A casa dos gritos – Cap 10 5


Anteriormente:

– Podemos brindar com suco. – ela disse voltando com uma jarra.

– Por mim tudo bem. Chega de bebidas alcoólicas por enquanto. – respondi sorrindo.

Colocamos o suco no copo e brindamos.

– Feliz Natal! – dissemos juntos.

Teria sido melhor um final com um beijo…

– Me conte uma história de natal. – ela me pediu se encostando no meu peito.

A abracei e voltamos a conversar como se nada tivesse acontecido, mas já estávamos abraçados, e isso é bom ótimo sinal.

Cap 10 – Quem não tem namorado?

Narrado por Tiago Potter

-Tiago!

Aí Merlin! Eu sou um bom menino!

Eu não quero morrer!

O pior de tudo foi que eu morri e fui para o inferno! Prometo que não perturbo mais tanto o Ranhoso se você reconsiderar.

Eu sou muito jovem para morrer!

Certo… Nada de pânico! Eu estou no inferno, meu corpo está mais pesado que o normal e estou enxergando tudo vermelho. Pelo menos eu sempre gostei de vermelho, sem contar esses trovões.

Trovões no inferno?

Espera aí! Isso não é o inferno! É a casa dos gritos!

Ufa! É só o cabelo da Lily!

Espera aí… O que o cabelo da Lily esta fazendo no meu olho?

– Tiago acorda logo! – escutei a voz dela.

– Que? – perguntei ainda sonolento.

– Estamos com um grande problema por aqui. – ela me disse se sentando ao meu lado.

– Que problema Lily? – perguntei tentando me lembrar o que estamos fazendo dormindo no sofá da sala. – Mas afinal que horas são?

– São seis vinte da manhã. – ela respondeu dando de ombros.

Ela realmente me acordou às seis e vinte da manhã?

Narrado por Lílian Evans

Certo! Nada pânico! O que eu estou fazendo dormindo no sofá da sala com o Tiago?

Levantei-me calmamente, claro que demorou já que ele não queria me soltar.

Já me lembrei de ontem. Todo mundo nos abandonou e ficamos conversando até tarde.

Ah! Hoje é Natal!

Vou abrir meus presentes! Eba!

Espera aí… Cadê os meus presentes?

Alias, cadê todos os presentes?

Como vou passar o natal sem meus presentes? Eles podem estar perdidos por aí. Por que o feitiço não os trouxe para cá? O feitiço traz sempre todos os presentes para a árvore de…

Nós não temos uma árvore de natal! E sem uma árvore de natal não vamos ter presentes!

– Tiago! – eu chamei o dorminhoco.

Ótimo! Ele não parece que vai levantar com tanta facilidade.

Inclinei-me sobre ele para acordá-lo.

Pelo menos ele abriu os olhos… Tudo bem que ele parece bem confuso, mas já está acordado.

Será que ele esta bem?

– Tiago acorda Logo! – chamei de novo.

– Que? – ele disse ainda bem sonolento.

Nunca pensei que ele fosse tão lerdo de manhã.

– Estamos com um grande problema por aqui. Eu disse desesperada.

– Que problema Lily? – ele me perguntou olhando para os lados. – Mas afinal que horas são?

E o que importa saber as horas? Estamos com uma crise aqui e ele quer saber que horas são!

– São seis vinte da manhã. –respondi dando de ombros.

Não sei para que ele quer saber as horas.

– Você me acordou às seis e vinte da manhã no dia do natal? – ele perguntou espantado.

Esta bem… Ela estava mais para revoltado do que espantado.

– Estamos com uma crise aqui. Quer deixar o relógio para lá? – perguntei cruzando os braços revoltada.

Ele não percebe a urgência dos fatos?

– Qual o problema? – ele perguntou me olhando profundamente.

– Não temos uma árvore de Natal! – eu disse com urgência.

– Lily meu amor, não precisamos de uma árvore de natal. – ele me respondeu calmo.

Como ele pode ter calma em uma hora como essa?

– Claro que precisamos. Vamos ficar sem presentes se não tivermos uma árvore. – eu disse alarmada.

– Pegamos os presentes amanhã lá no castelo. – ele me respondeu ainda calmo e sonolento.

– Os presentes de natal, nós temos que abrir no natal! – eu disse revoltada.

– Certo. Já que é tão importante para você eu vou dar um jeito na árvore. – ele me disse finalmente.

– Isso! – gritei feliz e me jogando para lhe abraçar.

– Por que você não faz um chá para nós enquanto ou um jeito nisso? – ele me perguntou sorrindo.

– Já volto! – eu disse feliz.

Vamos ter uma árvore!

Narrado por Tiago Potter

Eu não consigo entender por que a porcaria de uma árvore de natal é tão importante para a Lily, mas já que ela não vai ficar feliz enquanto não tiver a bendita árvore tive que arrumar uma.

Até que não foi muito difícil. Acho que minha mãe não vai sentir falta de uma árvore pequena lá em casa.

Não demorou muito e a Lily logo estava de volta com duas canecas com chá.

Tomamos o chá e eu ainda estava doido para voltar para a minha cama e continuar a dormir.

– Podemos dormir agora? – perguntei depois que ela lavou as canecas.

– Agora podemos. – ela respondeu sorrindo.

Ótimo! Apesar de ser quase sete da manhã eu quero a minha cama e acho que não vou sair tão cedo dela.

Subimos as escadas nos arrastando, dormir com toda essa chuva vai ser muito bom.

– Boa noite Lily. – eu disse lhe dando um beijo na bochecha quando a deixei na porta do quarto dela.

– Bom dia! – ela respondeu sorrindo.

Não sabia que a Lily era tão bem humorada de manhã.

– O que uma meia esta fazendo na maçaneta? – a escutei falando sozinha.

Espera aí… Ela disse meia?

– Meia? – perguntei me virando para ela.

– É uma meia. Que estranho! – ela disse já tirando a meia.

Sirius!

– Se eu fosse você eu não faria isso! – eu disse voltando para a porta do quarto dela.

– E posso saber por quê? É só uma meia! – ela responde abrindo a porta.

Não quero nem ver!

A Lily colocou a cabeça para dentro do quarto e logo saiu assustada fechando a porta.

– Nunca pensei que a bunda do Sirius fosse tão gostosa! – ela disse ainda com a mão no peito e respirando apressadamente.

Ela disse o que da bunda do cachorro?

– Eu não disse isso! – ela disse antes de levar a mão na boca assustada com ela mesma.

– Eu poderia passar o dia sem escutar isso. – reclamei.

– O que o Sirius esta fazendo no meu quarto? – ela reclamou depois de se acalmar.

– Eu tentei te avisar. – eu respondi na defensiva.

– Como você sabia? – ela me perguntou desconfiada.

– Por causa da meia. – eu respondi dando de ombros.

– E o que a porcaria de uma meia tem haver com tudo isso? – ela me perguntou enquanto eu tentava a puxar para o meu quarto.

– É um código maroto! Alias, um código que o Sirius inventou. – respondi chateado.

Só ele usa essas porcarias.

– E onde eu vou dormir agora? Se eu não vou poder dormir você não vai dormir, não é?

– Você vai dormir lá no meu quarto. Tem uma cama sobrando já que o Sirius esta no seu quarto.

Acho que fiquei uns cinco minutos para convencer a Lily a dormir lá no meu quarto.

– Eu durmo aqui. – ela disse apontando a minha cama.

– Mas essa é a minha cama. Você dorme na cama do Sirius. – eu disse irritado.

Não gosto da cama do Sirius, o colchão é muito macio.

– Eu não vou dormir na cama do Sirius. Sabe-se lá o que ele fez aí. – ela respondeu já deitando na minha cama.

– E como você sabe que a minha cama é segura? – perguntei inconformado.

– Sabendo oras! – ela respondeu dando de ombros. – Não me acorde antes do meio dia. – ela me respondeu já se arrumando para dormir.

– Isso não é justo ruiva! – eu disse revoltado antes de ir para a cama do Sirius.

– Eu nunca disse que seria. – ela me respondeu antes de se virar para dormir.

Narrado por Lílian Evans

Já passou mais de meia hora que estou aqui deitada morrendo de sono e não consegui dormir!

Não acredito que vou dizer isso, mas não consigo dormir por causa dos trovões.

Por que eles têm que estar tão altos e violentos?

Por que eles não podem se comportar quando estou perto do amor da minha vida?

Sério mesmo São Pedro! Eu realmente preciso dormir e não posso simplesmente ir até a cama do Tiago e dizer que estou com medo dos trovões. Isso é um absurdo e iria acabar com a minha imagem!

Definitivamente eu não vou fazer isso.

– Lily! – o escutei me chamando.

Melhor fingir estar dormindo.

– Lily você esta acordada? – o escutei perguntando baixinho de novo.

Será que estou tendo alucinações? Eu nem bebi hoje!

– Estou acordada. – respondi.

Acho que estou imaginando coisas, pois o Tiago que eu estava escutando ficou quieto.

Grande Lily Evans! Agora esta ouvindo coisas.

– Se importa de dividir a cama? – ele me perguntou já de pé do lado da cama.

Mas é claro que eu me importo! Onde já se viu eu dormir na mesma cama que ele?

Eu sei que já fiz isso, mas eu não estava muito consciente já que eu estava morrendo de sono.

Ok! Eu sei que eu estava a dez minutos tentando criar coragem e ir dormir com ele, mas agora que ele pediu as coisas estão confusas. Depois de tudo que eu fiz ontem e do nosso quase beijo há poucas horas… Não seria errado?

– Dormiu? – ele me perguntou me olhando confuso.

– Estava só pensando com os meus botões. – respondi dando de ombros.

– Então? – ele me perguntou ansioso.

– Então o que? – perguntei de volta.

– Posso dormir com você? – ele me perguntou com a maior cara de Sirius que caiu da mudança. Ops, cachorro!

É só não olhar para os olhos dele, virar para o lado e fingir que esta dormindo.

– Sem gracinhas! – eu disse dando um espaço para ele na cama.

Eu sei que o plano não era o deixar dormir aqui, mas acorda! Esta chovendo muito!

E ele é uma gracinha assim com sono e sem óculos.

Mas que luz é essa em cima de mim?

– Apaga a luz! – eu pedi para qualquer ser vivo que estivesse por perto.

Esta tão gostoso e quentinho aqui, só essa luz que esta me incomodando!

Quem foi que abriu a janela?

Espera aí… Ninguém pode abrir a janela. Estamos na casa dos gritos.

– Finalmente alguém acordou. Foram dormir tão tarde assim? – perguntou a Dora me olhando.

– Apaga a luz e me deixa dormir! – reclamei.

– Pode ir levantando Lily! – ela reclamou puxando o cobertor.

– Larga meu cobertor Almofadinhas. – escutei o Tiago resmungando no meu ouvido.

Espera aí… O que o Tiago esta fazendo resmungando no meu ouvido?

– Levantem logo! Eu estou com fome e o Remus não esta dando conta do almoço sozinho. – ela reclamou mais uma vez.

– Almoço? – perguntei assustada.

Já é tão tarde assim?

Mas há um minuto era seis da manhã. Odeio dormir de mais!

– Dormir de mais! – reclamei tentando me levantar. – Tiago me solta! – pedi.

– Volta a dormir Lily. Esta cedo ainda. – ele reclamou me segurando ainda mais forte.

– Pelo visto a noite foi boa! – disse a Dora rindo.

– Não aconteceu nada do que você esta pensando. – eu respondi na mesma hora. – Levanta logo Tiago! Já passa do meio dia. – eu avisei.

– Estou todo dolorido – ele reclamou se sentando na cama.

– Não mandei dormir no sofá. – respondi dando de ombros.

– Você não deveria ter me acordado. – ele reclamou.

– Temos que ir para casa amanhã. Precisamos arrumar tudo. Trate de levantar. – eu disse mandona.

– Ela é sempre mal – humorada de manhã? – ele perguntou para a Dora.

– Vai se acostumando… – ela respondeu dando de ombros.

– Ei! – reclamei.

– Pelo menos os presentes chegaram? – ele perguntou.

– Chegaram, mas está bem estranho. Tem uma árvore de natal na sala. Não me lembro dela ontem. – respondeu a Dora pensativa.

– Eu montei hoje cedo. – respondeu o Tiago se espreguiçando.

– De manhã? – ela perguntou sem entender.

– Dormimos no sofá e eu acordei e me dei conta que não tínhamos uma árvore de natal. – eu respondi encurtando a história.

– Por isso vocês dormiram juntos? – perguntou a Dora sorrindo maliciosa.

– Meu quarto está ocupado. – respondi emburrada.

– Mas estou vendo duas camas aqui. – ela comentou.

A Dora esta ficando maliciosa igual à Lene. Onde arrumei amigas assim?

– Vamos disser que o Tiago ficou com medo dos trovões. – respondi sorrindo.

Pelo menos não fui eu que pedi para dormir com ele.

Ele me olhou de um jeito estranho e logo deu de ombros.

– O resto do pessoal já acordou? – perguntei para a Dora.

– O Remus esta na cozinha e não vi sinal da Lene e do Sirius.

– Melhor acordá-los. – comentei.

– Então vamos! – ela disse empolgada.

– Eu não entro naquele quarto de novo. – eu disse na mesma hora.

Não quero ver aquela cena de novo.

– Pensei que tinha gostado da bundinha sexy do Sirius. – comentou o Tiago emburrado.

– Eu não quis dizer aquilo. – tentei me defender.

– Acho que perdi alguma coisa! – comentou a Dora olhando de mim para o Tiago.

– Se você for acordar a Lene e o Sirius aposto que você vai ter deixado de perder. – respondi sorrindo. – Vou ver meus presentes. – eu disse feliz.

Presentes… Vamos ver os presentes…

– Mas eu acordei vocês para irem ajudar o Reminho e não para verem presentes. – ela disse revoltada quando cheguei perto da porta.

– É natal! Sem contar que sobrou comida de ontem de noite. – eu disse antes de sair do quarto.

Só espero que a Lene acorde logo para nos contar o que aconteceu ontem de noite.

Narrado por Tiago Potter

Estou chocado!

A Lily não disse nada mesmo quando a Dora a provocou. Isso é um progresso, não é?

Eu simplesmente fui até a cama dela e pedi para dormir com ela e ela aceitou.

Simples assim!

Aquela cama do Sirius é horrível! Não sei como ele consegue dormir nela, pelo menos a Lily me deixou dormir com ela ou eu não teria dormido.

Eu ainda não acredito que o Sirius e a Lene finalmente se entenderam. Só queria ser um mosquito para ver como foi que tudo aconteceu. Será que o Sirius disse a palavra com “A”?

Não… Acho que não!

É impossível ele ter dito a palavra com “A”, não é?

Não é?

– O que você esta fazendo parado aí igual um bobão? – me perguntou a Dora.

– Só pensando na vida. – respondi dando de ombros.

– E porque não aproveita esse te,pó livre e vai acordar o Sirius e a Lene? – ela me perguntou como quem não quer nada.

– Quero poupar meus olhos. – eu disse dando de ombros e descendo para me juntar a Lily que abria os presentes.

Desci as escadas correndo, apesar de tudo eu adoro presentes.

– Obrigada! – eu escutei a Lily falando ao meu ouvido e pendurada no meu pescoço.

Eu realmente preciso solta-la?

– De nada, mas o que eu fiz? – perguntei quando ela me soltou.

– Primeiro fez a árvore e depois me deu esse presente fofo. – ela respondeu sorrindo e mostrando o embrulho.

– Sabia que iria gostar. – respondi sorrindo.

– Estou traumatizada! – escutamos a Dora dizendo enquanto descia as escadas.

– O que houve? – perguntou o Aluado saindo da cozinha.

– Eles estão sem roupa! – ela reclamou.

– Eu falei para não ir até lá. – eu disse na mesma hora.

– Quem esta sem roupa? Não estou entendendo nada. – reclamou o Aluado.

– Vamos dizer que tinha uma meia na porta da Lily hoje de manhã. – eu respondi sorrindo maroto.

Só vi a boca do Aluado se abrindo ligeiramente.

– Só não entendi por que uma meia e não outra coisa. – comentou a Lily pensativa.

– Isso é coisa do Sirius. – respondeu o Aluado se recuperando do choque.

– Como que eles se entenderam?  – perguntou a Dora já se sentando para ouvir – Droga! Deveríamos ter ficado mais um pouco. – ela reclamou com o Remus.

– Vocês não perderam nada, nem nós que ficamos até tarde acordados vimos alguma coisa. – respondeu a Lily dando de ombros.

– Mas pelo menos vocês dois se entenderam, não é? – ele perguntou olhando para o mim e para a Lily. – Agora que todo mundo esta bem… Só falta saber como aconteceu com a Lene e com o Sirius.

– Como você sabe que eles se entenderam e eu não? – perguntou a Dora revoltada.

Olhei para a Lily sem entender e ela me olhava do mesmo jeito.

Dá onde o Aluado tirou que estamos juntos? Dos meus sonhos?

Narrado por Lílian Evans

– Como que eles se entenderam?  – perguntou a Dora já se sentando para ouvir – Droga! Deveríamos ter ficado mais um pouco. – ela reclamou com o Remus.

Até parece que eles perderam alguma coisa.

– Vocês não perderam nada, nem nós que ficamos até tarde acordados vimos alguma coisa. – respondeu a Lily dando de ombros.

– Mas pelo menos vocês dois se entenderam, não é? – ele perguntou olhando para o Tiago e para mim. – Agora que todo mundo esta bem… Só falta saber como aconteceu com a Lene e com o Sirius.

Mas de onde ele tirou essa idéia? Sò por que dormimos na mesma cama?

– Como você sabe que eles se entenderam e eu não? – perguntou a Dora revoltada.

Olhei para o Tiago para ver se ele tinha uma explicação, mas ele também não tinha.

– Eu vi os dois juntos ontem de noite. – respondeu o Remus.

Ele nos viu? Só se for conversando abraçados.

É pode ter sido… Talvez ele tenha imaginado que estivéssemos juntos. Talvez!

– E por que ninguém me conta nada nessa casa? – reclamou a Dora.

– Posso saber por que toda essa gritaria? – perguntou a Lene descendo as escadas com o Sirius.

– Pelo menos eles estão vestidos. – comentei com o Tiago que riu.

– Vocês dois sabiam que a Lily finalmente se entendeu com o Tiago? – perguntou a Dora revoltada para o casal que descia as escadas.

– Sério? E ninguém me contou! – reclamou a Lene.

– Você estava ocupada de mais nua na sua cama. – repreendeu a Dora.

– Sirius por que diabos você colocou uma meia na maçaneta do quarto? – perguntei.

– É um código! – ele respondeu dando de ombros.

– E posso saber por que uma meia ao invés de outra coisa? – perguntei curiosa.

– Por que é sempre a última coisa que eu tiro das mulheres, sempre me esqueço que as meias existem. – ele respondeu dando de ombros.

– Espero que essas mulheres fiquem no passado! – comentou a Lene não muito animada.

– Ficaram Lenizinha. Todas elas. – respondeu o Sirius como um cãozinho obediente.

– Estamos perdendo o foco da conversa. – comentou o Remus.

– Que conversa? – perguntei já que nem me lembrava qual absurdo estávamos falando antes do novo casal chegar à sala.

– Do seu romance com o Tiago. – respondeu a Dora.

Eu ri. Realmente ela falou com tanta convicção que não tive como segurar o riso.

– Não via a graça. – comentou o Tiago.

– A graça foi à convicção deles. – respondeu dando de ombros.

– Então vocês não estão juntos? – perguntou o Sirius.

– Não. – respondi.

– Ainda não. – escutei o Tiago respondendo.

– E o que fez o Remus pensar que vocês estavam juntos? – perguntou a Lene sem entender.

– Eu vi os dois dormindo abraçados hoje de manhã. – disse a Dora inconformada.

– O Tiago estava com medo dos trovões. – respondi dando de ombros.

– Ei! Não estava não. – reclamou ele.

Pensa que me engana. Que outra razão ele teria para ir dormir comigo?

– É a cara do veado ficar com medo da chuva. – disse o Sirius se lamentando. – E eu pensando que você tinha aprendido alguma coisa omigo.

– Eu não estava com medo da chuva. Só não conseguia dormir naquela sua cama horrível. – reclamou o Tiago.

– Minha cama não é horrível. – ele retrucou.

– Estamos perdendo o foco do novo. – reclamou a Lene. – Os dois dormiram juntos antes e ninguém afirmou tanto assim que eles estavam juntos.

– Você afirmou. – eu a incriminei.

– Afirmei, mas não publicamente. – ela respondeu com um sorriso falso.

– Mas e o beijo que eu vi? – perguntou o Remus.

Ok! Podem me matar de vergonha!

Narrado por Tiago Potter

O Remus tinha que falar sobre isso?

Aposto que a Lily vai ficar com vergonha e não vai olhar para a minha cara nas próximas horas.

– Então teve um beijo ontem de noite. – comentou a Lene maliciosa.

– É isso ai nanica! Mostra que você também sabe aproveitar a vida. – disse o Sirius sorrindo.

Vi a Lily corando ainda mais que o normal, isso não é um bom sinal.

– Não aconteceu beijo nenhum. – eu finalmente disse.

Claro que eu rezava para que essa afirmação durasse pouco e não me importaria se a Lily quisesse me beijar agora, alias, tivesse coragem para me beijar agora.

– Eu vi! Não adianta vocês negarem. – comentou o Remus. – Ontem perto da meia noite vocês estavam se beijando aí no sofá. – ele disse indicando o sofá que eu estava sentado com a Lily e a Lene.

– Não aconteceu nada ontem de noite. – respondi novamente.

– E lá vem ele com essa história: “Não aconteceu nada”. Já ouvi isso antes. – reclamou o Sirius.

– E a situação é parecida, por que realmente não aconteceu nada ontem à noite. – respondi.

– Só conversamos até tarde e pegamos no sono. – comentou a Lily ainda corada.

– E o beijo que eu vi? – perguntou o Aluado.

– Já disse que não aconteceu ainda.  – eu respondi com pesar.

Queria tanto que o Aluado estivesse certo.

– Eu tenho certeza que vi um beijo. – comentou o Aluado novamente.

– Aconteceu ou não o beijo Lily? – perguntou a Lene já impaciente.

– Não aconteceu beijo nenhum. – ela respondeu ficando mais vermelha.

– Mas… – começou o Aluado.

Será que a Lily vai ficar muito envergonhada se eu contar que quase nos beijamos?

– Eu só fui tirar um cisco do olho dele e você derrubou aquele vaso e pensou besteira. – respondeu a Lily.

Cisco? Quem ela pensa que engana com essa história? Era melhor ter contado a verdade.

– Cisco? Achei que você mentia melhor Lily – comentou a Dora. – Podre amiga, não sabe mais nem mentir.

– E quando foi que a Lily soube mentir que eu não fiquei sabendo? – perguntou o Sirius.

– Ei! Eu sei mentir. – reclamou a Lily.

Dessa vez fui eu que não agüentei e comecei a rir. Ela nunca soube mentir.

– Não ri que você acredito na mentira mais absurda da Lily. – me disse o Remus.

Fiquei sem entender.

– Não se lembra mais da nossa conversa com a Alice? – perguntou o Aluado triunfante.

Nessa ele me pegou… Realmente acreditei que a Lily me odiava.

– Mas que droga de conversa vocês tiveram com Alice? – perguntou a Lily revoltada.

– Conversa com a Alice? Quando? – perguntou a Dora.

– Longa história e eu estou morrendo de fome. Vamos comer… – pediu o Sirius já se levantando e indo para a cozinha.

Salvo pelo Sirius!

Narrado por Lílian Evans

Eu tenho que descobrir que conversa é essa com a Alice.

O Tiago já comentou dela e essa conversa me parece ser bem suspeita.

Preciso mandar uma carta urgente para a Alice.

– Aqui tem corujas? – perguntei assim que terminei de comer.

– Vai ter que esperar chegar ao castelo. – comentou o Remus dando de ombros.

– Ou melhor, chegar à sua casa, já que o Dumbledor disse que vai trazer a chave de portal aqui. – respondeu a Tiago.

Mas que droga! Só vou poder mandar a carta amanhã de tarde.

– Agora que todos já comeram alguém pode me contar como vocês dois estão juntos? – perguntou a Dora curiosa para a Lene e para o Sirius.

Pelo menos a conversa não era sobre eu e o Tiago novamente.

– Aconteceu! – respondeu o Sirius dando de ombros.

– Como assim “aconteceu”? Queremos detalhes. – pedi.

Aconteceu! Ele acha que isso é resposta?

– Primeiro eu comecei beijando o pescoço dela, ai fui abaixando a alça da blusa, enquanto a Lene tentava tirar a minha… – começou o Sirius.

– Não quero esse tipo de detalhe! – reclamei.

– Eca! – reclamou a Dora. – Poupe-nos dos detalhes sórdidos.

– Eu me lembro que a Lene subiu e logo o Sirius subiu também. – comentou o Tiago.

– Eu estava cansada. – respondeu a Lene.

– Por que será que eu não acredito nisso? – falei fazendo bico.

– Eu também não acredito Lily. – comentou o Remus.

– Pareceu bem suspeito a Lene subir assim e logo o Sirius subindo tentando disfarçar. – comentou o Tiago parecendo desconfiado também.

– Vocês vão ficar com frescura ou vão contar logo? – perguntou a Dora já sem paciência.

– Eu não deveria contar Dorinha. Você quis esconder da gente o que aconteceu entre você e o Remus, alias, até agora ninguém sabe direito. – respondeu a Lene dando de ombros.

– Mas isso é covardia. Ninguém quer me contar nada. – fiz drama, quem sabe assim alguém começa a me contar alguma coisa por aqui.

– Vamos lá Sirius. Pode ir contando tudo que aconteceu depois que você saiu da sala. – pediu o Tiago.

– Vocês já tinham combinado de conversar, não é? – perguntou o Remus.

– Na verdade não tínhamos combinado, mas quase isso. – comentou o Sirius meio enrolado nas palavras.

– Não entendi nada. – comentou a Dora tirando as palavras da minha boca.

– Nós tínhamos que conversar sobre a festa, mesmo que nenhum de nós quisesse realmente falar sobre isso ou tomar a iniciativa. Então quando vi a Leme subindo sozinha para o quarto achei bom tentar conversar. – respondeu o Sirius.

– E eu subi naquela hora por que estava querendo pensar em um jeito de ir falar com o Sirius sem que ele ficasse um metido arrogante.

– Não mais do que ele já é. – comentou a Dora comigo.

– Eu escutei isso, nanicas. – comentou o Sirius olhando com raiva para mim e para a Dora.

– O Sirius foi até o meu quarto para conversarmos. – comentou a Lene parecendo perdida em pensamentos.

– Algum dos dois tinha que criar coragem e vergonha na cara e ir conversar. – comentou o Tiago.

– Eu fui. Claro que não foi muito fácil falar sobre isso com a Lene. Eu não queria me falar que me lembrava de tudo e ela não queria falar antes que eu mesmo admitisse. – comentou o Sirius.

– Então você se declarou? – perguntou a Dora empolgada.

– Até parece! – comentei com o Tiago que riu baixo.

– Claro que não. Ficamos discutindo por um tempo. Até que vimos que já era natal. – comentou o Sirius.

– E eu resolvi falar a verdade. Sabe, como presente de natal. – comentou a Lene.

– E eu disse que também me lembrava de tudo. – respondeu o Sirius.

– E antes que ele falasse alguma coisa como: “Mas aquilo não conta por que eu estava bêbado”, eu simplesmente beijei ele. – disse a Lene pensativa.

– Você agarrou o Sirius? – perguntou a Dora ainda mais empolgada.

– Realmente… Com esses lerdos é mais fácil você agarrar eles. – comentei rindo.

– Ei! – reclamaram os três.

– Eu sou irresistível! – comentou o Sirius o convencido.

– Eu só te agarrei para ver se você sentia alguma coisa e dizia a verdade. – comentou a Lene.

– E deu certo. Já que eu estava pronta para falar que estava bêbado e que disse tudo aquilo sem pensar, mas quando ela me beijou vi que não poderia mais ficar sem essa morena. – respondeu o Sirius sorrindo para a Lene e lhe dando um breve beijo.

– E depois? – perguntou o Remus.

– Depois a meia foi parar na porta. – comentou o Sirius com o seu sorriso mais safado.

– Agora vocês estão namorando! Ai que romântico! – comentou a Dora sorrindo encantada.

– Vocês estão namorando, ficando, dando uns amassos… ? – perguntou o Tiago.

Os dois se olharam, acho que na duvida do que responder. Isso significa que eles não estão namorando.

– Sirius, você quer namorar comigo? – escutei a Lene perguntando.

Sério! Foi à voz dela que disse isso. Ela esta ficando maluca? Desde quando é a mulher que pede o homem em namoro?

Escutei o Remus se engasgando com o suco e a Dora foi acudir ele.

– Eu escutei direito? – me perguntou o Tiago.

– Fiquem quietos e não estraguem o momento. – pediu a Lene.

– Acho que tem alguma coisa errada nesse pedido de namoro! – comentou a Dora.

– O Sirius não deveria estar respondendo alguma coisa? – perguntei vendo que o Sirius era o único que não tinha falado até agora.

Todos nós olhamos para o Sirius com expectativa, mas ele ficou lá com os olhos dilatados e a cara engraçada.

– Almofadinhas, fala alguma coisa homem! – pediu o Tiago já sacudindo o Sirius.

– Ela me pediu em namoro cara! – o Sirius disse meio abestalhado para o Tiago.

– E ela ainda esta esperando uma resposta. – respondeu o Tiago.

– E se for para dizer sim eu não quero nenhum enfeite na minha testa Sirius. – comentou a Lene.

– Ele não é tão louco ainda. – comentei dando de ombros.

– Quer responder logo! – pediu o Remus sem paciência.

Oh! Eu nunca vi o Remus sem paciência antes.

Certo, eu também nunca vi o Sirius com essa cara de pateta antes, quer dizer, com cara de pateta eu já vi, mas nunca com essa cara.

– Sirius! Você quer namorar comigo ou não? – perguntou a Lene mais uma vez.

Acho que o Sirius foi abduzido!

Ficamos ainda alguns segundos olhando da Lene para o Sirius, até que o Sirisu levantou e deu um beijão na Lene. Sabe aqueles de cinema que a menina até levanta o pé? Um beijo desses.

– Acho que isso foi um sim. – comentou a Dora.

– Ou uma despedida. – comentou o Remus.

– Remus, meu amor, não seja pessimista igual à Lily. – pediu a Dora com uma voz enjoada.

– Ei! Eu não sou pessimista! – reclamei.

– Até parece! – respondeu o Tiago para a Dora.

– Eu ouvi isso Potter! – reclamei.

Ele só deu de ombros.

– Não acham que eles já estão se beijando a tempo demais? – perguntou o Tiago alguns instantes depois com uma cara inconfundível de maroto.

– Eu acho que é nosso dever não deixar que eles se sufoquem. – comentou o Remus com o mesmo sorriso maroto do Tiago.

Não tive nem tempo de imaginar o que eles iriam fazer, quando vi o Sirius e a Marlene já estava molhados dos pés a cabeça.

– É bom os dois correrem. – comentou o Sirius pegando a varinha.

Narrado por Tiago Potter

Depois do jantar não tínhamos muito o que fazer, alias, eu e a Lily não tínhamos muito o que fazer, já que o Sirius e a Lene não desgrudavam mais e o Remus e a Dora acabaram achando que seria legal me deixar sempre sozinho com a Lily.

Eu não estou reclamando, mas é que as coisas estão ficando constrangedoras, claro que no bom sentido.

É que a Lily agora quer saber de qualquer jeito o que eu conversei com a Alice.

O problema é que eu não posso simplesmente dizer.

– Acho que temos que confiar um no outro. – comentou a Lily de repente.

– Concordo plenamente com você Lily. E eu confio em você. – eu disse sem saber aonde ela queria chegar com tudo isso.

– Por que você sabe que amigos têm que confiar cegamente no outro. – ela comentou.

– Exatamente. – eu concordei.

Não só amigos, mas nesse caso namorados, que é o que eu vou ser em breve da minha Lily.

– Então você tem que confiar em mim e me contar que conversa foi essa com a Alice. – ela insistiu.

E lá vamos nós tentar convencer a Lily que não é bom para ela saber disso.

– Não é uma conversa muito agradável para você Lily. Tenho certeza que vai ficar sem graça e vai sair correndo. – eu comentei.

– É tão ruim assim? – ela me perguntou desconfiada.

– Não é ruim Lily, mas não é bom que você saiba assim. – eu lhe disse tentando lhe manter longe do assunto.

– Você não ajuda falando assim. – ela comentou emburrada.

– Sei que vai falar com a Alice. Se ela te contar juro que falo o que você quiser, mas não posso sair por aí falando.

Vai que as duas brigam por minha causa. Nem pensar!

– Tiago Potter, o que você anda me escondendo? – ela me perguntou muito desconfiada.

Por que fui amar a mulher mais desconfiada da Terra?

– Vai descobrir logo Lily. Por que não nos poupa do constrangimento e espera até amanhã de tarde para falar com a Alice. Sério Lil, confie em mim. Você não vai gostar de saber. – eu tentei mais uma vez convencê-la.

Ela me olhou com dúvida por um tempo. Aquele olhar vivo e penetrante diretamente nos meus olhos. Não sei ao certo o que ela procurava, mas acho que encontrou por que deu um pequeno sorriso e mudou logo de assunto:

– O que vai fazer com o eu tempo longe dos amigos? – ela me perguntou se referindo as vinte e quatro horas antes que fossemos para a casa dela.

– Na verdade não sei ainda. O Sirius e o Remus vão para casa e provavelmente vamos contar os minutos até termos diversão de novo.

– Acho que vocês vão gostar da Petúnia, alias, de atormentar a Petúnia. – ela me disse rindo.

– Então temos autorização para tornar a vida dela um inferno? – perguntei animado.

– Eu não sei de nada. – ela respondeu piscando para mim.

– Vejo que alguém por aqui esta ficando marota também. – brinquei olhando para aquela cara de sapeca.

– Tive algumas influencias. – ela me respondeu antes de começarmos a rir.

É! Acho que meu namoro com a Lily nunca vai ser tedioso.

A noite passou rápido e logo a manhã já estava terminando também.

Quando dei por mim Já estava quase na hora do almoço.

– Acho que nos esquecemos do almoço. – eu lhe disse depois que conseguimos parar de rir.

– Vamos fazer um lanche. – ela disse dando de ombros. – Colocamos a culpa no Remus que sumiu e não ajudou no almoço. – ela respondeu sorrindo.

– Sua amiga esta dando má influencia para o pobre Aluado. – comentei fingindo um falso ar de tristeza.

– Pelo menos eles ainda estão inteiros. Já não posso dizer o mesmo do que o Sirius esta fazendo com a Lene. – ela comentou segurando o riso enquanto pegava as coisas na geladeira.

– E o que o Sirius esta fazendo com a Lene? – eu perguntei sem entender.

– Esta tirando a pureza dela. – respondeu a Lily e ela mesma não se agüentou e caiu na risada junto comigo.

Essas últimas vinte e quatro horas estão sendo as melhoras. Sem mais companhia ficamos com o tempo livre para conversarmos sobre tudo e para a Lily me conhecer melhor.

Não demorou muito e ouvimos batidas na porta. E claro que só eu e a Lily estávamos disponíveis para abri-la.

E lá estava Dumbledor com seus óculos de meia lua, sua barba cumprida e um pequeno sorriso no rosto.

– Professor! – disse a Lily assustada.

– Vejo que estão se divertindo. – ele comentou ainda sorrindo.

– Não tenha duvidas. – respondi piscando para ele.

Ele sabe o quando eu amo essa ruiva.

– Pode entrar professor, estamos preparando um lanche. Está servido? – perguntou a Lily o conduzindo para a sala.

Já disse que ela fica ainda mais linda parecendo a dona da casa.

Já posso até imaginar a Lily cuidando da nossa casa e das crianças, o tio Dumb indo nos visitar e nós dois cozinhando.

– Tiago? – escutei alguém me chamando.

– Oi. – respondi.

– Estava em que mundo? – me perguntou a Lily com uma cara de poucos amigos.

– Diga minha flor. – eu disse ignorando a cara amarrada dela.

– Pegue alguma coisa para o professor beber. – ela pediu sorrindo.

Será que dá para negar alguma coisa a ela?

Quando voltei a sala com três copos de suco os dois conversavam alegremente.

– Vejo que realmente lhe fez bem esses dias longe da escola Lílian. – comentou o professor.

– Estamos nos divertindo muito nesses últimos dias. – ela respondeu feliz.

– Aqui esta. – eu disse entregando um copo para cada um.

– Você esta muito bem Tiago. – me disse o diretor sorridente.

– Vamos dizer que ficar aqui foi a melhor coisa que fizemos.

– Mas e os outros? – ele perguntou depois de mais alguns minutos conversando.

– Estão lá em cima. – comentou a Lily vaga.

– Vamos dizer que temos novidades sobre aqueles quatro. – eu comentei sorrindo.

– Então deu certo finalmente? – ele me perguntou.

Mas é claro que deu certo. Eu sempre disse para ele que iria dar certo.

– Claro que deu certo. Se não sou eu por aqui… – comentei fazendo a Lily revirar os olhos.

– E quem tomou a iniciativa? – ele me perguntou animado.

– Acho que esta me devendo dez galões tio Dumb. – eu respondi me lembrando da nossa aposta quando fomos falar com ele sobre à casa dos gritos.

– Não entendi a piada. – comentou a Lily.

– Fizemos uma pequena aposta. – comentou o diretor.

– E claro que eu ganhei. – respondi passando as mãos no cabelo.

Ao invés da Lily dizer algo como “Convencido!”, ela só riu.

– Vejo que as coisas estão melhores do que imaginei. – ele comentou olhando de mim para a Lily.

Vi a Lily ficar vermelha em milésimos de segundos.

– Não tão bem. – respondi.

– Que pena! Minerva vai ficar desapontada. – ele comentou brincalhão.

– Não quer comer alguma coisa professor? – ofereceu a Lily.

– Acho que vou ter que aceitar senhorita Evans, mas só se me disserem que não foi o Sirius que fez.

Oh! Me lembro a última vez que o Sirius resolveu cozinha, foi bem quando o tio Dumb foi visitar meus pais em casa. Acho que a disputa pelo banheiro foi grande naquele dia.

– Foi a Lily que fez. – eu respondi na mesma hora.

– Na verdade o Tiago ajudou muito. – ela disse na mesma hora e pude ver seu rosto mais uma vez vermelho.

– Estou vendo que as brigas pararam. – ele comentou quando chegamos a cozinha.

– Ela me ama. – brinquei passando as mãos pelos cabelos.

– Palhaço. – ela respondeu rindo. – Vou chamar os outros.

Mas que fique claro que ela já não discordou de mim.

Assim que a Lily saiu vi o diretor me olhando intrigado.

– Esses dias lhe fizeram bem. – ele me disse.

– Vamos dizer que a Lily esta mais receptiva esses dias. Acho que logo ela deixa a teimosia de lado. – comentei.

– Fico feliz em ouvir isso. Já disse que quero estar presente nesse casamento.

– Já está convidado. – respondi sorrindo.

– Cuide dela Tiago. – ele me pediu. – Você sabe que ela vai enfrentar muitos problemas com o Tom.

– Não me fale daquele palhaço. Meus pais ainda estão tendo muito trabalho com ele. – comentei irritado.

– Esta tendo uma guerra lá fora. E logo vou precisar de pessoas de confiança para lutar. – ele me disse.

– É só chamar. – eu disse na mesma hora.

– Quando terminarem o curso de auror. – me respondeu o diretor antes que todos chegassem à cozinha.

– Tio Dumb! – disse o Sirius feliz. – Esta me devendo cinco galões agora e mais cinco quando voltarmos às aulas. – ele comentou piscando.

O Sirius e suas apostas.

– Do que esta falando Sirius? – perguntou a Lene curiosa. – Há, desculpe. Olá Professor.

– Só fizemos uma aposta sobre o Remus e a Dora e eu ganhei. O Tio Dumb disse que os dois eram tímidos de mais e iriam precisar de mais um tempo. – explicou o Sirius.

– E o que temos para comer hoje Lily? – perguntou o Remus.

– Na verdade lanche. – ela respondeu um pouco desanimada.

– E foi tudo culpa sua que resolveu ficar namorando e nem veio nos ajudar. – reclamei.

– Vocês têm que parar de fazer comida só quando o Aluado for ajudar. E quando vocês casarem? Como vão me chamar para comer? – perguntou o Sirius com um falso ar de repreensão.

Olhei com expectativa para a Lily. Eu já estava pronto para os gritos, mas ela fingiu que não ouviu o que o Sirius disse.

– Perdemos alguma coisa enquanto estávamos aqui professor? – perguntou a Dora.

– Na verdade não muita. O ministério ainda continua fingindo que não estamos em guerra apesar das tantas mortes, os aurores estão mais atarefados do que de costume, mas nada que vocês precisem se preocupar agora. – ele completou sorrindo gentilmente.

Comemos ainda conversando alegremente e logo coloquei o Sirius e as meninas para lavarem a louça.

– Vejo que todos estão ajudando. – comentou o diretor rindo.

– Eles só estão tentando me fazer parecer uma mulherzinha para me parecer com ele. – comentou o Sirius emburrado.

– Se falar que lugar de mulher é na cozinha você vai ficar sem comida até que aprenda a cozinhar sozinho e sem uma mão. – comentou a Lene sorrindo.

– Eu adoro lavar louça! – comentou o Sirius dando um beijo estralado na bochecha da namorada.

Deixamos os três na sala, alias, os quatro, pois o Aluado foi ajudar a namorada.

– Pelo que percebi vocês são os únicos solteiros do grupo agora. – comentou o diretor.

– Na verdade ainda temos o Pedro que vai morrer solteiro. – comentei para descontrair quando vi a Lily ficar vermelha.

– A conversa esta boa, mas realmente preciso ir meninos. Só vim trazer a chave de portal. – ele disse nos entregando um abajur velho. – Ela os levara direto paa a sua casa Tiago. Já falei com os seus pais e todos ficaram por lá.

– Mas eu preciso ir para a minha casa. – disse a Lily na mesma hora.

– Acho que os meninos ficaram felizes em levá-la. – ele respondeu sorrindo.

– Só me diz que você sabe andar em outra coisa que não seja uma vassoura. – ela pediu assim que o diretor foi embora.

– Tem a moto do Sirius se preferir. – comentei.

E pela cara de pânico dela, acho que ela não gostou.

– Não subo naquela porcaria nem que me paguem. – ela respondeu horrorizada.

– Não se preocupe Lily. Não vou levá-la para uma vila trouxa em uma vassoura.

E por que não me surpreendo com esse olhar de desconfiança?

– E posso saber como vamos? A pé? Tenho certeza que nossas casas são um pouco longe. – ela disse convicta.

– Vai ver na hora ruiva. – respondeu piscando para ela. – Agora precisamos arrumar as malas. Temos uma hora e meia para a chave de portal se ativar.

Não demorou muito e já tínhamos pegado tudo que precisávamos da casa e nos reunimos na sala esperando que a chave se ativasse.

– Ninguém esqueceu nada? – perguntei.

– Não esquecemos pai! – reclamou a Dora.

– Você já perguntou isso Tiago. – comentou o Aluado justificando o ataque da namorada.

– Ele só esta sendo prevenido. – comentou a Lily me defendendo.

– Vocês vão adorar a minha casa. – comentou o Sirius.

– A casa é minha Sirius. – reclamei.

– Na verdade eu como filho adotivo tenho metade da herança, então a casa é nossa. – comentou o Sirius pedindo para ser azarado.

– Devo essa discussão não! – reclamou o Remus.

– Eles estão mesmo brigando por dinheiro? – perguntou a Lily para o Remus.

– Na verdade ele disputam a atenção dos pais do Tiago. – comentou o Remus.

– Ah! – foi só o que escutei da parte das meninas.

– Acho que a chave já vai se ativar. – comentou a Lene.

Olhei para a chave que começava a piscar em grandes intervalos.

– Todo mundo pegando suas coisas. Logo estaremos na MINHA casa. – comentei.

– Peguem suas bolsas e vamos para a MINHA casa. – disse o Sirius.

Já disse que o cachorro me perturba as vezes?

Narrado por Lílian Evans

Minha nossa!

Eu não tenho mais o que falar. Isso é realmente uma casa? Acho que isso esta parecendo uma mansão ou algo do tipo. Eu realmente estou em uma sala de estar?

É maior que a minha casa inteira. Acho melhor cancelar a festinha na minha cama!

– Gostou ruiva? – me perguntou o Sirius me abraçando pelos ombros.

– É enorme, e linda! – eu comentei ainda olhando a decoração simples e delicada.

– Realmente minha mãe tem muito bom gosto. – comentou o Sirius sorridente.

– A mãe é minha e a Ru… – comentou o Tiago a reclamar, mas parou.

– Desculpe Lily, mas por que não ficamos na casa dos meninos? – perguntou a Lene.

– Por causa do casamento estúpido da Petúnia. – eu respondi revoltada.

Aqui eles teriam um quarto para cada um e ainda iria sobrar espaço. Já na minha casa todos iriam dormir comigo no quarto, ô vida!

– Vai ser legal atormentar a Petúnia, sem contar que podemos fazer uma festa do pijama todas às noites e aqui não vai dar. – comentou a Dora sorrindo.

– Por que não fazemos uma festa do cabide? – perguntou o Sirius malicioso.

– Acho que o pai da Lily não iria gostar disso Sirius. – comentou o Remus.

– Aí caramba! – eu gritei comigo mesma.

Como vou apresentar o Tiago para o meu pai depois de tudo que falei dele nesses últimos anos?

– Esta tudo bem? – me perguntou a Lene.

– Meu pai! – eu só disse.

É… Acho que a Lene e a Dora entenderam já que olharam para o Tiago na mesma hora.

– Que troca de olhares foi essa? – perguntou o Remus.

– Vamos dizer que tenho vinte e quatro horas para convencer o meu pai que vocês não são tão ruins. – comentei derrotada.

– Ele não vai precisa disso. Ele vai olhar para mim e vai ver a perfeição em pessoa. Quem não gosta de Sirius Black? – comentou o Sirius sorrindo.

– Seu pai vai entender Lily. – comentou o Remus.

– Espero que sim! – comentei me dando por vencida.

– Sirius mostre a casa para o pessoal. – pediu o Tiago.

– O pessoal a Dora e a Lily você quer dizer, os outros já conhecem. – comentou ele. – Venham meninas!

Vi o Tiago sorrindo encorajador para mim e subi como o Sirius para ver o restante da casa.

Alias, nem tenho o que falar. É linda, e enorme, e eu tinha razão quanto aos quartos.

Quando voltamos para a sala todos estavam conversando.

– Já quer ir Lily? – me perguntou o Tiago.

– Ela nem vai conhecer os sogros? – perguntou o Sirius querendo me matar de vergonha.

– Eu preciso ir Sirius. – eu comentei.

– Tiago vai pegando as malas da Lily que eu quero falar com ela. – comentou a Lene me puxando para a cozinha.

O que essa maluca quer?

– Fale para o seu pai que o Tiago é o Remus. – ela me disse.

– O que? – perguntei sem entender.

– Seu pai não quer nem escutar o nome do Tiago. Se ele pensar que é outra pessoa, pelo menos ele pode parar para conhecer o Tiago. – me respondeu a Lene.

– Mas ele vai ficar com raiva quando descobrir a verdade e não vai dar para enganá-lo por muito tempo, principalmente com a Petúnia lá. – eu respondi.

– Com sorte o Tiago já o conquistou até lá. – comentou a Lene dando de ombros.

Mas por que eu estou tão preocupada no meu pai aceitar o Tiago? Não vai acontecer nada entre nós.

– Não preciso mentir! Eu e o Tiago não temos nada e nem vamos ter. Meu pai não precisa aprovar nada. – eu disse decidida voltando para a sala. – Já podemos ir.

– Vou levar a Lily em casa. Alguém quer ir junto? – perguntou o Tiago.

– Eu quero… – gritou a Dora empolgada – Aí Sirius! – ela reclamou – Eu quero sorvete! – disse a Dora massageando a barriga.

Vou fingir que não vi o Sirius batendo na Dora.

– Logo estou de volta. – disse o Tiago me empurrando para fora.

– E posso saber como vamos? De vassoura? – eu perguntei quando chegamos ao portão.

– Na verdade de carro, mas se quiser ir de vassoura eu acho mais empolgante. – ele me disse apertando o alarme do carro e uma Mercedes surgiu na minha frente.

– Ele fica invisível, mas como vamos ao modo trouxa… – ele comentou.

– E você sabe dirigir? – perguntei na duvida.

– Mas é claro que sei. – ele me respondeu empolgado.

Não vou entrar em um carro com esse maluco. Sem chance!

– Então vamos? – ele me perguntou sorrindo galante.

– Tem certeza que sabe dirigir? – perguntei só para ter certeza.

– Mas é claro que eu sei Lily. Vem! Vou te mostrar. – ele me disse me empurrando levemente para a direção do carro.

Enquanto eu observava o Tiago dirigir e ele tentava me convencer de que ele sabia o que estava fazendo as coisas ficaram em um clima agradável, um silêncio gostoso.

– Então Lily… Fale-me sobre a sua família. – ele me pediu depois de algum tempo.

– Não tem o que falar. – eu respondi pensativa.

– Como é a sua mãe? – ele me perguntou curioso.

– Ruiva, com os olhos castanhos escuro, pouca coisa mais alta que eu… – comecei.

Como eu posso descrever minha mãe?

– Não quero saber a aparência, isso eu vou descobrir amanhã. Quero saber como ela é, como pessoa. – ele me disse rindo.

– Não sei muito o que dizer da minha mãe… Ela é bem… Moderna!

– Como assim moderna? – ele me perguntou com um sorriso.

– Ela parece mais jovem do que realmente é, não fisicamente, mas ela sempre age como mais jovem, já posso até ver o escanda-lo que ela vai fazer quando saber do namoro das meninas.

– Então faça o favor de só contar quando eu estiver por lá. Vou adorar ver isso.

– Pode deixar. É só você ir com um algodão no ouvido. – brinquei.

– O que mais você pode dizer dela? – ele me perguntou.

– Não sei… Ela é bem amiga, sabe de tudo sobre mim e as meninas, às vezes sabe mais do que gostaríamos. E ela fala mais que a boca quando acha alguém que dê ouvidos as maluquices dela.

Ele ficou algum tempo quieto só analisando o que eu disse.

– E sua irmã? – ele me perguntou.

– Sem comentários. – eu disse emburrada.

– Me fale dela. Ela não pode ser tão ruim assim. – ele me disse divertido.

– A Petúnia não aceitou muito bem a magia, então ela acaba sendo contra tudo que envolve a magia. Ela tenta ser o mais desagradável possível. – comentei.

– Mas a Dora me disse que nem sempre ela foi assim. – ele comentou.

– É verdade. A Petúnia era uma ótima irmã e amiga antes deu entrar para Hogwarts. Brincávamos juntas, nos divertíamos e até saíamos juntas, mas tudo mudou.

– Eu realmente sinto muito Lily. Não tem como conversar com ela para que tudo volte a ser como antes? – ele me perguntou parecendo chateado.

– Não tem. Já tentei de tudo que você pode imaginar, mas as coisas só pioraram. Depois que tentei virar amiga dela de novo ela me chama de aberração e coisas do tipo e tenta fazer com que a minha vida vire um inferno, mas quem sabe daqui alguns anos ela perceba o que esta fazendo e resolva concertar o erro, até lá e só esperar.

– E como é seu pai? – ele me perguntou ainda com a voz um pouco mais leve do que de costume.

– Meu pai é um ótimo pai. Carinhoso e compreensivo.

– E por que a Lene me disse para tomar cuidado com ele? – em perguntou desconfiado.

– Vamos dizer que meu pai não é muito receptivo com garotos. – respondi tentando parecer delicada.

– Ele é ciumento. – afirmou o Tiago.

– Exatamente. Ele chega até a tratar mal o porco por um tempo.

– Porco? – perguntou ele curioso.

– O noivo da Petúnia. É como eu e as meninas apelidamos ele. Apesar da minha mãe gostar do apelido ela não admite. – completei rindo.

– E seu pai aceitou o namoro, alias, o noivado? – ele me perguntou curioso.

– Na verdade até hoje ele é contra, mas ele diz que não muito o que fazer contra isso, e tenta tratar o Valter bem, mas vai ver que ele não consegue isso com muita freqüência.

– E afinal, como é esse seu futuro cunhado? – ele me perguntou rindo.

– O porco? Ele se chama Valter, é baixinho e gordinho. – respondi dando de ombros.

– Você descreveu o Pedro. – ele me disse rindo.

– Na verdade o Pedro é até mais legal que ele. O Valter é muito preconceituoso, e por isso a Petúnia não quer que ele saiba sobre a minha maldição.

– Maldição? – ele me perguntou sem entender.

– Ser bruxa. – respondi dando de ombros. – Mas acho que o que a Petúnia mais gosta nele é que ele é bem de vida. – eu disse pensativa.

– Rico? – ele me perguntou pensativo.

– Não… Você é rico. Ele é bem de vida. – comentei rindo.

– Meu pai acha que todos os ricos são mimados, e acho que ele teve a prova dele com o Valter, apesar dele nãos ter tanto dinheiro como a sua família ou a do Sirius.

– Eu não sou mimado. – ele me disse fazendo bico.

– Não é agora, mas já foi. – comentei.

– Águas passadas. – ele me respondeu sorrindo.

– E afinal como você sabe onde é a minha casa? – perguntei agora que percebi que ele não tinha perguntado o caminho.

– Vamos dizer que já te visitei algumas vezes com o Sirius. – ele respondeu constrangido.

– Eu não me lembro disso. – comentei pensativa.

Quando ele veio na minha casa?

– Não era para se lembrar mesmo. Nunca tive coragem de tocar a campainha. – ele respondeu ficando levemente vermelho.

– Amanhã você pode ter a honra. – brinquei.

– Obrigado. – ele respondeu rindo.

Narrado por Tiago Potter

– E afinal como você sabe onde é a minha casa? – ela me perguntou parecendo só perceber agora que eu não tinha perguntado o endereço.

– Vamos dizer que já te visitei algumas vezes com o Sirius. – respondi rezando para que ela não continuasse o assunto.

– Eu não me lembro disso. – ela comentou pensativa.

Droga!

– Não era para se lembrar mesmo. Nunca tive coragem de tocar a campainha. – respondi extremamente constrangido.

Eu não podia mentir, não é?

– Amanhã você pode ter a honra. – ela brincou rindo.

– Obrigado. – respondi sorrindo.

Ficamos alguns minutos quietos e tive que quebrar o silêncio quando chegamos à casa dela.

Infelizmente a viajem foi mais curta do que eu esperava.

– Chegamos Lily. – eu disse com um leve pesar na voz, esperando que ela não percebesse.

– Até que foi bem rápido. – ela comentou sem se mexer no banco.

– Era essa a idéia. – brinquei.

Claro que não era a idéia, mas eu não poderia falar que queria passar mais algum tempo com ela no carro.

V alguém espiando pela janela da casa, acho que a diversão acabou.

– Te vejo amanhã? – perguntei irritado por ter que me despedir tão cedo.

– Vocês têm certeza que querem vir? A casa é pequena e vamos ter que ficar todos exprimidos no meu quarto… – ela começou a se explicar.

Acho que ficou com vergonha por que viu o tamanho do exagero de casa dos meus pais.

– Não nos importamos com onde vamos dormir Lily. A Diversão é justamente essa, ficarmos juntos. Imagine a confusão que vamos fazer, as conversas até de madrugada… – comentei sorrindo.

– Então até amanhã Tiago. – ela me disse sorrindo e tirando o cinto de segurança. – Não se atrasem. – ela pediu quando abriu a porta do carro para descer.

Aproveitei para descer do carro e pegar a mala dela que estava no porta-malas.

– Tchau. – ela me disse assim que encostei-me à porta do motorista esperando ela entrar em casa.

– Até amanhã. – respondi sorrindo.

Ela não chegou a se afastar dois metros, largou a mochila no chão e correu para a minha direção se jogando no meu pescoço.

Sensação maravilhosa. Queria que ela fizesse isso com mais freqüência.

– Lilian! – escutamos alguém gritando.

Um senhor de aproximadamente seus quarenta e cinco anos estava parado na porta da casa da Lily, com seus olhos verdes vivos me olhando com raiva.

É… Acho que o pai dela nos viu.

A Lily se soltou rapidamente de mim e com uma cara assustada correu para casa.

Pelo menos ganhei um abraço.

Achei melhor não ficar enrolando. Assim que a porta se fechou eu voltei para o carro a caminho de casa.

Foi uma tarde agradável dentro daquele carro. Pelo menos não vim de vassoura, teria economizado mais de meia hora e ao teria tido esse tempo com a Lily.

Fui um pouco mais rápido para casa já que logo iria começar a anoitecer.

Quando cheguei em casa todos já estavam acomodados e juntos se agarrando.

Sem ter muito o que fazer sozinho fui para o meu quarto me deitar um pouco e pensar na Lily.

Não sei direito quanto tempo passei ali deitado, só sei que já escurecerá quando a Lene apareceu no meu quarto:

– Podemos conversar? – ela me perguntou parada na porta.

– Pode entrar Lene. – eu disse me sentando na cama.

– Como foi à pequena viajem? – ela me perguntou se sentando ao meu lado.

– Muito boa. – comentei sorrindo.

– Conversaram um pouco no caminho? – ela me perguntou.

– Conversamos um pouco sobre a família dela. – comentei por cima.

– Então deve estar sabendo sobre o pai ciumento da Lily. – comentou a Lene.

– Vamos dizer que ele não me parece muito simpático. – respondi tenebroso.

– Já o conheceu? Droga! – comentou a Lene irritada.

– Não conheci exatamente… – eu disse um pouco inseguro. – Vamos dizer que estávamos nos despedindo quando ela apareceu na porta e chamou a Lily para dentro um pouco irritado. – expliquei.

– A minha intenção era que você tivesse pelo menos uma hora com o pai da Lily para que ele te conhecesse e te aceitasse. – ela comentou.

– Mas isso é realmente necessário? – perguntei inseguro.

– Tiago o pai da Lily passou seis anos escutando o quanto você é imaturo e mimado. Acha que ele irá ficar feliz quando a Lily finalmente disser um “sim” para você?

– Já entendi, mas não acho que vai dar certo. Assim que ele saber quem eu sou o seu plano vai por água a baixo.

– Não se a Lily me escutou. – comentou a Lene. – Pedi para ela falar que você é o Remus. Á que seu pai sempre escutou coisas boas sobre ele. Então você terá algum tempo para convencê-lo que você Tiago é uma boa pessoa.

– Não acho que vamos enganá-lo por tanto tempo, se é que a Lily mentiu, e não acho que a Lily iria mentir para o pai dela.

– A Lily só esta com medo Tiago. Ela quer ficar com você, mas tem medo.

– Eu sei! – comentei um pouco irritado.

Pensei que ela já teria perdido o medo dela depois de tantos dias juntos.

– Se você tiver o pai da Lily te apoiando às coisas seriam bem mais fáceis. – ela comentou antes de sair do quarto.

Pelo visto vou ter uma boa conversa com o senhor Evans.

Narrado por Lílian Evans

Até agora não acredito que eu menti para o meu pai!

Como eu fui seguir a idéia idiota da Lene de falar que o Tiago é o Remus, só para o meu pai não ficar com raiva?

Eu sei que realmente deu certo. Meu pai não ficou com raiva por eu estar abraçada com o “Remus” perto do carro, mas é bem estranho.

– Lily querida, vem jantar! – escutei a minha mãe me chamando.

Como prometi para o Tiago não contei para a minha mãe sobre o namoro das meninas. Só quero ver o mico que vou pagar quando ela fizer um escândalo na frente de todo mundo.

Não posso dizer que o jantar foi agradável, já que a Petúnia só queria falar do porco do noivo dela, e é claro falar o quanto eu sou horrível, uma aberração que nem ao menos um namorado eu tenho.

Cansada da conversinha irritante da Petúnia voltei para o meu quarto e escrevi finalmente a carta para a Alice perguntando qual é o segredo que ela tem com o Tiago. Alias, acho que não fui muito delicada perguntando, eu meio que a intimei a dizer o que os dois estavam me escondendo.

Como ela demorou para responder eu acabei pegando no sono.

A Alice demorou tanto para responder que só recebi a resposta depois do almoço, mas não tive chances de chegar a ler assim que fui pata o meu quarto já que a Petúnia resolveu aparecer: e para o meu azar acordei com a Petúnia irritando:

– Mamãe me disse que você vai povoar a casa de aberrações. – ela comentou me olhando com raiva.

– São pessoas Petúnia. – respondi sem importância.

– São monstros como você. E não os quero aqui no meu casamento. Mande todos embora e vá junto com eles. De preferência não volte mais.

– Eles vão vir, vão ficar, e você vai ter que aceitar. Ou aceite ou fica irritada atoa.

– Esta tentando arruinar o meu casamento só por que você esta encalhada? – ela me perguntou já gritando.

– Eu não estou encalhada Petúnia. Você não sabe nada sobre mim. Pare de fazer suposições. – eu respondi irritada.

– Vocês só têm esses amigos por que deve pagar para eles. Ninguém iria quere namorar você. Uma aberração! Você vai morrer solteira e vai virar titia. E claro que não vai ficar perto do meu filho. Não vou querer esse tipo de influencia no meu filho.

– Saia do meu quarto Petúnia! – gritei irritada.

– Olha só… A aberração esta nervosinha! – comentou a Petúnia rindo.

– O que esta acontecendo aqui? – perguntou meu pai aparecendo no quarto.

– Só estávamos conversando. – respondeu a Petúnia saindo do quarto.

– Esta tudo bem filha? – ele me perguntou.

– Esta tudo ótimo pai. – respondi segurando as lágrimas.

Assim que meu pai saiu do quarto não tive como segurar mais e logo estava soluçando.

Não sei por quanto tempo fiquei ali me lamentando pela Petúnia, só sei que me recuperei logo e a primeira coisa que fiz depois de lavar o rosto foi correr para ler a carta da Alice.

<i>“Oi Lily,

 

Como estão as coisas por aí?

Quero saber tudo sobre à casa dos gritos. Como ela é? Como os meninos se comportaram? Todos já estão de aliança no dedo?

 

Queria tanto ter ficado para ver a cara de vocês… E claro que passar o natal com vocês! Gostou do meu presente? Eu não fazia idéia do que comprar, mas o Frank ajudou.

 

Em falar nisso não vou poder ir na sua casa, tenho um compromisso com a família do Frank, mas vou tentar aparecer por aí, apesar de achar que você não vai sentir tanto a minha falta com tanta gente por aí. E não me esqueça de contar a cara da Petúnia quando ver os meninos.

 

Sobre a sua pergunta eu não queria te contar, mas como o Tiago é um boca aberta ele que te explique tudo depois, o que você realmente precisa saber… Olha Lily… Não fique brava comigo. Eu só estava te ajudando.

 

Você se lembra quando somos para a casa dos gritos e eu pedi para falar com os meninos na cozinha? Eu fiz uma coisinha que vocês não vão gostar muito. Eu contei tudo para eles.

 

Contei que a Dora ama o Remus, mas que tem vergonha de falar com ele, assim como contei do orgulho da Lene e para completar deixei o Tiago saber, alias, escutar você dizendo para a Lene que o ama.

 

Não fique com raiva. Só fiz o necessário. Se eles não forem burros terão me escutado, tirando o Tiago que não tinha muito o que fazer. Só fiz aquilo para que ele não desistisse de você.

 

Espero que me entenda.

 

Estou com saudades

 

Alice.”</i>

 

Ai meu Deus!

Nada de pânico! Nada mudou! Não é?

Respira… Inspira!

Dim-dom!

– Lily tem gente na porta! – gritou minha mãe. – Atende lá. Estou fazendo bolinho de chuva.

– Já vou! – gritei ainda tentando me acalmar.

Eles já tinham chegado!

Desci correndo e estranhei o meu pai não estar na sala. Hoje é dia de jogo e ele não perde por nada. No mínimo esta no intervalo do jogo e ele aproveitou para comer alguma coisa e ir ao banheiro.

Respirei fundo a abri a porta da sala.

Senti meu rosto esquentar quando vi o Tiago sorrindo.

– Entrem! – pedi sem olhá-lo nos olhos.

– Que saudades nanica! – me disse o Sirius me abraçando apertado.

– Eu não consigo respirar Six. – eu disse tentando pegar ar.

– E a tia? – perguntou a Dora.

– Já deve estar vindo. Ela esta curiosa para ver os meninos. – eu disse rindo.

– Já posso até imaginar a cara dela. – comentou a Lene.

– Olha só… Você não seguiu os meus conselhos Lily. Eu disse para não trazer aberrações para a minha casa. – disse a Petúnia aparecendo.

– A casa também é minha Petúnia. – respondi entre dentes.

– E quem são esses? Você ameaçou eles ou pagou para que eles fingissem que gostam de você? – ela perguntou olhando os meninos com desdém.

– Esses são meus amigos. – eu disse irritada.

– Vi que um deles deve apanhar muito. Você andou batendo no coitado para vir até aqui? – ela perguntou olhando o Remus;

– Esse é o Remus e não ouse falar assim dele. – eu respondi irritada.

– Por que você não vai ver se estamos lá na esquina Petúnia? – perguntou a Dora irritada.

– Vejo que voltou mais corajosa do mundo das aberrações Ninfadora. – comentou a Petúnia olhando a Dora irritada.

– E você esta ainda mais venenosa do que de costume Petúnia. – respondeu a Lene.

– Oras vejam se não é a Marlene. Ainda esta beijando qualquer um por aí? – ela perguntou olhando irritada para o Sirius.

– E você ainda beija aquele porco? – perguntou a Lene.

– Ora sua… – começou a Petúnia.

– Não enche Petúnia. – respondi já me irritando.

– Estou vendo que você agora é a única aberração solteira Lily. Como se sente segurando tantas velas? – perguntou a Petúnia maldosamente.

– E quem disse que estou segurando vela? – perguntei.

De onde eu tirei isso? È claro que eu estou segurando vela!

A Petúnia começou a rir.

Dá para acreditar que ela estava tão descrente que eu não consigo arrumar alguém que ela esta rindo?

– Coitada Lily. Arrumou um namorado imaginário foi? – ela perguntou ainda se acabando de rir.

O que eu faço agora?

– Por que não vai encher a paciência da sua vó Petúnia? – perguntou a Lene irritada.

– Por que não cuida da sua vida Marlene? – retrucou a Petúnia. – Deixa a encalhada se expressar. Quero ver o que ela vai inventar agora. Já sei… Esta namorando um fantasma. Só alguém morto para gostar de você.

– Não achei graça. – comentou a Dora.

Vi que os meninos olhavam tudo com atenção e desprezo.

Foi quando o meu olho pousou nele. Acho que o Tiago não vai ficar com tanta raiva, vai?

– Meu namorado é bem mais bonito e educado que aquele porco que você chama de noivo Petúnia. – respondi.

– E quem seria seu namorado? O gasparzinho? – ela perguntou rindo.

– Não! Ele é meu namorado! – eu disse apontando para o Tiago.

O que foi que eu fiz?

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sobre Vanessa Sueroz

Autora dos livros Confusões em Paris, Minha última chance, Odiado Admirador Secreto, Presente de Aniversário, Eu te amo mais e Três Botões.


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