Petúnia não tinha gostado de nenhum vestido, mesmo sendo todos muito bonitos. A mãe da Lily fez ela experimentar dois vestidos mesmo a Petúnia dizendo que não gostou, eu já pelo contrário achei a Lily inda mais linda vestida daquele jeito.

Pelo pouco que já vimos hoje já reparei que infelizmente a Lily estava certa sobre a Petúnia querer escolher o vestido dela, mas vamos dizer que eu e a Sra. Evans não vamos deixar que isso aconteça.

– O que você tem? – me perguntou a Lily enquanto seguimos a Petúnia por mais uma rua cheia de lojas de vestidos.
– Só estou pensativo. – respondi não querendo entrar em detalhes.

A verdade é que eu ouvi pelo menos um pedaço da conversa das meninas hoje e estou pensando seriamente a possibilidade de avançar um pouco mais o meu suposto namoro, como as meninas disseram “selinho não é beijo”.

Mas ainda estou na dúvida, afinal não faço idéia de como a Lily irá reagir, não sei se realmente é uma boa idéia.

– Pensando no que? – ela me perguntou quando paramos em frente a uma loja que a Petúnia entrou.
– Em como te ajudar com a Petúnia hoje. – respondi.

Eu não estava mentindo totalmente, eu realmente estou tentando arrumar um jeito de ajudar a Lily com toda essa história de vestido de dama de honra, mas não faço a menor idéia do que eu posso fazer para ajudar.

– Esquece. Ninguém vai tirar da cabeça da Petúnia a idéia absurda dela. Muito menos fazê-la confessar. – ela me respondeu dando de ombros.
– E você não se importa com isso? – perguntei vendo a expressão de indiferença da Lily.
– Me importo, mas é melhor fingir que não estou ligando para isso, ou então ela vai ficar inda mais feliz.
– Já te falei que você tem que prender a mentir, não é? – perguntei rindo.
– Eu sei mentir muito bem. E você sempre acreditou nas minhas mentiras. – ela me respondeu rindo.
– Na verdade só acreditei em uma delas, e para falar a verdade muitas vezes tive minhas dúvidas. – respondi rindo enquanto ela fechava a cara.
– Ei! – ela reclamou.
– Você sabe que é verdade. – eu respondi rindo e lhe dando um beijo demorado no rosto.
– Parem de namorar e venham ver o vestido maravilhoso que encontrei. – disse a mãe da Lily empolgada nos chamando para entrar na loja.
– Ela não vai com esse vestido mãe. Não combina com  decoração. Sem contar que é de péssimo gosto. – disse a Petúnia indicando um vestido vermelho que a mãe da Lily tinha nas mãos.
– Pois eu achei que excelente gosto. – ela comentou ainda admirando o vestido. – O que você acha Lily?
– É só um vestido mãe. – ela respondeu sem olhar diretamente para a mãe dela.
– Mas não custa experimentar. – ela disse entregando para a Lily.
– Eu gostei desse. – disse a Petúnia pegando um vestido que mais parecia do século passado cheio de babados.
– Isso é bem ultrapassado Petúnia. – comentou a mãe da Lily.
– Mas vai ficar perfeito! – ela respondeu jogando o vestido em cima da Lily.
– Claro que vai. – respondeu a Lily com um sorriso amarelo para a irmã.

Será que é só eu que vejo o quanto a Lily mente mal?

Alguns minutos depois a Lily saiu com o vestido que a irmã escolheu, o vestido era ridículo, mas na Lily devo admitir que tudo fica bom, mas pelo olhar que ela me deu acho que não gostou muito.

– Ficou perfeito! – disse a Petúnia empolgada.
– Tem certeza? – perguntou a senhora Evans.
– Não vê que o perfeito? – perguntou a Petúnia rodeando a Lily.

Foi nessa hora que finalmente eu tive a minha idéia. Vou entrar no jogo da Petúnia.

– Ficou muito bom. Acho que a Lily vai chamar muito atenção na festa. – eu comentei fazendo a Lily esboçar uma cara de pânico.

Vi que além dela a Petúnia também estranhou me olhando irritada e com dúvida. Só espero que ela acredite. E a mãe da Lily? Ela ficou inconformada com o que eu disse.

– Você gostou do vestido? – ela me perguntou espantada.
– Não gostei do vestido, mas ele ficou muito lindo na Lily. – eu disse sorrindo para a Lily que ainda me olhava irritada.
– De qualquer jeito coloque o outro para vermos Lily. – pediu a mãe dela. – Você realmente achou que ficou bom? – ela me perguntou.
– Claro que ficou bom. Ela já seria a mais linda da festa de qualquer jeito, com esse vestido então…  comentei.
– Pensando bem mãe. O vestido não ficou tão bom assim. – comentou a Petúnia nervosa.
– Preciso de ajuda aqui. – disse a Lily colocando  cabeça para fora do provador.
– Se quiser estou a disposição. – brinquei sorrindo galante.
– Nem vou responder. – ela disse fazendo bico antes da mãe dela entrar no provador para ajudá-la.
– Então vocês estão namorando. – comentou a Petúnia quando ficamos sozinhos.
– Sou. – respondi meio incerto.

Será que ela não reparou isso ainda? Que conversa mais estranha.

– Tenho uma amiga que iria gostar de ficar com você. – ela comentou.
– Que pena! Já achei a pessoa perfeita. – respondi dando de ombros.

O que essa maluca quer agora?

– Eu não acho. – ela comentou.

Posso ser grosso?

– Mas eu acho. – respondi.
– Eu acho que você esta ajudando a Lily inventando que estão juntos para que todos pensem que ela deixou de ser uma encalhada. – ela respondeu.

Eu sei que de certa forma ela esta certa, mas ela esta errada! Estamos fingindo por que queremos estar juntos e a Lily tem um certo bloqueio quanto a isso.

– Não sei de onde você tira essas coisas. Acho que andou vendo muita televisão. – eu comentei maldosamente.
– Lily nunca falou bem de você. – ela respondeu na mesma hora.
– E como sabe se ela não conversa muito com você? – perguntei confiante.
– Sempre escutei ela gritando irritada no quarto quando você mandava cartas, sem contar que ela falava mal de você para o meu pai. Sei que vocês não estão juntos.
– Pois pense o que quiser. Estamos juntos e a Lily tinha um amor reprimido que finalmente resolveu colocar para fora.

Eu não menti!

– Amor reprimido? Só por que ela não quis jogar fora aquelas rosas verão passado? Pensa que me engana? – ela me perguntou com uma expressão vitoriosa.
– Esse vestido ficou lindo! – disse a mãe da Lily empolgada saindo do trocador de roupas.

Foi quando vi a Lily com aquele vestido. Ela estava divina, um anjo de vermelho. Perfeita!

Acho que juntei o meu desejo e a curiosidade da Petúnia quando me levantei e fui até a Lily.

– Me desculpe amor, mas acho que o outro estava melhor. – eu comentei para que a Petúnia ouvisse.

Chegando mais perto dela lhe dei um selinho, assim como as meninas sugeriram hoje cedo, foi rápido, tanto que a Lily nem o menos teve uma reação,  abracei e sussurrei no seu ouvido:

– Você é um anjo que caiu do céu. – disse sussurrando. – Acho que o outro vestido estava melhor. – eu comentei em voz alta.

Espero realmente que a Petúnia cai nessa mentira.

Narrado por Lílian Evans

– Ficou muito bom. Acho que a Lily vai chamar muito atenção na festa. – comentou o Tiago.

O que deu nele? Ele não viu como eu estou ridícula nessa porcaria dos anos 50?

Acho que cada di o Tiago fica ainda mais maluco.

Mas vi a Petúnia olhando irritada para o Tiago. Estranho!

– Você gostou do vestido? – eu perguntei espantada.

Impossível ele gostar disso. Ninguém em sã consciência iria dizer que isso é bonito.

– Não gostei do vestido, mas ele ficou muito lindo na Lily. – ele respondeu olhando pra a minha mãe que também o olhava espantada.
– De qualquer jeito coloque o outro para vermos Lily. – pediu a minha mãe me empurrando par dentro do provador. – Você realmente achou que ficou bom? – ela perguntou para o Tiago novamente.

Acho que ninguém acredito que ele realmente gostou dessa porcaria.

– Claro que ficou bom. Ela já seria a mais linda da festa de qualquer jeito, com esse vestido então…  ele respondeu, e tenho certeza que ele estava sorrindo.

Será que isso é tudo mais um plano maluco?

– Pensando bem mãe. O vestido não ficou tão bom assim. – escutei  a Petúnia dizendo nervosa.
– Preciso de ajuda aqui. – eu disse não conseguindo abotoar os botões do vestido.
– Se quiser estou a disposição. – brincou o Tiago sorrindo galante.

Não acredito que ele fez esse tipo de piada n frente da minha mãe. Que mico!

– Nem vou responder. – respondi fazendo um bico para ele antes da minha mãe entrar no provador para me ajudar.

Com a minha mãe falando sem para dentro do provador eu não consegui escutar o que a Petúnia e o Tiago conversavam, mas não acho que deva ser boa coisa. A Petúnia não esta com uma cara muito boa.

– Pensa que me engana? – escutei a Petúnia dizendo irritada, acho que a conversa não deve estar muito boa
– Esse vestido ficou lindo! – disse a minha mãe saindo e me puxando para fora do provador.

Olhei diretamente pra o Tiago. Queria saber o que ele e a Petúnia tanto conversaram, mas ele estava me olhando com cara de bobo.

O que deu nele?

– Me desculpe amor, mas acho que o outro estava melhor. – ele nos disse.

Ele não pode estar falando sério. O vestido ficou perfeito!

Mas não estranhei tanto o que ele disse quando ele começou a vir na minha direção, mas agora com uma cara mais decidida, mas ainda sorrindo.

Senti seus lábios se juntarem os meus por breves segundos e logo ele me abraçou.

Ele me beijou! Foi rápido, mas ele me beijou!

– Você é um anjo que caiu do céu. – ele disse sussurrando ao meu ouvido. – Acho que o outro vestido estava melhor. – ele disse se afastando novamente.

Primeiro ele me beija depois diz que estou linda e logo em seguida diz que estou feia.

O que ele bebeu hoje?

Eu já disse que ele me beijou e eu fiquei lá parada? Como eu sou estúpida!

Passamos o dia inteiro andando de um lado para o outro. Por incrível que pareça Petúnia resolveu alugar o vestido vermelho e depois pra não perder viajem acabamos indo ver outras coisas do casamento, o dia foi muito longo e depois disso não tive um tempo sozinha com o Tiago.

Assim que chegamos em casa eu me joguei no sofá enquanto a Petúnia foi correndo tomar um banho.

– Foi um dia produtivo. – comentou minha mãe antes de subir.
– Acho melhor irmos ver se os outros não quebraram nada. – comentou o Tiago parando ao lado do sofá.
– Só uma pergunta. – eu pedi me sentando.
– Eu não fiquei louco. – ele me respondeu na mesma hora. – Só precisava enrolar a Petúnia e ela comprou o vestido certo.
– Foi tudo um plano seu! – eu comentei horrorizada. Como eu não vi isso antes?
– Foi sim. Eu sou o máximo! – ele me disse passando as mãos no cabelo. – Mas acho que não era bem essa a sua pergunta.
– Na verdade queria saber o que deu em você na loja. – eu disse já sentindo o meu rosto ficando vermelho.
– Você esta muito linda. – ele respondeu dando de ombros.
– Mas nós tínhamos combinado. – respondi indignada.

Não é que eu não tenha gostado do beijo, alias, nem deu tempo de realmente saber se foi bom, mas o fato que é tínhamos combinado deu beijá-lo e não o contrário.

– Combinamos que você me beijaria e ainda estou esperando, mas não tínhamos falado nada sobre selinhos, como as meninas disseram hoje cedo “selinho não é beijo”, e tinha ainda a sua irmã que estava desconfiada.

Que parte eu perguntou primeiro?

– Você estava acordado? Não credito que ficou fingindo que estava dormindo. – reclamei.
– Fiz por uma causa maior. Na verdade eu estava dormindo e vocês me acordaram com a conversa. – E você não pode falar que nunca fez isso por que eu posso até exemplificar as vezes que você o fez. – ele comentou sorrindo.

Não acredito que ele escutou o que eu disse hoje cedo. Vou matar as meninas!

– Não precisa matar ninguém Lily. Teria sido mais fácil se você tivesse falado comigo o invés de ter falado com as meninas. Você sabia que elas iriam contar para os meninos que iriam me contar, alias, eles devem estar me esperando para contar.

Eu não estou nervosa com ele afinal eu já fingi dormir várias vezes para ficar perto dele, mas… Ele não poderia escutar aquilo.

– E o que você disse sobre a Petúnia? – perguntei tentando não pensar nele escutando a minha conversa comprometedora.
– Podemos falar disso depois? – ele me perguntou chegando mais perto.
– O que foi? – perguntei desconfiada.
– Só quero namorar um pouco. Aproveitar que ninguém vai nos interromper. – ele me disse já me puxando pela cintura.
– Tiago… – eu comecei  dizer.
– Calma. Não vou quebrar o nosso acordo, mesmo morrendo de vontade, mas não vou. Só quero ficar perto de você. – ele me disse deixando um rastro de beijos da minha orelha até a minha boa, onde ele depositou um leve e rápido beijo.

Eu sei que esse seria o momento perfeito para agarrá-lo e beijá-lo ou até mesmo mandar ele me beijar, mas eu duvido que sou mesmo um grifinoriana já que não tive coragem nem de me aproximar mais e muito menos mandá-lo me beijar como se deve. Então só ficamos ali abraçados.

– Olha os dois pombinhos. – escutei a voz do Sirius.
– Como sabiam que tínhamos chegado? – perguntei chateada por meu momento “a sós” ter terminado.
– Sua irmã estava cantando no banho. – ele respondeu dando de ombros.

Petúnia cantando no banho? Essa é nova!

– Foi bem bizarro. – comentou a Lene fazendo uma careta.
– Sua mãe passou no quarto para ver se precisávamos de alguma coisa. – comentou o Remos.
– Eu disse que ela iria acreditar. – comentou o Sirius.
– É que o Tiago desconcentra ela. – comentou a Dora.
– Eu não acreditei. A Petúnia nunca canta no banho. – respondi dando de ombros.
– E como foi o dia? – perguntou a Dora.
– Na verdade foi até agradável. – comentei sorrindo.
– Agradável? Pensei que a Petúnia tinha ido. – comentou a Lene em dúvida.
– E ela foi, mas a minha companhia é tão boa que a Petúnia não conseguiu estragar o dia, só melhorá-lo. – respondeu o Tiago me abraçando pelos ombros.

O que ele quis dizer com melhorá-lo?

– Estou vendo que as coisas entre vocês esta bem melhor. – comentou a Dora empolgada.
– Essa ruiva não resiste ao meu charme. – comentou o Tiago passando as mãos pelo cabelo.
– Me desculpe Pontas, mas eu tenho que discordar, e ruivinha é não resiste ao meu charme. – comentou a Sirius dando aquele sorriso sexy dele.
– E o que vamos fazer agora de noite? – perguntou o Remus se sentando no outro sofá.
– Eu pretendia ficar agarrando uma certa ruiva, mas como me atrapalharam podíamos ver algum filme. – respondeu o Tiago me apertando enquanto minhas bochechas teimavam em ficar vermelhas.
– E idéia é boa – comentei pensativa.
– Então vamos logo alugar algum filme Lily. – disse a Dora empolgada.
– Só temos que avisar a minha mãe. – eu disse me levantando relutante.
– Não temos que ajudá-la com o jantar? – perguntou o Remus.
– Temos, mas fazemos isso depois que voltarmos da locadora.
– Loca quem? – perguntou o Sirius.
– Você vai ver. – eu respondi dando de ombros e subindo para falar com a minha mãe.

Não demorou muito e já estávamos escolhendo os filmes, aproveitei para interrogar o Tiago sobre a conversa misteriosa que ele teve com a Petúnia mais cedo, mas ele estava bem evasivo.

Narrado por Tiago Potter

Assim que saímos da casa da Lily somos direto para a tal locadora. Lá por mais incrível que pareça cada casal foi para uma direção diferente, eu arrastei a Lily para a sessão de terror, mas pelo que percebi ela não estava muito empolgada para escolher o filme:

– O que acha desse? – perguntei mostrando acho que o quarto ou quinto filme seguido.
– Quer parar de escolher filmes um minuto? – ela perguntou fazendo bico.
– O que foi? – perguntei estranhando o humor dela.
– Por que não me conta logo o que estava conversando com a Petúnia? – ela perguntou cruzando os braços.
– Por que não é nada que você precise se preocupar. – respondi o que parecia ser a milésima vez.
– Tiago Potter! – ela disse autoritária.
– Lily relaxa. Não é nada. – eu tentei tranqüilizá-la.
– Se não é nada você pode me contar. – ela disse não acreditando na minha mentira.
– Por que você não para de brigar comigo e aproveita para namorarmos um pouco? – perguntei a puxando pela cintura.
– Me recuso a namorar enquanto não me disser o que aconteceu entre vocês.

Mas como ela é teimosa!

– Por que não deixamos isso para depois? – perguntei tentando ganhar tempo.

Precisava que ela estivesse calma e longe da Petúnia para contar tudo que a irmã dela falou.

Depois que a Lily ficou emburrada fiquei pensando se não era melhor inventar alguma coisa só para ela não precisar se chatear com a verdade, mas acho que não seria a melhor coisa a fazer.

Não demorou muito e já estávamos de volta para a casa da Lily. Eu e os meninos fomos revezar para tomar banho enquanto as meninas ajudavam a mãe da Lily com o jantar.

Assim que o Remus entrou no banho escutamos batidas na porta e logo a Petúnia entrou no quarto.

Estranhei ela estar ali, principalmente depois de hoje de tarde.

– Perdida? – perguntou o Sirius com um leve sorriso.
– Na verdade não. – respondeu ela olhando o quarto atentamente.

Ficamos olhando para ela esperando que ela se manifestasse, e isso demorou um pouco.

– Valter vai vir jantar aqui hoje. – ela comentou.

É só comigo ou acho que essa conversa é estranha?

– A Lily já comentou. – respondi.
– Não quero que ele saiba que tenho uma anormal na família, então nada de gracinhas. – ela disse confiante.
– Não somos anormais. Somos bruxos. – respondeu o Sirius revoltado. – E você não vai falar da anã assim na minha frente.
– Pensei que você fosse o namorado dela. – ela disse para mim.
– Não é só por isso que nossos amigos não podem defendê-la também. – respondi dando de ombros.
– Não quero saber de gracinhas, nem de nada que envolva as loucuras de vocês. Pelo menos finjam por algumas horas que vocês são normais. – ela disse autoratária.
– E se eu não quiser? – perguntou o Sirius debochado.

Eu sei que a Petúnia não é melhor pessoa do mundo, mas poderíamos pelo menos fingir que estamos fazendo isso por ela.

– Valter pode acabar com vocês. Ele é rico e tem poder. – ela respondeu triunfante.

Eu não acredito que ela nos disse isso, sério eu não agüentei e comecei a rir, e não foi surpresa quando o percebi que o Sirius também ria da situação.

– Deixa ele tentar então. – respondi rindo. – Olha Petúnia, não pretendemos fazer nada por respeito a Lily e a seus pais, mas um trouxa como o seu noivo não pode contra nós. E não tente nos ameaçar novamente e nem pense também em descontar na sua irmã depois. – eu respondi sério.
– Eu não acharia ruim em te lançar uma azaração para você virar um sapo. – comentou o Sirius portando a varinha para a Petúnia.
– Saia de perto de mim sua aberração! – ela gritou irritada antes de sair correndo.
– O que houve? – perguntou o Remus saindo do banheiro.
– A cunhada do Pontas veio nos ameaçar. – comentou o Sirius dando de ombros.
– Não acredito. – comentou o Remus surpreso. – O que aconteceu?
– O noivo dela vem jantar aqui e ela esta com medo de nós assustarmos ele. – respondi.
– Mas já tínhamos falado para a Lily que tudo iria ficar bem. – comentou o Remus.
– Mas a Petúnia não acredita na Lily. – comentei.
– Ela veio falar que o noivo dela tem dinheiro e pode acabar conosco. Vê se pode! – reclamou o Sirius.
– Não entendo como duas irmãs podem ser tão diferentes. – comentou o Remus pensativo.
– Acho que a Lily é adotada. – brinquei.

Assim que terminamos de nos arrumar as meninas chegaram para tomar banho. A Lily saiu correndo e se trancou no banheiro primeiro que as outras duas.

– A ruiva foi mais rápida. – comentou o Sirius.
– Infelizmente! – respondeu a Marlene dando de ombros.
– E como andam as coisas entre você e a Lily? – me perguntou a Dora deitando na cama da Lily.
– Estão indo bem. A Lily não fica mais assustada nem sem reação quando a abraço. – comentei.
– Então logo as coisas ficam do jeito que se deve? – perguntou o Sirius com aquele olhar malicioso.
– Na verdade ainda acho que vai demorar. Prometi para a Lily que não a beijaria, que ela iria ter que fazer isso, e até agora e Lily nem ao menos pega na minha mão sozinha, eu que tenho que pegar na dela. – comentei um pouco chateado.
– Mas passou pouco tempo. E você esta tendo um progresso rápido se for parar para pensar. – comentou a Dora.
– Na verdade esta demorando, já que ambos já admitiram se gostar há algum tempo. – comentou o Remus pensativo.
– Podemos falar com ela se quiser. – comentou a Lene.
– Vocês já ajudaram bastante hoje de manhã. – comentei rindo.
– Então você estava acordado? – perguntou a Dora espantada.
– E quem não acordou com as três batendo papo? – perguntou o Remus sorrindo.
– Mas então ajudou? – perguntou a Dora ignorando o namorado.
– Um pouco. Parti do principio que a Lily concordava com vocês e agora avançamos para os selinhos. – comentei feliz.
– Mas… – disse o Sirius desconfiado.
– Mas não estou tendo muito progresso na parte da Lily. Ela nunca toma iniciativa de nada. – comentei desanimado.
– Mas ela esta bem receptiva, não é? – perguntou a Lene.
– Disso eu não posso reclamar. – respondi sorrindo.
– Do que você não pode reclamar? – perguntou a Lily saindo do banho.
– Que seus pais me adoram. – menti.
– Isso ninguém pode reclamar. – ela respondeu sorrindo.
– Minha vez de tomar banho. – disse a Dora correndo para o banheiro.
– Por que eu sempre sou a última? – reclamou a Lene.
– Por que você é a mais bonita. – comentou a Sirius beijando a namorada.
– Isso não fez muito sentido Sirius. – comentou a Lily rindo.
– Não era para fazer mesmo. – ele respondeu dando de ombros.

Não demorou muito e já estávamos todos sentados à mesa. Sei que não deveria falar assim, mas onde a Petúnia conseguiu um cara tão feio?

Sem brincadeiras! Esse tal de Valter consegue ser pior do que eu imaginei. Posso dizer que o Pedro é uma versão bem melhorada do Valter. Eca!

A única coisa boa de estarmos aqui com esse ser mal educado do Valter é que o Sr. Evans também não gosta dele.

– Você sabe por que todos os gordos dizem que têm ossos largos? – me perguntou o pai da Lily em mais uma tentativa de mostrar claramente ao Valter que ele não é bem vindo.
– Deve ser por que eles não gostam de admitir que comem de mais. – o Sirius respondeu rindo.
– Não acho que a Petúnia vai ficar muito feliz com tudo isso. – comentei com a Lily que estava ao meu lado.
– A Petúnia não iria gostar do jantar de qualquer jeito mesmo. – ela comentou dando de ombros.

A noite passou entre muitas risadas da nossa parte e muitas caras feias da parte da Petúnia.

– Tem sobremesa tia? – perguntou a Dora cara de pau.
– Eu só fiz gelatinha querida. Não deu tempo de fazer outra coisa. – comentou a mãe da Lily.
– Mentira. Ela fez gelatina pra não engordar ainda mais o querido genro. E não estou falando de você. – comentou o sr. Evans comigo.
– Papai! – reclamou a Petúnia.
– Não menti! – ele disse na defensiva.
– Eu não me importo com isso Pet. – respondeu o Valter com uma careta que acho que deveria ser um sorriso.
– Mas eu me importo! – ela reclamou.
– Ela esta assim por que sabe que esta se casando com uma rolha de poço. – comentou o Sirius segurando o riso.

Não demorou muito e finalmente o jantar terminou. Deveríamos ir todos para a sala assistir tv, pelo menos é o que a Lily disse que eles fazem toda vez que o noivo da irmã vem aqui, mas como estávamos em muitos os pais da Lily nos deixaram subir para o quarto.

– Não vamos poder assistir o filme que alugamos com todo mundo na sala. – reclamou a Lene.
– Não tem problema. Temos o dia inteiro amanhã livre para isso. – comentou a Lily dando de ombros.
– Só de pensar que depois de amanhã já é dia 31 e vamos ter festa… – comentou a Dora.
– Deveríamos ter ido viajar. – comentou a Lily.
– Mas está divertido ficar aqui. – comentou o Remus.
– Principalmente com esse jantar. – comentou o Sirius rindo.
– Mas o que vamos fazer no ano novo? – perguntei.
– Na verdade nada de mais. Provavelmente minha mãe vai fazer mais comida do que vamos comer, vamos ter música e uma festa no jardim, fógos e essas coisas. – respondeu a Lily pensativa.
– Eu adoro festas! – disse o Sirius empolgado.

Ficamos conversando até que a Lily dormiu no colo da Lene. Em seguida eu a coloquei na cama e todos fomos dormir.

Narrado por Lilían Evans

Os dias estão passando muito rápido. Não acredito que manhã já é véspera de ano novo e eu nem aproveitei muito bem as férias!

Assim que abri os olhos percebi que estava sozinha no quarto, ou melhor, quase sozinha já que o Sirius ainda dormia no outro canto do quarto deitado na diagonal ocupando o lugar que antes tinham quatro pessoas.

Reuni toda a minha pouca coragem e fui para o banheiro me arrastando. Tomar um banho poderia ajudar a me acordar um pouco.

Assim que desci para tomar café e vi todos na sala assistindo tv foi que percebi que deveria já ter passado da hora de tomar café.

– Nunca te vi dormir tanto. – comentou a Lene.
– Bom dia para você também. – eu disse enquanto me arrastava para a cozinha.
– Acordou tarde e de mal humor! – comentou a Dora.

As coisas do café ainda estavam na mesa, o que significava que não poderia ser tão tarde quanto imaginei. Procurei o relógio as cegas e percebi que faltava cinco minutos para as onze da manhã. Como fui dormir tanto?

– E o Sirius? – me perguntou o Tiago depois de me cumprimentar com o leve beijo nos lábios.
– Ainda estava dormindo quando sai do quarto. – respondi dando de ombros.
– O que vocês dois fizeram de noite que estão tão cansados? – perguntou ele com um meio sorriso.
– Ficamos falando mal de vocês. – respondi enquanto me sentava para tomar café.
– Que coisa mais feia ruivinha. Ficar acordada até tarde só para falar mal do seu namorado perfeito. – comentou o Tiago fazendo bico.
– E o que vamos fazer hoje? – perguntei enquanto ele me olhava comer.
– Podemos assistir os filmes que alugamos ontem. – respondeu o Tiago dando de ombros.
– Já tinha me esquecido dos filmes. – comentei dando de ombros.

Parece que alugamos esses filmes há tanto tempo.

– Para isso que estou aqui. – ele comentou sorrindo.
– Então vamos ficar o dia inteiro deitados comendo pipoca? – perguntei me animando com a idéia.
– Acho que nós dois vamos ficar deitados comendo pipoca, os outros vão ficar dando uns amassos o dia inteiro. – ele respondeu sorrindo malicioso.
– Eles não vão fazer isso. – comentei pensativa.
– Você é tão ingênua ruiva. – disse o Sirius entrando na cozinha.
– O que eu fiz? – perguntei.
– Eu escutei um pouco da conversa. – ele respondeu dando de ombros.
– Olha quem resolveu acordar… – comentou o Tiago.
– Minha noite foi longa. Eu e a anã fugimos para nos divertir. – ele comentou me abraçando.
– É bom que tenham se divertido bastante, por que hoje vão dormir tarde assistindo filme. – respondeu o Tiago dando de ombros.

O que deu nele que não ficou com ciúmes?

– Assistindo filme? – perguntou o Sirius maliciosamente.
– Não entendi a malicia na voz. – comentei.
– Vamos aproveitar a falta de luz e namorar é claro. – comentou o Sirius sorrindo.
– Eu te disse. – me disse o Tiago quando olhei para ele inconformada.
– Se eu fosse vocês seguiria o nosso exemplo e iria se agarrar por aí. – disse o Sirius antes de enfiar um pedaço de pão enorme na boca.
– Eu estou a disposição. – me disse o Tiago piscando para mim e voltando para a sala.
– Eu acho que você deveria ir lá e agarrar ele logo. – comentou o Sirius.
– E eu acho que você deveria ir comer e ficar quietinho. – eu disse fechando a cara.
– Por que você não ara com isso de fingir e parte logo para a ação? – ele me perguntou me olhando sério.

Desde quando o Sirius fala sério?

– Acho que esse leite não te fez muito bem. – comentei fingindo ver se ele estava com febre.
– Isso foi uma desculpa para poder passar a mão em mim ruiva? – ele perguntou sorrindo.
– Foi uma desculpa para te fazer sorrir. – respondi piscando para ele.
– Assim vou ter que largar a Lene e disputar com o Tiago pelo seu pequeno coração ruivo. – ele comentou sorrindo.
– Coração ruivo? – perguntei rindo.
– Se você é ruiva seu coração deve ser ruivo também. – ele comentou dando de ombros.
– Vou fingir que isso fez sentido. – comentei rindo.
– Mas é claro que fez sentido. – ele me disse inda sorrindo.

Não sei como eles conseguem sorrir tanto!

– Mas voltando ao assunto em questão. Vai mesmo me fazer brigar com o veado para podermos dar uns amassos por aí? – ele me perguntou com aquele sorriso que ele lança para as fãs dele.
– Eu adoraria jogar o lencinho no chão para que vocês saíssem se batendo por aí, igual antigamente. – brinquei.
– Acho que você anda assistindo muitos filmes ultimamente. – ele respondeu rindo.
– Eu tenho culpa de ser romântica? – perguntei fazendo a minha melhor cara de inocente.
– Faça essa cara para o Pontas e ele não vai responder por ele. – comentou o Sirius.
– E você vai fazer tudo que eu pedir também? – perguntei esperançosa.
– Só se você fizer uma coisa que eu pedir. – ele me disse sorrindo maligno.

Ele sabe que não eu não iria confiar em ficar em divida com ele.

– Depende do que você quer. – respondi pensativa. – E não me venha com coisas impróprias.
– Não vou falar nada pornográfico Lily. – ele comentou rindo.
– Nunca se sabe. – respondi dando de ombros e esperando ele falar.
– Você poderia dar uma chance a vocês. – ele me disse pensativo.
– Pára tudo! Você esta falando sério? Nunca tinha te visto sério, a não ser quando esta brigando com a Lene.
– Eu sou uma pessoa séria. – ele disse fazendo cara de indignado.

O que mais eu pude fazer a não ser rir?

– Claro que é. – eu respondi rindo.
– Então vou falar sério com você anã. – ele me disse ainda mantendo a expressão séria.
– Pode dizer gigante. – respondi prendendo o riso.
– Por que não vai agora lá na sala e agarra o veado? Sei que você quer tanto quanto ele. – ele me disse com a expressão séria.

Da onde o Sirius tira essas coisas?

– Não posso fazer isso Six. Não vou te trair. – comentei brincando para escapar da pergunta.

Por que eu não o agarro logo? Fácil! Seria estranho. Sem contar que mesmo querendo… Talvez ele nem goste do meu beijo, afinal nunca tentou me beijar de novo.

Tudo bem que combinamos dele não me beijar, mas ele é o Tiago não é?

– Eu divido tudo com o Tiago. – ele me disse sorrindo.
– Até  a Lene? – perguntei espantada.
– A Lene é só minha sabe. Temos um acordo… – ele comentou dando de ombros.
– Sei… Um acordo!
– Isso… A Lene também não me divide com ninguém. – ele respondeu dando de ombros.
– Desculpe Six. Sou bem egoísta e não gosto de dividir as coisas. – eu comentei sorrindo.
– Então eu abro mão de você se você quiser ficar com o Pontas.
– Vai me largar assim? – perguntei fazendo a maior cara de indignada.
– Vai partir meu coração, mas sei que vocês serão felizes juntos. – ele comentou fingindo chorar de emoção.
– Mas eu não vou poder viver sem ter você. – eu brinquei também fazendo drama.
– Ninguém gosta de viver sem o Sirius aqui, mas não posso dar atenção a todas. – ele comentou metido.
– Palhaço! – eu disse rindo já me levantando para ir para a sala.
– Aonde você vai? – ele me perguntou.
– Vou ver o pessoal – comentei dando de ombros.
– Mas você ainda não me disse por que não vai lá agarrar o Pontas.
– Você sabe que não vou fazer isso. – comentei desanimada.
– Você sabe que o Tiago não vai agüentar isso para sempre. – ele comentou.
– Ele veio te falar alguma coisa? – perguntei desconfiada.

O que será que eles andaram conversando?

– Não precisa falar nada Lily. Eu conheço ele e sei que esta ficando preocupado com a relação de vocês. – ele comentou parecendo realmente preocupado.

Fiquei estática sem ter muito o que fazer.

Por que ele estaria preocupado? Nunca estivemos tão bem!

– Ele não me parece preocupado. – comentei me lembrando que o Tiago sempre esta com um sorriso no rosto.
– Por que ele não quer te deixar preocupada Lil. – comentou o Sirius.
– Mas ele iria falar comigo. – respondi pensativa.

Ele não iria falar comigo se estivesse alguma coisa errada?

– Talvez, mas só se ele já estivesse sem saída. Você sabe que a última coisa que o Tiago quer é te ver triste ou magoada. – o Sirius me respondeu chateado me fazendo voltar a me sentar.

Agora quem esta ficando preocupada com essa conversa sou eu.

– Mas é complicado Sirius. – eu respondi desanimada.
– Sei que é, mas não deveria ser. – ela comentou.
– Não deveria ser? Ok! Confesso que beijar ou agarrar alguém não é complicado, pelo menos para você. – respondi irritada. – Mas eu sempre odiei o Tiago e sempre tive aquela visão que nunca daria certo. – ele me olhou desconfiado. – Eu sei que as vezes ainda parece que não vai dar certo, mas eu não sou uma pessoa extrovertida como vocês e não saio agarrando ninguém por aí. É mais complicado do que você pode imaginar. – desabafei.
– Eu sei que você não agarra ninguém por aí Lily. E nem quero que você seja assim, mas é o cara que você ama, não é? Você já esta dando uma chance para vocês. Só falta se entregar e entrar de vez nessa história. – ele me respondeu sorrindo levemente.
– Eu estou tentando Sirius. Realmente tentando, mas passei cinco ou seis anos da minha vida dizendo odiá-lo e colocando na minha cabeça que nunca poderia ceder e de repente me encontro apaixonada por ele, parece loucura ceder assim, agir como se tudo fosse normal…
– Quem sabe se você tentar um pouco mais Lily. Ser mais agressiva, ir lá e mostrar que pode dar certo, ou invés de ficar esperando que o Tiago mostre isso para você. – ele comentou de uma forma despreocupada.

Sei que foi meio grosseiro o que o Sirius disse, mas não fiquei chateada e nem irritada com ele, ele foi sincero e o tom de voz não era rude.

– Tiago nunca vai conseguir te mostrar que vocês podem ser felizes juntos se você não ajudar. – comentou o Sirius me abraçando.
– Queria que as coisas fossem simples. – comentei chateada.
– Se tudo fosse simples a vida não teria mais graça. – ele respondeu sorrindo.
– Acha mesmo que ele está chateado comigo? – perguntei angustiada.

Preciso concertar as coisas!

– Acho que chateado não seria bem a palavra certa, mas ele não esta tão feliz como estaria se você tomasse uma atitude as vezes. Tente ser você mesma Lily. Abrace-o se tiver vontade, pegue em sua mão se quiser, beije-o se estiver com vontade.
As coisas não precisam ser complicadas. – ele me respondeu sorrindo.

– Que amor todo é esse aqui? – perguntou a Marlene entrando na cozinha e me vendo abraçada com o Sirius.
– Estávamos tentando te trair, mas eu te amo de mais para isso. – respondeu o Sirius me soltando e indo beijar a namorada.

Prestei atenção que foi a Lene que o puxou pela mão e lhe deu um beijo no pescoço, o Sirius só lhe cumprimentou com um selinho. Isso é o certo a fazer! Eles são namorados… Não tem problema dela querer beijá-lo.

– Não se empolguem que eu ainda estou aqui. – eu disse quando eles embalaram um beijo de desentupir pia.

Quando vi que eles não me deram ouvidos achei melhor ir para a sala, afinal, eu não iria ficar segurando vela.

Entrei na sala e todos ainda estavam do jeito que deixei, assistindo televisão e o Remus e a Dora ainda estavam se agarrando.

– Nunca imaginei vocês dois se agarrando assim em publico. – eu disse me sentando no braço da poltrona do Tiago.
– Não estamos fazendo isso em público. O Tiago não conta exatamente como público, já que ele finge que nós nem estamos aqui. – respondeu a Dora.
– Se eu ficasse olhando para vocês iria ter náuseas. – respondeu o Tiago enquanto eu ria.
– Pelo menos agora a Lily esta aqui para te distrair. – comentou o Remus dando de ombros antes de puxar a Dora para mais um beijo.

Fiquei observando os dois juntos e realmente o Tiago estava certo, ficar olhando os dois se agarrando não é nada divertido.

Foi quando reparei na mão do Tiago apoiada na minha perna. Não tinha reparado nela antes e foi quando percebi  a intimidade que ele demonstrava, ele nem se preocupou se eu iria gostar ou não dá mão dele ali. Ele simplesmente fez o que queria.

É isso que os namorados fazem? Eu posso simplesmente escorregar e sentar no colo dele sem me envergonhar e sem me preocupar com o que ele vai achar disso?

Mas o que todo mundo vai pensar se me ver no colo dele? Não posso simplesmente sair e me sentar no colo dele como eu queria fazer. É errado… Apesar do Sirius ter dito para fazer tudo que eu quisesse.

Olhei novamente para a mão dele que ainda repousava na minha perna, era bom ela estar ali, quente e macia. Ela definitivamente não me incomodava, pelo contrário, queria que ele acariciasse minha perna ao invés de deixar a mão ali parada. Acho que a conversa com o Sirius não me fez muito bem!

Será que o Tiago realmente está chateado comigo? Ele parece estar tão normal! Esta aqui concentrado na televisão dando risada das besteiras que aparece no desenho. Definitivamente ele não esta chateado!
Mas é melhor tentar a abordagem do Sirius de aproximação para garantir que ele não fique chateado.

Claro que não vou me jogar no colo dele e ficar com a cabeça na curva do pescoço sentindo aquele cheirinho gostoso dele enquanto passo as minhas mãos pelo peito dele.

Não… Vou… Pegar na mão dele. Isso! Já fiz um contato, eu gosto de andar de mãos dadas com ele e garanto que ele não vai se incomodar com isso, afinal ele vive pegando na minha mão.

Disfarçadamente enquanto garanti que ninguém estava olhando fui lentamente em direção a mão dele que repousava na minha perna, mas quando eu estava chegando perto ele simplesmente pegou a minha mão e entrelaçou nossos dedos. Simples assim! Eu aqui há uns dez minutos tentando me aproximar e ele vai lá e faz!

Fiquei me xingando internamente até o Sirius chegar rindo com a Lene.

– Perdi alguma piada? – perguntou o Tiago.
– Você perdeu a Lene tentando comer mais rápido que eu. – respondeu o Sirius ainda rindo;
– Não tenho culpa que você tem essa boca gigante que cabe mais comida. – respondeu a Lene dando de ombros antes de voltar a rir.
– Não vi a graça, mas tudo bem. – eu disse dando de ombros.
– Podemos ver os filmes agora? – perguntou a Dora finalmente se desgrudando do Remus.
– Temos filme para o dia inteiro. Vamos até cansar de ficar deitados. – comentou o  Remus indicando os quatro filmes em cima da estante.
– A Lily e o Sirius precisam escovar os dentes e trocar de roupa ainda. – disse o Tiago voltando a olhar  televisão.
– Já vamos papai. – respondi mostrando a língua para ele.

Soltei a mão do Tiago e sai arrastando o Sirius escada a cima para escovar os dentes.

– Fez o que eu te falei? – ele me perguntou assim que fechou a porta.
– Na verdade eu ia fazer, mas ele fez primeiro. – comentei derrotada.
– Então ele te beijou? – perguntou o Sirius empolgado.
– Não seu malicioso. Eu ia pegar na mão dele. – respondi.
– Mas isso nem tem graça. – ele respondeu antes de se trancar no banheiro.

Mas é claro que tem graça… Eu demorei uns dez minutos só para conseguir me aproximar da mão dele e o Sirius fala que não tem graça? Isso é revoltante!

Não demorou muito e finalmente descemos para assistir os filmes. Claro que eu já arrastei um cobertor para mim, afinal na sala estava muito frio.

Quando voltei todos ainda estavam na mesma posição, o Tiago ainda estava naquela poltrona solitário assistindo televisão, a Lene estava deitada no sofá de três lugares assistindo com o Tiago, enquanto a Dora e o Remus estavam aproveitando o tempo para namorar.

Fiquei na dúvida se ia me sentar no braço da poltrona do Tiago ou se ia me sentar com a Lene.

Escutei a voz do Sirius na minha cabeça me dizendo para fazer o que eu queria, e eu queria era ir lá ficar com o Tiago, mas ele estava em um sofá de um lugar!

– Vocês demoraram! – reclamou a Lene.
– O Sirius ainda esta se embelezando. – respondi dando de ombros.
– Nunca vamos conseguir assistir esses filmes. Logo já é hora do almoço. – reclamou ela.
– Podemos almoçar pipoca, muita pipoca. – eu disse já pensando na ótima tarde preguiçosa.
– Nem todo mundo adora pipoca como você Lil. – reclamou o Remus.
– Podemos comer uns salgadinhos e bolachas também. – eu respondi.
– Eu gostei da idéia. – disse a Tiago sorrindo para mim.

E que sorriso!

– Então vou pegar doces na cozinha. – eu disse já jogando o cobertor em cima da Lene e indo para a cozinha.
– Eu vou junto! – disse o Tiago já se levantando.
Não demorei muito para juntar todas as guloseimas da casa.

– Larga isso aí e vem ficar um pouco comigo Lily. – pediu o Tiago me puxando para seus braços.
– Podemos namorar enquanto vemos o filme. – respondi sorrindo.
– Até que eu gostei da idéia. – ele respondeu com um sorriso muito suspeito.

Depois dele me dar um leve beijo nos lábios e um beijo bem demorado na bochecha, seguido de uma mordida voltamos para a sala onde o Sirius já estava ao lado da Lene.

– Eu trouxe doces. – eu disse indicando meus braços e os do Tiago cheio de bolachas e afins.
– Por que não levamos a televisão para o quarto ao invés de trazer o quarto para a sala? – perguntou o Remus pensativo.
– Por que não teria graça não bagunçar a casa? – perguntou o Sirius sorrindo.
– E como vamos subir a televisão? – perguntou a Lene.
– Sua mãe não vai brigar? – perguntou a Dora.

Para quem eu respondi primeiro?

– O Remus pega a televisão. A Dora ajuda com os cabos. Lene sobre com o cobertor da Lily. Sirius vai arrumar o quarto para colocar a televisão. Eu vou ajudar a Lily com os doces, e com as bebidas. – disse o Tiago depois de alguns segundos.

Adoro quando ele toma conta de situação e me poupa trabalho.

Não demorou muito e já estávamos assistindo um dos filmes, não vi o nome, mas o filme parece ser legal, de aventura.

Estávamos no mesmo lugar que dormíamos então eu estava abraçada com o Tiago, e pode ter certeza que estava muito bom estar ali.

O dia passou muito rápido, só paramos de ver filmes para tomar um banho e comer um pouco. Eu reparei que o Sirius ficou me mandando olhares estranhos o dia inteiro, pelo menos a parte do dia que não estávamos deitados vendo filme, pensando bem, me lembro de olhar para o Sirius e para a Lene e o Sirius estar olhando para mim com aquele olhar estranho.

O que ele quer que eu faça? Ele não acha realmente que eu vou agarrar o Tiago aqui no meio de todo mundo, não é?

Eu tenho as minhas dúvidas se teria coragem de fazer isso quando estivermos sozinhos, imagine na frente de todo mundo? Nem pensar!

Acho que se o chapéu seletor me visse agora eu não conseguiria me classificar para a grifinória novamente. Acho que minha coragem me abandonou nesses últimos tempos.

As coisas deveriam ser mais fáceis, afinal, se a Petúnia consegue beijar aquele porco eu posso muito bem beijar o Tiago que é um monumento de homem.

– Esta tudo bem Lily? – escutei a voz do Tiago bem baixa ao meu ouvido, pude sentir sua respiração chegando a minha nuca.
– Está tudo ótimo! – me aprecei a responder.
– Você esta estranha desde que voltou do café da manhã. – ele comentou me puxando levemente para olhá-lo.

Agora eu estava deitada na cama com o Tiago debruçado sobre mim, não senti seu corpo tocando o meu, mas sentia a calor que irradiava dele, e única coisa que eu via era seu rosto me olhando preocupado.

– Brigou com o Sirius? – ele me perguntou me olhando fixamente.
– Eu nunca brigo com o Sirius. – respondi brincando.
– Então o que aconteceu? – ele me perguntou ainda preocupado.

O que deu nele hoje?

Ele me pergunta se eu estou estranha, mas é ele que está meio esquisito, ficou assistindo televisão ao invés de ficar comigo, me largou com o Sirius na cozinha, não ficou me agarrando, alias, esta até mantendo uma distancia razoável.

– Eu é que tenho que te perguntar o que houve! – reclamei.
– Por quê? – ele me perguntou juntando as sobrancelhas.
– Você esta distante. – respondi excitante.
– Não estou! – ele disse na mesma hora.
– É claro que esta. – respondi levemente irritada.
– Só por que te deixei conversando com o Sirius na cozinha hoje cedo? – ele me perguntou de cara fechada.
– Não só por isso, mas você nunca me deixa sozinha assim. – reclamei.
– Achei que você precisava de espaço. Você não tem gastado seu tempo conversando com os seus amigos ultimamente. Ia te fazer bem. – ele respondeu pensativo.
– Se eu quisesse ficar com os meus amigos eu simplesmente iria lá e ficava, não precisa ficar me jogando para cima deles. Se não me quer por perto para poder assistir desenho animado na televisão é só falar. – reclamei.

Como em um momento eu estou admirando ele e no outro estamos brigando?

– Olha que emocionante. A primeira briga deles como um casal. – escutei a Dora dizendo.

Foi quando finalmente reparamos que todos tinham deixado a televisão de lado e estavam assistindo nós dois em nosso infelizmente momento de briga.

– Não é nada disso e você sabe Lily. – ele me respondeu irritado.
– Por que estão brigando? – perguntou o Remus.
– A Lily esta de TPM. – respondeu o Tiago.

Como se eu estar de TPM já justificasse alguma coisa.

– Você esta distante comigo. E eu não estou de TPM! – reclamei.
– Não esta? Você estava com cólica esses dias. Como diz que não esta? Eu sei que esta.
– Eu estar naqueles dias e estar de TPM não têm muita coisa haver. Eu nunca tenho TPM! – reclamei.
– Até parece! – escutei a Lene comentando.
A Lene também não ajuda! Fica colocando lenha na fogueira. Ela deveria estar do meu lado!

– Até a sua amiga concorda que você não esta em seu juízo perfeito! – comentou o Tiago.

Não acredito que ele me disse isso! Cadê o Tiago fofo e amoroso?

– Eu estou no meu juízo mais que perfeito Potter. – respondi irritada.
– Agora eu volto a ser Potter? Cadê o “Ti” e derivados? Eu prefiro eles. – ele respondeu emburrado.
– Pelo visto foi um erro tudo isso. – comentei mais para mim mesma do que para ele.

O Tiago que eu amo não é assim! Ele nunca brigaria comigo por besteira, seria compreensivo e esperaria eu estar pronta para seguirmos em frente.

– Um erro? Foi um erro deixar você pensar que tudo vai ser sempre do seu jeito Lílian. Eu amo você! Escutou? Eu amo você com todos os seus defeitos e todas as suas qualidades. Eu simplesmente aceito você como você é e sei que se mudar tem que vir de você e não de mim. Mas você não me aceita como eu sou. Esta sempre esperando que eu mude!
– Agora a briga é sobre isso? Sobre eu não aceitar que você seja imaturo? – reclamei muito irritada.

Não acredito que ele me disse tudo isso.

– Acho que preciso de um pouco de ar. – escutei o Remus comentando.
– Melhor irmos dar uma volta. – escutei a Dora concordando.
– Vou com vocês. – comentou a Lene.
– Eu vou ficar mais um pouco. – foi à voz do Sirius agora.
– Vem logo Sirius. – escutei antes de escutar e estrondo da porta do quarto.

Agora estávamos sem platéia.

Vi o Tiago ainda me olhando irritado e andado de um canto ao outro do quarto.

– A briga não é sobre isso Lily. A briga é sobre tudo.  Eu amo você, mas não posso esperar a vida inteira para que você veja que eu mudei. Eu mudei por você e para você. Não vou negar que eu era imaturo, mimado e fazia muita besteira, mas isso ficou no passado.
– Também pensei que tinha ficado, mas você esta mostrando que estava enganada. – reclamei.
– Estou mostrando como? Só por que estou chateado por que você mesmo gostando de mim ainda se recusa a se aproximar? Só por que eu estou fazendo o possível e o impossível para estarmos bem e você ainda sente vergonha de mim? – ele comentou se sentando na cadeira e escondendo o rosto entre as mãos em mais um sinal de nervosismo.
– Agora você é o santo e amado Potter. O coitadinho que a malvada da Lily só maltrata! – reclamei revoltada!

Como ele espera que as coisas sejam simples? Qualquer pessoa no meu lugar iria recuar logo de começo, eu ainda entrei nessa maluquice sabendo que iria me magoar, e olha só… Eu estava certa!

– Por que você não pode simplesmente se entregar e entrar de corpo e alma nisso Lily? Por que com você as coisas são sempre pela metade. Eu quero você por completo, sem medo de me beijar ou de me abraçar. Que quando precise eu possa ser seu ombro amigo, alguém para rir e chorar com você, eu quero uma vida com você e não metade dela.
– Não é bem assim! – eu respondi irritada. – Eu não faço tudo pela metade!
– Você não faz tudo pela metade, só o que diz respeito a mim. – ele respondeu nervoso.
– Preste atenção no que você esta dizendo Tiago! Só por que eu não fico te agarrando pelos cantos.
– O problema é que você não sente vontade de estar comigo, e se agarrar comigo Lily.
– Não sinto? Você só faz suposições ruins sobre mim, e ainda diz que sabe tudo sobre mim. – eu disse incrédula.

E eu realmente cheguei a acreditar que ele me conhecia bem o suficiente para entender que eu precisava de um tempo.

– Não são suposições. Se você realmente sentisse vontade de estar comigo como eu sinto de estar com você, nós não teríamos chegado a esse ponto.
– Que ponto? Discutindo no meu quarto por motivo nenhum e todos ao mesmo tempo? – perguntei sarcástica.
– Não! Discutindo por que você se recusa a olhar dentro de você e ver que o melhor para nós dois e estar juntos. Juntos como se deve!
– E como se deve estar junto Potter?

Como ele é cara de pau! Nós estamos juntos como se deve! Ou ele acha que um namoro é feito só por beijos?

– Amar é viver intensamente Lily. Não ter vergonha de estar e sentir a pessoa amada, de não esconder segredos e não ter medo de dizer o que pensa. Amar é poder ser você mesmo sem medo. – ele me respondeu antes de sair do quarto.
– Volte aqui Potter! – gritei no corredor.
– Quando você aprender a me amar me procure. – ele me disse ainda de costas andando rumo às escadas.

E logo o perdi de vista.

– Vejo que tem problemas no paraíso! – escutei a voz da Petúnia ao meu lado.

Olhei para ela sem entender o que ela fazia em casa e percebi que já deveria estar a algum tempo parada ali no corredor esperando ele voltar e me pedir desculpas.

Simplesmente não respondi para a Petúnia. Entrei no meu quarto e me joguei na cama. Alguma coisa dentro de mim parecia quebrada em mil pedaços, alguma coisa me apertava e me sufocava, estava sem ar, sem chão, a única coisa que eu tinha consciência era da minha dor e das lágrimas molhando o meu travesseiro.

– Você esta bem Lily? – escutei a voz da Lene da porta depois de algum tempo.
– Quer conversar? – escutei a Dora.

Não tive forças e nem coragem de olhar para as duas, a dor ainda era mais forte que eu.

Senti o peso das duas na cama e logo uma sensação boa chegou até mim junto com um abraço das minhas amigas. É… Talvez seja possível superar isso.

Narrado por Tiago Potter

Eu não sabia bem o que tinha acabado de fazer, alias, eu sabia. Tinha acabado de jogar anos de trabalho duro para conquistá-la pela janela. Eu tinha jogado fora a única chance de ser feliz ao seu lado. Eu sou um idiota!

Tentei me acalmar e não deixar os sentimentos de derrota e culpa me dominarem, mas foi um pouco difícil.

Eu tinha acabado de brigar com a Lily. Eu nunca tinha feito isso antes. Estou me sentindo a pior pessoa da face da Terra! Alias, eu sou a pior pessoa do mundo!

– Você esta bem? – escutei o Sirius se sentando ao meu lado na varanda dos Evans.
– Não acredito no que acabei de fazer Sirius. – comentei com uma incrível vontade de chorar.

Sei que homens não choram, mas eu acabei de perder o amor da minha vida para sempre por que eu não tive paciência de esperar o tempo que ela precisava.

– Não quer dar uma volta? – me perguntou o Remus quando vimos o carro da mãe da Lily virando a esquina.
– Acho que pode ser uma boa idéia. – o Sirius comentou já me puxando para me levantar.
– Vamos dar uma volta. Voltaremos logo. – escutei o Remus dizendo para alguém.

Nunca pensei que poderia sentir tanta dor! Suportar tanta dor e sofrimento, e muito menos imaginei que eu mesmo causaria isso tudo em mim.

– Eu sou a pior pessoa do mundo! Me matem enquanto ainda não achei um motivo para continuar com tudo isso. – pedi aos meninos quando nos sentamos na grama em algum lugar que eu nem ao menos sei como cheguei.
– O que você fez não foi tão errado Tiago. A Lily estava precisando de um empurrão, só que você deveria ter dito com um pouco mais de calma.
– Eu estraguei com tudo! Passei anos tentando ser o melhor para ela e agora que estava perto de conseguir faço isso! – reclamei.
– Não foi a sua intenção! – o Remus comentou.
– Eu só queria que ela realmente tentasse sabe? Ela nunca tentou de verdade ficar comigo. – comentei sentindo algo molhando o meu rosto.
– A Lily sempre teve problemas para demonstrar seus sentimentos. – comentou o Remus.
– Você falou o que precisava Tiago. Talvez não tenha sido o certo, mas foi realmente o que você sentia, você disse para a Lily o que estava sentindo, e ela vai perceber que deveria ter feito o mesmo.
– Eu poderia ter esperado mais. Ter deixado tudo ao tempo dela, mas eu sou ansioso de mais! Ficar ao lado dela sem realmente tê-la é tortura de mais para mim. Eu juro que tentei!
– Nós sabemos que você tentou, e a Lily sabe disso também. Só você precisar dar um tempo para ela digerir tudo isso que aconteceu hoje. – o Sirius me respondeu.
– A Lily nunca vai me perdoar! – choraminguei.
– Não vou dizer que você esta certo, mas você não esta sem razão. Vocês dois só conseguiram ficar juntos quando ambos realmente tentarem, e a Lily ainda não estava tentando, só aceitando. – respondeu o Remus tranqüilo.
– Eu tenho que pedir desculpas, tenho que fazê-la me perdoar. – comentei desesperado.
– Você têm que deixar ela absorver tudo isso e reagir. – comentou o Sirius. – Não vai adiantar chegar lá e pedir desculpas, pelo menos não agora. Espere pelo menos até amanhã.
– Acho que vou voltar para casa. A Lily não vai mais nem querer me ver.
– Escute Pontas! Só dê até amanhã para ela. Amanhã vá pedir desculpas, mas não retire as coisas que dizer e que realmente acredita. Diga como se sente, e deixe que ela decida se quer você por perto ou não.
– Só espero que vocês estejam certos. – comentei chateado antes de me levar rumo à casa da Lily.

Não posso dizer que estava confiante, não sabia o que a Lily iria dizer e como iria reagir.

Quando cheguei novamente na casa da Lily com os marotos as meninas estavam na sala sentadas no sofá. Fiquei receoso até de olhar para elas. Provavelmente as duas estariam com raiva de mim também.

– Como ela esta? – perguntou o Remus se sentando ao lado da namorada.
– Ela vai ficar bem. – comentou a Dora pensativa. – Só dê um tempo para ela.
– Acho que vai ser melhor eu ir para a minha casa hoje. Para a Lily se sentir melhor. – comentei chateado.
– Vocês são namorados Tiago. E têm que resolver isso. Se você ir embora vai estar assinando uma confissão de culpa. – comentou a Marlene.
– Mas eu… – comecei.
– Lá vem você de novo! – comentou o Sirius impaciente. – Você fez o certo e a Lily têm que acordar para a vida. Ela tem que ver que voe não vai ficar esperando a vida inteira.
– Espere até amanhã e tente conversar com ela. Hoje você só vai conseguir se chatear ainda mais. – comentou a Dora quando me viu olhar para as escadas.

Na verdade eu estava morrendo de vontade de subir e implorar por perdão, mesmo acreditando que tudo que disse era verdade, é realmente como me sinto e acho que a Lily deveria enxergar isso, mas acho que não era à hora certa para ter aquela conversa.

Os meus amigos ficaram assistindo televisão e conversando entre si enquanto eu me corroia por dentro imaginando como a Lily estaria se sentindo com tudo isso.

Foi preciso muita força de vontade para não subir aquelas escadas e ir falar com ela, mas o pessoal tinha razão. A Lily nunca iria me escutar estando nervosa do jeito que eu imagino que esteja.

Acordei do meu transe quando a mãe da Lily apareceu na sala para nos chamar para jantar.

Não sei como, mas tive a impressão que ela sabia exatamente o que tinha acontecido mais cedo, ela me olhava de um jeito diferente, quase maternal, chateada, preocupada e acima de tudo parecia compreensiva.

Não tive coragem de me aproximar da Lily para fingir para a família dela que tudo estava bem, mesmo sabendo que a casa inteira sabia que alguma coisa estava errada.

Ficou bem claro que eu e a Lily tínhamos brigado, principalmente quando esta se sentou ao lado da Marlene e do Remus na mesa de jantar e nem sequer me olhou.

Fiquei procurando seus olhos por todo o jantar, mas a Lily manteve a cabeça baixa o tempo inteiro. Reparei que a Petúnia mostrava um pequeno sorriso nos lábios, não sei se por que soube da nossa briga ou por que logo estaria se casando.

Assim que terminou de jantar a Lily pediu licença e subiu para o quarto. Fiquei olhando enquanto ela se afastava e senti um grande aperto no peito. Queria ir lá confortá-la e dizer que tudo iria dar certo, mas ela é que deveria me dizer isso.

Assim que todos terminamos de comer o senhor Evans se levantou e foi para a sala, as meninas subiram para o quarto para falar com a Lily e nós três ficamos com a mãe da Lily na cozinha.

Ajudamos a arrumar as coisas e quando estávamos subindo escutei a mãe da Lily me chamando:

– Fiquei mais alguns minutos Tiago. Quero falar com você.

Voltei a me sentar, porém agora ao lado dela apreensivo. Só espero que ela não venha brigar comigo por causa da minha briga com a Lily.

– Eu não sei exatamente o que houve entre você e a Lily hoje, mas espero que se entendam. – ela disse chateada.
– Eu também espero. – comentei chateado.
– Percebi que ficou olhando para a Lily o jantar inteiro e que os dois quase não comeram.

Não tive o que responder, realmente quando vi as minhas olheiras refletidas no rosto da Lily perdi totalmente a fome.

– Estava sem fome, mas a comida estava maravilhosa. – comentei gentilmente.
– Sei que você esta tentando fazer a cabeça dura da minha filha enxergar e quanto te ama e o quanto você a ama… – ela começou.

Me senti ainda pior com isso! Tudo mundo vê o quanto a ama, menos a própria Lily.

– … Você sabe que a Lily é incrivelmente teimosa Tiago. Não sei ao certo o que aconteceu, mas sei que provavelmente você precisou dar uma ajuda para a Lily ver que vocês são feitos um para o outro. Eu já fiz isso e acredito que todos os seus amigos também já fizeram, mas não desanime. Sei que minha filha apesar de tudo te ama muito e vai perceber isso de uma maneira ou de outra.
– Obrigada senhor Evans. – agradeci.
– Não me agradeça. Só estou falando o que eu mesma vejo.

Sorri sem ter muito o que falar.

– Amanhã minha irmã virá com minhas sobrinhas para o ano novo e não iria estranhar se minha sobrinhas gostarem de você e dos meninos, então siga um conselho, aja como se nada tivesse acontecido. Passe um tempo com as minhas sobrinhas que já vai ser o suficiente para a Lily.
– A senhora não entende que a Lily… – comecei.
– Sei que pelo jeito que você olha para a Lily que você se sente culpado pela briga e se achar que precisa pedir desculpas peça, mas não vá correndo atrás dela como sempre faz. Deixe que ela venha trás de você, aja como se ela precisasse agir.
– Os meninos me disseram a mesma coisa.
– A Lily só vai entender que realmente precisa tomar uma atitude quando pensar que você não vai mais tomar essa atitude por ela. – comentou a mãe da Lily sorrindo para mim.
– A Lily só esta sendo… – comentei.
– A Lily só esta sendo ela mesma. Minha filha é corajosa para muitas coisas, mas não espere que ela seja corajosa quando se trata de seus sentimentos. Nessas horas é mais fácil ela se fechar e fingir que esta tudo bem. – ela completou por mim.
– Eu preciso que a Lily veja que pode dar certo.
– Ela já viu Tiago, ou não teria te apresentado como namorado para o pai, o problema é ela mesma aceitar isso. – comentou a senhora Evans. – Sei que as coisas entre vocês logo vão se resolver. Mas não vá atrás dela. Converse normalmente, mas deixe que ela venha até você. Converse com outras garotas quando ela estiver por perto, isso vai fazer o ciúme dela ficar incontrolável.
– A Lily é bem ciumenta. – comentei me lembrando de algumas cenas de ciúmes da Lily.
– E isso vai ser um ponto positivo para você amanhã. – ela comentou piscando para mim antes de se levantar.

Aproveitei e voltei para o quarto me sentindo um pouco melhor. A mãe da Lily tem razão. As coisas vão se resolver amanhã!

Narrado por Lilían Evans

Eu estava sentada na minha cama ainda pensando em tudo que tinha acontecido hoje quando o Tiago entrou no quarto.

Eu estava com raiva, magoada, chateada, irritada, estava com tantos sentimentos que eu nem ao menos sabia o que realmente sentia. Só sabia que não poderia olhar para ele.

Não queria que ele visse o quanto fiquei mal com tudo que ele me disse.

Não poderia dar esse gostinho de vitória para ele.

Sei que as meninas disseram que eu é que estou errada e que deveria parar para pensar em tudo que ele me disse, mas sei que não estou errada. Ele foi grosseiro! Brigou comigo sem motivo. Só por que eu não fico me agarrando com ele por aí ele acha que não o amo mais? Ridículo!

Eu sei que até o Sirius veio falar comigo que eu deveria tomar uma atitude, mas o Sirius é amigo dele mais do que meu amigo, não é?

Não vou escutar nenhum deles. Todos estão do lado dele como se ele é que estivesse certo nessa briga.

– Vamos assistir outro filme ou vocês estão com sono? – perguntou a Lene.
– Por mim ficamos assistindo filme à noite inteira. Amanhã temos que acordar tarde para agüentar a festa. – comentou o Sirius empolgado.
– Pode colocar o filme então. – comentou a Dora.
– Acho que vou dormir. – comentei já me deitando.
– Vamos deixar a televisão baixa Lily. – disse a Dora sorrindo.
– Alguém me dá um espaço aí. – escutei o Tiago pedindo para os meninos.
– Sua cama é ali. Não é só por que vocês brigaram que vão dormir em camas separadas.  – comentou o Sirius.
– Minha mãe sempre dizia que a melhor forma de fazer as pazes é quando vai dormir e de noite um pé encosta no outro. – comentou a Lene pensativa.
– Encarem como se fossem casados e resolvam suas coisas na cama. – comentou a Dora rindo.
– E ignore que vocês têm sofá em casa. – comentou o Remus na mesma hora. – Se eu desconfiar que um dos dois foi dormir na sofá vocês vão me escutar.

Não acredito que eles estão mandando ele dormir comigo depois de tudo que passamos hoje.

– Não acho uma boa idéia. – comentou o Tiago.

Eu também não acho uma boa idéia.

– Se resolvam. – comentou o Remus antes de apertar play e o filme começar.

Fiquei encarando o Tiago, vi que ele também não estava muito confortável com tudo aquilo. Tenho certeza que se arrependeu de tudo que me disse.

Por que eu tenho que gostar dele?

Não sei exatamente por que fiz aquilo, só sei que me afastei e dei um espaço para ele na cama, e só me lembrei que a cama era pequena quando vi que não teria como não nos encostarmos.

Nunca deveria ter ido atrás da Alice aquele dia, então eu não teria admitido que amo ele e nada disso estaria acontecendo.

Ficamos os dois deitados de costas um para o outro, eu estava tentando ao máximo me fundir com a parede para não encostá-lo e pude sentir ele quase caindo da cama algumas vezes, acho que na mesma tentativa que eu de não encostá-lo.

Não sei quanto tempo aquilo durou, só sei que o filme já tinha terminado quando consegui pegar no sono, e não posso dizer que foi a melhor noite da minha vida. Acordei inúmeras vezes com pesadelos sem sentido.

Sempre sonhava que eu estava sozinha, ou que o Tiago estava com outra, ou até mesmo que ria da minha cara.

Acho que estou ficando mais maluca do que o normal

Isso que é o ruim de se apaixonar, você fica um bobão e só faz coisas bobas, como chorar por um pesadelo.

Não acredito que acordei chorando por que sonhei que ele tinha me deixado no altar! Eu nem ao menos quero me casar!

Depois da longa noite, alias, pelo menos sei que a noite não foi longa só para mim, pois todas as vezes que acordei ele também estava com os olhos abertos. Até me acalmou quando eu acordei chorando.

Claro que não falei o motivo! Mas acho que ele percebeu quando eu fiquei apertando ele pedindo para que ele tivesse cuidado com os carros na rua.

Assim que vi que não conseguiria dormir de jeito nenhum já que as vozes lá na sala já estava bem altas resolvi levantar e tomar um banho, e não foi nenhum espanto quando vi o tamanho das minhas olheiras. Eu estava horrível! Pelo menos o Tiago não estava muito diferente.

Deixei os outros dormindo e o Tiago tomando banho e fui ver a confusão que estava aquela casa.

Não foi grande surpresa quando desci e vi minha tia e minhas duas primas na sala conversando animadamente com a minha mãe.

– Olha quem resolveu levantar. – minha mãe comentou.
– Lily querida! – disse minha tia antes de me dar um abraço apertado.
– Que saudades de vocês. – eu disse sem muito entusiasmo para as três.
– Elas vão passar a noite aqui hoje para a festa de ano novo Lily. – comentou minha mãe.
– Que bom! – comentei tentando mostrar entusiasmo.
– E seus amigos? Sua mãe disse que você esta com um monte de amigos no quarto. – comentou minha tia.
– Ainda estão dormindo. – respondi.
– Têm algum gatinho solteiro Lily? – perguntou minha prima rindo. – A Tia comentou que eles são lindos. – comentou minha prima Anita.
– Eles são realmente bonitos. – respondi.

Já não sabia se todos estavam comprometidos ou não. Talvez o Tiago já esteja pensando em arrumar outra namorada, afinal, nunca namoramos de verdade.

– Bom dia! – escutei a voz dele da escada.
– Olha quem acordou! – disse minha mãe feliz.
– Me diz que ele está solteiro Lil. – pediu minha prima comendo o Tiago com os olhos.

Não sei ao certo por que, mas fiquei com muita raiva dela naquela hora.
– Pergunte para ele. – respondi com um sorriso amarelo.

Ela sorriu abertamente quando o Tiago foi cumprimentá-la.

Eu realmente não sei por que, mas tive uma vontade louca de me jogar em cima dela e arrancar aqueles cabelos loiros fio por fio. Principalmente quando ele sorriu para ela de volta.

Como ele é cara de pau!

– Bom dia querido! – disse minha mãe se aproveitando da situação para dar um abraço apertado nele.

Será que só eu não sou descarada e fico agarrando ele pelos cantos?

– Bom dia! – ele respondeu com outro sorriso.

Ele só sabe sorrir?

Não prestei atenção na conversa deles. Só reparei que já estava tempo de mais reparando no sorriso dele, quando minha prima saiu me arrastando para a cozinha.

– Então como vocês se conheceram? – escutei a minha prima perguntando animada.
– A Lily caiu em cima de mim. – ele respondeu enquanto se servia de leite.
– Você caiu ou se jogou em Lil? – perguntou a minha prima risonha e maliciosa.
– Sua irmã não vai comer? – perguntei não me importando em ser grosseira.
– Ela deve estar com vergonha. – comentou ela dando de ombros e ainda sem tirar os olhos do meu namorado, ou ex-namorado, sei lá.
– Então quero estar presente quando ela conhecer o Sirius. – comentou o Tiago rindo.

Por que ele esta de tão bom humor? Era para ele estar triste com a nossa briga de ontem. Estar se sentindo mal igual eu me senti, mas ele não para de sorrir!

Foi quando escutei risadas femininas na sala que tive certeza que os outros marotos já haviam acordado.

– Bom dia pombinhos. – disse o Sirius feliz da vida.
– Por que a alegria? Sonhou com a Lene? – perguntou o Tiago, e adivinhe, sorrindo novamente.
– Dormi com a Lene meu caro veado. – comentou o Sirius sorrindo. – E quem seria a bela dama? – ele perguntou olhando fixamente para a minha prima que finalmente tirou os olhos do Tiago e agora estava secando o Sirius, deixando a Lene com uma cara de poucos amigos.
– Se soltar mais uma piadinha hoje pode se considerar solteiro. – reclamou a Lene o puxando para se sentar e pude reparar que bem longe da minha prima.
– Olha quem resolveu nos fazer companhia. – disse o Remus entrando e trazendo a Dora emburrada e a minha prima mais nova sorrindo encantada.
– Vejo que já estão ficando amigos. – comentou minha mãe entrando na cozinha também.

É impressão minha ou minhas primas estão babando em cima do namorado das minha amigas e do Tiago?

Por que nós fomos brigar ontem? Por que eles tinham que chegar hoje? Eu poderia simplesmente dizer que ele é meu namorado e acabar com a alegria delas, mas nem sei mais se estamos namorando, alias, nem sei se eu quero namorar com ele.

Na primeira oportunidade ele já esta flertando com outra, e não adianta ele falar o contrário. Esse sorriso dele não me engana!

Graças a Deus o café da manhã terminou logo e eu logo voltei para o meu quarto.

Não sei por que, mas acho que o dia não vai ser nada bom.

– Podemos conversar? – escutei aquela voz.

Minha primeira opção era fingir que não era comigo, mas como só tinha eu no quarto e bom… Eu realmente queria que ele pedisse desculpas e tudo voltasse a ser como antes, e claro, tirar aquelas duas de cima dele!

Abri a minha boca para reclamar dos sorrisos excessivos para as minhas primas, mas desisti. Ele já é convencido de mais sem incentivo.

– Precisamos realmente conversar sobre ontem. – ele comentou se sentando na minha cama descontraído.

Ele não parece triste e nem arrependido. Ótimo! Vou ter o namoro mais rápido da história! Quatro dias e claro, um beijo meia boca. Ô vida!

Me sentei na cadeira da escrivaninha e fiquei olhando para ele séria esperando ele pedir desculpas.

– Sobre ontem Lily… – ele começou antes da minha prima Ângela entrar no quarto.
– Nosso você nunca muda esse quarto? – ela perguntou sorrindo e entrando.
– Você deveria ter batido na porta. – eu disse um pouco irritada.
– Para que? Só estão vocês dois aqui. Não iria encontrar nenhum dos dois sem roupas. – ela disse rindo.
– Ainda precisamos conversar. – disse o Tiago depois de um suspiro cansado e saindo do quarto.
– O que houve? – perguntou a minha prima olhando a porta onde o Tiago havia saído.
– Nada que precise se preocupar.  – respondi tentando ser simpática.
– Seus amigos são lindos! – ela comentou sorrindo.
– E muito convencidos também. – comentei.
– Algum defeito eles teriam que ter, já que são bem simpáticos. – comentou ela pensativa.
– Vocês chegaram há muito tempo? – perguntei sem ter o que falar.

Eu queria simplesmente levantar e ir falar com ele, mas além disso deixar ele muito convencido iria ser falta de educação com as visitas.

– Na verdade tínhamos chegado uma hora mais ou menos antes de você descer. Mas que olheiras são essas Lily? Ficaram conversando até tarde?
– Ficamos vendo filme. – eu não menti, só não completei dizendo que depois disso não dormi nada.
– Deve ser tão legal ter tantos amigos em casa. Minha mãe nunca deixaria tanta gente dormir comigo, muito menos tendo três homens entre eles. – ela comentou parecendo chateada.
– Vamos dizer que foi o jeito deu não ficar perambulando pela casa irritada por causa dos preparativos para o casamento. – respondi dando de ombros.
– Você ainda esta estudando naquele colégio interno? – ela me perguntou.
– Estou sim. Eles todos são de lá. – respondi sorrindo e desejando estar em Hogwarts.
– Eu não iria querer estudar em um colégio interno. Deve ser horrível.
– Até que não. É bem divertido se parar para pensar. – comentei pensando em todas as coisas boas daquele castelo.
– E suas amigas namoram há muito tempo? – ela perguntou depois de alguns minutos.
– Na verdade não muito. – comentei pensando em como tudo estava acontecendo tão rápido.
– Eles parecem bem ligados. Pensei que namorassem há décadas. – ela comentou rindo.
– Na verdade é como se fosse. Eles são amigos desde sempre e isso ajuda. – respondi chateada.

Por que eu a o Tiago não podemos ser assim?

– Atrapalho? – perguntou a Lene.
– Não tem o que atrapalhar. – comentei chateada.

Já haviam atrapalhado o que dava.

– Já conversaram? – ela me perguntou.
– Na verdade não deu. – respondi tentando não pensar muito nisso.
– Conversar com quem? – perguntou minha prima.
– Com o Sirius. – respondi.

Não quero que ela fique sabendo sobre o Tiago.

– O que tem a minha pessoa? – perguntou o Sirius.
– Vocês brigaram? – perguntou minha prima para mim e para o Sirius.

Vi o Sirius me olhar desconfiado e fui logo respondendo:

– Six, já falei para você comprar seu próprio xampu ao invés de usar o meu. – reclamei olhando significantemente para ele.

Acho que ele entendeu o que estava acontecendo e me ajudou:

– A Lene gosta do cheiro do seu xampu. – ele respondeu dando de ombros.
– Não falei que ele é abusado? – perguntei para a minha prima sorrindo agradecida para o Sirius.
– Ei! Eu sou perfeito! – comentou o Sirius.
– E muito modesto. – comentou a Lene revirando os olhos.
– Obrigado. – ele respondeu sorrindo.
– Cadê o Remus e a Dora? – perguntei.
– Estão conversando com o Tiago no jardim. – respondeu o Sirius me olhando de um jeito estranho.
– Então vamos lá. – disse a minha prima empolgada.
– Vão descendo que eu quero falar com a Lily um minuto. – disse a Lene.
– Você vai vir para o casamento? – escutei o Sirius perguntando a minha prima.
– Vocês não conversaram? – ela me perguntou decepcionada.
– Ângela chegou. – respondi desanimada.
– Vocês precisam conversar Lily. – ela me disse.
– Ele precisa me pedir desculpas Lene. – eu disse irritada.
– Não acho que ele esteja errado Lily. – ela comentou.
– Como não? Você não viu que ele gritou, e me disse coisas horríveis? – perguntei revoltada.
– Ele esta chateado com você.
– Eu também estou! – reclamei.
– Concordo que ele deveria ter sido mais paciente, mas não acho que ele esta errado por estar chateado, você vem dando motivos.
– Motivos? Que motivos? Eu estou tentando! – reclamei revoltada.
– Não esta tentando o bastante ou já teria falado para a sua prima que são namorados. – ela comentou.
– Namorados? Depois da briga de ontem? Não tenho certeza.
– Vai mesmo deixar uma briga acabar com tudo? – ela me perguntou alarmada.
– Ainda estou chateada. – respondi triste.
– Sei que esta, mas era bom você ao invés de ficar remoendo as coisas por causa do jeito que ele falou, deveria pensar no que exatamente ele tentou dizer. – comentou a minha amiga pensativa.
– Não quero pensar nisso. – eu respondi tentando não pensar em ontem.
– Mas deveria. – ela comentou. – Vamos descer antes que a sua prima encalhada tente mais uma vez dar em cima do meu namorado. – ele comentou mudando de assunto.

Por que ninguém ficou do meu falo nessa história? El foi grosso!

Quando chegamos no jardim minha prima mais nova, Carla, estava tentando ensinar os meninos a jogar vôlei, mas não estava tendo muitos resultados.

– Dê que mundo vocês vieram que não conhecem vôlei? – perguntou ela inconformada.
– Eles são de Marte. – comentei.

Vi todos me olhando, e tentei não olhar para o Tiago, mas senti seu olhar sobre mim.
– Acha que estou precisando passar umas férias em Marte então. – comentou a Ângela.

Vi a Carla revirando os olhos.

– O que vocês fazem para se divertir em um colégio interno? – perguntou a Carla sentando na grama.
– Na verdade eu gosto particularmente de jogar bomba de bosta na sala do zelador. – respondeu o Sirius.
– Não… Acho que a melhor parte é zoar o Ranhoso nos corredores. – comentou o Tiago.
– Gosto da biblioteca! – comentou o Remus.

E todos tivemos que olhar para ele espantados.

– De tantas coisas que você poderia falar, foi falar bem da biblioteca? – perguntou a Lene revoltada.
– Eu tenho um namorado nerd! – comentou a Dora.
– A biblioteca de lá é muito boa. – comentei dando de ombros.
– E eu uma prima nerd! – comentou a Ângela. – Você deveria falar alguma coisa sobre a paisagem, não sobre livros. – ela comentou olhando sugestivamente para o Tiago.
– Vamos dizer que a paisagem nem sempre me agrada. – respondi olhando para ele.

Acho que ele entendeu o recado, pois não ficou quieto.

– É que às vezes ficamos um pouco irritados com tudo isso. – ele respondeu.
– Perdi alguma coisa? – perguntou a Carla.
– É que estudar em um colégio interno é bom, você sempre tem alguma coisa para fazer e distrair a cabeça de bobagens. – comentou a Dora.
– Deve ser legal! – comentou a Carla.
– Se tiverem muito gatinhos… – comentou a Ângela.
– Você não vai achar ninguém mais bonito que eu, mas sinto te informar, mas sou comprometido, se quiser te apresento o Ranhoso, aquele ali nunca vai desencalhar. – comentou o Sirius.
– Só se a Lily quiser. – comentou o Tiago parecendo irritado.
– Então você tem alguém? Pensei que a tia estivesse brincando quando disse que você estava tendo um caso. – comentou a Ângela.
– Deixa a Lily em paz Ang. – pediu a Carla.
– Só quero saber quem fez essa cabeça dura mudar de idéia e experimentar beijar na boca. – comentou a Ângela.
– Isso foi um comentário maldoso. – escutei a Dora comentando com o Remus.
– Acho que a Lily já tinha até teias de rainha na boca. Mas conta Lily. Ele é bonito pelo menos? – perguntou novamente a Ângela.
– Melhor ter teias de aranhas do que sair beijando qualquer um. – respondi revoltada.

Nunca me dei muito bem coma Ângela. Ela tem o mesmo humor negro da Petúnia.

– Pará com isso Ângela. – pediu a Carla.
– Só fiz uma pergunta. – comentou minha prima dando de ombros.
– Por que não vamos ao cinema? – perguntou a Carla animada depois de alguns minutos em silencio.
– Cinema? – perguntou o Sirius.
– E estava passando algum filme legal no cinema? – perguntei cortando o Sirius.

Será que eles entenderam a indireta?

– Não sei. – disse a Carla dando de ombros.
– Vou ver na internet. – comentou a Ângela já se levantando.
– Quarto da Petúnia. – eu disse dando de ombros.
– Não sei como alguém vive sem internet. – ela comentou antes de ir para dentro de casa.
– Desculpem pela minha irmã. – pediu a Carla envergonhada.
– Ela anda muito com a Petúnia? – perguntou a Lene.
– Vamos dizer que a Ângela gosta de “aproveitar a vida”. – respondi.
– No estilo do Tiago e do Sirius? – perguntou a Dora.
– Eu sou um homem comprometido agora. – comentou o Sirius. – Só tenho olhos para a Lenezinha.
– Então vocês são os pegadores da escola? – perguntou a Carla. – Você não tem cara. – ela disse para o Remus.
– Eu nunca fui na onde deles. – ele comentou dando de ombros.
– Por isso você é um namorado perfeito. – comentou a Dora dando um selinho nele.

Ficamos conversando mais um pouco descontraídos até que a Ângela voltou com a programação dos filmes.

Resolvemos ir ao cinema depois do almoço, já que ainda estava cedo, e tentei disfarçadamente explicar para os meninos o que era um cinema.

A manhã passou bem rápida depois disso. Logo já estava ajudando minha mãe a colocar a mesa para o almoço e quando percebemos já estávamos nos arrumando para sair.

– Quero assistir um filme de terror. – comentou Ângela.
– Poderíamos assistir uma comédia. – comentei.

Eu realmente preciso rir um pouco.

– Para mim uma aventura seria melhor. – comentou a Carla.
– Prefiro um romance. – comentou a Dora sonhadora.
– E lá vamos nós para mais uma briga para escolher o filme. – comentei rindo.

Pegamos o carro da minha mãe, e por incrível que possa parecer o Tiago foi dirigindo.

– Você tem cata? – perguntou a Carla.
– Que carta? – ele perguntou.
– Carteira de motorista. – respondeu a Carla.
– Ele tem carta. – respondi.
– Pensei que você tivesse a idade da Lily. – ela comentou dando de ombros.
– E eu… – ele começou.
– Ele é mais velho. – respondi lançando um olhar irritado para ele.

Como eu vim parar do lado dele no carro de novo? Estranho é que dessa vez não é nada parecido com a primeira vez que andei de carro com ele. Aquele dia foi tão bom!

Não demorou muito para chegarmos ao cinema e escolhermos um filme.

– Vou comprar pipoca. Você vem comigo Tiago? – perguntou a Ângela quando entramos na fila para ver o filme.
– Só vocês dois não vão conseguir trazer todas as coisa. A Lily vai junto. – disse a Dora me empurrando.
– Mas… – eu comecei a dizer.
– Eu quero pipoca com manteiga. – disse o Sirius sorrindo.
– Então vamos. – disse a Ângela sorrindo.

Fui com os dois me arrastando para a fila da pipoca enquanto via a Ângela puxar assunto com o Tiago.

Por que eu não tomo logo uma atitude e afasto ela dele?

Sei que essa raiva toda é ciúmes, mas não posso ir lá e dizer que somos namorados. Não voltaremos a nos dar bem se ele não pedir desculpas.

– A fila esta enorme. Por que não vai ao banheiro Lily? Você me disse que queria ir. – disse minha prima minutos depois de entrarmos na fila.

Banheiro? Quando eu disse isso?

– Pode deixar que a fila esta grande dá tempo de você voltar e nos ajudar. – ela comentou mais uma vez me empurrando levemente para fora da fila.

Vi o Tiago me olhando de um jeito estranho, acho que ele estava realmente esperando que eu fizesse alguma coisa como bater na minha prima.

Ela esta tentando me tirar de perto para dar em cima do meu namorado! Eu realmente teria motivos para bater nela, e vontade não falta, mas é ele que deveria afastar ela.

Eu sei que ele não esta realmente dando bola, nem esta dando aqueles sorrisos para ela, mas acorda! Ela ainda não entendeu que ele não quer nada com ela. Ou será que ele quer?

– Não quero ir ao banheiro. – respondi irritada voltando para a fila.
– Esquecemos de perguntar o que o Remus queria. – comentou o Tiago.
– Lily você… – começou a minha prima.

Não acredito que ele também esta inventando desculpas para se livrar de mim!

– Por que não me faz esse favor Ângela? – disse o Tiago interrompendo a minha prima.
– Mas a Lily… – ela começou.
– A Lily brigou com o Remus hoje cedo. – ele mentiu.

Bom, pelo menos prova que ele não quer arrumar desculpas para ficar sozinho com ela.

Vi minha prima se afastando irritada, claro que ela não deixou de sorrir para o Tiago, mas me lançou um olhar irritado.

Enfim sós!

– Agora acho que podemos conversar. – ele disse assim que minha prima saiu do nosso campo de visão.
– Na fila da pipoca? – perguntei descrente.

Ele não vai querer discutir a relação na fila da pipoca do cinema, não é?

– Me desculpe por ontem! – ele disse segurando o meu rosto com delicadeza.

Arregalei os olhos!

Ele realmente pediu desculpas?

– Eu realmente sinto muito Lily. Sinto muito por como eu disse tudo aquilo. Não deveria ter gritado, nem sido grosseiro, mas eu realmente precisava te dizer o que eu penso e você não estava me dando oportunidade. Arrependo-me do modo que disse, mas não do que disse.

O que?

Cadê o momento perfeito disso tudo?

Pensei que ele pediria desculpas e que eu aceitaria, alias, quando ele pediu desculpas com aquela voz doce e com uma dor ressentida realmente me derreti.

Mas ele não esta arrependido de tudo que me disse!

– Acredito que você deveria se esforçar um pouco mais. E se você quiser ficar comigo como eu quero ficar com você, você vai me procurar, só quero que saiba que não vou ficar a vida inteira esperando Lily. Eu realmente preciso seguir em frente e você também.
– Tiago eu…
– Eu quero namorar você. Eu quero estar ao seu lado. Quero te fazer rir. Quero escutar seus problemas. Quero ficar preocupado com você. Mas preciso que você também queira.
– Eu quero! – eu disse irritada.

Como ele pode pensar que eu não quero.

– Então mostre que quer Lily. Diga pra você mesma que me quer. Quem sabe assim você demonstre um pouco.
– Esta dizendo que eu não demonstro meus sentimentos? – perguntei irritada.
– Estou dizendo que ciúmes não é a melhor forma de mostrar que gosta de mim. – ele me respondeu. – Queria que você se sentisse a vontade do meu lado, para poder me tratar como uma namorada trataria, sem receios e vergonha.
– Eu não tenho… – comecei.
– Desculpem a demora, o Remus demorou para decidir. – disse a Ângela chegando.

Fiquei olhando estática para o Tiago quando ele deu espaço para a minha prima voltar para a fila.

Acho que não preciso dizer que eu não consegui assistir o filme por causa do pequeno incidente na fila da pipoca.

Eu não sei o que fazer!

Narrado por Tiago Potter

Pensei que conversando com a Lily eu tiraria um peso das minhas costas, mas ao ver a sua cara de sofrimento e descrença me arrependi de falar o que realmente eu queria.

Eu sei que o Sirius esta certo e que foi a coisa certa a se fazer, mas por que a coisa certa é sempre a mais difícil?

A única coisa que me anima no meio de tudo isso é que a prima da Lily é uma vaca. Já conheci mulheres fáceis, mas essa Ângela não precisa nem parar para pensar. Ela não tenta disfarçar que esta querendo ficar comigo.

No começo eu realmente pensei que a Lily iria tomar uma atitude, ledo engano! É mais fácil a Lily ficar se corroendo de ciúmes do que ir tirar satisfação com a prima.

O Remus acha que ser simpático com a menina apesar de tudo não é tão ruim, ele acha que pode fazer a Lily tomar alguma atitude e terminar de vez com essa história.

O problema é que eu conheço aquela cabecinha ruiva, e sei que é mais fácil ela pensar que estou dando bola para a prima dela do que esperando ela tomar uma atitude quanto a tudo isso.

Me vi em problemas no cinema. Fiz de tudo para me sentar ao lado dos marotos e claro que tentei me sentar ao lado da Lily. O problema foi que de uma hora para a outra eu estava entre a Lily e a Ângela. Olhei para o Sirius desesperado, mas ele disse que era bom isso acontecer.

Qual a intenção dele? Que eu morra jovem? Ou a Lily me mata ou eu me mato se essa Ângela ficar muito perto.

Qualquer um se perguntaria por que eu não afasto essa menina logo e acabo com tudo isso, mas eu realmente não quero dar um fora em alguém da família da Lily.

Já me basta a minha cunhada que me detesta, não preciso de mais ninguém da família me odiando, sem contar que no fundo eu tenho esperanças da Lily se irritar e tomar uma atitude quanto à prima estar dando em cima de mim tão descaradamente.

Não consegui prestar atenção no filme, por que toda vez que eu me distraia e apoiava o braço na poltrona eu senti a mão da Ângela no meu braço.

Isso não pode estar acontecendo comigo!

Reparei que a Lily me olhava repetidamente durante o filme e algumas vezes olhava irritada para o meu braço quando ele estava apoiado na poltrona e conseqüentemente com a mão da Ângela nele.

Não sei exatamente o que se passou na cabeça da Lily durante aquele tempo que ficamos sentados no escuro assistindo filme e comendo pipoca, só sei que os olhares que ela me mandava não eram muito bons.

Assim que saímos do cinema as meninas arrastaram a Lily para o banheiro e deixaram a Carla e a Ângela conosco.

– Que tal darmos uma volta enquanto as meninas estão ocupadas? – me perguntou a Ângela sugestiva.
– Prefiro ficar esperando. – respondi sorrindo.

Eu não queria ser grosseiro, mas tem horas que não tem como.

– Você não vê que ele não quer nada com você? – perguntou a Carla para a irmã.
– Impossível Carla. Fique quieta e não atrapalhe. – ela respondeu.

Acho que essas duas são como a Petúnia e a Lily, a versão boa e a versão descarada.

– Deixe de ser tímido Tiago. Eu sei que você também quer. – ela me disse se aproximando perigosamente.
– Pelo amor de Deus faça alguma coisa Lily! – escutamos a Lene gritando revoltada de dentro do banheiro e eu aproveitei para me afastar da maluca.
– O que esta acontecendo? – perguntou a Carla.
– Não ligue não. Essas mulheres são malucas. – respondeu o Sirius.
– Acho que seria bom alguém ir lá salvar a Lily da Marlene. – comentou o Remus.
– Deixe elas lá mais um pouco. Não estão fazendo falta. – comentou a Ângela dando de ombros.
– Vou buscá-las antes que minha irmã queira sumir com vocês. – comentou a Carla revoltada entrando no banheiro.
– Algum de vocês poderia tentar conversar com ela? – pedi para os marotos.
– Eu já tentei e não adiantou muito. – comentou o Sirius dando de ombros.
– Vou tentar conversar com ela mais tarde. – disse o Remus se dando por vencido.
– Vocês não estavam brigados? – perguntou a Carla para o Remus.
– Por isso vou falar com ela. – ele mentiu.
– Se você não tomar alguma atitude quem vai tomar sou eu. – escutei a Marlene reclamando antes de sair do banheiro irritada.
– Vou querer saber? – perguntou o Sirius indo abraçar a namorada.
– Provavelmente não. – ela respondeu.

Acho que as coisas não estão tão boas por aqui.

– Nossa como o banheiro estava cheio. – comentou a Dora saindo distraída.

Quem ela pensa que engana? Escutamos os gritos da Lene.

Reparei que a Lily estava muito vermelha quando saiu do banheiro e a Carla estava olhando de mim para ela.

Acho que a prima boa já esta sabendo do nosso caso.

– Vamos dar uma volta no shopping antes de volta? – perguntou a Dora empolgada.
– Por que eu acho que não vai ser muito bom “dar uma volta”? – perguntou o Sirius.
– Por que isso significa compras. – eu respondi enquanto seguíamos as meninas.

Entramos em muitas lojas e carregamos muitas sacolas até convencermos as meninas que já estava tarde e precisávamos voltar para a casa da Lily.

Vi que a Ângela empurrou a Lily quando foi entrar no carro e acabou indo comigo na frente, pelo menos foi o que eu pensei quando entrei no carro.

– Já podemos ir. – disse o Sirius fechando o porta-malas.
– Cadê a Lily? – perguntou o Remus assim que olhou para o banco ao meu lado e viu a Ângela.

Foi quando olhei pela janela e vi ela parada a um metro de distancia de carro extremamente vermelha.

– Eu vou adorar ver isso. – escutei o Sirius falando. – Eu aposto na Lily!
– Duvido que ela faça alguma coisa. Aceito a aposta. – escutei a Lene dizendo.
– Foi falar com ela. – disse a Dora se preparando para descer do carro.
– Acho que não vai ser preciso. – escutei a Carla dizendo.

Foi quando voltei a olhar para a Lily. Ela estava vindo para o carro ainda muito vermelha e com a cara bem fechada apertando a varinha no bolso.

– Eu vou falar com ela. – eu disse na mesma hora abrindo a porta.
– Que emocionante! – disse a Dora empolgada.
– Deixem a estressada para lá! – foi a ultima coisa que escutei antes da Lily bater no vidro da porta da Ângela.
– Aqui está ocupado. Senta lá atrás ou pega um ônibus. – disse a Ângela sorrindo.
– Posso mudar a minha aposta? – escutei a Lene dizendo enquanto eu tentava pensar no que fazer.
– Cai fora! – escutei a Lily dizendo antes de abrir a porta do carro irritada.
– A porta estava trancada! – disse a Ângela transtornada.
– Involuntário? – perguntou o Remus.

Não acho que a Lily tenha feito uma magia involuntária.

– Cai fora! – a Liyl disse novamente.
– Pelo amor de Deus Lílian. Pare de frescura. Eu cheguei primeiro. Sente lá atrás como todo mundo.
– Eu disse para sair. – disse a Lily irritada antes de puxar a Ângela pelo braço.
– Você esta me machucando! – gritou a outra.
– Sai daí! – disse a Lily muito nervosa.

Acho que a única vez que vi a Lily assim ela estava brigando com a prima do Sirius.

– Ângela, acho melhor você… – eu comecei.
– Saí – disse a Lily pela última vez tirando a prima do carro.

Enquanto a Ângela estava tentando se equilibrar e não cair com o puxão que a Lily deu nela, minha ruiva entrou no carro e fechou a porta.

– Já podemos ir embora. – ela disse o olhando irritada.
– É isso aí ruiva! – disse o Sirius animado. – Você me deve dois galões Lenezinha.

Olhei dela para a prima dela que tentava abrir a porta do carro e já tratei de colocar o cinto de segurança.

– Vão deixar ela lá fora? – perguntou o Sirius animado.
– Claro que não. – disse o Remus abrindo a porta para a menina entrar.
– Ora sua… – começou a Ângela quando entrou no carro.
– Se eu fosse você ficava quieta. – disse a Carla para a irmã.

Acho que a Lily expulsar a prima do carro foi um bom sinal.

O resto do passeio passou em um completo silêncio. Ninguém ousava dizer alguma coisa, com a Lily irritada dentro de um ambiente chegado. Iríamos ficar todos surdos.

– E como foi o passeio? – perguntou a mãe da Lily quando chegamos.
– Muito bom! – disse a Dora mostrando as sacolas de compras que o Remus carregava.
– O resto da família chegou. Vai lá apresentar seus amigos. – pediu ela para a Lily.
– Vamos só guardar as coisas mãe. – ela respondeu séria.

Todos nós subimos para o quarto da Lily, mas infelizmente a Ângela e a Carla subiram também. Não que eu não gostasse da Carla. Ela era bem legal, mas com ela no quarto não poderíamos conversar sobre muitas coisas.

Quando chegamos ao quarto e a Carla viu a cara irritada da Lily ela logo inventou uma desculpa e saiu:

– Vou cumprimentar todo mundo. – ela disse antes de sair.
– Nossa que dia hein! – disse a Lene.
– Agora vamos conversar Lilian. O que você pensa que estava fazendo me tirando do carro daquele jeito? – perguntou a Ângela nervosa.
– Deveríamos ter comprado mais pipoca. – comentou o Sirius torcendo para ter uma briga.
– Se não calar a boca e sair do meu quarto não vou só te empurrar para fora. – disse a Lily sem nem mesmo olhar para a prima e arrumando as roupas novas no guarda roupas.
– Até parece! – disse a Ângela rindo.
– Acho melhor você nos dar licença. – disse o Remus gentilmente.
– E o que essa nanica vai fazer comigo? Poupe-me!

Tudo aconteceu em uma fração de segundos. Quando vi a Lily já estava com a varinha apontada para a prima e Ângela estava de ponta cabeça guspindo lesmas.

– Lily… – eu comecei.
– Vai dizer que se fosse o Severo você ao teria feito pior? – ela me perguntou irritada.

Resolvi ficar quieto porque é obvio que eu já teria mandado ele para o St. Mungos.

– O que esta acontecendo a… – disse a Petúnia entrando no quarto. – Mamãe! – ela gritou apavorada. – O que você fez aberração?
– Nada que eu não vá fazer com você se não me deixar em paz. – respondeu a Lily nervosa.
– Vamos ter que alterar a memória dela Lily. – disse o Remus pensativo.
– Façam o que quiseram. – ela respondeu dando de ombros.
– Por que toda essa gritaria Petúnia? – escutei a voz da mãe da Lily.
– Essa aberração fez alguma coisa com a Ângela. – disse a Petúnia irritada.

Vi a mãe da Lily acompanhada do marido entrarem rapidamente no quarto.

– Aí meu Deus! O que você fez Lily? – perguntou a mãe dela.

A Lily não respondeu só deu de ombros.

– Podemos concertar isso senhor Evans. – eu disse tentando acalmá-lo.
– Precisamos conversar Lilian. – ele disse para a filha.

Ela simplesmente largou as roupas e saiu do quarto acompanhando o pai.

– O que aconteceu com a Lily? – perguntou a mãe dela.
– Vamos dizer que a Ângela realmente a tirou do sério. – comentou a Dora.
– O que vocês estão esperando para desfazer o feitiço? O ministro da magia chegar para prender a Lily? – comentou a Lene.
– Não posso fazer magia. – disseram o Remus e a Dora juntos.
– Ela mereceu. – comentou o Sirius.
– A questão não é essa Sirius. – disse a Lene.

Enquanto eles discutiam desfiz o feitiço e apaguei a memória de Ângela. Melhor assim!

Não demorou muito para a Lily voltar para o quarto ainda de cara fechada.

– Vou tomar um banho. – ela disse antes de pegar uma roupa e entrar no chuveiro.
– Que belo ano-novo! – disse a Dora pensativa.
– Em falar nisso já passa das oito da noite. Melhor nos arrumarmos. – comentou a Lene indo pegar roupas na mala.
– A Alice vai lamentar ter perdido essa cena. – comentou a Dora.

Acho que talvez as coisas melhorem, mas só talvez!

Narrado por Lílian Evans

E daí que eu a azarei? Ela realmente mereceu! Quem ela pensa que é para fica dando em cima do meu namorado assim?

Tudo bem que meu pai ficou muito irritado com tudo isso e me deixou de castigo, mas pelo menos a minha prima vai ficar quieta agora.

Eu sei que eu não deveria ter feito aquilo, e que se eu estivesse em meu juízo perfeito eu não teria feito, mas, certo, não tenho uma explicação boa para isso.

– Isso quer dizer que você vai lutar pelo Tiago? – me perguntou a Dora enquanto me ajudava a arrumar o cabelo.
– Isso quer dizer que não vou deixar ninguém tentar tira-lo de mim. – respondi.
– Nunca pensei que você fosse mais ciumenta que o próprio Tiago. – comentou a Lene.
– Não sou ciumenta. Ela que abusou da minha paciência.
– Então vai fazer o que o Tiago pediu e vai mostrar para ele que o ama? – perguntou a Dora animada.
– Não sei. Fiquei a tarde inteira pensando nisso, mas…
– Mas você é teimosa de mais. – completou a Lene.
– Eu sei que ele esta certo, mas é complicado. – eu respondi.
– Se eu fosse você não perderia tempo. Vocês já perderam tempo de mais.
– Vou falar com ele. – eu disse na defensiva.

Depois disso realmente não sobrou muito tempo para realmente falar com ele, mas acho que ele aceitou o meu pedido de desculpas, pois quando abriu o guardanapo que mandei para ele, o vi sorrindo.

Eu sei que deveria ter ido lá e pedido desculpas pessoalmente, que mandar um guardanapo voador escrito com batom um “Sinto muito! Eu realmente vou tentar!” não era bem o que se espera de alguém, mas acho que é um bom começo.

Só me vi perto dele de novo quando minha mãe perto da meia noite nos empurrou para dançar, já que ela queria uma foto.

– Recebeu meu bilhete? – perguntei enquanto rodopiávamos na pista de dança improvisada.
– Recebi! Só me arrependi de ter te prometido que não tentaria nada. Você esta realmente muito bonita com esse vestido branco. – ele me disse sorrindo.

Descobri que eu realmente gosto dos sorrisos dele.

Olhei para os lados e não teria como beijá-lo assim, no meio de todo mundo.

– Tem muita gente aqui. – comentei.
– Um minuto para a meia noite. – escutei minha tia gritando animada e tirando a música.
– Sua última chance do ano Lily. – ele me disse sorrindo e se aproximando perigosamente da minha boca.
– É muita coisa para um único dia. – eu comentei meio tonta.

Escutei ele rindo e quando dei por mim o resto dos marotos e as meninas já estavam ao nosso lado.

– Qual seu desejo para o ano novo Lene? – perguntou o Sirius.
– Terminar a escola. – ela respondeu.
– Isso á fácil, tem que desejar coisas difíceis. Dizem que é bom desejar coisas assim na virada do ano.
– Sabe o que dizem? Que do jeito que você começa o ano vai termina ele. – comentou a Dora abraçando o Remus.
– Então o ano vai ser muito bom. – comentou o Remus abraçando forte a namorada.
– Então acho que deveríamos estar em outro cômodo da casa ao invés do jardim Lenezinha. – comentou o Sirius malicioso.
– Dez! – escutei o povo gritando.

Reparei que meus pais estavam bem próximos e minha mãe estava com algumas champanhes na mão. Aquilo não poderia dar boa coisa.

– Nove!
– Oito!
– Esta acabando o tempo Lily. – comentou o Tiago no meu ouvido.
– Sete!
– Seis!
– Cinco!
– Que se dane! – eu disse antes de puxá-lo pela camisa grudando nossos lábios.

Não escutei o pessoal terminando a contagem e duvido que tenha escutado realmente quando os fogos começaram.

Eu só sentia ele! Ou pelo menos quase, já que nos afastamos quando algo gelado nos atingiu.

– Desculpem! – pediu minha mãe com uma falsa inocência com a garrafa de champanhe na nossa direção.

Acho que eu tinha acabado de levar um banho de champanhe.

Só entendi o propósito de tudo aquilo quando o Tiago tirou a camisa e tentou me cobrir com ela.

– Você esta tentadora com essa roupa transparente! – ele comentou rindo.
– E você sem camisa. – eu retruquei piscando para ele.
– O que posso fazer se sou irresistível? – ele me perguntou rindo.
– Seu pai tinha essa mesma barriga de tanquinho quando nos casamos. – comentou a minha mãe comigo. – Mas ele realmente é muito sexy assim!

Acho que finalmente ela conseguiu vê-lo sem camisa. E me deixar incrivelmente vermelha de uma única vez.

Olhei para a barriga nada pequena do meu pai apavorada com a informação da minha mãe.

– Você nunca vai deixar de jogar quadribol! – eu disse para o Tiago antes de beijá-lo novamente.
– Então eu sou sexy? – ele perguntou rindo.
– Deixe o seu ego de lado e me beija logo! – eu respondi.

Tentei distraí-lo e quem ficou distraída fui eu. Vamos dizer que eu deveria ter beija ele bem antes.

FIM

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sobre Vanessa Sueroz

Autora dos livros Confusões em Paris, Minha última chance, Odiado Admirador Secreto, Presente de Aniversário, Eu te amo mais e Três Botões.


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5 thoughts on “A casa dos gritos – Cap 12

  • Ana Black Potter Lupin

    Ownn! Você se supera a cada fic!
    As histórias são todas evolventes e apaixonantes…
    A Ângela é uma v*quinha, hein?! Que descarada! E a Sra Evans, fazendo mil e um planos pra ver o tanquinho sexy do Ti?! /Morri *.*
    Amo muito os marotos, sou completamente apaixonado pelo jeitinho fofo do Remuxo, do orgulho do Six e do amor do Tiaguinho (quero todos eles pra mim!)…
    Espero que você cresça cada vez mais na escrita, e continue fazendo essas histórias dignas do personagens da nossa Queen Rowling…
    A-D-O-R-E-I! *-*

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  • Manddy

    😀
    meu Merlin, que fanfic maravilhosa!

    eu tive até que anotar no papel tudo que eu quero dizer sobre ela pra não esquecer!

    meu feriado todo foi ao lado desses grifinórios loucos!sério, não conseguia parar de ler, acordava lendo, dormia lendo!!!!!!

    eu realmente me diverti como se tivesse lá com eles!

    A Marlene que se cuide pq eu gamei no Sirius e no ego gigante dele! o Almofadinhas é muito divertido, me surpreendi qndo ele finalmente disse que amava a Lene. mais o casal mais fofo com certeza é a Dora e o Aluado!

    Merlin, quando a Lily bebe sai de perto! Eu tive um ataque de risos com o Tiago vendo ela fazendo strip! Foi hilário!!!!!!!!! eca, imagina o ranhoso de fio dental?! melhor não imaginar!

    Tadinha da Lily ficou traumatizada ao entrar no quarto com uma meia na porta rsrsrs

    Teve horas que a vontade era pegar a Lily e saculejar essa garota pra ver se ela caia na realidade. Confesso que o pessimismo dela me irritou muito. Ela estava errada com relação ao Tiago e não adimitia para si mesma isso. Ai ai ai!

    Pontas, pontas, devia ser proibido seduzir tanto assim as leitoras! Ele foi paciente até demais com a ruivinha, ela foi muito tapada de não se jogar nesse romance logo mas tudo bem.

    Adorei a lição que a Lily deu na vaca da prima dela! Ri d+!!!

    Ah fla sério, que sogrinha o Tiago foi arrumar, cara ela é tarada!

    Vanessa, eu tô no seu mundo de fics a pouco tempo mas já me apaixonei por todos esses marotos e marotas!

    Escreva sempre +, muito +!

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  • Kamilla

    chorei muitooooo
    aaaah, que pena que acabou ;//
    vai fazer mtaaaa falta!
    ;}
    parabéns e obrigada vanessa, por ter me proporcionado tantos momentos bons enquanto eu lia ‘um livro’ ;}

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